Os Bolonistas

Coluna do Amaral



 
 

Preguiça, mas necessária...

 


Bolonistas, vamos resolver no braço...



Queria ter mais tempo, argumento e paciência para discutir mais um pouco sobre o que estamos fazendo do nosso mundo. A questão da microsaia da menina que acabou em apupos de vagabunda, e outros de quilates menores, numa universidade do Estado de São Paulo, a locomotiva do país, revela uma perversa equação, que justifica a intolerância, reverbera a violência como solução de situações que possam causar desconforto e que mostra uma falsa indignação. Porque no fundo não vamos discutir as raízes. Vamos ficar nos xingamentos e no tamanho das vestes.


Não iremos parar e refletir sobre o porque milhares de estudantes resolvem engrossar um coro de xingamentos, numa onda que se propaga em movimento inercial. Porque esta onda se propaga, em segundos, sem reflexão, sem negação, sem reação adversa. Porque marmanjos crescem em demonstrações de virilidade e profunda estupidez.


Não iremos requerer dos avaliadores dos órgãos do Ministério da Educação uma investigação profunda sobre a estrutura das instituições de ensino e sua responsabilidade nesta imbecilidade. A questão não é curricular, somente. Tampouco se esgotam nas notas dos sistema de avaliação. O relevante, que se tem esquecido, é como se estruturam as redes de ensino privado no país, sobretudo as de nível superior. Quais as bases para que tais instituições tenham licenças para funcionamento, quais as relações entre estas instituições e a sociedade e se nestas instituições há garantias de respeito à diversidade, a tolerância ou o que vale mesmo é o preço do mensalidade e do diploma.


Enfim, irrita esta discussão. Agora vamos ao debate sobre a expulsão da aluna e sua reintegração. É muito pó.


E, lamentavelmente, percebemos que vamos mesmo é ficar na dicotomia tamanho da saia versus xingamentos e ameaças. E que estas demonstrações de virilidade estão arraigadas e que nossa indignação é sazonal ou de conveniência. O macho é o que diz que vai partir para a porrada, que diz que vai resolver as coisas no braço, que tem coragem de agredir. E o coro de “juiz calhorda e ladrão” toma conta da arquibancada.


10.11.2009



Escrito por Amaral às 01h02
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Três Nove Avos ou mais..

 

Bolonistas, um feriado e uma das outras estórias...


Era matemático. Desde o primeiro emprego alternou os dias na sala de aula e em salas de pesquisa. Ia bem, não ia mal. Gostava das classes e era apaixonado por idéias. A matemática o completava, como o dois de um e um.


Estudava muito, também. Eram livros, mas eram anotações em cadernos, guardanapos, extratos bancários e até em livros. Tinha uma queda irresistível por análises combinatórias. Sim, este era o seu xodó. E gostava de suco de limão, sem açúcar, feito com água com gás.


Lecionara anos na mesma escola de segundo grau. E numa boa oportunidade trabalhou em um instituto de pesquisa. Reviu números de pesquisas, conferiu grades, observou eleições de perto se definindo aos poucos e aos números. Não gostou e para ficar em paz deixou de lado uns bons trocados.


Tinha um grande amor, Marta. Eram para ela os crisântemos que sempre comprava na mesma banca de flores no caminho de casa. Amarelos, vermelhos, azuis. Sabia dos corantes e no fundo não se importava. Gostava era do sorriso dela toda cesta.


Obcecado era por gibis de super heróis. Volverine, Batman e o Átomo eram os preferidos. Mas não negava sequer o Capitão América. Tinha uma imensa coleção de histórias em quadrinhos e adquirira recentemente o hábito dos desenhos animados. Dizia sempre que a lógica utilizada pelo Homem Morcego só poderia ser a resultante de bons conhecimentos de matemática. Nos sonhos era ele o professor de Bruce Wayne.


Um dia ensolarado e com algumas dúvidas quanto ao tamanho do mês e sua relação com o quantum dos vencimentos, recebeu uma proposta irrecusável para trabalhar em um jornal de esportes, como consultor e elaborando estudos sobre as chances de cada time no campeonato, usando a matemática para analisar as probabilidades de caneco ou de rebaixamento. Sim, também gastava preciosos neurônios com o futebol. Recusou, de forma insofismável: “Seria uma fraude terrível. Meus números sempre tenderiam a flertar com meu time”.


Uma vez o encontrei na praça, lendo jornal. Abriu um largo sorriso e me disse, com brilho no olhar: “Percebeu? Na matemática, já empatamos.” Vestia a camisa do time e tinha no semblante a convicção de que sete é a soma de quatro mais três.


02.11.09



Escrito por Amaral às 01h11
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Ao Vicente Feola, chefe de cozinha

 

 

 

Bolonistas, que horas sai o pão?


Tomate é bom. Mas um pouco de azeite e sal lhe dá mais vida. Assim é com o quiabo, que com calabresa se transformam em casal de novela das oito, final feliz. Nestas bobagens costumeiras que passam pelas minhas divagações não posso encontrar outras comparações para o futebol do campeão brasileiro do que os quitutes da culinária simples, daquelas da cozinha de casa.


O jogo deste sábado foi uma das pérolas das iguarias sem tempero. E com direito a considerações demoníacas que fazem um simples bife frito nos causar indigestão. Sofremos na segunda metade da peleja pressões inexplicáveis, injustificáveis e até tremores. Não que durante a vida não encontremos exemplos de partidas duríssimas contra times considerados pequenos ou aberrações similares. Mas é que o hábito faz o monge e definitivamente não podemos nos acostumar com macarrão mole, café doce ou chuchu sem mistura.


Não queremos necessariamente cordeiros com molho de hortelã todos os dias de nossas vidas. Nem bacalhau, este santo processo, dá conta de ser o feijão com arroz. Mas temos o direito de querer um temperinho, um alecrim, uma acelga com bacon. Ainda que vegetarianos radicais, todos, um tofu só com tofu dá nos nervos.


Ninguém quer o impossível, notem bem. Ninguém quer um quadro de bienal em sala refrigerada. Queremos pouca coisa. Um limão. E só. O gol de falta do Hernanes contra o Santos nos satisfaz. Mas ninguém, em sã consciência, não deixa de ter uma fome por um capricho, um esmero, um toque de letra. E um time que não faça do Barueri um adversário temível, maligno, sorrateiro.


Enfim, caríssimos, nestas rodadas que seguem, quem sabe não encontramos uma polenta, uma carne moída, um molho de tomates frescos. Porque da cozinha dos outros, me desculpem, nem alface crespa vai para o prato com cara de verdura. Quanto mais os refogados...


31.10.09

ps.: Vicente Feola foi o treinador do Brasil na Copa de 1958. Dizem que este foi o melhor Brasil de todos os tempos. Pelé, Garrincha e Didi no mesmíssimo time. Os almanaques o chamam de bonachão. Mas o fato essencial foi que Feola dirigiu o São Paulo Futebol Clube por mais de quinhentas vezes. É o treinador que mais vezes coordenou nossa orquestra. Uma história de cozinha, sem dúvida.

 

 



Escrito por Amaral às 01h06
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Daqui a pouco cerveja com o Renato...

 

Bolonistas, quando nos vemos...


Quando me disseram que ele viria, sinceramente, não acreditei. Tinha jogo na televisão. Era o time que poderia ser o campeão que tinha que ser secado. Enfim, achei que ele iria secar e esqueceria de nosso encontro. Duvidei e errei. No horário marcado ele estava lá. Sorriso no rosto e uma cara de contente, pontual.


As primeiras cervejas tiveram aquele gostoso gosto de nostalgia. De bola de papel no quintal da escola, da Copa de 82, de refrigerante e campeonato de arroto, das meninas e das saias das meninas no uniforme do colégio. O uniforme rendeu boa prosa. E outros tantos outros sorrisos. Lá pelas tantas, já devidamente acompanhados por pastéis e lingüiça, o papo enveredou pelos caminhos e descaminhos. Pelas opções, pelos arrependimentos, pelas certezas, pela vida que cada um de nós levou e leva. Sim, não fugimos da ausência prolongada e como vinho entendemos que a ausência pode ser saudade ou posse. Quando saudade é saudável e querida, como marmelada de que não se come todo dia, mas tem sabor que não se esquece. Quando posse é aquele monstrinho chato e irritante que se transforma em obrigação e, consequencia, puro fastio. A marmelada vira dietética. Ao fim desse papo, a velha promessa improvável de outro encontro, em breve tempo.


O que se seguiu foram as conversas sobre política, desencanto, um pouco de caderno de cultura, filmes, novelas, misturado com revista de fofoca e “Playboy”. Estranhamente ninguém falou do Nacional de Futebol. Entendi como um acordo sem palavras, ambos torcíamos pela mesma gente e estávamos definitivamente secando um outro time qualquer. As vezes é nestes momentos que mostramos o quanto gostamos do nosso time, sem dizer nada , revelando tudo.


Foi o garçom que entregando a conta deu a senha: “Foi quatro a zero. Eles ganharam.”. Ombros e pedimos a saideira, sagrada. “E aí, vamos ganhar mais esta?”. “Evidente!”. “Até, meu velho. Saudade.”.


30.10.2009



Escrito por Amaral às 20h36
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Quitutes do Bar Serafim e das Ladeiras

 

Bolonistas da Rua da Carioca...

 

 

 

Outro dia mesmo estive a zanzar pelas ruas estreitas dos meus vagos pensamentos. Entre ruelas repletas de idéias que nunca se encontram, encontrei uma esquina com o seguinte pensamento: “Ganhar, vamos. Mas sem gol do Rogério é impossível.”. Fiquei matutando aquela aporrinhação. De fato era barbada a conclusão de que um caneco sem um mísero gol do Imortal era improvável. Nem gol de penalidade máxima, observei. Ruminando tais considerações decaí em profunda agonia.

 

 

De fato o ano não está muito bom para o arqueiro, capitão, imortal e recordista de goles da Galáxia. Contusões e lavanderia. E um ar macambúzio, de enfado, ouso até: triste. E nas outras ruas em que caminhei, pensamentos em vão, teria encontrado uma das razões para o ceticismo que tomou conta do Dileto nesta temporada. O Imortal estava cansado.

 

 

Todos merecem um descanso. Ainda mais quem tem no mural defesas épicas, goles heróicos e a taça de campeão do mundo. E com esta conclusão de quem está com sono decidi não mais pensar neste assunto.

 

 

Final de semana sem muitas preocupações terrenas, exceto as camisas do Flamengo anunciando o novo concorrente. Navegando pelas ruas do Rio de Janeiro, feijoada em Santa Tereza, depois de uns bolinhos de bacalhau nas Laranjeiras, teria sido uma estupidez atroz acompanhar ao jogo do São Paulo com ares de crítico de música. Resolvi só torcer.

 

Zero a um. Palavrão. Um a um. Golaço estupendo, magnífico. Um a dois, caçarolas múltiplas. Dois a Dois. Entusiasmo. Três a dois. O campeão voltou. Três a três, juras de ódio. A feijoada já encontrava com o bolinho, trocavam idéias com a pimenta, encontravam desculpas na água com gás, culpavam as geladas cervejas, a caipirinha de pinga e até os chopes da manhã. Era uma confusão daquelas aquela que se anunciava.

 

 

Olhar atento. Falta. O Imortal caminha. Batata. A pelota mansa. Escrito. Bola no canto da barreira, contrapé do goleiro alheio. Insisto. A bola encontra a morada, sorridente, faceira, feliz. Caneco. Quatro a três. Não há mais dúvidas. Previsto. As ruelas todas comemoram interditadas para acompanhar o passeio das alegrias infames. Nem um tiquinho de sal de fruta foi gasto no carnaval.

 

 

27.10.2009

 



Escrito por Amaral às 18h46
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No ataque: Freud, Jung e Raul Seixas

 

Bolonistas carentes ...

 

 

O pior cego é aquele que não quer ver: Trata-se esta de uma frase milenar, de conteúdo científico, que salta das páginas dos zilhares de compêndios de auto ajuda espalhados pelo planeta, ditas nos rincões da Mongólia e nos agitados convescotes das coberturas do Leblon. Mas a cegueira é voluntária, pergunto com um ar de desesperança?

 

 

Escrevo esta filosofia de liquidação para tentar compreender o que está a desmoronar as esperanças do São Paulo Futebol Clube neste campeonato nacional de futebol. Que a vaca foi para o brejo, não há dúvidas. Até os alpendres da sede social do clube reconhecem tal episódio. O time não consegue e é isso. Não há falta de vontade, inaptidão, técnica ou tática. O que tem acontecido é que simplesmente não mais podemos. A alma trancada em si mesmo. Depressão. O obituário do desejo.

 

 

Vejam nossos atacantes. Todos os três “titulares”. Dagoberto, Borges e Washinton retratam amiúde este painel de lágrimas densas que descrevo neste instante. Não vejo nessas três almas que perambulam vestindo o manto pelos jogos do Nacional falta de vontade ou caráter. O que percebo, nas entrelinhas dos passos, é que estas almas não podem mais, não suportam mais. Esgotamento. Fim. Acabou-se o que era doce.

 

 

A inexorável conquista do título de 2010, declamada em todos os panegíricos jamais escritos, é descrita com coragem, lucidez, bravura. A depressão é algo que nos acolhe, abraça, teima, seduz. Para a ponte que transpassa o vão entre este estado de letargia e a gana da conquista dependemos de esforços sobrenaturais, da benzedeira ao divã, do místico e da psiquiatria clínica.

 

 

Reconheçamos que o ciclo acabou com a demonstração de fé que nos tirou da zona do desterro para o grupo dos quatro. Naquele momento o time provou que era tricampeão. E esgotou ali a possibilidade.

 

 

Portanto, para o caneco transcendental que nos aguarda, precisamos de seres novos, sangue renovado, almas leves. Oscar, Henrique, Aislan, Diogo são necessários, vitais, essenciais.

 

 

Repito o que dito em alguma coluna perdida: não nos importa o título, já o temos. Temos é que sair da letargia e das ferragens que nos prendem a este futebol de desencanto.

 

 

Ao hepta, senhores.

 



Escrito por Amaral às 18h55
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XV de Jau versus ASA

 

 

 

Bolonistas, setembro termina...

 

 

 

Alguém vai dizer, com certa dose de razão, que o São Paulo Futebol Clube abandonou a disputa pelo caneco de 2009. O empate de ontem teve gosto de chá velho, nem quente nem frio. E fornece munição aos torcedores do Sport Club, pois revela uma forte tendência à freguesia.

 

 

O empate foi patético. O time demonstrou raça, o que não é pouco. Mas faltou tranqüilidade e capacidade para impor o jogo. Em síntese, nessas fases cíclicas em que a camisa joga mais do que o próprio time, o clube com nome inglês devolve, ainda que sem a mesma fidalguia, as indigestas derrotas no período anterior ao gol do Betão, no ano inesquecível do rebaixamento.

 

 

Mas a questão não é o empate. Vamos ganhar o quarto caneco e esta questão me parece tão óbvia como a certeza de que a soma de dois números pares resultará num outro número par. A questão é encontrar logo o nosso eixo para não deixar para as últimas rodadas uma busca ingrata ao Clube Que Não Deve Ser Nomeado.

 

 

Ricardo Gomes teve uma missão espinhosa. Entrou numa arapuca, porque quis, é verdade, e muitos eram incrédulos. Cornetas zombaram de nossas qualidades e alguns piadistas de véspera vaticinaram nossa ida para outras séries e, pior de tudo, que nossa jornada em 2010 era a Copa do Brasil. Mas o time foi se arrumando, ganhando, atropelando. E apresentava uma característica diferente dos anos anteriores: leveza e alegria na posse da menina.

 

 

E é este o ponto central da discórdia com relação aos últimos desatinos: O São Paulo de Ricardo Gomes não é a engenharia matemática de Murici, que teve seus momentos de genialidade, como canso de repetir aqui nestas nossas páginas. O São Paulo de Ricardo Gomes só conseguiu entrar numa disputa a qual alguns incautos classificavam de impossível, a luta pelo título, por duas razões lunares: A primeira, a cadência nova do time. Hernanes com bolas de açúcar, Dagoberto com sorrisos nos pés e Jorge Wagner deixando descansar o lado kicker de futebol americano. Richarlisson com pulmões de ópera. E o time jogando com sincera felicidade. A segunda razão é o destino, o sol que rege o horóscopo tricolor.

 

 

Concentremos-nos, portanto, nas próximas rodadas, nas primeiras razões. André Dias não pode ter medo de errar, porque quando se tem medo, se erra de forma bíblica. Nossos volantes não podem ter a precisão suíça dos relógios, lhes é permitido ousar, sonhar, voar. Junior César pode voltar a correr como a lebre que encantou a Ilha do Retiro. Jean pode e deve voltar ao improviso de um Kroll, o dínamo holandês.

 

 

Ricardo Gomes, meu caro, ouça o conselho deste humilde bolonista: o caneco é um detalhe. Esqueça a matemática e se entregue ao improviso. Este será o caneco da diferença. As lições das últimas rodadas nos ensinam que querer copiar é mera cola de ginasial. São os outros times que querem ganhar e para os mortais o caneco é obrigação. Este é o segredo. Para o povo vermelho, preto e branco a taça é só mais uma loa, um capítulo, uma jornada.

 

 

Faltam só cinco pontos. Ao hepta. Ao tetra: “O campeão voltou”.

 

 

28.09.2009



Escrito por Amaral às 19h59
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A estréia

 

 

Bolonistas, o relato de um caneco...


Os lugares comuns, se não explicam muita coisa, também não complicam. É chavão afirmar que um campeonato de futebol se decide em detalhes, em lances de sorte ou de azar. Para mim, sinceramente, pouco importa. O campeonato já acabou. Acabou no sábado retrasado. E marcou definitivamente o título de 2009. Mais uma vez o São Paulo Futebol Clube trouxe o caneco, numa jornada épica, memorável, sui generis, espetacular.


E este título tem um sabor especial. A dificuldade da campanha, a recuperação, o brilho nos olhos dos torcedores e seu novo cântico eterno: “Ô.... o campeão voltou... o campeão voltou.... o campeão voltôôô!”. Confesso que me emocionei muito. Deveras.


E nada melhor que do que estar no Cícero num dia desses. Cícero lotado, sábado de sol, dia agradável para jogo. E as melhores decisões táticas que resultaram neste retumbante título. Nada melhor do que recuperar, “tintim por tintim”, os memoráveis momentos da decisão. E do caneco. Um dos mais legais que tenho na galeria. Um gol de placa.


Na sexta feira, lendo os periódicos, a idéia: “Poxa, amanhã tem jogo. São Paulo e Avaí. Seis da tarde.”. Mirei e procurei pelas improváveis notícias do tempo: “Dia claro. Com pouca probabilidade de chuva.”. Os pensamentos voaram longe: “O time está embalando. O Rogério Ceni joga. Jogo de uma torcida só.”. Tudo conspirava para o caneco. É verdade que a missão de comprar ingressos no Morumbi sempre me deixa aturdido. Mas resolvi enfrentar o dilema. Mas a condição era aguardar pelo começo do sábado para as últimas avaliações do estado do gramado e da nebulosidade.


Sábado e sol. “Nossa, é o dia!!!”. Entrei nos sítios do tricolor na rede para procurar locais de venda de ingresso. A estapafúrdia idéia de assistir ao jogo nas arquibancadas me contagiou, feito gol de Raí. “Mas será que não tem problema?”. Encontrei uma solução intermediária e como bom treinador percebi que o time precisava jogar na segurança, para evitar desastres e imprevistos. Comprei ingressos de uma tal cadeira superior, que fica nas arquibancadas do Cícero, lugares que segundo o sítio eram numerados e só poderiam ser adquiridos pela rede mundial. Incrédulo com o respeito aos números da cadeira, ainda assim, encarei.


Almoço sem pressa. Restaurante italiano. Eles sempre comem o macarrão a bolonhesa. Um clássico, que garantiria que a fome não seria uma zagueira implacável na hora do jogo. No banheiro do restaurante coloquei o manto sagrado. E informei a todos: “Iremos ao jogo!”. Mandei mensagens para os celulares de alguns bolonistas e de amigos tricolores. Pedia, nas entrelinhas, palavras de estímulo. Vieram, me alegrei. Parecia uma criança. Mais uma.


Fomos de carona para o estádio. A Renata nos deixou no Cícero. E foi dela a dica que garantiu ainda mais a classificação: “Segurem na mão do papai. Não soltem!!!”. Eles sorriram, admirados com a pequena multidão, com as filas, com as bandeiras, com os cânticos. Mãos dadas e fomos os três meninos encontrar nosso lugar no palco. O pequeno pela primeira vez.


E para a surpresa agradável de meus botões, o lugar era realmente marcado. Na área central do estádio. Ampla visão do jogo e da torcida. “Pai, aquele de preto é o Rogério, não é?”. O caneco veio assim que o pequeno começou a cantar, pulmão pleno, o hino do clube. O grande cantava o clássico “Caiu na rede é peixe” e eu, pasmo, tratava de segurar um choro quase incontido e que fazia tempo queria sair. Lembrei do Seu Nilton, lembrei de São Paulo e Juventus, lembrei de Zé Sérgio. E nessas lembranças cantei que tínhamos voltado: “O campeão voltou.”


O jogo, ganhamos. 2x0. O caneco veio com pipoca, com pedidos de “Pai, agora que acabou vamos tentar ver o campo mais perto”, “Pai, o que é que eles diziam... filho do que???”, “Pai, legal, né?”. No táxi, na volta, eles dormiram, exaustos. Antes o grande ainda cantarolou, naquele quase dormir, um pouco rouco: “Ô time de azul falhou... time de azul falhou... time de azul falhooou”. O Avaí jogava de azul e nesta deliciosa cancioneta percebi que o caneco estava lá, numa deliciosa estante da memória.


24.09.2009

São Paulo 2x0 Avaí, 12.09.2009. Gols de Dagoberto e Hugo.



 

 

 



Escrito por Amaral às 12h30
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Só resta agora uma coisa: O Hepta

Bolonistas, agosto está terminando...

 

 

Se pudesse ter escolhido um resultado, escolheria o zero a zero.

 

 

É verdade que o empate nos deixa quatro pontos daquele que não deve ser nomeado. É verdade que na corrida pelo título esta diferença é considerável. Mas também é verdade que nos poupar de ver o velho e bom Murici comemorando um eventual gol do adversário foi bom. Fez bem para a alma.

 

 

A saída de Murici do São Paulo era inevitável. Havia um desgaste no trabalho do nosso treinador tricampeão. Creio que a diretoria errou ao colocar um ponto nesta história sem assumir os erros da própria diretoria. Deveriam ter poupado o nosso treinador da desgastante “responsabilidade” pelo fracasso da Libertadores e por nossa inapetência no primeiro semestre. E tenho tido um prazer diferente ao assistir aos jogos do SPFC com Ricardo Gomes. O time de fato parece mais leve, alegre e menos carrancudo.

 

 

Com Murici nos desacostumamos a perder. Exceto nas pelejas da Libertadores, que foram derrotas doloridas pela cobiça que nós torcedores temos pelo caneco continental, e por isso tão marcantes, o São Paulo era um time de uma irritante obviedade e de previsível resultado, a vitória. Com o Ricardo reaprendemos a perder e a sofrer. Vai ser um caneco diferente este que conquistaremos em 2009. Desconfio que as comemorações serão até mais calorosas.

 

 

Mas ontem, sinceramente, não era dia para triunfos ou humilhações. Murici é como nós, um torcedor do São Paulo. É sempre bom, portanto, um período de resguardo antes das pilherias naturais que nascem com o futebol.

 

 

Temia por três situações no jogo de ontem: A primeira, a derrota. E como seria a reação de Murici. Se houve desapontamento no aceite, embora absolutamente compreensível, ao convite palestrino, seria desgostoso demais ver Murici comemorando algum gol, batendo no peito e tais coisas que a emoção descarrega. Seria uma adaga, um punhal, um coice. E seria constrangedor demais se ele não comemorasse, porque do lado de lá da força o sentimento também seria de traição. E Murici não é um traidor. Sem contar que perder para a SEP seria o fim de qualquer possibilidade de caneco, pois seria uma derrota indizível.

 

 

A segunda, se o São Paulo ganhasse com folga, jogando bem e dando espetáculo. Esta hipótese era remota, mas todo o torcedor sonha. Eu sonho, e muito, com goleadas contra o Palmeiras. Estes sonhos me divertem. Mas não seria divertido neste caso, pois do lado de lá um de nós sangraria.

 

 

E a terceira, e de maior probabilidade, seria a de que o jogo se definisse em algum erro de arbitragem, daqueles crassos, óbvios, solares. O pós jogo seria terrível ao ver as explicações sobre o fardo. No futebol os erros dos juizes sempre revelam nossa face oculta abominável, e por vezes deliciosamente perversa, de que a vitória vale mesmo três pontos.

 

 

Mas o juiz foi bem e o empate selou um armistício. Bola para frente, a punição acabou. Agora vamos atrás dos quatro pontos que ainda nos separam:  o caneco mais saboroso.

 

 

31.08.2009

 



Escrito por Amaral às 18h27
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Ao Conrado, ombro amigo nessas horas...

 

 

Ok. Depois de muito silêncio, de curtir bem curtido, vai o desabafo.

 

O texto é longo e chato. Mas foi o que saiu, para a ocasião.

 

Um grande abraço ao Ricardo, aniversariante do dia.

 

E um brinde ao Murici.

 

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Bolonistas....

 

 

A bola pune. Uma das frases mais interessantes dita pelo treinador Murici Ramalho ao longo de três anos e meio dirigindo o tri campeão brasileiro de futebol. Uma frase, mas um vaticínio.

 

 

O bom, o ótimo, o torcedor Murici Ramalho foi o responsável pela impossível seqüência de três conquistas consecutivas no campeonato nacional. A magistral recuperação no campeonato do ano passado, quando no início do segundo turno estávamos a mil pontos do líder do certame, o valente Grêmio. A espetacular consagração de 2007, com um time que levou pouquíssimos goles e que ganhava as partidas dentro e fora de casa com uma rigorosa e deliciosa disciplina. E a vitória de 2006, sem sustos, sem devaneios, sem mistérios.

 

 

Mas o excepcional treinador não conseguiu se sair bem no certame continental. A paixão da torcida pela Libertadores da América, uma fixação de novo rico, definitivamente, confere ao torneio das Américas um valor inestimável. Foram quatro derrotas, na seqüência, e para times brasileiros. Os mesmos times brasileiros que se acostumaram a ver o São Paulo com a faixa de campeão no torneio local. Perdemos do Internacional com imensa altivez, com um jogo disputado até a última centelha, numa disputa renhida. Perder uma final de campeonato é a pior experiência para um torcedor. Mas perder com garra, lutando e tentando compensa, um pouco. Foi assim que saímos de Porto Alegre. Mas não foi assim que saímos no ano seguinte, perdendo para o Grêmio, num jogo feio, com um time tímido, acuado, que não chutou uma bola no gol. Perder daquele jeito é triste e enche a paciência, mas a dor fica de escanteio, porque não se sente quando não houve ímpeto. Depois, perdemos do Fluminense. E sem desmerecer o Tricolor Carioca, que tinha um timaço no papel, mas pessimamente treinado, perdemos para a sorte. Jogamos e não merecemos perder no último minuto, num lance fortuito. Dodô marcou um gol decisivo e convenhamos, Dodô e decisão não são tão íntimos assim. Enfim, perder para a sorte entristece e a dor aparece, mas controlada com uma ponta de resignação. E, por fim, quarta feira última, perdemos e fomos eliminados pelo Cruzeiro. E é esta a derrota emblemática, porque o time não jogou nada, não se dedicou nada, se entregou como presa. E se não houve ímpeto houve desleixo, desídia, corpo mole. Perder deste jeito entristece, mas dói. Avilta, machuca. Futebol não é uma questão de vida e de morte, como teimam alguns imbecis de cátedra. É, na verdade, afeto e um pouco da extensão de nossas infantilidades, de nossa criancice. Perder sem alma é perder exatamente este afeto, esta lembrança de pés descalços, esta memória de figurinhas de bafo. Perder sem alma é lembrar que sonhos não são para adultos.

 

 

A bola pune. E por isso estamos nesta situação esdrúxula de mandar embora o treinador três vezes campeão nacional. Mas a diretoria do SPFC tem tido esmero em revelar uma soberba incompatível com as vitórias do time. Saber ganhar é tão importante quanto saber perder. Uma diretoria que não sabe ganhar, não sabe perder. Simples assim. Algo precisava mesmo ser feito. O time sem alma revelava entranhas doentes, panelinhas, desgastes, humores terríveis, falta de ambição, acomodação. E é verdade, também, que em casos como este esperar pode significar desandar. Mas um pontapé nos fundilhos, colocando a responsabilidade integral nas costas do treinador e torcedor, sem que ninguém viesse ao público para explicar que o time precisava de mudanças por inúmeras razões, para assumir responsabilidade pelo insucesso e, principalmente, porque é natural que haja vencedores e derrotados, que nem sempre seremos campeões - embora sempre seremos dentre os grandes, o primeiro – foi de uma crueldade absurda. A bola pune. A bola vai reconhecer os méritos e os deméritos. E o São Paulo Futebol Clube será punido. Que seja breve o nosso infortúnio.

 

 

Nós torcedores vamos curtir nossa ressaca. Vamos esperar. E vamos cantar o nome de Murici, como cantamos o nome de Telê. Que Ricardo Gomes tenha paciência, mas saiba que a diretoria que o acolhe neste instante não é muito afeta a assumir erros. Que Ricardo Gomes consiga encontrar eixo, prumo e trilho. E que saiba reconhecer no ditado da bola que pune lições.

 

 

E sábado é dia de torcer, como sempre.

 

“Vai lá vai lá vai lá..... vai lá de coração.... “vâmo” São Paulo “vâmo” São Paulo.. “vâmo” ser campeão.”. 

 

23.06.2009



Escrito por Amaral às 20h32
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Refrigerante dietético sem caloria

 

Bolonistas, o senil outra vez...



Ontem perdi a conta do número de anúncios na camisa do Sport Club. Até no sovaco tinha publicidade, mórbida, de desodorante. Não gosto. A camisa branca do Clube Paulista é bonita, elegante. O distintivo tem lá seu charme. Mas tudo fica perdido, esquecido, maltratado, ignorado e poluído naquele mundaréu de cores, palavras, anúncios.


Meu anacronismo anda martelando como nunca. Tenho receio de não querer mais ver jogos de futebol profissional. Assusta este pobre idiota que ninguém reclame da poluição visual que invadiu uma das mais célebres camisas do desporto nacional.


Os times mudam as cores de seus mantos em razão de interesses comerciais. Colocam no verso do calção dos jogadores abundantes anúncios. E parece que não há mal nenhum nisso. Normal, normalíssimo, perfeito. Sinal dos tempos, da modernidade, do universal, do fatal.


Propagandas nas golas da camisa, nos punhos, nas dobras. Um monte de letras miúdas embaralhando tudo. Será mesmo que alguém resolve viajar para algum lugar, comprar uma esfiha ou investir numa financeira em razão de um patrocínio na camisa de um time de futebol? Na minha idiotia crônica, contumaz, reiterada, reconheço que a “marca” estampada fixa na memória. Lembraremos daquela marca de pneu que patrocina o time tal. Do carro que veicula comercial no clube de acolá. Mas esta fixação resulta no que?


Resulta em sonhos desfigurados. Resulta na dúvida constante se os interesses comerciais também não manipulam o próprio jogo, o resultado, as escalações, o campeonato. Resulta em camisetas estapafúrdias com tantas cores que algum desavisado pode achar que tem azul no pavilhão de um rubro negro. Camisetas que parecem fruto de pura pirataria, pilhagem.


Na várzea, saborosa como groselha, os times também desfilam um sem, e por vezes cem, números de “patrocinadores”. Mas o Mercado do João, a Quitanda da Lúcia, a Mecânica do Abel, são um pedaço da alma daquele time. Na alma do São Paulo Futebol Clube não tem “fast food”, eletrodoméstico, companhia de aviação. Para nós, eternos guris, a alma está na gente. No pai, no avô, no vizinho, na professora de educação física.


O futebol é um produto, vão me responder. É... talvez estejam certos. Talvez seja mesmo necessário impedir que nos estádios compareçam duas torcidas. Talvez seja melhor comprar o “pague para ver” da televisão a cabo, uns amendoins de plástico e umas anedotas de sacristia. O produto fica melhor assim, asséptico. Os olhos então podem perceber as maravilhosas engenhocas disponíveis para o nosso santo consumo diário.


04.06.2009



Escrito por Amaral às 22h31
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Presságios de tormenta

Bolonistas, carpideiras batem na porta...

 

 

 

Caçarolas de ferro lascado, creio que teremos problemas neste primeiro semestre. Problemas estomacais. Enquanto o São Paulo flerta com maus agouros, em outras paragens o mundo vai ficando brigadeiro.

 

 

O caso México é a cereja do bolo. Ao aceitar, e se esforçar nos bastidores para tanto, a classificação sem jogar, o São Paulo atrai o infortúnio. Atrai o asterisco. O problema da atual diretoria do Dileto é confundir planejamento com soberba. Confunde inteligência com esperteza. E por fim, e mais grave, o comportamento da diretoria se aproxima do comportamento típico das elites predatórias, numa prova irrefutável de burrice. O futebol tem bruxas e deuses que costumam tratar muito mal aos que abusam das graças do firmamento. Enfim, que um raio caia na minha cabeça, me parece que o meu São Paulo namora firme com a desventura.

 

 

Por outro lado, nas asperezas da vida, o Palmeiras paquera a esperança. Beluzzo é uma espécie de piscadela ou de passeio de mãos dadas na praça central. Enquanto isso, o cupido anda trabalhando com afinco. O “manager” do Palestra não nasceu para torneios sulamericanos. Até os alfinetes sabem que o motivador funciona bem quando tem as cartas, quando tem a manilha. Nos torneios do continente as regras são outras. Vale mais um blefe e o coração. E o tal professor tende a cometer gafes estrondosas e patéticas. Veja o jogo de ontem e analisem as razões que fizeram o homem de terno tirar de campo o Diego Souza e o Keirisson quando o jogo estava empatado. Se a vaca tivesse ido para o brejo, com todas as patas, iriam crucificar o gravata de seda para todo o sempre. Mas Marcos, um cruzado sem dúvida, salvou o dia. Assim como Cleiton Xavier fez no Chile. Assim como Nelsinho Batista fez no jogo do Parque Antártica ao tirar o volante que não tinha cartão e deixar Hamilton, já amarelado, que seria expulso nos estertores da partida. Que outro raio caia e rache a têmpora...

 

 

13.05.2009



Escrito por Amaral às 18h12
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Cebola na brasa

Bolonistas, debate e churrasco confirmados...

 

 

Combinado. O Ogro e o Daniel já marcaram o churrasco em Uberlândia. O Franklin alugou a casa, que tem piscina e dependência especial para crianças. O Renato combinou com uma adega lá do Triângulo o fornecimento de cervejas, previamente geladas. O Massoneto acaba de confirmar as carnes de primeira, incluindo costela e cupim, com um frigorífico de um amigo do Pedrão.

 

 

O Deco preparou a pauta do encontro e será a de sempre: Futebol. O Juliano fez uma pequena edição do Almanaque do Brasileiro e mandou fazer dez cópias. Enfim, o Pança já traçou as melhores rotas para quem vai de carro de Brasília e o Ricardo fez gráficos com todos os pedágios das estradas paulistas. Vai ser um grande evento.

 

 

Adianto que tenho minhas convicções pessoais sobre o Nacional. Os cinco favoritos, pela ordem, são: Internacional, Corinthians, Cruzeiro, São Paulo e Palmeiras. Acho difícil sair disso. O São Paulo pode ser o maior fiasco do campeonato, mas esta frase decorre de minha conhecida ranhetice. E o Timão dependerá da sorte e do fôlego do Nove. Grêmio, Flamengo, Fluminense, Sport e Santos estão no segundo grupo, o dos times que podem sonhar um pouco mais. Botafogo, Coritiba, Atlético Paranaense, Vitória e Goiás estariam no grupo do alerta. E, infelizmente, o Náutico, o Galo e o Avaí acompanham Santo André e Barueri na sala do desespero.

 

 

Estão lançadas as primeiras pedras para o debate. Vai ser um grande encontro!!! Chego sexta feira, antes das dez da noite. Dá tempo de tomar uma na piscina.

 

 

11.05.2009

 

 



Escrito por Amaral às 14h48
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Mais uma ode para a razão no futebol

Bolonistas sensatos...

 

Todos sabem do meu equilíbrio emocional para os jogos de futebol. Até eu me assusto com tanto equilíbrio, neutralidade, imparcialidade. É algo tão natural como o dia e a noite, como o abacate e como um samba de Paulinho. Vejo uma partida de futebol desprovido de irracionalidades abstratas, de conteúdos subjetivos ou de emoções de novela.

 

Outro dia assisti a uma peleja do campeonato alemão. Sim, tem dia que só o campeonato alemão pode nos acompanhar a valsar com algum tipo de gripe, coriza ou inflamação na garganta. É algo como uma canja de galinha. Prefiro o campeonato alemão, sem dúvida tem mais sal. Mas enfim, gosto é gosto. Mas vou aos exemplos, que servem de milho para esta pipoca.

 

Todos reconhecem que admiro os serviços bem prestados por jogadores que vestiram o manto do Tricolor. Grafite e Josué, por exemplo, dedicaram gotas de suor e páginas de superação para o Dileto. Reconheço e torço para que estes jogadores consigam os objetivos que planejaram, façam boas e ótimas partidas. Pois bem, Josué, para mim a goiabada daquela dupla de volantes épica, e Grafite jogam no Wolfsburg, um pequeno time alemão, de triste camisa verde escura, e líder do campeonato. Era dia de jogo do líder e resolvi me dedicar. Do outro lado da peleja, um clube chamado Energie Cottbus, de camisas branca com listras vermelhas, ou o contrário, último remanescente da Alemanha Oriental na primeira divisão do teuto campeonato. Para quem resolvo preferir ser vencedor? Óbvio, para o time da DDR. Que fez uma partida melhor numa evidência incontestável de que a escolha se baseou pelo método analítico.

 

Mas tive outra surpresa no domingo que passou. Além da capacidade inumana da frieza analítica, percebi que minhas articulações do cotovelo são bastante flexíveis e insensíveis a dor. Porque assisti ao jogo de SFC e Sport Club com distanciamento crítico e não me emocionei com os goles do centro avante do time Paulista. Apenas percebi que o tal avante tem características mui distintas dos humanos avantes das outras equipes. Constatei, com firmeza de convicções, que o camisa Nove da agremiação de nome inglês, é um ser de outro planeta. E desejei, com a alma pura, que o sal grosso que preparei para o campeonato nacional faça efeito em breve, para que o Nove seja o artilheiro dos artilheiros, mas que arqueiro que veste amarelo tome os tantos goles quanto necessários para equilibrar as equações. Equações? Sim, bolonistas: Torcer é um exercício de matemática. 

 

29.04.09



Escrito por Amaral às 18h26
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Às ruas!!!!

Bolonistas, reflexões sobre o campeonato maranhense e brigas de boteco...

 

 

 

Desde a semana passada queria colocar em alguma linha, em algum rascunho, em algum canto qualquer, minha profunda solidão de idéias. É que ando para lá de agreste com as querelas. Não as querelas esportivas, que estas existem para nos alimentar a saudade, a paixão ou mesmo a acidez de estômago. Falo das querelas de protesto, dos cancioneiros, das flores, das bandeiras vermelhas e da tal chamada esperança. Querelas que valiam a praça, a pirraça, o grito. Querelas de amanhã.

 

 

Desde a semana passada tem um sapo na garganta. Um sapo daqueles espécimes que ficam a perambular o esôfago, a causar refluxo e cefaléia. O sapo foi a decisão que afastou o Jackson Lago do Governo do Maranhão. Pode parecer piada de salão, mas a tal decisão, baseada nos fatos que constam dos autos do sagrado processo, me pareceu a confirmação exata de que estamos perdendo a partida, ficando sem querelas, amuados e inertes. Vão dizer, sempre dizem, que os fatos eram incontroversos e eu, que nem li o processo, não vou duvidar. Mas o fato sereno é que me parece de uma claridade solar que no Maranhão existem fantasmas que perambulam por instituições da chamada república, utilizando de armamentos como estações de rádio e de televisão, periódicos impressos e apadrinhados em todos os poderes tripartidos. Vão dizer que tudo isso é verdade, mas que não se pode admitir que as eleições sejam conspurcadas por quaisquer tipos de instrumentos ilegítimos e que uma iniqüidade, ainda que do tamanho de um mamute, não se pode combater com outra iniqüidade. Vão dizer de minha ingenuidade. Mas me parece que chumbo trocado, desde os tempos pretéritos a RinTinTin, são coisas de qualquer faroeste.

 

 

Outros irão dizer da importância no jogo da política dos esquemas úteis e pragmáticos. Que o futebol arte morreu. E me dá uma vontade de xingar aos quatro cantos, a plenos pulmões, que se é para não ter sonhos que eles, ao menos, não sejam confiscados.

 

 

Vão dizer que Joaquim Barbosa exagerou. Afinal, o Ministro Supremo não pode bater boca como quem está num estádio de futebol, ainda que com xingamentos dignos de contendas aristocráticas. Eu fico imaginando o contrário, porém. Joaquim Barbosa fez minha semana mais feliz. Como uma vitória do meu time, mesmo sabendo que cairemos para a segunda divisão.

 

24.04.2009



Escrito por Amaral às 12h59
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