Estava noutro dia qualquer lendo o nosso Bolonistas. E vejam, a quantidade de textos e pérolas em nossa cidadela é muito vasta. Juliano Basile é dos artistas, da bola e da caneta. Ou do teclado, porque quase ninguém mais escreve a caneta. Eu não entendo mais minha letra, é impossível e desisti. O Jubas é um dos responsáveis pela Daniella. Foi ele que estava em casa fazendo um Boletim do XI, que vinha a ser o informativo do Centro Acadêmico XI de Agosto, para os não iniciados. Ele era diretor de imprensa, junto com a Dani. As risadas daquela tarde, eu lembro. O Juliano e aquele humor terrivelmente aguçado e encantadoramente desengonçado. Depois o Ju foi embora e eu saí com a Dani, beber umas cervejas, foram sete, no Empanadas. Falamos de futebol naquele dia e em todos os outros depois daquele.
E não é que um dos textos do Ju lembrou uma das maiores alegrias da minha infância! Aquele gol do Muller, o endiabrado de Deus, contra os milanistas, ocupa um lugar indecifrável das minhas melhores lembranças. Impossível decifrar o que aquele sutil toque causou. Arrebatou. Doidivanas, assisti aquele jogo com alguns amigos, uma horda de torcedores do contra. Era o único tricolor na sala. Imaginem o quão sofrida e linda aquela noite. Uma vitória que foi só minha, para desgosto de uns e regozijo do outro. O mundo, o vasto mundo, foi meu. Daquele jogo lembro de Cerezo e das passadas daquele volante. Foi naquele dia que esqueci Paolo Rossi por completo e aquela bendita bola mal recuada. Não houve perdão. Houve o reconhecimento e isto é brutalmente diferente. Cerezo foi um artista naqueles instantes e em diversas outros pelo mundo afora. Também são daquele jogo as lembranças da segurança quase eterna de ter o Zetti no gol. E Muller. Muller é um amuleto para os tricolores e só os tricolores entendem Muller. Ainda que palmeirenses e santistas não tenham o que reclamar do camisa sete, a não ser o fato que o sete era tricolor, o Brasil sempre lembrará daquele improvável gol perdido contra os argentinos. Para uma fatia da cidade, e do país, a fatia tricolor do Morumbi, este lance, esta pequena escorregadela, pouco ou nada, nadinha, nadica importa. Importa aquele gol e a tirada de sarro que o sete deu no Costacurta. Isso é o que importa, perdoado até aquela finta que o sete deu no abobalhado zagueiro tricolor na final que perdemos para o Cruzeiro na Copa do Brasil.
Entre tantos assuntos, o gol, para o futebol, deve ser o mais celebrado, importante. E, a sensação do gol deve ser, para os craques e para todos, bestial. Foi do sete aquele gol na Católica do Chile, Morumbi lotado, quando um aparvalhado goleiro tentou em vão o impossível, enganar o sete. A bola desceu aos pés do endiabrado e com a leveza de sempre, encoberto goleiro e gol de placa. Não há coisa mais saborosa do que um gol de placa. Há o ultra-som, é verdade. Acompanhar o "batibum" de um pequeno coração que pulsa e irradia sons guturais em um exame de ultra-som é tudo, como diriam na gíria moderna. Por mais que as imagens do útero sejam sinceramente belas, o coração pulsando naquela velocidade frenética e aquele som delicioso, o "batibum", fazem deixar tudo de lado, e sorrir. Dezembro tem o campeonato mundial de clubes. Em dezembro o "batibum" emitirá outros sons, choros e aquele zoar de fraldas em profusão pululando por todo o apartamento. Outro categórico gol de placa, definitivamente. Eita dezembro que não chega!
Moçada sei que estou em falta... As coisas aqui estão Phooda. Com ph e dois "O" de cooperativa...
Pintei aqui só pra dar uma esperancinha pro Frank.
Atlético-PR corre risco de ser rebaixado
Furacão é processado na Fifa por não pagar multa de Dênis Marques
O Kwait Sporting entrou nesta terça-feira, dia 29/11, com um pedido na Fifa exigindo que o Atlético-PR seja eliminado do Campeonato Brasileiro por não ter pago a multa imposta pela própria entidade gestora do futebol internacional, no valor de US$ 700 mil (cerca de R$ 1,53 milhão), por conta do rompimento do contrato do atacante Dênis Marques com o clube árabe.
O prazo que a Fifa deu ao Atlético-PR quitar a dívida terminou no último dia 24 de novembro. Segundo o representante do Kwait Sport Club, o advogado Marcos Motta, o jogador abandonou o ex-time há pouco mais de um ano, sendo multado pela Fifa e suspenso dos gramados por 120 dias, a contar do início do Brasileirão.
Dênis Marques só conseguiu ser liberado para jogar no Furacão por meio de uma liminar na Justiça do Trabalho. Como o prazo para o pagamento da dívida expirou no último dia 24 de novembro e ela não foi quitada, o clube árabe entende que o time parananense é o responsável pelo jogador e por isso deve ser punido.
- Espero que o julgamento seja rápido. Provavelmente saberei amanhã o dia que o caso será julgado pela Fifa - afirmou Motta, que espera que o clube paranaense pague o valor cobrado dentro de 15 dias.
De acordo com o pedido encaminhado pelo
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Kwait Sport Club, o Atlético-PR teria que ser eliminado da atual centrou nesta terça-feira, dia 29/11, com um pedido na Fifa exigindo que o Atlético-PR seja eliminado do Campeonato Brasileiro por não ter pago a multa imposta pela própria entidade gestora do futebol internacional, no valor de US$ 700 mil (cerca de R$ 1,53 milhão), por conta do rompimento do contrato do atacante Dênis Marques com o clube árabe.
O prazo que a Fifa deu ao Atlético-PR quitar a dívida terminou no último dia 24 de novembro. Segundo o representante do Kwait Sport Club, o advogado Marcos Motta, o jogador abandonou o ex-time há pouco mais de um ano, sendo multado pela Fifa e suspenso dos gramados por 120 dias, a contar do início do Brasileirão.
Dênis Marques só conseguiu ser liberado para jogar no Furacão por meio de uma liminar na Justiça do Trabalho. Como o prazo para o pagamento da dívida expirou no último dia 24 de novembro e ela não foi quitada, o clube árabe entende que o time parananense é o responsável pelo jogador e por isso deve ser punido.
- Espero que o julgamento seja rápido. Provavelmente saberei amanhã o dia que o caso será julgado pela Fifa - afirmou Motta, que espera que o clube paranaense pague o valor cobrado dentro de 15 dias.
De acordo com o pedido encaminhado pelo
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Kwait Sport Club, o Atlético-PR teria que ser eliminado da atual competição que está participando, no caso o Campeonato Brasileiro. Caso a Fifa apresente um parecer favorável aos dirigentes àrabes, o Rubro-Negro deverá ser rebaixado à Série B. Isso pode favorecer o Coritiba ou o Atlético-MG. O clube que terminar o Brasileiro em 19º lugar, ou seja, o primeiro dos rebaixados, não cairia para a Série B.
ompetição que está participando, no caso o Campeonato Brasileiro. Caso a Fifa apresente um parecer favorável aos dirigentes àrabes, o Rubro-Negro deverá ser rebaixado à Série B. Isso pode favorecer o Coritiba ou o Atlético-MG. O clube que terminar o Brasileiro em 19º lugar, ou seja, o primeiro dos rebaixados, não cairia para a Série B.
27/11/2005 - Que o Mundo inteiro saiba Que o Mundo inteiro saiba, que na data de 27/11/2005 o Clube Atlético Mineiro caiu para a 2ª divisão. Que o Mundo saiba, neste mesmo ano, o Galo conheceu os Guerreiros da Categoria de Base, garotos que se transformaram em homens e defenderam a Camisa do Galo com amor. Que o Mundo saiba que neste dia o time deixou o estádio cercado pela massa cantando o Hino. Que o Mundo saiba, em 2006 a Galoucura vai apoiar o time como jamais fez em seus 21 anos. Que o Mundo saiba, o Clube Atlético Mineiro é mais que um time. Que esta data fique marcada como o dia em que o Mundo entendeu que o Clube Atlético Mineiro tem a Maior e Mais Apaixonada Torcida do Mundo. 2006 - O ano que a Raça estará de volta. A cada Galoucura, agora vamos mostrar o que é o G.C.R.T.O. Galoucura. Clube Atlético Mineiro, Uma Vez Até Morrer!!! Escrito por Frank às 15h46
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O Mestre
Juliano Paiva Diário da Tarde
O técnico responsável pela façanha alvinegra em 1971 está frustado com o rebaixamento do Atlético para a Série B. Telê Santana não esconde o abatimento ao falar do momento, mas recorda com nostalgia os tempos de glórias que serviram para projetá-lo no cenário nacional, além de escrever o nome do Atlético na história do futebol como o primeiro campeão brasileiro. Telê prefere não tecer críticas aos possíveis responsáveis pelo descenso, porém dá sugestões para que o Galo volte à divisão de elite o mais rápido possível.
"Atualmente, o Atlético está formando somente jogadores na sua base, mas isso não é suficiente. É necessário formar também o homem. Falta orientação aos mais jovens. E isso, muitas vezes, é função do técnico", opina.
Segundo ele, saber aproveitar os jogadores oriundos da base é fundamental. "Neste campeonato, ela foi usada um pouco tarde, mas já demonstrou ser confiável. No entanto, é preciso deixar bem claro que eles precisam ser bem orientados", afirma.
Na opinião do ex-técnico, somente um bom planejamento e disciplina farão com que o Galo volte para a Série A. "Isso deve acontecer por mérito e competência. A partir daí, o Galo começaria uma nova história", opina, ao deixar nas entrelinhas que é contra uma virada de mesa. Telê Santana diz que um time campeão não precisa necessariamente contar com um craque. A equipe formada por ele, em 1971, mesclava a juventude da base com a experiência. "Era uma equipe competitiva, apesar de não ter nenhuma estrela. Praticamente não havia jogadores conhecidos", enfatiza.
Mas nem por isso o Atlético deixou de bater de frente com grandes times como o São Paulo de Gérson, o Botafogo de Jairzinho ou o Santos de Pelé. "O jogo mais difícil foi contra o São Paulo, no Mineirão. A partida foi muito disputada", diz, relembrando o primeiro jogo do triangular final, vencido pelo Atlético por 1 a 0, gol de Oldair. "Nessa partida vimos que era possível sermos campeões", conta.
A partida final, contra o Botafogo, no Maracanã, na opinião de Telê, foi mágica. "Boa parte dos torcedores estavam torcendo para o Atlético. Flamenguistas, vascaínos e os torcedores do Fluminense foram ao estádio nos apoiar", relembra. Na época, o Botafogo era o time que ganhava quase tudo no Rio de Janeiro e, por isso, causava grande antipatia nos rivais. Escrito por Frank às 15h36
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Parreira, esse gênio.
Carlos Alberto Parreira agora é garoto-propaganda da escola de inglês Wizard. Vejam o que disse o gênio, ao comentar a importância de se estudar inglês:
Ronaldinho Gaúcho não precisa mais ser o melhor da temporada para ser o melhor do mundo. Ele já está no nível de poucos supercraques, como Maradona, Garrincha, Di Stefano, e só abaixo do Pelé. Após ver o Ronaldinho Gaúcho jogar, o futebol fica sem graça na sua ausência. Mesmo os belíssimos lances parecem normais, comuns e repetidos, como se fossem produzidos em larga escala para o consumo. Já as jogadas do Ronaldinho Gaúcho são pessoais, únicas, surpreendentes e com um repertório interminável. São uma mistura de realidade e fantasia, como os sonhos e delírios de Gaudí, Pablo Picasso, Joan Miró e Salvador Dali.
A bola quicou nervosa no meio-campo. Faltavam quatro minutos para acabar a decisão do campeão mundial. A bola quicou de pé em pé dos jogadores do São Paulo, perseguidos pela frenética marcação do Milan. Foi quando Cerezo dominou e a bola tornou-se calma, límpida. Três volantes do Milan chegaram para acabar com aquele momento de controle e tranqüilidade são-paulino. Segundos antes de eles fazerem mais um previsível desarme, Cerezo lançou. A bola voou, longe, perdida em direção à área adversária. A jogada parecia a mais fácil possível para o time que tinha a melhor defesa do mundo, com Baresi, Costacurta e Rossi. Baresi cercou o atacante são-paulino Muller. Costacurta tirou-lhe o ângulo para chutar. E a bola foi perdendo o seu nervosismo até chegar às mãos do goleiro italiano Rossi.
Rossi era aquele goleiro do Milan que caçava tubarões na Austrália em suas férias do “calcio”. “Caçar” aquela bola parecia tarefa fácil, primária para o lendário goleiro milanês.
Muller pulou para não atingir o goleiro italiano e a bola, num ímpeto de nervosismo, quicou nas mãos de Rossi. Muller pulou de costas para o gol. E a bola, agora, quicava perdida naquela mesma direção. O atacante são-paulino não viu quando a bola bateu em seu calcanhar esquerdo e saiu pingando tranqüila e explosivamente para dentro do gol do Milan até estufar as redes e declarar: São Paulo bicampeão mundial.
Baresi, Costacurta e Rossi entreolharam-se. Eles não podiam acreditar. Na verdade, eram as suas mãos presas à cabeça que diziam: inacreditável. Eles não falaram nada. Apenas ouviram o estrondo que vinha da torcida.
A mais de 20 mil quilômetros dali, uma multidão vestida com camisas brancas, com duas listras horizontais, uma vermelha e uma preta, também mal podia acreditar.
Da minha casa, a 20 minutos do Estádio do Morumbi, eu não sabia se deveria rir ou chorar. Houve uma explosão de felicidade inexplicável. Sai às ruas de São Paulo naquela madrugada e presenciei no rosto de vários são-paulinos uma expressão parecida com a dos defensores do Milan. Todos diziam: inacreditável. A diferença é que, em São Paulo, estávamos felizes. Muito felizes.
A primeira vez que o inacreditável me aconteceu foi há 25 anos. Meu pai, um palmeirense fanático, visitou um amigo no Morumbi. Era mais um dia de domingo na vida de uma criança de sete anos: passeios, diversão, comidas e bebidas. De repente, resolveram ir ao estádio. O jogo: Corinthians e São Paulo. Meu pai e o seu amigo palmeirense escolheram um lugar atrás do gol do São Paulo. Acho que queriam ver os gols de Sócrates. Eu vi Sócrates, pela primeira vez, chutando uma bola alta, colocada, curvelínea. E conheci Valdir Péres, o goleiro do São Paulo que voou mais alto ainda e desenhou uma ponte com os dois braços. De repente, a fantástica bola chutada por Sócrates estava nas mãos do goleiro do São Paulo. E, logo depois daquela jogada, a bola do goleiro do São Paulo foi lançada para longe.
O Morumbi, imenso para todos os torcedores do São Paulo, é maior ainda para uma criança de sete anos. O lançamento do Valdir Péres chegou lá do outro lado do campo. E vi os jogadores com camisas brancas e duas listras horizontais, uma vermelha e uma preta, tocarem a bola um para o outro. Até que um deles chutou em direção ao gol. E ouvi quando metade do estádio do Morumbi gritou e perguntei ao meu pai: Esse é o São Paulo, não é?
Minutos depois, o que mais me chamou a atenção foi observar Valdir Péres sozinho na área. Na solidão dos goleiros enquanto o resto do time jogava no ataque. E não reparei quando lá do outro lado do Morumbi, os jogadores de camisas brancas com duas listras horizontais, uma vermelha e uma preta, correram novamente de felicidade. Aquele jogo acabou em 2x0.
Depois dele, eu me tornei o mais fanático torcedor são-paulino. E soube, então, algo inacreditável. Aquele goleiro que desenhava pontes com as mãos tinha jogado 498 partidas pelo time de camisas brancas e duas listras horizontais, uma vermelha e uma preta. Um recorde. Por pouco não chegou aos 500. Ninguém mais chegaria aos 500 jogos. Ainda mais por um time brasileiro, onde ano após ano os jogadores são vendidos para os clubes europeus.
Anos depois, estava novamente no Morumbi e vi outra cobrança de falta. Um chute alto, colocado, curvelíneo. O goleiro voa alto, faz a ponte com os braços. A bola, no entanto, foge para a rede e morre fantasticamente no gol. E dessa vez não havia Valdir Péres. Havia uma troca compulsiva de papéis. O goleiro do São Paulo não voou naquele chute. Ele o desferiu. E eu vi novamente quando a torcida do time de camisas brancas e duas listras horizontais, uma vermelha e uma preta, comemorou.
Rogério Ceni, o goleiro daquele jogo, já fez 50 gols e, por ironia, nunca vestiu a camisa branca com duas listras horizontais, uma vermelha e uma preta. Ele vestiu por mais de 500 jogos um uniforme diferente dos demais são-paulinos. Um uniforme, às vezes, preto; outras, amarelo; em algumas noites históricas foi vermelho.
Leio nos jornais que agora Ceni vestirá um uniforme com o seu nome escrito em japonês. Ele e os outros dez jogadores do São Paulo tentarão por mais uma estrela ao lado das vitórias sobre o Milan e o Barcelona. Já estou vendo o que acontecerá. A bola irá quicar no meio-campo e chegará aos pés de Amoroso. Ele tocará para Cicinho que driblará dois jogadores de camisas inteiramente vermelhas e soltará um passe macio para Grafite. A bola chegará tão tranqüila para Grafite, e tão ameaçadora para os jogadores de camisas vermelhas, que eles irão derrubá-lo no chão. Cairão Grafite e a bola, sem direção. Então, Ceni irá ajeitá-la por entre as suas luvas. Ele deixará a bola límpida no gramado japonês e dará quatro passos para trás. Por um curto instante, a bola será um bonsai. Até o chute, a curva alta e colocada. O vôo do goleiro adversário, as redes e a mais fantástica explosão de campeão. Será totalmente real e inacreditável!
Reunidos até não sei que horas, os Bolonistas estavam refletindo sobre a escalação da seleção do campeonato de 2005. No gol, quase unanimidade, foi escalado Carlos, o arqueiro da Ponte Preta. Mas o Carlão era muito azarado, segundo alguns. Os tricolores berraram, então, por Valdir Peres. Gritaria, mesa quase voando. Caiu o primeiro copo no chão. Quebrou. Urravam, os outros, o gol dos soviéticos. Escalaram o Taffarel, pois afinal o rapaz era o único arqueiro vencedor de uma copa nos pênaltis. Mesmo assim, narizes torcidos, diziam que o Taffa é da década de 90 e aí não valia. Se valesse a década de 90, outros gritos, Zetti e Ronaldo. Houve quem gritasse Leão. Decidiu-se por fim, que o goleiro era o Carlos, que se dane o azar.
Na segunda caixa de cerveja, Leandro surgiu infalível. Mas o Luís lembrou de Zé Maria e quase botou fogo na mesa. Tenho cá para mim que esquecer o Nelinho era maldade. Mas, o Leandro era o lateral de 82 e aí o negócio fervia. Jubas, este tarado das escalações, logo lembrou Saldanha, que dizia do peso do lateral. Cafu então pareceu ganhar a camisa 2. Os mais regimentais lembraram da regra que só valia a década de 80. Aí, escalaram o Cicinho, com os apupos de praxe de todos. Josimar!!! - berrou o Ogro, descontrolado e imitando o golaço contra os irlandeses. Escalaram o Leandro e ponto final.
Três caixas e surgiu o primeiro com onze votos. Era Oscar. Mas sempre tem um chato e o Pança resolveu escalar o Aldair, pelo conjunto da obra e pela Copa de 94. No fim, ficou a zaga central com o Oscar. Na quarta zaga, porém, houve intensa discussão. Franklin insistia em Luisinho, no que os demais quase o xingavam, em berros mil. Márcio Santos chegou a embolar a disputa e Amaral, o zagueiro de 78, foi lembrado por alguns. No final das contas, Ricardo Rocha, pelo conjunto da obra ia ganhando a vaga. Ricardo, porém, colocou lenha: Ricardo Gomes era mais clássico. Clássico? O cara era torto, falei exaltado. No final das contas, alguém votou no Edinho e aí se fez concordância. Agradou os regimentalistas que sempre queriam alguém da década das memórias afetivas.
Na quinta caixa, epocler à parte, primeiro se definiu se discutiríamos os volantes ou o Júnior. Os regimentalistas queriam discutir na ordem numérica, mas o Zecão foi firme, dizendo que se alguém votasse contra o Júnior ele partiria para o braço. Ninguém teve coragem de ousar, embora pela cabeça de alguns Branco, Roberto Carlos, Leonardo e o Serginho tivessem tido lá seus momentos.
Aberta a sexta caixa, já não havia argumentos. E sim, berros. Como escalar um time sem Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico? Pedrão quase chorou ao dizer que se recusava a discutir o assunto sem que o Zico fosse considerado unanimidade total. Deco, para variar, disse que para ele era o Pita, mas que para evitar choro votava no Zico. Não sem antes gritar que, se alguém tirasse o Careca, ele ia embora. Alguém lembrou do Dunga, meio sem jeito. Eu defendi. Gosto das copas de 94 e 98 do capitão. Mas houve a rendição ao argumento fatal de que só valia a década de 80. Outro, mais afoito e ébrio, lembrou que se abrissem exceções ao regimento iria querer colocar o Rivaldo no time. Fechou-se a polêmica, ao término da nona caixa: Cerezo, Falcão, Zico e Sócrates.
Foi aí que alguém percebeu o óbvio. O único que poderia perceber esta obviedade era o Renato, já bêbado, mas muito mais sóbrio que os demais: Vocês estão escalando o time de 82, do jeito que vocês queriam que o time fosse!!!! E, aos prantos, disse que, se era assim, queria o Nunes no lugar do Serginho Chulapa. Risos, quebraram-se mais uns três copos. Reinaldo, Careca, Romário, Dinamite, Ronaldo, Ronaldinho foram os citados, os mais citados, porque dizem uns dois ou três defenderam Telê e a escalação do Chulapa com a nove. A vaga ficou com o Careca, venceram os regimentalistas mais uma vez. Acabou a cerveja no Bella. E agora, justo agora que o time iria se definir. Bom, quem escreve o texto sou eu, e que me perdoe o Éder. A vaga, todos sabem de quem seria.
Ontem à noite, na já tradicional mesa redonda no Beirute, começamos a discutir a seleção do campeonato, com a proposta de que pautássemos o assunto no blog. Segue minha seleção:
Rogério Ceni, Paulo Baier, Lugano, Gamarra e Gustavo Nery; Mineiro, Marcelo Mattos, Pet e Roger; Tevez e Romário.
Com a proximidade do final deste turbulento ano de 2005, sugiro a realização, para comemorarmos o sucesso do blog, de um "amigo secreto", com presentes relacionados ao ludopédio. Data e regras a serem marcados.
Sóbis piscou, Márcio Rezende piscou, os colorados piscaram
Quem não piscou foi o goleiro Marcos, o Santa e o tricolor gaúcho
E a árvore de Natal de casa, que ainda não tem a estrela dourada para lhe enfeitar o topo. Escrito por Luís às 07h41
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1974
Leio no Globo que algumas seleções irão nostálgicas para a Copa da Alemanha. O Brasil vai com um uniforme que lembra o de 1970. Portugal vestirá outro que parece o de 1966. A Holanda quer lembrar 1974 e a Inglaterra, 1966. Não seria melhor uma Copa com o Brasil-70, Portugal-66, e o carrossel holandês? Já faz tempo, foi logo depois daquela Eurocopa vencido pela Dinamarca, eu e o Chico, grande amigo botonista, criamos a Copa de Todos os Tempos. A regra era simples: só jogavam as melhores seleções de cada país. Na primeira edição, fiquei com o Brasil-58, o odiado e raçudo Uruguai-50 e a Alemanha-74. O Chico pegou a Hungria-54, a Holanda-74 e o WM inglês (uma péssima escolha, logo substituída pela Inglaterra-66). Num misto de paixão pelo futebol e curiosidade histórica, seguíamos rigorosamente os esquemas táticos de cada seleção. O que foi fatal na primeira rodada. A Hungria de Puskas e Kocsis jogava mais bonito, mas o Uruguai empatou na raça, 2x2. O Brasil goleou a Inglaterra: 5x0. O esquema WM era mesmo um fracasso. Até que veio o tira-teima: Alemanha x Holanda, com as escalações de 74, as mesmas da final. Fiquei com a ingrata tarefa de defender a Alemanha. Nove entre dez torcedores preferiam que a Holanda tivesse sido vencedora, não é isso? E o que eu fazia com a turrona Alemanha? Tentei ver o lado mágico daquele time. A Alemanha tinha o lateral-esquerdo-político-ativista-esquerdista, Paul Breitner. É o único a fazer gols em duas finais de Copas: 74 e 82. Na lateral-direita, o eficiente Berti Vogts, técnico em 94. No ataque o recordista-artilheiro Gerd Muller. Alguém se lembra por que Jairzinho não foi artilheiro em 70? Bem, Muller estava lá. E, no meio-campo, o kaiser Beckenbauer. Me dei conta de que o time era mesmo bom, armei um esquema baseado no futebol-força-eficiência e cheguei pronto para ganhar o jogo. Já o Chico levou a fundo a idéia de jogar com o futebol-total. Na sua Holanda, os botões invertiam constantemente de posição. Muitas vezes, ele atacava com o camisa 4, o líbero Kroll, e defendia com o genial Cruyff. Numa clara jogada de nervos, disse a ele que o goleiro holandês jogava sem luvas (o Jongblood era maluco ou inexperiente, eu não sei) e que iria mandar bala. Mas, era difícil chegar na área holandesa. Quando eu me livrava do Suurbier e do Kroll (os zagueiros), chegava o Cruyff ou o Ressenbrink (dois atacantes) para tirar a bola lá de trás. A Holanda jogava confundindo o tradicional, espantando fantasmas, olhando para o futuro. E a Alemanha era o passado, o poster do Beckenbauer amarelando na parede, os registros dos gols do Gerd Muller, o título histórico da primeira Taça Fifa numa fita VHS. Lembro que chutei umas duas bolas na trave e que suei frio nos lances de Cruyff e Ressenbrink perto do meu gol. Faltando um minuto para o jogo acabar, comecei a me dar por satisfeito com o 0x0. É um resultado sempre chato e sem graça. Mas, a disposição tática daquela Holanda estava me deixando completamente tonto. Então, Cruyff tocou a bola para Neeskens perto da minha área e o Chico, brincando de Rinus Michel, pediu: “pro gol”. Arrumei o meu Sepp Mayer com cuidado. Precisava proteger os cantos. Eu tinha visto nos filmes embolorados daquela Copa, o Neeskens batendo sempre no cantinho, sem defesa para o goleiro. Só que aquela bola veio alta. Na altura do ângulo esquerdo de Mayer. Vimos atônitos, a Holanda fazer 1x0 na Alemanha, em 1974. Perdi e comemorei ao mesmo tempo. O futebol-total vencia, finalmente, a Alemanha-eficiência de 1974. Convertemos a ordem dos deuses dos estádios. Demos o título a quem teve mais ousadia e criatividade. Depois, resolvemos fazer a forra. Dessa vez, o jogo seria no campo do Chico, em Perdizes: uma porta de madeira branca cuidadosamente adaptada para o botão. Eu disse que agora a história se confirmaria. Comecei no ataque e, em dois contra-ataques, estava Holanda 2x0. Até que acertei um chutaço do meio da rua com o Beckenbauer: 2x1. Continuei pressionando e, confiante no kaiser, deixava todas as bolas para ele chutar. Foi então que aconteceu o inexplicável. Beckenbauer chutou forte, com raiva. A bola pegou no goleiro sem luvas da Holanda e atravessou o campo inteiro. Passou por entre os zagueiros alemães, fez uma parábola, desviou de Sepp Mayer e morreu no fundo do gol. Foi gol de goleiro e justo do Jongblood. Ainda descontei com um golzinho do Gerd Muller nos segundos finais, mas tudo acabou em 3x2 para a Holanda. Naquele dia, conclui que o futebol tem deuses em todos os seus estádios. Inclusive nos estádios de futebol de botão.
Não sei se é louro ou vaia, mas o fato é que estou preso aos anos 80. Meus valores, minhas incertezas, minhas medidas, tudo está lá, como a Cindy Lauper e o Casio G Shock.
O Corinthians, para mim, é coisa boa. Tento detestar o Corinthians, leio sobre a MSI, escuto de amigos que ganhar roubado é melhor, vejo na TV o jogador dizendo que quem manda nele é o Kia. Não adianta, eu gosto do Timão, que para mim é a Democracia, o Sócrates e o Casão. Tudo está lá, como o Dipn’lik e o Aquaplay.
Sou louco pelo Flamengo. Tento detestar, que não é fácil ver flamenguistas ano após ano comemorando a permanência na Série A, mas o fato é que o Mengo é, para mim, aquela vitória sobre o Botafogo, o Zico e aquela camisa branca do Mundial. Tudo está lá, como o Odissey e a mochila da Company.
Gosto do Grêmio. Torci pelo Tricolor contra o Hamburgo, era louco pelo Renato (o Portaluppi, não o Gaúcho, que é muito carioca pro meu gosto). Tento ter dó, mas não consigo. O Grêmio, para mim, é o De León, o Mario Sérgio e o Paulo César Caju. Estava tudo lá, como o Stamp Color e a Magda Cotrofe.
É por isso que estou triste pelos Brasileiros deste ano. Os times não se encaixam nas posições de minha memória. O Corinthians obrigou pessoas queridas a defenderem o injustificável. O Flamengo passou a ser uma caricatura, uma farsa. O Grêmio acaba de subir, mas e daí? O Anderson já está fazendo o check in no Salgado Filho. Não vejo nada, nem RPM, nem Ploc Monsters.
Anos 80. É por isso que sou nostálgico. Talvez por isso seja petista. Sei que está tudo lá, Trio Los Angeles e Manimal.
Ainda zonzo, acabo de assistir a eliminação do Náutico, nos Aflitos. Que sina, que nome de estádio. Aquele zurzir da derrota martela. Será que não podiam ter colocado o Bizu para bater aqueles pênaltis? Tenho aqui com meus botões que uma derrota dessas era impossível. Um time com sete jogadores e outro com onze. Uma penalidade, máxima. E outra penalidade, também na marca do cal. Desfeita. E não foi gol. Não foram. Inacreditável. Inapelável. A bola que rola não rola mais nas proximidades do Capiberibe, que deve estar igual enchente pelo chorar dos náuticos.
Com grifos que não estão no original, neste dia, ainda li o Estadão e percebi que tudo neste mundo é possível. Tudo. Da desfaçatez feita com candura. Da candura feita com desfaçatez. Vejam a manchetona, lá, em letras graúdas: " IBGE: renda pára de cair e Brasil faz algum avanço". Como assim "algum"? Pelo horário não tinha entendido nada e continuei leitura: "Pesquisa mostra que melhorou um pouco a distribuição de renda, ainda baixa, assim como cresceu o número de domicílios atendidos por água e esgoto, também baixo" . Reparem as palavras do entre vírgulas: "ainda baixa", "também baixo". Seria baixa a vontade de dar a notícia? Senhores, como são as coisas, os índices melhoram um pouco e lá está o destacado, ainda pouco, também pouco. Pouco, pouquíssimo crível, vislumbrar se o governo fosse outro, o do sociólogo, não seriam estampadas as manchetonas com as seguintes orações, como quase uma reza: "Brasil avança ao Primeiro Mundo". "Brasil: Água e Esgoto disponíveis em todo o território nacional". A bola que rola sempre rola do jeito que o locutor quer que ela role. E enrola ou embola. Embota.
De forma que eu iria escrever sobre o Grêmio. Sobre o Sobrenatural de Almeida de Nelson Rodrigues e de Álbaro. Do hino de Lupicínio, e quem tem hino de Lupicínio já tem um gol a favor. Diria que o comportamento tricolor depois do segundo pênalti foi ridículo, de um ridículo soberbo, daqueles ridículos memoráveis de encher quarteirões de rubras faces. E diria que depois do ridículo veio o estupor, a grandeza, Anderson, Galatto e sei lá mais quais coisas sobrenaturais poderia descrever. A bola que rola não queria o Tricolor na Segundona e isso, e o hino do Lupicínio, podem explicar porque lá a bola continua a rolar, leve e risonha. Este menino Anderson, já indo embora, é uma jóia rara, raríssima. Tudo, absolutamente tudo, é possível. O jeito, então é falar da bola, a redonda, a menina, a pelota, o capotão. A bola perdeu George Best hoje. Deve estar tristonha. Descontou no Naútico. Em que rodada cai o Vanderlei Luxemburgo? Perguntem a ela, por favor.
Fiquei assistindo os jogos da segunda divisão. Futebol é do caralho. O Naútico é o time mais patético que eu conheço, acho que deveria ser aberto um McDonalds naquela bosta do estádio dos Aflitos. Escrito por Zecão às 17h48
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Eu gosto do Tevez
Tevez diz que vice-presidente 'não é ninguém'
Atacante argentino se irritou com declarações de Andrés Sanchez sobre seu futuro
Maurício Oliveira
Carlitos Tevez não gostou dos comentários de Andrés Sanchez, vice-presidente de futebol do Corinthians, sobre o seu futuro. Jornais europeus veicularam nos últimos dias a troca do argentino por Crespo, do Chelsea (ING), mas o dirigente do Timão negou a saída do jogador.
- O Andrés disse que eu não vou embora, mas quem decide isso somos eu, meu representante, e o presidente Alberto Dualib. Ele não é ninguém para falar sobre mim - reclamou Tevez, que disse ter se sentido magoado com o cartola.
- A minha posição foi apenas a de um vice-presidente que quer que ele fique. Como corintiano, quero apenas que ele faça um ótimo jogo no domingo - respondeu Andrés, ao saber das declarações do jogador.
Sobre as especulações, Tevez confirmou o que Sanchez já havia dito:
- Quero continuar jogando no Corinthians. Muito se fala de outros clubes da Europa, mas por enquanto ninguém veio falar comigo - explicou. Escrito por Zecão às 11h53
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Pelada
Prezados bolonistas e leitor,
Infelizmente, a partida de amanhã está cancelada por vários motivos: estou contundido, alguns bolonistas viajaram, outros estarão numa tremenda ressaca, alguns convidados farão prova da OAB. Enfim, acho que só iriam umas quatro pessoas. Mas já conversei com outras pessoas que estão a fim, acho que conseguiremos reunir pelo menos umas doze pessoas para maltratar a bola regularmente nos fins-de-semana.
"Parei de beber e de sair com mulheres. Foram os piores 20 minutos da minha vida." Tradução literal de uma frase proferida pelo quinto Beatle, George Best. Se o cara era craque, dizem que era. Até hoje é possível encontrar sua face estampada em camisas pelos alambrados de Manchester. Campeão europeu de 1968, o ano que nunca terminou. Uma frase como essa explica muito sobre um cara. Ele era um autêntico Bolonista.
Por essas e outras, hoje, ao tomar um dos chopps, o farei em homenagem ao irlandês.
Interrompo a discussão futebolística para uma notícia triste... Nova York - O ator norte-americano de origem japonesa Pat Morita, 73 anos, que foi indicado ao Oscar pelo filme Karatê Kid, morreu na quinta-feira em Las Vegas, nos Estados Unidos. Tinha 73 anos.
Morita morreu na terça-feira, em sua casa em Las Vegas de causas naturais, conforme noticiou sua mulher por 12 anos, Evelyn, relembrando que o ator, que ficou famoso pelo seu papel na série de televisão Happy Days, "dedicou toda sua vida à carreira de ator e à comédia".
A Fifa acaba de lançar o dvd "Fifa Fever", em comemoração ao seu centenário.
O filme é quadradão, bem careta, mas vale muito pelas imagens, várias inéditas (inclusive da final da Copa de 30: um tesouro).
Estão lá todos os campeonatos organizados pela Fifa: as 17 Copas do Mundo, o Campeonato Mundial Sub-17, o Campeonato Mundial Feminino e o Campeonato Mundial de Futsal.
Eu estava mais confiante. Agora tenho medo, muito medo.
Pelé defende Timão e vê São Paulo como favorito Raul Flávio Drewnick
São Paulo (SP) - No lançamento de uma coleção de roupas com a sua marca, Pelé citou a Itália e a Inglaterra como as principais adversárias do Brasil na Copa de 2006. Logo depois de fazer um discurso sobre os perigos que a seleção nacional enfrentará por ser considerada a número um, ele apontou também o São Paulo como virtual campeão do Mundial de Clubes, que será disputado em dezembro, no Japão.
“O São Paulo é o favorito. O time está bem e com moral. Não será barbada porque é sempre difícil chegar com a obrigação de vencer”, disse o Rei do Futebol, que costuma errar seus palpites futebolísticos.
Em relação à disputa do Campeonato Brasileiro, Pelé lamentou mais uma vez o caso de corrupção na arbitragem brasileira, porém saiu em defesa do líder da competição. “O campeonato está manchado. Porém, não por culpa do Corinthians”, afirmou o eterno camisa dez da seleção brasileira.
Mais uma vez, Pelé criticou a diretoria do Santos pelas constantes demissões de treinadores. 'Os santistas estão tristes. Foi prematura a saída do Gallo. O time estava bem. Gosto do Gallo, como do Nelsinho', lamentou o ex-jogador, falando sobre o clube do coração.
Tenho certeza que os bolonistas estão torcendo pro GALO FORTE VINGADOR sair da situação que se encontra. Acredito pelo fato de todos terem apostado no galo na 41ª rodada. Obrigado bolonistas, vou levar esta força para o mineirão domingo. O GALO não vai cair.
No início da década de 80, encantado com Sócrates, Casagrande, Wladimir e a Democracia Corinthiana, só faltava um amparo familiar para me tornar um alvi-negro de coração. Este amparo veio por meio de meu tio Edson, irmão mais velho de meu pai, até então o único corinthiano de uma numerosa família de palmeirenses. Imerecidamente, o tio sempre foi acusado de ter feito o sobrinho virar a casaca.
Fica aqui uma pequena lembrança em homenagem ao Tio Edson, que partiu na última terça.
O fantástico no futebol é a possibilidade real da zebra. Ainda que improvável, impossível cravar o impossível. O Olaria é sempre um adversário tinhoso e temível. Verdade que quase sempre prevalece a lógica do mais forte, mas nada impede aquela derrota para o Paraná em casa, com um jogador a mais. Outro dia fui ao Parque da Aclimação em São Paulo, lá no campo municipal de futebol. Dois times distintos em campo. Um muito ruim, o outro péssimo. Mas me ative. E não é que o péssimo fez lá uns "goleszinhos" e, ao que parece, saiu vencedor do jogo? Pois é, o encanto do futebol é a zebra. Por esta razão que causa espécie a proposta de nenhum dos chamados times grandes poder cair para as divisões inferiores do certame. O que os beócios desejam é um campeonato de tricô e não de futebol.
Não deixa de ser comovente a luta da torcida do Galo, e, de umas rodadas para cá, do próprio time do Atlético, para não cair para a Segundona. Assim como foram vibrantes as campanhas de Palmeiras, Botafogo e Grêmio na luta para subir para a Série A. Sem contar o Estádios dos Aflitos, sempre cheio de aflição. Querer afastar do futebol esta luta, este quase desespero, é resumir o futebol a uma tômbola do chá das cinco. A luta renhida, batalhada capítulo a capítulo, travada a cada jogo, enternece.
E não é que noutro dia me perguntaram sobre o Zé Dirceu? Sei lá. Eu acho que ele não deveria ser cassado. Acho injusto e acho que será uma violência muito grande. Não posso abdicar de determinados valores, como o direito à defesa e ao contraditório. Se não há o que contraditar, não há como exercer a defesa. E, presunções, nunca se prestam a condenar alguém. Acho, também, que o Zé cometeu grandes, inúmeros, enormes equívocos, alguns imperdoáveis. A enormidade deles decorre de uma certa esperteza que se confundiu com ingenuidade. Assim é o título do Corinthians, meus caros. Sim, porque não podemos condenar o Timão com base em presunções. O fato é que, na sua inconstância, poucos times foram tão regulares no campeonato. Poucos jogadores como Tevez puderam desequilibrar e poucos times tem bons volantes. O Corinthians os tem. Então, a taça do quarto campeonato brasileiro vai cair lá, indubitavelmente. De uma certa forma, será merecido. Sei lá. Será que o Zé Dirceu é corintiano? Bom, só sei que ele pode não ser cassado e ainda há a Ponte Preta e o Goiás que podem pregar algumas peças neste campeonato.
Revi pasmo, ainda noutro dia, um teipe de Brasil e Itália, outra zebra memorável. E, o pior para os fatos, foi que o time de Telê, contra os argentinos, fora sublime. O gol de Júnior, um quadro. Não deixamos a Argentina jogar, barramos Maradona. Alguém pode me explicar porque diachos o Paolo Rossi estava sempre no lugar certo nas horas mais erradas? Alguém se atreve a explicar como é que o Zoff fez aquela defesa ao término do embate? Alguém pode me explicar? Neste caso, infelizmente, as zebras são fundamentais para o futebol. Este futebol é uma caixinha de surpresas...
Foi a mesma coisa no jogo contra o Real Madri, Ronaldo faz o gol e cumprimenta o Criador com o gesto jovial. Bem, que ele deve ser chegado do Homem ninguém duvida...
Uma das maiores polêmicas futebolísticas deste ano foi a parceria do Corinthians com a MSI, fundo de investimentos que parece ter achado um bom mecanismo para multiplicar seus milhões. A suspeita de que dinheiro ilegal alimentaria tal fundo criou uma espécie de indignação na imprensa esportiva séria, aquela que vê na profissionalização a saída para as misérias da nossa organização esportiva.
Ocorre que a profissionalização em todo mundo significou a aproximação definitiva do futebol com o processo de acumulação típico do modo de produção capitalista. Após a acumulação primitiva que possibilitou a construção de grandes marcas, não resta outro caminho senão acumular, acumular. Mesmo porque quem não expande cai. É esta a lógica. Do espaço publicitário nas camisas à venda de placa nos estádios, da comercialização de campeonatos à transferência de jogadores, o futebol se transformou em uma grande máquina de fazer dinheiro.
Imaginava-se que seria possível compatibilizar a magia do futebolcom a máquina de fazer dinheiro e que todos saíriam felizes desta história: clubes, atletas, torcedores. Carochinha. A máquina de fazer dinheiro não tem controle e o futebol como jogo virou mero pretexto para a multiplicação da riqueza.
Alguns alegam que o problema da MSI é outro, é a origem do dinheiro que alimenta o fundo de investimentos. Como se fosse possível, neste processo progressivo de financeirização do capital, distinguir o bom capital do capital do crime organizado. Como se todo capital não fosse a expressão de uma relação social baseada na exploração.
A parceria com a MSI escancara esta relação do futebol com o capital. O que importa é fazer dinheiro. A Lei Pelé, mais do que a “lei áurea” do esporte bretão, deu mobilidade aos ativos mais importantes do futebol (por ora). Os empresáriosviraram celebridades em programas esportivos. O apresentador da mesa redonda vendedor de produtos de segunda categoria no domingo à noite. A nostalgia virou um grande verniz – basta um verniz para ser feliz, não é isso?
Resta o Ronaldinho, talvez o mais valorizado ativo do futebol atual. Fez dois golaços no sábado. O mundo inteiro viu. A Nike ficou mais rica. O Barça ficou mais rico. Um tiozinho sorriu. Pra ele sobrou a magia. Dizem que nem só de pão vive o homem. É verdade. Talvez ele tenha ficado com o que existe de melhor nesta bagunça toda. É verdade também. Foi dormir mais feliz, esperando para curtir o todo poderoso esmigalhar aqueles diabos gaúchos. Dizem que o dinheiro que comprou os ídolos do timão tem origem esquisita. Tudo bem. Já se acostumou com coisas esquisitas. Segunda-feira vai procurar emprego porque a vida não tá fácil. Escrito por Luís às 08h11
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Fintou um, dois e três e quatro...
Bolonistas em vão
Dos vários significados da palavra parábola, aquela pelota que descreve este movimento, do pé do Rogério Ceni para dentro do gol adversário, me parece a mais adequada para o nosso diário eletrônico.
Mas há outros. Gosto da palavra. Gosto das palavras. Noutro dia estávamos eu e o Álbaro bebendo um bom chopp no Elídio e comendo um saboroso sanduba de mortadela. O Juventus acabara de ganhar o clássico contra o Nacional, dois a um. O argentino é um bom contador de prosas e destila diversas parábolas sobre o futebol. A última, nem preciso escutar, dá conta da pífia, e absurda, e reiterada, atuação de Márcio Resende de Freitas. Árbitros de futebol erram. Mas há outros que simplesmente são cegos.
Lembro aqui da atuação de Castrili, um outro argentino que operou a Lusa num campeonato paulista de outrora. Eu acho que o Castrili não errou, sou um dos poucos, talvez um dos únicos. O Emerson, acho que foi ele, meteu a mão na bola mesmo, foi imprudente. E o Evair fez pênalti. Mas isso não importa, é o mito que fica. E o mito ainda hoje sobrevive. A Lusa perdeu do Náutico, de novo, em pleno Canindé. Será que a Portuguesa agüenta mais um ano na segunda divisão? Sei lá.
Mas isso importa pouco. Ronaldo Gaúcho importa muito. Verdade que eu só comecei a assistir ao jogo do Bernabeu depois que os confrontos do Canindé, como jogou mal a Portuguesa de Desportos, e do Morumbi, como jogou bem o menino Tiago, se encerraram. Minha sandice anda sendo testada neste Os Bolonistas. Confesso que os goles do menino Tiago me emocionaram, principalmente o último, em que o avante foi frio o bastante para entortar goleiro e zagueiro com uma simples mudada de passada, desviando a bola para o arremate preciso. Mas Ronaldo foi estupendo, para ficar no adjetivo correto. E isso realmente importa.
Disse-me o Álvaro que a seleção nacional de 2006 lhe preocupa. O esquema de Parreira irrita e é impossível prever se este esquema sobreviverá aos craques. Ou se os craques sobreviverão ao esquema. Ronaldo não joga na seleção o que joga no Barça e isto trata a nosso pulga com caviar. O fato é que há poucos indícios que a política econômica vai mudar, que faremos uma aliança consistente política e não de conveniência e que teremos vida inteligente nas outras candidaturas de esquerda, que superem a lógica adotada até aqui de descer o malho no PT e no Lula para tentar cavar um espaço, ainda que no caderno de fofocas. Opa... do que falávamos mesmo? O Álvaro sempre tem notícias de novos craques e de novas possibilidades. Foi ele que me disse que o Fernandão era um bom atacante e desconfio que ele conhecia o Sóbis antes mesmo dos fatos. Sem contar o Marcelo Matos, que ele já achava um bom volante.
Dos pés de Ronaldo Gaúcho descreveu-se uma bela parábola, mui importante para este nosso diário eletrônico. O Barcelona deixou no ar uma pontinha de esperança. E esperança, meus caros, é vital, essencial. Até para um flamboyant!!!
Galo, na base da raça e do amor à camisa, vence o Coritiba (1 a 0) em jogo dramático e ainda sonha em escapar do rebaixamento à Segunda Divisão
Foi na raça, no amor à camisa e na força dos torcedores. Bem ao espírito alvinegro, o Atlético conquistou a terceira vitória consecutiva e manteve vivo o sonho de permanecer na elite do futebol brasileiro. Com um gol de Rodrigo Dias, venceu o Coritiba por 1 a 0, correspondendo ao apoio das arquibancadas, num dueto emocionante, em que time e torcida pareciam um só. Não houve bola perdida, não houve marcador forte demais. As pernas podiam até não estar agüentando mais. Em alguns lances, a técnica passou longe. Na desesperadora luta contra a queda para a Série B, no entanto, tudo isso fica em segundo plano. Prevalece a superação. E, nesse ponto, o Galo não decepcionou.
Os meninos tiveram apoio integral da massa. Até os erros foram aplaudidos. Cada vez que a bola estava nos pés de um jogador da equipe paranaense, uma sonora vaia ecoava pelo estádio. O Coxa se deparou com várias barreiras, entre elas, uma intransponível: Bruno. Quando não fechava o gol com defesas espetaculares, o goleiro atleticano contava com a sorte, como aos 40min do segundo tempo, quando Rubens Júnior, em cobrança de falta, acertou o travessão.
O jogo poderia durar mais uma hora, além dos 90min, que ainda assim, a vitória seria do Galo. A atmosfera, no Mineirão, conspirava para isso. O primeiro tempo foi até morno, sem muitas oportunidades de gols. O Atlético teve mais posse de bola, contudo estava nitidamente nervoso, e as jogadas não fluíam. A defesa do Coxa acabava levando vantagem.
Mas para sorte do alvinegro, os paranaenses não partiam com muito ímpeto para o ataque, pareciam esperar uma falha dos mineiros para dar o bote. Aos 35min, num lance de muita raça, o lateral Rodrigo Dias, caído, se levantou e bateu desequilibrado, de bico, abrindo o placar. A torcida foi ao êxtase. No banco, os reservas e comissão técnica se abraçaram.
As maiores emoções ficaram reservadas para o segundo tempo. A derrota parcial por 1 a 0 obrigou o Coritiba a se arriscar mais, uma vez que também dependia da vitória para se manter na briga contra a queda para a Segunda Divisão. Foram os 45 minutos mais longos do ano para torcida e jogadores atleticanos.
O Galo recuou, deu campo para o Coxa e acabou sendo muito pressionado. A vitória magra ainda não permitia festa. A respiração continuava presa e, a cada avanço do Coritiba, o torcedor ficava ansioso, temendo o gol do empate. Sobressaiu, então, o espírito solidário dos jogadores alvinegros e o seguro trio de zaga, jogando firme. Somou-se, a tudo isso, um goleiro iluminado e a paixão de uma sofrida torcida.
O Atlético até ensaiou outros gols, como aos 27min, quando Renato mandou a bola no travessão. Mas ficou mesmo no 1 a 0. Diferença mínima no placar, grande passo em direção ao objetivo de evitar o maior vexame da história do Galo. Cinco minutos após o encerramento do jogo, ainda havia torcedor nas arquibancadas. A comemoração não era por título, porém a massa provou que se dentro de campo os jogadores fizerem sua parte, fora dele os três pontos estão garantidos.
No último jogo de sua carreira como árbitro da Fifa, o árbitro Márcio Rezende de Freitas, 45, afirmou que estava preparado para fazer uma atuação perfeita. Após o jogo, visivelmente abatido por não ter marcado pênalti de Fábio Costa em Tinga, disse que não errar "é impossível". "Agora só me resta pedir ajuda de Deus e rezar", afirmou. (EAR, MDA E RM)
Pergunta - Você achou que foi pênalti do Fábio Costa no Tinga? Márcio Rezende de Freitas - Eu estava bem colocado no lance. O Tinga deu um corte, não iria alcançar a bola e se chocou com o Fábio Costa. Não tive dúvida na hora e, como ele já havia sido advertido com o cartão amarelo, eu tive que expulsá-lo.
Pergunta - Mas a televisão mostrou que você errou no lance, que foi pênalti. Márcio Rezende -Se foi pênalti, errei. Tenho que assumir. Não era dessa maneira que gostaria de encerrar a minha carreira.
Pergunta - Mas esse resultado pode ter mudado o destino do campeonato... Márcio Rezende -Não tenho replay, estava convicto na hora. Se vocês estão dizendo que foi pênalti, tenho que acreditar e pedir desculpas. Tanto é que os jogadores do Internacional não reclamaram. Eles vieram para cima de mim pedir para que eu não expulsasse o Tinga.
Pergunta - Não é a primeira vez que você cometeu erro grave. Em 1995 anulou um gol legítimo do Santos na final contra o Botafogo, que acabou campeão brasileiro. Você acha que tirou a chance de título do Internacional? Márcio Rezende - Eu vim preparado para fazer um jogo perfeito para encerrar minha carreira de mais de mil jogos. Mas se errei, errei. Não errar é impossível. Não posso acertar tudo. Errar de dez em dez anos pode ser considerado pouco. Tenho mais de 1.100 jogos e tive poucos equívocos. É complicado. Esperava acabar minha carreira de forma tranqüila. Agora só me resta pedir a ajuda de Deus e rezar.
Pesadelo. De um lado, Zoff, Maldini, Scirea, Baresi e Gentile; Mathaus, Tigana, Zidane e Platini; Rumenigue e Paolo Rossi. Do outro, não reconheci nada. Mas o fato é que Paolo Rossi marcou dois gols, ambos declarados inválidos pelo árbitro. Mathaus foi expulso. E Tevez, não sei porque razão, marcou um gol impedido, declarado válido. Parece que nunca o time europeu conseguiria empatar, quiça ganhar o jogo. Ora o juiz não deixava. Ora o bandeirinha. E, quando Zidane marcaria enfim o empate.... entrou um cara de terno e gravata decretando o fim do jogo. Estranho... muito estranho. Escrito por Amaral às 22h40
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Flamboyant
Hoje, às 15h30, saí de casa: o destino era o campinho da 208/209 sul. Acendi um cigarro, comprei uma coca-cola, passei sob uma flamboyant exageradamente florida e pensei: “tenho certeza de que neguinho não comprou esta pelada do Zecons”.
Não é – e isto é uma defesa – uma desconfiança sobre os bolonistas, é uma desconfiança sobre o “vamos combinar”. O “vamos combinar” é uma das mais sólidas instituições nacionais, e as combinações por e-mail só complicaram as coisas. “Estou lá”, “Dentro”, “Reserva a 8 pra mim” etc e etc e etc.
Bem, saí de casa esperando encontrar o Zecons de chuteira nova, uma bola e um jornal.
Não foi o que aconteceu. De cara, vi o Zecons (camisa 3 do Mascherano), o Fá (camisa do Galo), o Pança (camisa de goleiro do Peñarol) e três companheiros de trampo do Zecons, todos potenciais bolonistas, sensacionais (dois flamenguistas e um são paulino). Chegando na mesma hora, o maior cordelista do Piauí, Renato (camisa do Mengo).
O jogo? Bem, o jogo foi de golzinho (chinelos: traves). Um lado: Renato, Fernando, Franklin e Deco. O outro: Zecons e os três mosqueteiros.
Durou pouquinho. O Fá pediu substituição aos 2 minutos de jogo por absoluta exaustão. Francinaldo, um destes maravilhosos fominhas de bola que caçam peladas por todo o país, o substituiu. Acaba no três.
O time do Renato ganhou a primeira partida: dois gols dele e um espírita. Intervalo e aí foi minha vez de pedir água: o Fá voltou.
Sentado, assistindo àquela partida, notei que devemos todos nos preocupar com os pequenos atos – as conseqüências são incríveis. Começamos, alguns poucos, apostando na loteca. O Zecons criou o Bolão. O Massoneto nem sabia, entrou depois. Surgiu a piada: e se fizéssemos um blog? Taí o blog. E, de repente, estava sendo convocado pelo Pança a entrar no jogo, que ele tinha pregado.
Durou pouquinho, que às 17h00 todos tínhamos que testemunhar – porque se contar ninguém acredita – o Gaúcho.
Às 16h50, voltei pra casa. Passei sob a mesma flamboyant. Ela me pareceu um pouco mais florida.
Bolonistas encantados com o Gaúcho, o melhor desde Maradona:
Ainda sobre o texto do Torero, devo dizer que não resisti e lancei um comentário no blog do santista. Surpresa: ele respondeu. Deixo aqui o curto e esclarecedor diálogo:
[Demetrius Cruz] Torero: Ontem. FSP. Edmundo e Leão? Curiosidade, muita curiosidade. Um abração, Demetrius
18/11/2005 20:06
RESPOSTA: Não, Demétrius, não foi esta a dupla.
Bem, era esse o meu palpite. Massoneto tem outro. Ele devia escrever para o Torero.
Ah, não dei bobeira. Imediatamente após o comentário acima, mandei outro. Desse ainda não tive resposta.
[Demetrius Cruz] Ah, pra constar: reproduzi o texto lá no "Os bolonistas", com o devido crédito. Visite o blog. Cê vai gostar. Outro abração, Demetrius.
Com um dia de atraso, deixo aqui um texto publicado na Folha. Torero, o melhor cronista de futebol do Brasil, ao lado do Amaral, conquista o troféu máximo para um escritor: usar a pena da ficção para revelar a verdade. Tenho palpites sobre as personagens reais. Acho até que a rima é proposital.
Raimundo, o rei do submundo
JOSÉ ROBERTO TORERO COLUNISTA DA FOLHA
Ele estava sentado na última mesa do Bar da Preta, iluminada apenas por uma lâmpada fosforescente que não se decidia se queimava ou não. Seu nome é Raimundo, o rei do submundo, e ele sabe tudo o que acontece nos bastidores do futebol. Tudo mesmo. Dizem que deu aulas de contabilidade para Juan Figer, que Eurico Miranda foi seu estagiário e que Ricardo Teixeira tem um pôster seu no quarto. Raimundo, o rei do submundo, aceitou falar comigo, mas pediu que eu não o descrevesse muito a miúde. "Neste trabalho tenho que ser mais discreto que amante de senador." Por isso digo apenas que ele tem orelhas de abano, possui uma nariganga fabulosa e usa um palito de ouro para limpar os dentes enquanto fala. Diz a lenda que seu nariz é tão apurado que pelo xixi ele é capaz de dizer se alguém bebeu uísque de oito ou de 12 anos. Com suas orelhas ele pode ouvir uma nota de dinheiro cair no chão. E ainda diz de quanto ela é. E falam que com o palito já mandou três sujeitos para o outro lado do mistério. Aproximei-me com certo temor. - Sente-se, rapaz, tenho só alguns minutos, disse ele olhando para seu Rolex falsificado. - Bonito relógio, disse eu para quebrar o gelo. - Quer comprar? É legítimo. Para você faço por 20 mil. - Mas está escrito "Roléquis", com que-u-i-esse!? - Deve ser um novo modelo. Deixa para lá. O que você quer saber mesmo? - Bem, é que me disseram que estava tudo fechado para um famoso jogador, ex-seleção, ir para um grande time brasileiro. Mas aí o técnico do clube pediu-lhe um mensalão de 20% do salário, e por conta disso o negócio não saiu. - Você acreditou nisso? - Bem, não muito... - Pois é a pura verdade. - Sério? - E não é nada incomum. Os técnicos são muito poderosos hoje em dia. Basta que eles digam para os dirigentes que o tal jogador não se encaixa no seu plano de trabalho, que está velho, etc, etc, e o negócio vai pro brejo. - E são muitos técnicos que dão esse golpe? - Muitos não, mas vários. E de todo tipo: milionários e pobres, experientes e novatos, de seleção e de times pequenos. Tal revelação deixou-me de queixo caído. Vendo que eu estava sem fala, ele continuou. - Pois é, o mensalão é uma grande jogada. Só com este jogador o técnico iria ganhar uns 30 mil. Com mais dois ou três ele fica com um salário extra de quase 100 mil. Vendo que eu continuava de boca aberta, ele emendou: - Isso explica porque alguns negócios que pareciam certos acabam não saindo. E também porque alguns times fazem contratações absurdas. - Ah..., consegui dizer, ainda sem fechar a boca. - Bem, meu rapaz, tenho que ir. A conta é sua. E, dizendo isso, Raimundo, o rei do submundo, deu-me as costas e foi embora cutucando os dentes com seu palito de ouro.
18/11/2005 - 16h49 Liminar pode colocar o Inter na liderança do Brasileiro
Da Redação Em São Paulo
A Justiça do Rio Grande do Sul concedeu liminar ao torcedor do Internacional, Leandro Konrad Konflanz, em que fica revogada a decisão do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) de anular os 11 jogos do campeonato apitados pelo ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho.
A juíza que concedeu a liminar, Munira Hanna, da 1ª Vara Cível de Porto Alegre, alega que o STJD não comprovou manipulação de resultados nas partidas citadas.
Assim que a decisão da Justiça de Porto Alegre for acatada pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), o Inter reassume a liderança do Brasileirão. Hoje, o time de Porto Alegre aparece em 2º lugar, três pontos atrás do Corinthians (77).
A liminar, no entanto, pode ser cassada a qualquer momento e só terá validade quando a CBF homologar a decisão. A juíza concederá uma entrevista coletiva ainda nesta sexta-feira.
A anulação dos jogos favoreceu ao alvinegro paulista, que enfrentou novamente São Paulo e Santos e conquistou quatro pontos; havia perdido as duas partidas.
Corinthians e Inter jogam neste domingo, às 16h, no Pacaembu. A partida tem sido anunciada como a decisão do torneio.
Não queria falar disso não. Mas vou. Será inevitável que o Pança venha tripudiar ou ser tripudiado após o jogo de domingo. O Zecão, então, este vai me aporrinhar de qualquer jeito. Domingo podemos definir o próximo campeão brasileiro. É fato. E contra fatos, não há argumentos. Torcerei contra, todos sabem. Mas nem sempre foi assim. Não sou dos que simplesmente não torcem, em hipótese alguma, pelo Timão. Sou daqueles que entre o Verdão e o Timão prefiro a crise, sempre torço por este resultado, seja a vitória de quem for. Contra o Palestra já me peguei corintianíssimo. Contra o Vasco, idem. Mas a regra, quase sempre, é torcer contra.
Mas os tempos eram outros. Havia um jogador magrelo, barbudo, feio e camisa oito ou nove. Os mais fanáticos hão de se lembrar que o Doutor jogou muitas pelejas com a nove do Timão. Sócrates foi, e acho que ainda é, o cara mais legal que o futebol já produziu. Legal, nos sentidos amplos que podemos dar e compreender. Os toques de calcanhar do Magrão ainda hoje me fazem sonhar que um outro país é possível, um outro mundo, um outro futebol. E foi no Timão, nos anos em que vestiu e honrou a camisa da Fiel, que Sócrates foi meu ídolo. Não havia jogo ou teipe que eu não me pegasse em adultério, olhando para as passadas largas do esguio atacante, armador, volante, craque do meio do campo para frente. Goles de falta, goles de placa, goles e goles. Foram jogos difíceis de aturar aqueles entre o meu Tricolor e o Corínthians do Ricardo e do Massoneto, em 82 e 83. Fomos duas vezes derrotados, com times que no papel poderiam ter vencido. Mas não tínhamos Sócrates. Até hoje é inesquecível, doloroso e delicioso, ambíguo, paradoxal, pavoroso e assombrosa aquela jogada entre Sócrates e Zenon que resultou no único dia em que Oscar e Dario foram Jatobá e Mauro. Sócrates foi impiedoso. Imperdoável.
Eram anos de um movimento político chamado "Democracia Corintiana". E aqui falo com muita inveja, não haveria outro time que aquele movimento pudesse existir. A palavra democracia era uma novidade naqueles anos e em 1984 vi "Dona" Maria Helena vestir amarelo, torcer, vibrar e chorar por causa desta estranha palavra de origem grega. Certamente em 1984, entre a Sé e o Anhangabaú, meu gosto pela política ganhou impulsos definitivos. Minha mãe sabe que esta paixão quem me deu foi ela, entre as intermináveis digressões sobre política, sobre sindicatos e sobre história do Brasil. Mas imaginem, o Massoneto se lembrará com precisão, trata-se de um homem preciso já disse, o time do Parque São Jorge tinha estampado na camisa as palavras "Democracia Corintiana", em pleno governo Figueiredo, em pleno Morumbi, de forma despudoradamente inquietante. O estádio lotado, aquela torcida irritante cantando sem cessar. E o meu time a perder a chance do inédito, e ainda inédito, tri-campeonato paulista. Aqueles anos eram de um azougue interessante ao país e a "Democracia Corintiana" contribuiu bastante para tanto.
Mas os tempos são outros, infelizmente. Que me perdoem os fanáticos, mas não consigo esconder o asco que tenho da nova parceria corintiana e dos políticos corintianos. Não que esses políticos sejam piores, ou melhores, que outros que teimam em infestar os nossos clubes e a nossa política. Mas enoja esta perdularidade de novo rico. Sei que para os torcedores este empecilho é uma bobagem de adversário, entendo. Mas torcerei contra. No Domingo sou Murici e cravei na loteca: Internacional, seco.
Por fim, não posso evitar comparações. O Ricardo é uma espécie de Sócrates. Vejam, noutro dia, convidei o figura para papear aqui nas proximidades do escritório: "Chopp ou cerveja"? Respondeu-me, vejam vocês, com um desconcertante toque de calcanhar: "Zico ou Sócrates"? Fiquei quieto e resolvi desligar o computador, fechar a mesa e ir botecar. Tinha lá mais um teipe do Doutor para assistir.
Disse Marco Polo del Nero, Presidente da Federação Paulista de Futebol: "O Corinthians vai ser campeão brasileiro, não tenho a menor dúvida disso. O Corinthians tem um belo plantel, vai pegar o Inter aqui (em São Paulo) e será campeão. Estou convicto disso".
Já registrei aqui em nosso diário: esta conversa de que a história não se repete, ou se repete como farsa, é uma bobagem. Basta a lembrança das promessas de fim de ano: ter uma agenda, parar de fumar, começar a malhar. A história se repete, com pequenas mudanças na decoração, sempre. Aliás, sobre as máximas de Marx, ando respeitando só as do Groucho, e não as do comediante.
Mas, vamos lá: 2005 repetirá a história. Qual história? Tenho um palpite, mas ainda não revelo.
História 1
1990: Ronaldo e Neto brigam e ficam sem se falar. Corinthians campeão.
1998: Luxemburgo e Marcelinho trocam rusgas em treino. Corinthians campeão.
1999: Edilson e Rincón trocam sopapos no vestiário. Corinthians campeão.
2005: Gustavo Nery briga com Fábio Costa. Fábio Costa briga com Carlos Alberto. Carlos Alberto briga com Tevez. Tevez briga com Marquinhos.
História 2
1976: Semifinal do Brasileiro, o Inter disputa com o Atlético de Cerezo e Cafuringa a chance de enfrentar o Corinthians na final. O Galo sai na frente, com Vantuir. Batista empata na metade do 2º tempo.
No finalzinho do jogo, terminado o tempo regulamentar, Falcão tabela com Escurinho, que anota o gol salvador, no sufoco. E leva o Colorado à decisão.
A decisão? Bem, a decisão foi um tranqüilo 2 X 0 para o Inter – Dario e Valdomiro.
A torcida do Corinthians, revoltada, arremessa objetos no gramado.
O futebol é mesmo um fenômeno raro, que faz com que pequenos fatos e histórias influenciem de forma definitiva o futuro de um time. Os clubes escolhem distintivos, cores e mascotes e, no entanto, o cotidiano, expresso, por vezes, em formas execráveis, marca de forma definitiva as suas histórias, os seus futuros.
Rosário é a terceira cidade da Argentina em população e um parque industrial sucateado, parte importante do processo frenético de apogeu, seguido de decadência, que marcou a história daquela nação no século XX. Os seus dois principais clubes, o Rosário Central e o Newell´s Old Boys vivem a rivalidade mais intensa daquele país, que toma de assalto todos os habitantes da cidade, os seus muros e espaços. Não basta torcer pela glória, é necessário torcer pela desgraça adversária, mesmo que seja num simples amistoso que qualquer dos dois clubes venham a disputar.
Pois bem, no início do século passado, um surto de lepra atingiu aquela cidade e a diretoria do Newell´s Old Boys propôs a realização de um jogo com seus arqui-rivais para levantar fundos para os leprosários. Tal proposta foi imediatamente negada pela diretoria do Central, que colocou nos altruístas arqui-rivais a alcunha de Leprosos, imediatamente contestada por estes com o xingamento de canalhas aos Centralinos. Décadas depois, estas alcunhas foram assumidas por ambas as equipes e os impropérios se incorporaram ao coração dos dois clubes. Então, um torcedor do Newell´s bate no peito e diz para todos que é um leproso e um Centralino, da mesma forma diz que é um canalha.
Da mesma forma, para citar outros exemplos, no México, em meados do século XX, durante um jogo do Guadalajara, um locutor, que não simpatizava com o time, disse que a equipe era péssima e que os jogadores pareciam um bando de cabras (chivas) desembestadas. A polêmica marcou definitivamente o time, atualmente conhecido apenas por Chivas e dono da maior torcida do México.
No Brasil, me vem à cabeça o exemplo da Ponte Preta, clube de origem popular, apelidada na década de 50, pelos adversários do Guarani, de Macaca, pelo grande número de negros em sua torcida e que viu esta ofensa racista se incorporar definitivamente a sua alma.
18/11/2005 - 09h51 Dirigente corintiano provoca o Internacional, rival de domingo Publicidade da Folha de S.Paulo
A dois dias do jogo decisivo contra o Internacional, no domingo, no Pacaembu, o vice-presidente de futebol corintiano, Andrés Sanchez, provocou o rival ao insinuar que o time do Parque São Jorge tem maior poder financeiro que a equipe de Porto Alegre.
"Tem gente que tem duas Mercedes, e outros terão que andar de ônibus o resto da vida. O Corinthians tem uma parceira, e eles [dirigentes do Inter] gastam o que eles têm. Eu só quero ver eles pagarem o INSS [Instituto Nacional de Seguridade Social]", declarou Sanchez.
A resposta atravessada do cartola foi dita ontem, após ele ter conhecimento de que o técnico do Inter, Muricy Ramalho, falar na quarta que sua equipe merece ser campeã pelo que está fazendo no Brasileiro.
"O Inter investiu 5% do que o Corinthians investiu. Lutamos pelo título contra um time que gastou R$ 100 milhões [na verdade, foram R$ 113 milhões em contratações] e a MSI por trás", havia dito Ramalho.
Enquanto o fundo de investimento internacional gastou milhões para trazer o atacante argentino Carlitos Tevez para reforçar o ataque corintiano, o Inter desembolsou R$ 2 milhões para contratar os atacantes Renteria e Márcio Mossoró.
O Corinthians lidera o Campeonato Brasileiro com 77 pontos, três de vantagem para o Internacional. Escrito por Zecão às 10h11
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Renato - o lateral esquerdo
O Renato é um destes caras que não existem. Pudera, nasceu no Piauí, pedaço de terra que, de acordo com o tricolor Nélson Rodrigues, inexiste no mapa do Brasil. Exilado de sua utopia, aportou no Distrito Federal, onde virou um típico gente boa – freqüentador do bar do Franklin, animador de festas, erudito em matéria de samba, rock, funk e outras paradas de negão.
No nosso time, joga sempre pela esquerda. Tinhoso, recusa-e a abandonar a posição, mesmo quando o time precisa de mais alguém no meio de campo. Acha que se abandonar a posição, ela tende a desparecer. Prefere correr sozinho pelo flanco, pedindo bola e divulgando a nobreza da posição. Ou melhor, as virtudes populares daquele setor defendido por gente como Júnior, Vladimir e Nílton Santos.
Como todo gente boa, gosta da nostalgia do futebol, da glórias passadas do rubro-negro carioca e daquele camisa 10 da seleção, que, assim como todo futebol dos anos 80, ainda há de acontecer de novo. Tinhoso, não dá bolas para quem diz que ele torce para um time que não existe mais. Acha que se abandonar a posição, ela tende a desaparecer.
Pois é, cercado de paixões inexistentes, o Renato é um obcecado por utopias. Sonhador? Talvez. Romântico? Bem provável. Mas não pisem no calo dele. Quando se trata dos seus moinhos de vento, ele é um dos dignos remanescentes dos que gostam de lutar. Em todos os sentidos.
1) É, agora é definitivo, 130 pontos sobre o segundo colocado, 565 pontos sobre o último colocado. Eu sou quem mais entende de futebol entre os que mais entendem de futebol. A comemoração da minha acachapante vitória será dia 11.12, quando também comemoraremos o 4º título brasileiro do Timão;
2) A disputa pelo segundo lugar está ainda emocionante, com uma fantástica reação do inexistente;
Não sei se acontece com todos os filhos únicos, mas eu acostumei a colecionar irmãos pelo caminho. O Zecão é um deles. Mas eu não o escolhi de bate pronto. Até porquê, na primeira vez, eu não conheci o Zecão. Eu conheci o Daniel. Num ônibus, Praça da Bandeira/Raposo Tavares. Não fui com a cara dele, nem ele com a minha. Mas isso não é novidade. Ele já falou disso lá embaixo.
Depois eu conheci o Zecão. Morei numa república de sua propriedade. Ele que escalou os seus moradores. Ele que dava as ordens, broncas e carinhos. A República do Zecão.
Compartilhei do começo de seu regime, de sua malhação, de suas vitórias, de suas frustrações. Durante muito tempo, suas teorias, seu pessimismo, suas gargalhadas, sua relação de amor e ódio com o Timão, fizeram parte integrante da minha vida. A sua depressão de morar em São Paulo passou pra mim quando ele foi embora. Depressão de não ter o Zecão por perto pra me dar suas ordens, suas broncas, seus carinhos. Brasília é uma amante poderosa. Arranca as pessoas da gente. De mim, levou dois irmãos.
O bolão que deu início a este diário eletrônico é dele. O Bolão do Zecão. Aliás, esse blog é dele também. Ele que escalou esse time de bolonistas. E nesse time, o Zecão é o capitão. Capitão estilo Dunga mesmo. Dá ordens, broncas e carinhos.
Zecão, assim como eu, você sabe a importância disso: Meu Irmão!
SÃO PAULO - O goleiro Fábio Costa, do Corinthians, confirmou nesta quinta-feira, em entrevista na "TV Record", que houve uma discussão no grupo por causa das premiações em dinheiro. O problema aconteceu no último sábado e ele chegou a se desentender com o lateral-esquerdo Gustavo Nery, uma vez que os dois possuem opiniões diferentes.
- Por ser um dos mais experientes do grupo, eu fui procurado para discutir a premiação com a diretoria, mas achei que não era a hora para isso. O grupo é profissional e está focado no título. A parte financeira é só uma conseqüência - confirmou Fábio Costa, negando, no entanto, que tenha acontecido agressão física. - Cada um pensa de uma maneira diferente. Mas não fiquei feliz com isso.
Massoneto, o corinthiano de Puglia
Se os seus antepassados não tivessem vindo para o Brasil, Massoneto seria um sofredor. Estaria em Puglia no calcanhar da Bota e poderia optar por duas equipes, o Lecce ou o Bari.
O Lecce ficou conhecido no Brasil uma única vez, quando um dos zagueiros italianos da equipe entrou feio no joelho de Ronaldo dando início à primeira contusão que tirou o fenômeno da Inter de Milão. O Bari teve o João Paulo nos anos 80 (Lembram? Aquele ponta-esquerda do Guarani? Da época em que o Guarani jogava finais de Brasileiros e todos os times tinham pontas?!!) e revelou o meia-atacante Cassano.
Ok, na Itália, Cassano é semi-Deus, mas no Brasil poucos o conhecem. Agora, pensem o seguinte: muitos de nossos bolonistas acreditam que a Copa de 2006 será uma reprise atualizada de 1982. A seleção é perfeita, é a única favorita, tem quadrado mágico, não tem pontas, está em paz com a torcida e coisa e tal...
Será que Cassano será um Paolo Rossi? Ou o bradalhão Luca Toni será um Paolo Rossi? Ou o Gillardino será um Paolo Rossi?
Isola, isola, isola...
Pergunto ao Massoneto, qual Copa prefere: a sofrida 1982 ou a redentora 1994? “Sem dúvida alguma a Copa de 82, a única que existiu”, dispara rápido num e-mail. “Todas as outras têm como referência esta Copa”, completou nosso bolonista. E, para ele, a Copa de 2006 será exatamente como 82. “Falta só saber quem será o Paolo Rossi.”
Massoneto arrisca um palpite: Carlitos Tevez.
Pois é! O fato é que os antepassados Massonetos vieram para o Brasil, foram parar em São Paulo e ele se tornou corinthiano apaixonado. E, agora, a prole Massoneto vai aumentar. Chegará um bebê no início de 2006. E o bebê verá a Copa e nascerá com o Corinthians campeão (ao que tudo indica).
Massoneto me conta que o garoto já é corinthiano. “Havia escolhido o nome Apolônio. Houve veto. Escolhi Sócrates. Novo veto. Desisti. Nem tentei o terceiro nome: Ataliba.”
Ora, a insensibilidade das mulheres... Vamos nos solidarizar ao nosso amigo Masson.
Trouxe a discussão sobre o futuro filho e o futebol. E arrisquei a pergunta bastante polêmica para as mulheres: “O que será mais emocionante: o título do Corinthians ou o bebê?”
“Emocionante vai ser levar o rebento ao estádio. Ver o time perder de 1xO, com gol de pênalti e ouvir do moleque fascinado que quer voltar na semana que vem.”
Gostei da resposta, o cara é realmente um bolonista. E um grande corinthiano.
Como sou são-paulino, resolvo voltar à seleção: “Masson, você colocaria o Ronaldinho Gaúcho na seleção brasileira de todos os tempos?”
Mas, pela resposta, não tem jeito: “Com certeza. Ao lado do Sócrates, do Casagrande, do Zenon e do Rivelino.” Pode? Pode, sim. Torcedor é isso aí.
Tento o campo da política. Pergunto ao Masson quem seria o melhor zagueiro: Palocci, que se defendeu barbaramente, ontem, no Senado; ou Zé Dirceu, que vem se defendendo com unhas, dentes e advogados na Câmara. Ele aposta em Palocci. É quem faz a melhor defesa no campo, apesar de conservador, explica. E o Zé Dirceu apela muito ao STJD, completa nosso bolonista.
Agora, vou para um pergunta que me incomoda há oito anos, quando cheguei em Brasília, na véspera de um Brasil x Escócia, com gol de ombro do César Sampaio e cambalhota do Cafú. “O que mais lhe chamou a atenção e atenção em Brasília?”
Masson: “Provincianismo.”
E o que mais lhe chamou a atenção na SanFran?
“Provincianismo.”
É, o cara é direto ao ponto. Resolvo alfinetar: “Você se considera um exilado de São Paulo, como eu?” Sabem como é: é difícil viver longe do Morumbi.
“Não”, diz em seco, o Massoneto. “Gosto da vida na província, adoro ganhar campeonato paulista.” Resposta típica de corinthiano. São quantos títulos paulistas? Talvez, nem eles saibam ao certo.
O papo-eletrônico vai chegando ao fim e ainda tenho duas perguntas. Não vou deixar a fundamental por último. Para mim, a questão crucial que pode definir o caráter de um bolonista. Dessa resposta, pode advir uma personalidade diferente. Poderemos compreender quem é o nosso companheiro de apostas e futebolismos. “Afinal, você jogaria com a regra de um toque por time, no futebol de botão, ou daria 12 toques por equipe e três por jogador?”
E ele responde: “Conservador. Um toque por time e com bola redonda.”
Seco, direto e amante dos lançamentos com bola redonda, taí nosso companheiro bolonista. Um toque por time. Sim, porque um toque basta para quem teve Sócrates, Rivelino e Casagrande.
Ahhh... Faltou uma última questão. Quis saber do nosso colega sobre a escalação ideal de nosso time de bolonistas. O Amaral entraria com a 10 para lançar bolas no campinho do Zecão na 208/209 Sul?
“Pelo perfil dos nossos atletas, acho que todos jogaríamos parados. O Amaral lançando no meio de campo, eu como beque de fazenda, o Álvaro como centroavante de banheira...”
Ora, meu amigo Masson, se você for jogar de beque, basta uma corridinha para a área. Quem sabe a bola quica na área, bate na trave e volta redondinha pra você chutar. E você, num toque só, pega na veia e estufa as redes. E o time ganha de 1x0, sem pênaltis. E você comemora na campinho da 208/209 Sul como um tal de Basílio, que não está no time dos sonhos, mas que tirou uma torcida inteira do pesadelo e levou-a a mais límpida alegria de campeão.
É uma injustiça dizer que o Corinthians é um time provinciano, que treme quando viaja de avião, se confunde na alfândega e se borra todo quando ouve línguas estrangeiras.
É uma injustiça, pois a verdade é outra: os times brasileiros são todos provincianos, caipiras, caiçaras, matutos, biribas.
É fresca na memória a imagem do sacode que o Pumas deu no Corinthians, a sova do Boca sobre o Internacional (que, segundo o criador da tese, deveria se chamar Nacional) e o triunfo dos universitários católicos sobre o Flu. Caipiras. Caipiras definitivos, arquetípicos.
A tese é boa, muito boa. Para ser ótima, precisa de exceção que confirme a regra.
A exceção? Ah, a exceção é o São Paulo Futebol Clube.
Por falar em tese, o Massoneto está finalizando a sua, essa de doutorado.
Para minhas grandes amigas Renata e Stela, provocativamente, com muitas saudades.
Todos sabemos – nós, homens – da maldição que paira sobre nossas cabeças desde a Copa de 2002. Intoxicação de mercúrio, praga de que não se livra.
O gênio de Veríssimo foi o primeiro a registrar a maldição e, desde que li seu relato, a imagem me atormenta, invade meus sonhos, rouba minha concentração.
Falo da maldição lançada por Cafu, em transmissão ao vivo para bilhões.
Todos nos lembramos – homens e mulheres, essas principalmente – do momento em que o capitão, rompendo o protocolo japonês, subiu em improvisado púlpito, segurou a Copa e bradou: “Regina, eu te amo!”.
Cafu nos humilhou, definitivamente. O cara ganha uma Copa do Mundo, braçadeira de capitão, sobe em um púlpito e anuncia a bilhões que ama sua esposa. É a suprema humilhação.
Desde então, a escala de declarações de amor sofreu uma revolução maiúscula. Todas as comparações são ridiculamente desfavoráveis a nós todos. “Flores? O Cafu ganhou uma Copa do Mundo para a Regina”. Perdôo, amoreco. É só ganhar a Copa pra mim”.
Foi a maior traição corporativa de que se tem notícia. Cafu transformou todos os gestos de amor masculinos em meras tentativas. Cafu nos lançou uma maldição, ele nos ridicularizou a todos, despudoradamente.
Mas eis que hoje, lendo as folhas, encontrei uma possibilidade de redenção. Trata-se de Sayako, a caçula do Imperador Akihito, que acaba de perder sua condição de princesa.
E por quê? Porque resolveu se casar com um funcionário público municipal, o Kuroda. Pela Lei Imperial, os membros da realeza que se unem a plebeus perdem todos os direitos relativos à nobreza. Mas não é só isso.
Sayako foi de automóvel alugado até o local da cerimônia, que teve 30 convidados. O casal morará em um apartamento alugado, onde curtirão sua lua-de-mel.
Todos os que conhecem as mulheres – são poucos – e os que ainda buscam decifrar parcelas de sua alma – somos muitos – percebemos o que isso significa: por amor, a menina abandona a realeza, pega um táxi, casa com um funcionário público municipal em uma cerimônia para 30 gatos pingados e vai morar de aluguel. Putz, é o avesso do sonho. É Cinderela às avessas. É a nossa salvação.
Daqui pra frente, toda vez que a imagem de Cafu com a taça e o grito me torturar, me humilhar, me lembrarei do magistral gesto de Sayako. Tentarei compor uma imagem sobre a outra. Tentarei abafar a maldição e pensar que não sou de grandes gestos, mas dos médios.
Talvez não dê certo, que a declaração de Cafu é maior. Ele ganhou a Copa pra Regina.
Bolonistas, de um extremo a outro da tabela de classificação...
Os mistérios insondáveis da didática escolar e o futebol sempre me intrigaram. E dizem que futebol é só um jogo. Sei, sei... Estupefacto, quase caí da cadeira quando a professora, na maior cara de pau, afirmou, peremptória: "Vejam, se você está dentro do trem, sentado no vagão, não é o trem que se move lateralmente. Quem se move, numa velocidade constante é o poste." O que? O poste se movia? A professora está enferma? Imaginem a estranha situação de ter que parar no semáforo, para o próprio semáforo passar. Até hoje eu não entendo muito bem esta história do movimento linear do poste. Vou ter que aprender, mais cedo ou mais tarde, porque alguém irá, certamente, tão certo como afirmar que o Raí é o maior do mundo, perguntar: "Pai... paiê.... porque o poste se move?"
Alguém imaginava que oitenta mil torcedores, repito, oitenta mil torcedores, estariam em arquibancadas australianas torcendo em um jogo de futebol? A terra dos cangurus, do rugby e do surfe parou para torcer pelo selecionado local numa partida de futebol, pela repescagem do mundial. Oitenta mil australianos num comportamento digno da fiel torcida, empurrando, aporrinhando, galvanizando. Será que na Austrália se joga críquete?
Mas que tem dia que de noite é assim, ninguém duvida. Ninguém. Montevidéu anoiteceu assim nesta quarta feira. A Celeste Olímpica estará fora dos gramados nas partidas da Copa da Alemanha Unificada. Nem preciso recordar que Dario Pereira, Pedro Rocha, Forlan e Diego Lugano estarão sempre nas melhores páginas futebolísticas. Tampouco o Peñarol do Ju Basile e o Nacional de De Leon. A Celeste tem uma camisa azul que é qualquer nota. Alguém aqui se lembra do vareio que demos na Alemanha Ocidental no Mundialito do Uruguai? Futebol é onze contra onze? Não é, definitivamente.
Portanto, o trem e o poste, a Austrália e o Uruguai, a física e o futebol explicam que tudo depende do referencial. Frase surrada, mas definitiva. Do referencial que adotamos temos quem se move, quem se alegra e de quem será a copa. Estamos precisando de referenciais, desconfio, para entender este país.
Nesta quarta, o depoimento do Ministro da Fazenda torrou a paciência de qualquer um, pela monotonia e pela mesmice. Por um lado a sanha de quem quer ter e dar notícia de crise a qualquer preço, qualquer notícia e qualquer crise. De outro, a vagueza e o lânguido desculpar-se. Mas o ministro agrada gregos, troianos, lulistas e tucanos. Não dependemos de nenhum referencial para observar que o trem, o poste e sei lá mais o quê, estão, de fato, parados. Confesso que este arremedo já deu o que tinha que dar. Que saco!
Por fim, importa dizer que Romário ainda pode ser o artilheiro do Brasileiro. Dependendo do referencial ia ser bastante engraçado. E importa, também, que o São Caetano fez o que outros não fizeram e tudo pode acontecer, dependendo do ponto de observação que adotarmos. E Souza, aquele um soneca de São Paulo e Corínthians, marcou um golaço de falta que deixou o Pedrão e o Renato felizes da vida. E o Franklin, cada vez mais macambúzio. Esse negócio de referencial é danado, não é?
Disse Guido Mantega, ontem, em Madri: “Tirar Palocci seria como tirar o Corinthians da reta final do campeonato brasileiro".
Não sei se entendi bem, mas me parece que Mantega quis dizer que não há chance alguma – ou ela é minúscula – de Palocci cair e de o Corinthians não ser campeão.
Bem, não sei se o economista entende de futebol, ou de economia. Acho até que não.
O que sei é que hoje vi Mossoró marcar aos 47 minutos do segundo tempo e Rosinei perder um gol inacreditável aos 34 porque resolveu firular.
Bem, também não sei se entendo de futebol. De economia, certamente não.
Só sei que se fosse o Palocci, dormiria mal esta noite.
Quando conheci essa pessoa rara, acreditava que seriamos apenas colegas debuteco, não passaria disso. Muito falador, gesticulador, agressivo em seus argumentos e talentoso na utilização de palavrões. É engraçado ver o Pedrão defendendo suas idéias em mesa de bar, às vezes parece que o mundo vai se acabar, mas no final da tudo certo. No decorrer do convívio etílico foi se formando uma admiração natural por este caboclo. Flamenguista doente, (único e grave defeito) sempre estava com a camisa do seu time, pelo menos em dia de jogo. Pedrão é o americano mais brasileiro que conheço, isso mesmo, o cara nasceu em Washington, com carteira de identidade e tudo, piada que eu uso até hoje para sacanea-lo, “Porra Pedrão, você é americano, não torra ”. Na verdade é um baita arquiteto recém formado que resolveu morar em Salvador. A única tristeza de ter mudado para a Bahia, é que os dois times, Vitória e Bahia, estão em uma situação nada agradável. Vira e mexe ele liga no cu da madrugada dizendo que esta com saudade da gente e das butecadas, que foram inúmeras quando ele era candango. Pedro é isso, arquiteto e flamenguista safado com coração do tamanho do mundo. Tomara que ele volte logo, ou não, desde que continue sendo essa figura que a gente conhece e gosta. Pedrão, francamente, você é um cara bacana!
Disse Recoba: "Somos um grande país com um grande passado e temos direito de jogar. O Uruguai tem um direito divino de jogar a Copa. Uruguai é o Uruguai".
O mundo está perdido, não se respeita mais o Sagrado. Eta, bando de infiéis.
No ano de 1993, eu era um calouro a descobrir a mítica Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Enfeitiçado com a idéia de que era chegada a minha hora de mudar o mundo, eu sempre ouvia falar de um estudante lendário, a quem ninguém naquela faculdade era indiferente, o qual causava reações que variavam de demonstrações hepáticas de irritação a mal disfarçados casos de veneração, chamado Fernando Amaral.
Naquela época, Fernando Amaral, depois conhecido apenas por Amaral, ou Goldo para alguns íntimos, era um atacante incisivo, capaz de estraçalhar defesas em um estalar de dedos, com sua verve afiada como uma navalha, sem jamais abandonar o seu charmoso sorriso, uma de suas marcas registradas. Este atacante conduziu aquele time ao primeiro campeonato de sua história.
A partir daí, o outrora atacante passou à função que exerce até os dias de hoje, a de meia-articulador, o camisa 10 de todos os times por onde passou. Nesta posição, combina dribles desconcertantes com raríssima visão de jogo. Comanda naturalmente, como um maestro, o jogo de seus parceiros de time, exaltando a urgência das vitórias e criando relações de cumplicidade como ninguém. Desta forma, novos campeonatos foram conquistados e novos jogadores se formaram à sombra de seu exemplo.
Tarefa das mais complicadas é descrever a figura do Amaral. De forma simples, eu menciono o seu carisma, que faz com que todos aqueles que o conhecem fiquem magnetizados por sua figura, exatamente como as massas devem ficar por seus ídolos, para assim acreditar que o impossível pode ser conquistado, que uma virada aos 47 do segundo tempo vai acontecer, por que tem que acontecer e que uma vitória épica com nove jogadores em campo está ao alcance do time. Em segundo lugar, destaco o amor monumental pela beleza, apresentado aqui pela narração sensível e acurada de jogadas, nuances e histórias do nobre ludopédio e, principalmente, pela descrição emocionante de suas duas melhores obras, que certamente nos fazem crer num mundo melhor.
Por fim, o homem vai a rua Javari, gosta do Elídio, do Léo, de Jiló e do Naça e ainda por cima é torcedor do maior de todos os times. Este é o camisa 10 do meu time, hoje e sempre!!!!!
Cinco em cinco pessoas, que gostem de futebol, obviamente, vão se lembrar daquele jogo. Pequena área, pelota alta, bola na área e goleiro na bola. Ela, a redonda, desce macia e ele, ao invés do chutão, mata a menina no peito, pânico na zaga e na torcida, e dá um toque sutil, de peito de pé, encobre o goleiro, chapela o zagueiro e pelota no fundo da rede, mansa e gostosa. A bola que rola, rola macia. Que eu me lembre, e isso não importa, o time, naquele jogo, perdeu a peleja. E o melhor é que todos se lembram do golaço e não da derrota. Um puta golaço.
Assim é o nosso Bolonista. Ninguém, e toda a unanimidade é suspeita, não conhece ao menos um gol de fechar o comércio feito pelo nosso ilustre craque. Em São Paulo, o Deco é reconhecido como o autor daquele gol estupendo contra o Corínthians, em pleno Pacaembu, em que ele fintou o Jatobá, cortou o Maurão e, fingindo olhar para o canto esquerdo, desferiu um petardo, de bico, na direita do pobre e perplexo goleiro alvinegro. Na capital federal, ele é o Demas, o avante irriquieto da Quadra 208, titular absoluto do times dos sonhos do "alvigrená" BellaRubia Futebol Clube. Todos, absolutamente todos, sabem que o cara joga o fino. Para o craque, não importa se o time perde, ganha ou ganha o título. Demétrius, Demétrio, Demétriu, Deco, Dequinho, Demas, Dema e sei lá mais quantos nomes, todos craques, gostam do jogo bem jogado e dos goles de placa. Uma vez o repórter da Jovem Pan perguntou: "Deco, não fica uma frustração marcar esse golaço e o time perder o jogo?" O craque respondeu, e marcou outro gol de placa: "Meu amigo, o sublime é universal."
Fê BSB, o Pança, o Gordinho Simpático, é um típico brasiliense por volta dos 30 anos. E, como quase todo brasiliense por volta dos trinta anos, se perguntado, em Brasília, sobre de onde é, responde que não é daqui, mas de outro lugar. Mais especificamente de São Paulo, onde nasceu por acaso. Mas a verdade é que veio para cá com três anos de idade e nunca mais saiu. Tanto que, em terras estranhas, ante a mesma questão não hesita: "sou de Brasília". Aliás, ele passa mal toda vez que viaja para qualquer lugar mais longe que Taguatinga.
Também como todo brasiliense, por volta ou não dos 30, não torce por nenhum time local. Ele torce pelo Campeão dos Campeões, o time que conquistou o primeiro mundial interclubes, disputado em pleno Maracanã, feito que nem mesmo a seleção brasileira conseguiu igualar.
O Fê é um cabra de caráter, daqueles em que se pode confiar de olhos fechados e com quem se pode contar sempre - exceto se você estiver num lugar alto, mas essa é outra história.
Como é comum com a maioria dos meus amigos, não fui com a cara dele quando o conheci, nem ele com a minha. Só alguns anos depois é que descobri um excelente companheiro de papo, furado ou não, e de torcida pelo Timão, numa terra cheia de flamenguistas (nota aos leitores deste diário eletrônico num futuro não muito distante: o Flamengo, time mais popular do Brasil em fins do século XX, ganhou quatro títulos brasileiros até 1992; hoje disputa a quarta divisão do Brasileirão).
Logo após a final da Copa de 2002, uns amigos jornalistas correram à Internet. O objetivo era achar o melhor texto sobre a final da Copa. Procuramos nos jornais britânicos, italianos, espanhóis, portugueses e franceses. Por uma dessas curiosidades da história, encontramos no argentino Clarín o melhor texto de todos sobre a vitória do rival Brasil. Não gravei o nome do repórter (um pecado, pois o cara escreveu sobre outros jogos da Copa e todos os textos são muito bons). De qualquer jeito, aí vai...
Miles y miles lo miran en Yokohama y no paran de asombrarse. Millones lo miran en el mundo y no paran de asombrarse. El sale corriendo, la boca abierta, el tranco tan suyo, la camiseta bailando, y tal vez también se esté asombrando. Ronaldo, el mismo muchacho al que la existencia y la pelota hicieron pasear por los abismos desde la final del anterior Mundial, no sólo grita dos goles en esta dulce y nueva final, no sólo se consagra campeón del mundo, no sólo se asegura ser el goleador, no sólo entra del mejor modo en la leyenda, no sólo se abraza hasta romperse los huesos con cada compañero, no sólo llora sobre el hombro de un amigo. Ronaldo, el fascinante Ronaldo, certifica que el fútbol con frecuencia se opaca pero sabe esconder maravillas..
Alguna vez, cuando el triunfo de Brasil sobre Alemania por 2 a 0 sea una memoria distante, habrá que buscar testigos que verifiquen que esto pasó. Que pasó y fue ex traordinario. Que un hombre se devoró con dos patadas al partido más importante del planeta. Y que ese mismo hombre hizo cierta una historia que sólo parece posible en la tierra de la imaginación.
Ronaldo jugó hace cuatro años la final de Francia hecho una sombra y jugó esta final, convertido en una luz. Entre una y otra punta de su recorrido impactante, estuvo casi dos años fuera de las canchas porque su rodilla derecha encadenó una lesión atrás de otra. Aquella vez Brasil perdió y se quedó con las ganas de conseguir su quinto título del mundo. Ahora Brasil venció y el pentacampeonato es parte de su inigualable riqueza futbolística.
De todas las señales que volverán mítica a esta final, hay una que quizás también necesite testigos cuando el tiempo pase. El primer gol de Ronaldo; ocurrió a los 67 minutos porque el antihéroe de la jornada, el arquero Oliver Kahn, una de las figuras del torneo y el responsable principal de que Alemania pudiera jugar hasta el último partido, cometió su primer error en el Mundial. Kahn no pudo retener un pelotazo que había lanzado Rivaldo y le dejó a Ronaldo la posibilidad de que quebrara lo que hasta allí era un cero difícil, con un toque de derecha suave que puso a Brasil camino de la fiesta. El fútbol suele ser eso que sintetiza esa jugada: un cruce de destinos, una falla y un acierto, una pena honda y una alegría desbocada. Kahn llevaba una vida atajando pelotas como esa. Pero justo en esa le dio la oportunidad a Ronaldo, quien también tiene una una vida persiguiendo pelotas como esa. También eso es el fútbol: algo que se construye durante años y que se resuelve en una fugacidad.
Antes de aquella circunstancia definitoria, hay un partido que al principio Brasil siente más duro de lo que indicaban algunos pronósticos. Tiene enfrente a un equipo inferior que encuentra el mejor recurso para evitar que esa inferioridad se notara: le quita la pelota. Durante buena parte del primer tiempo, Alemania hace valer su capacidad marcar y consigue cierto control del partido. Schneider muestra que entiende algunas sutilezas de este juego, Neuville corre para complicar a los defensores rivales y Brasil tarda en salirse de esa trama que le tejieron. Sin embargo, Ronaldo se lo pierde sólo ante Kahn, sin anticipar que después le vendría la felicidad entera. En el último cuarto de hora de esa etapa, los brasileños empiezan a despabilarse y dos veces Ronaldo y dos más Kleberson, quien disfruta de su mejor partido en el torneo, quedan cerca de convertir. Surge incertidumbre cuando, en el comienzo de la segunda parte, los alemanes se arriman a la ilusión con un tiro libre de Neuville que no es gol por la mano y el palo izquierdos de Marcos. Pero luego llega el gol de Ronaldo, el de la equivocación ajena y el oportunismo propio, y nunca más vuelve a haber promesa de paridad.
Después viene el resto: Ronaldo lo termina de ganar cuando, a doce minutos del final, se hace cargo de cerrar la jugada más bella de la noche. Es un arranque de Kleberson por derecha, en el que Cafú pico para insinuar todo y no recibir nada. Llegó el pase hacia el medio, con Rivaldo como destinatario. Pero Rivaldo es Rivaldo y entonces inventa lo que no puede inventar cualquiera. Así que saluda a la pelota, ni siquiera la roza y sorprende dejándola correr hasta los pies de Ronaldo. Allí pasa lo que pasa en los partidos especiales. Un tiro hacia la izquierda de Kahn no sólo es gol. También casi concluye un partido que sólo continúa para que Marcos le saque el gol de la boca a Bierhoff antes de inaugurar una celebración fantástica.
Lo demás es el mundo asistiendo a que la hazaña de Ronaldo desarrolle sus pasos últimos. El estadio tiembla cuando Scolari decide que Denilson sustituya al hombre que se metió en la historia. Hay lágrimas, cantos, gritos. En el momento en que el árbitro Pierluigi Collina corre la pelota final y avisa que se acaba el partido, llega lo previsible y lo imprevisible. Todo el plantel campeón se arrodilla en la cancha formando un círculo y extiende un cartel en el medio que dice "Pueblo brasileño, gracias por el cariño". Marcos se envuelve en una bandera y reza. Cafú alza la Copa subido a una tarima y sonríe como cuando era un chico pobre de San Pablo. Los otros giran como si la cancha fuera el mundo y como si el mundo les perteneciera.
Llueve finito en Yokohama y, en medio de tanta dicha, brillan blancos y gigantes los dientes de Ronaldo. Alguien lo levanta en andas, centenares quieren tocarlo, miles le gritan que es campeón. Ronaldo, que ya no llora, se ríe, alegra, conmueve. Este día es su día y más que eso. Es el día en el que, apenas jugando al fútbol, le lanza al mundo un mensaje. Y ese mensaje dice que aún desde el fondo del pozo siempre se puede volver. Inclusive, volver campeón.
Ok, pessoal! Venci a última batalha desde que fui alfabetizado na informática com um TK-84. Entrei no blog e minha primeira mensagem é para os tricolores. Vcs já viram no site da Fifa que há um concurso para levar um fã do SP para o Japão?! Está lá e ganha o melhor texto (ouviu, Amaral!). Ou o texto mais votado. Enfim, foi dado o aviso. Ops! E, para quem não é tricolor, tb pode tentar ir para o Japão se provar que é fã do Al Itihad ou do Deportivo Saprissa. Abraços, Jubas
Cinco mil acessos. Cinco mil. Somos só nós onze? Escrito por Demas às 18h05
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Porra, Diego!!
13/11/2005 - 11h22 Maradona não recebe cachê e abandona despedida de Júlio César
Das agências internacionais Em Dortmund (ALE)
O ex-jogador Diego Maradona desistiu de participar da partida que marca a despedida dos gramados do zagueiro Júlio César, titular da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1986.
O argentino teria cobrado um cachê de US$ 200 mil para compor a equipe "Amigos de Júlio César", que pegará a equipe do Borussia Dortmund que foi campeã da Liga dos Campeões da Europa em 1987.
Os organizadores da partida comemorativa afirmaram que a exigência de Maradona foi feita antes do embarque do ex-jogador para a Alemanha, no último sábado.
Cerca de 26 mil euros já havia sido gastos para comprar passagens aéreas e bancar hospedagem de Maradona e dez convidados na Alemanha.
Demas, estou apanhando muito pra entrar nesse blog. Já troquei senha, o globo fica girando e nunca me deixam entrar. Enfim, mandei esse texto que fica tb de resposta-agradecimento à apresentação que vc fez deste ludopédio. Põe lá na página pra mim, por favor! Abraços, Jubas
Poderia?
A realidade pode ser chata como a Copa de 1990. Jogos podem acabar em zero a zero e a classificação virar uma estúpida loteria de pênaltis. Campeonatos podem se arrastar com decisões de tapetão. Técnicos podem sacar os artilheiros para segurar o um a zero. A Grécia pode se tornar campeã com gols de escanteio, zero a zeros, pênaltis. O Once Caldas também. O Paulista de Jundiaí idem. Às vezes, é triste e decepcionante a realidade do futebol. Imagine um campeonato mundial com um grupo com Corinthians, Palmeiras e Boca Juniors. E outro grupo com Liverpool, Bayern de Munique e Real Madrid. E outro com Juventus, Milan e Penarol. Sem pênaltis. Sem zero a zero. Com jogos de até nove gols. Outros de inacreditáveis bolas na trave e o final, massacrante: um injusto três a dois. Quem ganharia? Escalei o Milan e a Juventus com os jogadores do atual calcio. Mas, fiz algumas correções. Como pode o Serginho ser reserva no Milan? Será que não dá para tirar o tal do Kaladze? É claro que dá. E assim foi feito. O Milan veio com Serginho, com Kaká, Cafu e Dida. E com Schevchenko e Gillardino. E com Seedorf e Pirlo. E a defesa italiana com Nesta, Costacurta e Maldini. Na Juve, realizei o que é impossível para os italianos: tirei o Zambrotta (titular da seleção). Que delícia tirar o Zambrotta. O cara nunca marca gol, só sabe roubar bola, não tem carisma e sempre está escalado. Finalmente, Zambrotta saiu da Juve. Mantive, é claro, o Del Piero. E o ataque com Trezeguet e Ibrahimovic. E a Inter ficou espetacular! Pus quatro atacantes. Foram quatro atacantes, ouviram técnicos italianos! Quatro atacantes: o "imperatore" Adriano, o matador Julio Cruz, o nigeriano Martins e o truculento Killy Gonzalez. E, para completar, pus o Luis Figo, de ala direita. Perdão, Zé Maria! Pus o Figo, indo para o ataque. Ficaram três timaços, favoritos ao título. E para escalar os sul-americanos, usei as fichas da Libertadores. O mais difícil de escalar foi o Penarol. Procurei o site do Penarol, mas só falavam de glórias passadas. Incrível, não tinha a escalação do time atual. Vergonha? Embaraço?! E o Penarol caiu na chave mais difícil, com Juve e Milan. O Penarol eram onze desconhecidos. Será que teria graça jogar com aquela equipe? Aquele time em que não dá para visualizar ninguém? A estréia foi contra a Juventus. No primeiro tempo, o gol da Juve era questão de tempo. Que beleza de toque de bola da Juve. É Nedved para Del Piero, é Thuram lançando da defesa para Camoranesi e Trezeguet. Mas, Penarol um a zero. O gol foi do oculto Cesaro, um sujeito que nunca vi e que pus de volante com a camisa 7. Antes de a Juve virar: Penarol dois a zero. Gol do atacante Rodriguez. Será que ele joga mesmo no ataque? Depois, preciso conferir isso. Peguei a ficha dos jogos do Penarol contra o Colo-Colo, ou será o Quilmes? O Penarol foi eliminado na pré-Libertadores. Só que o time tem história e joga no meu mundial. Voltemos ao jogo. Depois, eu confiro isso. A Juve reagiu no segundo tempo. Del Piero, de cobertura, dois a um. E a virada da Juve? Trezeguet errou, Ibrahimovic perdeu gol feito, nem os avanços de Thuram deram certo. O tempo acabou. Incrível! Penarol bateu a Juventus por dois a um, e não estamos nos anos 60. Então, veio o clássico Juve x Milan. Jogo truncado. Nesses clássicos italianos, goleada é quando alguém ganha de um a zero. E assim foi. No último minuto, um lançamento de Kaká e Gillardino marca. Com o resultado, o Milan precisava vencer o Penarol para se classificar. Ora, o poderoso Milan vencer o "museu" Penarol parece uma tarefa ridícula. E o time de Milão foi logo resolvendo o assunto. Scheva dividiu com o goleiro Elduayen (vejam se isso é nome de goleiro!). A bola sobrou para Serginho e gol. Kaká toca pelo meio para Gillardino que dribla o tal do Elduayen e gol. Pênalti para o Milan e Pirlo bate e Elduayen defende. Na seqüência do lance, o goleiro desconhecido lança para o centro-avante Leal (não é nome de cachorro?!) e Leal marca. Dois a um para o Milan é o resultado suficiente. Tudo pronto para o time de Kaká e companhia pegar a Inter e a surpreendente Sampdoria na próxima fase. O jogo vai chegando ao final e, numa bola, totalmente reticente, um cruzamento do lateral-direito Ramirez, há o desvio fatídico em Paolo Maldini. A bola pula sobre Dida e termina num dois a dois. Penarol classificado. Apatia na equipe do Milan, a mesma que perdeu a final da Copa dos Campeões após estar vencendo o Liverpool por 3x0. A tragédia se repete. E a torcida do Penarol levanta uma faixa imensa no estádio: são as três estrelas de campeão do mundo e o espaço para uma quarta com a inscrição "Penarol - A história deve continuar". O time desconhecido bateu a Juve e o Milan. Poderia chegar à final? Ok, vamos acelerar o campeonato. A Inter bateu a Samp por 3x2 (Figo, Adriano e Cruz marcaram). O Penarol perdia para a Samp por 1x0 quando o tal do Ramirez recebeu passe do tal do Rodriguez e empatou. Então, a Inter pegaria o Penarol precisando de um empate. Só que, agora, a Inter sabia que não poderia deixar o time-incógnita uruguaio nem uma vez perto no placar. E começou com um 2x0 (Martins e Júlio Cruz, de fora da área). Mas, em duas tabelas, Ramirez e Rodriguez empatam. E, numa falta, Bueno faz 3x2. A Inter vem novamente à carga e vira para 4x3 (de novo, com Martins e Julio Cruz). Neste instante, metade do segundo tempo, acontece o improvável. Rodriguéz empata na saída de bola e Ramirez num "chutamento" faz mais um. Afinal, ele queria cruzar ou chutar para o gol? Não importa. A Inter tira o zagueiro Materazzi (o único italiano da equipe) e põe Recoba (Recoba no banco é foda, mas eles têm três seleções no elenco). Recoba passa para Adriano que fura. A bola sobra para Figo, que chuta forte. A bola voa alta, faz a parábola e bate na quina de Elduayen. Então, ele pega a bola morta na área, ignora a desolação nos olhares dos atacantes da Inter e lança para Leal. Este domina, tira o zagueiro argentino Samuel do lance e toca no cantinho: Penarol desconhecido 6x4 Inter "all stars" de Milão. Apenas o futebol de botão permite realidades como essa. O Penarol fez a final com o Bayern de Munique. É preciso dizer o resultado?! Maakay fez um golaço e se isolou na artilharia. Superou Washington (sim, o do Palmeiras), com seis gols. Mas, a partir do meio do segundo tempo, o tal de Rodriguez fez três gols. E o tal de Leal fechou o jogo: 4x1. Lembrei de um amigo jornalista que há pouco tempo me contou que era imbatível com um jogo de botão preto-amarelo do Penarol. Na hora, não levei a sério. Não acreditei que pudesse ser realidade. A mais evidente realidade. E mostrei o jogo a ele. E vi que foi como se ele voltasse à infância. Vi que alguns jogos inacreditáveis passaram pela cabeça dele e imagens que andavam escondidas reapareceram de repente. Sem saber quais eram, não perguntei. O time estava lá e, de forma espetacular, foi, novamente, campeão.
Dias desses o Deco estava falando das maravilhas de se andar a pé por Brasília e do absurdo da Dani pegar um carro para ir à padaria.
Hoje eu resolvi fazer umas compras, carnes e verduras, tô ficando velho. Ao invés de pegar o carro, fui a pé, meu meio de transporte preferido durante a infância e adolescência em Brasília, ao lado da bicicleta. O trajeto foi curto, entre a 209 e a 208 Sul, vi um campo de futebol, de verdade, de grama, parecido com aquele em que costumava jogar com os moleques da quadra até uns quinze anos de idade, acho que até 1990. Não era um jogador tão ruim quando vários pensam. Era um volante medíocre, conseguia dar uns poucos passes bons sem olhar para a bola, fazer um ou outro gol de longe, bicuda mesmo. Me orgulho de uma falta em que levantei um gordinho chato do chão, ele tentara me dar uma meia-lua, ficou alguns minutos estirado na grama, soltando alguns impropérios.
Bom, a caminhada me vez lembrar de várias coisas: do prazer de andar a pé; do prazer da andar de bicicleta, comprei uma alguns meses atrás; do prazer de jogar futebol, por mais grosso que se seja, ao invés de estudar; do prazer de morar em uma cidade onde há grama de sobra e árvores que fazem às vezes de traves.
Também me fez lembrar do ano de 1990. Meu primeiro ano no segundo grau, quando eu achava que tava virando gente grande. O ano em que me tornei amigo de dois ilustres bolonistas: o Deco e o Renato. O ano do meu primeiro porre. O ano em que parei de jogar bola com os moleques da quadra. Ano em que vi a pior seleção brasileira de futebol ser eliminada pela Argentina. Ano em que vi meu avô paterno pela última vez, no dia 22 de novembro. Me lembrei de quando tinha 5 anos de idade, fazendo aula de natação por causa da asma, meu pai chegou com meu avô, eu me exibi nadando, e ele deu risada, ficou orgulhoso. Há algum tempo eu parei de nadar, de novo, por causa de uma dor persistente no pescoço.
Dois dias depois, em 24 de novembro de 1990, o Corinthians ganharia, de virada, a primeira partida das quartas-de-final do Brasileirão contra o Atlético Mineiro, eterno freguês. Eu estava em Penápolis, terra onde como a melhor pizza do mundo e terra de várias lembranças de infância. Uns vinte dias depois, o Timão ganharia seu primeiro, de vários, título de campeão brasileiro.
Vira e mexe eu tento lembrar porque diabos eu sou corinthiano. Ninguém na minha família é lá muito fã de futebol. meus pais no máximo torcem pro Brasil em Copa do Mundo. Depois do 7 x 1 sobre o Santos, meu pai me perguntou quem era o Tevez. É bem verdade, ele viu a final de 1999 comigo, torcendo pelo Corinthians e preocupado com a minha saúde – na final da Copa de 1994, eu não sentia as minhas mãos nem meus pés, não vi os pênaltis, por sugestão paterna, só ouvi, mas essa é outra história.
Eu comecei a me interessar por futebol em 1982, óbvio. Torço até hoje contra a seleção italiana, aquela merda, qualquer que seja o seu adversário. Torci pela Argentina contra a Itália em 1990. Em 82 e 83, o Timão foi bicampeão paulista, com a Democracia. Em Penápolis, tinha uma placa na praça central com o nome de todos os deputados que haviam votado contra as diretas já, com o título: “os traidores”.
Eu me lembro que eu perguntei pro meu pai de qual time ele gostava, ele me respondeu “Corinthians”. Minha mãe já me contou várias vezes que eles dois torceram para o São Paulo na final contra o Atlético. Um dia eu estava assistindo um jogo em Penápolis, e o vovô Sebastião me perguntou quais eram os times. “Corinthians e São Paulo”. “Espero que o Corinthians ganhe, eu gosto do Corinthians”. Fiquei feliz, não sabia que ele gostava do meu time. Acho que para contrariar, minha vó Salma me pediu desculpas, mas avisou que torceria para o São Paulo, que era o time do irmão dela. 1987, Biro-Biro, Viola.
É, não tem explicação não, acho que nasci corinthiano.
Depois de todas essas lembranças, muitas para uma curta caminhada, eu resolvi fazer um almoço para minha linda mulher. O mesmo prato que eu servi para ela em 7 de abril de 1998, segundo a própria.
Resolvi também andar mais, pedalar mais, voltar a nadar. Comprarei chuteiras e bola esta semana.
Alguém topa uma partida de futebol entre a 208 e a 209 Sul?
Neste fim de semana será disputada uma emocionante partida pela semifinal da Copa Federação Paulista de Futebol (um torneio para times "ociosos") entre o Noroeste de Bauru, o popular Norusca e o Comercial de Ribeirão Preto, o popular Bafo, no belíssimo estádio Palma Travassos, com capacidade para 35.000 espectadores, em Ribeirão Preto. O jogo de ida, em Bauru, foi 1x1. Aos não paulistas eu explico por que esta é uma batalha de fantasmas:
Norusca - equipe forjada no auge da expansão ferroviária, que metia medo nos times grandes da capital. Hoje perambula por divisões inferiores do paulistão.
Bafo - equipe de metade mais um dos ribeirão-pretanos, mantinha com o Botafogo de lá uma das mais renhidas rivalidades do nosso futebol e o clássico Come-Fogo paralisava a cidade por dias. Hoje segue na segundona.
No século XVI, com a missão de levar o catolicismo ao Novo Mundo, surgiram os dominicanos. Os cães de Deus (domini cani). Uma ordem caninamente obediente e devotada a pregar a fé cristã.
Penso nos dominicanos toda vez que Juliano me conta de suas partidas solitárias de botão, de suas seleções imaginárias, de seus clubes fantásticos. Juliano é um servo do Futebol, um cão do Futebol.
Por meio de sua obra, Juliano mantém vivos tanto craques mortos na memória quanto cabeças-de-bagre que nunca a alcançaram. Porque ele não é um jogador de botão, desses há vários, profissionalizados, patrocinados: Juliano é um dramaturgo do botão. Seu campo de botão é o palco onde se desenvolvem partidas que nunca houve, mas deveriam. É o altar mais caro à invocação de sua fé.
Em seu diminuto campo e em sua vasta devoção, Juliano reúne improváveis personagens, que através dele realizam um outro destino. Lá, Maradona já deu passe para Pelé quase marcar em Yashin. Ronaldo Luís salvou em cima da linha.
Juliano, o ludopedicano. O cão do Futebol. O servo mais temeroso da Obra Futebolística.
Uma vez, perguntei se sabia de cor a escalação de Camarões na Copa de 82. O beato lembrou os reservas.
Durante seu exílio na Itália, entre 1969 e 1970, Chico criou um jogo inspirado no futebol e batizou a brincadeira de Ludopédio. Mais tarde, o jogo foi lançado pela Grow, no mercado brasileiro, com o nome de Escrete. Chico assinou a apresentação do seu brinquedo:
"Este jogo foi criado na Itália, numa época em que seu autor, evidentemente, não tinha mais o que fazer. O jogo passou impune pela alfândega e ficaria restrito a um pequeno grupo, se o pessoal da Grow não se atrevesse a publicá-lo com o nome de Escrete. Os mais familiarizados com o jogo acrescentaram novidades como, por exemplo, a loteria esportiva, a lei do acesso, o campeonato nacional, o cartão amarelo, vermelho, verde e outras mumunhas mais.
Inventaram também a premiação "estrelas" extras aos artilheiros, goleiros invictos e demais jogadores que se destacaram nas partidas do campeonato, assim como a anulação das "estrelas" aos craques indisciplinados, aos de perna quebrada ou pernas de pau. Prefiro, porém, deixar Escrete à vontade e à imaginação do freguês. Cada qual que o curta como bem entender. Ou não. Aliás, as regras estão aí mesmo para serem desrespeitadas."
Chico Buarque de Hollanda
Veja abaixo um dos times que podem ser escalados para jogar Ludopédio e a descrição, de Chico, para cada jogador
Abu Dhabi, Emirados Árabes - Ronaldinho Gaúcho garantiu nesta sexta-feira, nos Emirados Árabes, onde está com a seleção brasileira, que as cenas apresentadas na propaganda da Nike são verdadeiras e não foram montadas. No vídeo, ele recebe as sua novas chuteiras, com detalhes em ouro, e começa a fazer "embaixadinhas" na entrada da grande área. Dessa posição, chuta a bola no travessão do gol e a domina de volta, sem deixar cair, por 4 vezes seguidas.
“Vocês estão duvidando do meu potencial?”, disse Ronaldinho Gaúcho quando perguntado pelos jornalistas sobre a veracidade do vídeo. "Não era nem para virar uma propaganda, era só para marcar a minha nova chuteira de ouro. Era só uma coisa para se divulgar na internet. Mas acabou se espalhando na televisão. Fico muito feliz com o resultado. O comercial está bem feito."
Os jornalistas nos Emirados Árabes, no entanto, continuaram sem acreditar na história contada pelo jogador do Barcelona e da seleção brasileira. Mas Ronaldinho Gaúcho insistiu, em meio às risadas desconfiadas dos repórteres. “Foi verdade. Foi gravado em TV aberta e não foi montagem. Costumo fazer isto durante os treinamentos e só repeti", explicou.
Amistoso - De muito bom humor, Ronaldinho Gaúcho revelou ter ficado impressionado com a recepção em Abu Dhabi, onde a seleção joga neste sábado contra os Emirados Árabes. E ressaltou o luxo do Hotel Palace Emirates. "O hotel é mesmo muito diferente, pelas vantagens que tem, pelos serviços que oferece. Tudo que a gente vai fazer, a gente gasta um tempão caminhando, tem até perigo de se perder", contou o jogador brasileiro.
Ronaldinho Gaúcho ainda falou sobre a expectativa para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e admitiu o favoritismo brasileiro. "É uma equipe de grande nível e tem grandes chances de chegar lá. Tem tudo para vencer, mas precisamos respeitar os adversários", avisou o jogador.
Diário de onze profundos conhecedores do esporte bretão sobre as maravilhas do ludopédio. Memórias afetivas, história de grandes pelejas, a consagração dos medíocres, o hall of fame dos botões mundiais, vaticínios das rodadas do futebol no Brasil e no mundo e, o mais importante, a coluna do Amaral. Um diário que não comporta descrições, para quem sabe o valor de roll mops com Caracu.
O interesse do blog é tornar públicas as profundas reflexões do Bolão do Zecão e legar aos leitores do futuro uma visão nolstálgico-contemporânea do futebol, a mais importante das coisas menos importantes.
Não ficar de joelhos, que não é racional renunciar a ser livre.
Belo texto do Magalhães. FSP de hoje.
FUTEBOL
Valeu
MÁRIO MAGALHÃES COLUNISTA DA FOLHA
Era uma vez um menino soteropolitano que adorava jogar futebol. Nasceu em uma casa na ladeira onde seria erguida a Fonte Nova. O Bahia faria do estádio o seu ninho, mas na fundação do clube o garoto já tinha outro amor, o Vitória. Mudou-se novinho para a Baixa dos Sapateiros. Enlouquecia a mãe, descendente de escravos africanos, quando sumia para bater bola. O pai italiano não esquentava. O filho pediu-lhe uma chuteira para as peladas (ou "babas", como se dizia em Salvador) e uma botina para ir à escola. Ouviu que teria de escolher um só par. Preferiu a botina. Para jogar, botava cravos na sola. Com a polícia (que caçava tanto subversivos como cangaceiros) em seus calcanhares, fugiu para o Rio. Abraçou o Flamengo e seguiu rubro-negro. Anos depois, em São Paulo, enamorou-se do Corinthians. Preso por uma turma de agentes chefiada pelo tio de Delfim Netto, foi parar em Fernando de Noronha. Na ilha, distinguiu-se como zagueiro. Sua técnica não enchia os olhos, mas os chutões impunham respeito. Um colega de infortúnio o chamaria de "petardo atômico". Solto, fez amizade com um futuro técnico da seleção, o botafoguense João Saldanha. Tocaram uma greve que parou São Paulo em 1953. Clandestino na maior parte da vida adulta, evitava estádios para não dar mole. Devorava o noticiário esportivo nos jornais -gostava também de boxe, em especial de Eder Jofre. Fã de Castro Alves, Gregório de Mattos e Bocage, compôs versos para Garrincha. Na sua organização guerrilheira, havia dois jovens que eram parentes. O tio usava o nome de guerra "Tales". O sobrinho era "Benê". Homenageavam jogadores do Corinthians. "Benê" participou do seqüestro do embaixador americano. Para driblar a perseguição, foi com um companheiro ao Maracanã, onde o Flamengo recebia o Palmeiras. Pretendiam pegar a Dutra misturados à torcida. Não encontraram um só palmeirense e foram para a rodoviária. O mulato baiano foi morto em São Paulo em novembro de 1969, enquanto seu time encarava o Santos no Pacaembu. Não teve tempo de saber o resultado. Faltavam quatro gols para o milésimo de Pelé. O Corinthians enfiou 4 a 1. Esta é a última coluna que eu assino. Tornou-se impossível conciliá-la com a pauleira da reta final da biografia de Carlos Marighella, que preparo desde 2003. Combinei a saída com o jornal há semanas, e aqui me despeço. Neste ano e meio, foram muitas as alegrias do futebol. Algumas: a seleção olímpica feminina, Ronaldinho, Portugal batendo a Inglaterra, o quarteto, a Copa América e das Confederações, a estréia de Robinho no Real, a torcida são-paulina a gritar "Telê" no tri. Nada foi mais triste que a morte de Serginho, mas hoje não é dia de falar de tristeza. Agradeço a paciência generosa dos leitores-correspondentes-amigos que me ajudaram a fazer uma coluna menos ruim. Sentirei saudade.
Adoro este, o sensacional Campeonato Brasileiro de 1979, faturado brilhantemente pelo Colorado.
Regulamento: A primeira fase foi disputada por 80 times divididos em oito grupos de dez; na segunda etapa, os 44 times classificados foram acrescidos de 12 times vindos dos campeonatos carioca e paulista. As 56 equipes foram reunidas em 7 chaves de oito clubes e foram classificados para a terceira fase os dois primeiros colocados de cada um dos grupos. Os 14 times se uniram ao Guarani e Palmeiras (finalistas do campeonato de 78) e formaram quatro grupos de quatro. O campeão de cada um desses grupos disputou as semifinais.
Uma das maiores especialidades da cartolagem brasileira são os regulamentos de campeonatos...
Este regulamento é muito importante para a história de um dos times mais populares do Brasil. Pitoresco. Vejam, principalmente os critérios "técnicos" para a terceira fase, direto do sítio Lancenet (www.lancenet.ig.com.br) e tentem descobrir o campeonato e o campeão:
Regulamento: Dezenove equipes divididas em quatro grupos,sendo três de cinco e um de quatro clubes. Em cada turno, o campeão de cada um dos grupos passa às semifinais. Os quatro classificados jogam semifinal e final, em apenas um jogo eliminatório. Passam para o terceiro turno o campeão e o vice de cada grupo, os dois times com melhor arrecadação no campeonato e tantos clubes quanto necessário, pelo total de pontos, para completar oito equipes. No terceiro turno, as equipes são divididas em dois grupos de quatro, mas todas jogam contra todas, em um turno. Os campeões de cada grupo disputam a final, em melhor de três jogos.
Conclusão: se repetir o primeiro turno, o Corinthians está nas mãos (ou nos pés) do Palmeiras. Reparem como o Fluminense deslanchou contra estes adversários e como Corinthians e Inter foram mal. Ah maldita simetria...
Destaque do Fortaleza pode reforçar o Tricolor via Mirassol
Fortaleza, CE, 10 (AFI) – O lateral-direito Amaral, de apenas 17 anos, não pertence mais ao Fortaleza. O jogador foi negociado com a empresa Sport +, da Bahia por R$ 1 milhão. Como todo atleta tem que ser registrado em algum clube, ele deverá ser inscrito no Mirassol. No entanto, o time do interior não deverá aproveitá-lo.
O primeiro clube a demonstrar interesse na contratação do jogador foi o São Paulo. O time do Morumbi já queria contar com Amaral para a disputa do Mundial de Clubes. Mas como as inscrições para a competição terminam nesta sexta-feira, dificilmente ele irá reforçar o Tricolor.
Amaral se sagrou vice-campeão do Mundial Sub-17, disputado em setembro deste ano, no Peru. Na ocasião, o Brasil foi goleado pelo México por 4 a 0.
Será que irá se cumprir (cumprir-se-á não dá: é ridículo) o desejo e vaticínio de Álbaro, o protetor dos jubilados de Jujuy?
Pai desconversa sobre sondagem e garante Diego no Porto Rafael Ribeiro, especial para a GE.net
São Paulo (SP) - Apesar de os boatos da contratação de Diego serem fortes no treinamento do São Paulo, clube, procurador e assessor de imprensa do jogador negam que haja uma negociação para que ele seja apresentado nesta sexta-feira como reforço para a disputa do Mundial de Clubes, no Japão.
Por telefone à GE.Net, o pai e representante do meia Diego, Djair Cunha, negou qualquer tipo de sondagem do Tricolor ao meia ex-Santos, atualmente no Porto, de Portugal.
“Não tem nada concreto. Não sei quem criou essa situação e está ventilando. O Diego está satisfeito no Porto, feliz com a torcida, com tudo, pois é o que ele pretende: ficar na Europa”, afirmou Cunha, revelando que sequer houve uma conversa com os dirigentes do Morumbi.
Mesmo assim, o nome de Diego é apontado como certo para vestir a camisa são-paulina. A diretoria prometeu um reforço de peso até esta sexta-feira, data limite para inscrições no Mundial. Atualmente o meia vem ficando no banco de reservas, já que o técnico holandês Co Andreense não esconde a antipatia por jogadores brasileiros.
Apesar de assegurar a permanência de Diego no futebol português, o pai reconheceu que a má fase pelo qual o meia vive no Porto pode ter influenciado o surgimento dos boatos. “Talvez pelo momento que ele esteja passando, alguém deva estar querendo ganhar algo com isso”, completou, desconfiado.
Mantendo-se fiel à sua política recente de apenas anunciar reforços com contratos assinados, o São Paulo também não confirma a sondagem. Em experiências anteriores, nomes foram divulgados e o clube do Morumbi encontrou dificuldades para fechar os negócios.
Escrever ou palpitar de forma constante aumenta incrivelmente nossa margem de acertos. Danem-se os erros: concentremo-nos nas grandes sacadas.
Fernando acertou um 7 X 1 inacreditável. Só o fez porque uma, duas, três vezes por semana somos deliciosamente obrigados a chutar placares. Ou é possível imaginar nosso Pança tirar: “Quer saber, tô achando que vai ser 7 a 1 no domingo”. Radicalmente impossível. A abundância de chutes errados possibilita o acerto que apaga os equívocos.
Assim como moscar um palpite é decorrência de palpitar sempre, sacar uma verdade inabalável, imortal, na crônica, é conseqüência de cronicar sempre.
Nelson Rodrigues previu a realeza de Pelé, quando o Crioulo tinha 16, porque semanalmente era obrigado a despejar gotas de sua genialidade. Osmar Santos inventou aquelas expressões ridículas e inesquecíveis porque a mesmice em uma transmissão de rádio impõe invenções.
Quanto mais escrevemos, maior a chance de um acerto definitivo. Acerto do tipo: “Bem que o Massoneto falou, Rafael Sóbis não vira”.
Na vera, toda essa cavaqueira é pra revelar seu contrário: quem fala muito também dá bom dia a cavalo.
No protoblog do Amaral, aquele de 98, previ a singularidade de Zidane: ele não fazia gol. Mais: ele se recusava a fazer gol.
Os bolonistas nos lembramos da final. Sintam a bobagem:
“Zidane resolveu remar contra, resolveu provar que é possível invadir o panteão dos eternos sem anotar gols, mas tão somente tornando-os facilmente definíveis para seus companheiros. Resolveu desafiar a memória. É como se ostentasse uma invisível bandeira:- “vocês esquecerão todos os artilheiros de minha época, mas lembrar-se-ão de mim”. Zidane é um sonhador, persistente e utópico.
Hoje, Zidane cobrou o corner que possibilitou o cabeceio certeiro de Dugarry. Fez lançamentos compostos de curvas de efeito tão perfeitas que até mesmo o destinatário dos passes se envergonhava diante do esforço mínimo que teria que dispensar para o domínio da bola. Comandou seus conterrâneos como quem detém o poder advindo da vontade divina. Driblou seus adversários com piedade, com misericórdia.
Só evitou o gol. Anotando-o, certamente seria o destaque das manchetes de jornal, seria abraçado e lançado ao alto por companheiros de equipe, seria mortal, enfim. Zidane prefere manter-se distante, ainda que onipresente. É comandante incontestável da equipe francesa, cuja organização depende da benção de suas chuteiras. Não houve, em toda a partida, jogada que ameaçasse a retaguarda africana sem que em algum momento Zidane não untasse a bola com uma parcela de sua genial habilidade. E de sua impávida calma. E de sua inabalável fleuma.
Disseram, antes da partida, que Zinedine Zidane era de Marselha. Um grave erro:- Zidane é a própria Marselhesa.
Outro dia reli textos do nosso diário. Bom passatempo. Noutro dia, reli as razões do Renato para o Flamengo. Coisa de Andrade, Adílio e Zico. A paixão por um clube é algo que merece dissertações de mestrado. E inesgotáveis debates etílicos.
Nosso Massoneto, ainda noutro dia, aqui neste nosso valhacouto, postou figurinhas do Tricolor de 1978 ou 1979... Toinho, Getúlio, Edu. Sem querer, Massoneto, trata-se de um homem preciso, acertou na mosca. As razões tricolores estavam um pouco naquele esquadrão desajeitado, base do time campeão brasileiro de 77 e vice campeão paulista de 1978. Perdemos para o Santos, do terrível Juari, que adorava marcar goles no Valdir Peres.
Nem me lembro corretamente da seqüência dos fatos, mas já disse noutras vezes que isso pouco importa. Lembro-me do nosso Fiat 147, bege escuro – porque será que não descrevemos as cores com simplicidade, com um simples e explicativo marrom? – e a pergunta: "Pai, pra que time você torce?". Meu pai, um pouco desajeitado, respondeu: "Pro São Paulo". Pronto, sem querer também, sem fanatismos, meu pai acabara de criar no herdeiro outra paixão, esta voraz, entusiasmante, delirante.
Vivíamos uma espécie de ressaca cívica pós jejum. Em 77, 78, todos, absolutamente todos, eram corintianos. Dos colegas de escola, da rua. Da praia. O Timão era a coqueluche. Minha mãe... esta apaixonada pelo meu pai, deve ter dito que era são-paulina. Meu chapa parceiro, meu irmão Edu, nunca, nunquinha, gostou de futebol. Mas, o restante, eram todos adeptos do escrete de Basílio, de Russo e de Aladin. Meus tios, Celso e Sérgio, primeiros parceiros de bola, corintianos. Meus primos e grandes parceiros infantes, o Ivo, o Charles e o Djalma, nas minhas primeiras pelejas de Estrelão e nas primeiras peladas na casa da Vó Tereza, desfilavam sorridentemente o corintianismo. A saudosa casa da Vó ficava na Vila Matilde, Zona Leste da cidadela de São Paulo, o pedaço da paulicéia mais alvinegro de Parque São Jorge. Para os meus olhos, ainda uma cidadela, que começava na Avenida Nove de Julho e acabava na Toco, no Largo da Dona Matilde. Pasmem!
Mas "Seu" Nilton me levou ao estádio pela primeira vez, depois daquele nosso misterioso colóquio no nosso Fiat 147. Diria que foi um pragmático. O torcer do "Seu" Nilton não era, não é, nada fanático. Aqui entre nós, deve ter sido um cadinho doente também nos idos dos anos oitenta, não por causa do tricolor, mas para evitar as reações coléricas deste missivista eletrônico. Deve ter sido no simpático Pacaembu. Sinceramente não me lembro. Acho que nem ele. Mas começo de paixão é esquisita, sempre, e o frio na barriga se dá por razões desconcertantes e, não raro, desconexas. Com a ajuda do "Google", lembro do esquadrão, disso eu me lembro: Valdir Peres, Getúlio, Bezerra, Estevam (o Estevam Soares, técnico de futebol) e Antenor; Chicão, Theodoro e Dario Pereira (sim, Dom Dario era camisa dez), Edu, Milton (o Milton Cruz, auxiliar técnico do SPFC) e ele, o infernal Zé Sérgio. Deste time, tinha o Serginho, ainda cumprindo suspensão pelo safanão em um bandeirinha. E tinha o Toinho, eterno segundo goleiro de Valdir Peres, mas ídolo dos tricolores. Mas me lembro daquele jogo por causa de Edu, o ponta direita, naquela época tínhamos pontas. Lembro que a torcida apupou o ponta direita, daquela forma ranheta que só as torcidas sabem praticar. E apupos mil. Edu, descobri depois, era um ponta que tinha vindo da Academia. Sei lá se este era o motivo da antipatia, ou se naquele jogo o tal do Edu não jogou nada mesmo. Mas o tricolor venceu. Meu pai deve ter ficado feliz e eu, bom, vocês podem perceber no que se transformou esta história. Obrigado, Luís, pelas lembranças.
Nosso diário, definitivamente, é o informativo e o memorial de uma república. Uma república não democrática, disse o Renato. Eu diria uma pequena confraria republicana de saudosos guris de pés descalços, que a democracia é o que é, e não o que acham que é. Grande abraço.
09/11/2005 - 14h34 Clube dos 13 nega virada de mesa, mas sugere inchaço para 2007 Publicidade da Folha Online
O presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, entidade que congrega os principais times do país, descartou uma virada de mesa no atual Campeonato Brasileiro, que prevê o rebaixamento de quatro equipes para a Série B em 2006 --outras duas sobem à divisão principal. No entanto o dirigente sugeriu que, para 2007, esse número seja revisto.
Conforme o regulamento da CBF, a Série A do Nacional será disputada com 20 times no próximo ano. Koff acredita que este número não é o ideal.
"Houve um compromisso de que chegaríamos com 20 clubes em 2006 e as regras não poderão ser mudadas. É um acordo que temos com a CBF. Mas no ano que vem vamos discutir isso novamente [visando o Nacional de 2007]. Pessoalmente, eu acho que o ideal para o Brasil seriam 22 clubes", disse Koff, em entrevista à rádio Jovem Pan.
Os clubes rebaixados neste momento à Série B em 2006 seriam Figueirense (41 pontos, 19º colocado), Paysandu (38, 20º), Brasiliense (38, 21º) e Atlético-MG (34, 22º).
"Vamos respeitar as regras do jogo. O Palmeiras é um exemplo disso. Caiu para Série B em 2002, disputou e subiu dentro de campo. O Grêmio também caiu, está fazendo um bom trabalho e pode subir no próximo ano", afirmou.
Ao analisar o atual Nacional, liderado pelo Corinthians com 74 pontos, Koff disse que os clubes conseguiram superar o escândalo provocado pelo árbitro Edilson Pereira de Carvalho, envolvido num esquema de manipulação de resultados --11 jogos foram anulados pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).
"No meu modo de entender, apesar dos problemas surgidos, o futebol brasileiro está num bom momento. É o mais competitivo do mundo. Estamos a cinco rodadas do final e não temos definidos o campeão ou todos os classificados à Libertadores", finalizou.
Acabo de ler que o time da Arábia - Al Ittihad - está negociando para ter Eto'o e Kaká, empréstimo por dez dias, para o II Mundial de Clubes. Esse time jogará contra o campeão africano para decidir quem enfrentará o São Paulo. A turma do petróleo está querendo levar o título para casa. Escrito por Fernando às 14h08
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As folhas vêm dizendo que a última polêmica é o tal vídeo do Ronaldinho, o da campanha da Nike, disponível em seu site. Deu bafafá no diário catalão Sport, no nosso Fantástico e mereceu nota até no alemão Bild.
A discussão é óbvia: as cenas do Gaúcho são verdadeiras ou são uma montagem?
Duvido que alguém tenha perdido o filme, mas vá lá um resumo: Ronaldinho recebe um par de chuteiras douradas e desenha um repertório de embaixadas. Caminha, bola no ar e no pé, até a linha da grande área e (aqui começa o samba) chuta a bola no travessão. A bola retorna, mansa, para beijar o peito do craque. Mais embaixadas e multiplique por quatro a cena. Isso mesmo: Ronaldinho acerta por quatro vezes o travessão e, em todas, a bola – cachorro manso – volta a buscar o dono.
Montagem? Montagem.
Mas o importante não é isso. O importante é que Ronaldinho é tão superior, tão perfeito, que o absurdo em seus pés parece crível. Não são todos os craques que atingem tal panteão. São poucos. Tentem verbalizar o gol de Maradona contra os ingleses: parece mentira. Tentem, mesmo que sós, contar como foi o drible do Crioulo sobre Mazurkiewisky: parecerá um exagero.
Assim é Ronaldinho. Seu talento é tão sublime que a dúvida sobre uma jogada impossível se dissipa – quando se dissipa – lenta e grossa. Há sempre a pulga: será? Não: impossível. Mas é Ronaldo. Será?
Só Ronaldinho, hoje, é capaz de deixar no ar o denso cheiro da angústia, quando se vê uma jogada nítida, humana e fisicamente impossível.
A Rede Globo ouviu craques sobre o vídeo. São respostas deliciosas, que deixo aqui em nosso diário.
Quanto a mim, estou certo de que o vídeo não é real. Mas que ele é verdadeiro, disso não tenho dúvidas.
JÚNIOR
"Eu acho que eu não conseguiria fazer aquilo. Mas, se tratando de Ronaldinho, tudo pode acontecer. Ele é o melhor do mundo. Mesmo com toda a habilidade dele, toda a capacidade que ele tem, eu teria que ver ao vivo para comprovar. Nesse lance, agiria igual São Tomé... (risos) Se o vídeo for verdadeiro, temos que tirar ainda mais o chapéu para ele".
TOSTÃO
"A tela na internet é muito pequena, não dá para ver direito a bola... Se ele conseguiu fazer aquilo mesmo, acredito que não tenha sido de primeira, deve ter tentado o dia todo. É muito difícil acertar quatro vezes seguidas. Mas Ronaldinho é tão espetacular, que nada é impossível".
GÉRSON
"É possível, mas que é muito difícil fazer isso quatro vezes seguidas, isso é. Eu acho que ele pode até fazer duas vezes, mas mais do que isso é quase impossível. O vídeo pode ser montagem mesmo. Até sendo o Ronaldinho, que eu acho o melhor do mundo".
Na última edição da A+, a revista do Lance, tem uma entrevista com o Galinho. Boa entrevista, dessas que começam chochas (seleção japonesa), aumentam a temperatura (CBF, Caixa D’Água, Ricardo Teixeira) e terminam com um delicioso “jogo rápido” (maior porre, aborto, lugar estranho e maconha).
Pra mim, o que valeu foi um só parágrafo. Não sei se procuro a melancolia conscientemente: sei que ela me veste bem.
“E o caso Edílson Pereira de Carvalho?
Acho que ele deveria ser suspenso por uma boa temporada. O negócio de banir o cara, eliminar, é complicado. Nós não temos prisão perpétua no Brasil. Se não tem prisão perpétua, você não pode impedir ninguém de exercer atividade. Tem um limite, que é de 30 anos. Eu até tive uma conversa com o jornalista Roberto Sander que falou que até eu estava apoiando a não-eliminação do Edílson. Eu disse que eu não estava apoiando. É diferente. O cara, por si só, já foi eliminado do futebol, porque nem eu vou querer ele para apitar jogo aqui depois de dez anos. Não vou dar essa chance. Mas não pode o futebol condenar o cara à prisão perpétua, como fizeram com o Rojas. E o Barbosa, quando eu fiz um ano de CFZ, eu fiz uma festa que homenageou todos os jogadores que jogaram copas do mundo. O Barbosa veio e me abraçou chorando e disse: "só você mesmo para me fazer vir aqui. No Brasil não tem prisão perpétua e eu sou condenado até hoje. O máximo de punição no Brasil são 30 anos e eu estou condenado desde 1950". Aí, eu disse que também não fico para trás não, porque eu estou condenado por causa de um pênalti durante esse tempo todo. Então, nós estamos abraçados. Então, um cara que sente isso, que contou uma história que ele entra numa farmácia e o cara aponta e diz que foi esse aí que perdeu uma copa. Imagina? Uma mãe fala para um filho um negócio desses. Um jogador da seleção de 50, em uma entrevista quando eu perdi o pênalti, disse que pelo menos vão esquecer da gente agora, vão falar mais do Zico. Não vi isso como um ataque. Eu fiquei imaginando o que o cara passou por dentro e até hoje não sente. Esses caras foram condenados. Como são cruéis os fatos. Essas coisas são que amadurecem a gente, não deixa você se iludir.”
Bolonistas que sabem a dor e a delícia de uma partida de sete goles...
Segue um texto para o Marco Antônio, um tricolor de berço, feito em 12 de Fevereiro de 2004.
Lá pelo meio do texto, outra lembrança de uma sofrida derrota por sete a dois para a Lusa. Perder de sete goles causa uma azia inenarrável. O engraçado, ou trágico, sei lá, o técnico tricolor no massacre relatado: Nelsinho Batista.
Meu primeiro time de botão
Eu estava todo pirilampo. Meu filhote passou a noite mais tranqüila do mundo, o mais doce dos desejos de mãe e pai frescos. Acordou às quatro da manhã e às oito, sem choramingar, sem resmungar. A mãe trocou a fralda sem um piar. Já o pai, dormiu, pela primeira vez em alguns dias, com relativo sucesso. A mãe também, dormiu e se espantou com o relógio biológico do filho, um britânico.
Quanta coisa eu iria dizer para os avós. Para os amigos pais. Para todos. Que o menino era um dorminhoco e que aqueles pesadelos de noites pessimamente dormidas estavam totalmente afastados. A glória, enfim.
Mas a glória é efêmera e a vaidade é incurável. Peguei o menino no colo e sai a cantarolar pela casa. Ele adora saber das notícias do dia. Então, ato contínuo, o jornal na mesa, passo a ler as manchetes. Uma euforia relâmpago na bolsa, a instabilidade dos mercados, o Oriente Médio. Nada capaz de tirar a concentração e o olhar do herdeiro. Li algo quase que sem pensar e pronto, o semblante mudou, uma cara tensa, retesaram-se os músculos da face e um esboço de choro: São Paulo estréia na Libertadores, no Peru, contra o Alianza, depois de dez anos afastado do torneio.
Devia ter reconhecido meu erro ali naquele momento. Entretanto, a vaidade incurável me levou a fazer umas graças, sacolejando-o e ele voltou a paz. Não conectei a leitura do diário com a alteração de humor pueril. O jornal estirado na mesa e o menino caiu nos braços da mãe. Normal, normalíssimo.
Voltei à sala e ao periódico, ávido por notícias do tricolor mais querido do mundo. Lá do quarto ouvi um choro diferente, a mãe fez uns mimos e tudo bem.
O dia caminhou tranqüilo, é verdade. Só que o menino não dormia. Simplesmente resmungava no colo da mãe, no bebê conforto, no berço, no colo do pai. E, com olhares atentos, parecia querer vingar a noite de belezuras. Banho e nada. Todos sabemos que o ser humano que não faz a sesta fica irritável, esquisito e macambúzio. Os escritórios sabem que no período após o almoço se encontram as maiores incidências de discussões, desempregos repentinos e confusões. E bebê que não dorme, não faz a sesta, se transforma num verdadeiro caos chorão. A vaidade matinal, incurável, levou uma sincera lição.
Eu estava ficando desconfortável com tal situação. "E logo mais, tem jogo do São Paulo", pensei. E o que faria? Ah.... o meu time é capaz de me trazer lembranças as mais lindas. Quando criança, queria ser Zé Sérgio. E não pude ser, minha habilidade para os esportes sempre foi temível. Os menudos de Cilinho, Careca e o Muller. Quantas recordações. E o Telê? E o Raí? Meu time foi duas vezes campeão do mundo.... Mas, se por um lado o time do coração nos enternece, ultimamente revela um ser mesquinho, doente, irascível, intratável, intolerante. Basta começar a assistir aos jogos pela televisão que me transfiguro, chuto a porta, esperneio e xingo. O rol de palavras chulas é interminável. Lembro de azia, São Paulo perdendo para o Cruzeiro a final da Copa do Brasil. Ânsia, tricolor aumentando a freguesia corintiana nas últimas finais. Raiva, um 7 a 2 da Portuguesa de Desportos....
Cacilda, não poderia ocorrer esta transfiguração no jogo da noite. Imagine o rechonchudo, choroso e manhoso, agüentando meu berreiro, minha inquietação, minha indignação... Minha mulher me matava e a mãe me dava as contas.... Tenso, o que faço?
O jeito era usar o mesmo remédio que venho utilizando há alguns anos. Para aplacar a fúria clubística tenho evitado acompanhar aos jogos, quando posso. Desligo a TV, assisto a MTV. Desligo o rádio e ouço música. Saio para beber um chope. "Hoje, vou assistir Casablanca", pensei.
Quase me esqueço, com estes devaneios, do choro do menino. Agora um choro frenético. A mãe com uma cara de cansada e eu pensando no São Paulo. Culpa. O colo da avó, toda cuidadosa e ele se esgoelando. A gritaria toma proporções épicas quando sento no sofá e ligo a televisão. Chamo a minha mulher de lado: "Amor, vamos assistir um pouco de TV". Pronto, o choro ganha um impulso sonoro de amplificador.
Um ato repentino. Me levanto, vou ao quarto e pego o bebê. Aquele rosnar, pois o choro era um rosnar, dá uma sensível diminuída quando inicio um embalar. Aquele rostinho de sorrisos involuntários (involuntários para os cientistas, para os pais é sempre um sorriso) lindo. "Mãe, vou com ele para o quarto, tá bom?" . Minha mulher, linda, solta um sorriso e agradece.
9 horas da noite no relógio. Ao segundo embalo, ritmado com "tapinhas" nas costas e ele dorme. Profundamente.
" Serginho sozinho... Carlos sai do gol .... Serginho toca e é goooooool do São Paulo... agora não tem mais jeito, Serginho sacramenta o título. São Paulo, campeão paulista de 1981!!!!!" Eu tinha o quê? Nove anos? Eu chorava quando perdia. Chorava, mas não me lembro de ter quebrado nada de sério, um radinho de pilha talvez. Putz... quantos campeonatos eu não inventava no meu Estrelão, para ver o mais querido campeão. Preciso instalar minha mesa de botão.
9 e 35... o relógio. E o jogo. O que custa? Vou assistir, ponho a TV bem baixinho. No menor sinal de que deixaria ele no berço, um rosnar, tímido. Achei melhor levá-lo para a sala. Controle remoto na mão e, decidido, ligo a televisão. Com ele no colo, deitado.
Bola rolando.... E foi tranqüilo. Meia noite. As crianças adoram futebol.
"ASSASSINATO PODE DEIXAR AUTOR UM ANO SEM IR A ESTÁDIOS" , manchete do Lancenet sobre o acontecido na partida entre Flamengo x Botafogo. Seria engraçado se não fosse trágico. Escrito por Fernando às 08h21
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Caso eu tivesse apostado nos 7x1 numa bolsa de apostas, hoje eu estaria aposentado. Mas ver Giovanni e Luizão morrendo pela boca não tem preço. Escrito por Fernando às 16h44
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Pérolas
Bolonistas:
Três fortíssimas candidatas ao Troféu Jardel, aquele que consagra as frases mais estúpidas do mundo futebolístico.
"Minuto de silêncio em homenagem póstuma a Carlos Alberto Parreira pela morte de sua mãe"
Do narrador global Luís Roberto, antes de Goiás 1 X 2 Fluminense
"Gol contra é quando o zagueiro tem intenção de fazer o gol"
Amaral, estou ansioso pelos seus palpites da 38ª rodada do Brasileirão. Escrito por Zecão às 14h00
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Obrigado, bambi.
O frouxo do Cicinho vai precisar usar os dedos do pé para indicar o placar do massacre. Escrito por Zecão às 13h56
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Motivação
Frase do Joel Santana, no intervalo do jogo Flamengo x Botafogo: “Eu quero que cada um de vocês dê apenas 5%, porque assim o time fica 100%.” Escrito por Zecão às 13h45
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COROAÇÃO
Guilhotina para os enganadores, charlatões e Osvaldos de Oliveira em geral!! O verdadeiro Rei deste bolão é Sua Majestade Fernando Mello I.
Como esse é um diário para amantes do esporte bretão, que pela memória agregam e pelo presente se divertem. Fica aqui um pedaço de memória flamenguista e um abraço aos sortudos tricolores. Esses rivais que carregamos no hino e que nos fazem companhia na pessoa do adorável Bóris, mais conhecido nessas paragens como Felipe Campbell, que - inclusive - poderia ter sido mais justo com os Flamenguistas no seu diário.
Caso meu time fosse mais organizado, não teríamos a má fama de perdermos grandes jogadores para outros clubes os transformarem em ídolos. Mas "o mundo muda, a gente muda", como diria o Abujanra...
Para ser um excepcional meia ofensivo ou meia-atacante ou meia de ligação -pode escolher a terminologia-, é preciso unir a técnica com a habilidade, com a criatividade, com a participação coletiva e com a garra, como Petkovic. Para ser um excepcional meia de ligação, é preciso jogar com a cabeça em pé e sem olhar para a bola, para enxergar melhor a movimentação dos companheiros e adversários, como faz Petkovic. Para ser um excepcional meia de ligação, é preciso, antes dos outros, pensar, enxergar e executar a jogada, como Petkovic. Tudo ao mesmo tempo. "O olho vê, a lembrança revê e a imaginação transvê." (Manoel de Barros) Para ser um excepcional meia de ligação, é preciso ter um passe preciso, rápido e inesperado. Não basta colocar a bola no pé ou na cabeça do companheiro. É preciso surpreender o adversário, como faz Petkovic. Para ser um excepcional meia de ligação, é preciso economizar gestos, simplificar o lance, como faz Petkovic. Nada falta ou sobra nas suas jogadas. "O talento é a arte de tornar simples o que é complexo." Para ser um excepcional meia de ligação, é preciso bater faltas e escanteios com precisão, como faz Petkovic. Ele não cruza para a área. Ele coloca a bola na cabeça do companheiro. Para ser um excepcional meia de ligação, seria ainda melhor se o meia driblasse, passasse e finalizasse bem com as duas pernas, como faz Petkovic. Isso é raríssimo. Contra o Goiás, ele driblou com a direita e colocou a bola no canto com a esquerda. Para ser um excepcional meia de ligação, é preciso ter garra e se movimentar bastante para sair da dura marcação dos volantes. Para isso, é necessário ter bom preparo físico, como tem mostrado Petkovic neste campeonato. Para ser um excepcional meia de ligação, é preciso ter calma, não tentar jogadas impossíveis e saber o momento exato de brilhar, mesmo que seja nos últimos minutos do jogo, como tem feito Petkovic. Para ser um excepcional meia de ligação, é preciso valorizar o seu talento, sem hipocrisia, como Pet. "A humildade não é o desconhecimento do que somos, e sim o conhecimento e o reconhecimento do que não somos." Com tantas qualidades, por que o Pet nunca brilhou em um dos grandes times da Europa e não joga na boa seleção da Sérvia e Montenegro, que estará na Copa? Não sei. Dizem que é por causa do seu mau humor. Ele teria brigado com todas as pessoas do esporte de seu país. Será?! Ou seria porque ele é franco, luta por seus direitos, não participa de panelinhas nem agrada ninguém só para receber algo em troca?
Está em todos os jornais que o Corinthians censurou a exibição das pedaladas do Robinho em filme publicitário da Nike, sob pretexto de preservação da imagem do Timão. A bem da verdade, trata-se de mais uma demência do presidente-ditador do Corinthians, que envergonha cada vez mais sua torcida. Imagine censurar os elásticos do Rivelino, o chapéu do Marcelinho contra o Santos, o Luizinho "Pequeno Polegar" sentando na bola contra o Palmeiras. Para um time que lutou pela democracia no futebol, não há como lamentar uma figura tão pequena "queimando o filme" do todo poderoso. E viva o Robinho, certamente um dos dez maiores jogadores brasileiros que eu vi jogar. Escrito por Luís às 11h52
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Eu não levo a sério a IFFHS, mas adoro listas. Então, lá vai a Lista 2005 da IFFHS:
A Federação Internacional de História e Estatística de Futebol (IFFHS) divulgou no dia 1º de novembro seu ranking anual de clubes. A entidade contabiliza os resultados dos últimos 12 meses de competições continentais, intercontinentais, campeonatos nacionais e torneios nacionais para classificar as equipes.
O São Paulo FC ocupa a 11º posição sendo o clube brasileiro melhor colocado na lista. O vencedor do ranking deste ano foi o Liverpool, da Ingalterra, com 295 pontos.
Confira a lista da IFFHS:
1. Liverpool (Inglaterra) - 295 2. Inter (Itália) - 292 3. Bayern (Alemanha) - 279 4. Milan (Itália) - 262 5. Manchester United (Inglaterra) - 257 6. CSKA Moscou (Rússia) - 245,5 7. Olympique Lyon (França) - 243 8. Arsenal (Inglaterra) - 242 9. Boca Juniors (Argentina) - 234 10. Villarreal (Espanha) - 233 11. São Paulo (Brasil) - 230 20. Inter (Brasil) - 197 22. Fluminense (Brasil) - 193 34. Santos (Brasil) - 178 37. Atlético-PR (Brasil) - 176 41. Corinthians (Brasil) - 165
Boleiros como Robinho, Romário, Ronaldos, Roberto Carlos, Rivaldo, aprenderam as malícias do controle da pelota em campos de futebol improvisados, de pés descalços brincando em meio as não menos improvisadas comunidades dos nossos morros, favelas e invasões. Sempre há reservado o espaço do campinho, já repararam?
As bolas poderiam ser de qualquer espécie. Meias costuradas ainda são vistas em alguns campinhos mais carentes. As manhas de dominar a bola são mistérios impossíveis de ensinar, atributos de poucos gênios. Esse aprender para mim é curioso, porque a bola construída pelo menino ou por seu pai não tinha a característica mais óbvia. Ser perfeitamente redonda e correr em linha reta ao toque preciso do boleiro. Ela escapava de lado, repicava, quicava de banda, driblava o menos atento pela sua inconstância e nem sempre correspondia ao chute colocado do moleque bom de bola do bairro.
O goleiro também apanhava. Veja bem, o garoto lá do meio do campinho dava-lhe um belo petardo na bolota, chutava com esperança, dado que a bicha tinha pensamento próprio, e lá ia ela, a princípio reta, pois o chute proporcionou certa inércia, mas aos poucos ela saía de controle – veja bem, isso tudo em segundos, e sem nenhuma geografia comparável ao Maraca – o goleiro, o pobre diabo que não sabia jogar com os pés (calma, Demas e Fernando!) posiciona-se na reta inicial da linha do chute. E o que acontece, a danada dana a dar pinote (gostei!) e a base original do garoto já era, em um sobressalto transcendental ela muda de rumo e tira o goleiro da parada, passando tal qual um bêbado tropego por entre as traves, gol...
Dito isso, explico...
A pobreza pode ser, já explicaram isso melhor, um dos nossos trunfos para produzirmos tantos talentos. Garotos de pensamento ligeiro, no que se trata em dominar com os pés algo que insiste em escapá-lo. Mas onde eu quero chegar na verdade é na saudade. A minha. Não fui, nem de perto, pobre como os meninos do Brasil que dominam essas bolinhas assanhadas. Mas tive um período curto de dureza que só me permitia comprar a bola Dente de Leite. Aquela de borracha fina, pintada imitando uma bola de futebol de verdade e que com o tempo ou por insistência do pequeno boleiro cansado que a usava como assento, se transformava em um troço parecido com um ovo.
Como era divertida a Bola Dente de Leite, ela tinha todas as loucuras das bolinhas improvisadas. Era leve como pena, então jogar com vento era uma loucura, não tinha chute reto. Controlar suas vontades era coisa para pequenos experientes no assunto. Garotos que esqueciam suas bolas de couro e que entravam em nossas peladas apanhavam muito da bola rebelde.
Enfim, quis lembrar aqueles tempos de jogador meio tonto, correndo atrás da bola (bola?) maluca. E talvez entender como esses garotos aprendem a dominar esse objeto que justificou paixões e um humilde Blog...
Uma casa à altura do Galo (08/10) Jaeci Carvalho - Estado de Minas Clube estuda proposta do grupo português Espírito Santo, para construir, na Grande BH, moderna arena, com capacidade inicial para 45 mil torcedores
Divulgação
Estádio seria moderno e confortável, a exemplo dos construídos para Copa da Alemanha
Está nas mãos do presidente Ricardo Guimarães um projeto que pode representar a redenção do Clube Atlético Mineiro: uma proposta de contrato do grupo português Espírito Santo – sócio da Portugal Telecom (Vivo, no Brasil), representado pela Lusoarenas Desenvolvimento de Empreendimentos e Concessões, com sede em Cintra – para construção do Estádio do Galo, com capacidade mínima para 45 mil pessoas e previsão de ampliação para 60 mil, em 2014.
A moderna arena seria na região metropolitana de Belo Horizonte (provavelmente Contagem), para evitar os impostos exigidos pela prefeitura da capital mineira. Os portugueses pretendiam mais quatro desses estádios no País: dois no Rio de Janeiro, um em São Paulo e outro na Bahia. Mas, com a queda do Vitória para a Série C do Brasileiro, desistiram de Salvador. Pelo mesmo critério, o estádio atleticano só seria realidade se o time não cair para a Série B.
Segundo fonte ligada a Antônio Ricardo Espírito Santo, um dos diretores do Banco Espírito Santo, a preferência pelo Atlético se deve à força da massa alvinegra no Brasileiro. “Eles pensaram no Cruzeiro, pelas várias conquistas do clube, principalmente da década de 90 para cá. Mas, por uma pesquisa de uma revista de circulação nacional, perceberam que o Galo seria melhor. Os portugueses levam em conta a presença de público no estádio. Nesse aspecto, avaliam que, em Minas, o Atlético é imbatível. Além do mais, não tiveram afinidade com os dirigentes do Cruzeiro. Assim, procuraram Ricardo Guimarães, em 9 de janeiro de 2004, assinaram a carta de intenção e mantiveram a negociação em aberto.”
De acordo com a fonte, há quatro meses, os portugueses enviaram ao presidente do Galo o contrato, programando o início da construção para 2006. Estariam dispostos a gastar 50 milhões de euros (mais de R$ 150 milhões) na exploração do local por 30 anos, após os quais o controle integral da arena e de tudo o que girar em torno dela passariam ao Atlético.
Enquanto durar a sociedade, caberia ao grupo explorar estacionamentos, camarotes, cadeiras cativas, lojas, restaurantes, bares, quiosques e outros espaços, direitos de publicidade, marketing e similares, produtos e serviços, circuito interno de TV, exploração de marcas e demais propriedades industriais e intelectuais, inclusive internet. O clube teria direito a publicidade estática do campo e bilheteria dos jogos, pagando aos sócios percentuais a ser definidos sobre a receita.
Arena O Grupo Espírito Santo é responsável pela construção de estádios em vários países da Europa, entre eles a Alemanha, sede da Copa do Mundo de 2006. São arenas modernas, confortáveis e semicobertas, com capacidade para até 60 mil pessoas. Segundo a fonte, foi fechada parceria com o Botafogo, que negocia terreno da Rede Ferroviária Federal. “Bebeto de Freitas (presidente do clube) já acertou o negócio, mas há a possibilidade de a arena pertencer também ao Fluminense, com os dois clubes sendo parceiros no empreendimento”. O Flamengo seria a bola da vez para o segundo estádio no Rio. “Eles estão doidos para fechar com o Flamengo, pois entendem que, no mundo, não há produto melhor. São 35 milhões de rubro-negros no Brasil, com previsão de receita espetacular.”
Em São Paulo, a fonte não sabe dizer que clube seria beneficiado. Mas adianta que o Corinthians está fora dos planos, pela parceria com a empresa russa MSI. “Eles são muitos sérios e não gostam de negócios nebulosos. Reconhecem o potencial da equipe em termos de público, como Flamengo e Atlético, mas preferem se manter distantes e não arriscar.”
Ricardo Guimarães deve submeter o contrato a apreciação do Conselho Deliberativo do Atlético. Se aprovado, o clube dará o ok e procurará terreno que atenda às exigências dos sócios. O contrato tem prazo de vencimento. Se, em dois meses, o presidente não der retorno, os portugueses desistirão do negócio. “Reitero que a condição número 1 é o Galo se manter na elite do futebol brasileiro. Se isso acontecer, o clube poderá fazer sua independência financeira, quitando as dívidas e entregando a sua fanática torcida o que há de mais moderno em estádios no mundo.”
2001, última rodada do Brasileiro: Flamengo precisa de uma vitória sobre o Palmeiras para se manter na 1ª Divisão. Resultado: Fla 2 X 0 Palmeiras.
2002, Palmeiras e Flamengo na zona do rebaixamento: Palmeiras precisa de uma vitória, o Mengo de um empate. Resultado: Fla 1 X 1 Palmeiras.
2003: esse jogo aí de cima derrubou o Palmeiras para a Série B. Resultado: o Palmeiras não pôde ajudar o Flamengo.
2004, Palmeiras busca a classificação para a Libertadores e o Flamengo luta contra o rebaixamento: o Flamengo manda 2 X 1 no Palmeiras. Resultado: Flamengo se salva e o Palmeiras tem de disputar a classificatória para o torneio sul-americano.
2005: vocês acabam de ver o que aconteceu no Parque Antártica.
Alguém aqui já disputou uma partida de bafo? Sim, aquelas partidas memoráveis de figurinhas com os rostos dos craques, com os objetivos centrais de surrupiar as figurinhas alheias para completar o álbum e de se livrar de caras feias repetidas aos montes. Outro dia me lembrei de um álbum da Copa de 82, patrocinado por uma empresa de chicletes. As figuras vinham nos tais chicletes e os mais aficionados compravam centenas de goma de mascar, tiravam das embalagens, enlouquecidos, e depois tinham que embrulhar os tais em papel alumínio para não estragar o já estragado chiclete. Era um bom álbum aquele. Dava prêmios inofensivos, do tipo times de botão, camisetas e bolas. Acho que até hoje me falta a figurinha do Dirceu. Mas porque será que o Telê gostava tanto do Dirceu?
Esse mundo tá virado. Noutro dia, numa banca, vi o álbum do campeonato brasileiro de futebol. Encadernação invocada, cores vibrantes, prêmios eletrônicos e eletrostáticos. O nome das figurinhas era “supercromos ilustrados” e o preço não me pareceu convidativo para a prática do jogo do bafo. Supercromos.... será que é tão importante para o “marketing” trocar o nome “figurinhas” por “cromos ilustrados”???? Qual é o “target”? Achei um pouco patético, mas, sei lá, alguém deve jogar bafo ainda. Será? Qual seria o Dirceu na versão supercromos ilustrados?
Neste Brasileirão ainda não temos aquela figurinha carimbada, para completar o álbum. Talvez o Edílson, o árbitro, mas seria muito mais patético completar um álbum com um juiz de futebol. Carlitos, talvez. Não. Não há nenhuma figurinha indispensável para completar o álbum. Ainda que o Fluminense tenha feito algumas estripulias dignas de carimbo. Pet, talvez. Assistir aos jogos do Fluminense exige um certo distanciamento da realidade. Goles em profusão. A defesa tricolor parece uma piada e talvez seja. Mas o ataque tem feito das suas, sem nenhum Assis, sem nenhum Washinton, duas figuras imbatíveis. Mas tem feito lá das suas.
Ora, tem times que tem muita sorte. O tricolor carioca terá sempre Nélson Rodrigues e este fato é espeto. Quem já leu alguma crônica do Nélson saberá reconhecer a delícia de ser Fluminense. Da leiteria, de Castilho, de Gil. Gil? Aquele ponta direita, ponta de lança, ponta de não sei o quê, atacante, velocista, da seleção de 78, figurinha difícil do álbum de Cláudio Coutinho. E de Telê, o fio de esperança. O Telê, aquele que gostava do Dirceu, assim como Coutinho.
Este campeonato de 2005 ainda não tem o seu figurinha carimbada, como foram os “cromos” de Robinho, no ano passado, e de Alex, o craque incomparável do título do Cruzeiro. Portanto, o campeonato ainda não terminou. Evidentemente, temos algumas figuras difíceis, pelo que fizeram de bom e de ruim. Mas a carimbada ainda não saiu. Ou será que ninguém mais dá a menor pelota para uma boa partida de bafo?
Estava esquecendo, desculpem. Mas a sorte do Flu é de dar inveja, mesmo. Alguém já ouviu aquela musica do Chico Buarque, “Receita pra virar casaca de neném”? Ouçam. A sorte do Fluminense é enorme. O Chico, outra figura para completar álbum.
Vocês viram que é o craque do time do Sidney, representante da Oceania no 2 Mundial Interclubes da Fifa? É o Kazu, aquele mesmo que jogou no Santos e no XV de Jau. Outro craque, este contratado só para o torneio, é o York, campeão pelo Manchester, que antes terá a difícil tarefa de classificar Trindade e Tobago para a Copa.
O excelente jogador de handebol Fabrício descreveu com rara serenidade a capacidade de reflexão da atual cúpula alvinegra:
Depois de cometer o pênalti - o terceiro em seus últimos cinco jogos - que deu a vitória ao Cruzeiro por 2 a 1, na última quarta-feira, o corintiano Fabrício, em vez de reconhecer a falha, optou por polemizar.
Nesta quinta, no desembarque da delegação na capital paulista, o volante comentou as supostas ligações que o presidente alvinegro, Alberto Dualib, teria feito ao técnico Antônio Lopes pedindo para não escalá-lo mais.
- A gente tem que entender o presidente. Ele está com a idade avançada e de vez em quando fala umas besteiras dessas. Não foi uma atitude profissional, mas ele é o todo poderoso, então tenho que ficar quieto – disse o jogador.
03/11/2005 - 10h30 Corinthians contrata revelação do futebol paraense EDUARDO ARRUDA da Folha de S.Paulo
A diretoria corintiana acertou a contratação do atacante Helington, de 16 anos, do Remo. O jogador vai passar por um período de testes no Parque São Jorge.
A contratação do atleta foi oficializada na semana passada, quando o Corinthians esteve em Belém para enfrentar o Paysandu, pelo vice de futebol do clube, Andrés Sanchez. Ele não custou nada aos paulistas. E os paraenses terão 30% em caso de futura negociação do atacante.
Helington, que seria integrado ao final desta temporada ao time profissional do Remo, é considerado a principal revelação do futebol paraense nos últimos anos.
Foi artilheiro do campeonato estadual sub-20 nesta temporada, com 11 gols, e ficou conhecido no ano passado ao marcar 22 gols na vitória do Remo sobre o Ananindeua no Estadual sub-15.
Dizem que todo o homem, para se realizar, deveria construir uma casa, escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Não sei se nessa ordem. Discordo. Afirmo que para se realizar todo homem precisaria fazer ao menos um gol na vida. Disso tive certeza segunda-feira. Explico. Todo ano a Fundação Gol de Letra - projeto de integração social capitaneado pelos ex-jogadores Raí e Leonardo - promove um torneio de futebol entre empresas, cujo objetivo é arrecadar o dinheiro das inscrições para aumentar a receita. O torneio premia a empresa vencedora e uma seleção dos melhores jogadores dos times restantes com a disputa de dois jogos contra times de jogadores, ex-jogadores, atletas e artistas. O jogo se dá no Estádio do Morumbi. Há dois anos sou convidado para participar desse magnífico evento. Ano passado tive o prazer de jogar pela primeira vez num estádio oficial, cujo campo tem dimensões extraordinárias. Cheguei a relatar aqui, num dos primeiros artigos que escrevi para essa coluna, minha forte impressão do ocorrido. Falava, principalmente, da chuteira preta do goleiro Rogério e as marcas esculpidas através do uso. Nesse ano, fui escalado para o segundo jogo. Assim que cheguei ao vestiário fui revendo e conhecendo alguns de meus ídolos. Raí, Zetti, Silas, César Sampaio, Mauro Silva... Vários atletas são-paulinos também lá estavam: Rogério, Lugano, Josué, Cicinho. Alviverdes: Sérgio, Juninho, Marcinho e Pedrinho (pude, finalmente, apertar sua mão e revelar minha admiração por sua trajetória tão difícil quanto vitoriosa). E uma lenda viva: Paulo César Caju. Depois da preleção de Raí uma cena emocionante. Todo os presentes homenagearam com uma salva de palmas o fantástico jogador da Copa de 70. Mais uma vez, por uma incrível falta de cuidado, compareci ao evento desprovido de chuteira. Dessa vez fui gentilmente assistido pelo zagueiro uruguaio Lugano, que me advertiu que suas chuteiras jogavam com muita garra e firmeza. E que era preciso fazer jus à sua vocação inata. Aquele ritual, que para os outros presentes parecia banal, para mim teve um caráter transcendental. Botar o uniforme no vestiário, andar pelo túnel, subir as escadarias que dão acesso ao campo e, mais do que tudo, correr pelo gramado infinito. Debaixo de um sereno frio, entrei para o meu momento 'Essa é sua vida´´ com a incrível missão de jogar na lateral esquerda! Quando Raí me escalou para a posição protestei, e ele prontamente respondeu: 'Sorín, pensa Sorín. Joga livre pelo campo todo!´´ 'Então tá´´. Pensei no fantástico argentino e fui fazer a minha clonagem. Bola rolando e começo a correr pela linha extrema do gramado. Caramba, como é imenso! Mesmo com minhas lentes de contato que corrigem meus 10 graus de miopia, o astigmatismo residual dificultava a minha visão completa do campo. Mas a bola generosamente chegava a meus pés. E num lance de inacreditável precisão, armamos um ataque pela esquerda. Numa triangulação entre Rogério, Juninho e esse aspirante a lateral, a bola me é devolvida já dentro da pequena área. O goleiro sai e eu coloco sutilmente, com o meu pé esquerdo, a redonda no fundo das redes. Gol! G ol? Gol, não. GOOOOOOOOOOOOOOOL!! Parecia um milagre, uma espécie de visão santa. Fiz um gol no Morumbi! Corri para comemorar em direção aos outros jogadores incrédulos. Naquele momento a arquibancada se encheu, os vendedores de amendoim pararam para olhar, os rojões espoucaram, o céu se abriu e eu pude ver o Senhor! Tudo aquilo que eu havia colecionado em minha memória nos meus parcos 42 anos sumiu e eu renasci no tempo mágico do futebol. Por um instante, tive a sensação de estar eternizado. Não resisti e, intimamente, chorei. O futebol fez de mim um novo homem. Senhoras e senhores, eu existo!
Será que nenhum empresário está articulando a venda do Fabrício para o Liverpool nas próximas duas semanas?? Esta seria uma operação que deixaria todos felizes (bom, pelo menos no Brasil). Escrito por Ogro às 09h56
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O nosso blog ficou louco? Anda tomando drogas alucinógenas? ou é o Demas que tá mudando a cor dele dia sim, dia não?
PS: Gol sem pátria?! Vocês viram o jogo do Barça? Samuel destruiu...
Dejan Petkovic é sérvio. Sua mulher, Violeta, é sérvia. Têm duas filhas: Ana, espanhola, e Inês, italiana. Dejan e Violeta já moraram na China e na Arábia.
Galo morto em SP pode ter sido vítima de gripe aviária
da Agência Folha
A Secretaria da Saúde de Marília (444 km a noroeste de São Paulo) vai encaminhar na quinta-feira (3) ao Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, o corpo de um galo que morreu com sintomas de infecção respiratória.
O dono da ave, que não teve a identidade revelada, suspeita que ela possa ter morrido de gripe aviária. "A princípio, não acreditamos que seja, mas vamos investigar", afirmou Lupércio Garrido Neto, coordenador da divisão de zoonoses da Secretaria da Saúde de Marília.
"Ele [o dono da ave] nos procurou, relatando que um galo havia morrido em razão de uma doença respiratória aguda, com muita secreção no sistema respiratório, febre, com as penas arrepiadas, e ele suspeita que há aves migratórias na região de um lago perto de sua propriedade", disse Neto.
Ainda de acordo com o coordenador, o corpo do galo será encaminhado ao instituto para a identificação do que teria levado a ave à morte.
A Secretaria da Saúde afirmou que a região onde existe a chácara onde o galo morreu não havia sido interditada. "Teremos uma reunião amanhã [quinta-feira], quando poderemos ter mais detalhes sobre o caso", afirmou Neto.
Há uma sutil relação entre as seleções nacionais e as marcas que patrocinam seus fardamentos. As razões capitalistas são indispensáveis para explicá-la, mas não bastantes.
Vejam só: a Nike patrocina Brasil (5 estrelas), Holanda, Portugal, Rússia, Bélgica, México e Turquia. A Adidas, Alemanha (3 estrelas), Argentina (2 estrelas), França (1 estrela), Espanha, Canadá e Japão.
A Puma fornece o uniforme para Itália (3 estrelas), República Tcheca, Bulgária, Camarões e Suíça. A Umbro, Inglaterra (1 estrela), Irlanda e Suécia.
Kappa: Eslovênia e País de Gales. Lotto: Armênia e Colômbia.
As duas estrelas que faltam? Unisport vestindo a Celeste.
Já se passaram mais de vinte anos e continuamos tentando compreender a derrota de 82. Continuamos discutindo se o problema foi o passe errado de Cerezo, a finalização pra fora de Serginho, a cabeçada de Oscar, que, infelizmente, não entrou. Tentamos descobrir se o esquema tático era errado. Ninguém marcava naquela seleção, dizem uns. Não tinha ponta, disseram outros por anos e anos. Foi o Telê, foi a entrada do Paulo Isidoro após o gol de empate do Falcão... O fato é que não olhamos para o outro lado. Tudo bem, aquela seleção era realmente fantástica, hipnotizante. Mas, não procuramos saber o que aconteceu com os outros onze. Os outros onze que ganharam do Brasil. A seleção italiana de 82. Em passagem pela Itália, descobri uma das várias histórias que eles têm sobre 82. Afinal, aquela Copa foi a Copa das Copas para os italianos. E todos, na Bota, tem algo a dizer sobre a conquista (anti)heróica de 82. Descobri, ao assistir a um especial da Rai, que a seleção italiana -- ou, como preferir, os outros onze que derrubaram o Brasil - começou a ser formada com uma não convocação. E o não convocado se chamava Evaristo Beccalossi. Beccalossi era o camisa 10 da Inter de Milão. Era um meia-atacante habilidoso. Sabia organizar as jogadas e concluía com estilo matador. Era um mistura de Cesar Maluco com Edu Manga (para os palmeirenses). Ou Pedro Rocha e Muricy (para os são-paulinos). Ou Neto e Edmar (se preferirem os corinthianos). Sua especialidade era entrar driblando pelo meio e encobrir o goleiro. Beccalossi foi comprado junto ao Brescia no final dos anos 70 e, logo, se notabilizou por marcar gols em clássicos contra o Milan. O que o transformou em ídolo dos interistas. Campeão italiano em 1980 - o fatídico ano do escândalo da loteria que rebaixou Milan e Lazio e suspendeu alguns jogadores dos campos, como Paolo Rossi -, ganhou o apelido de Bec e se tornou um dos jogadores mais populares da Itália. A Copa de 82 foi chegando e, para espanto dos italianos, o técnico da Azzurra, o quase octagenário Enzo Bearzot, disse que não levaria Bec para a Copa. O problema, segundo ele, era o gênio e o mau temperamento de Beccalossi. Bearzot chegou a ser perseguido e xingado nas ruas de Milão. Os "tifosi" eram capazes de perdoar Bec quando ele driblava três jogadores e desperdiçava o gol. Mas, não podiam suportar o técnico que se recusava a levar Bec para a Copa. Bearzot queria Rossi, o suspenso, e Causio na reserva. Nada de Beccalossi. Teve início uma campanha contra Bearzot e ele parou de falar com a imprensa. Em resposta - e para mostrar que estavam certos -, os jornalistas continuavam pedindo Bec para a Copa e previam um verdadeiro fracasso em caso de sua não convocação. Bem, a Copa da Espanha começou e o fracasso parecia anunciado. A Itália empatou com a Polônia, com Camarões e com o Peru. A Azzurra jogou mal, se classificou por um milagre e as críticas chegaram ao auge. Agora, não era somente Bearzot. Ninguém mais da seleção italiana falava com a imprensa. A seleção Azzurra estava isolada. Ou melhor, unida. E enquanto os jornais lamentavam a não convocação de Bec, o time tentava provar em campo que não faltava ninguém para classificar às semifinais, ou, quem sabe, chegar ao título. Assim, venceram a então campeã mundial (a Argentina) e, depois, a melhor equipe daquela Copa (e, talvez, de todas as Copas). Veio, então, o improvável. Venceram a Polônia, de Boniek, a Alemanha na final, fizeram o artilheiro da competição (Rossi), o melhor goleiro (Zoff), os melhores zagueiros (Scirea e Tardelli) e revelaram ao mundo dois craques históricos do Milan e da Inter (Baresi e Bergomi). Quanto a Beccalossi, sua carreira se perdeu depois da Copa. Semanas após a conquista da Itália, a Inter jogou contra o Sparta Bratislava por uma das copas européias. Em 20 minutos, Bec abatido, sentindo-se desprezado num país recém-campeão, perdeu dois pênaltis. A Inter foi eliminada. Depois deste jogo, pouco se ouviu falar de Beccalossi. Nos livros de futebol italiano, dizem que foi um craque da Inter por quatro temporadas. É o intervalo entre uma copa e outra. Copa essa que ele nunca jogou.
Juliano Basile, em Firenze, 11/4/2002 Escrito por Demas às 18h15
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Não sei se o conselho é válido, mas dizem por aí que sorrir é o melhor remédio. Sei lá, vai a charge pra tentar confirmar.