Os Bolonistas


Copa da África X Copa do Mundo

Angola? Fora.

Gana? Idem.

Togo? Credo em cruz, fora, fora!

Tunísia? Classificada em 2° no grupo.

Costa do Marfim? Também em 2°.

As Eliminatórias classificaram os africanos errados?



Escrito por Demas às 22h30
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Boleiros, Parte XVII

Cenário: Bar Léo, Aurora com Andradas, ano de 2076.

 

Personagens: Leonel, Lucas e Popó. Só os três, sem os netos.

 

Diálogo:

 

Um: O Velho disse que o Ronaldo foi melhor.

 

Outro: E seu pai sabia de futebol? Sabia nada. O Vô sempre disse que essa discussão é a maior forçada: o Pelé fazia chover.

 

O outro: Mas e este moleque novo da Portuguesa? Sei não, o menino tem pinta.

 



Escrito por Demas às 22h04
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Die aktualisierung

Teutobolonistas, aí têm:

Grupo A:

Alemanha 1 X 2 Costa Rica

Polônia 0 X 1 Equador

Grupo B:

Inglaterra 2 X 0 Paraguai

Trinidad e Tobago 1 X 5 Suécia

Suécia 3 X 0 Paraguai

Grupo C:

Argentina 3 X 1 Costa do Marfim

Sérvia e Montenegro 0 X 3 Holanda

Grupo D:

Angola 2 X 3 Portugal

Grupo E:

EUA 1 X 2 República Tcheca

Gana 2 X 0 EUA

Itália 2 X 3 Gana

Grupo F:

Austrália 1 X 1 Japão

Brasil 1 X 0 Croácia

Brasil 2 X 0 Austrália

Grupo G:

Coréia do Sul 4 X 0 Togo

França 4 X 1 Suiça

Grupo H:

Tunísia 6 X 4 Arábia Saudita

Espanha 0 X 2 Ucrânia



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 20h28
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O mundo roda em Leipzig

Confesso que cheguei emocionado em Leipzig. E não era apenas porque estava na cidade onde viveram Bach e Goethe. É que hoje, 11 de junho, é um dia especial: a Holanda vai jogar mais um Copa na Alemanha. E Leipzig finalmente será sede de Copa. Ao contrário de Munique, Stuttgart, Dortmund e tantas outras, Leipzig nunca teve jogos de Copa do Mundo, pois fica no leste. Leipzig tem um time, o Lokomotive, no melhor estilo das equipes do leste. Lá, os times são Spartas, Dinamos e Lokomotives. Leipzig finalmente fará parte, hoje do seleto grupo de cidades com jogos de Copa do Mundo. E que estréia fenomenal! Leipzig receberá a Holanda. Numa outra Copa alemã, a Holanda foi a última grande invenção do futebol moderno. A laranja de 74 só não ganhou a Copa porque era, justamente, uma Copa alemã. E agora, chegou a hora da revanche. O fato é que os tempos mudaram e, quem sabe, a Copa da Alemanha poderá, enfim, ser a Copa laranja. Os tempos mudaram, pois o adversário de hoje é a Sérvia e Montenegro. A Sérvia não era time em 74. Quem era time era a Alemanha Oriental, para o qual torceu Leipzig. Será que o cidadão de Leipzig se sentiu campeão em 74? Taí uma boa pergunta. Boa pauta para fazer após o jogo. Mas, vamos a ele. A Holanda chegou com um time rejuvenecido. Tem um tal de De Jong, o interista Van der Vaart, o contra-atacante do Chelsea Robben (contra-atacante, explico, é aquele que joga apenas em contra-ataques) e os “catalães” Gio e Van Bronckhorst. Belo time. A Sérvia vem com o ex-galático Milosevic. No primeiro tempo, as bolas estranhamente não chegam em Milosevic. Nem em seus companheiros de ataque. Nem no meio-campo. Vejo uma sucessão de passes. Stam para van der Vaart. E Van der Vaart vai para a defesa e Stam sobe para o ataque. Então, sobe De Jong e toca para o centro-avante. Mas, este não é Van Nistelrooy, nem Makaay, nem o contra-atacante Robben. O centro-avante é o defensor Opdam que de canela empurra para o gol. 1 a 0 e a platéia fica desconcertada. Olho para o banco de reservas e vejo o técnico laranja. Não é Rinus Michel, mas foi ensinado por ele. Van Basten movimenta as mãos como um maestro, indicando quem deve subir e quem deve descer. Os jogadores obedecem e ocupam todos os espaços do campo onde a bola está. O zagueiro sérvio Basta é a própria expressão de desespero. Se ele soubesse o que significa o seu nome em português não precisaríamos dizer mais nada. A Holanda voltou a girar e deixou a platéia bêbada. Robben deixou a área e foi para a lateral direita, de onde passou para Van Brockhorst fazer o segundo gol. Ele não deveria estar no meio do campo. Não, era o Nistelrooy quem estava lá. No segundo tempo, Gio, jogando de lateral, tabelou com Van Persie e a bola sobrou para Nistelrooy, finalmente fazer um gol de atacante. A Holanda faz 3 a 0 e começa a poupar os seus jogadores. O goleiro Jevric é a própria desolação. Como a Croácia, em 98, ele queria fazer da sua Sérvia a grande surpresa da Copa. Não contou com o retorno da Laranja Mecânica. Para Milosevic, que já defendeu a Iugoslávia a tristeza é maior ainda. Estaria ele melhor se tivesse a ajuda dos antigos companheiros croatas Suker e Boksic?! Van Basten continua agitando os braços, enquanto os seus jogadores se movimentam. Olho para a arquibancada e penso que algum descendente de Bach deve estar apreciando a nova música. A Holanda nos deixou bêbados naquele dia. Não precisamos nem do já tradicional chopp na saída do estádio. Leipzig, 11/6/6 – Holanda 3x0 Sérvia



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 19h05
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Qual a capital da Eslováquia?

Bolonistas apreciadores das artes....

Não é porque eu gostei de Gelsenkirchen. Mas podia ser. O fato é que os Estados Unidos já fizeram a terceira peleja, contra Gana, mas ainda não estrearam. Estranho? Na nossa copa do mundo pouca coisa é estranha. Nosso editor deve ser um chato. Todo mundo reclama. Mas como o Daniel não tem ido aos estádios, prefere ver museus, os jogos ficam concentrados com um, dois ou três cronistas. A tarefa é árdua. Mas a cidade é bem hospitaleira, para quem torce para o Shalke, evidente. Eu tinha um coelho na cartola, que era a camisa do Galo que o Lincoln vestira anos atrás. A torcida azul venera o brasuca e não entende porque Parreira nunca o convocou. Nem tentei explicar, achei que perderia algumas rodadas de chope.

Novamente fomos ao Arena. República Checa, absurdamente favorita, e Estados Unidos da América, absurdamente com todos torcendo contra. Uns poucos americanos tentaram hastear bandeira. Apupos de fora Bush ecoaram pelo Estádio. Uma bandeira da Palestina. Uma afegã, ao longe. Os checos estavam em plena primavera em Praga. Felizes. Nedved é a estrela. Milan Baros também. O time é tinhoso. Mas lembra a nossa Lusa, que sempre joga bem, dá toquinho e as vezes espetáculo, e definha na reta final. As Eurocopas recentes confirmam a teoria. Quando a Lusa deu espetáculo? Escrevi porque achei boa a comparação e o time que perdeu a final para o Grêmio jogava bonito, tinha o Zé Maria, o Zé Roberto, o Rodrigo Fabri. Quem? Bom, não importa neste momento. A história checa nas copas é marcante, quando viviam junto aos eslovacos. A Tchecoslováquia foi vice campeã duas vezes, se não me falha a memória, uma delas perdeu para Garrincha. E o time sempre chegava. Favoritos. Os estadunidenses pagavam 15 por um em Londres.

Os EUA compraram cadeira cativa nos mundiais. Depois de anos nas trevas, os americanos perceberam que as eliminatórias da Concacaf são o supra sumo do fácil. E esta experiência em copas faz o time americano sonhar com segunda fase. Na copa passada não fizeram feio. Mas, convenhamos, os Estados Unidos disputariam a Série B do Brasileirão. E Claudio Reyna deve estar na disputa de sua milésima copa. Exagero? Acho que não. O goleiro americano Keller é querido por aqui. Defende as cores de algum time local, um dos Borussia. Vou pesquisar antes de finalizar o texto.

O jogo? O jogo foi aquilo mesmo. Nedved fez uma partidaça. Keller também. Baros marcou o primeiro, logo aos quinze do primeiro tempo. Keller defendeu uma penalidade aos dezoito. E Nedved fez o seu, em jogada simples, mas simpática. O craque da Juve não voltou para o segundo tempo, não deu para saber se por contusão ou precaução. Aos vinte da etapa derradeira, Keller impede um gol que Peter Cech, aos vinte e oito, não conseguiu evitar. Donavan fez o gol americano, vaias estridentes. Bruce Arena faz umas alterações e bem que tentou o empate. Era outra tarefa ingrata. Fim de peleja, Checos 2 x 1 Eua. Gana já ganhou da Itália e sabemos que vencerá os Estados Unidos. Daqui deste grupo sai o adversário do Brasil. Grupo enjoado esse... Antes de ir, é o Moenchengladbach o Borussia do Keller, candidato a melhor arqueiro da primeira rodada.

Gelsenkirchen, 12.06.06 – Rep. Checa 2 x 1 Estados Unidos.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 23h56
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Brasil e Austrália

Pelo telefone ouço a voz angustiada do nosso editor. Porra Renato, tu não vai trabalhar mais não? Só quer saber de chucrute e cerveja? Aquela suíça que tu me enviou as fotos já deve ter cansado, chega meu! Desde o dia doze tu tá na manha e eu preciso de alguém em Munique pro jogo Brasil e Austrália. De fato, engordei em tempo recorde e a loirinha, digo, a loiraça suíça que descobri no bar do amigo Gunther já havia me deixado por um jornalista cubano, bebo com ele quase todo dia e o safado além de grande é folgado, me mostra as fotos dele com a loira e me oferece um charuto como desculpas. Rubens tenta popularizar o esporte em seu país e corre a Alemanha cobrindo a Copa, ele próprio poderia ser jogador pelo tipo atlético. Aceito o charuto irônico e o grande abraço bêbado, fazer o que?!

Peguei o trem para Munique e fui assistindo no computador portátil ao filme do Vinícius e depois Habana Blues, ambos em cartaz no começo do ano. Vinícius me fez chorar. Eu tinha tomado umas antes da viagem e o coração amoleceu, o Chico é foda! Inclusive esqueci as cervejas por uns instantes e pedi um uísque no bar. Viva o Brasil, vou assistir ao jogo da seleça, lembrei, valeu pelo esporro chefinho!

Uma da tarde do dia 18 de junho, Munique, estádio Allianz-Arena – espetáculo! O Brasil entra em campo com o time completo e a Austália, juro tive que estudar, veio com Schwarzer, Lucas Neill, Tony Vidmar, Vince Grella, Chipperfield, Archie Thompson, Tony Popovic, Harry Kewell, Brett Emerton, Mark Viduca e Jason Culina, sob a batuta de Guus Hiddink.

O apito inicial, bola do Brasil e a Austrália inteira, digo inteira, no campo de defesa, nem um jogador correu em direção ao campo ofensivo. Explico. A bola saiu do primeiro toque dos pés de Adriano para Ronaldinho, esse recuou rapidamente para o Gaúcho que esperava na tangente baixa do grande círculo, carregou enquanto a dupla de ataque corria para a posição de suas preferências, Adriano levemente caído pela direita do ataque e Ronaldo pelo centro. O pavor tomou conta dos Australianos. Pareciam pensar, mas já?! Kaká apareceu ao lado do Gaúcho e fintou tocando numa inversão para Roberto Carlos, esse não teve paciência para apurar melhor o pânico dos adversários, com o espaço aberto emendou uma bicuda na coitadinha que morreu na arquibancada baixa do estádio. Se foi verdade a história, parece que um alemão tentou encaixar como goleiro a bola e teve que ser atendido no departamento médico do estádio. Passa Bem.

O resto é só alegria, mas sem goles – correção de estilo devido ao editorial. Austrália, como todos sabemos, faz bom campeonato lá na Oceania e conseguiu ganhar do Uruguai, que, pena, não montou um time combativo e perdeu a improvável peleja deixando de ir pra Copa, menos charme e tome chutaço pra longe da área. A Seleção Canarinho tenta por todos os lados e com beleza e leveza, os toques são rápidos e precisos, salvo algumas tentativas pela direita, que não alcançam a cabeça de Adriano que tenta por cima várias vezes, a pelota é tratada com carinho.

Ronaldo, o Gaúcho, faz apresentação de gala, corre o campo todo e não erra quase nenhum passe. Seu único erro desperta o solitário contra-ataque da seleção australiana e até que o Dida teve que se virar. Roque júnior entrou trombando de lado com Lúcio que era o dono da jogada e Viduka, grandão e meio esquisito, passou pelos dois sem dificuldade, chutou ingênuo, muito antecipadamente para o gol do Brasil, mas obrigou Dida a pular na esquerda do gol e, precavido, jogar a bola pra escanteio. Viduka faz cara de arrependido, acena para o banco. No Brasil inteiro, soube depois, todo mundo falou, já vi isso antes...

Fim da primeira etapa.

O time brasileiro muda no segundo tempo, sai Cafu, que dividiu uma bola e sentiu a coxa, pois é, e entra Cicinho. Juninho Pernambucano vai pra volança no lugar de Zé Roberto, os jornalistas se olham, balançam os ombros, mas vai entender o Parreira...

Deu certo, jogada ensaiada de falta, Ronaldo Gaúcho sai da bola e Juninho acerta o ângulo de Schwarzer. A Austrália, que subiu igual, sai mais e permite mais espaços. Gaúcho toca para Adriano, esse passa de prima na intermediária para o Fenômeno e aí é brinquedo, dois zagueiros, um toque, gol e goleiro, bola baixa e no canto, já vimos antes. O time se convence e sobe nas tamancas, passa de trivela, triangula, Lúcio vem de trás driblando e chuta a gol, Cicinho brinca de tiro a gol com Roberto Carlos, um joga a bola pro outro, matada de peito e nova inversão. Zagallo enlouquece e Parreira não sai mais do banco. Termina assim, dois a zero, um monte de menino feliz e eu doido por uma cervejinha.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Renato às 16h13
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Vamos bolonar?!

Bolonistas, vamos bolonar?!
Seguem palpites, afinal, começamos isso para palpitar...
Campeão:
Paulista - Palmeiras
Carioca - Fluminense
Mineiro - Cruzeiro (sorry, Frank)
Gaúcho - Inter
Copa do Brasil - Cruzeiro
Copa dos Campeões - Barcelona
Espanhol - Barcelona
Italiano - Juve
Alemão - Bayern Munich
Libertadores - River Plate (a sina dos anos terminados em 6)
Recopa Sulamericana - São Paulo






Escrito por Jubas às 10h33
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O juiz? Nem amarelo deu.

Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Escrito por Demas às 10h10
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Crônica de um domingo anunciado

 

Bolonistas do Beirute Futebol Debate,

Domingo a noite. Os gols na televisão. Nem jantar, nem Fantástico. Nem filme. Muito menos seriado. Não tem jeito. Me irrita, profundamente, que a goleada entre Fortaleza e Ceará, seis a três para os tricolores, tenha apenas um dos gols, um dos nove, mostrado no programa noturno. Será que não havia espaço na programação para passar os nove gols? Será que não tinha espaço para uma matéria de algum repórter dizendo isso ou aquilo do jogo? Não, óbvio que não. A grade está cheia e é necessário apresentar o quadro sobre o Big Brother sei lá o quê, ou, pasmem, sobre as Olimpíadas de Inverno de Turim! Inverno! Neve!!!!! Definitivamente não entendo mais nada. No amazonense, o Fast ganhou do Princesa, por um a zero.

As mesas redondas andam insuportáveis. Digo isso com um nó no coração. Mas é intragável o jeito que os "mesadebatedores" tratam as informações do futebol. E olha, temos assunto. Mas os tubos, conexões, cabos elétricos, aquecedores de água, meias, calções e um hipermercado de super ofertas. Ricardinho fez uma estréia notável e colocou no campeonato paulista um ponto de interrogação: Ainda dá para o Timão? O Corínthians saiu de Americana com goleada, mas saiu com Ricardinho, Nilmar e Tevez. E Rosinei. Sei não, se embalar corremos riscos de ter que agüentar a fiel torcida nos aporrinhar de forma aviltante. O Flamengo empatou e merecia ganhar, mas o Fluminense tem Petkovich e esse aí joga, quando quer, mas joga. Resultado, o carioca é um campeonato interessante. E o Romário fez mais um. Mas deu América e o diabo é que é bom ver o Vasco dançando feio. Culpa do Eurico. O Verdão vai bem, obrigado. O desafio é não tropeçar nos clássicos. Edmundo jogando é um perigo, sabemos. O Tricolor Mais Querido empatou. Tudo bem, começo de campeonato, time perdendo jogador, cabeças no Japão. Mas que o Fabri podia jogar um pouquinho mais, podia. E o Tiago podia ter mais sorte. Joga bem esse Tiago, dá gosto.

Enfim, Náutico ganhou e o Santa Cruz empatou com o Sport. Em Minas, o Cruzeiro não consegue vencer o Ipatinga, de jeito nenhum. E o Galo... bem, o Democrata de Sete Lagoas é o líder do certame. Ganhou de três do Galo, mas tá embalado... Eita fase ruim que não acaba, sô! Dá tempo, ainda, de ver o Real Madrid ganhar com gols de Robinho e de Cicinho. E o Barça de Messi ganhar, para variar. Vejam o passe de Ronaldinho para o terceiro gol, coisa de cinema, mais uma coisa. O Sergipano, alguém me pergunta. Não sei a classificação, mas leio: o Confiança ganhou de cinco do Riachuelo. O Sergipano está pegando fogo.

Dizem que futebol é coisa para loucos. Se é, não sei. Mas o domingo a noite é dia de gols. Que se lasque que amanhã é segunda feira. Se bobear ainda dá para achar algum canal que passe o teipe da derrota do Fogão para o Voltaço. Pena que os quatro gols do Treze sobre o Nacional só possam ser vistos lá em Campina Grande. Soube do resultado pela rede, mas perdi os gols. Fazer o que? Vai lá e escreve, tem sempre alguém querendo saber quem ganhou o clássico Vila Nova e Goiás. Ninguém, deu empate, 2x2. Acabei de ver os gols, todos os quatro.

29.01.06



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 23h55
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Estão parecendo sãopaulino....
 
LOS ANGELES - Marcar 30 pontos como Kobe Bryant fez contra o Golden State Warriors não é nada mau para um jogador comum de basquete. Mas depois de ter feito 81 pontos contra o Toronto Raptors, o ala-armador do Los Angeles Lakers acabou fazendo história de outra forma nesta sexta-feira. A queda de 51 pontos entre um jogo e outro foi a maior da história da NBA.

A marca anterior era do ala Rick Barry. Em 1974, defendendo o Golden State Warriors em dois jogos contra o Portland Trail Blazers, ele marcou 64 pontos numa partida e, na noite seguinte, fez 16: uma queda de 48 pontos.



Escrito por Pedrão às 20h55
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Não é futebol mas vale a postada.

Kobe Bryant marcou 81 pontos, o segundo maior recorde individual da história da NBA, na vitória do Los Angeles Lakers por 122 a 104 sobre o Toronto Raptors no domingo.

Somente Wilt Chamberlain marcou mais. Ele fez 100 pontos pelo Philadelphia 76ers contra o New York Knicks, em 1962.

O recorde anterior da carreira de Bryant era de 62 pontos.

O cara é foda...



Escrito por Pedrão às 13h33
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Bueno, esse gênio.

Depois dizem que eu pego no pé do Galvão, mas dêem uma olhada na enquete promovida em seu site (http://galvaobueno.globo.com/).


Romário chegará ao milésimo gol antes de parar de jogar?

Sim
Não

Ver resultados | Votar

Depois de parar eu tenho certeza de que ele não chega.



Escrito por Demas às 10h30
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Marcel Mauss

Bolonistas:

Foi o Torero que deu a dica. Segui e não me arrependi. Convido todos a conhecerem o caroço. O caroço? Não, o Caroço. O Caroço é um pusta blog legal sobre futebol. Uma bela descoberta.

Não bastasse ser um belo blog, o Caroço está promovendo um concurso aberto a todos que queiram arriscar o "seu jogo inesquecível". Belíssima idéia.

Meu booker diz que um texto do Amaral não está valendo nada, é pule de dez. Seria o primeiro prêmio do blog. Amaral, intime-se!

O link (Renatão, agora é contigo: incorporemos o Caroço!) é http://www.carocoblog.blogspot.com/

Segue meu diálogo com o Caroço:

Demetrius disse...
 
Olá, pessoal do "Caroço", parabéns pelo belíssimo blog. Diferente, bem feito, bem escrito. Excelente. Assim como é excelente a idéia do concurso "meu jogo inesquecível". Convido-os a dar uma passadinha pelo nosso blog (http://osbolonistas.zip.net). É um blog coletivo de amantes da bola e neste momento estamos cronicando todos os jogos da Copa de...2006!! Já teve zebra, já teve goleada. Está bem divertido.

Um grande abraço e boa sorte.

Demetrius

27 Janeiro, 2006 11:08

 

EQUIPE CAROÇO disse...
 
Fala, Demetrius!
Adorei seu blog também. Grande idéia! Estou colocando um link no nosso CAROCOÇO RECOMENDA. Você não quer nos mandar um texto pro concurso? Seja bem-vindo.
Abraço,
Christian

27 Janeiro, 2006 22:42



Escrito por Demas às 00h42
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Parte 3 - A única razão de ser.

Em campo, dava-se o mesmo: o quadrado formado por Kallstrom, Alexandersson, Larsson e Svensson parecia coreografado: um avança, o oposto recua. Um cai pela esquerda, seu par corre aberto pela direita. Na frente, um espelho: Ljundberg foi ponta direita e ponta esquerda, em sintonia fina com Ibrahimovic, que foi ponta esquerda e ponta direita. Um concerto.

 

O outro lado não entendia o que se passava. Os jogadores pareciam confusos, mas todos nós outros que não estávamos diretamente envolvidos na batalha entendíamos o que se passava, claramente. Um time ruim com um craque suga dele a força para sentir-se maior. O astral do craque determina o ânimo geral. Quando o craque decide que aquele é o dia, os cabeças-de-bagre multiplicam seus poucos talentos. Mas o contrário também vale.

 

Gamarra está visivelmente machucado. Duvido que o admita, que o guarani é de um gênio impressionante. Mas está baleado. Ele não quer crer nisso, e nem pode. Os outros dez podem até crer, mas não podem admitir, senão definham qual fruta podre. Gamarra é a única razão de existir da seleção paraguaia.

 

Pois o defensor falhou em dois lances capitais: no primeiro, foi envolvido pela trama de Svensson e Ljundberg e deixou livre o esguio Ibrahimovic, que encobriu Villar, marcando um dos mais belos gols desta Copa.

 

A segunda falha foi tão triste que ficará tatuada em minha memória para sempre: Svensson lança Larsson em velocidade. O guarani sabe que não chegará, mas isso não o impede: corre no limite de suas parcas forças e se lança em um carrinho, tentando evitar um cruzamento mortal. Encontra no alto as pernas do jogador sueco. O árbitro nem mostra o amarelo: Gamarra é expulso do jogo. Juro que nunca sonhei com essa cena: Gamarra expulso em uma Copa do Mundo.

 

Não esperneou, não chorou, não discutiu. Não se abateu, não divergiu, não ironizou. Limpou o rosto na farda, cumprimentou dois ou três companheiros, e seguiu silente até o túnel. E sumiu.

 

Se Gamarra não se abateu, eu sim. Eu e os paraguaios, que levaram ainda mais dois gols, um de Svensson, de falta, e outro de Larsson, aproveitando um cruzamento pela esquerda.

 

Findo o jogo, o placar do Olimpiastadion mostrando 3 X 0 para os vikings, os paraguaios seguiram silentes até o túnel. E sumiram.

 

Não espernearam, não choraram, não discutiram. Não se abateram, não divergiram, não ironizaram.

 

Eu chorei um pouco.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 00h15
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Parte 2 - É praga, só pode.

É praga, só pode ser. O humor que dominava meu ânimo ontem em Leipzig mudou de cor quando soube que viria a Berlim. A Berlim que visitei em sonhos infantis. A Berlim que preenchia meu fascínio com parcelas iguais de medo e curiosidade estava a alguns quilômetros de meus pés.

 

Bilhete comprado e exatos 47 minutos depois estaria deixando Hauptbanhoff a caminho da capital unificada. Tempo para rever meu material e preparar um bom texto, que estou devendo. Meu primeiro segundo jogo. Estaria a Suécia empolgada após seus convincentes cinco tentos? Svensson pode ser aquele nome que sempre aflora em Copa, desbancando medalhões (lembremos que neste mesmo grupo Beckham já perdeu penal)? E o Paraguai? Gamarra já está melhor? Pois, claro como o Ricardo, aquela história de fingir contusão provou-se uma farsa: o zagueiro está baleado mesmo.

 

Bem, estava lá com meus pensamentos quando notei que se haviam passados 50 minutos. Pensei: “Putz, perdi o trem”. Antes fosse, bolonistas, antes fosse.

 

Sempre ouvi dizer que os alemães não se atrasam. Quantas vezes ouvi um pastel dizer: “Lá tem uma tabelinha ao lado do portão: 22: 48. Quando bate 22:47 no relógio, pode olhar, o trem chega”. Chega? Chega o escambau! Meu trem atrasou quatro horas e quando enfim embarquei, creiam, bolonistas, meu vagão cheirava a bosta fresca.

 

O resumo da ópera é que cheguei em cima da hora. Da estação berlinense um táxi para o Olimpiastadion, direto. Estou em Berlim e não vi nada, a não ser o interior de um Mercedes Benz novíssimo. Só pode ser praga, só pode ser.

 

Bem, ao que interessa: a entrada em um estádio de futebol como o Olimpiastadion em jogo da Suécia deveria ser uma obrigação universal, como Meca para os muçulmanos. É arrepiante. 75 mil vikings gritando como se estivessem amedrontando inimigos em uma guerra improvável: ao invés de lanças e escudos, canecas cheias e bandeiras auri-anis. Mas as pinturas na face, os colos descobertos e os chapéus pontudos imprimiam àquela paisagem uma sensação de guerra. Simplesmente não vi paraguaios na assistência. Se houve, não vi.

 

O apito trina e o barulho se torna absurdo, inexplicável. Não havia alteração – como há em nossos campos – no volume dos apupos e afagos quando a equipe sueca atacava ou recuava: era um uníssono alto, um grito eterno.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 00h14
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Parte 1 - O chefe mandou.


[Amaral][fergaa@uol.com.br][Os Bolonistas]
Dequinho.... o texto inteiro, manda. O dono do blog tá enchendo o saco. Sem texto inteiro não reembolsam a passagem!!!

27/01/2006 22:08

[Deco]
Bolonistas: não posso deixar de fazer um desabafo. Está sendo uma experiência um pouco frustrante esta "Nossa Copa do Mundo". Nda contra a experiência em si, mas contra as limitações digitais de nosso diário. Juro que gastei mais de quarenta minutos cortando esse texto aí atrás até a porra do blog aceitar o tamanho. resultado? Não reconheço esse texto como meu!!! Caralho, no meu texto eu até falava sobre cheiro de bosta fresca no vagão do trem. Saquei uma expressão genial, algo como "isto é claro como o Ricardo". Faleu do táxi em Berlim. Enfim, me diverti escrevendo o texto, mas não me divirto com o que me deixaram publicar. Convenhamos, os textos biou tripartidos tornam um saco a leitura. Não tem como aumentar o tamanho do texto, por que - na boa - QUE DIFERENÇA FAZ???? Se eu posso repartir o texto em mil partes, por que cada post deve ter x caracteres? Bem, taí um resumo mal humorado do texto que havia feito. Tenho o original, pra quem tiver saco. Ih, olha lá, já vão me cortar de nov

27/01/2006 20:32



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 00h10
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Atualização

Bolonistas piramidais:

 

Estranho evento uma Copa: destrói carreiras em velocidade maior do que as constrói. Não digo apenas as de treinadores ou boleiros, mas as de especialistas, astrólogos, apostadores. Se futebol não é um jogo, certamente a Copa não é uma competição. É outra coisa.

 

Segue a coisa:

 

Grupo A:

Alemanha 1 X 2 Costa Rica

Polônia 0 X 1 Equador

Grupo B:

Inglaterra 2 X 0 Paraguai

Trinidad e Tobago 1 X 5 Suécia

Grupo C:

Argentina 3 X 1 Costa do Marfim

Grupo D:

Angola 2 X 3 Portugal

Grupo E:

Gana 2 X 0 EUA

Itália 2 X 3 Gana

Grupo F:

Austrália 1 X 1 Japão

Brasil 1 X 0 Croácia

Grupo G:

Coréia do Sul 4 X 0 Togo

França 4 X 1 Suiça

Grupo H:

Tunísia 6 X 4 Arábia Saudita

Espanha 0 X 2 Ucrânia



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 17h37
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Quaiaquil ou Quayaquil?

Bolonistas empolgados,

 

 

Antes, explico, foi muito fácil me divertir em Gelsenkirchen. Bela cidadela medieval, um dos centros históricos mais impressionantes do já impressionante continente europeu. Cervejarias interessantes e uma torcida para lá de fanática, a do Schalke 04. Foi uma camisa do Bordon, a de número 5, as lembranças que tinha do zagueiro nos tempos tricolores, que se não são excelentes estão longe de serem completamente horrorosas, meu inglês macarrônico e uma leve predisposição para beber cervejas que me fizeram ir ao estádio em uma turma bastante simpática. Como sabia informações relativamente úteis sobre o time do Equador, pude compreender um pouco do futebol polonês na ótica germânica. Não é nada, não é nada, mas convenhamos, Equador e Polônia é um jogo para aficionados.

 

Mas o grupo A é o grupo da Alemanha. Era visível o ar de abatimento após a derrota inexplicável para a Costa Rica. O jogo, então, se tornara uma obsessão para a imprensa alemã, para os torcedores e para a Copa, pois a FIFA não quer, nem de longe, imaginar o anfitrião fora do certame já na primeira fase.

 

O estádio, a Arena, é dos melhores da Europa. Para muitos, o melhor. Belíssimo estádio. Uma organização assustadora. Quem tinha tíquete entrava sem sobressaltos. Quem não tinha, danou-se, os cambistas estavam presos. O jogo? A apreensão no estádio era palpável. Se o Equador ou a Polônia mostra um futebol convincente a situação dos alemães na Copa ia ficar muito difícil. Mas, conhecemos o Equador. Longe de Quito ou do Morumbi, onde inexplicavelmente o time equatoriano joga bem, o Equador é um time modesto. Hurtado bem que tentou, mas nada conseguiu. O que se viu em Gelsenkirchen foi a definição exata da palavra injustiça. A Polônia massacrou. Sim, Olisadebe, um negão forte e polonês, aprontou todas e mais um pouco para a defesa sul-americana. Que foi se agüentando, sabe-se lá como. O primeiro tempo ia acabando e o ar de pânico no estádio era evidente. A Polônia era Lato, Boniek e Smuda. Não era e aí ficou fácil entender o zero a zero no placar. Aguinaga estava ao meu lado, nas cabines, comentando para uma rádio de Esmeraldas. Será que ele não cabia no time, me perguntei.

 

O fato é que no segundo tempo o Equador fez 1 a zero. Gol de Augustin Delgado. A torcida festejou como se estivesse em Cuenca. Juro que vi alemães com a camisa do Barcelona, o de Quaiaquil. O que se viu depois foi um massacre polaco. Os nomes esquisitos de Smolarwek, Bieniuk, Rasiak invadiam a área equatoriana e nada. Tenorio ia fazendo o seu nome, me parece que o Leverkusen já teria um pré-contrato. Aos quarenta minutos, bola com Delgado, finta um, dois e três. Dudek salva, milagrosamente. Seria quase uma blasfêmia o segundo gol equatoriano.

 

Quatro minutos de acréscimo. A cidade de Gelsenkirchen não acreditava no que via. Aflição. Dudek, desesperado, corre para a grande área. Escanteio. Nada. Era a sina do jogo, a marca da maldade. Varsóvia em prantos. No último minuto, finalmente, o juiz apita. Não sem antes um frenesi pelo estádio, Dudek recebera amarelo. Fim de jogo. Equador 1 x 0, acreditem. 

 

09.06 – Gelsenkirchen.

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 16h13
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teoria da pirâmide

Uma das melhores superstições em Copas é a Teoria da Pirâmide.
A história é a seguinte: A Copa de 82 é o grande marco do futebol. É a partir dela que a maioria dos times saiu do ataque e rumou para o jogo cauteloso, representado pela Azzurra. Logo, tivemos a Itália campeã da "Copa AC/DC" do futebol: antes dela/depois dela.
Bem, antes e depois da Itália campeã tivemos dois títulos argentinos: 78 e 86. Antes e depois da Argentina campeã, dois títulos alemães: 74 e 90. Antes e depois da Alemanha, dois títulos brasileiros: 70 e 94. Antes e depois desses títulos brasileiros, tivemos equipes européias vencendo em casa: Inglaterra (66) e França (98) Foram, aliás, os únicos títulos vencidos por essas equipes. Enfim, antes e depois dos títulos dos europeus em casa, tivemos títulos brasileiros: 62 e 02. E antes e depois desses títulos brasileiros tivemos 58 (Brasil campeão) e, agora, teremos 06 (Brasil favorito). Se a teoria se confirmar, teremos Alemanha campeã na Copa da África de 2010, como foi em 54. E o campeão da Copa de 2014 que deve ser realizada no Brasil seria o campeão de 50. Peraí, o campeão em 50 foi o Uruguai e ganhou em pleno Maracanã. Logo, teremos Lugano erguendo o troféu no Maraca?!!!! É isso que a teoria diz.


Escrito por Jubas às 15h47
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Zidane olha para o nada?

Cheguei às arquibancadas vermelhas de Stuttgart com o já tradicional guia da Copa. Digo tradicional porque já revirei-o tantas vezes nos quartos de hotel, estudando escalações e lendo curiosidades que suas páginas estão amarrotadas, suas bordas um pouco rasgadas e o guia, antes plano, tornou-se curvado depois que apoiei um caneco de chopp na comemoração da estréia brasileira em Berlin. Não era o chopp Kaiser do Franklin, mas era muito cremoso. Desculpe, Franklin! Estamos na Alemanha e aqui não dá para competir em termos de cevada. Em termos de futebol, dá. E o desafio, hoje, que me passaram é cobrir França x Suíça. Dei sorte na escolha do assento. Estou exatamente à frente da seleção francesa. Na verdade, olho adiante e dou de cara com Zidane. Ele está a uns 200 metros. Esqueço os outros jogadores e me concentro no Zinedine. Não é todo o dia que se vê um craque. Digo, um cracaço, daqueles que você pode contar aos netos: Um dia, vi Zidane jogar. Meu pai me contou que via o Pelé nas suas férias em Santos. Vi, uma vez, Maradona no Morumbi. E agora, vejo Zidane. E Zidane está sério. Me parece raivoso. Por que será? Tento encontrar o motivo e, logo, vem a resposta. Lembro-me de Zidane comendo grama num estádio do extremo oriente. O jogo com a Dinamarca era a sua estréia na Copa. Zidane caiu naquele dia com a sua seleção, antes campeã. Caiu com ele grande parte do respeito que todos tinham pelo futebol francês. O time que humilhou o Brasil foi humilhado por Senegal e depois pela Dinamarca. Zidane caiu do céu de quem foi por três vezes o melhor jogador do mundo para a grama. Ele comeu a grama de um estádio oriental. E não gostou. A marselhesa toca com Zidane sério em primeiro plano. O adversário é a Suíça que vem motivada historicamente. É que o estádio de Stuttgart é quase uma casa Suíça. A seleção “neutra” fez aqui o primeiro jogo da Alemanha do pós-guerra, em 1950, e o primeiro jogo da Alemanha unificada, em 1990. A Suíça tornou-se, assim, uma seleção irmã de Stuttgart. Vejo que a torcida, em sua maioria, torce para a Suíça. O presidente da Fifa, Joseph Blatter se emociona com o hino suíço. Já os alemães ficaram quietos e respeitosos com a marselhesa, o hino que se voltou contra o período vergonhoso da maior tirania nazista. Aqui e sempre, a marselhesa impõe respeito e admiração. Mas, Zidane não parece se impressionar com nada. Zidane está fulo e veio para voltar a ser rei. O jogo começa com o tradicional estudo de esquemas táticos do futebol europeu. A Suíça tenta com Vonlanthen e Frei, os solitários atacantes. A defesa francesa tira com Thuram e Gallas. O meio campo francês toca a bola com Vieria e Boumsong. E Makelele passa a Zidane que lança Henry. Vogel tenta a falta, mas erra o carrinho. Então, Henry fica cara a cara com o goleiro Zurberbuehler. Silêncio e apreensão no estádio. Ao invés de tocar no canto, Henry encobre o goleiro. A bola voa em direção ao gol, mas morre na trave, de onde sobe mais ainda e Zurberbuehler salta para pegá-la. Ele sofre falta de Wiltord e fica no chão por cinco longos minutos. É preciso esfriar a França. Zidane reclama com o juiz, que lhe ignora. Zidane faz um gesto para o banco de reservas, indignado com o juiz. E toma o cartão amarelo. Não é porque Thristo Bagalius nasceu em Chipre e ganha o humilde salário de policial que irá aguentar os estrelismos do craque galático do Real Madrid. A Suíça arrasta o primeiro tempo até o zero. No intervalo, Zidane sai com o olhar fixo. Parece que ele vislumbra o nada. Tento imaginar no que ele está pensando. E, com esse mesmo olhar, Zidane volta para o segundo tempo. Leio no meu manual que a França empatou com a Suíça nas eliminatórias: 1 x 1. Foi o jogo que classificou os franceses. E levou a Suíça a jogar a repescagem contra a Turquia: uma guerra. Istambul quase matou os suíços após os 4x2 que inacreditavelmente classificaram a seleção do país de Joseph Blatter ao mundial. O segundo tempo começa nervoso e Thristo dá uma falta inexistente de Makelele em Vonlanthen. Indignação na França e novo cartão amarelo, desta vez para Thuram. Zidane olha a cobrança de longe. Vogel bate no alto, por cima da barreira e faz: 1x0. A Suíça então, tira Frei e põe Huggel. É preciso segurar o jogo. A França saca Gallas e põe Cissé. É preciso marcar gols. E foi Cissé quem driblou Huggel pela direita e tocou livre para Henry. Dessa vez, Henry não enfeitou. Ele imaginava uma trivela, quando num instante chutou seco. Arrematou o cruzamento numa bomba no meio do gol. Zurberbuelhler ficou imóvel. Viu a bola furar a rede e Thristo assinalar contra a sua vontade: 1x1. Foi o primeiro gol francÊs em copas desde 1998. Nos últimos dez minutos, a França dominava o jogo com um fabuloso toque de bola. A Suíça não tinha mais contra-ataque e torcida alemã via impassível uma irremediável vitória francesa. Num cruzamento de Vieira, Wiltord faz de cabeça: 2x1. Novo lance pela direita de Cissé e novo arremate de Henry, agora de letra: 3x1. Nos descontos, Thristo finalmente marca uma falta para a França. Zidane, que não vibrara em nenhum gol, ajeita a bola. Ele reclama da barreira, o juiz ameaça expulsá-lo. Thuram pede para cobrar. Quer poupar Zidane. Mas, Zidane diz: essa é minha. E empurra Thuram, o capitão do time. A França vence por 4x1. Zidane marca o primeiro gol desde que aquela bola passou entre as pernas de Roberto Carlos, enganando Taffarel. Saio das arquibancadas vermelhas de Stuttgart com uma certeza: a Copa tem outro forte favorito.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 11h18
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CAMPANHA CÍVICA

Cicinho, Amoroso, Grafite, Cristian, Aloísio e agora talvez Josué e, a qualquer momento, Lugano. Por que a excelente diretoria do São Paulo não vende (que é o que eles sabem fazer bem) a vaga da Libertadores para o Fluminense. Desta forma não maculamos a magnífica história tricolor neste certame e ainda levantamos um bom dinheiro para a reforma da pista de Bocha, atual prioridade da diretoria.

Escrito por Ogro às 12h40
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Credo em cruz.

Confesso que chiei quando nosso editor-chefe mandou esta: “Deco, cê vai pra Leipzig: Espanha e Ucrânia”. Chiei, confesso: “Putaqueuspa, Amaral, ainda não conheci Berlim”. “Bitchô, é ocê mesmo”. “Então manda cinco razões”, blefei.

 

Nosso editor soltou uma risadinha e arriscou, tinha estudado o nosso amigo: “Dequinho (ele sempre usa o diminutivo quando vem chumbo grosso), é a única cidade da Alemanha Oriental nessa Copa, bitchô, DDR, coisa e tal”. “Melhore”. “A Federação Alemã de Futebol foi fundada lá, isso dá história”. “Enhrnerrnn”, eu disse, querendo dizer algo como “enhrnerrnn”. “Dequinho (lá vem mais casca), o primeiro campeão alemão, porra, o VfB Leipzig, cê até tem a camisa da Toffs. 1903!”, gritou um pouco. Senti minhas canelas afundando num pântano – tentei ganhar tempo. “Foram três, Fernando – mais duas”.

 

Ele pressentiu a vitória ali. Soltou uma risada e sustentou o jogo: “Lokomotive, 86/87, Final da Recopa. Antes do Muro, antes do Muro!”. Já tinha perdido, mas lancei, por esporte, minha última carta: “Mais uma razão, chefe, ou nem compro o bilhete”. Uma gargalhada triunfante e o xeque-mate: “Auerbachs Keller, fundado em 1525, freqüentado por Goethe, cenário de Fausto, cerveja local: gose”. Nem me despedi.

 

Aqui estou, em Leipzig, enviando aos Bolonistas algumas linhas sobre o jogo Espanha versus Ucrânia, pelo Grupo H. Foi um jogo patético.

 

A Ucrânia nunca havia jogado uma Copa e agora sabemos o porquê. Tem só um jogador, o Shevchenko – que em qualquer equipe séria seria reserva do Luís Fabiano –, já que Fedorov e Checher só servem à piada.

 

A Espanha é aquela palhaçada: são sempre potencialmente ridículos, tremem como varas de bambu ao vento quando ouvem seu hino. Neste ano, como se não bastassem os chistes clássicos que envolvem “A Fúria”, vêm com Xabi e Xavi no meio e os jogadores mais corajosos que já vi à frente: Raul, o Guerreiro Que Nunca Treme, e Luiz Garcia, A Fortaleza Que Não Se Abate. Sorte que os espanhóis contam com um craque: Puyol, o zagueiro mais técnico e classudo desta Copa ou de todas as outras, anos-luz à frente de Gamarra e Nilton Santos.

 

Não deu outra: Ucrânia 2 X 0 Espanha, os dois marcados pelo atacante do Milan. Só não foi um chocolate porque Casillas é muito bom – disputaria vaga com o Silvio Luiz em total igualdade de condições.

 

(Mandei esse texto ao nosso editor-chefe e ele achou que foi feito de má vontade, que não caprichei etc. Argumentei que realmente queria ir a Berlim, achei a Alemanha Oriental um saco e que assistir a Espanha e Ucrânia ninguém merecia. Adiantei que nem iria dormir na cidade, estava indo direto à estação de trem. “Ah, a Hauptbanhoff, a maior estação de trem de passageiros da Europa”. Nem me despedi).



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 22h44
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10 notas sobre um aniversário.

Bolonistas sebastianistas:

 

Alguns fatos sobre a preliminar da partida SPFC versus Juventus, hoje, no Morumbi, pelo Campeonato Paulista:

 

1. De um lado, sob a alcunha Seleção 92/93 e uniformes brancos, Raí, Muller, Leonardo, Palhinha, Ronaldão e companhia.

 

2. Do outro, a Seleção Master, sob o fardamento de listras verticais, com Terto, Zé Sérgio, Pita, Zé Teodoro, Darío Pereyra, Pedro Rocha e outros clássicos.

 

3. O Resultado: 2 X 0 para os mais novos. O primeiro gol foi de Leonardo.

 

4. O mais aplaudido: Raí. O menos aplaudido: Neto. Neto? Neto, aquele. Ele jogou pelos bicampeões, mesmo só conhecendo o Japão por fotografia.

 

5. O segundo gol foi do Neto.

 

6. Raí: “Fiquei impressionado com a facilidade com que eu, o Leonardo, o Muller e o Palhinha tocamos a bola. Passou um grande filme na cabeça. Nós quatro conquistamos muita coisa aqui. Tenho a impressão que, se daqui a 30 anos nos reunirmos para jogar, será tão fácil quanto hoje”.

 

7. Muller: “Dá saudade de voltar”.

 

8. Neto: “Sou mais valorizado aqui no São Paulo. No Corinthians, não me deixam nem entrar”.

 

9. Padre Marcelo Rossi (hein?): “O Rogério precisa ser convocado para a seleção. Não para fazer parte do grupo, mas para ser titular no lugar do Dida”.

 

10. Eles ainda cabem, não cabem?

 

 



Escrito por Demas às 21h34
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Aniversário de e do São Paulo...

Bolonistas de alma feliz,

Queria ter ido muito mais a estádios de futebol. Gosto do jogo, mas não só. Gosto daquilo que está lá, que gera o papo entre pessoas desconhecidas, aparentemente desconhecidas. Gosto de olhar o jogo e não só de assistir. E de torcer, por um lado ou por outro, exceção dos jogos do Tricolor, que aí tem só um lado mesmo. Já fui a muitos estádios. A Rua Javari e a Comendador Souza, estádios do Juventus e do Nacional. O Teixeirão em Rio Preto. O Santa Cruz, de Ribeirão. O Ulrico, a Caneleira e o Urbano, em Santos. O Maraca, o Barão de Serra Negra. A impressão que tenho é que em cada um desses lugares algumas das mais pitorescas histórias tiveram lugar.

Gosto de times, também. De uns tempos para cá adotei o Assisense. Ninguém dos parentes de minha mulher que moram em Assis dá a menor pelota para os times da cidade. O único fã confesso sou eu, que moro a 450 quilômetros de distância. Assis tem outro time, o VOCEM, que também tem minha torcida. Gosto do América de Rio Preto, já disse. Acho que todos tem um América lá no fundo da alma. Gosto de nas viagens adotar algum time local durante minha estada. E foi assim com o Alecrim de Natal, o 4 de Julho de Piripiri, o Botafogo de João Pessoa, o Treze e o Central de Caruaru. No Rio, já gostei mais do Flu, hoje sou Olaria, convicto. Náutico, Remo, Fast Clube, Operário, Vila Nova. Na loteria, tem jogo do Ferrinho, me estrepo. Não consigo cravar outra coluna que não a do Ferroviário, seco.

Evidente, é o Morumbi o estádio que mais gosto. Mas este não conta, é lugar santo. De lá tenho boas, ótimas, ruins e horrorosas recordações. E recordações extra espetaculares, que são os dois títulos da Libertadores em que estive lá. E outra, também extra espetacular, mas acompanhada da televisão, no chocolate contra o Atlético do Paraná. O Baltazar ainda me dá náusea, é verdade. O Morumbi é um estádio gigante. Assim como Raí. O Pacaembu é o estádio perto de casa e por esta razão, talvez, incontáveis vezes estive lá. E o Canindé, onde vi a Lusa e vitórias do mais querido, fica perto do metrô. Escrevo estas linhas para dizer que o futebol é algo que se curte, se gosta e se bebe. Talvez por isso não entenda aqueles que querem acabar com os campeonatos estaduais, pois tirar as chances do XV de Jaú, do Democrata e do Brasil de Pelotas é acabar um pouquinho com o futebol, é secar a fonte, é fazer com que assistamos um tristonho Manchester e Blackburn na televisão por absoluta falta de opção. E é sempre bom quando o time que a gente gosta vence.

Hoje, pela primeira vez acho, o América de Rio Preto foi lá e trouxe o caneco. É o meu time de botão mais vezes campeão paulista, depois do Tricolor, é óbvio. O escrete rubro de Marinho Rã, Luis Fernando e, agora, de André Zuba, um goleiro que no mais das vezes defende pênalti, cobra pênalti, bate falta e faz gol... Ou seja, não é o Rogério Ceni, mas ganha taça também. Obrigado pela lembrança, Ogro. Muito obrigado.

Enquanto isso, pelo radinho, ouço o Tricolor em pífia partida perdendo do Juventus, em pleno Morumtri, no dia de aniversário oficial.... Queria ter ido mais vezes ao estádio, enfim. Desligo o rádio, irritado, o dia perdeu a graça. Perdeu? E daí? Vou lá escrever no diário, que o América merece. Futebol é um jogo? Sei lá, acho que não.

25.01.06



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 17h19
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HOMENAGEM AO AMARAL

VIVA O DIABO RIO-PRETANO, CAMPEÃO DA TAÇA SÃO PAULO DE JUNIORES!!!

e vivam os Américas!!



Escrito por Ogro às 16h27
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Atualização

Bolonistas astrólogos:

Assim vai a Copa: muitos gols, um novo nome, algumas apostas e a eterna ponta de preocupação.

Ei-la, mais cheia:

Grupo A:

Alemanha 1 X 2 Costa Rica

Grupo B:

Inglaterra 2 X 0 Paraguai

Trinidad e Tobago 1 X 5 Suécia

Grupo C:

Argentina 3 X 1 Costa do Marfim

Grupo D:

Angola 2 X 3 Portugal

Grupo E:

Gana 2 X 0 EUA

Itália 2 X 3 Gana

Grupo F:

Austrália 1 X 1 Japão

Brasil 1 X 0 Croácia

Grupo G:

Coréia do Sul 4 X 0 Togo

Grupo H:

Tunísia 6 X 4 Arábia Saudita



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 16h14
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Aí moçada, Romário fazendo 40 anos, já fez gol a dar com pau, vai chegar aos mil, mas de todos até agora,  qual o gol mais bonito do baixinho?

 
Brasil x Holanda (quartas-de-final de 94)
Brasil x Uruguai (eliminatórias 93)
Brasil x Uruguai (Copa América de 89)
Flamengo x Corinthians (elástico Amaral)
Barcelona x Real (encobrindo o goleiro)
Vasco x Flamengo (lençol no Zé Carlos)
Brasil x Suécia (semifinal de 94)
Fluminense x Guarani (bicicleta em 2003)
Brasil x México (voleio da entrada da área)
Vasco x Palmeiras (quarto gol na final da Mercosul)

 



Escrito por Pedrão às 10h23
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Jogos para a história

Bolonistas diários e imperfeitos,

 

Francileudo tem tudo para ser o maior goleador de uma copa do mundo. Sim, meus caros. Após a partida de hoje não restam dúvidas, o brasileiro tunisiano é o nome do gol na Copa do Mundo. As repercussões da partida, não são muitas, ecoam por todas as cervejarias de Munique. Fazia um calor danado, de rachar mamona. Mas o estádio tinha vários torcedores que pareciam nem ligar para tal fato. Tunisianos e Árabes estão vestindo casacos, pois a temperatura é quase de inverno. O jogo? Foi bom. Mas não foi lá essas coisas.

Esta história que no futebol não tem mais gente ingênua, não tem time bobo, me parece justificativa para o improvável. E o improvável, no futebol, sempre existiu. O Moleque Travesso na década de 60 era um time ingênuo? Havia ingenuidade na Ferroviária de Bazani? A Coréia do Norte que venceu os italianos era um time bobo? Enfim, o bom do futebol é que algumas vezes o improvável ganha. Não há estatística confiável, mas desconfio que as zebras nem aumentaram, nem diminuíram, ao longo dos anos. Portanto, esta história de time bobo é para boi dormir. Tunísia e Arábia foi um jogo ingênuo.

Francileudo, o dono do jogo, todos sabem, é dos maiores artilheiros do globo. Marca gol em todos os jogos do time da Tunísia e é figurinha carimbada nas partidas de bafo em Túnis. Há bafo em Túnis, me pergunto? Mas os árabes jogaram daquele jeito de sempre, com muita, muita correria, sem nenhuma disciplina tática. Houve dribles incomuns e um ou outro jogador merece lá algum destaque da crônica esportiva mundial. Quando me deparei com o placar, Francileudo, 1x0.

Impossível elencar os times, a pronúncia sairia ridícula. Mais do que isso, nas fichas dos jogadores não reconheci nada de fenomenal. Estas primeiras partidas de Copa, com times de continentes distantes, são sempre jogos cativantes. Bons de assistir. Difíceis de comentar. Não há no time da Arábia Saudita jogada que não passe pelo camisa dez, mas, de fato, eu não sei quem é o camisa dez. Tentava lembrar dos nomes dos árabes do time derrotado pelo São Paulo no mundial. Esforço em vão. Desisti. A cerveja nesta copa está estupidamente gelada. Resolvi, então, prestar atenção no jogo e não no nome dos jogadores. O estádio de Munique, que beleza.

Lembrei que Francileudo marcara gols em todos os jogos da Copa Africana de seleções. 2x0, Tunísia. Há outros brasileiros no time tunisiano, acho que Clayton, o lateral, também é do Maranhão. Linda jogada árabe, 2x1. O goleiro norte africano erra na saída de bola, bola no pé do avante saudita. 2x2. Antes do fim do primeiro tempo o telão mostra uma sueca. Será porque? E nessa imagem bonita, Francileudo, 3x2. Cinco gols num único primeiro tempo. Pode-se falar em jogão. Mas não era. Embora fosse cativante.

Maria Sharapova. Não sei se todos gostam de tênis. Mas me pego pensando nos jogos de Roland Garros. A campanha da russa foi algo especial. Um deleite. Não ganhou o torneio, é fato. Mas, que campanha. Aliás, muito apropriada a idéia do nosso diário eletrônico de mandar alguns cronistas para fazer a cobertura do charmoso torneio de tênis. E não é que nessa divagação perdi o gol de empate dos árabes? Quando olhei para o placar eletrônico, cravado estava 3x3. Pensei comigo, este deve ser um jogo de quantos gols?

O calor ia derretendo a todos, exceto os apoiadores sauditas e tunisianos. Confesso que alguns reclamavam do frio. Acho que reclamavam, pois não entendo árabe. Francileudo, sempre ele, 4x3. O recordistas em gols numa única partida acho que é o russo Salenko, cinco gols contra o Camarões em 94. A defesa do time verde é bem fraca. Na verdade, Francileudo é que é o bicho. O brasileiro desfere outro petardo, o goleirão aceita e o time branco faz 5x3. O atacante número 11, natural de Zé Doca no estado do Maranhão, o atacante do Tolouse da França, o multinacional, entra para a história das copas, definitivamente. A imprensa brasileira não esconde o seu espanto. A africana, o seu contentamento. O mundo, com jogadores como o bravo maranhense, aprendem que tolerância é fundamental. E no final do jogo, já nos descontos, o fato final: Nenhum outro jogador da história marcara 6 tentos num único jogo, exceto Francileudo. Tunísia 6 x 4. Perdi o gol dos árabes. O jeito é fazer pesquisas na internet, pois depois deste jogo há um avante que não sairá das páginas dos periódicos.

14.06.06 – Munique – Estádio de Munique. Tunísia 6 x 4.

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 13h18
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A estréia do Brasil

Estréia em Berlin e sob um intenso clima de confiança, a primeira vítima será a Croácia. Assim, ficamos perfilados com o frio Dida, o campeoníssimo Cafu, os grandalhões Lúcio e Roque Jr e o baixinho Roberto Carlos. No meio, Emérson, Zé Roberto, e dali pra frente o quadrado mágico: Kaká, Gaúcho, Ronaldo e Adriano. A Croácia veio com aquela vontade de fazer o jogo da vida. O jogo do atual campeão não é mais o da estréia da Copa, e, portanto, não está mais sujeitos às zebras, como Camarões 1x0 Argentina, Senegal 1x0 França, Itália 1x1 Bulgária. O jogo de estréia do campeão ocorre no meio da Copa, quando vários jogos já renderam artigos e artigos. Mas, o jogo do campeão continua gerando tensão. E a tensão aumenta quando o quadrado mágico não consegue chegar ao gol e sofre com os lançamentos em longa (a alta) distância da equipe croata. Num deles, Simic cruza alto, o centroavente Prso disputa com Roque Jr e, ao ver que não conseguiria vencê-lo, serve de pivô. Prso cabeceia a bola para trás e de lá surge a perna forte de Vranjes. O chute vai alto e Dida voa. A bola pega na trave e bate na linha do gol. Ufa! Só faltava sair perdendo novamente numa Copa. Será que não basta o gol tcheco em 1970, o gol turco em 2002... Peraí, fomos campeões sempre que tomamos o primeiro gol. Então, seria uma boa se a bola entrasse, não?! E lá estão os croatas mobilizadíssimos, empurrando a bola para as redes com os olhos, mas Dida voou e a bola quicou em algum lugar entre a linha e o gol. A bola foi parar num local indecifrável. Não existe um ponto entre a linha e o gol. Ou é gol; ou é linha. Mas, para a grande maioria dos milhões que viam a estréia do quadrado mais incrível que o Brasil já produziu desde 1982, a bola ficou nesse local imaginário, onde tudo é possível. A reposta veio com o replay. Gol, claro. A bola entrou. Mas, o bandeira estava encoberto por Dida. Ao menos o vôo de Dida não foi em vão. E o árbitro? Bem, o árbitro é das ilhas Filipinas. Então, estava pessimamente posicionado e não daria o gol contra a seleção que carregava as esperanças mais mágicas da Copa. Foi gol e o Prso que viu tudo ficou louco e reclamou tanto que levou cartão. A defesa brasileira respirou aliviada. E o time resolveu sair da vergonha. As bolas agora não eram mais altas. Mas, rasteiras. A iam em dois sentidos claros. Na direita com as corridas de kaká. E pela esquerda com Ronaldinho Gaúcho. Numa triangulação, Roberto Carlos tocou para o Zé Roberto que tocou para o Ronaldinho que correu em direção ao gol. Driblou um, dois, três e as mulatas tipo exportação já rebolavam de alegria nas arquibancadas quando Kovac derrubou-o na entrada da área. Gaúcho, então, pegou a bola e ajeitou-a. Lembrou-se do chute contra a Inglaterra na última copa: aquilo foi genial. Mas, foi sem querer?! Foi ou não foi? Por um momento, Gaúcho se desconcentrou. Nem ele saberia dizer se foi sem querer, se foi gol de dolo ou de culpa. E Gaúcho chutou e a bola passou por cima. Fim do primeiro tempo. "Casão, o que falta para melhorar?" "O Brasil está nervoso, tem que tocar a bola que fácil fácil chegaremos ao gol." No segundo tempo, o jogo, finalmente, chegou voando. A Croácia parou de alçar bolas numa tentativa de mostrar que também tinha seus toques de bola. Os croatas estavam furiosos com o gol legal que o juiz não deu. Eles ouviram os comentários de Suker para TV croata, a indignação do craque que, em 1998, mostrou para milhões que aquele país, a Croácia existia e poderia ser poderoso ao ponto de fazer um artilheiro de Copa e um terceiro lugar. Os croatas ficaram, na verdade, desesperadamente com raiva. E o Brasil respondeu à perda de nervos croata. O Brasil tentou duas vezes com Adriano: duas defesas do goleiro Butina. Mas que nome de goleiro?! “Vai, Brasil! O Brasil é melhor! O Brasil merece! A torcida espera o gol!” Não aguento e mudo o canal para ouvir o comentário do Neto. Queria saber da novidade do esquema tático croata com a saída do meia Babic e a entrada do atacante Seric. Estão empatando com o Brasil e põe um atacante? Queria saber o motivo: “Mas é ridículo esse uniforme croata. A seleção não pode perder pra um time assim não! Repara só como parece saco de ração de cachorro.” Ok, ok, vamos voltar ao jogo, que aliás, se aproxima do fim. Descubro porquê o técnico croata pôs um atacante: a defesa deles é um paredão. Cinco jogadores não saem da área e a bola mal chega em Ronaldo. Então, Kaká tentou um de seus dribles. Entrou correndo com a bola e chegou para ultrapassar o zagueiro Tudor. Mas, no momento do ultrapasse, kaká resolveu cruzar para o Fenômeno. A bola passa por Tudor, a ronaldo já tirou os pés do chão, quando a bola resvala em Simunic. Bate no peito de Simunic e volta para Kaká que logo entende: não adianta cruzar. E, de primeira, Kaká chuta. A bola vai alta e com força. Um tiro. Butina estica os braços e sua mão esquerda fica levantada como se ele estivesse fazendo uma saudação nazista. E a torcida, em Berlin, responde com um “Heeeeei” a saudação trocada, 70 anos depois. A bola de Kaká morre no ângulo. Golaço. Butina continua com a mão esticada. Deixa para Simunic ir buscá-la no fundo das redes. Após o gol, Parreira tira Adriano e põe Robinho. Alegria dos comentaristas. Mas, o objetivo de Robinho é segurar o jogo lá na frente. Momentânea decepção. Sai Kaká e entra Ricardinho, conforme havia pedido o Neto. Faltando dois minutos, sai o Gaúcho e entra Mineiro para completar a marcação. E com Mineiro em campo, o Brasil ganha, suado, 1x0. Hora de assistir aos intermináveis mesa-redonda. O próximo desafio é a Austrália.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 15h04
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Quando pirralho, era crível que todo cidadão deveria torcer para um time de futebol, entendedor ou não. Meu irmão mais velho atleticano fanático e frequentador do Minerão deste de moleque como eu, sempre deixou claro que futebol é fundamental e faz bem para a alma. Isso eu entendi com mais clareza depois de fazer parte deste seleto grupo de poetas, cronistas e exímios conhecedores do maior divertimento do povo brasileiro.

Estava com saudade dos BOLONISTAS. Tô na área novamente e se derrubar e pênalti.

Obs: O GALO FORTE VINGADOR foi campeão mineiro juvenil de 2005, base do time atual. Essa molegada vai tirar o GALO FORTE VINGADOR  da segundona.



Escrito por Frank às 12h10
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Cadê a URSS???

 

Pergunto: A Rússia não faz uma falta danada na COpa do Mundo?



Escrito por Amaral às 11h23
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Calor de rachar mamona

Bolonistas de um domingo normal, ainda bem...

 

O Atlético Goianiense desbancou o Vila, 4 x1. Fico imaginando o que o torcedor do Vila deve estar pensando neste momento. Já deve ser difícil viver e ter que acompanhar aos jogos do Goiás na Libertadores. Deve ser muito ruim ter o time na segundona e o maior rival disputando até título de campeonato brasileiro. 4 x 1. Uma sova. Se bem que o Cruzeiro suou para ganhar do Democrata de Governador Valadares, no dia em que o Galo, de virada, ganhou, nos acréscimos, da Caldense. O torcedor do Atlético ficou bem irritado com o jogo, desconfio. Só aos quarenta e oito o time conseguiu o gol salvador contra o time de Poços de Caldas. Poços de Caldas que um dia já teve a famosa alcunha de "cemitério das virgens". Simpática a cidade, penso cá.

Para variar, Mangueirão lotado. Remo 2 x 0 Paysandu. Começa o ano e a maior rivalidade do Brasil começa quente. Remo e Paysandu estarão na série B do Brasileiro. Bom começo, o do Remo. Mas será que a rivalidade entre Vitória e Bahia, os "co-irmãos" da Série C não é mais aguda? Sei não, mas no Barradão, sem lotação, o Vitória fez 2x 1, de virada. Começa mal o tricolor da boa terra. Muito mal. No Pacaembú, Leandro Amaral novamente fez o seu. É inacreditável, mas o centro avante rubro verde sempre marca gol. Mas só quando veste a camisa da Portuguesa. Se ele ficar na Lusa mais uns cinco anos, e a Lusa sobreviver nestes cinco anos, deverá ser tornar o maior artilheiro de toda a história lusa. Deve ser muito bom ter o seu nome na galeria dos imortais, de qualquer time, do Botafogo de João Pessoa, do Botafogo de Ribeirão ou do Botafogo do Rio. E, vejam, o Fogão derrotou o Vasco, em jogo de oito gols. Romário marcou três e fico aqui torcendo para que ele chegue aos mil, num jogo contra o Flamengo, no Maraca. Não deixa de ser legal rever o Mário Filho depois de algumas obras. E o time "A" do Mengão mostrou que o Flamengo pode sonhar este ano. Sonhar em ficar na primeira divisão, por mais um ano. Deveriam processar todos os dirigentes do rubro negro, enquanto a modesta, modestíssima, Portuguesa Carioca empatava na Ilha.

O Verdão conquista a quarta vitória, disparou. Os vice líderes são o Norusca, a Portuguesa Santista e o Paulista. É cedo, mas pode ser tarde... Domingo e fim de noite, mesas redondas, gols da rodada, controle remoto. Ainda bem que é assim. O América de Rio Preto fará a final da Copinha com o Comercial de Ribeirão Preto. Ribeirão, cidade do Pinguim. Bom chope, que baita calor faz em São Paulo nesta noite. Mas o bom do final de semana, o supimpa, o genial, o fato marcante, todos sabem: o gol de bicicleta do Mineiro. O Parreira deve ser cego.

22.06.05 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 23h14
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É muito zero.

Deu no Globo.com. Impressionante.

INGLATERRA

Robinson: 7, 800 milhões (2012)
G. Neville: 7,25 milhões (2007)
Ferdinand: 26,5 milhões (2009)
Terry: 28 milhões (2008)
Ashley Cole: 18,76 milhões (2008)
Bekcham: 22 milhões (2009)
Gerrard: 30 milhões (2009)
Lampard: 35 milhões (2009)
Joe Cole: 13 milhões (2007)
Owen: 22 milhões (2009)
Rooney: 36 milhões (2009)

- Total: 246,31 milhões de euros ou R$ 682,2 milhões

ITÁLIA

Buffon: 35 milhões (2008)
Zaccardo: 8 milhões (2008) 
Nesta: 32 milhões (2010)
Cannavaro: 14 milhões (2007)
Chiellini: 8,5 milhões (2007)
Gattuso: 16 milhões (2009)
Pirlo: 25 milhões (2008)
De Rossi: 14 milhões (2009)
Totti: 35 milhões (2010)
Luca Toni: 20 milhões (2009)
Gilardino: 30 milhões (2010)

- Total: 237,5 milhões de euros ou R$ 657,8 milhões

BRASIL

Dida: 15 milhões (2007)
Cafú: 3 milhões (2006, dois anos mais opcionais)
Lúcio: 24 milhões (2010)
Juan: 7 milhões (2008)
R. Carlos: 6,5 milhões (2007)
Émerson: 25 milhões (2007)
Zé Roberto: 8,5 milhões (2006)
Kaká: 30 milhões (2010)
Ronaldinho: 50 milhões (2010)
Ronaldo: 27,5 milhões (2008)
Adriano: 35 milhões (2010)

- Total: 232 milhões de euros ou R$ 642,6 milhões



Escrito por Demas às 20h06
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Mais uma vez, Xico Sá.

Prazer, Maria-Chuteira

XICO SÁ
COLUNISTA DA FOLHA

Amigos torcedores, amigos secadores, com vocês Sheylla Regina, uma bela de uma Maria-Chuteira. Mesmo para quem bate uma bolinha mixuruca, terá todo prazer do mundo em conhecê-la.
Assumidíssima, assumidérrima, como ela diz e repete, gastando o gloss das hipérboles nos seus lábios de Iracema. O cabelo era também da cor da asa da graúna, como atesta o amigo alencarino Lira Neto, mas, infelizmente, teve que tingi-los. De loiro, claro.
Uma Maria-Chuteira legítima, autêntica, nunca é burra, Mas, como manda o regulamento, é obrigatoriamente loira.
Livre arbítrio do desejo, livre pensar, o que importa não é a cor do pêlo, o que vale é o cocuruto, a caixinha de surpresas de neurônios. Maria-Chuteira, sim senhor. E daí? Que mal há nisso.
"Feio é roubar", defende-se, na classe de uma Maria que sabe sair jogando, após amaciar no peito as calúnias, descer na coxa as injúrias e lançar para o homem-gol penetrar com bola e tudo.
Sheylla chuta a canela: "Maria-Chuteira sim, jamais uma celebridade fajuta que corre atrás de craques estrelas para faturar na mídia". A moça tem história. É Maria-Chuteira desde a várzea, quando apaixonou-se perdidamente e o coração fez overlapping com um lateral do torneio "Desafio ao Galo".
A nossa amiga é do tipo de Maria que prefere Sócrates a Raí, só para ficar no mesmo lar-doce-lar de Ribeirão. Embora reconheça que o galã do Morumbi, mesmo muito menos talentoso em campo, também entendia do riscado.
David Beckham? Ela detesta, claro, assim como todos os metrossexuais com ou sem bola nos pés. Ela prefere a vitória por pontos, tática dos feios, aos nocautes dos bonitões e metidos.
Sheylla Regina sabe tudo.
Ela sabe tanto que até entendeu a ótima coluna do Tostão, aqui nesta Folha, sobre Lacan, Freud, vida real, Romário e os seus símbolos. Uma danada, essa mulher quase honesta.
Esperta, já começou a escrever um livro sobre o assunto, aproveitando dos seus pendores árabes: "O baixinho -mil gols, mil e uma noites".
"Tenho que fazer meu futuro, minha vida, já que não vivo de pensões picaretas", reflete, com uma fina ironia de raspão para o fundo das redes inimigas. "Poderia ter engravidado de um time inteiro, mas sempre achei que o amor não pode durar apenas 90 minutos, seguidos de cobranças de pênaltis".
Muito sábia, essa mulher quase honesta.
E Sheylla já emenda: "Sabe o Vagner Love?" Sim, claro. Faz de conta que foi o primeiro. Ela é quase inventora desse sobrenome que nasceu de uma fuga do craque numa já distante Copa São Paulo de juniores.
O seu mantra sempre foi a lição do velho Gentil Cardoso: "Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência". E o seu lema eterno é o de todas da mesma classe: Maria-Chuteira que é Maria-Chuteira está acima do bem e do mal, não tem fase ruim nem time do coração!

FSP. 20.01.06



Escrito por Demas às 10h34
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Ê, laiá.

Ano de Copa: me emociono com cada coisa.



Escrito por Demas às 23h58
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Síndrome de Estocolmo

 

Bolonistas copeiros,

 

Dizem que em Dortmund há a cerveja mais refrescante da Alemanha. Não sei, confesso. Conheço pouco a Alemanha e tenho preguiça de fazer pesquisas. O que reconheço como mais importante, neste momento, é que Suécia e Trinidad estão perfilados em campo. Lado a lado. Já na batalha dos hinos. Pouco se comentou, mas o estádio está completamente lotado de suecos, uma ruidosa e divertida torcida, com faces rubras pela exposição ao sol e litragem digna de nórdicos. Em todo os lugares do estádio é possível encontrar os chapéus de vikings. As suecas, um capítulo a parte. São bonitas as suecas. Muito bonitas. Poucos torcedores de Trinidad. Pouquíssimos sítios eletrônicos deram a notícia de que os ingressos para Suécia e Trinidad se esgotaram antes dos ingressos para o jogo de abertura da Copa.

Poucos dão bola para os suecos. Mas a Suécia é um time constante em copas do mundo. E já foi vice campeã do mundo. E já foi terceira colocada. E já foi quarta. Poucos sabem. Raramente volta para casa antes da segunda fase. O time deles é bem montado, mas ninguém dá muita bola. Mas, Larsson e Ibraimovich formam uma dupla de muito respeito na frente. E Ljunberg, do Arsenal, se não é craque, joga bem. Poucos dão bola para os suecos. E se esquecem que foram eles que eliminaram os argentinos em 2002. E tem Svenson, Andersson e mais um monte de sueco de cara igual. Difícil planejar uma marcação individual nos suecos. A TV dá um close em mais uma sueca.

Ninguém nem sabe de Trinidad Tobago. Pouco se sabe sobre a liga local. Yorke tem tudo para ser a estrela da copa, para os caribenhos. Yorke fez fama no Manchester e é uma espécie de Ronaldo para os amigos da simpática Trinidad. Os poucos alemães adotaram o último dos classificados para a copa. Poucos viram, mas jornalistas paraguaios e ingleses trocavam insultos nas cabines de imprensa, talvez em razão de dissabores causados no outro jogo do grupo.

Poucos notaram, mas a Suécia é um time equilibrado. E faz um dos jogos mais bonitos do mundial. Bola de pé em pé. O time compacto. Poucos perceberam que os suecos envolveram o time caribenho com facilidade. Poucos, muito poucos, repararam que Ibraimovich recebera uma bola difícil e mesmo assim marcou o primeiro gol. Não eram nem quinze minutos de jogo. Larsson, 2x0. Svenson, 3. Não tinha acabado o primeiro tempo. Yorke só chutou uma bola no gol. O fato é que poucos apostam na Suécia. Confesso que também não apostarei. Mas o time jogou bem. Encheu os olhos do PVC, o Paulo Vinícius Coelho da ESPN Brasil, o mais bolonista dos jornalistas esportivos do mundo. PVC usa uma prancheta para mostrar os desenhos táticos dos jogos e sua memória causa sempre espanto aos convivas dos programas esportivos. A prancheta do PVC viu uma Suécia muito bem organizada. Poucos notaram.

No segundo tempo o jogo esfriou, um pouco. Mas não o suficiente para evitar que Ibraimovich marcasse o quarto gol, numa trama envolvente. E, de pênalti, Yorke marcasse o gol de Trinidad. Nos poucos minutos finais da peleja ainda deu tempo para mais um da Suécia, um golaço de Anders Svenson, o melhor em campo. 5x1. Foi pouco. Foi um bom jogo. Mas poucos se interessaram. A Suécia vai para a segunda fase, novamente. Poucos duvidam depois de Dortmund.

10.06.06 – Westfalen - Dortmund



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 22h58
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campanha

Segue a brilhante campanha do Brasil de Ronaldo e Romário na VI Copa do Mundo da Fiba. Vejam que maravilha... Brasil 7x2 Canadá Brasil 2x2 Romênia Brasil 4x4 Líbano Brasil 6x2 Holanda Brasil 3x2 Iugoslávia Brasil 3x1 Rússia Brasil 4x2 Bulgária de Stoichkov A Bulgária eliminou a Itália e a Argentina A Alemanha perdeu para os Emirados Árabes



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 18h40
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Dever de casa

Bolonistas:

Neste fim de semana, escreverei dois textos: um alegre, outro triste. Publicarei aqui em nosso diário nessa ordem: um alegre, outro triste. Deveria publicá-los na ordem reversa, mas infelizmente não pode ser assim. Por que o aviso? Porque acho que serão longos. Acho.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Demas às 16h20
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Santo André 1x0

Não quero estrear. Não quero começar de novo. Não quero novos jogos. Quero viver a última conquista, o último jogo. Queria que todos os jogos do ano fossem realizados em Yokohama. Queria que o Mineiro fizesse um único gol todos os domingos. Que o Rogério Ceni buscasse bolas no ângulo em todas as partidas. Que os jogadores ingleses e espanhóis continuassem péssimos perdedores. Queria mais do mesmo. Mais da vitória. Queria a vitória eterna. Mas a vitória já está eternizada. A vitória sobre o Liverpool já é para sempre. Essa é a grande lição do futebol. As conquistas vão e voltam. O time que acaba em primeiro pode ser rebaixado para se tornar o primeiro novamente e só aí teremos a verdadeira conquista. A melhor conquista, aliás, é a de quem chegou ao fundo do poço. Quem caiu feio, perdeu 30 jogos, foi humilhado em casa e, principalmente, como visitante e, de repente, se torna primeiro novamente. Acho até que o grande time do ano pode ser o Galo do Fraklin. Foi o time do fundo do poço em 2005. Logo, se ganhar 2006 será uma escalada monumental. Será que é por isso que as torcidas dos grandes clubes brasileiros lotam os jogos da segundona? O fato é que é chato ser campeão do mundo é jogar com o Santo André. Vejam só: qual a relevância? Você ganha do Liverpool, que ganhou do Milan, que ganhou da Juventus, que ganhou do Real Madrid. E aí, você tem que jogar com o Santo André?! Isso estava estampado na cara dos jogadores. No primeiro tempo, o Lugano que tirou todas as bolas do Liverpool deu um passe para o desconhecido do Santo André pazer o gol. E ele perdeu!! No segundo tempo, Edcarlos, que participou dos 87 desarmes contra o campeão europeu, deu um lindo passe de cabeça para o time do ABC e, aí, não teve jeito. Mas, é preciso continuar. Navegar, diria o poeta. Essa é a verdade. Temos que continuar, pois se é para escalar a montanha de Yokohama novamente que venha o Juventus e o São Bento de Sorocaba. Que venha o Madureira x Botafogo, o Fluminense x Nova Iguaçu. Às vezes, me pergunto por que tenho jogos de botão esdrúxulos, como Líbano, Eslovênia, Venezuela, Irã... É preciso continuar e muitas vezes voltar para baixo para, depois, emergir. Um dia, num campeonato, o Brasil de Romário e Ronaldo empatou em 4x4 com o Líbano. Foi uma crise monumental! Risos da Fiba, a Federation International of Botão Association. Mas, foi também uma crise essencial. No final, o Brasil foi campeão. Campeão mundial!



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 15h49
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Reumatismo FC

Eis uma coleção de todas as especulações sobre o time do São Paulo em 2006, baseada nas últimas notícias esportivas (fontes: Lancenet, Gazeta Esportiva, Globo Esporte, FSP, OESP).

Rogério

Cafu

Fabão

André Dias

Júnior

Josué

Mineiro

Danilo

Giovanni

Luizão

Alex Dias

É a melhor equipe sub-38 do país.



Escrito por Demas às 11h54
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alegria, alegria

A maravilhosa Isabeli Fontana, esposa do são-pauliníssimo Henri Castelli, durante desfile fazendo o sinal de punhos cruzados da Independente é uma belíssima imagem.....

 



Escrito por Ogro às 10h51
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Tarde de futebol

 

Bolonistas Que Gostariam de Estar em Férias,

 

Algumas combinações são perfeitas. Poucos reparos. Josué e Mineiro, por exemplo. Queijo prato, daqueles "para lanche", mortadela em cubinhos, tomate, azeite, orégano e azeitonas. Trata-se da imbatível porção para acompanhar a cerveja. Outra combinação rara é o trio formado por Daniel, Deco e Caubas. Moradores de uma república na Oscar Freire, formaram e formam uma daquelas historietas legais, de chapas. Mas este fato não impediu que os três quase se estapeassem na porta do supermercado. Se não fosse a intervenção divina do Renato a coisa tinha pegado. As razões? As mais simples possíveis.

Todos sabem da impossibilidade de coexistirem nas mentes masculinas mais que dois critérios de compra em supermercados. Há, na verdade, somente dois tipos de critério: compra-se o mais barato ou compra-se pelas marcas mais famosas. Não existem critérios intermediários, a não ser que uma lista tenha sido preparada cuidadosamente, e com antecedência, com gráficos dos preços possíveis e das marcas e qualidades exigidas. Ou seja, de súbito, o supermercado não tem como fugir dos dois critérios universais. As exceções, que só confirmam a regra, são as marcas de cerveja e de uísque, que conseguimos analisar preço e marca, e a mortadela, que existem três marcas confiáveis, talvez sejam quatro, e fazemos a opção com base neste levantamento prévio. Pois bem, o trio foi as compras para o nosso encontro na casa do Juliano, na capital da república. E quase saíram no tapa na hora de comprar batata frita. Um queria a marca famosa e o outro, a mais barata. E foi isso. Mas no fim ficou tudo bem, compraram a mais barata de batatinha e a marca famosa da água com gás. Água com gás? Foi outro parto, um queria comprar, o outro não e o outro achava que tudo aquilo era surreal. Mas o argumento de que nem todos iriam beber, e que uma improvável vitória do Madureira iria melar o bolão de todo mundo, convenceu a todos.

No sofá, com a camisa do Fogão, o Ogro já estava reclamando do atraso dos três. Fazia um calor infernal e as cervejas que o Frankitcho tinha "emprestado" já tinham virado passado. O gênio que colocou Botafogo e Madureira em plena quarta feira a tarde, em Conselheiro Galvão, quarenta graus na sombra, merecia todos os amplexos de urso do mundo. Em campo, imaginei, devia estar uns quarenta e cinco graus, por baixo.

O Massoneto não acreditou no relato da briga dos três, mas entendeu as razões e formulou até uma teoria da conspiração. Quase perdeu a expulsão do zagueiro botafoguense, ainda no primeiro tempo. Gol do Madureira. O Pança, incrédulo, pediu água com gás. Um dos três sorriu e o Pedro trouxe um sal de fruta também, para encarar as pururucas com limão que eram servidas em bandejas de prata.

No segundo tempo, boquiabertos, viram Lúcio Flávio, quase um andarilho da agonia, empatar. Cobrando penalidade e vestindo a camisa dez. Eram quase seis da tarde e o Fogão virou, nos acréscimos. Zé Roberto. Botafogo ganhou as duas primeiras partidas do Carioca. Eu vi tudo isso, agora, meia noite, pela tv. Reportagem de Cícero Melo, na ESPN Brasil, no programa da noite. Liguei o computador e senti saudades. Como seriam as coberturas esportivas antes do videoteipe? Abri a geladeira, peguei uma latinha. Desliguei a TV, não quero ver matérias da estréia do Tricolor no Paulistão. Vou me deitar. Amanhã, Suécia e Trinidad Tobago. E a Copa de 54. Xi... tenho audiência, não vai dar tempo de fazer é nada. Melhor ir. Alguém aí tem o telefone do Massoneto, o de casa e o celular? Mandem por e-mail. Um abraço. Boa noite.

19.01.06



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 23h37
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O destino pariu dois gênios

Nem pitonisa, nem oráculo. Nem Cassandra, nem a Esfinge. Ninguém poderia antecipar a entrada do time argentino no gramado do mais imponente Estádio desta Copa, aqui em Hamburgo. Os próprios marfinenses piscaram mais rápido quando viram entrar o escrete alviazul.

Todas as folhas apontavam que Ayala e Heinze ficariam na suplência, ainda machucados. Todas garantiam a presença de Saviola, Killy Gonzaléz e Zanetti. Ninguém entendeu aquele time que adentrou o Fifa World Cup Stadium. Ninguém.

Saviola, que todos criam são, parece que ainda não se recuperou. Killy, que todos sabiam titular, rumou ao banco de reservas. Zanetti, que até fez gol no último treino, nem no banco apareceu – ficou no departamento médico, com suspeita de uma lesão grave no tornozelo. Ouvindo de pé o hino, lá estavam Carlitos, Messi e Ibarra. Ao seu lado, firmes como árvores, os dois zagueiros que alguns acreditavam estar fora dos dois primeiros jogos.

Pekerman escondeu a escalação? Se sim, por que aquele último treino? Se não, como os sãos vergaram e como os doentes sararam? Talvez não saberemos, mas o que vimos foi a Argentina entrar com Pato; Ibarra, Ayala, Heinze e Sorín; Mascherano, Cambiasso, Riquelme e Messi; Tévez e Crespo.

Os marfinenses desfilaram a mais bela camisa da Copa vestindo Gnanhouan; Fae, Boka, Toure, Zokora; Demel, Kalou, Dindane e Meite; Domoraud e ele, Drogba.

Se a confusão sombreou o estádio quando a equipe argentina entrou, depois do apito a barafunda foi completa: Ayala e Heinze – os até ontem bichados zagueiros – formaram uma barreira metafísica, inexplicável. Pareciam dopados, ou quase.

Os da frente: um quadro surreal. O que dizer da jogada de Messi no primeiro gol – uma arrancada de guepardo, a tabela com Carlitos, o drible e o chute irretocável. E o cruzamento de Ibarra para a matada de Crespo, o centro e a penalidade sofrida por Riquelme. E, por fim, o que foi o gol de Carlitos – como descrever um jogador que se desvencilha de três zagueiros e, caído, acerta o canto de Gnanhouan. Não houve um instante em que – tanto nos gols quanto nas inúmeras outras chances – os três outrora suplentes não fossem decisivos.

O gol de Drogba no fim da partida quase não foi notado, dada a hipnose a que estávamos submetidos findo o combate.

Pekerman é um visionário, um maluco ou um sortudo? Isso jamais saberemos, mas sabemos que, após o jogo de hoje, somente um idiota completo e incorrigível ousaria sacar Messi e Carlitos da equipe. Mas e se o Saviola melhorar? E a experiência de Killy?

Ora, senhores, não é devido brincar tão perigosamente com o destino. Quis esse deus misterioso que hoje o mundo pudesse testemunhar o nascimento de dois gênios. Gênios? Gênios.

Argentina (Messi, Riquelme e Carlitos) 3 X 1 Costa do Marfim (Drogba)



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 17h24
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Atualização

Bolonistas bidus:

Mais dois jogos de nossa Copa. Dois times africanos, duas surpresas. Somos onze, são 48 as partidas na primeira fase: façamos quatro cada que o resto se ajeita. Que tal?

Aí está:

No Grupo A: Alemanha 1 X 2 Costa Rica

 

No Grupo B: Inglaterra 2 X 0 Paraguai

 

No Grupo D: Angola 2 X 3 Portugal

 

No Grupo E: Gana 2 X 0 EUA; Itália 2 X 3 Gana

 

No Grupo F: Austrália 1 X 1 Japão

 

No Grupo G: Coréia do Sul 4 X 0 Togo



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 11h16
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Jogo valendo não é treino.

Hoje resolvi transgredir uma rotina que venho sustentando aqui na Alemanha, mas não muito. Explico: tenho escrito os textos aqui para “Os Bolonistas” no mesmo dia dos jogos, pois sei o quanto sou sensível – questão de caráter mesmo – às opiniões dos outros: elas me influenciam despudoradamente. Tento então escrever os textos antes de colher, nas folhas ou nas conversas de bar, as impressões dos outros espectadores.

 

Faço o mesmo neste momento, sob uma roupagem nova, no entanto: escrevo aqui do Waldstadium. Não esperei chegar ao hotel e encarar a fila atrás dos computadores disponíveis. Sim, aqui do estádio mando estas linhas, sorvendo uma cerveja que ainda não havia provado, a Bitburguer. Nesta monumental arena de Frankfurt, pude encontrar restaurante japonês, guichês de empresas aéreas, uma filial da Tower Records, um palco para shows e este Internet Café.

 

Sou de Brasília – sabem todos. Meu estádio é o Mané e – imaginem todos – o choque que é descobrir um estádio que ultrapassa as dimensões das arquibancadas e se revela um shopping center amedrontador. A diferença é monumental. Aliás, este é um texto sobre diferença.

 

Não há nada – dentro da escala de possibilidades humanas – mais diferente que um togolês e um coreano. A sacada – óbvio que assim seja – não é minha. Foi o assunto mais debatido no Waldstadium hoje. Perfilados, os asiáticos e os africanos pareciam revelar que nossas diferenças são infinitas, inconciliáveis.

 

Agassa é um gigante de pele preta que parece um totem. Chu Yung Park é um anão desnutrido de olhos rasgados. Adebayor parece um pinheiro: dois metros esticados em setenta quilos. Ji-Sung parece um toco com raízes profundas. Nunca vi, comparadas duas equipes de futebol, diferença maior. Até o apito.

 

Não dá – desculpe, Nelson – pra fazer uma leitura precisa do jogo baseada em diferenças raciais. Não dá, é simples assim.

 

Durante a partida, não havia o gigante soldado togolês ou o pequeno guerreiro coreano: houve sim uma guerra igual, rigorosamente igual, em termos materiais. A diferença - que houve, como houve -  esteve certamente nos objetivos.

 

A Coréia entrou pra ganhar um jogo de Copa. Togo parecia que tinha subido no ônibus errado. Os quatro gols que a equipe de Dick Advocaat aplicou sobre os africanos poderiam ter sido ainda maiores. De fato, amigos, não dá pra aliviar para os africanos: se valer só o jogo de hoje, não mereciam estar na Alemanha; foi um massacre.

 

A diferença na hora do hino (os noventa negros quilos de Souliemane pareando os cinqüenta mirrados quilos de Jung Woo Kim) mascarou a diferença real, óbvia e inexpugnável: em Copa, ganha quem vem pra ganhar.

 

Coréia do Sul 4 X 0 Togo.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 01h08
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Diazinho quente...

Bolonistas de janeiro

 

 

Aliás, o estádio estava quase cheio. Quase. Mas tinha lugar. Tranqüilo. Nas arquibancadas uma forte sensação de goleada. Era para ser um típico domingo de futebol com vitória do time. E não é que foi isso mesmo que aconteceu. Goleada, seis a um, exibição de gala.

 

Um picolé é sempre um picolé, apesar dos novos corantes. Mas é sempre um bom divertimento. Era uma boa companhia o picolé para aquela goleada. E foi assim mesmo, goleada e picolé. E não estava nem muito calor e nem frio. Era dia de sol, mas não de insolação.

 

A arbitragem foi exata. Até a penalidade não marcada não fora contestada, pois não aconteceu ilegalidade alguma no lance. Ninguém xingou o juiz e foram poupados os bandeirinhas. Não houve nada tão polêmico assim, sendo que os sete gols da partida foram legítimos e o gol anulado, bem anulado.

 

Não houve filas para comprar ingressos. E nem guardadores de carro usurparam a paciência de ninguém. Os policiais foram educados e toda a segurança do jogo foi feita sem nenhum contratempo. Certo, houve rojões. Mas nada de anormal, uns busca-pés aqui e outros acolá. Bandeiras. Bumbos. Baticum. Tudo na santa paz.

 

Naquele dia não houve porque assistir nenhuma Mesa Redonda. Mas, misteriosamente, na televisão, não tinha aquela gritaria insuportável de apoiantes de um lado ou de outro. Eram opiniões ponderadas, inteligentes até. A menina que apresenta o programa é de fato muito bonita, tem um sorriso lindo. E sabe qual a regra do impedimento, a classificação do campeonato e sabe, decoradinho, a escalação dos times. Também não me recordo de nenhum merchandising exagerado, só aquele que premiava o melhor em campo com um equipamento de rádio.

 

Tudo isso podia ser de uma chatice impagável. Afinal, o bom do futebol é o imprevisto. Tudo assim na medida ia ser estranho. Mas não foi, foi interessante para variar. E aí deram a notícia que o presidente da CBF renunciara ao cargo, pois queria passar mais tempo com a família. Confesso que comecei a duvidar daquilo tudo. Cocei o braço, era verdade. Era? Sei lá. A única coisa que de fato sei é que me incomoda passar o dia sem textos novos no Bolonistas. Então, escrevi. E postei. E pude continuar trabalhando, porque ninguém é de ferro.

 

17.01.06

 

 

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 18h12
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amigo oculto

Bolonistas e voyeurs

  Seguindo a atual tendência do nosso amigo secreto, feito por espasmos, neste sábado entreguei o presente para o meu amigo.

 Figura simpática esta. Sua existência já foi por alguns questionada, mas a lembrança de uma semana com a figura usando a mesma meia azul, cantarolando insistentemente "não é fácil ser verde" e "eu sou meu próprio avô", além do fato de ser incentivador emérito da prática do nosso hábito colegial de arrotar e bater na testa do gaiato ao lado e da paciência budista em doutrinar calourinhos e debater, sem jamais perder a calma, com figuras insuportáveis, já valem por uma vida. A sua devoção ao futebol de botão, feita como uma verdadeira cruzada, é famosa.

 Este jornalista vai ser pai e, desde já desperta em todos a certeza de que, além de ser excelente pai, vai proporcionar ao mundo uma de suas cenas mais divertidas, ao trocar a primeira fralda do são-paulino Lucas.

 Em homenagem a sua enorme cruzada, seu presente foi uma combinação com um jogo de botões do São Paulo, campeão brasileiro de 86, o melhor time tricolor que eu já vi jogar, um jogo de botões do Bangu, vice-campeão brasileiro de 85, na final mais estapafúrdia do brasileirão e uma camisa oficial do simpático Madureira. Ficou faltando a primeira camiseta tricolor do pequeno Lucas, mas isso fica pra depois.

 Bom, esta foi a minha homenagem ao velho Jubas, uma das melhores e mais divertidas pessoas com que convivi no Largo de São Francisco e um dos mais obstinados defensores das causas e da existência do grupo Rasgando o Verbo. UM ABRAÇO JUBAS E PARABÉNS VIVI E LUCAS, POIS VOCÊS ARRUMARAM UM MARIDO/PAI DUCACETE.



Escrito por Ogro às 14h04
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Viva Apolônio

Tarde de domingo, festa do Apolônio, futuro corinthiano roxo, na casa do Ogro e da Pri. O menino ganhou vários presentes e suas primeiras roupas íntimas. Ele e seus pais não se continham de felicidade por estarem recebendo alguns de seus amigos.

 

Comida árabe, cerveja gelada, pessoas legais, o Ernesto preso, Corinthians goleando, anfitriões atenciosos, papo interessante e a agradável decisão de passarmos o carnaval na terra de Cora Coralina.

 

Aproveitei para levar o presente do meu amigo oculto, que também não se continha na sua camisa de goleiro, usada por Rogério no Japão. Pois ganhou a camisa do Botafogo de Ribeirão com o nome do Raí estampado nas costas.

 

Um beijo procê, meu irmão capixaba.



Escrito por Fernando às 13h53
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SÓ SE FOR AGORA!!!!

 

Aí pintou Frankitcho....

 

Eu não tava lá. Só sei que falava de Rolling stones...

Assim ele chegou. Da mesa do lado, se apresentou.

Não pediu pra ser centro-avante, lateral, nem zagueiro. Não vou entrar nos méritos da camisa 10....

 

Chegou gritando!!! Como não podia deixar de ser. Ainda assim arrumou seu espaço. Desde então, ficou....

Enquanto procuramos, esse cara acha...

 

Kaiser, ou não, sábio é ele. “ Melhor gandula do que não participar do jogo.” Não quis ser amigo de ninguém. Não conheceu Pança, Demas, Ogro, Basile,Massoneto, Amaral, Ricardo, Zecão, Renatão, Pedro... Mas sabia quem completava o time. É ele!

 

Hoje tá aí. Dono do boteco mais querido de Brasília. No cardápio, os melhores pastéis de angú. Receita de alguma senhora, talvez “Isaldina, minha filha”. Lá de Monlevade. Terra boa!!! Sendo rebaixado, tomando bola por trás, agüentando a trolha. Na porrinha, jura que tem técnica. Na cana, nem se fale!!! Mineiro na carteira, nas palavras ainda mais. Mineirão é sua casa, quando longe não reclama. Encontra seu espaço, conquista os abraços, seus amigos, seus parceiros. Eterno guerreiro canta:

GALO FORTE VINGADOR!!!!!!!!

 

Amigo é esse, que você fala, “vamo?” e Ele num pergunta pra onde....

 

Esse é o gandula eterno!!!! Não some com bola. Fica puto quando a torcida foge. Quer ver bola rolando!!!!!!! Kaiser ou NÃO!!!!!! BOLA TEM QUE ROLAR!!!!!

 

SALVE FRANKLIN!!!

 

Esse é Josafá, que é do Pança, do Amaral, do Zecons, do Demas , da RECA, de mim.......Tá em todas....

 

mas SÓ SE FOR AGORA!!!!

 

Escrito por Pedrão.



Categoria: Saiba quem são os Bolonistas
Escrito por Renato às 13h52
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Créditos: Sérgio Guerra

Cartões postais Jokerman

Site: www.jokerman.com.br



Escrito por Pedrão às 00h27
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Imagens da Bahia

Ia pro e-melho, mas, aparentemente, não tenho o de todos...

Vai aqui então

Imagens daqui...



Escrito por Pedrão às 00h22
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Caubas,

não sei se você leu. mas tá lá nos comentários. Obrigado mesmo. Meu amigo oculto ainda tem que esperar um pouco.

 

Rapêize, alguns amigos já pude abraçar nesse 2006, ao resto, e a vocês também, FELIZ ANO NOVO PRA CARALHO!!!!!!! Tudo de melhor que possa haver!!!! O meu já começou de forma magnífica, em parte, graças à vocês. Salve OS BOLONISTAS!!!! Eu nos amo.

Bom saber que já temos um time mirim encaminhado. Parabéns aos papais e mamães!!!!

Abraços e beijos.

P.S.-Ao meu lado, depois de saber das 10000 (haja zero), Perla diz: "isso vai virar livro!"

É isso aí!!



Escrito por Pedrão às 21h45
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Pois é moçada,

Mais uma temporada. Igual à outra, essa começou. Em São Paulo, notícias comuns. Corinthians começa tropeçando, o porco achando que vai chegar, o Santos tentando salvar um campeonato, o São Paulo, bem, esse ainda não jogou. Boa surpresa é o Norusca. Pena saber que não vai durar. (que eu queime a língua).

No Rio, igual. Nenhuma surpresa. Talvez só o Botafogo ganhando. Mais uma vez meu Mengão fazendo das suas. Time reserva, diriam alguns. Não me convence. Já vi alguns expressinhos deixarem técnicos em dúvida sobre quem realmente é titular.

Ontem, quis até ver o jogo, graças a Deus, não encontrei onde passasse. Voltei pra casa. Liguei o rádio, e num momento, talvez de saudade, acreditei “zinho cruza, gooooooooooooooooooooooooool........... do Nova Iguaçu!!!!!!!!”, voltei à realidade. É, esse é o Mengão. Fim de jogo, nenhuma surpresa.

Lembro de um tempo em que a situação era mais favorável. Apesar de ser zebra, meu time era campeão. Dava gosto ver jogar. Tenho um teipe da final de 92, amanhã, ao invés de globo esporte, assisto o jogo. Aquele 3 a 0. Mais recentemente lembro do tri, com Pet e etc. Para uns não vale muito, pra mim, tudo.

Bom, é isso aí. Mais uma temporada. Espero que, pelo menos, ainda possa ser motivo de chalaça. Mengão não morre jamais....

..pelo menos é ano de copa...



Escrito por Pedrão às 21h32
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Pré Temporada em Jarinu

Pré temporada

 

 

Descobri, só agora, as razões daquilo que teimava em aceitar. Não há coisa mais chata do que passar protetor solar pelo corpo. Não há. Não existe um dermatologista neste mundo que vá ensinar como transformar a enfadonha tarefa de passar o protetor solar num ato equivalente ao de se coçar, por exemplo. O sol lá, esturricando. Bonito, faceiro, fogoso. Você lá, cozinhando, suando, tentando passar de forma uniforme o tal protetor. E, quanto mais potente o fator de proteção, maiores os riscos de manchas causadas devido a atos de preguiça ou de atos relapsos. Quem nunca teve aquele "bronze", manchado por marcar do que parecem ser dedos nas costas?

A tarefa de passar o protetor solar não pode ser realizada de forma descuidada, relaxada. É uma tarefa que exige ritual, concentração. Um saco. E olha, digo isso enquanto sinto um filete de protetor irritando os olhos, dando aquela coceira insuportável na vista... Lavar em abundância.... Significa, repassar o protetor no rosto. A tarefa é chata. Das mais chatas. Ouso, até, em elencar este ato como uma das coisas mais chatas de ir a praia. Tá certo, tem a areia no calção, que também é chato, mas é só na volta. E, de tempos em tempos, o sol lá, tinindo e você, cá, procurando uma sombra para repassar o tal. Não é de se espantar que os adolescentes fiquem com aquele vermelhaço em razão de enfrentarem o sol de peito aberto. Só de lembrar, arde. E muito. E aí sei o que é pior, o vermelhão e aquela coceira dolorida. Por isso, topei, ainda que com certa irritação, a constatação de que o protetor solar deve nos acompanhar pela vida afora. Mas era resignação.

Mas descobri a verdadeira razão que nos faz passar protetor solar, cumprindo a modorrenta tarefa. Desses mistérios inexplicáveis e lógicos, como o de cair para poder aprender a se levantar, como o de escrever sobre o nada para dizer alguma coisa, enfim. É que antes de levar o pequeno para a praia percebi que, além de passar o protetor para me proteger, teria que passar o tal no infante. Imagine, se uma vez é chato, duas vezes poderia ser intragável. Quando me deparei com o protetor solar infantil, hipoalergênico, confesso que hesitei, pensei em voltar para São Paulo. Mas, estávamos ali e outro remédio não haveria. Aí se deu o meu espanto e a minha descoberta. Era um treino. Uma preparação. Um amistoso. O jogo mesmo, a partida oficial, começava ali.

E eles não estão nem aí com a cor da brilhantina, querem é ir para praia e ficam puxando, tagarelando, estorvando... "quero ir para a praia".... "não quero protetor".... "não quero água" .... "quero praia"... Naquele tagarelar, pronto, quando percebemos, o pequeno está devidamente besuntado, bebeu água e estamos os dois na beira do mar, brincando de chutar onda, ele rindo e você feliz para caramba. Com o tal protetor dele na sacola. E o seu, porque imagine ter que carregar o pequeno no colo, extenuado de brincar na água, queimado de sol... Deve ser dureza.

A areia no calção, esta sim, é a coisa mais chata de ir na praia. Se bem que tem o fato de acordar cedo, muito cedo, para pegar o sol num horário decente... Nisso o menino tomou um caldo, tive que acudir. Qual era a coisa mais chata mesmo????

14.01.06

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 23h34
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Que venha a zoeira!!!1



Escrito por Pedrão às 04h23
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Moçada, tô de volta!!!

Por enquanto...

Sei que não é, mas vou ter  que postar...

Oh meu pai, oh meu pai!!!!

Tinha muitas flores pra lhe dar

Mas agora elas se foram

Tenho outras

Melhores, maiores.

 

Minha preguiça me matou

O semestre acabou

Começa outro

Sem greve

 

Grave

Minha voz mandou

E que se calem as outras

No lugar da guerra A paz

 

Pousou sossegada

Os problemas se foram

A raiva

Graças a Deus

Morreu

 

Como um relâmpago

Assim minha mudança

Cheia de esperança

Muda de gênero

 

Me virei homem

Sofri apreendi

Aprendi

Ah.. se não fosse você

 

O assunto agora

É outro

 

Na prática busquei

O conhecimento de vocês

Projeto aceito

E tapas vencidos

 

Vamos em frente

Eterno professor

Antes confusa

Minha vida

 

Toma um rumo

E do sumo

Agora

Pode se extrair algo.

 

Valeu...

 



Escrito por Pedrão às 04h22
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Raça e alegria

Hannover é dessas cidades inacreditáveis para nós latinos. A Alemanha se traduz. Organização impecável, limpeza, cordialidade e beleza – respira-se história. Fiz um pequeno trajeto turístico liderado pelo melhor taxista que conheci, seu carro era um modelo antigo de Mercedez que ele disse, jamais me livrarei desse veículo, presente de seu pai, dono de um pequeno bar nos arredores da cidade, prometi conhece-lo assim que a Copa aliviasse e a cerveja alemã se tornar uma obrigação inadiável – porque só serve se for muita, pra tomar dois golinhos, prefiro esperar. Gunther me levou a Leibnizhaus, construção inabalável de 1499, a renascença em seu apogeu arquitetônico, passamos pela Marktplatz e parei para admirar a igreja gótica Marktkiche, incrível. Pedi para ver o estádio da cidade, meu objetivo principal. O Niedersachsenstadion fica em área privilegiada da cidade. Orgulhoso Gunther aponta para o painel do carro, o escudo do Hannover 96, time da cidade e sua paixão. Taxistas são iguais em todo mundo, pensei.

Dois dias depois, 12 de junho, cá estou no gramado do Estádio de Hannover, são 15:55 e os times já estão em campo. Azzurra versus Estrelas Negras. O juiz pede um minuto de silêncio, toda a Alemanha se cala, todos os estádios param pelo falecimento de João Havelange, homem de tantas copas, não pôde acompanhar esta. Alguns brasileiros continuam batucando seus tambores junto à escola de samba local.

Mas a bola tem que correr. No apito inicial a bola encontra com calma os braços do goleiro Sammy Adjei num recuo que fez parecer que o jogo teria uma cautela exagerada por parte de Gana. Ledo engano. O goleirão pinga a bola duas vezes e lança para Gyan matar no peito e fazer um giro de corpo, deixando Nesta sem rumo, avançou e tocou de lado para o companheiro Amoah limpar Buffon e tocar para as redes. O gol mais rápido da copa até então. Um minuto cravado. E os arianos se deliciam com a dança dos Estrelas Negras.

O 4-4-2 do time italiano é penoso, pesado e pouco criativo. Lançam bolas aéreas que são respeitosamente deitadas ao chão pelos zagueiros do técnico Ratomir Dujkovic. O toque de bola do time de Gana mantém o jogo na intermediária italiana quase a primeira etapa inteira, os mestres são Appiah e Essien, os dois encontram espaços e às vezes abrem verdadeiras avenidas na Azzurra. No entanto, o destino e a técnica careta e batida do futebol italiano fazem chorar os amantes da alegria. Em uma ingênua inversão de bola, o rápido Camoranesi corta e corre com a defesa de Gana aberta. Luca Toni cruza em diagonal e puxa a marcação enquanto Gilardino recebe livre e chuta cruzado na esquerda das traves do goleiro ganes. 1x1. O juiz apita o final do primeiro tempo. Descem os italianos aliviados e os ganeses abatidos pelo súbito gol aos 43.

A Azzurra sobe animada e o time do técnico Marcello Lippi muda de cara e de atitude. Futebol afinal. Os zagueiros não trabalham, é travada uma batalha no meio de campo. A posse de bola é valorizada em estratégia e objetividade por ambas as equipes. Os estrelas negras são forçados a recuar ante a inteligência de Gattuso, melhor jogador italiano em campo que arma a jogada do segundo gol e virada das camisas azuis. Gana não se abate desta vez, correm muito e tem a garra característica do futebol africano. Além de contarem com o jovem Amankwa Mikeru, rápido e ótimo toque de bola, substitui Appiah que rendeu pouco depois do gol italiano. Por aquele passam as bolas que resultam em um contra-ataque de encher os olhos. Três toques. A roubada de bola de Pappoe, Mikeru corre para a esquerda e recebe um passe longo que é cruzado após um pulo sobre a pelota que tira mais uma vez Nesta do jogo e sobra apenas Cannavaro que nada pode fazer contra Laryea, toma o drible de bola rápida a distância o obrigando a dar o carrinho por trás. Pênalti. O próprio Laryea cobra no canto direito de Buffon, que não sai na foto.2x2. Trinta e nove minutos da etapa final e o jogo pega fogo. A Azzurra com um jogador a menos recua e perde seu atacante para a substituição estúpida do técnico Lippi. Daniele de Rossi não é nome de jogador de futebol, nem tão pouco de zagueiro. Bastou duas cobranças de escanteio, forçadas pela vontade de jogo dos Estrelas Negras, para que a bola achasse a cabeça do zagueirão Coleman e a torcida africana que coloria o Estádio de Hannover se deliciasse com a vitória do time de Gana. Alegria e raça, enfim posso descer as ruas da cidade e beber uma cerveja alemã junto a Gunther e seu pai.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Renato às 18h42
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maravilhas da ciência

O estádio Palestra Itália não precisará mais de refletores??

Cientistas de Taiwan criam porco fosforescente

12/01/2006
13h17
-Cientistas da Universidade Nacional de Taiwan afirmaram nesta quinta-feira ter criado três porcos transgênicos verdes que brilham no escuro, a partir da mistura do material genético deles com o de águas-vivas.



Escrito por Ogro às 14h51
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Três notas sobre a abertura do Paulistão. Noroeste 1 X O Corinthians

1. Gustavo, esse gênio, conseguiu ser expulso aos 49 minutos do segundo tempo.

2. A torcida do Norusca começou o "olé" antes dos 45 minutos. Inacreditável.

3. Abri o blog do Gustavo Duarte e olhem o que encontrei (detalhe: o post é de 04.01.2006):



Escrito por Demas às 16h42
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Belo início.

Bolonistas vaticinantes:

 

Está boa a Copa em seu início: alguma surpresa, alguma comprovação. Como em boa Copa, alguns nomes novos, alguns esperados.

 

Assim está até agora nossa Copa:

 

No Grupo A: Alemanha 1 X 2 Costa Rica

 

No Grupo B: Inglaterra 2 X 0 Paraguai

 

No Grupo D: Angola 2 X 3 Portugal

 

No Grupo E: Gana 2 X 0 EUA

 

No Grupo F: Austrália 1 X 1 Japão

 

Faltam ainda jogos dos Grupos C, G e H. A torcida aguarda ansiosa.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 22h34
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Às vezes é assim.

Antes do assopro, o beliscão: está mais que provado que estes jogos às 10h são um erro brutal. Hoje, aqui no Estádio Fritz Walter, em Kaiserslautern, o calor foi de rachar mamona. É impraticável desenhar bom futebol sob a pressão desta temperatura: houve – e todos viram – um desgaste monumental abatendo ambas as equipes. Kaji parecia um náufrago aos 15; Mc Kain revirou os olhos aos 20, parecia acometido de maleita. Eu sorvi a deliciosa cerveja alemã como quem mama no peito e ainda assim não acalmei o calor infernal.

 

Feito o registro, à festa. Foi bonita a festa: o abraço de Neeskens, o craque holandês que auxilia Guus Hiddink na árdua tarefa de comandar os aussies, no nosso Zico foi mais do que uma demonstração de fair play. Foi uma revelação mútua de profunda admiração. Zico deve ter visto, em seus bons dias, a classe discreta de Neeskens – o outro lado da moeda na Laranja. Neeskens viu, no ocaso de seus bons dias, a leveza do futebol do Galo. Abraçaram-se como velhos amigos, sabedores do quanto é difícil estar do lado de fora, ainda mais na direção de equipes tão distantes da Holanda de 74 e do Brasil de 82. Uma curiosidade antes de partir pro jogo: o auxiliar técnico da Austrália brilhou na única Copa que a equipe da Oceania jogou. Jogou assim por dizer: participou.

 

Bem, o jogo começou e quem brilhou mesmo foi o Sol. Os dois times jogaram muito mal, por razões diferentes: a equipe japonesa foi um amontoado de velocistas sem rumo, a australiana, um grupo à beira de um ataque – os jogadores bateram inclementes e só tiveram uma jogada: rifar a bola na esperança de uma cabeçada do Viduka, vejam se isso é nome.

 

O jogo virou 0 X 0. Zico e Neeskens se cruzam, levantam os ombros e sorriem, como se pedissem desculpas um ao outro.

 

Incrivelmente, o jogo melhora no segundo tempo – parece que o trabalho dos comandantes no vestiário foi eficiente. Nenhuma substituição, mas uma mudança de postura marcante.

 

O Japão orienta sua correria e passa a apresentar um jogo eficaz: trocas rápidas de bola, alternância de posição entre volantes e meias, atacantes vindo buscar bola e o avanço surpreendente de laterais e zagueiros. Com a mudança, o time alcança seu tento: uma troca de passes iniciada no campo da defesa pelo atacante Nakamura passa pelo meia Nakata, que lança na ponta-direita o volante Tamada. Um centro e o zagueiro Ogasawara cabeceia certeiro: está aberto o placar. A incrível jogada do time treinado por Zico lembrou, ainda que por um átimo, a Holanda de Neeskens.

 

A Austrália transforma sua violência em volúpia. Os jogadores passam a acreditar em todas as jogadas, parecem gigantes fortes e determinados. Arriscam-se no ataque e o menino Wilkshire começa a tentar as jogadas individuais. Acerta um drible desconcertante em Miyamoto, tira dois japoneses em um só lance, faz cruzamentos por cobertura e finaliza em gol. O garoto incendeia o time e a bola o procura, essa cadela mansa. Em uma jogada especialmente inspirada, Wilkshire tenta uma meia-lua e é derrubado na própria. Barreira de seis japoneses e a bola chutada pelo australiano viaja precisa até o fundo das redes de Kawaguchi. É o empate. A falta cobrada pelo jogador treinado por Neeskens lembrou, ainda que por um átimo, um gol de Zico.

 

O jogo termina assim, Austrália 1 X 1 Japão, que às vezes é assim mesmo.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 20h39
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Falando em camisa...

Senhores:

Vejam que espetáculo de uniforme Costa do Marfim vestirá na Copa. Até agora é o meu preferido.

http://www.sofutebolbrasil.com/produtos/428871.asp



Escrito por Demas às 15h23
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MEU AMIGO SECRETO

Na toada dos amigos secretos tradicionais - já que, como disse o Deco, não conhecemos as regras deste à distância -, faço a fila andar. Meu amigo secreto é o Pedrão, o americano mais baiano de Brasília.

O presente? O manto sagrado do Mirassol Futebol Clube, uma das duas únicas camisas verdes que eu gosto (a outra é a do Celtic). O presente foi devidamente embalado e enviado para a casa do ...... Deco. Que prontamente passou-a ao...... Renato. Que entregou ao ..... não sei!

Pedrão, cobre o presente do suporte técnico do nosso diário.

Que a camisa sirva como votos de muita alegria neste 2006.

Beijão



Escrito por Ricardo às 14h00
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Aniversário

Dez mil acessos. Dez mil. Não é pouco, não é.

Longa vida ao diário!



Escrito por Amaral às 11h33
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Cuma?

Está aí o Campeonato Paulista, que recebe feliz a volta do Moleque Travesso e reúne, pela primeiríssima vez, os atuais campeões mundial, da Libertadores, brasileiro e da Copa do Brasil. Não é pouco.

Todos contra todos, turno único, os quatro últimos caem.

Mas o que me espantou ao ver a tabela não foi o regulamento, mas outro lance. Sintam o drama (recomendo ler de um tapa só, segurando o fôlego).

O São Paulo estréia em Santo André, pela 3ª Rodada; depois recebe o São Caetano pela 4ª Rodada e o Juventus pela 1ª Rodada. Joga a 5ª, 6ª, 7ª, 8ª e 9ª rodadas e, enfim, vai à Bragança para cumprir a 2ª Rodada.

Ê, laiá.



Escrito por Demas às 11h15
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Doze anos. Doze anos pra ver este escudo novamente costurado no fardamento.



Escrito por Demas às 00h50
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Que sem ela não pode ser...

Diário da Copa - Edição 04 - Última parte

 

Nesta toada a programação noturna ia ficando difícil de se organizar. Alguns queriam ver ensaios, outros andar pela Lagoa, outros irem a sei lá qual lugar. Fomos todos aos Arcos da Lapa, encaramos bons sambas. E na volta, paramos no Jobi, lá na Ataulfo de Paiva, para uma saideira. Foi lá que aconteceram os primeiros jogos. Espanha e Uruguai, Pacaembu. 2x2, num belo jogo. Maspoli, o arqueiro uruguaio, ia ganhando vaga na seleção da copa. E um ponta, Ghiggia marcava sempre goles decisivo. Mas no Maracanã, um baile. Um desfile. Uma apresentação do melhor de tudo, o creme: 7x1 nos suecos. Sim, não percam a conta: um, dois, três, quatro, cinco, seis e sete. A Copa era nossa, não tinha jeito. Ademir marcou, num único jogo, a espantosa marca de quatro goles. Chico fez dois e Maneca completou a sova. A noite do Rio, a brisa, fica fácil entender porque chamam a cidade daquele jeito, de maravilhosa. Na beira da praia, defronte ao Copa, olhamos o mar. A Copa de 50, parece que dá para ouvir a multidão cantarolando pelas ruas, comemorando mais uma vitória.

Dia seguinte, manhã bonita. Café. E outros mimos oferecidos pelo Massoneto. Camisas do América do Rio, onze camisas. O Ameriquinha continua a ser o mais simpático dos clubes cariocas. E pensar que o América já foi eliminado pelo Careca, em pleno Maraca. Nessas lembranças me peguei indo para Santa Tereza, porque alguns queriam tomar cervejas e cerveja gelada é lá no Armazém São Tiago. Entre uma cachaça, que ninguém é de ferro, uns salaminhos e cervejas, foi que alguém cantarolou as "Touradas de Madri". E naquele "Eu fui as touradas em Madri, paralátibum bum bum", ensacamos a Espanha por 6x1, eu repito, seis tentos, meia dúzia, a um, em tarde esplendorosa de Bauer, o gigante do Maracanã, de Zizinho, de Ademir, de Friaça, de Danilo. A Espanha não sabia o que era derrota, tinha arrancado empate contra os uruguaios, tinham esgoelado os ingleses. Não era impossível considerar que o jogo final contra os uruguaios era só um detalhe técnico da competição, para cumprir regulamento. Até porque os uruguaios suaram sangue para vencer os suecos no Pacaembu, 3x2. Gol de Ghiggia. Os mesmos suecos que perderam de sete do escrete branco. A finalíssima, jogamos pelo empate. O Rio borbulhava. O país em festa. A taça foi nos entregue, em réplica. Saímos de nossa concentração afastada, isolada da imprensa, do guéri-guéri, dos festejos, para treinarmos junto aos holofotes de São Januário, apenas para a partida final. Almoçamos no Lamas, filés pra lá de aprazíveis, bebericamos um ou outro chope. Maspoli (Uruguai), Stankovic (Iugoslávia) e Nilsson (Suécia); Andrade (Uruguai), Obdulio Varela (Uruguai) e Bauer; Zizinho, Ademir, Jair, Gainza (Espanha) e Ghiggia, a seleção do mundial. A praia não fomos. No almoço os planos para aquele domingão, talvez um jogo no Maraca, talvez mais um choppinho no Bar Lagoa. Talvez os dois. A Suécia ficou com a terceira colocação, ganhou da Espanha, 3x1 em São Paulo.

"A expectativa para este segundo tempo é enorme. O Brasil dominou a primeira parte, o empate nos dá o título. Mas a multidão, e se estima em duzentos mil apoiantes, quer o título e quer o gol". Era um rádio, último volume, em uma das muitas esquinas cariocas. Paramos ali para ouvir o jogo, as favas contadas. "Começa o segundo tempo.... atenção... lá vem Friaça.... GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLL é do Brasil." O espocar do foguetório o grito da multidão. A sensação era de torpor. Estávamos lá. Foi aí que o telefone tocou, lá de longe. Não era o celular. Estranho barulho. Parecia o meu velho telefone de gancho. O telefone insistia. O som do rádio diminuía. As camisas do América desapareciam, aquele barulho. O telefone. "Amaral, meu véio... tudo bem?" "Pô, Luís, é você?". "Amaral, deu tudo errado. Aquela viagem nossa para o Rio, vai ter que ficar para outro dia". Era tarde, Massoneto, muito tarde. O silêncio era infernal. Schiafino, aos vinte, e Ghiggia aos 34 do segundo tempo, em jogadas parecidas até, ganharam a Copa de 1950. A seleção nunca mais vestiu branco. E o Uruguai continuava com o tabu de nunca ter sido derrotado em Copa do Mundo. E o pior é que não deu tempo de experimentar o café expresso do Copa... 

09.01.06



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 23h00
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E diz pra ela...

Diário da Copa - Edição 04 - Parte Dois

 

Começamos nossa campanha com uma sonora goleada no México, 4x0 no Maraca, dois de Ademir, um de Baltazar e o outro de Jair. Neste jogo, uma curiosidade, a primeira partida do arqueiro mexicano Carbajal, recordista de participações em Copas do Mundo: 5!!!! O Pança devia ser o último a descer, também não acreditava no que assistia. Com uma camisa do Campo Grande, pensamos todos em assistir a um jogo no Ítalo Del Cima. "Cadê o Caubas e o Ju?". No segundo jogo, um susto, Pacaembu lotado e uma Suiça no ferrolho, um famoso esquema tático defensivo, adorável para times pequenos e técnicos entendidos. 2x2. Uma pena, o treinador Flávio Costa escalou a maravilhosa linha média do tricolor paulista naquele jogo e nunca mais repetiu a dose, sei lá por quais razões. Só Bauer jogaria o resto do certame. 42 mil pessoas viram Alfredo e Baltazar marcarem para o escrete branco, jogávamos de branco naquelas copas. Fizemos planos, vários planos, quando o Caubas desceu, já tinha bebericado umas no frigobar. "É muita emoção e ninguém é de ferro". Trajava a estranha, mas simpática, camisa do Madureira. Decidimos. Iríamos ao Bracarense, ainda era cedo, devia ter algum lugar para nos acomodar. Nisso um Juliano totalmente esbaforido desce, numa camisa da Portuguesa de Governador Valadares. E eu que pensava que a Portuguesinha só existia no canal 100...

O Bracarense pode não ter vista para o mar. Pode não ter o melhor chope do mundo e, para quem gosta de camarão, pode até existir bolinhos melhores do que aqueles. É um lugar apertado. Não tem como sentar. Mas é o melhor boteco do planeta. E ponto final. Chope vai e chope vai também, no terceiro jogo um show de Zizinho, de gala. 2x0 na fortíssima Iugoslávia. Ademir e Zizinho marcaram para deleite da bola. Finda a primeira fase, classificados, com 5 pontos, contra 4 dos iugoslavos, 3 dos suíços e nenhum do México. O técnico Flávio Costa era um "popstar", diziam. Talvez aí algumas explicações de nossas confusões com o elenco. Para fazer média, escalou paulistas em São Paulo. Cariocas no Rio. Sei lá. Caminhamos muito bem, entretanto, com Bauer e Zizinho estraçalhando. Enquanto a celeste teve apenas um jogo, um joguinho, e carimbou a vaga para as finais, a Espanha se classificava com três vitórias inapeláveis, desbancando os ingleses que fizeram uma campanha pífia, ridícula até. Os ingleses participavam da sua primeira copa do mundo, porque das outras não quiseram saber, se achavam os donos da bola e os melhores do mundo. Pelo jeito não era bem daquele jeito que eles imaginavam...

Ainda era cedo, antes do meio dia. Rumamos para o Bar Luiz, na Rua da Carioca, no centro do Rio. Salada de batata, clássica. Uns choppinhos. Andar a pé pelo Rio faz bem. Passamos, antes, na Confeitaria Colombo e, patéticos, compramos uns souvenirs. A Suécia mandou ver e para quem achava que os nórdicos eram só vikings, classificou-se no grupo que tinha Itália e Paraguai. Neste grupo, num Pacaembu boquiaberto, 41 mil pessoas assistiram a Itália perder da Suécia, 3x2. O público de Brasil e Suíça tinha sido de 42 mil pessoas. A colônia italiana de São Paulo teve ter ficado triste naquela tarde. E era um dia lindo no Rio. As moçoilas desfilando pela cidade enquanto andávamos com aquelas camisas de futebol pela beira da praia. Entre um papo sobre o corcovado, a lagoa, o Cristo, Luís lembrou que tinha reservado a feijuca no Copa, para 22 pessoas. Rimos. E fomos firmes e convictos que aquele mundial estava destinado a ser um divisor de águas para o Brasil nas copas do mundo. Depois de 50, nunca mais jogaríamos de branco. Era a nossa Copa, definitivamente.

Ninguém é de ferro. Um calor danado, a feijuca e os chopes cariocas, a sesta era absolutamente necessária. Todos, sem exceção, antes do almoço subiram aos quartos e ligaram os ares condicionados no talo, coisa de quinze, dezesseis graus. Depois da feijuca encontraram o quarto semi gélido e a sesta foi feita acompanhada de cobertor. Cobertor no Rio de Janeiro? Ué, já que estávamos ali mesmo...

Fim da Parte Dois



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 22h58
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Vai minha tristeza...

Diário da Copa - Edição 04 - Parte um

Bolonistas, a copa de 1950....

 

Foi idéia do Luís. Admirador confesso da Guanabara, carioca como poucos os paulistas sabem ser, Luís organizou tudo. Até agora eu não consigo entender como ele pagou aquelas onze reservas, com quarto de casal, porque as meninas começavam a achar um saco esses encontros, no Copacabana Palace. A Copa de 1950, todos sabem, até as amebas, foi no Brasil. Somente treze times disputaram o torneio e evidentemente, como não podia deixar de ser, o regulamento era uma pérola. Quatro grupos, sendo dois de quatro times, um de três e um de dois. Sério, dois times em um grupo. Os campeões de cada grupo fariam um quadrangular, todos contra todos, e o melhor time desta série seria o campeão. 50 não teve uma final, propriamente dita. Aliás, adivinhem quem foi o time campeão do grupo que tinha dois times? O Uruguai, sim, o temível Uruguai, campeão de 30, bi campeão olímpico, campeão do sulamericano de 41, precisou de um único jogo para ir para a segunda fase. Meteu uma estrepidante goleada na Bolívia, 8x0, no Estádio Independência em Belo Horizonte.

"No Copa???"  Esta foi a pergunta feita pelo incrédulo Juliano Basile quando recebeu os "vauchers" em casa. Mas se não foi só o Juliano que não acreditou, ninguém de fato ousou perguntar como uma extravagância daquelas estava sendo cometida. Seria uma estultice? O fato é que começamos a nos deliciar, já no hotel. Nos quartos, sobre as camas, cada um encontrou uma camisa de futebol de um time do Rio, menos o Pedro e o Renato, que torcendo pelo Mengão foram homenageados com times paulistas. O Pedro ganhou uma veste azul do São Bento de Sorocaba, novamente disputando a série A do Paulistão. E o Renato, ganhou uma linda camisa rubra do Noroeste de Bauru, o Norusca.

A Copa quase não sai do papel. Obras atrasadas, aquele "bundalelê" que infelizmente estamos acostumados. Foi um italiano, Otorino Barassi, que colocou ordem na casa, quase na véspera da estréia do Mundial. Construímos o Maracanã, o maior estádio do Mundo. Preparamos o certame com jogos no Rio, no Maraca. Em São Paulo, no Pacaembu. Em Coritiba, no Durival de Brito. Em Belo Horizonte, no Independência, que aliás assistiu a uma das maiores zebras da história das zebras, com os estadunidenses derrotando os ingleses, por 1x0. No Recife, na Ilha do Retiro. E Porto Alegre, com o Estádio dos Eucaliptos. Uma festa, enfim.

Feliz da vida, pelo saguão do hotel, eu me deliciava com minha camisa azul do Olaria. A Itália era favorita para a copa. Mas perdeu a base do seu time, na tragédia do Torino. O Brasil então se destacava, com uma equipe muito forte. O time: Barbosa e Castilho, goleiros. Augusto, Juvenal, Mauro Ramos de Oliveira e Nena, zagueiros. Rui, Bauer, Noronha, Danilo, Bigode, Ely e Alfredo, para o meio. E para o ataque, Ademir Menezes, Friaça, Mestre Zizinho, Jair da Rosa Pinto, Chico, Baltazar, Adãozinho, Maneca e Rodrigues. Técnico, Flávio Costa. Um belo time, sem dúvidas. Na beira da piscina, o Deco vestia o Bonsucesso, um indisfarçável e maroto sorriso. O Daniel, com cara de espanto, quase atônito, a do Serrano de Petrópolis. E o Franklin, uma linda camisa do Goytacaz. Estávamos todos admirados, estupefactos.

A piscina do Copa é qualquer nota. Os banheiros laterais tem toalhas individualizadas, daquelas de pano mesmo. Usou uma, joga no cestinho. E outra nos aguardaria na próxima visita. Fazíamos planos, esperando os outros descerem. O Ogro estava todo choroso, "Luís, eu te amo, cara!". Ostentava a veste sagrada do São Cristóvão. Pedimos umas cervejas para o pessoal do bar. Os cariocas já brincavam conosco, dizendo do Mengo, do Nense, do Vasco, do Fogão e até do América, quando surgiu o nosso anfitrião, todo garbo, com uma camisa oficial do Bangu de Zizinho. Só faltava ser autografada, pensei. Era. Nem quis saber o preço.

Fim da primeira parte



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 22h55
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Começou esquisito, termina esquisito.

Bolonistas: 2005 foi um ano de ensinamentos. Alguns duros – palmatória e milho de pipoca. É sobre um deles que quero falar.

 

Descobrimos todos que é absoluta e irrevogavelmente impossível organizar um amigo secreto entre pessoas distribuídas em três Estados: um no Sudeste, um no Nordeste e o outro no Cerradão. Impossível, impossível.

 

Não sabemos os protocolos que envolvem um amigo secreto à distância, não suspeitamos as regras de reciprocidade envolvidas. Não há como aliviar a barra: nosso amigo secreto foi um fiasco. Mas há o lado bom: não tivemos de nos submeter à patética liturgia do evento: “meu amigo secreto é uma pessoa muito querida...”, “alguém sabe, alguém sabe?”. O Zecons me disse que já participou de um em que o povo tinha de descrever seu amigo oculto como uma fruta. Uma fruta? Uma fruta. Todos sabemos onde caberia um abacaxi no idiota que inventou isso.

 

Bem, se começou esquisito, há de terminar assim. Revelarei aqui em nosso diário meu amigo secreto, não o compararei com fruta alguma, não inventarei leréias e ainda cometerei a indiscrição de dizer o presente.

 

Lá vai.

 

Meu amigo secreto, amigo queridíssimo e em breve meu padrinho, é o Sr. Ricardo Sartori, ex-baixista da Banda Fluf (Floof?), atual Capa-preta e futuro cartola do Mirassol.

 

Pensei inicialmente em comprar-lhe uma camisa do Mirassol, mas achei que presentear o bolonista com uma camisa verde pudesse parecer provocação. Então, o presente ficou óbvio, já que foi parido aqui mesmo neste diário.

 

Uma visita ao “Só Futebol Brasil” e lá estava ela, brilhante, reluzente: a pavorosa camisa do Pumas – um azul Royal bonito manchado por um puma doirado em tamanho bestial. Não havia outro presente. Espero que meu irmão Ricardo goste da camisa – não tenho dúvida de que, no mínimo, causará impacto ao usá-la. Um abraço, meu velho, amanhã a camisa inicia sua viagem até São Paulo, esse país irmão.

 

Ah, a fruta? Limão galego.



Escrito por Demas às 21h19
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técnicos que deveriam mudar de profissão

uma singela homenagem ao esquadrão de motociclistas de São Luís, no Maranhão, rivais dos bolivianos do Sampaio Corrêa, que eliminou o fantástico time dos menudos do tricampeão do mundo..

Vizzoli, FRANCAMENTE!!!! 



Categoria: Por Una Cabeza
Escrito por Ogro às 17h28
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um a menos..

um candidato a menos para ganhar a próxima Libertadores..

fonte:www.ole.com.ar

RIVER
Se fue Merlo y se viene Passarella



Había llegado tras la renuncia de Astrada, con el Apertura empezado.


Había llegado tras la renuncia de Astrada, con el Apertura empezado.

Los jugadores, encabezados por el capitán Marcelo Gallardo, le plantearon al técnico que no estaban cómodos con la forma de juego y del trabajo del equipo. Los dirigentes le apuntaron al Kaiser, quien está a punto de arreglar su llegada al club.





 


Escrito por Ogro às 15h00
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Se foi, não sabemos. Não saberemos.

Diário da Copa - Edição Especial

Bolonistas de sempre,

 

Tem aquela coisinha mesmo. Percebi, sentado no simpático Empanadas, na Vila Madalena, que sempre há um episódio da história de Winnie Cooper e Kevin Arnold que ainda não tínhamos discutidos. Ainda recuperando os ânimos da noite anterior, estávamos aproveitando o sábado de sol, nas mesas do lado de fora do boteco. Os candangos só voltariam no domingo. Bolachas de provolone, cerveja gelada e uma graúda porção de copa, salame e queijo. O Fê, pediu outra porção de empanadas, já falava de Zizinho e Ademir de Menezes. Calma, bolonistas. Os certames de 42 e 46 não existiram, mas e se?

Em razão da segunda guerra mundial, não houve campeonatos mundiais na década de quarenta. Os argentinos reclamam até hoje deste fato. A Máquina do River Plate dos anos 40 os dá a impressão de que seriam campeões de qualquer torneio entre seleções do mundo. E, de fato, nos sulamericanos em que o selecionado argentino esteve presente e com força máxima a Argentina ganhou tudo. Exceto um torneio de 41, vencido pelo Uruguai. Mas, lembrou o Renato, se nos sulamericanos a história de Uruguai e Argentina é mais rica em títulos, em Copas do Mundo, o Brasil sempre tem chances. E nossa geração dos anos 40 era muito, muito, muito boa. Zizinho surgia e com ele a palavra craque redefiniu o seu sentido. Jair da Rosa Pinto e o excêntrico Heleno de Freitas também são desta época. Assim como a melhor linha média do Universo, formada por Rui, Bauer e Noronha, no tricolor paulista. E o Vasco teve o "Expresso da Vitória", que segundo muitos, e segundo o Pedrão, atormentou os rivais cariocas pela excelência dos seus craques.

Enfim, certamente brasileiros e argentinos disputariam partidas renhidas e memoráveis nos certames de 42 e 46. A Itália também teria chances, ao checar que, apesar da Guerra, fora capaz de gerar um time como o do Torino, do final da década. Mas estes fatos fazem parte do se e o se, não faz história. Mas dá discussão em bar. Aí entramos com tudo no colóquio.

Segundo o Álvaro, o mais argentino de todos os brasileiros, a Máquina do River Plate seria imbatível: Na frente, um quinteto com Lostau, Pedernera, Muñoz, Moreno e Labruna. Mas, existe sempre um mas, o time do São Paulo dos anos 40 era espeto, lembrou o Juliano, ainda tinha Leônidas, Luisinho, a linha média dos sonhos e contava com Sastre, que era o cérebro do time. "Sastre?" Emendou o Deco, Sastre era argentino, o que só fazia aumentar a crença, na mesa, de que os argentinos dificilmente deixariam escapar o caneco de 46.

Inacreditável, porém, que o time mais ofensivo da época, de toque mais belo, nunca tenha enfrentado os argentinos. Em Turim, terra da Juventus, a velha senhora, quem dava as cartas no fim da década de 40, no pós guerra, era o mais simpático dos clubes italianos, o Torino. Em 47 este time arrasou e marcou mais de cem gols no campeonato italiano. Sim, bolonistas, um time italiano que gostava mais de atacar do que de defender. Foi Massoneto que lembrou, com a precisão precisa de sempre, a escalação: Bacigalupo, Ballarin e Martelli; Castigliano, Rigamonti e Grezar, Menti, Loik, Gabetto, Mazzola e Ossola. Sartori, bom de datas, sacramentou: No dia 4 de maio de 49 o futebol italiano perdera seu melhor time e se dedicou loucamente, ano após ano, a encontrar zagueiros que seriam capazes de tentar anular o esquadrão do Torino.

Zecão, emocionado, é muito emotivo o nosso organizador, lembrou que no início da década uma improvável vitória da seleção da Áustria não estaria descartada. Uma geração espetacularmente acima da média, fez com que austríacos na Copa de 34 encantassem o mundo. Mas mesmo depois daquela Copa e da invasão alemã, o wunderteam continuou sendo referência de bom futebol. Durante os anos de invasão o Rapid e o First, ambos de Viena, disputavam o campeonato alemão de futebol, e tripudiavam, ganhando títulos e dividindo todas as bolas com todos os invasores. Imaginamos como foram difíceis os doze anos sem Copas do Mundo. Nisso, Franklin se levantou e propôs um brinde: "Ao Heleno!!!"

Heleno de Freitas, avante do Fogão, era o diabo no campo e fora dele. Muita confusão e muitas, infinitas, mulheres. Teria disputado alguma Copa? Com aquele gênio difícil, marrento, pouco provável. O fato é que jogava o fino e isso é o que importa. Outro brinde. Pedimos a conta. A noite chegava. Rumamos para a casa do Balu, tínhamos marcado aquele jogo de Master, regras novas e tudo mais. Tem aquela coisinha, isso tem.

06.01.06



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 19h38
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alemão na roubada

Será que ele e a família dele sabem que apesar daquele meio-estádio lindo, ele vai ter que treinar Adriano Gabiru, Ticão e Erandir?? Pobre ex-craque teutônico...

Matthäus deve acertar com o Furacão na segunda

A minha família sabe o motivo da minha viagem para o Brasil (negociar com o Atlético-PR), sabe que eu sou apaixonado pelo futebol e jamais ia me tirar uma coisa que seria boa para mim. O desafio em termos técnicos e esportivos será enorme”, previu o provável futuro treinador do Furacão.

 



Escrito por Ogro às 17h01
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o garoto que perdeu a alma

Estranha a relação que os Estados Unidos da América, a maior potência do nosso planeta, tem com o futebol, o esporte mais popular do planeta.Ela parte de uma negação hilária, que faz com que a palavra “football” seja associada a um jogo jogado apenas em terras ianques, por musculosos mancebos protegidos por armaduras de kevlar. Ao futebol do resto do mundo restou a alcunha de “soccer”.

Durante todo o século XX, os estadunidenses assistiram o crescimento meteórico do baseball, como esporte praticado pela classe trabalhadora local, sobretudo após o “baby-boom” ocorrido com o fim da Segunda Grande Guerra. O basquete seguia sendo um esporte dos guetos, até a ascensão de Larry Bird, nos anos 70 e o tal “football” continuava sendo imbatível. No fim dos anos 70, já com a imensa imigração latina para aquelas bandas, aquele estranho esporte jogado basicamente com os pés começou a ser percebido, para espanto de muitos protestantes com seus pescoços vermelhos. Este movimento ganhou adesão de inúmeros representantes das camadas mais altas e mais intelectualizadas dos maiores centros urbanos, influenciadas por uma visão cosmopolita de seu país que contrastava com a visão isolacionista das classes médias e baixas.

Ocorria, então, um movimento oposto ao resto do mundo, aonde o combustível para o desenvolvimento do futebol sempre esteve nas classes baixas, no operariado. Era necessária a conquista destas camadas nas terras ianques.

Distante de toda esta discussão, no dia 22 de junho de 2006, na cidade de Nuremberg, outrora palco de acontecimentos históricos importantíssimos, o adolescente Freddy Adu, com seus 17 anos não conseguia esconder o seu desconforto e a sua desorientação.

Figura principal do projeto mais ambicioso de desenvolvimento do futebol na nação mais poderosa do mundo, desde o fracassado Cosmos,  sucessor pré-anunciado de Pelé, o garoto era há anos uma aposta que tinha que vingar. Vingaria. Assim diziam os 90 milhões de dólares de contrato com a Nike. Freddy Adu, uma criança trazida de Gana aos 13 anos, escolhida a dedo, era o redentor do futebol estadunidense.

Ocorre que o rival de ocasião era a seleção de Gana, sua pátria-mãe. O desconforto já era insuportável ao escutar o hino ganês, por ele cantado em diversas ocasiões, em uma escola do subúrbio de Acra. Tudo bem, pensou, o “tal” sonho americano valia tal desconforto. Bola em jogo.

Rápida tabela entre Cláudio Reyna e Landen Donovan imediatamente alcançou os pés de Adu. Era o começo de uma lenda? Neste instante, numa rápida antecipação, Samuel Kuffour rouba a bola e inicia um rápido contra-ataque, demonstrando todo o vigor de um defensor forjado na escola alemã do Bayern de Munique. Contra-ataque inóquo, bola nas mãos do goleiro estadunidense.

O desespero vai tomando conta do jovem Adu, no momento em que ele percebe a sua incapacidade em executar dribles e malabarismos naquela cancha, diferente de todas as com que estava acostumado nos últimos quatro anos. Adu corre sem rumo, orientado por instruções sofisticadas de futebol estilo anglo-saxão gritadas por um histérico Bruce Arena, com seu laptop, postado à beira do campo. A magia do improviso,tão típica do futebol africano, tinha se transformado em um punhado de esquemas frios e gélidos, exatos, monótonos. A beleza dava lugar à força, à necessidade de ganhar,nem que fosse por meio a zero. O menino Adu tinha sido abduzido em uma terra aonde o futebol é prazer e, lembrando o saudoso Neném Prancha, um prato de comida, para ser levado para a terra do individualismo, do sucesso traduzido em agentes, websites particulares, contratos e métodos científicos de preparação e jogo.

A multidão alemã começa lentamente, depois frenéticamente a carregar aquele time, que além da redenção da pobreza contra a riqueza, era a afirmação do tesão de jogar uma Copa pela primeira vez contra a pura arrogância gestada em frios arranha-céus . Gana estava em casa e ao jovem Adu, extraído de seu país no início daquela idade em que calos e cicatrizes são os sinais de aprendizado do verdadeiro futebol, nos gramados esburacados, enlameados e nos terrões da vida, somente restava assistir.

Após noventa e poucos minutos, fim de jogo. O placar apontava dois a zero para a república de Gana, com dois gols e espetáculo proporcionados pelo meio-campista Michael Essien. O jovem Freddy Adu se senta solitário e chora, não a frustração do projeto semeado nos escritórios da Nike, mas a perda de seu espírito, a sua identidade de futebolista.

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 15h32
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Entre tricampeões mundiais...

'CT do São Paulo é melhor do que o do Real', diz Fabri

Sergio Gandolphi

O meia Rodrigo Fabri elogiou a estrutura do CCT do São Paulo. Segundo o jogador o clube brasileiro não deve em nada para clubes de ponta da Europa, como é o caso do Real Madrid (ESP).

- O São Paulo, em termos de CT tem uma estrutura melhor do que a do Real Madrid. Eles não têm essa estrutura que eu v aqui, lá – elogiou o jogador.

Rodrigo Fabri visitou o CT do Real Madrid quando foi comprado pelo clube merengue, mas em 1997. O jogador não chegou a defender o Real, já que foi emprestado logo em seguida.



Escrito por Jubas às 15h53
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Fecha a cinco, garçom!

Diário da Copa - Edição 03 - Última Parte

 

Estávamos todos no bom e sempre bom Sujinho, lá na Consolação. Para os íntimos, o Bar das Putas. Bateu uma fome de comida e não de petisco. Enquanto o Ogro se entendia com o garçom, bistecas a granel e polenta frita, as porções de repolho e de cebola eram devoradas. Nem parecia madrugada. Deslumbrados, ouvimos o relato do médio extraordinário do Estrela: "Em 38, os cartolas deram um tempo na ignomínia e pudemos levar um escrete completo. Era um timaço. O técnico Adhemar Pimenta levou quase todos os melhores, porque nunca se agrada todo mundo. Valter e Batatais para o gol. Domingos Monstro da Guia, Jaú, Nariz e Machado, para a zaga. A linha média, inesquecível, com Zezé Procópio, Martim, Afonsinho, Argemiro, Brandão e Brito. Para o ataque, o melhor atacante do mundo, o Diamante, Lopes, Romeu, Perácio, Patesko, Niginho, Hércules, Luisinho, Tim, e Roberto. Vejam quanta gente bamba... Zezé fez sucesso como técnico, Tim era um baita jogador e foi um senhor técnico de futebol, treinou o Peru, em 82. Luisinho fez chover no Tricolor Mais Querido." Aí, o Ju não disfarçou a gargalhada, o mestre Torresmo era tricolor. E continuou, Demas era emoção só: "Ganhamos espetacularmente da Polônia, na prorrogação, 6x5. O Diamante marcou um gol descalço!!!! Marcou três, só naquele jogo. Depois, a duríssima Checoslováquia, atual vice campeã do mundo. Dois jogos memoráveis. 1x1 no primeiro, Leônidas. 2x1 no desempate, 24 horas depois, dois gols de quem?" Todos riram, eu, boquiaberto: "Leônidas". Foi o Zecão quem perguntou: "E a Domingada?" Lá foi o senhor explicar: "Na semi, contra os italianos, perdemos o gênio. Machucado. Uns dizem que ele não jogou porque o técnico quis poupá-lo para final. Eu conheci o inventor da bicicleta... ele não toparia isso. Acho que é uma desculpa. O time era o melhor. Mas, perdemos. O célebre Domingos da Guia, o maior zagueiro da história do mundo universal, fez um pênalti infantil em Piola. Fora provocado pelo italiano e deu um pontapé, na cara o juiz. O jogo estava paralisado, mas o infame, o juiz, marcou pênalti. Bola na rede e a expressão "Domingada" nasceu. Injusta, porque o pai do Ademir era tudo de bom para usar uma gíria corrente." Era muita coisa para uma noite só. No pudim de leite, Seu Abel, apelido carinhoso dado pelo bisneto, aquele mesmo que ensinou o craque a pesquisar sítios de busca na rede, arrematou: "Devíamos ter ganho aquela copa. Leônidas foi o artilheiro do certame, oito tentos. Metemos 4x2 nos suecos na decisão do terceiro lugar. Mais dois goles dele, o gênio." Antes de ir, embrulhadas em papel de pão, onze camisas do Estrela da Lapa, devidamente autografadas. Um café e a conta, por favor.

05.01.06



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 12h57
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Alguém reservou a mesa????

Diário da Copa - Edição 03 - Parte Dois

 

A Copa de 38 foi na França. Foi o triunfo de Jules Rimet, o visionário que criou esse negócio que é assunto em todos os botecos do mundo. Foi a primeira Copa em que os campeões do último certame estariam em campo para a defesa do caneco. Não deu outra, Itália bi-campeã. Aliás, o time italiano tinha faturado as Olimpíadas de 36, numa época em que o certame olímpico era o capeta também. Meazza jogou a Copa, sem o brilho de 34. E foi o Brasil, sim, o nosso Brasil, o destaque da Copa. Leônidas da Silva foi o melhor jogador da copa, encantou o mundo e somente seria destronado por Pelé, décadas mais tarde. Destronado? Cheguei mais cedo que os demais no Valadares, lá na Lapa, na Rua Faustolo. Abelardo estava lá. Tomava uma cerveja, numa daquelas mesas de armar, de ferro ou alumínio, nunca sei. E uma porção farta e generosa de torresmo, do melhor torresmo de bar da cidade. Um abraço apertado e o velhinho disse que Leônidas da Silva foi genial e é injusta a comparação com Pelé. Pelé era de outro mundo. Ele e Fried. Leônidas, portanto, nunca fora destronado. Ainda que tenhamos Zizinho e Garrincha. Mas temos vagas para diversos reis, dizia ele. Acho que tinha razão.

Os franceses fizeram a primeira Copa com organização impecável. O sistema de disputa, o mesmo de 34. Jogos eliminatórios. A Espanha não fora a Copa, estava metida na guerra civil. Ricardo, que também chegara mais cedo, já na segunda cerveja e na primeira porção de jiló, percebeu uma lágrima nos olhos do nosso amigo, que cantarolou "De pé, ó vítimas da fome...." logo na seqüência da informação sobre o conflito espanhol. O velho Caubas, então, abraçou o centenário. Ainda existem comunistas no mundo.

Quem não conhece o Valadares não sabe o real significado da palavra porção, ou petisco de boteco. Tem peixe, ostra, jiló, erva-doce, lingüiça, coração de frango, testículos de galo e de boi. Enfim, um paraíso para as cervejas sempre geladas. Chegaram os candangos com uma fome de anteontem. Devoraram uma porção de morcela, ou morcila, não sei bem ao certo. Estavam fascinados pelas descrições do nosso novo amigo, aquele homenzarrão, de cabeleira branca, mulato e com uma camisa do Sampaio Corrêa, do Maranhão. Era para homenagear o Franklin, pois o time maranhense homenageia um aviador boliviano e ele sabia, sei lá por qual razão, das ligações afetivas entre o nosso atleticano e a Bolívia. Brindamos ao recente presidente eleito na Bolívia e torcemos, cada um de sua maneira, para que este não cometa os mesmos pecados de Lula.

Foi a primeira Copa transmitida pelo rádio, ao vivo. Era um espetáculo. Narração de Gagliano Neto, pela rádio Club do Brasil. Gostamos todos do futebol pelo rádio, mas o Massoneto, mais. Lembrou do tempo em que narradores eram os "speakers" e falou que Ari Barroso se imortalizou nessa profissão, com uma gaitinha que soava loucamente quando o Flamengo fazia um gol. Pedro sorriu. Enfim, era uma grande noite. A Itália bateu noruegueses, 2x1, os donos da casa, 3x1, o Brasil, 2x1 e venceu a final contra a Hungria, 4x2. Uma nota, os húngaros encantaram com um futebol ofensivo e técnico, indícios de 54, porque no futebol pouca coisa acontece do nada. Os alemães foram o fiasco da Copa, tentaram montar um super esquadrão, com jogadores da Áustria anexada. Não deram sorte, voltaram para casa bem mais cedo que os demais, eliminados pela Suíça, na estréia. Cuba disputou a Copa, passou da primeira fase, inclusive. Por fim, rememorou-se o esquadrão da Copa, com Planicka (Checoslováquia); Mattler (França) e Domingos da Guia (Brasil); Szalay (Hungria), Lazar (Hungria) e Andreolo (Itália); Ferrari (Itália), Colaussi (Itália), Leônidas da Silva (Brasil), Sarosi (Hungria) e Biavatti (Itália).

Fim da Segunda Parte...



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 12h54
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Alguém guardou lugar???

Bolonistas, segue o terceiro Diário da Copa...

Antes, porém, é uma sacangem não caberem os textos inteiros. Ok, dirão vocês... o Amaral está em casa e fica escrevendo zilhões de palavras, textos longos... o diário é para textos mais curtos!!! Eu sei. Bem sei. Mas, bolonistas, a Copa de 38 tem muitos acontecimentos. Diversos. Então, lá vão as partes...

 

Diário da Copa - Edição 03 - Parte Um

 

Poucos sabem. Poucos. Mas de uns tempos pra cá, eu e o Renato temos nos falado por celular. Logo o Renatão que odiava celular. Mas, bem, é fato. É a vida. A razão é simples, evidente. Depois de dois maravilhosos encontros na paulicéia estava difícil, muito árduo, marcar o terceiro encontro. Dinheiro não brota do céu e as viagens de Brasília para SP, mesmo de carro, não são baratas. Mas, carambola, a Copa de 38 ainda não tinha nem começado.

Um dia como outro, em Brasília, aquele ar seco de sangrar narina. O celular do Piauí tocou. O cara não reconheceu, mas atendeu. "Renato?". "Sim, quem é?". "Rapaz, vi teu número no diário de vocês... você falava do seu celular, dos tempos modernos... Eu sou o Zé Torresmo. Treinei o Sima, lá no Piauí." Nosso bolonista quase não acreditou. O inacreditável Zé Torresmo, ou Abelardo Guimarães Tourinho, estava ao celular. Zé fora um dos maiores jogadores do futebol nos anos 30. Defendeu as cores do Estrela da Lapa. Quase foi convocado para a Copa de 30, mas uma briga de cartolas o afastou do certame. Em 34, aposentou-se. E começou carreira de técnico. Lúcido, com mais de cem anos, mora em Paraty. Acha a cidade linda. Para ele o maior jogador de todos os tempos era Fried, e não Pelé. Bom, ele viu os dois jogarem. Jogou com Fried. Sei lá, Fried foi craque no São Paulo da Floresta. Mas isso é tergiversar. O fato é que o Zé treinou diversos times no Piauí e é esta a razão dele ser um dos ídolos de Renato.

Zé tem onze filhos. E uma fortuna considerável. Acumulou fortuna no futebol, era homem de visão. Os filhos e os netos, e os bisnetos, estão criados. Um belo dia, ele sentado defronte ao computador, o seu bisneto mais velho mostrou como acessar esses sítios de busca. Zé ficou "louquinho". Teclou "Zé Torresmo". O sítio de busca o levou ao "Os Bolonistas". Paixão na hora. Arrebatou. O Zé ligara para o Renato para dizer isso mesmo, da paixão. E finalizou: "Renato, tô com a vida ganha. Mas quero muito ver a Copa de 38 ao lado de vocês, lá no Valadares, na Lapa. E para isso, eu pago a passagem de todos vocês para São Paulo. Inclusive do americano que mora em Salvador."

Era madrugada quando o telefone de casa tocou. Já esperava. Os meninos dormiam. A mãe, também. Ouvia um cd do Ira, "Vivendo e não aprendendo". Lembro até da música que tocava, "Dias de luta". O Pança deu a deixa: "Amaral, tá tudo certo. Estaremos aí na sexta, marca encontro no Valadares. O Abelardo (????) vai também. O cara é uma figura". Falei com o Fernando e confirmei: " Ok. Tudo certo."

Fim da primeira parte...



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 12h51
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2006

Ai, garoto, a sua primeira derrota. A primeira-primeira não, que essa a gente não sente direito. Mas a primeira que dói: o pênalti batido errado, o segundo lugar na frente do pai, o tombo, a nota vermelha a sangrar no boletim. Ah, petiz, vai doer. Vai doer muito e você vai chorar. 

Mas, moleque, que delícia é a primeira vitória. A primeira medalha, qualquer que seja a cor; o primeiro 10 depois de estudar para um 10, aquela bola que sobra em um 2 ou 10 no pé certo e viaja, viaja rumo às redes. A primeira feira de ciências em que o vulcão dá certo, aquela figura ganhada no bafo, ficar por último no pique-esconde. Ah, criança, você vai ver, é uma loucura: sobe do chão uma alegria que dá vontade de gritar. Ninguém vai entender sua complexidade, só você. A primeira vitória ganha de goleada da primeira derrota. Você vai ver que suportar as grandes derrotas e comemorar muito as pequenas vitórias nos prepara para relevar as pequenas derrotas e encarar as grandes vitórias sem soberba. 

Ai, guri, sua primeira garota. A primeira-primeira não, que essa nunca é nossa. Essa a gente perde pro menino mais bonito da sala ou não percebe que ela gosta da gente. Às vezes até percebe, mas fica mudo, diz besteira ou finge que não está nem aí. E vai doer, menino, perder essa garota. Vai doer tanto que você vai chorar, sozinho, sem conseguir explicar o que está sentindo. 

Mas depois, criança, chegará aquela. Aquela, aquela. Você tremerá quando ela lhe passar a borracha e tocar os dedos em sua mão. Você sentará ao lado dela na sala e, no recreio, não jogará bola: ficará com ela e suas amigas chatas. E sentirá uma felicidade sem igual. Ah, molecote, você arriscará poemas. Poemas lindos. E se puder dar um conselho: entregue-os a ela, ela vai adorar. Essa garota, menino, jamais sairá da sua memória. Ninguém vai entender sua beleza, só você. E ela será brilhante, muito mais brilhante que aquela outra, que virará chata. Você vai ver que vale a pena dizer pra garota o que a gente sente, mesmo que dê medo. 

E a primeira derrota do seu time, fedelho? Não a primeira-primeira, que essa o deixará triste só porque verá o seu pai triste, sem ânimo e sem história engraçada. Mas a derrota daquele time que você já sabe de cor: goleiro; lateral direito, zagueiro, zagueiro e lateral esquerdo; volante, volante, meia, meia; atacante, atacante. Ah, rapazinho, isso vai doer como um murro: quando a gente é pequeno, nossa fôrma ainda não agüenta uma paulada dessas. A gente aprende a gostar de um time, sonha em jogar nele e na final, vem lá um time de não sei onde e ganha da gente. Vai doer, não vou mentir. Vai doer tanto que você vai chorar e vai ficar emburrado, baterá a porta do seu quarto e recusará a janta. 

Mas aí vem outro campeonato. E o seu time ganha. Piazinho, é um negócio inacreditável: a gente não dorme direito, relembra todo o jogo e vai com o fardamento do time por baixo do uniforme da escola. Aí, amiguinho, você é o rei da escola, do mundo. A alegria é tanta que a gente prega o pôster no armário e escolhe um ídolo – e isso é pra sempre. Ninguém vai entender sua realeza, só você. Verá que a derrota passa rapidinho, a vitória é eterna. Eterna. Você vai ver que apoiar o time na derrota é muito legal: um exercício de lealdade inigualável. 

E por aí vai, parceirinho: a gente leva lambada e se levanta pra estar de pé na hora da vitória. 2005 foi assim, Marco Antônio: começou ruim e depois piorou tanto que o tio pensou que não fosse agüentar. Ficou ruim às pampas mesmo: pareceu minha primeira derrota, a garota que beijou meu colega e meu time levando goleada – tudo junto. 

Mas depois, bem no finzinho, a céu clareou de uma forma surpreendente: seu tio teve a coragem de olhar no espelho e ver com nitidez o que sempre esteve lá: ele tinha encontrado a mulher da sua vida. Mas ele foi ainda mais corajoso: disse isso a ela e agora eles vão começar uma vida nova juntos. Para iluminar ainda mais esta jóia, como uma benção que diz: o mal ficou pra trás e há bom tempo na proa, nasceu o Leonel. E pra 2006, espere, meu amigo, um aliado e um adversário. Tio Jubas e tio Luís estão cuidando disso. 

Um lindo 2006 para a Julinha, Marco Antônio, Leonel, Popó (don’t put the blame on me, boy), Lucas e Lucas. 

Queria que esse texto fosse pra todos eles, mas essa é uma homenagem à minha mãe, Dona Cleide. Mama, um beijo.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Demas às 23h15
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Resultado final: Brasiliense 1 X 0 São Paulo

Últimas notas:

1. 38 minutos: o Tricolor marca um gol legítimo: o juiz anula.

2. 39 minutos: o Brasiliense marca um gol legítimo: o juiz aponta o centro.

3. O jogo foi no Estádio da Fonte Luminosa, em Araraquara. Atrás do gol, a placa: "Fatal Surf". É sempre bom transmitir segurança ao cliente.



Escrito por Demas às 20h03
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Termina o 1° tempo: 0 X 0 modorrento, modorrento.

Mais três notas.

1. Se o Roger continuasse no Tricolor, seria reserva do Éverson (que, aliás, bate falta).

2. O melhor do Tricolor é um tal de Chumbinho, mas, a valer a tese do Massoneto (não a de doutorado, mas a genial), sei não.

3. O Brasiliense tem um tal de Fágner. Pior que ele, só o outro.



Escrito por Demas às 17h56
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Até agora: 0 X 0 fraquinho, fraquinho.

Três notas sobre o São Paulo versus Brasiliense, pela Copa São Paulo, até agora. 

1. O uniforme da Reebok ficou uma bosta.

2. O Tricolor tem um tal de Rincón que - meu Deus do Céu - nunca vi pior.

3. É engraçadíssimo ver o Vizolli gritar: "Sem falta, sem falta". Hilário.



Escrito por Demas às 17h39
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Tal pai tal filho

Dia trinta de dezembro. Véspera da véspera de ano novo. Estou dormindo no sossego e lá pelas nove horas acordo com um burburinho pelo apartamento, eu não identificava o motivo da agitação matutina, mas me levantei sapiente, sobressaltado. O menino nasceu. Pulei da cama e fui de cara amassada para o corredor ter a certeza. Minha mãe corria pela casa em arrumação neurótica das coisas do bebê a serem levadas ao hospital. Olhei para ela e confirmei o fato um pouco nervoso – o que houve? O menino tinha se revirado no útero, saído da posição e requeria uma cesariana de emergência. Marcado para à uma da tarde o procedimento, eu teria tempo de organizar umas fotos prometidas para a mamãe, que enfeitariam seus álbuns de gravidez. Corri para o computador, as fotos havia tirado no dia anterior, um presságio. Me ocupei até o meio-dia e disparei para o Santa Lúcia, do outro lado da cidade, mas cheguei rápido, e pude acompanhar limpeza, pesagem, medição, o segundo choro e a cara de boba da avó, seu primeiro neto. O nome Lucas.

Meu sobrinho, um garoto cabeludo que ainda não tem a cor do pai Boleiro, negro orgulhoso como o avô, meu pai que também era negão e torcia para o Fluminense, como o meu cunhado, o pai orgulhoso de Lucas.

Aqui com minhas paixões queria transformar o menino em Rubro-negro, quando o tempo e o seu entendimento me permitissem a tarefa. Até lá, sonho com um Flamengo ajeitado, jogando com a raça e a categoria de outras épocas. O menino chegou agora. Vai crescer. Posso sonhar.

Mas não tentarei. Muitas coisas unem o filho ao seu pai. E da janela que separava toda uma família ansiosa vi meu cunhado negão e tricolor acariciar a pequena cabecinha cabeluda de Lucas. Só faltou lamber a cria, o Lucílio. Vi aquele cara forte de jeito compenetrado com o olhar pregado no filho e lembrei do meu pai cantando “O filho que eu quero ter”, música ouvida muitas vezes no apartamento da minha infância na voz chorosa do Paulinho da Viola. No vinil era a ultima faixa do lado B. Não cantava mais bichos, mas o amor do pai vendo o filho e a reciprocidade do infante apaixonado pelo pai carinhoso.

É impossível para mim compreender laços tão firmes. Entendimento que deixo para os belos textos do Amaral a falar de seus dois pequenos tricolores, a expectativa do Massoneto e seu futuro Corintiano e agora um mais novo Bolonista no ventre da bela Viviane, esposa do nosso adorável Jubas. São esses os pais e futuros pais do nosso convívio. Eu sou tio, segurei o Lucas no colo e me apaixonei. Não como um pai, esse amor aguardo, mas como não amar o pequeno boleiro. Suas pernas chutavam a barriga da minha irmã e não param ainda, ele parece querer uma bola ao seu alcance.

Mas voltemos. O Lucílio dentro daquele aquário, onde o bebê é examinado, pesado, limpo e coisa e tal, era observado por uma tropa de tias, avó e tio com filmadora em mãos a captar as primeiras imagens do menino tão esperado. Eu procurava concentrar as imagens apenas no Lucas, mas o óbvio nos vem aos olhos, eram os dois, não a criança que faziam o espetáculo. O Lucas era comemorado, mas o Lucílio observando atento seu filho, passando as mãos nos dedos dos pés, segurando a ponta do dedinho da mão, fazendo cafuné no menino, isso tudo era o grande lance, a bola na rede, o gol a ser filmado e lembrado. Para falar um pouco na nossa linguagem recorrente do futebol. Esporte amado por meu cunhado tricolor, time do meu pai que não tem culpa da minha traição de menino, afinal escolhas são coisas das quais os pais uma hora perdem o controle e lá se vão os meninos-homens para o mundo.

Se depender do pai, Lucas será Fluminense. Se depender de mim, também. Quero imaginar os dois felizes da vida em um estádio qualquer se olhando por um instante com aquele sorriso no rosto após o gol do tricolor e a explosão do abraço, as paixões reunidas, de pai e filho e de time de futebol. E meu pai em algum lugar sorrindo para os dois. Mas se o menino quiser trocar de posição na última hora...



Escrito por Renato às 15h49
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Kahn, o Louco - republicado

Bolonistas, começou a Copa: somos, oficialmente, monotemáticos. Ontem, na fila do banco, um office-boy teimava com um engravatado que Togo se classificaria em primeiro lugar. Togo? Fila de banco? Quando se poderia supor que Togo seria assunto de fila? Enfim, Bolonistas, enfim. 

Bem, a festa de abertura da Copa, nisto não há surpresa, foi alemã: começou na hora, as crianças estavam mais coreografadas que urso de circo, houve balões e aquele leão engraçado e sua bola falante foram simpáticos. Surpresa não houve: nenhuma gafe, nenhum atentado terrorista.  

A surpresa estava guardada para mais tarde. 

No começo de Alemanha versus Costa Rica, tudo parecia repetir a festa de abertura: estádio lotado (destaque para os quinze torcedores da Costa Rica), hino da Alemanha cantado pelo Scorpions, Klissmann engravatado, Guima de abrigo, partida iniciada sem atraso. Tudo chatinho, chatinho. 

Chatinho como o primeiro tempo. O tal do Schneider até tentou, como Ballack, o único não-míope neste time da Alemanha. Apesar dos elogios de Galvão, o brasileiro Kuranyi não viu a bola, e o Klose, meu Deus, é pior que o Sandoval. 

Do outro lado, o Apache de Vila Matilde. O tal do Umula é a piada mais fácil do ano e o Centeno conseguiu contundir seu próprio companheiro, o que – pasmem – fez melhorar o time da Costa Rica: a saída do Solis foi o que de melhor aconteceu para os caribenhos na primeira etapa. O não-míope foi Wanchope, mas, sozinho como um paulistano, não conseguiu mais que dois belos dribles e um chute, que Kahn encaixou seguro. 

Quase dormi no primeiro tempo, Bolonistas, mas o que vi no segundo tempo vale um membro superior.  

O juiz iraniano apita e começa a etapa final: cinco minutos depois, ei-lo correndo para o centro, que o Frigs marcou de cabeça. A torcida que lotou o Olímpico de Munique reagiu com palmas alemãs, nada mais. Parecia antecipar. 

Aos 30, eis que Drummond (aquele mesmo que eliminou o Liverpool do Mundial Interclubes) limpa Hamann e Hitzlsperger em um só lance e cruza. Wanchope se vê sozinho com Kahn. O negão tira o goleiro com o olho e chuta de bico: 1 X 1 no Olímpico. 

Os “Quinze de Costa Rica” gritaram o que os alemães pouparam. Era nítido o “Costa, Costa, Costa Rica”: durou minutos. 

Mas o imponderável ainda não tinha atingido seu objetivo. 

Aos 42, corner para os americanos, e Kahn, o Louco, desfere um cruzado de direita em Wanchope. O juiz viu? Viu. Vimos todos a miserável apelada do alemão. A bola passou pelo 9, mas o arqueiro não quis saber: enfiou a mão. Negão no chão e apito trinando: pênalti para a Costa Rica e Kahn cuspindo no iraniano ao receber o vermelho. 

Que desfecho, Bolonistas, para a primeira partida da Copa: goleiro reserva tomando gol de pênalti de Wanchope, desde já candidato a artilheiro desta Copa. 

Este 2 X 1 para Costa Rica não estava em meu planos, que errei a minha aposta no Bolão. Não estava nos planos de Klissnmann, nem nos de Wanchope. Certamente não estava nos planos de Kahn, o Louco.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 15h34
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Será que vai - republicado

Diário da Copa, Segundo Jogo.

Bolonistas Nostradamus...

Ainda não sei como descobri esses caras. Mas descobri. Enfim, vasculhando a Internet, lá estão onze paraguaios aficionados por futebol e uísque. Uísque legítimo bradam os amigos. Se é verdade não sei. De fato, não importa. O medo deles é Gamarra não se curar da tal contusão. Desconfiados, acreditam que tudo não passa de uma trapaça da comissão técnica do Palmeiras, que não quis liberar o jogador, porque com o "Beckenbauer" Paraguaio em campo o cachê do time aumenta para os jogos de exibição. Até em Assumpcion, a fama do cartola brasileiro em adorar cachês é mundialmente reconhecida.

O fato é que o sítio eletrônico dos caras (www.osbolonistas.zip.net) só discorre Copa do Mundo. Olímpia, Cerro Portenho e Romerito foram temas recorrentes, mas depois do sorteio do mundial, no já distante dezembro de 2005, os hermanos pensam em um tema único: a classificação paraguaia para a segunda fase do Mundial da Alemanha. Estamos no dia 10 de julho, em Frankfurt. Eles, los hermanos, tambien. Estão aflitos, muy aflitos. Eles reconhecem a fragilidade do time, que já não tem mais a mesma força defensiva de outra copa. Mas eles tem Gamarra, e convenhamos, quem tem Gamarra tem chances. Enfim, o hino. Uísque na mesa e eles me dizem que estarão os onze juntos. Difícil acreditar, uns moram em Assunção, outros em Pedro Juan Caballero. Há um em Concepcion. Mas, o sítio eletrônico dos caras é espeto e lá, com certeza, estarão os onze a torcer. E, haja torcida... O centro avante deles ainda é o Cardozo??? Ai... dá medo sé de pensar.

Sei lá por quais cargas d’água conheci esses figuras. Eles se autodenominam "The Eleven Boys Who Love The Game, But Is Not a Game". Não entendo patavina do inglês dos caras, sou preguiçoso. Mas o site dos caras é bem bacana, cool. Visitem, amigos, visitem: www.osbolonistas.zip.net .

O fato é que lá o assunto principal é... adivinhou quem disse "COPA DO MUNDO". Tem torcedor do Arsenal, do Aston Villa e do United, que vem a ser o Manchester. Tem um, de cabeça inchada ainda, que torce para o Liverpool. Outro, torce para um time chamado Fullham, que disputa o campeonato da rainha já tem uns bons cem anos e nunca ganhou patavina, só lembranças. O site dos caras tem muitos tópicos sobre James Bond, o que eu acho fundamental, essencial e bacana. Mas o subject principal é o futebol. O bom e velho futebol que eles acreditam ter sido inventado por eles. Tenhamos piedade, por favor, com tal comentário. A bola que não nos ouça. Mas o fato é que eles estão confiantes, até um pouco arrogantes. Se bem que o torcedor do Leeds afirma que o English Team treme nas fases decisivas. Sei lá, eles devem ter suas razões para crer neste fato. Frankfurt, Paraguai e Inglaterra. Estréia. Confiança e tensão. E todos, todos, acham que Beckham será o dono da copa. Desconfio que irão quebrar a cara. O "madrilheno" joga bem, exerce a arte dos passes precisos como poucos, mas no meu time disputa posição. Eu gosto mesmo é da zaga deles, que eles apupam. E Rooney é o xodó. Estão todos juntos, pois de metrô se chega em qualquer lugar por lá. Pub. Cervejas, infindáveis. Bola rolando.

Enquanto isso eu fico procurando uma boa desculpa para não sair de casa, sentar no sofá da sala, abrir uma ou duas latinhas e preparar o telefone para fazer as conferências com o Demétrius sobre o jogão Inglaterra e Paraguai. O jogo, foi um típico Inglaterra e Paraguai. Chato. Modorrento. Gamarra joga e toma uma bola entre as pernas, Owen. Beckham perde pênalti. Cardozo fura a bola e a paciência. E, na base da pressão, Rooney. Inglaterra 1 x 0. No fim do jogo, bem no "finzinho", tabela de Rooney e Owen, desfecho de Scholes. 2 x 0. Não sei, foi mais fácil que de costume.

Enquanto isso, Luis Fernando Massoneto está em Hamburgo. Daqui a alguns instantes, Argentina e Costa do Marfim....



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 15h32
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Portugal x Angola

Bolonistas, estou em Colônia, onde recebi a informação de que o lap-top do nosso companheiro Massonetto falhou, devido ao arquivamento de uma imensa tese de doutorado, e, com isso, ficamos, por enquanto, sem o relato de Argentina x Holanda. Então, vamos seguir a Copa com Portugal x Angola. Aliás, Portugal x Angola em Colônia é a própria piada pronta. Mas, enfim, vamos ao relato. A chegada em Colônia, confesso, foi meio besta. Tive que ouvir todas aquelas matérias pré-fabricadas: “Você sabe por que os perfumes se chamam água de colônia?” “É que o perfume nasceu aqui em Colônia, há trocentos anos...” Um blá-blá-blá sem fim. Essas matérias de caráter turístico em Copas são completo um chavão. Pior, só as mesas redondas em que um comentarista pergunta ao outro: “E quem ganha: Tunísia ou Arábia Saudita?” Ou: “Você conhece esse time do Togo?” Ora, ninguém conhece Togo nenhum. Nem a Sérvia, que é da Europa, eles conhecem e todos ficam dando palpites. Enfim, vamos sair dos palpites e ir para o jogo real, Portugal x Angola já estão enfileirados para o hino. Portugal vem com Felipão à frente fazendo aquela cara de muchocho. E, em seguida, a escalação: Ricardo, o goleiro sem luvas, seguido de Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho (do Chelsea, diz o comentarista), Jorge Andrade e Hugo Viana; Nuno Valente, Petit (não a barbie francesa que fechou a Copa-98 num contra-ataque), Deco e Cristiano Ronaldo; Pauleta e Nuno Gomes. Figo vem no banco com cara de poucos amigos no pelotão atrás de Felipão. Angola vem com... (bem, não me peçam para escalar Angola, afinal, que diferença faz?) Angola vem com dois atacantes poderosíssimos para os padrões africanos: Mantorras, do Benfica, e Johnson, da Portuguesa. O resto é o resto. Começa o jogo e logo se vê o óbvio. Portugal e Angola jogam com razões históricas estampadas em seus rostos. Portugal joga como a metrópole: imponente, com boa troca de passes, funções pré-determinadas e lançamentos austeros. Angola tem sangue nos olhos e a vontade de fazer justiça nos punhos, jogadas confusas e muita raça. Angola alterna a placidez africana – a mesma com que se deixaram escravizar – com lances de raiva incontida. E foi num lance desses que surgiu o primeiro gol. Os africanos se irritaram com uma troca de passes entre Deco e Nuno Gomes e derrubaram o atacante português. Falta e expulsão do zagueiro angolano. O brasileiro Deco, que, como os angolanos, também veio de colônia, mas, como os portugueses, aprendeu a ser metrópole, bateu: bola num canto, goleiro parado no outro. O 1x0 continuou até o final do primeiro tempo, quando o Felipão numa entrevista a RTPi (lê-se “uerretipi”) disse que o time precisava ampliar para garantir a tranqüilidade no jogo. O técnico angolano ouviu a declaração e esbravejou com os seus comandados. “Nos dominaram com tranqüilidade durante anos e, agora, vão nos bater novamente, em frente ao mundo todo com a mesma tranqüilidade de sempre.” O benfiquense Mantorras sentiu uma pontada no coração e voltou ao campo disparado. Lembrou-se de quando foi chamado pela primeira vez de “angolano” no centro de Lisboa. Ouviu novamente o desprezo da entonação de voz ao falarem de sua nacionalidade, e deu dois dribles no zagueiro do Chelsea. Então, Mantorras recordou o olhar de inveja que lhe fazem quando chega com o seu BMW aos treinos do Benfica e bateu no contra-pé do goleiro português: 1x1. O gol animou a platéia em Colônia que começou a torcer para os angolanos com sotaque alemão. Num ataque dominável pela defesa lusa, Johnson recebeu a bola na ponta-direita e chutou sem ângulo uma bola impossível, lembrando Tostão contra o Peru em 1970. Foi um incrível 2x1 para Angola e festa da torcida da Lusa no Canindé. Exatamente naquele momento Felipão surgiu novamente no jogo. Ele sacou Pauleta (o centroavante, quando o time precisava ganhar!) e pôs Figo. Figo entrou com síndrome de expulso do Real Madrid e lançou Nuno Gomes que encobriu o goleiro angolano: 2x2. Seria um empate num “clássico”, como disse Felipão na prévia do jogo em que a grande maioria dos comandados atua em Portugal? Não. Restava uma última surpresa. Um olhar de raiva de Cristiano Ronaldo. Cristiano Ronaldo é aquele garoto que pegava recuperação em todas as matérias na escola e, só para descontar, arrebentava nas aulas de educação física. Após tomar pau em física e química, Cristiano Ronaldo olhava para o raquítico CDF de óculos disfarçado de goleiro e enchia o pé. Depois de marcar o gol, gritava para os amigos fortões da escola e fazia pose para as meninas das arquibancadas. Cristiano Ronaldo nasceu pobre. Lutou, cresceu e virou gente grande no Manchester United. Naquele dia, em Colônia, só Cristiano Ronaldo para entender a dor dos angolanos. Ele também foi pobre e miserável. Ele foi hostilizado e deixado para trás. Cristiano Ronaldo era a síntese daquela partida, o único que poderia compreender o significado daquelas duas seleções: a seleção do reino e a seleção colônia. A seleção da coroa e a seleção dos atabaques e batuques. Cristiano Ronaldo pôs toda a sua compreensão num chute forte, alto que morreu no ângulo do goleiro angolano aos 42 minutos do primeiro tempo. Alívio em Portugal. Mais um sentimento de desolação em Angola. Felipão estréia com um suado 3x2.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 14h30
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FIM DAS PRELIMINARES

Senhores

  Após ler os sempre sensacionais textos do Amaral, penso que já é hora de sairmos das preliminares e irmos ao que interessa. Acabemos com a fase do "vamos combinar", "precisamos organizar", "qualquer dia...", "qualquer hora" e vamos montar uma caravana rumo a São Paulo para bebermos o que os nossos fígados puderem suportar, comer acepipes até a rosquinha fazer bico e fazer as mais concretas previsões sobre o que importa em 2006, a Copa do Mundo. Temos os feriados da páscoa, de Tiradentes (este com direito à possibilidade de ver o clássico Nacional e Grêmio Barueri na Comendador Souza e migrar para o Valadares no pós-jogo) e primeiro de maio. A mítica Van dos bolonistas dirigida pelo simpático senhor da Rua Bráulio Gomes pode ser providenciada. Esposas e rebentos sempre bem-vindos. 



Escrito por Ogro às 14h17
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Joelho de Porco

Diário da Copa - Edição 02

Bolonistas interessados em guias de botecos ou não, 

 

Quando o meu celular disparou, sabia que o Daniel era o mais empolgado. Eles estavam em Uberlândia, acho. Vinham de carro da Capital Federal. Pedro vinha junto, tinha arrumado uma folga lá em Salvador. Pelo telefone, Zecão combinou os últimos preparativos de nosso novo convescote. E avisou que atrasariam um dia de viagem. Massoneto os convenceu a parar em Ribeirão Preto, para chopar no Pingüim, acompanhando um cassoulet presidente. Dirigir depois do cassoulet era sacanagem e eu o Ricardo entendemos o atraso de um dia.

Naquele dia de atraso, Caubas e Amaral combinaram de arrematar os últimos preparativos. Rumaram ao simpático Itamarati, defronte ao Largo de São Francisco. Entre um bolinho de bacalhau, simpáticos aliás, e outro, rememoraram histórias da faculdade e fecharam cronograma. O encontro seria as nove e meia da manhã, lá no Mercado Municipal. Novamente o Álvaro ficou cabreiro com a escolha do meio de transporte, mas desta vez foi convencido pelo ar condicionado da van, sim, uma simpática furgoneta, que fora alugada especialmente para o encontro. Mercadão, nove e pouco da manhã, a furgoneta pilotada pelo Seu Otávio, o taxista lá da Bráulio Gomes, começava o encontro. Caras amassadas, todos com sono. Andar em onze por aí não é fácil. Fico imaginando como é dirigir um time de futebol.

O sanduba de mortadela é de praxe. O Jubas falava da história da mortadela, o cara é uma enciclopédia. Brindamos ao Lucas. E o Deco pediu a primeira cerveja, no balcão do Mané. Entre um sanduba e outro, óbvio, bolinhos de bacalhau. Mortadela de procedência italiana e aí foi batata, Renatão lembrou que a campeã de 34 foi a Itália. Copa difícil aquela. Mussolini, o algoz de plantão, fez o que podia e o que não podia para ter a Itália campeã. Se foi no apito, não sabemos, os livros não contam. Mas foi uma copa destinada a vitória italiana, na marra.

Um passeio pelo Mercadão é necessário. Secos e molhados, os bolonistas experimentaram copas, salames, queijo parmesão, queijo provolone, uvas, figos, amêndoas e azeitonas. Finalizaram o passeio no mezanino, há um Elídio lá. Elídio é um bom bar no Mercadão. Mas é excepcional na Moóca, local onde fotos de time de futebol, e em especial fotos do mais querido, decoram o local. Seu Elídio, o dono, tricolor doente, é um "protobolonista". Ficou a promessa de irmos ao original, o da Moóca, depois de um Juventus e Nacional, na Javari.

A outra parada era o Bar Barão, ali na Barão de Duprat. Uma entrada que lembra um chalé e que esconde um chope espetacular e um joelho de porco para poucos. Tem uma mesa redonda também, ficaram bem acomodados. Em 34, Copa na Itália, era fundamental para Mussolini que os anfitriões ganhassem a copa. Era a propaganda necessária para demonstrar a vitalidade do fascismo. Uma pena, pois naquela Copa o legendário Meazza, no campo e na bola, fez chover e virou nome de estádio depois daquilo tudo. O Uruguai boicotou a Copa, outra pena. Estavam arredios com o boicote europeu no certame de 30. Ainda assim, esta foi a primeira copa que teve eliminatórias, pois o número de inscritos era superior aos 16 times que disputariam a competição. O sistema de classificação, na Copa, foi desde a primeira rodada o mata-mata. Este tipo de sistema foi infeliz pois fez com que metade dos times disputasse apenas uma peleja.

De fato o joelho de porco vale o ingresso. Apesar de outras boas opções de petiscos, foi o eisbein que encantou. Lá pelas tantas o Ogro relembrou do fiasco argentino no certame, que fez um único jogo. Pouco, para quem tinha sido vice campeão olímpico de 28 e vice campeão na Copa de 30. Juliano não sabia a escalação italiana, mas destacou o primeiro brasileiro campeão do mundo, o ponteiro Filó, ex atacante do Timão, que naturalizado italiano venceu a copa. E Meazza, que foi o craque da Copa. De bate pronto, como sempre, Pedrão tirou não sei de onde duas informações: a primeira, os Estados Unidos disputaram a Copa, o que faz dos estadunidenses figuras carimbadas nos dois primeiros certames mundiais, e foi o último colocado, tomando uma sova dos italianos de 7x1 na estréia. A segunda, escalou o time escolhido pela FIFA como os melhores do torneio: Zamora (Espanha); Quincoces (Espanha) e Monti (Itália); Kostalek (Checoslováquia), Urbanek (Áustria) e Ciríaco (Espanha); Orsi (argentino naturalizado italiano, Itália), Meazza (Itália), Ferrari (Itália), Sindelar (Áustria) e Guaita (Itália).

De volta a furgoneta, o papo descambou para curiosidades e amenidades. O time espanhol era muito bom e dizem que o goleiro Zamora era um espetáculo. A campanha do time italiano, uma vitória arrasadora contra os americanos, um embate de Coliseu com os espanhóis, com um empate no primeiro jogo por 1x1 e no desempate, 24 horas depois, vitória da Azzura por 1x0, Meazza. Nas semi, 1x0 na Áustria, que tinha um timaço e jogava no WV, o percursor dos ferrolhos. A final, 2x1 na Checoslováquia. Foi o Fernando que lembrou o nome do artilheiro do certame, Nejedly, da Checoslováquia, 5 goles. O Franklin perguntou qual era a próxima parada, ficou emocionado. A furgoneta estacionou no bar Brahma, na esquina da Ipiranga com a São João. Tinha um show do Demônios da Garoa. Todos cantaram "Trem das Onze".

Era noite. Na furgoneta, Sartori e Luís num assobio lembraram de "com a corda mi, do meu cavaquinho, fiz uma aliança pra ela, prova de carinho". Antes de desembarcarmos na Castelões, para fechar a noite com pizza, porque quem não mora em São Paulo costuma esquecer como pizza é algo perfeito, uma quietude. Ninguém falara do Brasil. Aquela tinha sido a Copa em que ficamos na pior posição. Um modesto décimo quarto lugar. Perdemos da Espanha por 3x1 na estréia e fomos eliminados. Mas Leônidas cravou o seu. O Diamante era puro diamante. Num "papelinho" de um dos botecos, Pedrosa; Sílvio Hoffmann e Luís Luz; Tinoco, Martim e Canali; Luizinho, Valdemar de Brito, Leônidas, Armandinho e Patesko. Germano, Octacílio, Valdir, Ariel, Átila, Carvalho Leite como suplentes. Para variar a cartolada tinha brigado e a mesma cachorrada de 30, tinham nos privado dos nossos melhores jogadores. Mas o silêncio tinha outra razão. Foi quando o Demas começou a cantarolar a música do Vô Joãozinho. Levou um puta abraço apertado dos bolonistas. A Copa de 34 foi a mais bonita. Todos concordaram e brindaram e aguardaram ansiosamente a Copa de 38....

04.01.05, aniversário da Daniella.

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 00h17
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Roger, esse gênio.

Foto Ricardo Saibun/Gazeta Press

Roger, abandonando a reserva de Rogério e assumindo a de Fábio Costa.



Escrito por Demas às 19h42
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Viola, esse gênio.

"Sou um colecionador (de armas). Essa é a única que eu tenho"

Viola, hoje, ao deixar a prisão.



Escrito por Demas às 19h33
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A anunciação (Ou: a História de uma nuvem).

Estava perto do amanhecer e uma nuvem andava pela rua. Calma, contínua e plácida. A nuvem andava pela rua como se fosse uma situação inverossímel, um aviso de que algo de grande e importante estava para acontecer naquele dia. Chegou, embranqueceu a porta de casa e foi embora.
Quem me contou sobre a nuvem que andava pela rua foi a Viviane. Pouco antes de ela sair do trabalho, às 5h30, acontecessem coisas curiosas. Uma árvore brota do deck da piscina para crescer, crescer e crescer, chegar até o topo da casa, até começar a se curvar e cair novamente. Uma família de João de Barros ensaia um giro pelo jardim para pegar um pão de queijo que brotou inacreditavelmente na terra onde brincaram algumas crianças. Mudas de pitanga somem inexplicavelmente e um filhote de lobo branco de olhos pretos e orelhas tortas fica atento esperando as primeiras notícias impressas do dia.
São, de fato, coisas muito estranhas. Seriam normais se não acontecessem às 5h30 da manhã, quando todas as pessoas com horário normal de trabalho estão dormindo. Digo pessoas com horário de trabalho normal porque esse não é o caso da Viviane. E, por isso, ela viu o que aconteceu naquela manhã: a incrível surpresa.
A nuvem foi chegando, subindo a rua. Veio devagar. A inclinação era grande. Então, apontou para perto de casa. Mirou primeiro no portão; depois, na porta central ao lado da garagem. E ficou suspensa por um curto período. Deu o tempo suficiente para que as pessoas, ou melhor, apenas a Viviane (pois as pessoas estão dormindo nessa hora) pudessem vê-la. Fiquei com a forte impressão de que a nuvem queria ser vista por completo. Ela tinha um recado para dar. Queria dizer que algo de diferente e sensacional aconteceria.
Isso aconteceu há algumas semanas. Fiquei pensando se haveria de fato alguma mensagem. Pode ser estupidez minha, mas, às vezes, tento entender mensagens escondidas por trás de conversas de João de Barros, de crianças de dois anos comendo pão de queijo no jardim, de pés de pitanga que lutam para crescer contra a saciedade de um filhote de lobo branco de olhos pretos e orelhas tortas. Será que perco o meu tempo com isso? Fiquei pensando sobre o assunto e, como, no fundo, parece uma tremenda bobagem, resolvi deixar para lá. Guardei a imagem da nuvem passando pela porta da minha casa – imagem essa que nunca vi. E ponto final.
Então, um dia desses, a Viviane me acordou às 5h30. Achei estranho porque era feriado e não estávamos de plantão. Ela tinha o olhar fixo, vivo e atento. Pegou-me pela mão e me tirou da cama.
Pensei que era outra nuvem. Na noite anterior, eu olhei para o horizonte e vi, umas três ruas à frente, outra nuvem andando por outra rua. Era uma nuvem pequena. Talvez, um pedaço de nuvem. Naquela noite, olhei para baixo e tive um pouco da sensação que ela teve naquele dia da grande nuvem e sua passagem histórica. Não sabia que as nuvens andavam por ruas nessa região de condomínios de Brasília. Então, no dia seguinte acordei para ver outra nuvem e descobri que, já há algumas semanas, estava tudo pronto para que eu fosse pai. Quer dizer, descobri que a Viviane estava grávida desde aquela semana em que passou aquela nuvem pela nossa rua e ela teve vontade de me acordar, mas não o fez. E, agora, ela me acordou e não havia nuvem nenhuma. Só uma sensação inexplicável de que a vida pode ser maior de tudo o que pensamos.
Não existe imaginação suficiente para lidar com uma realidade como essa. A nuvem ficou pequena e se apagou, sumiu nas ruas dos condomínios. A realidade é que todos os sonhos e todas as imaginações pararam, de repente, por um segundo, para me dar um toque comunal e, em seguida, voltaram a crescer rápida e instintivamente. E continuar nesse movimento. Vão crescer e crescer. E vou acreditar que não irão parar de crescer nunca mais. Disso eu tenho certeza. Vão crescer sempre.


Escrito por Jubas às 13h51
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COLUNAS

BOLONISTAS

Vejam que lindas as colunas do Melchiades Filho e da Soninha na Folha de hoje. Saudades do Super Trunfo. Do gol do Branco em 94 nem se fala.



Escrito por Ricardo às 12h10
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Futebol de salão é futebol?

 

Sei que se depender da paixão dos brasileiros a resposta é óbvia, mas no que depender de mim futebol de salão é futebol sim, e dos melhores. Se houver a comparação, podemos começar dizendo que é um esporte com proporções menores que o outro, mas com a maioria dos elementos iguais.

 

É jogado com os pés, existe a redonda, existe torcida, existe tática, existem dribles, existem  defesas incríveis, existe juiz, existe... Ups, quase me esqueci do mais importante, o gol.

É um futebol em miniatura, não tão pequeno quanto o futebol de botão, bem sabe o Jubas.

Acho que minha opção por este esporte é porque era um goleiro em miniatura, foi mais fácil.

 

Desde pequeno sempre optei por jogar no gol, seja na quadra de esportes que há onde morava ou no gramadão em frente ao meu prédio. Além de todas as desvantagens – a grama não cresce, as boladas são constantes e o pior, não marcar um gol – há vantagens, acreditem. Você nunca sai do jogo, é convidado para todas as peladas e o melhor é que quando você faz uma defesa “indefensável”, vira herói. Esse é o momento em que o goleiro sonha, esse é o gol do goleiro.

 

Essa minha loucura de sempre querer ser goleiro me levou a disputar dois campeonatos brasilienses de futebol de salão, ainda na época do freekick, pela ASBAC (clube do Banco Central). Experiência fantástica, apesar de não ter ganhado o campeonato nenhuma das vezes. Isso me levou a adorar esse desprezado esporte.

 

Talvez seja um texto estranho para esse blog, já que trata de um esporte diferente do proposto pelo diário. Talvez não seja, talvez se trate do mesmo esporte, apenas disfarçado.

 

 

Feliz ano novo para todos.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Fernando às 10h53
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Rimet era um bolonista? Episódio 3: Saideira

Diário da Copa - Edição 01 - Parte Três

Bolonistas que ficam até o final,

Há os bolinhos de bacalhau também. Os quitutes são feitos aos sábados. São deliciosos, embora tenha dicas de outros bolinhos espalhados pela cidade. O bar fecha cedo, lá pelas quatro da tarde. A conta ficou cara, é verdade. Mas Daniel, emocionado com sua criação, o tal do Bolão, pagou a conta sem pestanejar. Moço bom este Zecão.

Almoçamos no Almanara, da Basílio da Gama. Andamos a pé pelo centro, nos perdemos entre as bugigangas, obras de arte ou não, artesanato ou não, espalhados pelas proximidades da República, a praça. No bom e velho Almanara há um rodízio, do tipo coma o quanto agüentar. Lá o chope é Kaiser e é bem tirado, chega a ser cremoso. Vi outra lágrima na face de Josafá. Entre uns quibes crus e umas esfihas, homus e babaganuche, discutimos que o Brasil tem lá suas esquisitices. O time de 30 era um arremedo de seleção nacional. Uma estúpida briga entre os dirigentes, esses beócios de sempre, paulistas e cariocas, fez com que o selecionado nacional fosse a Montevidéu com um time só de jogadores de times cariocas, mais o genial Araken Patuska, que, brigado com o Santos, topou viajar. Resultado da cantilena: Tomamos um coco dos iugoslavos, ganhamos da Bolívia e saímos da Copa na primeira fase. E o mundo das Copas nunca pode assistir Fried atuando numa Copa do Mundo. Luís, neste momento, ouvindo esta historieta desatou a chorar. Era demais a burrice dos nossos cartolas. Mas, fizemos um brinde, lembrados pela boa memória do Pança. O brinde foi para o médio Fausto, que, mesmo em duas partidas, foi escalado para a seleção da copa, ganhando a alcunha de "Maravilha Negra".

Peguei o metrô para voltar para casa. Feliz da vida. Fico matutando se as informações são verdadeiras, se conferem, se batem com os fatos. Será? Num guardanapo, com as letras de algum dos bolonistas estava o time do Brasil: Joel e Velloso, goleiros. Brilhante, Itália e Zé Luis (zagueiros); Hermógenes, Fausto, Fernando, Pamplona, Ivan Mariz, Benevenuto, Fortes, Oscarino, no meio. Poli, Nilo, Araken, Preguinho, Teófilo, Benedito, Doca, Manoelzinho, Carvalho Leite, Russinho e Moderato, para o ataque. Técnico: Píndaro de Carvalho. Preguinho e Moderato, 2 goles. Nilo, 1 gol. E, noutro pedacinho, letras quase que irreconhecíveis, o time da Copa: Thepot (França); Evaristo (Argentina) e Nasazzi (Uruguai); Mascheroni (Uruguai), Fausto (Brasil) e Gestido (Uruguai); Iriarte (Uruguai), Stabile (Argentina), Scarone (Uruguai), Ferreyra (Argentina) e Peucelle (Argentina). Sorri, será que o Deco vai descobrir os times de cada jogador brasileiro? Será que o Ogro descobrirá quem daquele primeiro time nacional já tinha contrato com o São Paulo Futebol Clube? É ano de Copa, meus caros. Ano de Copa....

Não tenha preguiça, comece a ler da parte um... lá embaixo....

03.02.05

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 00h13
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Rimet era um bolonista? Episódio 2: As primeiras rodadas

Diário da Copa - Edição 01 - Parte Dois

Bolonistas, os primeiros copos, 

 

Pedro ficou encantado com os hotéis do começo da Casper Líbero. O olhar atento do bolonista percebeu uma cidade que deve ter sido romântica, admirado com a fachada do Hotel São Paulo, ainda no largo de Santa Ifigênia, obra de Ramos de Azevedo, 1926. Patrimônio Histórico. E há três, em seqüência, um mais interessante que o outro, com fachadas belíssimas, sendo que um ostenta uma sacada com piscina que é qualquer nota. Disse o Sartori, lembrando, que se tinha o tal Hotel, bem em frente tinha um dos antigos prédios da Justiça Trabalhista. Este é bem feio. A cidade de São Paulo tem lá suas muitas esquisitices.

A Copa de 30 foi no Uruguai. O parmesão servido no bar também é uruguaio. Na mesa redonda do Léo, os onze mal cabiam. O Gaúcho e o Zé iam ter trabalho com aquela mesa. Ruidosos assuntos. Parmesão na mesa, o inesquecível polaco em forma de porção, canapé de carne crua e dá-lhe "chopes". Vi lágrimas nos olhos do Franklin, descobrira o significado da palavra chope. Houve boicote dos países europeus na Copa de 30. Consideravam um acinte a Copa não ser em terras européias. O eurocentrismo, esta doença de colonizador, já os afetava. Mas a França, graças ao empenho de Jules Rimet, a Bélgica, a Romênia e a Iugoslávia compareceram. Curiosamente, Romênia e Iugoslávia vieram em razão das rivalidades esportivas, as únicas que deveriam existir de fato entre as nações. O rei romeno deu palavra que iria a Copa. O iugoslavo, melindrado, mandou sua esquadra também.

É no centenário número da Rua Aurora, bem no centro da chamada boca ou "crackolândia", que tem endereço o famoso Bar do Léo. Mas ali também é uma daquelas regiões onde se encontra tudo para som, equipamentos de informática, eletrônicos em geral. Centenário, também, é o nome do estádio construído pelos uruguaios para abrigar a Copa de 30. O nome foi dado em homenagem ao aniversário da constituição da República do Uruguai. A rivalidade entre uruguaios e argentinos era tanta que quase houve guerra em razão da Copa.

Os mais afoitos queriam bater aposta sobre a composição dos grupos daquela Copa com o Jubas. Perderam uns trocados. Jubas tinha feito um campeonato de botão com os times de 30. Argentina, França, Chile e México. Brasil, Iugoslávia e Bolívia. Uruguai, Romênia e Peru. Estados Unidos, Paraguai e Bélgica. A campanha uruguaia foi irretocável, 1x0 no Peru, 4x0 na Romênia na primeira fase. Destroçaram os iugoslavos nas semi, num memorável 6x1. E a final.... imaginem vocês, a final foi contra os argentinos. Deu Uruguai, 4x2, num jogo espetacular. 1x0 Uruguai. 1x1. 1x2, gol de Stábile, o primeiro artilheiro de uma Copa do Mundo, o argentino marcou oito tentos. Fim do primeiro tempo. Os olhos vidrados do Deco não nos deixam mentir, no segundo tempo, Uruguai 2x2, 3x2, 4x2. Festa. Com este resultado o Uruguai comprovava sua supremacia no esporte bretão, havia sido bicampeão olímpico em 1924, em Paris, e em 1928, em Amsterdã. A Celeste Olímpica voltaria a jogar uma Copa do Mundo só em 1950. Perderia o seu primeiro jogo em Copa só em 1954! Um assombro. Alguém lembrou que perderam a vaga para os australianos. Um assombro. Brindes ao Uruguai ecoaram pelo bar.

Fim da Parte Dois. O Brasil não participou de todas as Copas? E o Brasil???



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 00h08
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Rimet era um bolonista? Episódio: Concentração

Diário da Copa - Edição 01 - Parte um

Bolonistas em ano de Copa,

 

Foi difícil convencer o Álvaro. O nosso argumento central era que não havia sentido irmos de carro ao centro, porque iriam os onze bolonistas ao Bar do Léo, o templo. O resultado provável, e esperado, era uma daquelas bebedeiras de corar ingleses. Porque razão irmos, então, de carro? Contrariado, foi ele que marcou com alguns as nove e vinte no metrô Santa Cecília. Eu, que não sou bobo nem nada, combinei direto lá no metrô São Bento, defronte ao Mosteiro. Aproveitamos, eu e mais alguns, e demos uma passeada pela bela igreja. Lá no mosteiro há um bom programa, que poucos fazem, mas deveriam. Lá há missas cantadas em canto gregoriano, todos os dias no improvável horário das seis da manhã. Aos domingos, dá para encarar, começa as dez. Vale a pena. Mas hoje é sábado, não tem missa no nosso horário. Se bem que eu comprei lá um dos bolos dos beneditinos e levei para a nossa primeira parada, o Café Girondino, que fica na saída do Mosteiro. Entre um café e outro e nacos do bolo todos consumidos, chegaram todos. Luís, Daniel, Fê e Caubas com a camisa do Timão. Eu, Jubas, Deco e Ogro, Tricolores. Franklin, Galo. Renato e Pedro, Flamengo. O engraçado é que eram diversas camisas e diversos patrocinadores.

Andar por São Paulo, embora não acreditem, é fato bom. Ainda mais no centro velho. Foi inevitável que no Viaduto Santa Ifigênia, um dos primeiros viadutos da cidade que ama viadutos, Renato lembrasse que existe um movimento de bolonistas uruguaios que defendem que a Copa de 2030 seja em terras cisplatinas. Todos concordam que o aniversário de cem anos da Copa do Mundo deve ser na terra da Celeste Olímpica. Ia ser divertido. Sempre ele, o Ogro lembrou que a última noite de gala do futebol uruguaio foi no Estádio Centenário, na final do Mundialito, em 1980. Aliás, perdemos a final. Mas metemos um chocolate na Alemanha que dá gosto lembrar naquele certame comemorativo.

Fim da primeira parte. Quando começa o jogo?? Quando chegaremos ao Léo???



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 00h03
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Aviso aos navegantes

Bolonistas...

Vocês estão todos fritos. Em férias, em casa, leio. Ouço música. Muita música. Crio a cria. As crias. E escrevo. Aqui é o meu lugar. Vocês estão fritos.

A Copa começa na Coluna do Amaral. Esta é a primeira... outras surgirão, comparsas. Muitas outras.

Um abraço a todos.

É ano de Copa, meus caros.

 

 



Escrito por Amaral às 23h49
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Contos Rotineiros

 

Bolonistas do novo ano!!!

Confissões da Segunda Paternidade II

 

Lá pelos idos dos anos noventa, já faculdade. Estava no ônibus, na ida. "Não é mole não, virou rotina, toda semana tricolor é campeão!!!". Era o canto. Raí tinha acabado de levantar a taça no Japão e estávamos disputando a final do Paulistão, contra o Verdão de Evair. Na volta, o mesmo cantar. Fiquei rouco. Em sonhos se fica rouco? Ouço um chorinho, o de criança e não a música, vindo lá da sala....

Meninos são foguetes. Desde cedo adoram arrotos. Sim. Arrotos sonoros, arrotos maravilhosamente sincopados. Plena madrugada, eu lá, tentando dormir e ele, lá, tentando arrotar. Parece um campeonato nacional desenfreado. Só que, como não fala, os preparativos para o ato decorrem de um chorar a plenos pulmões. O pequeno não sabe e a mãe dele também não, mas ele fará vários campeonatos de arroto durante a vida. Aprenderá a, propositadamente, tomar goles substanciais de refrigerante para ganhar campeonatos. Mas ainda não há refrigerantes e o negócio, então, é chorar.

Eu fico aqui imaginando como será o ano de 2006. Deitei cedo, antes das dez da noite. Vejam, para um boêmio é inatural dormir tão cedo, mas é natural que sujeito a determinadas condições de temperatura e pressão a exaustão chegue mais cedo. E, findas as festas, a única coisa que pensava seriamente era em dormir, entregue. Vocês não sabem o quão importantes são as rotinas, meus caros. Não estou falando como um ancião ou um conservador, avesso a qualquer mudança na vida. Só estou dizendo que a rotina é fundamental para manter certas coisas bem administradas. O sono, por exemplo.

Enquanto ouvia o chororô da sala, com a mãe tentando tranqüilizar o pequeno e fazê-lo arrotar, o grande dormia e eu torcia, e como torcia, para que ele não acordasse e toda a tranqüilidade aparente da noite fugisse pela janela. Tem certas coisas que sempre acontecem. Uma delas é que quando um chora o outro, acorda. E, obviedades, chora junto. Mas, vamos lá, convenhamos, ser acordado em plena noite quando não se tem vontade é algo que ainda me faz ter vontade de chorar.

Fomos lá para o quarto. Quase caído no chão, com os pés para fora da cama e o corpo todo retorcido para dentro do colchão, um chorinho de resmungo, um resmunguinho suficiente para calar o Maracanã. Foi tentar colocar o grande na cama e pronto, de resmungo fez-se a pólvora. Tive que redobrar os esforços e plena madrugada, tentar restabelecer o sono. Ou os sonos, o meu, o dele, o da mãe e o do pequeno.

2006 começou. Todo novo ano é razão para pensarmos em coisas novas. Em sair de rotinas. Logo, as rotinas que desejamos são aquelas que definem o horário de acordar, preferencialmente depois das oito da manhã, o horário de almoçar, preferencialmente no mesmo santo horário, para evitar que a fome passe, ou que simplesmente fuja de qualquer controle, o horário da sesta, o horário do banho e o horário do jantar. E o horário de dormir. As outras rotinas, como a de se queixar do trabalho, da falta de dinheiro, dos excessos do mercado financeiro, da fatura do cartão de crédito, as lamúrias de um projeto político que cada vez mais se esvai por razões absolutamente pequenas e quase que indefensáveis e aquela mania que temos de fazer sempre as mesmas coisas que nos desagradam, podiam ficar guardadas no ano que passou. Sinceramente, 2005 foi um ano difícil. Já devo ter dito isto, mas há um gosto amargo ainda que insiste em ficar.

O pequeno parou de chorar. Dorme. A mãe conseguiu deitar-se um pouco, esperando pela próxima rotina, a de acordar para amamentar dali a três horas. Eu e o grande, seis e pouco da manhã, depois de desistir de embalar ou cantarolar músicas de ninar, estávamos na sala assistindo ao "dvd" do tri-campeonato da Libertadores, assistindo ao jogo da final contra o Atlético. Lá pelo segundo gol, o do Fabão, percebi que ele estava dormindo. Dormi antes do gol de Luizão. Acordamos, os dois, lá pelas nove da manhã. O sol na cara. Doce rotina.

02.01.06



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 15h57
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Ah, o vil metal

Corinthians dá 1º passo em 2006 sem MSI
RICARDO PERRONE
da Folha de S.Paulo

Em seu primeiro dia de trabalho em 2006, a diretoria do Corinthians vai agir como se não tivesse um parceiro. O clube pretende impedir a MSI de receber hoje um pagamento de R$ 5 milhões da Nike para administrar o dinheiro sozinho, como fazia até assinar um contrato de dez anos com a empresa de Kia Joorabchian.

Os corintianos enviaram uma carta à patrocinadora, com cópia para a parceira, pedindo que a verba seja depositada numa conta só do clube. Normalmente, os pagamentos são destinados a uma conta movimentada com a assinatura das duas partes.

No documento, Alberto Dualib alega que precisa da quantia para honrar compromissos atrasados, de obrigação da MSI.

Assim, orientado pelos seus advogados, Dualib dá um passo para retomar a administração do futebol corintiano, na tentativa de demonstrar que considera a parceira inadimplente, dando motivo para a rescisão.

O dinheiro da Nike é uma das poucas receitas do Corinthians que não foram bloqueadas por causa da ação trabalhista movida pelo atacante Luizão.

A Folha apurou que o presidente corintiano justifica sua atitude com a necessidade de quitar dívidas no valor de R$ 4,6 milhões, todas geradas nos últimos quatro meses de 2005.

No cálculo, está R$ 1,4 milhão referente às férias dos atletas e dos membros da comissão técnica, valor não pago pela MSI.

O restante do dinheiro dado pela patrocinadora será usado para acertar débitos de R$ 1 milhão com o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), R$ 2 milhões de Imposto de Renda e cerca de R$ 600 mil de INSS. São compromissos atrasados referentes ao departamento de futebol.

Dualib não foi localizado pela Folha ontem para falar sobre o assunto. Mas o dirigente tem dito a aliados ter pressa para quitar as dívidas com medo de ser responsabilizado pessoalmente pelos débitos do Corinthians.

No caso da dívida com o INSS, o presidente pode até ser processado por apropriação indébita, já que o dinheiro foi descontado dos jogadores, sem ser repassado ao governo federal.

Aliados do presidente corintiano dizem que esse é um dos motivos que levaram o dirigente a reter o dinheiro da Nike.

Já existem cartolas processados por esse atraso, mas no caso de Dualib isso está longe de acontecer. Primeiro, deveria haver uma multa e a abertura de um processo, o que normalmente leva anos para ocorrer. Existe uma fiscalização do INSS no Corinthians, mas não está relacionada com essa dívida.

Antes de tomar a decisão de reter o dinheiro da Nike, Dualib ouviu na semana passada alguns dos conselheiros mais influentes do clube. Wadih Helu e o vice-presidente Antônio Roque Citadini chegaram a examinar o documento antes que ele fosse enviado para a patrocinadora.

Os corintianos dão como certo que a Nike irá seguir a orientação de depositar a verba numa conta exclusiva do clube. Eles alegam que o contrato é com o Corinthians, não com a MSI.

A Folha telefonou ontem para a assessoria de imprensa da fábrica de material esportivo, mas os telefonemas não foram atendidos.
A assessoria da MSI afirmou que o grupo não se pronuncia sobre questões financeiras.

A empresa de Kia já teve outra receita bloqueada pelo Corinthians --pelo contrato todo dinheiro gerado pelo futebol deve ser administrado pela MSI.

Em dezembro, segundo dirigentes do clube, a MSI queria usar a última cota correspondente aos direitos de transmissão do Brasileiro-05 para honrar compromissos atrasados com os atletas.

Ouviu dos cartolas que o dinheiro deveria ir para a conta reservada para a ação de Luizão.

Dualib planeja usar os atrasos para voltar a pedir que os investidores da MSI afastem Kia, hipótese que o iraniano vê como impossível, já que ele é o principal responsável por reunir os interessados em bancar o negócio.

Conselheiros de diferentes alas dizem que o presidente está prestes a pedir a rescisão contratual. Mas o acordo prevê multa apenas para o caso de o clube sair. Dualib tem uma lista de cláusulas que crê não terem sido cumpridas.

Escrito por Zecão às 13h55
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Que venha o Romário

CAUBAS, FELIZ 2006!

Corinthians faz investida para ter Romário
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da Folha Online

Artilheiro do Campeonato Brasileiro-05 com 22 gols, o atacante Romário pode atuar pela primeira vez no futebol paulista. Após rumores sobre o interesse na contratação do jogador, o Corinthians decidiu oficializar sua investida sobre o atacante.

Segundo o gerente de futebol da MSI, Paulo Angioni, as negociações com Romário serão retomadas após o jogador dizer que gostaria de atuar pelo time do Parque São Jorge.

"É uma surpresa. Agora teremos que retomar nossos entendimentos, voltar a conversar", disse o dirigente ao site www.globo.com.

Angioni disse acreditar que a chegada de Romário ao Parque São Jorge seria algo benéfico tanto para o clube como para o jogador.

"O Romário gosta da massa, de clubes assim, e o Corinthians representa bem isso. Além disso, seria muito bom para ele atuar no Campeonato Paulista e disputar uma competição como a Libertadores", disse.

Uma definição sobre a possível vinda do jogador deve sair esta semana, quando Kia Joorabchian, presidente da MSI, irá retornar da Europa. O iraniano já manifestou o desejo de ter Romário no Corinthians.

Romário teria dito no Rio, na sexta-feira, que já teria sido procurado pelo Corinthians e que o clube paulista seria sua segunda opção, caso não acertasse sua renovação de contrato com o Vasco.


Escrito por Zecão às 10h22
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Que venha o paulistão.

Canhão se destaca em meio à Revolução Tenentista

Em 1924, ocorria a Revolução Tenentista, em São Paulo, contra as oligarquias que comandavam o país. O movimento parou a capital do estado e o Campeonato Paulista por quase dois meses, mas o Corinthians não se abalou e seguiu firme na luta pelo tricampeonato. Afinal, tinha o recém-contratado zagueiro Grané, apelidado de 420 por conta da potência de seu chute, comparada ao canhão de maior calibre da época. Foi com ele formando muralha intransponível ao lado de Del Debbio que o time de Guido Giacominelli chegou a mais uma conquista.

Assim como no ano anterior, a campanha começou com uma goleada sobre a Portuguesa, desta vez por 5 a 1. Outra semelhança em relação ao título de 1923 foi a desistência de um dos principais concorrentes. Naquele ano, havia sido criado um novo código disciplinar e, logo na terceira rodada, o Palestra Itália já tinha dois de seus principais jogadores suspensos. Inconformado com a punição e com a derrota na rodada seguinte, para o Ipiranga, o time se retirou da disputa.

Restavam dois gigantes: Corinthians e Paulistano. No primeiro turno, o jogo foi realizado no Parque Antártica (o Parque São Jorge só seria inaugurado em 1928) e deu Paulistano, o time da elite, uma espécie de antítese do Timão nos anos 20: 1 a 0. O confronto do segundo turno, estrategicamente marcado para a última rodada, no Jardim América, decidiria o campeão paulista da temporada.

Mandante da partida, o Paulistano jogou de passagens compradas para uma excursão que faria à Europa. Como é possível imaginar, os atletas dariam tudo para carregar em sua bagagem as faixas de campeão. Truncado, o jogo não saía do zero e se aproximava do fim sem qualquer perspectiva de mudança no panorama.

Foi aí que apareceu o atacante Tatu. A cerca de dez minutos para o final, ele acertou um tiro descrito como "fortíssimo, violento, selvagem" por quem assistia ao clássico no campo do Paulistano. A bola morreu no fundo do gol defendido pelo grande arqueiro Kuntz e deu ao Corinthians seu terceiro título paulista consecutivo. Delirante, a multidão tomou os tríplices heróis nos braços e os carregou em triunfo pelas ruas da cidade.

GazetaEsportiva.Net



Escrito por Fernando às 08h49
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