Os Bolonistas


Objetos Voadores Não Identificados

Bolonistas que não viajaram...

A Vila mais famosa do mundo, é este o bordão de vários cronistas esportivos, é a Vila Belmiro. O simpático Urbano Caldeira. Antes, muito antes, de conhecer o Heinz, um santuário dedicado a tulipas, chopp gelado e iguarias importantes, era uma das únicas razões que me faziam querer ir à Santos.

Tá certo, todo paulistano que se preze já colocou os pés em Santos. A cidade tem o charme de ser próxima da capital, muito próxima, e ter praias enormes, apropriadas em alto grau para pimpolhos de todas as espécimes. Praias largas, águas relativamente calmas, um ótimo programa familiar. Mas, o que importa é que a cidade tem em seus domínios o estádio do Peixe, palco de glórias passadas e de ótimos jogos entre São Paulo e Santos. Ultimamente, o Tricolor tem jogado na Vila contra a Lusa Santista, sempre com boas apresentações e vitórias.

Não era fácil ir para a Vila Belmiro. Uma das razões, a principal, é a estupidez que impera nos estádios, onde torcidas de um time e de outro se comportam como verdadeiros beócios. Como as cercanias do estádio são de ruas modestas, várias brigas idiotas entre supostos torcedores acontecem na porta do estádio. E clássico, vocês sabem, o grau de idiotia atinge limites bisonhos.

Mas, num distante 1987, logo após o caneco no Brasileiro, naquele jogo dramático, surrealista e fantástico entre São Paulo e Guarani, com aquele gol antológico do Careca, num feriado desses de abril, acho que Páscoa, talvez, resolvi que iria conhecer a famosa Vila de Pelé. Importante, meus pais, não sei porque razões, não estavam no Guarujá. Devo ter dito para minha vó que iria para a praia ou sei lá qual desculpa. Imaginem o que é para um rapaz de quinze anos estar no Guarujá sem os pais por perto...

Eu e um amigo, desses amigos de praia, sãopaulino também, nos enchemos de brio e resolvemos nos encaminhar para ver o time. O trajeto foi feito de ônibus, balsa e ônibus. Antes, parei numa banca de jornal. È sempre bom levar o jornal para saber as escalações e as fofocas do jogo. Comprei um gibi também. Camisetas brancas, sem os distintivos do clube amado. Uma confusão daquelas para entrar no estádio. Bota confusão nisso. Torcidas em lados separados. Ficamos num lugar apertado, ao lado do gol. Estádio lotado. Põe lotado nisso. Confesso um certo arrependimento, mas já era tarde. Aqueles apupos de lado a lado, xingamentos, demonstrações de virilidade e etc e tal. Uma pequena confissão, escrevo estas linhas auxiliado pelo Almanaque do Tricolor, uma publicação que saiu em 2005, com todos os jogos do Mais Querido de 1936 em diante. Coisa linda. Por isso, dou até o público daquele 19 de abril de 1987: 20.099 pagantes. Árbitro, o saudoso Dulcídio Wanderlei Boschila. Falava palavrões a granel o homem de preto. O bom da Vila é que ouvimos quase tudo lá de dentro. Não naquele jogo, porque era um barulho dos bons naquela tarde.

O jogo, pelo que me lembro, foi disputado. Um a zero, Santos. Mendonça. O Tricolor empata, segundo o Almanaque com Edmílson, mas nas minhas memórias o gol tinha sido do Muller. O São Paulo fazia uma exibição de gala, disso eu lembro. A torcida, arrogante como sempre, dizia olé. Olé... O clima no estádio começava a ficar tenso. Voaram os primeiros chinelos na nossa direção. Muller, como jogava o nosso sete, fez 2x1. Primeiro tempo.

Bom, deste instante em diante o jogo se tornou um detalhe. A torcida do Santos, em maior número e com a vaidade de atuar em casa, começou a querer invadir o nosso lado. Uma bagunça danada, chinelos, paus, bumbos. Um verdadeiro quiprocó. Eu queria ir embora, mas não podíamos sair do estádio. A polícia descia o sarrafo em alguns do lado de fora. O inseparável radinho dava detalhes da bobagem. Era um daqueles dias, aquele um. O segundo tempo, quase não vi o jogo, preocupado em me defender e em achar algum canto mais seguro para ficar. Impossível. A torcida sãopaulina encolhida parou até de gritar olé. Por poucos instantes, porque de uma hora para outra alguns meninos como eu resolveram devolver os chinelos para o lado de lá. Não sei se um instinto de defesa ou de imolação. A polícia tentou apaziguar. Olé... a torcida. A esta altura eu achava que o empate seria um bom resultado. Era começo de campeonato. Quem sabe com um empate o ambiente melhoraria. O Santos pressionava. Segundo o almanaque, o empate veio com Éder. E a virada do Santos, com Mendonça. Fim de jogo. Pararam os chinelos. Uma certa calmaria. Os santistas começaram a pular. Nós, a cantar qualquer coisa para espantar a tristeza. A polícia retardou nossa saída. O radinho já não afirmava que havia intranquilidade na saída do Estádio. A vila? Um estádio simpático. Mas deveriam proibir as pessoas de assistirem aos jogos de chinelas. Eu e meu amigo fomos tranquilos para casa, um pouco chocados, é verdade, com a derrota e com os chinelos voadores. Na volta, deu até tempo ler uma edição do Fantasma, um gibi esperado e que tinha demorado para sair naquela semana de feriado. Pensando bem, foi uma ótima idéia levar o gibi. Se o jogo é para esquecer o cotidiano, o gibi era para esquecer do jogo. Mas o cotidiano dos quinze anos é melhor, muito melhor, que qualquer gibi. Disso eu lembro, e como lembro!!!

27.02.06

Segundo o almanaque, a escalação do Sâo Paulo: Gilmar, Fonseca, Adílson, Ronaldo e Éder Taino; Wágner, Vizoli e Quinho (????); Edmílson, Lê (Lange, o que foi trocado por um trator) e Muller (Tangerina).



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 16h30
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Allora

1ª Parte

Chegar num estádio chamado Fritz Walter é uma sensação especial. Walter foi o campeão do mundo que não deveria ter sido. A taça, todos sabem, deveria ter sido entregue a Ferenc Puskas e à magnífica Hungria de 1954. Mas, quis o destino que Walter a levantasse para torcedores espantados com o único jogo, talvez, em que a zebra foram os poderosos alemães. E, hoje, o estádio Ferenc Puskas está esquecido do mundo globalizado da bola por entre as avenidas de Budapeste, enquanto todas as atenções deste mundo se voltam para Itália x EUA.

Um jogo de elite, diriam os sociólogos. Uma partida entre dois impérios (um antigo e outro, moderno), diriam os historiadores. Uma batalha entre duas escolas do defensivismo, concluiriam os futebolistas.

Itália x EUA fazem o jogo em que os EUA são a zebra e a Itália a promessa do tetra que não veio porque Baggio chutou a bola para fora num pênalti em pleno território dos EUA. E o tetra foi para o Bragantino, quer dizer, para o time do Parreira... Parreira que tem time nessa Copa, mas não é mais o Bragantino, mas algo levemente parecido com o time do Telê de 82... Como dá voltas o mundo do futebol!

Imagino uma Copa futura com jogos no estádio Marcos Evangelista de Moraes. Será?

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 22h58
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Allora

2ª Parte

Enfim, o antigo estádio Fritz Walter tornou-se absolutamente moderno. Subo as escadarias rumo à sala de imprensa. Vejo tudo do melhor, mas, em meio a tantas sinalizações em tantas línguas diferentes, me perco. Vejo que há tantas salas para tantas equipes de tantos países. Não encontro a sala destinada aos repórteres brasileiros. Ouço os hinos, o jogo já vai começar, e não acho o canto dos brasileiros. Aperto o passo, enquanto escuto o “Fratelli D´Italia”. Corro e escuto: “Oh, say can´t you see...” Vaias no estádio, e socorro! O jogo já vai começar e não encontro a minha cabine. As vaias acabam e escuto um “Il gioco sará cominciato...” Estou ao lado da cabine de imprensa destinada aos italianos. O jeito é aproveitar a cara de bisneto de imigrantes da Mooca, esconder a bandeirinha do Brasil da minha credencial e fazer o jogo de lá mesmo. Entro na cabine e sou imediatamente reconhecido como um deles. Acho que dá pra fazer o jogo daqui. Felizmente, chego a tempo de ver o chute inicial. Um passe de Cassano para o “difensore” Nesta. Pois é, o jogo começa com um recuo de bola. Os EUA também se postam na defesa, dando a impressão de que o jogo será chatíssimo. E foi no exato momento em que Nesta recuou para o goleiro Buffon que ouvi uma voz bastante familiar: “Allora, Che facciamo...”

Olho para o lado e vejo Ilaria D´Amico. Âncora dos programas da Raí nos anos 80 e 90, Ilaria era a perfeição no Domenica Sportiva, o melhor “mesa redonda” do planeta. Ilaria, além de bela, entendia de futebol. Abandonou a carreira na advocacia pelo jornalismo e, todos, os domingos ouvia-a dizer “Allora” isso, “Allora” aquilo. Como se fosse um bordão, a bela morena da Raí povoava a mente dos fanáticos pelo cálcio: os “Alloras” eram no fundo qualquer outra coisa, menos futebol. Ilaria deu uma nova dimensão aos “mesa redonda”. Ela era sim um revolução futebolística personificada numa deusa. Quando a Ilaria saiu (a substituíram por uma loirinha esforçada, mas meio apagadinha no vídeo), o cálcio perdeu muito de sua força. Na época de Ilaria, eram pelos menos oito times disputando o “scudetto”. Havia o trio tradicional – Milan, Inter e Juve -, fortes equipes romanas (Lazio e Roma), o Parma, a Fioretina, o Napoli de Careca e Maradona, o Torino... Eram pelo menos oito equipes. Hoje só sobrou o trio tradicional. E não temos mais Ilaria. Pobre cálcio.

Confesso que me perdi completamente do jogo. Me senti aquele bambino vendo Malena atravessar a rua. Eu tinha oito anos naquele dia e a Ilaria era a Gina Lolobrigida aos 22. Vejo, então, que já estamos aos 40 do primeiro tempo, e nada de novo no campo. As bolas atrasadas para Nesta e para o zagueiro Grosso – irônico nome, não? – contrastam com a firmeza como Ilaria fala com o chefe da transmissão em Roma. Ouço pessoalmente, os “alloras” de Ilaria e não ouso me aproximar, nem fazer qualquer comentário para interrompê-la. Deusas da TV, meus caros, bolonistas, não devem ser interrompidas nunca. O jogo virou coadjuvante e só consigo ver a atriz principal.

Chegamos aos 20 do segundo tempo e observo subitamente que os quase 30 jornalistas italianos da cabine pularem de alegria. É quase um buzinaço entre jornalistas que esquecem-se, por um instante de que são jornalistas para vibrar como crianças em Copa do Mundo. Procuro Ilaria e vejo-a séria e compenetrada: “Cálcio de punizione”, diz ela. Pênalti, penso eu. Chamar pênalti de “futebol de punição” é realmente básico. Por um momento, imagino-me no meio de portugueses e seus raciocínios óbvios. Mas voltam os “alloras” de Ilaria, subitamente interrompidos por um silêncio e, de repente, novos braços estendidos para o alto na cabine. Foi gol da Itália: “Del Piero”, gritam, enquanto procuro a Ilaria novamente no meio de tantos jornalistas. Ela está tão compenetrada que resolvo olhar um pouco o jogo. É, o jogo, agora, (ou melhor, “allora”) melhorou um pouco. Os EUA tentam alguns ataques nesse finalzinho. Grosso está impecável. Tira todas as bolas da área. E o Zambrotta marca fazendo a festa dos “giornalistas”. Numa “calçada” de Zambrotta (o famoso desarme com a sola do pé), a bola sobra para Del Piero que lança para Luca Toni. É Luca e o goleiro Keller (que é míope, vejam só). Então, como Keller, não vejo mais nada. Só os braços dos jornalistas e umas frestinhas do gramado do Fritz Walter. Um braço se abaixa, e vejo Luca tocar de chapa. Keller, o míope, levanta os braços mais alto do que os “giornalistas” mas não pega nada. A bola quica uma, dias vezes no chão e vai pulando em direção ao gol. Os italianos gritam nas cabines, enquanto Ilaria continua séria, compenetrada. Como se fosse de basquete e estivesse perdida na quadra, a bola quica a trave, se volta para a linha, quica na linha e entra no gol. Golaço de Luca! Vejo Ilaria que, agora, sorri. O jogo acaba e os italianos se cumprimentam. Um me estende a mão. “Auguri! Auguri!”

Cumprimento outros três e me volto para Ilaria. Quem sabe, consigo apenas um cumprimento daquela antiga musa das “mesas redonda”, ou melhor, as “tavolas rotundas” dos anos 80. Quando chego à cabine de Ilaria, ela não está. Olho em volta e nada. Saio da cabine dos italianos e vejo uma pequena tela sintonizada na Raí. Lá está Ilaria apresentando a vitória italiana: “due a zero negli americani”. Irônico, Ilaria. Por mais que tente me aproximar, você sempre estará na televisão. Ahhh... se eu pudesse pegar uma deusa da televisão e colocá-la todos os dias ao meu lado... Como eu seria feliz.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 22h57
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Criancices...

 

No nosso diário guardamos lembranças infantis, dos times de criança, das copas passadas que de fato existiram, de jogos de bafo nas escadarias das escolas, do futebol de botão, dos jogos nos campos com militares aposentados...

   O Fantasma faz setenta anos neste dia 25 de fevereiro.

Não é futebol, eu sei. Mas é também, lá no fundo, uma das razões deste diário existir. Parabéns, Kit Walker!



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 20h37
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Say no more.

O enredo da Tom Maior em 2006:

"Em Grandes Sertões Veredas, o Elo Perdido se achou... Piauí, a Terra do Sol, Me Encantou. Com Frank Aguiar, O Rei do Forró, Eu Vou!".



Escrito por Demas às 20h18
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Bloco na Praça

 

Bolonistas de bloco,

 

Tem assuntos que não podem escapulir. Na mesa de um bar, num colóquio com os amigos, em seminário de faculdade ou "blog" da internet. Aliás, blog da internet é redundância? O que foi aquele julgamento do Tribunal de Justiça sobre o Massacre do Carandiru? Uma lástima. Há um gosto amargo aqui.

Segunda feira, a que passou, fui a um ato na Praça da Sé, sobre o Massacre. Foi triste. Mas foi daqueles dias em que sentimos que lá no fundo da alma existe algo, ainda que uma "chamazinha" de cor clara. Há oxigênio no ar. Ainda bem. Estes tem sido tempos desconfortantes. Desconfio que em poucos instantes da humanidade houve tamanha resignação. E isso é estranho. Mas creio que lá no fundo temos aquela chama, pequena, mas constante. Diminuta, mas viva. Cansada, mas persistente. Mas que foi triste, foi.

Outro dia me perguntaram se o Ronaldo deveria mesmo ter jogado aquela final com a França. Sei não, mas desconfio que deveria. Mas o futebol tem lá suas historietas. A eleição de Ricardinho, hoje no Corínthians, como o mais antipático dos jogadores, em enquete feita pela Revista Placar, demonstra que, do lado de fora do gramado, não apreendemos a amplitude do jogo. E, do lado de dentro, penso que os jogadores também não tem a perspectiva da totalidade do jogo. Estranho? É esta química que faz o futebol ser o assunto do dia, de qualquer dia, na praça ou na padaria.

Desde que o Ricardinho saiu do São Paulo, de forma estranha, aliás, não tenho simpatia alguma pelo boleiro. Mas não esperava a sua eleição, feita entre os pares, para o posto de mais intratável futebolista. Ricardinho é daqueles queridinhos dos programas esportivos de domingo, fala bem, empolado até. O gol de Ricardinho contra o Deportivo Cali foi um golaço. Mas o meia parece que, além de belos passes e belos, e decisivos, goles, também é chegado numa futrica. Outro dia me perguntaram se convocaria Ricardinho. Tenho dúvidas. O futebol tem lá suas historietas. Se tem. O que é esta história da dívida do Luxa para o Edmundo?

O Corínthians, que é chegado numa pantomima, tem dois problemas e um adversário na Libertadores da América. O mais cobiçado dos torneios. Os problemas são o Palmeiras, que insiste em ganhar do Timão nos jogos decisivos, e a barafunda interna. A chegada de Marcelinho anima os torcedores, dos outros clubes. Não sei se anima os corintianos. O adversário do Timão, me parece, é o São Paulo. E o Tricolor tem que tomar cuidado com a sedutora soberba, uma adversária chata e temível.

E por fim, o Noroeste, da simpática Bauru, terá amanhã seu dia "D". Se ganhar do Palestra, chances inesperadas para o inédito. Se perder, naufraga. Quais as apostas? Eu aposto que o choppinho do carnaval vai ser a deixa para vários debates futebolísticos. Alguns vitais, outros também. O futebol tem cada historieta, que só vendo! Bom carnaval e boa rodada.

No ato da Praça da Sé tinha um cidadão com uma surrada camisa do Norusca e outro, com o velho manto verde do Verdão. Futebol é só um jogo? Tenho dúvidas, imensas.

24.02.06



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 14h46
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O melhor torneio do ano

O que poderia ser mais emocionante do que a última Eurocopa de Botão?! Felipão já dizia que o campeonato europeu de seleçoes é uma Copa do Mundo sem Brasil e Argentina. E assim foi. Como definir um campeonato, onde a Holanda é eliminada pela França (2x1), que é eliminada por Portugal (2x0), que é eliminado pela Itália (4x1), que é eliminada pela Inglaterra (5x2), que perde, no sufoco, para a Alemanha (3x2)?! A Copa Europa da Fiba - a Federation International of Botão Association - foi o grande torneio deste início de ano. Eram 27 seleções em nove grupos. Os 16 melhores foram para as oitavas de final. A Inglaterra foi a favorita. Tinha Gerrard e Lampard. Beckham e Owen. Rooney e Cole. E fez o artilheiro: Heskey, com 9 gols. 9 gols, meus caros, nem o Ronaldo faz em Copa do Mundo. Mas, no Botão... A Alemanha chegou como incógnita e foi ganhando, ganhando, olhando a tabela... Pegou a fraca Eslovênia nas oitavas e até Oliver Kahn fez gol de goleiro. Gol de goleiro no Botão?! Está aí uma jogada raríssima. Vejam só, bolonistas! Para ter gol de goleiro no Botão, a bola tem que ser defendida pelo dito cujo ultrapassar os 1,80 m da mesa oficial e morrer no cantinho oposto. A média é um por ano. Nessa Eurocopa, foram três. Cech contra a Escócia (2x0). Coupet contra a Suécia. A Kahn contra os eslovenos. As surpresas vieram do leste: a Tcheca ficou com o quarto lugar após perder a seminfinal para a Sérvia. Jogando com o uniforme da antiga Iugoslávia, os sérvios eliminaram Espanha, Bélgica, Bulgária, Irlanda... e ganharam dos que usaram o antigo uniforme da Tchecoslováquia. Baros chorou após o jogo nos ombros de Nedved. A final foi de dar dó. A Sérvia tomou dois cotnra=ataques nos dois primeiros minutos: Alemanha 2x0. E depois os sérvios acertaram mais três vezes a trave e a Alemanha não perdoou: 4x0. Ballack fez cinco gols. Prenúncio para Copa?! Lukas Podolski fez quatro. Scheneider fez o gol decisivo contra a Inglaterra nas semifinais. Portugal foi promessa e a França minguou. Será difícil superar esse torneio. Quem sabe no próximo campeonato da temporada pelo calendário da Fiba. Vem aí a Copa Afro-Asiática da Fiba. São 16 times e a promessa de futuros estreantes: Gana, costa do marfim, Angola e Togo. Isso se aquela velha lojinha do centro de São Paulo não tiver aderido aos joguinhos de computador. Será que eles têm os novos uniformes da Sérvia e da Tcheca?! Peraí!! Eu disse computador?! Coisa mais sem graça...



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h36
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Samba, suor e cerveja

Caros amigos e parceiros Bolonistas,

Chega o Carnaval e como não só de Futebol vive o homem, me ausento para pular com outra turba lá na Cidade Maravilhosa. Marchinhas, blocos de rua, o Bola Preta e o Se Melhorar Afunda, entre um boteco, uma praia e outra, vou que vou, acompanhado da parceira e de todos os Santos da Festa da Carne. Aproveito para torcer pro Mengão ganhar uma lá no Maraca, porque não só de carnaval vive o homem. A todos meu desejo de belos e carnavalescos porres...

PS: Chefe, meus jogos os entrego na volta.



Escrito por Renato às 13h53
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VUDU 1

Prá merda! O veado do Amaral me manda cobrir o jogo de Trinidade Tobago e Inglaterra. Não que eu não pudesse gostar de assistir qualquer jogo que fosse, mas, Trinidade Tobago? O que é isso? Existe time lá, ou ainda, existe futebol lá?

O jogo vai ser no dia 15 de junho em Nuremberg e eu já tive que correr atrás de passagens, passaporte, visto, o escambal a quatro, sei lá se vai estar frio ou quente em Nuremberg, qual o câmbio do Euro, quanto eu vou ter que levar, o retardado do Fábio dizendo que está faltando batata para o almoço do Bela Rúbia amanhã e que a feijoada do sábado corre o risco de ficar sem a maldita da costelinha. Putaqueopariu!

Comprei um dicionário de alemão. Isso depois de levar a Julinha no parque e ter de ouvir tudo o que a Elke tinha na sua mente. Eu descobri há pouco tempo que a mulher não fala sem pensar, não. Ela pensa falando e aí a gente vai ficando pelas tabelas porque elas não têm o filtro entre o cérebro e a boca e o que elas jamais falariam para nós, homens, elas pensam falando, sem se darem conta de que estamos a tudo ouvindo. “O Fá só pensa nele! Nem se importa com a filha! Tem um tal de jogo sei lá das quantas em Nuremberg e ele faz gato e sapato para atender o puto do amigo dele e nem pra levar a Julinha no parque. Ele nem se importa, diz que isso é coisa de mulher, blá, blá, blá”.

Rachei pro shopping com a Julinha pendurada no pescoço, tendo de enfrentar lugar de fazer doidos que são esses parques eletrônicos e ao mesmo tempo me acabando de estress de ter que ter o tal do dicionário. O gás de criança de cinco anos não acaba nunca e eu tive de arrastar a Julinha aos berros pra Fnac, comprar o infeliz do dicionário. Cheguei em casa, mala pronta prá viagem da madrugada seguinte, deitei prá acordar dali à pouco.

Escrito por Frank às 18h47
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VUDU 2

O táxi me levou ao aeroporto. O avião partiu às 03:30 para São Paulo e o vôo de São Paulo partiu às 08:30 para Frankfurt. O meu assento era o 37-A, saída de emergência. O encosto não inclinava e quando eu fui me assentar tinha um gordo ocupando todo o seu assento e parte do meu. O pior do gordo é quando o gordo tem a consciência de que é gordo e fica o tempo todo se desculpando pelo incômodo de estar te espremendo, te esbarrando, te acotovelando, assumindo, por total excesso de espaço pessoal, o braço da poltrona que deveria, entre pessoas educadas, ser compartilhado num vôo tão longo. Assim, entre as mil desculpas que eu ouvia a toda hora do gordo ao meu lado, eu abri o dicionário para pegar pelo menos algumas palavras chaves em alemão. Mas só então eu descobri: ele era um dicionário que traduzia alemão para português e não vice-versa. Eu teria que saber alemão para usar a bosta daquele dicionário. Eu gastei as quase dez horas de vôo para achar naquele dicionário filhadaputa pelo menos algumas palavras que pudessem me ajudar:

JA:sim - NEIM:não - TAXI:taxi - BIER:cerveja - HOTEL:hotel - STADION:estádio - GEHEM:ir - KOMMEN:vir - BAR:bar - DANK:obrigado - FUBBALL:futebol.

Desembarquei e entrei na fila. Passaporte e documento de imigração na mão, cheguei no guichê do troglodita alemão que me olhava feito eu fosse um imigrante e disse um punhado de coisa que eu não entendi.

Aí eu disse: GEHEM-NUREMBERG

O cidadão falou mais um punhado de merda.

Aí eu novamente: FUBBALL-STADION-GEHEM-NUREMBERG

O gorila começou a ficar vermelho e eu puto da vida.

O cara se inclinou no balcão do guichê e falou outro punhado de bosta e, pelo movimento do seu corpo, eu julguei que eu tinha que responder algo como SIM ou NÃO.

Nunca na minha minha vida eu me arrependi de ter feito algo ou de deixar de ter feito algo. Pela primeira vez eu estava profundamente arrependido. Eu queria saber falar, com toda a fúria da minha alma, em alemão, as seguintes palavras: VAI PRÁ PUTA QUE O PARIU.

Eu fiquei ali, então, calado e o cidadão vendo que eu não ia falar nada, carimbou meu passaporte e disse algo parecido com GEHEM.

Isso tudo acabou perto de meia noite e meia, horário local, e meu vôo para Nuremberg saía às 05:30 da manhã. Procurei o gichê da Lufthansa. Saí rolando a minha mala até ele, não sem antes tomar umas quatro latas de cerveja pelo caminho.

Finalmente Nuremberg! Já fora do aeroporto, imóvel, meio que cambaleando, olho prum lado, olho prá frente, olho pro outro e aí acontece! Devia ser fruto da minha imaginação. Olho prá frente novamente, fixo o olhar no nada e então, somente então, olho para a esquerda de novo e era verdade. Ele está ali parado, sozinho, com toda a impressão que esperava alguém para lhe buscar. Reinaldo! Isso mesmo, o nosso Rei! O maior camisa 9 de todos os tempos! O mesmo cara que eu encontrei um dia lá em João Monlevade na Taberna 33 assentado com alguns amigos quando me aproximei e disse: "Reinaldo, beleza? Eu sou seu fã!" Mas isso é outra história...

Sobrou-me apenas estar ali com uma palavra na minha mente: TAXI, já no dia do jogo, 15 de junho. Chego no hotel às 07:00, tomo banho com uma ressaca federal de um drinque exótico que mistura cerveja, gordo, dicionário, alemão de guichê e fuso horário.

Saio do hotel às 2 da tarde, ainda bêbado do drinque exótico. Me curo comendo uma bratwurst com cerveja escura, tudo regado de mostarda alemã no famoso Christkindlesmarkt.

Estádio lotado. Do meu lado uma loira nórdica que ia me perturbar o resto da partida, pois não sabia se olhava para ela ou se assistia o jogo. Para que vocês entendam a dimensão do conjunto, os alemães são inimigos históricos dos ingleses. Assim, todos os alemães estavam torcendo para Trinidad Tobago e a empolgação dos que não tinham para quem torcer foi tomada pela maioria esmagadora e decidiram vestir a camisa de Trinidad, inclusive a loira norueguesa do meu lado. Se bem que, exotismo por exotismo, sou muito mais a minha indiazinha de Goiás Velho.

A gritaria era ensurdecedora. Jamais imaginei que europeu pudesse ser tão ávido em ver um time ser derrotado. No caso, os coitados dos ingleses que, por paradoxo, de coitado, o time da Inglaterra não tinha nada.

Nunca vi tal técnica. Nunca presenciei algo parecido. Não sei se foi tática do técnico ou desespero dos jogadores, mas nesse jogo, a fúria dos tobaguenhos era tanta que eles corriam desembestados e em bloco na direção da bola, numa carreira desesperada gritando: URUGUM! URUGUM! O estádio enlouquecido começou também a gritar URUGUM junto com os jogadores. A situação ficou de dar medo. Assim chegavam eles na bola e davam uma bicuda da porra para a lateral. Foram tantos os laterais que eu acho que se tivessem mudado as traves de lugar, Trinidad teria feito pelo menos uns quarenta gols.

Teve um lance interessante. O goleiro inglês Paul Robinson lança pro jamanta do John Terry que chuta prá frente e corre em direção à bola prá continuar a jogada. Na frente dele estava o tobaguenho Silvio Spann. De onde eu estava eu podia ouvir os ovos do jamanta: "bolof-bolof" e, pelos olhos arregalados do Silvio eu não sei se ele correu do Terry ou se ele correu prá bola, mas pela carreira que ele deu, ficou a impressão que ele fugia da morte e chegou antes do Terry na bola, bicou um chute prá lateral e continuou fugindo até o fim do campo.

Assim, nesse desespero, diante de um time inglês totalmente pasmado, o técnico inglês arrancando os cabelos, tentando passar orientações para os jogadores e impedido pela gritaria coletiva e alucinada da torcida, termina o primeiro tempo zero a zero.

Escrito por Frank às 18h43
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VUDU 3

No início do segundo tempo, era palpável a raiva dos jogadores ingleses. Porém, mais uma vez, o inusitado perturbou a ordem natural das coisas. Primeiro, era que os tobaguenhos estavam de peito inchado e encarando os ingleses feito Wanderley Silva num Vale-Tudo.

Segundo, quando Carlos Edwards de Trinidad Tobago sai com a bola e toca para Avery John, o estádio em peso, ao invés de gritar OLÉ, grita: URUGUM! Assim, de passe em passe dos tobaguenhos, URUGUM vira instantaneamente uma agulhada de vudu no orgulho já abalado dos jogadores ingleses que tiveram não cotra si somente onze jogadores tobaguenhos, centro-americanos, desconhecidos, de onde jamais alguém pudesse pensar que sairia futebol, mas quarenta e cinco mil jogadores marcando, driblando, chutando, correndo, defendendo e atacando. E o pior, desses quarenta e cinco mil jogadores, somente onze estavam no nível de igualdade de disputa. O resto vinha de cima como fantasmas medonhos e intimidantes, achatando, sob o peso do que é uma verdadeira torcida, como a GALOUCURA, o futebol de quem, apesar de ser favorito, passa a ser repúdio para quem sabe o que é torcer.

Já nos descontos, num zero a zero fenomenal para Trinidad Tobago, o tobaguenho Russel Latapy lança Atiba Charles que avança pelo corredor direito com Ashley Cole da Inglaterra ao seu encalço, tentando interromper a carrreira do outro, porém sem nenhum resultado. O cruzamento vem num efeito descendente à la "Eder Aleixo", com a bola parecendo pairar sobre o ar em câmera lenta, caindo justamente aos pés de Dwight Yorke que já vinha numa carreira alucinante e chuta de bate-pronto, com o peito do pé, e o petardo fulminante vara o ângulo, bem lá onde a corjua dorme, e os dedos esticados de Paul Robinson não tiveram a mínima chance sequer de ter o gosto de encostar na bola fulminante e impedir o gol humilhante, levando o estádio à explosão louca e desvairada da maior zebra que eu já vi na minha vida: Trinidad 1 X 0 Inglaterra.

Querem saber? Tô fora! É emoção demais. Não cubro mais nenhum jogo, seja ele qual for. Prefiro a cerveja e os pés para cima, beliscando uma boa picanha na minha casa ou com os amigos, tendo todo o conforto de ver replays e ouvir os comentários desses amigos que são técnicos por excelência, assim como todos os brasileiros.

Obs.: Zecão, devido à convocação em cima da hora para este jogo, não tive tempo de rever o texto e corrigir os erros de português. Então, não enche o saco.


Escrito por Frank às 18h38
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Adeus

Minha homenagem ao Mestre do Rei, Mestre Ziza, ou Zizinho, um grande craque e maior ainda enquanto Homem. Bate uma pelada agora em outro plano, com outros mestres...



Escrito por Renato às 17h54
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Almagro é o Tatuapé de lá?

Esse aí será o clube do coração de Lourenço, quando conhecer a terra de seus ancestrais e do tio Ogro.

O bacana é que a razão será dupla e óbvia:

  1. São xarás.

  2. Seu time no Brasil tem uma semelhança de alma com o irmão argentino.

CASLA: Club Atlético Sin Libertadores de America.



Escrito por Demas às 16h35
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MAIS UM CRAQUE

 

Sempre achei que os jogos decisivos eram mais tranqüilos que os outros, porque, nessas ocasiões, você só tem uma chance: é vencer ou vencer. Principalmente no Corinthians, time que eu defendi naqueles dois jogos semifinais do campeonato paulista de 1983, contra o Palmeiras. Quando se veste aquela camisa em uma final, você já entra com 70% de chances de vitória, por causa da torcida. No Corinthians, mais que em qualquer outro lugar, ela ganha jogo.Como todo artista, o jogador de futebol também trabalha com o público, que é capaz de determinar sua perfomance. Some-se a isso a imprevisibilidade do futebol, em que um único lance pode decidir a sorte de uma partida. Foi mais ou menos isso que ocorreu naquele Corinthians x Palmeiras. Apesar da importância, eu achava aquele jogo um compromisso muito mais calmo que enfrentar o Marília, em Marília, por exemplo, onde você leva cotovelada na cabeça, no peito, enfim, acontece de tudo. Além disso, tínhamos a Fiel do nosso lado, e para mim, o grande barato do futebol sempre foi esse: conseguir canalizar a atenção do meu público. Por tudo isso, não havia o que temer. Havia, sim, Casagrande, uma força em estado bruto no auge de sua explosão. Havia Zenon, Wladimir, eu...Tínhamos um grande time, que buscava o bi campeonato, enquanto o Palmeiras começava a se preocupar com o seu sétimo ano na fila. E isso já era um grande peso para seus jogadores”. Assim o Doutor descreveu o jogo de sua vida,no paulistão de 83.

  E nessa terça, mais um lance decidiu tudo. Após aproximadamente nove meses de tensão, ansiedade, medo, noites mal dormidas e sonhos, Lourenço, em um lance fulminante e genial, decidiu tudo. Resolveu encerrar a partida e aparecer para o mundo. Parabéns Lourenço, você certamente nasceu para ser um craque. Seja bem-vindo. Seja muito feliz.

Um grande beijo para vocês, Massoneto e Luciana.



Escrito por Ogro às 23h45
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Hoje é dia de Lourenço.

Começa o julgamento de Joana d’Arc. No País de Gales, a primeira locomotiva a vapor rompe os trilhos. A The New Yorker é folheada pela primeira vez.

 

Fidel nacionaliza todas as empresas em Cuba. Nixon visita a China e tenta suavizar a relação entre os EUA e o gigante vermelho. Uma espaçonave russa toca pela primeira vez a vultuosa pele da Lua.

 

Nasce Andrés Segovia, mexendo seus pequenos dedos. Nasce Anaïs Nin, inspirando um verso. Nasce Chaves, ou Chapolim, roubando e soltando risadas. Nasce Nina Simone, expirando um grave e afinado choro.

 

É dia 21 de fevereiro, dia de São Pedro Damião.

 

É dia 21 de fevereiro, e Lourenço chegou.

 

Seja bem-vindo, meu novo sobrinho. Recebamos com muitas delícias o mais novo bolonista.

 

Lu e Massoneto, esses dois lindos guerreiros, bravos e suaves como são os guerreiros que lutam as guerras certas, recebam meu mais apertado beijo nesta noite.

 

Lourenço, um beijão do tio.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Demas às 23h34
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Quem é o herói nacional?

Hoje Real Madrid e Arsenal duelaram pela Liga dos Campeões da Europa. Os ingleses levaram o jogo, disputado no Bernabéu*.

Até aí, finado o Neves.

O que me chamou a atenção foram as escalações iniciais.

Arsenal

Lehmann; Eboué, Touré, Senderos e Flamini; Hleb, Gilberto Silva, Fabregas e Ljungberg; Reyes e Henry.

Real

Casillas; Cicinho, Sérgio Ramos, Woodgate e Roberto Carlos; Gravensen, Gutti, Beckham e Zidane; Robinho e Ronaldo.

Sentiram o drama?

Inglaterra

Alemão; marfinense, marfinense, suiço e francês; bielorrusso, brasileiro, espanhol e sueco; espanhol e francês.

Espanha

Espanhol; brasileiro, espanhol, inglês e brasileiro; dinamarquês, espanhol, inglês e francês; brasileiro e brasileiro.

Três num, nenhum noutro.

Tenho dó das crianças espanholas. Tenho muito dó das inglesas.

*Disse lá em cima que os ingleses levaram o jogo. Não levaram nada.



Escrito por Demas às 19h05
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Assuntos Importantes

Bolonistas da Estiagem

 

Outro dia, aqui no diário, vi que o Fernando foi goleiro de futebol de salão. Profissão ingrata esta, a de goleiro. Fico aqui imaginando o que passou pela mente do arqueiro Rafael, do Paulista de Jundiaí, naqueles átimos que separam a bola do pé de Sousa, e o improvável lançamento de trivela, até o pé de Danilo. E, depois, o desfecho, aquele petardo sem pulo, aquele chute de cinema, aquele pelotaço de fechar o comércio e decretar feriado na cidade grande. Rafael não deve ter pensado em nada que pudesse ajudá-lo a desfazer o gol.

 

O gol é a razão de ser do futebol. E a profissão do goleiro é exatamente impedir o reino da razão. Rogério Ceni é um desses que tem a sorte e a capacidade de furar esta cruel lógica e vai lá fazer os seus goles de vez em quando. Mas, sempre existe um deles espalhado por aí, quantos goleiros por este mundo afora nunca marcaram um gol, nem no treino, muito menos no recreativo? E, quer por bem ou não, todos os goleiros já foram buscar a pelota no fundo do gol, a meta sempre foi vazada. Não há goleiros invictos.

 

Lembro da única Copa que existiu, a de 82, e lembro de Dasaev. O goleiro soviético fechou o gol no jogo contra o Brasil. Foi o próprio Zoff. Mas, mesmo assim, foi buscar a pelota duas vezes lá no fundo. Aliás, um gol genial de Sócrates. Um gol espetacular de Éder. E, vejam, mesmo Zoff foi buscar a menina lá na cidadela italiana, por duas vezes. Outros dois golaços. Sócrates e Falcão. A profissão de goleiro não é nada fácil. Na verdade, não se trata de uma profissão, mas de uma sina. Eterna e absoluta.

 

Eu sempre me pergunto, ao escrever, onde quero chegar. Lá pelo meio do texto, que vai saindo assim de teclar e teclar, tento encontrar alguma justificativa para as coisas que escrevo. Por vezes a tarefa é completamente inútil. Alguns minutos depois, o texto está lá e não há nada para dizer sobre ele. Escrever é um ofício complicado. Aliás, como é complicado para o Parreira explicar porque entre os nossos goleiros para a Copa não estará o goleiro. Pensando bem, o Parreira não precisa explicar nada, se trouxer o caneco. Até hoje me pego espinafrando a seleção de 94 e aí vem alguém e me diz: “Bom, tá certo, mas fomos campeões.”

 

Na boa, em resumo, o que eu queria mesmo dizer era que o gol do Danilo foi de outro mundo. O resto, pouco, muito pouco, me importa.

21.02.06  



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 17h32
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Só faltava esta.

Talvez "A Nossa Copa do Mundo" seja realmente a nossa Copa do Mundo.

Piadas sobre a má fase do Dida são bem-vindas.

 

21/02/2006 - 09h22
Gripe aviária pode afetar Copa, diz comitê alemão

da BBC, em Londres

A gripe aviária que chegou ao norte da Alemanha poderá afetar a organização da Copa do Mundo, segundo disse nesta terça-feira a presidente do Comitê de Agricultura do Parlamento alemão.

Bärbel Höhn, do Partido Verde, alertou em uma entrevista no canal de TV alemã N24 para a possibilidade de cancelamento de jogos ou do próprio torneio em caso da gripe aviária se tornar uma pandemia de graves consequências.

A deputada lembrou que grandes aglomerações de pessoas são propícias à propagação de vírus e doenças.

O aviso feito pela líder política em Berlim "não é exagerado", segundo o alemão Klaus Stöhr, que coordena o programa de combate a pandemias da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Calamidade

Stöhr disse que o perigo da gripe aviária se tornar uma pandemia cresce com a sua propagação no continente europeu.

"Se tivermos uma pandemia na época da Copa o governo vai ter que pensar muito bem no que fazer", disse Stöhr.

No entanto, ele também afirmou que a Alemanha está bem preparada para controlar a doença.

A gripe aviária foi trazida à Alemanha por gansos selvagens e se manifestou no extremo norte do país.

O estado de calamidade pública foi declarado na ilha de Rügen, no Mar Báltico, e em parte da região costeira.



Escrito por Demas às 11h49
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Sonho de infância.

Bolonistas:

Hoje, 18 de fevereiro de 2006, verei Maradona.



Escrito por Demas às 11h28
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ALLAH AKBAR - PARTE 1

Certos tipos de felicidade tem hora certa para acabar. Pois bem, estava eu passeando pelo poético bairro de Josefov, em Praga, para onde tinha dado uma escapulidela, já que os meus amigos de redação tinham resolvido investir em roteiros culturais, quando soa o meu telefone. Fim da festa, dizia o redator, você vai direto para Stuttgart cobrir o clássico Espanha e Tunísia. Manda quem pode e paga a conta, eu apenas obedeço.

Stuttgart  é o principal centro da região de Baden-Wurttenberg, que por sua vez é o principal centro de indústrias automotivas da Alemanha. Ou seja, eu estava largando Praga para cobrir um jogo na equivalente germânica a São Bernardo. Meu humor já tinha ido para o beleléu.    

Durante a noite, na viagem de trem, não me saia da cabeça a marchinha “eu fui às touradas de Madri parará tchi bum, bum, bum , parará, tchi bum”, do imortal João de Barro (com Alberto Ribeiro), amplamente cantada na Copa de 50 e lá ia eu rumo a Stuttgart. A seleção espanhola era mesmo algo incrível. Um mito, que se auto-intitula “la fúria” e que jamais conseguiu sequer um terceiro lugar em Copas do Mundo, como fez a inexpressiva Turquia na última. Fico a crer que tudo não passa de uma piada, assimilada pela população, que reflete a reação que o próprio esquadrão causa em sua gente, com eliminações bisonhas ao longo da história.

Chego a Stuttgart pela manhã. Fervilha a  cidade-sede da Porshe e da Mercedes-Benz, mais do que era de se esperar de uma cidade daquele tamanho. Da estação vou direto ao hotel, que me foi altamente recomendado por um colega de copo romeno em Praga, o Términus. Alugo um quarto no referido pulgueiro, com a certeza de que décadas de ditadura Ceaucescu realmente fizeram mal àquele país.

Surpreendentemente, o meu mau humor começa a se dissipar no café da manhã, quando sou atendido por uma garçonete gordota, de nome Helga, extremamente simpática, que me serve um delicioso prato de frios, enquanto me pergunta dezenas de detalhes do Brasil, com um sorriso nada germânico no rosto. Da cafeteria, passo a caminhar pela cidade, que aliás é extremamente simpática e acolhedora. Por acaso, estou usando o meu manto sagrado tricolor e sou abordado por um rapaz alemão que falava meia dúzia de palavras em inglês e repetia a palavra “Bordon”. Claro, aqui joga o ex-zagueiro são-paulino. O rapaz fez questão de me deixar o endereço e pedir que eu mandasse uma camisa igual a minha.

Aproveitei a calma do dia para conhecer o Weissenhofsiedlung, um bairro totalmente projetado na década de 20 por Le Corbusier e inteiramente reconstruído. Aproveitei também para matar a minha curiosidade de ex-militante estudantil e conhecer a casa em que nasceu e cresceu Hegel. Bom, era uma casinha igual a todas as outras, mas saí de lá com uma camiseta super legal e muitas bugigangas para distribuir para a rapaziada.

No fim da tarde,  no centro da cidade, resolvi pegar um cineminha. Sem o menor saco para ir atrás de filmes de Murnau ou Fritz Lang, fui assistir “X-Men 3”, que ainda não havia visto. Pronto, após a cena em que o Magneto entorta a Golden Gate para que ela chegue a Alcatraz e assim os prisioneiros saiam de carro da ilha, eu era um homem definitivamente feliz.

Hora de jantar, fui parar numa taverna famosíssima chamada Weinstube Kachelofen, que diferentemente das outras da viagem, era especializada em vinhos, já que aquela é a região vinícola da Alemanha. Escolhi um indicado pelo garçon, pois eu não entendo porra nenhuma de vinhos, e mandei ver. A conta ia pra redação e foda-se o mundo. Comi um delicioso Spatzle, um nhoque com ragu em versão alemã. Já com os dois pés enfiados na jaca, engatei um papo com um grupo de chilenos que estava lá, acreditem, a trabalho, visitando a fábrica da Porshe.

Após o jantar fui parar, sem querer, no clube mais divertido da alemanha, chamado “bunker”, que tocava bandas de punk rock e eletrônicas alemãs que divertiram pra caralho a minha adolescência, tipo Nitzer Ebb, cheio de punks fora de época maquiados, com cabelos moicanos imensos. Caí no Tequila e dancei como se não houvesse amanhã. Mas havia.

Era onze da manhã e eu estava atrasadíssimo e com a maior ressaca dos últimos 34 anos. Vinho com Tequila barato é pior do que napalm. Tomei uma ducha gelada e corri para o estádio. Como o estádio estava vazio, decidi ficar no setor reservado para os tunisianos. Hoje eu vou é torcer, pensei. Viva o terceiro mundo.

A Espanha, com um time diferente da estréia, aposta em Casillas, Capdevila, Puyol, Helguera e Marchena, Baraja, o brasileiro Marcos Senna, Xabi Alonso e Valerón e o ataque com Morientes e Raúl. No time tunisiano, graças à ressaca, que me embaralhava ainda mais a vista, só posso apontar os brasileiros Clayton e a sensação Francileudo, até agora artilheiro da Copa.




Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 18h44
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ALLAH AKBAR - PARTE 2

Começa o jogo e, de forma morna, as equipes tocam a bola e tentam armar jogadas sem sucesso. Eu, desligado daquela peleja monótona, pensava na ironia de estar assistindo a um jogo entre a moderna e católica Espanha e os invasores tunisianos, magrebinos, bárbaros, muçulmanos, indesejados na civilização espanhola, alvo de direitistas cretinos. Me lembrava de Franz Fanon. Me lembrava também que as “estrelas brasileiras” do time tunisiano eram do meio-norte brasileiro, creio que do Maranhão, de comunidades bárbaras, incultas, indesejados na civilização paulistana. Voltei ao jogo e comecei a gritar histericamente pela Tunísia.

Uma jogada bem tramada entre Xabi Alonso, Baraja, coloca Morientes junto da linha de fundo, dentro da área. Centro para Raúl e furada grotesca do pior craque do mundo.

Dez minutos depois, articulação de Morientes, a única cabeça pensante da Espanha, para Valerón, que chuta forte, para boa defesa do goleiro tunisiano.

Aos 38 minutos, falta na entrada da área tunisiana e o brasileiro Marcos Senna manda a bola, rente ao travessão.

Aos 43 minutos o castigo; jogada de contra-ataque do time tunisiano e a bola cai limpa nos pés de quem?? Francileudo, sempre ele. Toque sutil, deslocando o goleiro. Tunísia 1x0.  Fim do primeiro tempo e a minha alegria era evidente. Recebo muitos abraços de torcedores comovidos com o fervor de minha torcida.

Começo do segundo tempo e logo aos 3 minutos um escanteio para a Tunísia, falha do pior zagueiro-com-salário-gigantesco do mundo, Puyol e Francileudo sobe, soberano para fazer Tunísia 2x0. Festa em algum lugar ermo do Maranhão. Festa em Tunis. Festa monumental no lado muçulmano do estádio.

Os 30 minutos seguintes foram um balé, delicioso de se assistir de “cucarachas borrachas”, que não tinham idéia do que fazer com a bola. O pior craque do mundo, Raul,   gritava com o time, tentando organizar algo. O técnico ainda tenta com o basco Etxeberria, no lugar de Baraja. O balé espanhol virou uma coreografia com elementos Castelhanos, Catalães, Bascos e Galegos. Morientes recuou para organizar o meio de campo e a Espanha começou a voltar para o jogo. Aos 35 minutos, após lançamento dele, Morientes, Valerón entra pela diagonal e encobre o goleiro tunisiano. 2X1.

Histeria do lado espanhol. A seleção espanhola se lança com tudo ao ataque. O técnico ainda lança mão de Torres como quarto atacante. A Tunísia fica sitiada em sua área. Aos 43 do segundo tempo, o excelente goleiro tunisiano intercepta um cruzamento espanhol e faz um lançamento fortíssimo, com as mãos, para o ataque tunisiano. Neste momento são 3 magrebinos contra 3 espanhóis, prestes a travar uma cruzada. Drible seco de Francileudo, que cruza para outro atacante, que dribla Casillas e, sem ângulo, ainda toca para Francileudo sacramentar Tunísia 3x1 Espanha.

Fim de jogo. Revolta na torcida espanhola, que atira objetos no gramado e nos jogadores espanhóis. Mais uma desclassificação ridícula da seleção espanhola,  provocando fúria naquela nação. Festa sem precedentes no estádio, em Tunis e nos bairros muçulmanos de Madri, Barcelona e vários lugares do mundo. Tunísia rumo a segunda fase da Copa e Francileudo artilheiríssimo, com seus nove gols em dois jogos. Boatos de que Román Abramovich quer pagar 40 milhões de euros pelo seu passe aparecem. Eu comemoro como um louco. Espanha 1x 3 Tunísia

Volto para o meu pulgueiro, tomo um banho e vou tomar uma cervejota, usando a minha camisa da Tunísia trocada no estádio. Como é bom presenciar um momento em que uma partida lava a alma de milhões de pessoas no mundo. Allah Akbar.  

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 18h39
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Um minuto.

Vai com raça, Jorge. Um brinde.

Jorge Mendonça



Escrito por Demas às 10h54
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PT – J – V – E – D – GP – GC – SG

Grupo A

 

Costa Rica:     9 – 3 – 3 – 0 – 0 – 8 – 2 – 6

Alemanha:       6 – 3 – 2 – 0 – 1 – 5 – 4 – 1

Equador:         3 – 3 – 1 – 0 – 2 – 3 – 4 – -1

Polônia:           0 – 3 – 0 – 0 – 3 – 1 – 7 – -6

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 23h27
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Festa em ..... ? Qual a capital da Costa Rica????

Bolonistas zoadores de tabela...

Zoaram a copa. Sim, é esta a melhor definição para o que acontece com o grupo A. Primeiro, a roubalheira no Alemanha e Equador só não foi pior do que a proposital inversão dos jogos pela FIFA. Afinal, estava lá no calendário de dezembro de 2005, Equador e Costa Rica se enfrentariam antes de Equador e Alemanha. Bastou uma derrota para os costarriquenhos que a organização do mundial mudou tudo. E, em Hannover, o que era para ser um jogo de definição de vaga virou um amistoso. Costa Rica e Polônia. Trata-se de um jogo que não definirá nada. Costa Rica está classificada e apenas decidirá se quer ser a primeira ou a segunda do grupo. E a Polônia, mais uma vez, depois do naufrágio de 2002, está desclassificada na primeira fase.

Vi a tabela e percebi que ninguém iria a Hannover cobrir um amistoso. Daniel se encantou com os parques alemães e desistiu de qualquer coisa mais séria. Franklin, Pedrão, Massoneto e, até ele, o Caubas estavam definitivamente compenetrados em jogar petecas em algum lugar perdido em Berlim. Dequinho esteve em dois jogos importantes, não iria se dedicar a este amistoso. O Ogro só pensa na Argentina e em festivais de ballet. O Juliano, companheiro de sinas das mais difíceis, topou a parada e fomos para a cidade de Gunther. Por falar em Gunther, Renato desaparecera. Ainda não descobrira que Eulália fora deslocada para comentar o jogo Japão e Croácia.

Hannover, eu conheci no México e Angola. Cidade agradável. Construções históricas, cervejarias a granel num belo parque. Um parque com cervejarias é algo muito perfeito. Demais da conta. Eu e o Juliano bebemos bastante antes, durante e depois da peleja. Escalamos a seleção da Copa, discutimos os esquemas táticos de todas as seleções do campeonato. Escrevemos páginas e páginas de almanaque sobre os grupos. O Juliano, percebi, gosta da Copa. É um tarado.

O jogo é amistoso e o resultado, portanto, é um detalhe. No gramado, Costa Rica entrou com uma imensa bandeira do Equador. Nós, os latinos, choramos. Os germânicos ficaram embrutecidos e desataram a torcer pela Polônia. Em vão. Costa Rica tem Wanchope e o cara é um dos destaques da Copa. Por mais que o time polaco tentasse recuperar na alma a volúpia do time de Lato, era uma imitação barata. Costa Rica virou o primeiro tempo com um placar de dois a zero. Wanchope e Parks. O brasuca Guima, o técnico centroamericano, botou o time para frente. O Ju me explicou: 3-2-5. No time da Costa Rica, naquele jogo, os laterais eram atacantes. Não entendi, mas pelo placar, aos treze do segundo tempo, vi algum sentido naquilo. 4x0. Outro de Wanchope e um de Gomez.

A Polônia tentou alguma coisa. Mas pouco importava. Era um amistoso. Das cabines pude ver Lato e Boniek comentando para uma rádio de Varsóvia. Fui lá pegar autógrafo. O Juliano ficou entretido com uma jornalista ucraniana, Laisla, branca como a neve dos Andes. Pude perceber que o papo era sobre o Milan e Schevkenko. Fim de jogo. Costa Rica, líder do grupo, a surpresa da Copa, nove pontos, 5 x 1 Polônia. O último gol da Costa Rica? Bolaños. E o gol de honra dos polacos, Lato me explicou que não importava nada, a decepção em Varsóvia era imensa, imensa, imensa. Chorou. Sei lá, acho que exageramos com os poloneses nesta copa. Eles não mereciam três derrotas. Não mereciam.

Costa Rica 5 x 1 Polônia – Hannover – 20.06.2006



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 22h58
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Panos de luto. Parte 1.

Alguém se lembra de Rodney King? Worns em flecha rumo à perna do equatoriano. E da absolvição de Ubiratã, se lembram? Kahn, o Louco, esmigalhando o joelho de Delgado. Alguém aqui já foi caluniado, sacaneado de verdade? Mendez recebendo, incrédulo, o cartão vermelho. Rubin Carter? Ayoui e De la Cruz. Sabiam que cagaram, mijaram e gozaram em toda a casa de Neruda? Destruíram seus livros, profanaram seus santos, atiraram em seus quadros? Um longo vôo resulta em um pouso caricatural: Klose talha uma caricatura de falta.

 

Não há bálsamo para uma ferida mortal na alma. Morreu a alma, a carcaça sustenta uma informe corrupção de homem. Não há bálsamo, não há cura.

 

O time do Equador, inspirado pela feliz campanha do jornal El Comercio, de Quito, entra com faixas negras nos braços. Na audiência, equatorianos, brasileiros, argentinos, mexicanos, paraguaios, trinidenses, todos inspirados pela repercussão da campanha, ostentam também seus panos de luto.

 

Após os hinos, uma foto que perdurará: os times misturam seus jogadores para a foto oficial. 22 jogadores em um abraço grave.

 

Os gritos de “Injusticia!”, “Ecuador!”, “Verguenza!” e “Forza!” forjavam um paradoxo singular: fazia todo sentido. Não houve quem não entendesse seu significado total.

 

Mas não há bálsamo. Não há, morta a alma.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 20h50
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Panos de luto. Parte 2.

O time equatoriano – e todos o desejavam em uníssono – merecia a volta por cima. Aquele time remendado, em farrapos, merecia uma reviravolta mágica. Mas não há mágica, morta a alma.

 

O time da Costa Rica – e todos são testemunhas – percebeu a grandiosidade do momento e não ofereceria resistência, caso houvesse ataque. Mas não há o risco, morta a alma.

 

Aqueles 90 minutos durariam mais do que o futebol merece, mas o suficiente para nos constranger a todos.

 

Costa Rica precisava de uma vitória para selar sua passagem. Equador ainda tinha chances. Mas o que Hamburgo viu foi a vitória do desânimo. Os costarriquenhos não se esforçaram, os andinos caminharam resignados ao cadafalso.

 

Um avanço de Wanchope, já no segundo tempo, foi observado pelos equatorianos com desdém, do início à conclusão certeira. E foi só. Morta a alma, resta nada.

 

Ao final daquele 1 X 0, os costarriquenhos levantaram os braços dos equatorianos, cadáveres de alma. Eles retribuíram com acenos ausentes os gritos da audiência. Todos no Fifa World Cup Stadium untávamos nosso coro com lágrimas incontidas. Os jogadores aceitaram os agrados, mas forças já não havia. Para nada.

 

Morta a alma, só silêncio.

 

Equador 0 X 1 Costa Rica

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 20h50
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E agora? Parte 1

A intenção do Corriere dello Sport não poderia ser mais clara, ao destacar: “Gana ironiza a Itália”. O Olé cumpriu seu eterno papel: “Falam como os brasileiros. Jogam mais”. Até o Bild meteu um pitaco: “Jogador ganês menospreza adversários”. O Marca foi o pior – macaco que não olha o próprio rabo -: “Africanos fazem do mesmo: encantam e depois brincam. Já fizeram sua parte”.

 

Acontece que todos sabemos que as manchetes de jornal são como as mágoas: várias versões, todas erradas. Todos vimos o que Essien disse. “Davam como certas as vagas para Itália e República Checa. Todos se perguntavam quem iria enfrentar o Brasil. E agora? E agora?”.

 

Ora, senhores, não era isso o que pensávamos todos, antes de a Copa começar? Todos. Todos. Vi um militar da reserva quase se alterar com uma dona-de-casa na fila do banco, no longínquo maio, soletrando: “Ned-ved, milha filha, Ned-ved”. Ao que ela respondia: “A Itália, seu velho, tem aquele bonitinho”.

 

O fato é que as vagas eram dos dois. Qual iria pontear era a única dúvida razoável. E agora vemos Gana, maiúsculos 6 pontos e 5 gols, na frente.

 

Que pecado há na frase de Essien? Nenhum, senhores. Nenhum.

 

Mas Gana entra sob uma vaia monumental dos checos. Mais inclemente, só a claridade de Colônia. Os ganeses, poucos entre o arco de europeus que abraçavam o estádio, ainda tentaram impor seu baticum sobre os apupos. Em vão.

 

O estádio sangrava o vermelho checo. Os gritos de “Ned-ved, Ned-ved” devem ter enchido de vigor o velho oficial.

 

E deu certo.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 23h17
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E agora? Parte 2

A volúpia que Gana apresentou nos dois primeiros jogos desapareceu. Essien jogava bem, o que – vimos – é pouco. Appiah procurava Issah, e pareciam estranhos.

 

Do outro lado, uma organização de agência do INSS: uns trabalhando, outros fingindo; uns perguntando sobre o café, outros perguntando se é sem açúcar. Nedved procurava o jogo, mas parecia vibrar uma freqüência única: corre, pára, avança, recua,e a equipe não o acompanha.

 

Aos 30, nenhuma chance digna do nome: uma bicanca ali, uma cabeçurrada acolá, uma perneotada para lá, outro cruzamenteoláculo por Alá. Nada perto de um gol.

 

Eu disse 30? Pois repito: 30. 30 do segundo tempo, senhores. Do segundo. O jogo que é a coluna vertebral do grupo E desta Copa é, de longe, o pior.

 

Essien é uma sombra. Sombra de si, de suas atuações contra os estadunidenses, contra os italianos. Nedved é o comandante de uma tripulação escamoteando um motim. Um solitário.

 

E assim vai a briga, até o fim. Até o fim?

 

Não. Não. Não mesmo.

 

Algo aconteceu na porta de saída. Um sinal, uma iluminação. Ninguém saberá que oblíqua construção se ergueu no corpo de Essien.

 

Aos 44, o ganês salvou uma bola pela direita – uma bola que seria escanteio e que, logo, não precisava ser salva – e se arrumou para o centro.

 

Ajeitou-se. Ajeitou-a. E desferiu um chute direto, desangulado, perfeito, mágico. Poucos viram a trajetória. O goleiro checo – sei – não viu.

 

Gana vence o jogo por 1 X 0 contra os checos. Talvez Essien tenha ganho sozinho esse jogo cinzento. Talvez, não sei.

 

Não sei qual será a manchete do jornal Daily Graphic de Acra. Não sei mesmo, ainda que tenha algumas idéias.

 

Uma delas me perturba, por não saber a resposta que sua esfinge esconde: “E agora? E agora?”

 

Gana 1 X 0 República Checa



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 23h17
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É daquele jeito. parte 1

Esta folga na cobertura da Copa era do que precisava, na medida, qual terno de alfaiate.

 

Não que a cobertura da Copa seja em si cacete, tanto que estou por umas patacas quase pagando para trabalhar, dado o arrocho orçamentário imposto por nosso editor-chefe (já ouvi no Piantella seu nome sendo sussurrado junto às palavras “central” e “fazenda”, mas temo tê-las entendido “Central” e “Fazenda”).

 

Mas é que a cobertura rouba um pouco da Copa. Descrever o lance, lembrar o nome, contar as chances, prever o confronto, lamentar o fiasco, tudo rouba-nos a delícia do jogo da infância, da não-obrigação. Já relatei, lá no início do campeonato, que tive de rabiscar linhas do próprio estádio, que as casas de internet e as conexões do hotel estavam impossíveis – cerveja em festa de crente.

 

Estou adorando minha folga. Berlim é bem diferente do que minha imaginação havia pintado, mas não menos viva. Há uma parcela da cidade que simplesmente não se importa com a Copa e é essa a que tenho conhecido desde que Stela desembarcou neste país e nesta cidade, com enfado de jogo e apetite para roteiros culturais.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 21h13
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É daquele jeito. Parte 2

Ela desembarcou por aqui e eu embarquei na dela. Fui ao Deutsche Guggenheim, ao Haus am Checkpoint Charlie e até ao Botanisches Museum der Freien Universität.

 

Resolvi apelar: “Stela, vamos empatar – acabou de museu, vamos de cinema”. Topou. Mostra do Expressionismo Alemão no Cinemaxx Potsdamer Platz sem legenda.

 

“Murnau, que não resisto a filme de vampiro”, adiantei. Stela: “Dr. Caligari, Deco, que tô precisando rever”, trucou. Topei.

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