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Objetos Voadores Não Identificados
Bolonistas que não viajaram...
A Vila mais famosa do mundo, é este o bordão de vários cronistas esportivos, é a Vila Belmiro. O simpático Urbano Caldeira. Antes, muito antes, de conhecer o Heinz, um santuário dedicado a tulipas, chopp gelado e iguarias importantes, era uma das únicas razões que me faziam querer ir à Santos.
Tá certo, todo paulistano que se preze já colocou os pés em Santos. A cidade tem o charme de ser próxima da capital, muito próxima, e ter praias enormes, apropriadas em alto grau para pimpolhos de todas as espécimes. Praias largas, águas relativamente calmas, um ótimo programa familiar. Mas, o que importa é que a cidade tem em seus domínios o estádio do Peixe, palco de glórias passadas e de ótimos jogos entre São Paulo e Santos. Ultimamente, o Tricolor tem jogado na Vila contra a Lusa Santista, sempre com boas apresentações e vitórias.
Não era fácil ir para a Vila Belmiro. Uma das razões, a principal, é a estupidez que impera nos estádios, onde torcidas de um time e de outro se comportam como verdadeiros beócios. Como as cercanias do estádio são de ruas modestas, várias brigas idiotas entre supostos torcedores acontecem na porta do estádio. E clássico, vocês sabem, o grau de idiotia atinge limites bisonhos.
Mas, num distante 1987, logo após o caneco no Brasileiro, naquele jogo dramático, surrealista e fantástico entre São Paulo e Guarani, com aquele gol antológico do Careca, num feriado desses de abril, acho que Páscoa, talvez, resolvi que iria conhecer a famosa Vila de Pelé. Importante, meus pais, não sei porque razões, não estavam no Guarujá. Devo ter dito para minha vó que iria para a praia ou sei lá qual desculpa. Imaginem o que é para um rapaz de quinze anos estar no Guarujá sem os pais por perto...
Eu e um amigo, desses amigos de praia, sãopaulino também, nos enchemos de brio e resolvemos nos encaminhar para ver o time. O trajeto foi feito de ônibus, balsa e ônibus. Antes, parei numa banca de jornal. È sempre bom levar o jornal para saber as escalações e as fofocas do jogo. Comprei um gibi também. Camisetas brancas, sem os distintivos do clube amado. Uma confusão daquelas para entrar no estádio. Bota confusão nisso. Torcidas em lados separados. Ficamos num lugar apertado, ao lado do gol. Estádio lotado. Põe lotado nisso. Confesso um certo arrependimento, mas já era tarde. Aqueles apupos de lado a lado, xingamentos, demonstrações de virilidade e etc e tal. Uma pequena confissão, escrevo estas linhas auxiliado pelo Almanaque do Tricolor, uma publicação que saiu em 2005, com todos os jogos do Mais Querido de 1936 em diante. Coisa linda. Por isso, dou até o público daquele 19 de abril de 1987: 20.099 pagantes. Árbitro, o saudoso Dulcídio Wanderlei Boschila. Falava palavrões a granel o homem de preto. O bom da Vila é que ouvimos quase tudo lá de dentro. Não naquele jogo, porque era um barulho dos bons naquela tarde.
O jogo, pelo que me lembro, foi disputado. Um a zero, Santos. Mendonça. O Tricolor empata, segundo o Almanaque com Edmílson, mas nas minhas memórias o gol tinha sido do Muller. O São Paulo fazia uma exibição de gala, disso eu lembro. A torcida, arrogante como sempre, dizia olé. Olé... O clima no estádio começava a ficar tenso. Voaram os primeiros chinelos na nossa direção. Muller, como jogava o nosso sete, fez 2x1. Primeiro tempo.
Bom, deste instante em diante o jogo se tornou um detalhe. A torcida do Santos, em maior número e com a vaidade de atuar em casa, começou a querer invadir o nosso lado. Uma bagunça danada, chinelos, paus, bumbos. Um verdadeiro quiprocó. Eu queria ir embora, mas não podíamos sair do estádio. A polícia descia o sarrafo em alguns do lado de fora. O inseparável radinho dava detalhes da bobagem. Era um daqueles dias, aquele um. O segundo tempo, quase não vi o jogo, preocupado em me defender e em achar algum canto mais seguro para ficar. Impossível. A torcida sãopaulina encolhida parou até de gritar olé. Por poucos instantes, porque de uma hora para outra alguns meninos como eu resolveram devolver os chinelos para o lado de lá. Não sei se um instinto de defesa ou de imolação. A polícia tentou apaziguar. Olé... a torcida. A esta altura eu achava que o empate seria um bom resultado. Era começo de campeonato. Quem sabe com um empate o ambiente melhoraria. O Santos pressionava. Segundo o almanaque, o empate veio com Éder. E a virada do Santos, com Mendonça. Fim de jogo. Pararam os chinelos. Uma certa calmaria. Os santistas começaram a pular. Nós, a cantar qualquer coisa para espantar a tristeza. A polícia retardou nossa saída. O radinho já não afirmava que havia intranquilidade na saída do Estádio. A vila? Um estádio simpático. Mas deveriam proibir as pessoas de assistirem aos jogos de chinelas. Eu e meu amigo fomos tranquilos para casa, um pouco chocados, é verdade, com a derrota e com os chinelos voadores. Na volta, deu até tempo ler uma edição do Fantasma, um gibi esperado e que tinha demorado para sair naquela semana de feriado. Pensando bem, foi uma ótima idéia levar o gibi. Se o jogo é para esquecer o cotidiano, o gibi era para esquecer do jogo. Mas o cotidiano dos quinze anos é melhor, muito melhor, que qualquer gibi. Disso eu lembro, e como lembro!!!
27.02.06
Segundo o almanaque, a escalação do Sâo Paulo: Gilmar, Fonseca, Adílson, Ronaldo e Éder Taino; Wágner, Vizoli e Quinho (????); Edmílson, Lê (Lange, o que foi trocado por um trator) e Muller (Tangerina).
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 16h30
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Allora
1ª Parte
Chegar num estádio chamado Fritz Walter é uma sensação especial. Walter foi o campeão do mundo que não deveria ter sido. A taça, todos sabem, deveria ter sido entregue a Ferenc Puskas e à magnífica Hungria de 1954. Mas, quis o destino que Walter a levantasse para torcedores espantados com o único jogo, talvez, em que a zebra foram os poderosos alemães. E, hoje, o estádio Ferenc Puskas está esquecido do mundo globalizado da bola por entre as avenidas de Budapeste, enquanto todas as atenções deste mundo se voltam para Itália x EUA.
Um jogo de elite, diriam os sociólogos. Uma partida entre dois impérios (um antigo e outro, moderno), diriam os historiadores. Uma batalha entre duas escolas do defensivismo, concluiriam os futebolistas.
Itália x EUA fazem o jogo em que os EUA são a zebra e a Itália a promessa do tetra que não veio porque Baggio chutou a bola para fora num pênalti em pleno território dos EUA. E o tetra foi para o Bragantino, quer dizer, para o time do Parreira... Parreira que tem time nessa Copa, mas não é mais o Bragantino, mas algo levemente parecido com o time do Telê de 82... Como dá voltas o mundo do futebol!
Imagino uma Copa futura com jogos no estádio Marcos Evangelista de Moraes. Será?
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 22h58
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Allora
2ª Parte
Enfim, o antigo estádio Fritz Walter tornou-se absolutamente moderno. Subo as escadarias rumo à sala de imprensa. Vejo tudo do melhor, mas, em meio a tantas sinalizações em tantas línguas diferentes, me perco. Vejo que há tantas salas para tantas equipes de tantos países. Não encontro a sala destinada aos repórteres brasileiros. Ouço os hinos, o jogo já vai começar, e não acho o canto dos brasileiros. Aperto o passo, enquanto escuto o “Fratelli D´Italia”. Corro e escuto: “Oh, say can´t you see...” Vaias no estádio, e socorro! O jogo já vai começar e não encontro a minha cabine. As vaias acabam e escuto um “Il gioco sará cominciato...” Estou ao lado da cabine de imprensa destinada aos italianos. O jeito é aproveitar a cara de bisneto de imigrantes da Mooca, esconder a bandeirinha do Brasil da minha credencial e fazer o jogo de lá mesmo. Entro na cabine e sou imediatamente reconhecido como um deles. Acho que dá pra fazer o jogo daqui. Felizmente, chego a tempo de ver o chute inicial. Um passe de Cassano para o “difensore” Nesta. Pois é, o jogo começa com um recuo de bola. Os EUA também se postam na defesa, dando a impressão de que o jogo será chatíssimo. E foi no exato momento em que Nesta recuou para o goleiro Buffon que ouvi uma voz bastante familiar: “Allora, Che facciamo...”
Olho para o lado e vejo Ilaria D´Amico. Âncora dos programas da Raí nos anos 80 e 90, Ilaria era a perfeição no Domenica Sportiva, o melhor “mesa redonda” do planeta. Ilaria, além de bela, entendia de futebol. Abandonou a carreira na advocacia pelo jornalismo e, todos, os domingos ouvia-a dizer “Allora” isso, “Allora” aquilo. Como se fosse um bordão, a bela morena da Raí povoava a mente dos fanáticos pelo cálcio: os “Alloras” eram no fundo qualquer outra coisa, menos futebol. Ilaria deu uma nova dimensão aos “mesa redonda”. Ela era sim um revolução futebolística personificada numa deusa. Quando a Ilaria saiu (a substituíram por uma loirinha esforçada, mas meio apagadinha no vídeo), o cálcio perdeu muito de sua força. Na época de Ilaria, eram pelos menos oito times disputando o “scudetto”. Havia o trio tradicional – Milan, Inter e Juve -, fortes equipes romanas (Lazio e Roma), o Parma, a Fioretina, o Napoli de Careca e Maradona, o Torino... Eram pelo menos oito equipes. Hoje só sobrou o trio tradicional. E não temos mais Ilaria. Pobre cálcio.
Confesso que me perdi completamente do jogo. Me senti aquele bambino vendo Malena atravessar a rua. Eu tinha oito anos naquele dia e a Ilaria era a Gina Lolobrigida aos 22. Vejo, então, que já estamos aos 40 do primeiro tempo, e nada de novo no campo. As bolas atrasadas para Nesta e para o zagueiro Grosso – irônico nome, não? – contrastam com a firmeza como Ilaria fala com o chefe da transmissão em Roma. Ouço pessoalmente, os “alloras” de Ilaria e não ouso me aproximar, nem fazer qualquer comentário para interrompê-la. Deusas da TV, meus caros, bolonistas, não devem ser interrompidas nunca. O jogo virou coadjuvante e só consigo ver a atriz principal.
Chegamos aos 20 do segundo tempo e observo subitamente que os quase 30 jornalistas italianos da cabine pularem de alegria. É quase um buzinaço entre jornalistas que esquecem-se, por um instante de que são jornalistas para vibrar como crianças em Copa do Mundo. Procuro Ilaria e vejo-a séria e compenetrada: “Cálcio de punizione”, diz ela. Pênalti, penso eu. Chamar pênalti de “futebol de punição” é realmente básico. Por um momento, imagino-me no meio de portugueses e seus raciocínios óbvios. Mas voltam os “alloras” de Ilaria, subitamente interrompidos por um silêncio e, de repente, novos braços estendidos para o alto na cabine. Foi gol da Itália: “Del Piero”, gritam, enquanto procuro a Ilaria novamente no meio de tantos jornalistas. Ela está tão compenetrada que resolvo olhar um pouco o jogo. É, o jogo, agora, (ou melhor, “allora”) melhorou um pouco. Os EUA tentam alguns ataques nesse finalzinho. Grosso está impecável. Tira todas as bolas da área. E o Zambrotta marca fazendo a festa dos “giornalistas”. Numa “calçada” de Zambrotta (o famoso desarme com a sola do pé), a bola sobra para Del Piero que lança para Luca Toni. É Luca e o goleiro Keller (que é míope, vejam só). Então, como Keller, não vejo mais nada. Só os braços dos jornalistas e umas frestinhas do gramado do Fritz Walter. Um braço se abaixa, e vejo Luca tocar de chapa. Keller, o míope, levanta os braços mais alto do que os “giornalistas” mas não pega nada. A bola quica uma, dias vezes no chão e vai pulando em direção ao gol. Os italianos gritam nas cabines, enquanto Ilaria continua séria, compenetrada. Como se fosse de basquete e estivesse perdida na quadra, a bola quica a trave, se volta para a linha, quica na linha e entra no gol. Golaço de Luca! Vejo Ilaria que, agora, sorri. O jogo acaba e os italianos se cumprimentam. Um me estende a mão. “Auguri! Auguri!”
Cumprimento outros três e me volto para Ilaria. Quem sabe, consigo apenas um cumprimento daquela antiga musa das “mesas redonda”, ou melhor, as “tavolas rotundas” dos anos 80. Quando chego à cabine de Ilaria, ela não está. Olho em volta e nada. Saio da cabine dos italianos e vejo uma pequena tela sintonizada na Raí. Lá está Ilaria apresentando a vitória italiana: “due a zero negli americani”. Irônico, Ilaria. Por mais que tente me aproximar, você sempre estará na televisão. Ahhh... se eu pudesse pegar uma deusa da televisão e colocá-la todos os dias ao meu lado... Como eu seria feliz.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 22h57
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Criancices...
No nosso diário guardamos lembranças infantis, dos times de criança, das copas passadas que de fato existiram, de jogos de bafo nas escadarias das escolas, do futebol de botão, dos jogos nos campos com militares aposentados...
O Fantasma faz setenta anos neste dia 25 de fevereiro.
Não é futebol, eu sei. Mas é também, lá no fundo, uma das razões deste diário existir. Parabéns, Kit Walker!
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 20h37
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Say no more.
O enredo da Tom Maior em 2006:
"Em Grandes Sertões Veredas, o Elo Perdido se achou... Piauí, a Terra do Sol, Me Encantou. Com Frank Aguiar, O Rei do Forró, Eu Vou!".
Escrito por Demas às 20h18
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Bloco na Praça
Bolonistas de bloco,
Tem assuntos que não podem escapulir. Na mesa de um bar, num colóquio com os amigos, em seminário de faculdade ou "blog" da internet. Aliás, blog da internet é redundância? O que foi aquele julgamento do Tribunal de Justiça sobre o Massacre do Carandiru? Uma lástima. Há um gosto amargo aqui.
Segunda feira, a que passou, fui a um ato na Praça da Sé, sobre o Massacre. Foi triste. Mas foi daqueles dias em que sentimos que lá no fundo da alma existe algo, ainda que uma "chamazinha" de cor clara. Há oxigênio no ar. Ainda bem. Estes tem sido tempos desconfortantes. Desconfio que em poucos instantes da humanidade houve tamanha resignação. E isso é estranho. Mas creio que lá no fundo temos aquela chama, pequena, mas constante. Diminuta, mas viva. Cansada, mas persistente. Mas que foi triste, foi.
Outro dia me perguntaram se o Ronaldo deveria mesmo ter jogado aquela final com a França. Sei não, mas desconfio que deveria. Mas o futebol tem lá suas historietas. A eleição de Ricardinho, hoje no Corínthians, como o mais antipático dos jogadores, em enquete feita pela Revista Placar, demonstra que, do lado de fora do gramado, não apreendemos a amplitude do jogo. E, do lado de dentro, penso que os jogadores também não tem a perspectiva da totalidade do jogo. Estranho? É esta química que faz o futebol ser o assunto do dia, de qualquer dia, na praça ou na padaria.
Desde que o Ricardinho saiu do São Paulo, de forma estranha, aliás, não tenho simpatia alguma pelo boleiro. Mas não esperava a sua eleição, feita entre os pares, para o posto de mais intratável futebolista. Ricardinho é daqueles queridinhos dos programas esportivos de domingo, fala bem, empolado até. O gol de Ricardinho contra o Deportivo Cali foi um golaço. Mas o meia parece que, além de belos passes e belos, e decisivos, goles, também é chegado numa futrica. Outro dia me perguntaram se convocaria Ricardinho. Tenho dúvidas. O futebol tem lá suas historietas. Se tem. O que é esta história da dívida do Luxa para o Edmundo?
O Corínthians, que é chegado numa pantomima, tem dois problemas e um adversário na Libertadores da América. O mais cobiçado dos torneios. Os problemas são o Palmeiras, que insiste em ganhar do Timão nos jogos decisivos, e a barafunda interna. A chegada de Marcelinho anima os torcedores, dos outros clubes. Não sei se anima os corintianos. O adversário do Timão, me parece, é o São Paulo. E o Tricolor tem que tomar cuidado com a sedutora soberba, uma adversária chata e temível.
E por fim, o Noroeste, da simpática Bauru, terá amanhã seu dia "D". Se ganhar do Palestra, chances inesperadas para o inédito. Se perder, naufraga. Quais as apostas? Eu aposto que o choppinho do carnaval vai ser a deixa para vários debates futebolísticos. Alguns vitais, outros também. O futebol tem cada historieta, que só vendo! Bom carnaval e boa rodada.
No ato da Praça da Sé tinha um cidadão com uma surrada camisa do Norusca e outro, com o velho manto verde do Verdão. Futebol é só um jogo? Tenho dúvidas, imensas.
24.02.06
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 14h46
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O melhor torneio do ano
O que poderia ser mais emocionante do que a última Eurocopa de Botão?!
Felipão já dizia que o campeonato europeu de seleçoes é uma Copa do Mundo sem Brasil e Argentina. E assim foi. Como definir um campeonato, onde a Holanda é eliminada pela França (2x1), que é eliminada por Portugal (2x0), que é eliminado pela Itália (4x1), que é eliminada pela Inglaterra (5x2), que perde, no sufoco, para a Alemanha (3x2)?!
A Copa Europa da Fiba - a Federation International of Botão Association - foi o grande torneio deste início de ano. Eram 27 seleções em nove grupos. Os 16 melhores foram para as oitavas de final. A Inglaterra foi a favorita. Tinha Gerrard e Lampard. Beckham e Owen. Rooney e Cole. E fez o artilheiro: Heskey, com 9 gols. 9 gols, meus caros, nem o Ronaldo faz em Copa do Mundo. Mas, no Botão...
A Alemanha chegou como incógnita e foi ganhando, ganhando, olhando a tabela... Pegou a fraca Eslovênia nas oitavas e até Oliver Kahn fez gol de goleiro. Gol de goleiro no Botão?! Está aí uma jogada raríssima. Vejam só, bolonistas! Para ter gol de goleiro no Botão, a bola tem que ser defendida pelo dito cujo ultrapassar os 1,80 m da mesa oficial e morrer no cantinho oposto. A média é um por ano. Nessa Eurocopa, foram três. Cech contra a Escócia (2x0). Coupet contra a Suécia. A Kahn contra os eslovenos. As surpresas vieram do leste: a Tcheca ficou com o quarto lugar após perder a seminfinal para a Sérvia. Jogando com o uniforme da antiga Iugoslávia, os sérvios eliminaram Espanha, Bélgica, Bulgária, Irlanda... e ganharam dos que usaram o antigo uniforme da Tchecoslováquia. Baros chorou após o jogo nos ombros de Nedved. A final foi de dar dó. A Sérvia tomou dois cotnra=ataques nos dois primeiros minutos: Alemanha 2x0. E depois os sérvios acertaram mais três vezes a trave e a Alemanha não perdoou: 4x0. Ballack fez cinco gols. Prenúncio para Copa?! Lukas Podolski fez quatro. Scheneider fez o gol decisivo contra a Inglaterra nas semifinais. Portugal foi promessa e a França minguou.
Será difícil superar esse torneio.
Quem sabe no próximo campeonato da temporada pelo calendário da Fiba. Vem aí a Copa Afro-Asiática da Fiba. São 16 times e a promessa de futuros estreantes: Gana, costa do marfim, Angola e Togo. Isso se aquela velha lojinha do centro de São Paulo não tiver aderido aos joguinhos de computador. Será que eles têm os novos uniformes da Sérvia e da Tcheca?!
Peraí!! Eu disse computador?! Coisa mais sem graça...
Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h36
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Samba, suor e cerveja
Caros amigos e parceiros Bolonistas,
Chega o Carnaval e como não só de Futebol vive o homem, me ausento para pular com outra turba lá na Cidade Maravilhosa. Marchinhas, blocos de rua, o Bola Preta e o Se Melhorar Afunda, entre um boteco, uma praia e outra, vou que vou, acompanhado da parceira e de todos os Santos da Festa da Carne. Aproveito para torcer pro Mengão ganhar uma lá no Maraca, porque não só de carnaval vive o homem. A todos meu desejo de belos e carnavalescos porres...
PS: Chefe, meus jogos os entrego na volta.
Escrito por Renato às 13h53
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VUDU 1
Prá merda! O veado do Amaral me manda cobrir o jogo de Trinidade Tobago e Inglaterra. Não que eu não pudesse gostar de assistir qualquer jogo que fosse, mas, Trinidade Tobago? O que é isso? Existe time lá, ou ainda, existe futebol lá?
O jogo vai ser no dia 15 de junho em Nuremberg e eu já tive que correr atrás de passagens, passaporte, visto, o escambal a quatro, sei lá se vai estar frio ou quente em Nuremberg, qual o câmbio do Euro, quanto eu vou ter que levar, o retardado do Fábio dizendo que está faltando batata para o almoço do Bela Rúbia amanhã e que a feijoada do sábado corre o risco de ficar sem a maldita da costelinha. Putaqueopariu!
Comprei um dicionário de alemão. Isso depois de levar a Julinha no parque e ter de ouvir tudo o que a Elke tinha na sua mente. Eu descobri há pouco tempo que a mulher não fala sem pensar, não. Ela pensa falando e aí a gente vai ficando pelas tabelas porque elas não têm o filtro entre o cérebro e a boca e o que elas jamais falariam para nós, homens, elas pensam falando, sem se darem conta de que estamos a tudo ouvindo. “O Fá só pensa nele! Nem se importa com a filha! Tem um tal de jogo sei lá das quantas em Nuremberg e ele faz gato e sapato para atender o puto do amigo dele e nem pra levar a Julinha no parque. Ele nem se importa, diz que isso é coisa de mulher, blá, blá, blá”.
Rachei pro shopping com a Julinha pendurada no pescoço, tendo de enfrentar lugar de fazer doidos que são esses parques eletrônicos e ao mesmo tempo me acabando de estress de ter que ter o tal do dicionário. O gás de criança de cinco anos não acaba nunca e eu tive de arrastar a Julinha aos berros pra Fnac, comprar o infeliz do dicionário. Cheguei em casa, mala pronta prá viagem da madrugada seguinte, deitei prá acordar dali à pouco.
Escrito por Frank às 18h47
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VUDU 2
O táxi me levou ao aeroporto. O avião partiu às 03:30 para São Paulo e o vôo de São Paulo partiu às 08:30 para Frankfurt. O meu assento era o 37-A, saída de emergência. O encosto não inclinava e quando eu fui me assentar tinha um gordo ocupando todo o seu assento e parte do meu. O pior do gordo é quando o gordo tem a consciência de que é gordo e fica o tempo todo se desculpando pelo incômodo de estar te espremendo, te esbarrando, te acotovelando, assumindo, por total excesso de espaço pessoal, o braço da poltrona que deveria, entre pessoas educadas, ser compartilhado num vôo tão longo. Assim, entre as mil desculpas que eu ouvia a toda hora do gordo ao meu lado, eu abri o dicionário para pegar pelo menos algumas palavras chaves em alemão. Mas só então eu descobri: ele era um dicionário que traduzia alemão para português e não vice-versa. Eu teria que saber alemão para usar a bosta daquele dicionário. Eu gastei as quase dez horas de vôo para achar naquele dicionário filhadaputa pelo menos algumas palavras que pudessem me ajudar:
JA:sim - NEIM:não - TAXI:taxi - BIER:cerveja - HOTEL:hotel - STADION:estádio - GEHEM:ir - KOMMEN:vir - BAR:bar - DANK:obrigado - FUBBALL:futebol.
Desembarquei e entrei na fila. Passaporte e documento de imigração na mão, cheguei no guichê do troglodita alemão que me olhava feito eu fosse um imigrante e disse um punhado de coisa que eu não entendi.
Aí eu disse: GEHEM-NUREMBERG
O cidadão falou mais um punhado de merda.
Aí eu novamente: FUBBALL-STADION-GEHEM-NUREMBERG
O gorila começou a ficar vermelho e eu puto da vida.
O cara se inclinou no balcão do guichê e falou outro punhado de bosta e, pelo movimento do seu corpo, eu julguei que eu tinha que responder algo como SIM ou NÃO.
Nunca na minha minha vida eu me arrependi de ter feito algo ou de deixar de ter feito algo. Pela primeira vez eu estava profundamente arrependido. Eu queria saber falar, com toda a fúria da minha alma, em alemão, as seguintes palavras: VAI PRÁ PUTA QUE O PARIU.
Eu fiquei ali, então, calado e o cidadão vendo que eu não ia falar nada, carimbou meu passaporte e disse algo parecido com GEHEM.
Isso tudo acabou perto de meia noite e meia, horário local, e meu vôo para Nuremberg saía às 05:30 da manhã. Procurei o gichê da Lufthansa. Saí rolando a minha mala até ele, não sem antes tomar umas quatro latas de cerveja pelo caminho.
Finalmente Nuremberg! Já fora do aeroporto, imóvel, meio que cambaleando, olho prum lado, olho prá frente, olho pro outro e aí acontece! Devia ser fruto da minha imaginação. Olho prá frente novamente, fixo o olhar no nada e então, somente então, olho para a esquerda de novo e era verdade. Ele está ali parado, sozinho, com toda a impressão que esperava alguém para lhe buscar. Reinaldo! Isso mesmo, o nosso Rei! O maior camisa 9 de todos os tempos! O mesmo cara que eu encontrei um dia lá em João Monlevade na Taberna 33 assentado com alguns amigos quando me aproximei e disse: "Reinaldo, beleza? Eu sou seu fã!" Mas isso é outra história...
Sobrou-me apenas estar ali com uma palavra na minha mente: TAXI, já no dia do jogo, 15 de junho. Chego no hotel às 07:00, tomo banho com uma ressaca federal de um drinque exótico que mistura cerveja, gordo, dicionário, alemão de guichê e fuso horário.
Saio do hotel às 2 da tarde, ainda bêbado do drinque exótico. Me curo comendo uma bratwurst com cerveja escura, tudo regado de mostarda alemã no famoso Christkindlesmarkt.
Estádio lotado. Do meu lado uma loira nórdica que ia me perturbar o resto da partida, pois não sabia se olhava para ela ou se assistia o jogo. Para que vocês entendam a dimensão do conjunto, os alemães são inimigos históricos dos ingleses. Assim, todos os alemães estavam torcendo para Trinidad Tobago e a empolgação dos que não tinham para quem torcer foi tomada pela maioria esmagadora e decidiram vestir a camisa de Trinidad, inclusive a loira norueguesa do meu lado. Se bem que, exotismo por exotismo, sou muito mais a minha indiazinha de Goiás Velho.
A gritaria era ensurdecedora. Jamais imaginei que europeu pudesse ser tão ávido em ver um time ser derrotado. No caso, os coitados dos ingleses que, por paradoxo, de coitado, o time da Inglaterra não tinha nada.
Nunca vi tal técnica. Nunca presenciei algo parecido. Não sei se foi tática do técnico ou desespero dos jogadores, mas nesse jogo, a fúria dos tobaguenhos era tanta que eles corriam desembestados e em bloco na direção da bola, numa carreira desesperada gritando: URUGUM! URUGUM! O estádio enlouquecido começou também a gritar URUGUM junto com os jogadores. A situação ficou de dar medo. Assim chegavam eles na bola e davam uma bicuda da porra para a lateral. Foram tantos os laterais que eu acho que se tivessem mudado as traves de lugar, Trinidad teria feito pelo menos uns quarenta gols.
Teve um lance interessante. O goleiro inglês Paul Robinson lança pro jamanta do John Terry que chuta prá frente e corre em direção à bola prá continuar a jogada. Na frente dele estava o tobaguenho Silvio Spann. De onde eu estava eu podia ouvir os ovos do jamanta: "bolof-bolof" e, pelos olhos arregalados do Silvio eu não sei se ele correu do Terry ou se ele correu prá bola, mas pela carreira que ele deu, ficou a impressão que ele fugia da morte e chegou antes do Terry na bola, bicou um chute prá lateral e continuou fugindo até o fim do campo.
Assim, nesse desespero, diante de um time inglês totalmente pasmado, o técnico inglês arrancando os cabelos, tentando passar orientações para os jogadores e impedido pela gritaria coletiva e alucinada da torcida, termina o primeiro tempo zero a zero.
Escrito por Frank às 18h43
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VUDU 3
No início do segundo tempo, era palpável a raiva dos jogadores ingleses. Porém, mais uma vez, o inusitado perturbou a ordem natural das coisas. Primeiro, era que os tobaguenhos estavam de peito inchado e encarando os ingleses feito Wanderley Silva num Vale-Tudo. Segundo, quando Carlos Edwards de Trinidad Tobago sai com a bola e toca para Avery John, o estádio em peso, ao invés de gritar OLÉ, grita: URUGUM! Assim, de passe em passe dos tobaguenhos, URUGUM vira instantaneamente uma agulhada de vudu no orgulho já abalado dos jogadores ingleses que tiveram não cotra si somente onze jogadores tobaguenhos, centro-americanos, desconhecidos, de onde jamais alguém pudesse pensar que sairia futebol, mas quarenta e cinco mil jogadores marcando, driblando, chutando, correndo, defendendo e atacando. E o pior, desses quarenta e cinco mil jogadores, somente onze estavam no nível de igualdade de disputa. O resto vinha de cima como fantasmas medonhos e intimidantes, achatando, sob o peso do que é uma verdadeira torcida, como a GALOUCURA, o futebol de quem, apesar de ser favorito, passa a ser repúdio para quem sabe o que é torcer.
Já nos descontos, num zero a zero fenomenal para Trinidad Tobago, o tobaguenho Russel Latapy lança Atiba Charles que avança pelo corredor direito com Ashley Cole da Inglaterra ao seu encalço, tentando interromper a carrreira do outro, porém sem nenhum resultado. O cruzamento vem num efeito descendente à la "Eder Aleixo", com a bola parecendo pairar sobre o ar em câmera lenta, caindo justamente aos pés de Dwight Yorke que já vinha numa carreira alucinante e chuta de bate-pronto, com o peito do pé, e o petardo fulminante vara o ângulo, bem lá onde a corjua dorme, e os dedos esticados de Paul Robinson não tiveram a mínima chance sequer de ter o gosto de encostar na bola fulminante e impedir o gol humilhante, levando o estádio à explosão louca e desvairada da maior zebra que eu já vi na minha vida: Trinidad 1 X 0 Inglaterra.
Querem saber? Tô fora! É emoção demais. Não cubro mais nenhum jogo, seja ele qual for. Prefiro a cerveja e os pés para cima, beliscando uma boa picanha na minha casa ou com os amigos, tendo todo o conforto de ver replays e ouvir os comentários desses amigos que são técnicos por excelência, assim como todos os brasileiros.
Obs.: Zecão, devido à convocação em cima da hora para este jogo, não tive tempo de rever o texto e corrigir os erros de português. Então, não enche o saco.
Escrito por Frank às 18h38
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Adeus

Minha homenagem ao Mestre do Rei, Mestre Ziza, ou Zizinho, um grande craque e maior ainda enquanto Homem. Bate uma pelada agora em outro plano, com outros mestres...
Escrito por Renato às 17h54
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Almagro é o Tatuapé de lá?

Esse aí será o clube do coração de Lourenço, quando conhecer a terra de seus ancestrais e do tio Ogro.
O bacana é que a razão será dupla e óbvia:
- São xarás.
- Seu time no Brasil tem uma semelhança de alma com o irmão argentino.
CASLA: Club Atlético Sin Libertadores de America.
Escrito por Demas às 16h35
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MAIS UM CRAQUE

Sempre achei que os jogos decisivos eram mais tranqüilos que os outros, porque, nessas ocasiões, você só tem uma chance: é vencer ou vencer. Principalmente no Corinthians, time que eu defendi naqueles dois jogos semifinais do campeonato paulista de 1983, contra o Palmeiras. Quando se veste aquela camisa em uma final, você já entra com 70% de chances de vitória, por causa da torcida. No Corinthians, mais que em qualquer outro lugar, ela ganha jogo.Como todo artista, o jogador de futebol também trabalha com o público, que é capaz de determinar sua perfomance. Some-se a isso a imprevisibilidade do futebol, em que um único lance pode decidir a sorte de uma partida. Foi mais ou menos isso que ocorreu naquele Corinthians x Palmeiras. Apesar da importância, eu achava aquele jogo um compromisso muito mais calmo que enfrentar o Marília, em Marília, por exemplo, onde você leva cotovelada na cabeça, no peito, enfim, acontece de tudo. Além disso, tínhamos a Fiel do nosso lado, e para mim, o grande barato do futebol sempre foi esse: conseguir canalizar a atenção do meu público. Por tudo isso, não havia o que temer. Havia, sim, Casagrande, uma força em estado bruto no auge de sua explosão. Havia Zenon, Wladimir, eu...Tínhamos um grande time, que buscava o bi campeonato, enquanto o Palmeiras começava a se preocupar com o seu sétimo ano na fila. E isso já era um grande peso para seus jogadores”. Assim o Doutor descreveu o jogo de sua vida,no paulistão de 83.
E nessa terça, mais um lance decidiu tudo. Após aproximadamente nove meses de tensão, ansiedade, medo, noites mal dormidas e sonhos, Lourenço, em um lance fulminante e genial, decidiu tudo. Resolveu encerrar a partida e aparecer para o mundo. Parabéns Lourenço, você certamente nasceu para ser um craque. Seja bem-vindo. Seja muito feliz.
Um grande beijo para vocês, Massoneto e Luciana.
Escrito por Ogro às 23h45
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Hoje é dia de Lourenço.
Começa o julgamento de Joana d’Arc. No País de Gales, a primeira locomotiva a vapor rompe os trilhos. A The New Yorker é folheada pela primeira vez.
Fidel nacionaliza todas as empresas em Cuba. Nixon visita a China e tenta suavizar a relação entre os EUA e o gigante vermelho. Uma espaçonave russa toca pela primeira vez a vultuosa pele da Lua.
Nasce Andrés Segovia, mexendo seus pequenos dedos. Nasce Anaïs Nin, inspirando um verso. Nasce Chaves, ou Chapolim, roubando e soltando risadas. Nasce Nina Simone, expirando um grave e afinado choro.
É dia 21 de fevereiro, dia de São Pedro Damião.
É dia 21 de fevereiro, e Lourenço chegou.
Seja bem-vindo, meu novo sobrinho. Recebamos com muitas delícias o mais novo bolonista.
Lu e Massoneto, esses dois lindos guerreiros, bravos e suaves como são os guerreiros que lutam as guerras certas, recebam meu mais apertado beijo nesta noite.
Lourenço, um beijão do tio.
Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Demas às 23h34
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Quem é o herói nacional?
Hoje Real Madrid e Arsenal duelaram pela Liga dos Campeões da Europa. Os ingleses levaram o jogo, disputado no Bernabéu*.
Até aí, finado o Neves.
O que me chamou a atenção foram as escalações iniciais.
Arsenal
Lehmann; Eboué, Touré, Senderos e Flamini; Hleb, Gilberto Silva, Fabregas e Ljungberg; Reyes e Henry.
Real
Casillas; Cicinho, Sérgio Ramos, Woodgate e Roberto Carlos; Gravensen, Gutti, Beckham e Zidane; Robinho e Ronaldo.
Sentiram o drama?
Inglaterra
Alemão; marfinense, marfinense, suiço e francês; bielorrusso, brasileiro, espanhol e sueco; espanhol e francês.
Espanha
Espanhol; brasileiro, espanhol, inglês e brasileiro; dinamarquês, espanhol, inglês e francês; brasileiro e brasileiro.
Três num, nenhum noutro.
Tenho dó das crianças espanholas. Tenho muito dó das inglesas.
*Disse lá em cima que os ingleses levaram o jogo. Não levaram nada.
Escrito por Demas às 19h05
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Assuntos Importantes
Bolonistas da Estiagem
Outro dia, aqui no diário, vi que o Fernando foi goleiro de futebol de salão. Profissão ingrata esta, a de goleiro. Fico aqui imaginando o que passou pela mente do arqueiro Rafael, do Paulista de Jundiaí, naqueles átimos que separam a bola do pé de Sousa, e o improvável lançamento de trivela, até o pé de Danilo. E, depois, o desfecho, aquele petardo sem pulo, aquele chute de cinema, aquele pelotaço de fechar o comércio e decretar feriado na cidade grande. Rafael não deve ter pensado em nada que pudesse ajudá-lo a desfazer o gol.
O gol é a razão de ser do futebol. E a profissão do goleiro é exatamente impedir o reino da razão. Rogério Ceni é um desses que tem a sorte e a capacidade de furar esta cruel lógica e vai lá fazer os seus goles de vez em quando. Mas, sempre existe um deles espalhado por aí, quantos goleiros por este mundo afora nunca marcaram um gol, nem no treino, muito menos no recreativo? E, quer por bem ou não, todos os goleiros já foram buscar a pelota no fundo do gol, a meta sempre foi vazada. Não há goleiros invictos.
Lembro da única Copa que existiu, a de 82, e lembro de Dasaev. O goleiro soviético fechou o gol no jogo contra o Brasil. Foi o próprio Zoff. Mas, mesmo assim, foi buscar a pelota duas vezes lá no fundo. Aliás, um gol genial de Sócrates. Um gol espetacular de Éder. E, vejam, mesmo Zoff foi buscar a menina lá na cidadela italiana, por duas vezes. Outros dois golaços. Sócrates e Falcão. A profissão de goleiro não é nada fácil. Na verdade, não se trata de uma profissão, mas de uma sina. Eterna e absoluta.
Eu sempre me pergunto, ao escrever, onde quero chegar. Lá pelo meio do texto, que vai saindo assim de teclar e teclar, tento encontrar alguma justificativa para as coisas que escrevo. Por vezes a tarefa é completamente inútil. Alguns minutos depois, o texto está lá e não há nada para dizer sobre ele. Escrever é um ofício complicado. Aliás, como é complicado para o Parreira explicar porque entre os nossos goleiros para a Copa não estará o goleiro. Pensando bem, o Parreira não precisa explicar nada, se trouxer o caneco. Até hoje me pego espinafrando a seleção de 94 e aí vem alguém e me diz: “Bom, tá certo, mas fomos campeões.”
Na boa, em resumo, o que eu queria mesmo dizer era que o gol do Danilo foi de outro mundo. O resto, pouco, muito pouco, me importa.
21.02.06
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 17h32
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Só faltava esta.
Talvez "A Nossa Copa do Mundo" seja realmente a nossa Copa do Mundo.
Piadas sobre a má fase do Dida são bem-vindas.
21/02/2006 - 09h22 Gripe aviária pode afetar Copa, diz comitê alemão
da BBC, em Londres
A gripe aviária que chegou ao norte da Alemanha poderá afetar a organização da Copa do Mundo, segundo disse nesta terça-feira a presidente do Comitê de Agricultura do Parlamento alemão.
Bärbel Höhn, do Partido Verde, alertou em uma entrevista no canal de TV alemã N24 para a possibilidade de cancelamento de jogos ou do próprio torneio em caso da gripe aviária se tornar uma pandemia de graves consequências.
A deputada lembrou que grandes aglomerações de pessoas são propícias à propagação de vírus e doenças.
O aviso feito pela líder política em Berlim "não é exagerado", segundo o alemão Klaus Stöhr, que coordena o programa de combate a pandemias da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Calamidade
Stöhr disse que o perigo da gripe aviária se tornar uma pandemia cresce com a sua propagação no continente europeu.
"Se tivermos uma pandemia na época da Copa o governo vai ter que pensar muito bem no que fazer", disse Stöhr.
No entanto, ele também afirmou que a Alemanha está bem preparada para controlar a doença.
A gripe aviária foi trazida à Alemanha por gansos selvagens e se manifestou no extremo norte do país.
O estado de calamidade pública foi declarado na ilha de Rügen, no Mar Báltico, e em parte da região costeira.
Escrito por Demas às 11h49
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Sonho de infância.
Bolonistas:
Hoje, 18 de fevereiro de 2006, verei Maradona.
Escrito por Demas às 11h28
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ALLAH AKBAR - PARTE 1
Certos tipos de felicidade tem hora certa para acabar. Pois bem, estava eu passeando pelo poético bairro de Josefov, em Praga, para onde tinha dado uma escapulidela, já que os meus amigos de redação tinham resolvido investir em roteiros culturais, quando soa o meu telefone. Fim da festa, dizia o redator, você vai direto para Stuttgart cobrir o clássico Espanha e Tunísia. Manda quem pode e paga a conta, eu apenas obedeço.
Stuttgart é o principal centro da região de Baden-Wurttenberg, que por sua vez é o principal centro de indústrias automotivas da Alemanha. Ou seja, eu estava largando Praga para cobrir um jogo na equivalente germânica a São Bernardo. Meu humor já tinha ido para o beleléu.
Durante a noite, na viagem de trem, não me saia da cabeça a marchinha “eu fui às touradas de Madri parará tchi bum, bum, bum , parará, tchi bum”, do imortal João de Barro (com Alberto Ribeiro), amplamente cantada na Copa de 50 e lá ia eu rumo a Stuttgart. A seleção espanhola era mesmo algo incrível. Um mito, que se auto-intitula “la fúria” e que jamais conseguiu sequer um terceiro lugar em Copas do Mundo, como fez a inexpressiva Turquia na última. Fico a crer que tudo não passa de uma piada, assimilada pela população, que reflete a reação que o próprio esquadrão causa em sua gente, com eliminações bisonhas ao longo da história.
Chego a Stuttgart pela manhã. Fervilha a cidade-sede da Porshe e da Mercedes-Benz, mais do que era de se esperar de uma cidade daquele tamanho. Da estação vou direto ao hotel, que me foi altamente recomendado por um colega de copo romeno em Praga, o Términus. Alugo um quarto no referido pulgueiro, com a certeza de que décadas de ditadura Ceaucescu realmente fizeram mal àquele país.
Surpreendentemente, o meu mau humor começa a se dissipar no café da manhã, quando sou atendido por uma garçonete gordota, de nome Helga, extremamente simpática, que me serve um delicioso prato de frios, enquanto me pergunta dezenas de detalhes do Brasil, com um sorriso nada germânico no rosto. Da cafeteria, passo a caminhar pela cidade, que aliás é extremamente simpática e acolhedora. Por acaso, estou usando o meu manto sagrado tricolor e sou abordado por um rapaz alemão que falava meia dúzia de palavras em inglês e repetia a palavra “Bordon”. Claro, aqui joga o ex-zagueiro são-paulino. O rapaz fez questão de me deixar o endereço e pedir que eu mandasse uma camisa igual a minha.
Aproveitei a calma do dia para conhecer o Weissenhofsiedlung, um bairro totalmente projetado na década de 20 por Le Corbusier e inteiramente reconstruído. Aproveitei também para matar a minha curiosidade de ex-militante estudantil e conhecer a casa em que nasceu e cresceu Hegel. Bom, era uma casinha igual a todas as outras, mas saí de lá com uma camiseta super legal e muitas bugigangas para distribuir para a rapaziada.
No fim da tarde, no centro da cidade, resolvi pegar um cineminha. Sem o menor saco para ir atrás de filmes de Murnau ou Fritz Lang, fui assistir “X-Men 3”, que ainda não havia visto. Pronto, após a cena em que o Magneto entorta a Golden Gate para que ela chegue a Alcatraz e assim os prisioneiros saiam de carro da ilha, eu era um homem definitivamente feliz.
Hora de jantar, fui parar numa taverna famosíssima chamada Weinstube Kachelofen, que diferentemente das outras da viagem, era especializada em vinhos, já que aquela é a região vinícola da Alemanha. Escolhi um indicado pelo garçon, pois eu não entendo porra nenhuma de vinhos, e mandei ver. A conta ia pra redação e foda-se o mundo. Comi um delicioso Spatzle, um nhoque com ragu em versão alemã. Já com os dois pés enfiados na jaca, engatei um papo com um grupo de chilenos que estava lá, acreditem, a trabalho, visitando a fábrica da Porshe.
Após o jantar fui parar, sem querer, no clube mais divertido da alemanha, chamado “bunker”, que tocava bandas de punk rock e eletrônicas alemãs que divertiram pra caralho a minha adolescência, tipo Nitzer Ebb, cheio de punks fora de época maquiados, com cabelos moicanos imensos. Caí no Tequila e dancei como se não houvesse amanhã. Mas havia.
Era onze da manhã e eu estava atrasadíssimo e com a maior ressaca dos últimos 34 anos. Vinho com Tequila barato é pior do que napalm. Tomei uma ducha gelada e corri para o estádio. Como o estádio estava vazio, decidi ficar no setor reservado para os tunisianos. Hoje eu vou é torcer, pensei. Viva o terceiro mundo.
A Espanha, com um time diferente da estréia, aposta em Casillas, Capdevila, Puyol, Helguera e Marchena, Baraja, o brasileiro Marcos Senna, Xabi Alonso e Valerón e o ataque com Morientes e Raúl. No time tunisiano, graças à ressaca, que me embaralhava ainda mais a vista, só posso apontar os brasileiros Clayton e a sensação Francileudo, até agora artilheiro da Copa.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 18h44
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ALLAH AKBAR - PARTE 2
Começa o jogo e, de forma morna, as equipes tocam a bola e tentam armar jogadas sem sucesso. Eu, desligado daquela peleja monótona, pensava na ironia de estar assistindo a um jogo entre a moderna e católica Espanha e os invasores tunisianos, magrebinos, bárbaros, muçulmanos, indesejados na civilização espanhola, alvo de direitistas cretinos. Me lembrava de Franz Fanon. Me lembrava também que as “estrelas brasileiras” do time tunisiano eram do meio-norte brasileiro, creio que do Maranhão, de comunidades bárbaras, incultas, indesejados na civilização paulistana. Voltei ao jogo e comecei a gritar histericamente pela Tunísia.
Uma jogada bem tramada entre Xabi Alonso, Baraja, coloca Morientes junto da linha de fundo, dentro da área. Centro para Raúl e furada grotesca do pior craque do mundo.
Dez minutos depois, articulação de Morientes, a única cabeça pensante da Espanha, para Valerón, que chuta forte, para boa defesa do goleiro tunisiano.
Aos 38 minutos, falta na entrada da área tunisiana e o brasileiro Marcos Senna manda a bola, rente ao travessão.
Aos 43 minutos o castigo; jogada de contra-ataque do time tunisiano e a bola cai limpa nos pés de quem?? Francileudo, sempre ele. Toque sutil, deslocando o goleiro. Tunísia 1x0. Fim do primeiro tempo e a minha alegria era evidente. Recebo muitos abraços de torcedores comovidos com o fervor de minha torcida.
Começo do segundo tempo e logo aos 3 minutos um escanteio para a Tunísia, falha do pior zagueiro-com-salário-gigantesco do mundo, Puyol e Francileudo sobe, soberano para fazer Tunísia 2x0. Festa em algum lugar ermo do Maranhão. Festa em Tunis. Festa monumental no lado muçulmano do estádio.
Os 30 minutos seguintes foram um balé, delicioso de se assistir de “cucarachas borrachas”, que não tinham idéia do que fazer com a bola. O pior craque do mundo, Raul, gritava com o time, tentando organizar algo. O técnico ainda tenta com o basco Etxeberria, no lugar de Baraja. O balé espanhol virou uma coreografia com elementos Castelhanos, Catalães, Bascos e Galegos. Morientes recuou para organizar o meio de campo e a Espanha começou a voltar para o jogo. Aos 35 minutos, após lançamento dele, Morientes, Valerón entra pela diagonal e encobre o goleiro tunisiano. 2X1.
Histeria do lado espanhol. A seleção espanhola se lança com tudo ao ataque. O técnico ainda lança mão de Torres como quarto atacante. A Tunísia fica sitiada em sua área. Aos 43 do segundo tempo, o excelente goleiro tunisiano intercepta um cruzamento espanhol e faz um lançamento fortíssimo, com as mãos, para o ataque tunisiano. Neste momento são 3 magrebinos contra 3 espanhóis, prestes a travar uma cruzada. Drible seco de Francileudo, que cruza para outro atacante, que dribla Casillas e, sem ângulo, ainda toca para Francileudo sacramentar Tunísia 3x1 Espanha.
Fim de jogo. Revolta na torcida espanhola, que atira objetos no gramado e nos jogadores espanhóis. Mais uma desclassificação ridícula da seleção espanhola, provocando fúria naquela nação. Festa sem precedentes no estádio, em Tunis e nos bairros muçulmanos de Madri, Barcelona e vários lugares do mundo. Tunísia rumo a segunda fase da Copa e Francileudo artilheiríssimo, com seus nove gols em dois jogos. Boatos de que Román Abramovich quer pagar 40 milhões de euros pelo seu passe aparecem. Eu comemoro como um louco. Espanha 1x 3 Tunísia
Volto para o meu pulgueiro, tomo um banho e vou tomar uma cervejota, usando a minha camisa da Tunísia trocada no estádio. Como é bom presenciar um momento em que uma partida lava a alma de milhões de pessoas no mundo. Allah Akbar.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 18h39
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Um minuto.
Vai com raça, Jorge. Um brinde.

Jorge Mendonça
Escrito por Demas às 10h54
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PT – J – V – E – D – GP – GC – SG
Grupo A
1º Costa Rica: 9 – 3 – 3 – 0 – 0 – 8 – 2 – 6
2º Alemanha: 6 – 3 – 2 – 0 – 1 – 5 – 4 – 1
3º Equador: 3 – 3 – 1 – 0 – 2 – 3 – 4 – -1
4º Polônia: 0 – 3 – 0 – 0 – 3 – 1 – 7 – -6
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 23h27
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Festa em ..... ? Qual a capital da Costa Rica????
Bolonistas zoadores de tabela...
Zoaram a copa. Sim, é esta a melhor definição para o que acontece com o grupo A. Primeiro, a roubalheira no Alemanha e Equador só não foi pior do que a proposital inversão dos jogos pela FIFA. Afinal, estava lá no calendário de dezembro de 2005, Equador e Costa Rica se enfrentariam antes de Equador e Alemanha. Bastou uma derrota para os costarriquenhos que a organização do mundial mudou tudo. E, em Hannover, o que era para ser um jogo de definição de vaga virou um amistoso. Costa Rica e Polônia. Trata-se de um jogo que não definirá nada. Costa Rica está classificada e apenas decidirá se quer ser a primeira ou a segunda do grupo. E a Polônia, mais uma vez, depois do naufrágio de 2002, está desclassificada na primeira fase.
Vi a tabela e percebi que ninguém iria a Hannover cobrir um amistoso. Daniel se encantou com os parques alemães e desistiu de qualquer coisa mais séria. Franklin, Pedrão, Massoneto e, até ele, o Caubas estavam definitivamente compenetrados em jogar petecas em algum lugar perdido em Berlim. Dequinho esteve em dois jogos importantes, não iria se dedicar a este amistoso. O Ogro só pensa na Argentina e em festivais de ballet. O Juliano, companheiro de sinas das mais difíceis, topou a parada e fomos para a cidade de Gunther. Por falar em Gunther, Renato desaparecera. Ainda não descobrira que Eulália fora deslocada para comentar o jogo Japão e Croácia.
Hannover, eu conheci no México e Angola. Cidade agradável. Construções históricas, cervejarias a granel num belo parque. Um parque com cervejarias é algo muito perfeito. Demais da conta. Eu e o Juliano bebemos bastante antes, durante e depois da peleja. Escalamos a seleção da Copa, discutimos os esquemas táticos de todas as seleções do campeonato. Escrevemos páginas e páginas de almanaque sobre os grupos. O Juliano, percebi, gosta da Copa. É um tarado.
O jogo é amistoso e o resultado, portanto, é um detalhe. No gramado, Costa Rica entrou com uma imensa bandeira do Equador. Nós, os latinos, choramos. Os germânicos ficaram embrutecidos e desataram a torcer pela Polônia. Em vão. Costa Rica tem Wanchope e o cara é um dos destaques da Copa. Por mais que o time polaco tentasse recuperar na alma a volúpia do time de Lato, era uma imitação barata. Costa Rica virou o primeiro tempo com um placar de dois a zero. Wanchope e Parks. O brasuca Guima, o técnico centroamericano, botou o time para frente. O Ju me explicou: 3-2-5. No time da Costa Rica, naquele jogo, os laterais eram atacantes. Não entendi, mas pelo placar, aos treze do segundo tempo, vi algum sentido naquilo. 4x0. Outro de Wanchope e um de Gomez.
A Polônia tentou alguma coisa. Mas pouco importava. Era um amistoso. Das cabines pude ver Lato e Boniek comentando para uma rádio de Varsóvia. Fui lá pegar autógrafo. O Juliano ficou entretido com uma jornalista ucraniana, Laisla, branca como a neve dos Andes. Pude perceber que o papo era sobre o Milan e Schevkenko. Fim de jogo. Costa Rica, líder do grupo, a surpresa da Copa, nove pontos, 5 x 1 Polônia. O último gol da Costa Rica? Bolaños. E o gol de honra dos polacos, Lato me explicou que não importava nada, a decepção em Varsóvia era imensa, imensa, imensa. Chorou. Sei lá, acho que exageramos com os poloneses nesta copa. Eles não mereciam três derrotas. Não mereciam.
Costa Rica 5 x 1 Polônia – Hannover – 20.06.2006
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 22h58
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Panos de luto. Parte 1.
Alguém se lembra de Rodney King? Worns em flecha rumo à perna do equatoriano. E da absolvição de Ubiratã, se lembram? Kahn, o Louco, esmigalhando o joelho de Delgado. Alguém aqui já foi caluniado, sacaneado de verdade? Mendez recebendo, incrédulo, o cartão vermelho. Rubin Carter? Ayoui e De la Cruz. Sabiam que cagaram, mijaram e gozaram em toda a casa de Neruda? Destruíram seus livros, profanaram seus santos, atiraram em seus quadros? Um longo vôo resulta em um pouso caricatural: Klose talha uma caricatura de falta.
Não há bálsamo para uma ferida mortal na alma. Morreu a alma, a carcaça sustenta uma informe corrupção de homem. Não há bálsamo, não há cura.
O time do Equador, inspirado pela feliz campanha do jornal El Comercio, de Quito, entra com faixas negras nos braços. Na audiência, equatorianos, brasileiros, argentinos, mexicanos, paraguaios, trinidenses, todos inspirados pela repercussão da campanha, ostentam também seus panos de luto.
Após os hinos, uma foto que perdurará: os times misturam seus jogadores para a foto oficial. 22 jogadores em um abraço grave.
Os gritos de “Injusticia!”, “Ecuador!”, “Verguenza!” e “Forza!” forjavam um paradoxo singular: fazia todo sentido. Não houve quem não entendesse seu significado total.
Mas não há bálsamo. Não há, morta a alma.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 20h50
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Panos de luto. Parte 2.
O time equatoriano – e todos o desejavam em uníssono – merecia a volta por cima. Aquele time remendado, em farrapos, merecia uma reviravolta mágica. Mas não há mágica, morta a alma.
O time da Costa Rica – e todos são testemunhas – percebeu a grandiosidade do momento e não ofereceria resistência, caso houvesse ataque. Mas não há o risco, morta a alma.
Aqueles 90 minutos durariam mais do que o futebol merece, mas o suficiente para nos constranger a todos.
Costa Rica precisava de uma vitória para selar sua passagem. Equador ainda tinha chances. Mas o que Hamburgo viu foi a vitória do desânimo. Os costarriquenhos não se esforçaram, os andinos caminharam resignados ao cadafalso.
Um avanço de Wanchope, já no segundo tempo, foi observado pelos equatorianos com desdém, do início à conclusão certeira. E foi só. Morta a alma, resta nada.
Ao final daquele 1 X 0, os costarriquenhos levantaram os braços dos equatorianos, cadáveres de alma. Eles retribuíram com acenos ausentes os gritos da audiência. Todos no Fifa World Cup Stadium untávamos nosso coro com lágrimas incontidas. Os jogadores aceitaram os agrados, mas forças já não havia. Para nada.
Morta a alma, só silêncio.
Equador 0 X 1 Costa Rica
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 20h50
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E agora? Parte 1
A intenção do Corriere dello Sport não poderia ser mais clara, ao destacar: “Gana ironiza a Itália”. O Olé cumpriu seu eterno papel: “Falam como os brasileiros. Jogam mais”. Até o Bild meteu um pitaco: “Jogador ganês menospreza adversários”. O Marca foi o pior – macaco que não olha o próprio rabo -: “Africanos fazem do mesmo: encantam e depois brincam. Já fizeram sua parte”.
Acontece que todos sabemos que as manchetes de jornal são como as mágoas: várias versões, todas erradas. Todos vimos o que Essien disse. “Davam como certas as vagas para Itália e República Checa. Todos se perguntavam quem iria enfrentar o Brasil. E agora? E agora?”.
Ora, senhores, não era isso o que pensávamos todos, antes de a Copa começar? Todos. Todos. Vi um militar da reserva quase se alterar com uma dona-de-casa na fila do banco, no longínquo maio, soletrando: “Ned-ved, milha filha, Ned-ved”. Ao que ela respondia: “A Itália, seu velho, tem aquele bonitinho”.
O fato é que as vagas eram dos dois. Qual iria pontear era a única dúvida razoável. E agora vemos Gana, maiúsculos 6 pontos e 5 gols, na frente.
Que pecado há na frase de Essien? Nenhum, senhores. Nenhum.
Mas Gana entra sob uma vaia monumental dos checos. Mais inclemente, só a claridade de Colônia. Os ganeses, poucos entre o arco de europeus que abraçavam o estádio, ainda tentaram impor seu baticum sobre os apupos. Em vão.
O estádio sangrava o vermelho checo. Os gritos de “Ned-ved, Ned-ved” devem ter enchido de vigor o velho oficial.
E deu certo.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 23h17
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E agora? Parte 2
A volúpia que Gana apresentou nos dois primeiros jogos desapareceu. Essien jogava bem, o que – vimos – é pouco. Appiah procurava Issah, e pareciam estranhos.
Do outro lado, uma organização de agência do INSS: uns trabalhando, outros fingindo; uns perguntando sobre o café, outros perguntando se é sem açúcar. Nedved procurava o jogo, mas parecia vibrar uma freqüência única: corre, pára, avança, recua,e a equipe não o acompanha.
Aos 30, nenhuma chance digna do nome: uma bicanca ali, uma cabeçurrada acolá, uma perneotada para lá, outro cruzamenteoláculo por Alá. Nada perto de um gol.
Eu disse 30? Pois repito: 30. 30 do segundo tempo, senhores. Do segundo. O jogo que é a coluna vertebral do grupo E desta Copa é, de longe, o pior.
Essien é uma sombra. Sombra de si, de suas atuações contra os estadunidenses, contra os italianos. Nedved é o comandante de uma tripulação escamoteando um motim. Um solitário.
E assim vai a briga, até o fim. Até o fim?
Não. Não. Não mesmo.
Algo aconteceu na porta de saída. Um sinal, uma iluminação. Ninguém saberá que oblíqua construção se ergueu no corpo de Essien.
Aos 44, o ganês salvou uma bola pela direita – uma bola que seria escanteio e que, logo, não precisava ser salva – e se arrumou para o centro.
Ajeitou-se. Ajeitou-a. E desferiu um chute direto, desangulado, perfeito, mágico. Poucos viram a trajetória. O goleiro checo – sei – não viu.
Gana vence o jogo por 1 X 0 contra os checos. Talvez Essien tenha ganho sozinho esse jogo cinzento. Talvez, não sei.
Não sei qual será a manchete do jornal Daily Graphic de Acra. Não sei mesmo, ainda que tenha algumas idéias.
Uma delas me perturba, por não saber a resposta que sua esfinge esconde: “E agora? E agora?”
Gana 1 X 0 República Checa
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 23h17
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É daquele jeito. parte 1
Esta folga na cobertura da Copa era do que precisava, na medida, qual terno de alfaiate.
Não que a cobertura da Copa seja em si cacete, tanto que estou por umas patacas quase pagando para trabalhar, dado o arrocho orçamentário imposto por nosso editor-chefe (já ouvi no Piantella seu nome sendo sussurrado junto às palavras “central” e “fazenda”, mas temo tê-las entendido “Central” e “Fazenda”).
Mas é que a cobertura rouba um pouco da Copa. Descrever o lance, lembrar o nome, contar as chances, prever o confronto, lamentar o fiasco, tudo rouba-nos a delícia do jogo da infância, da não-obrigação. Já relatei, lá no início do campeonato, que tive de rabiscar linhas do próprio estádio, que as casas de internet e as conexões do hotel estavam impossíveis – cerveja em festa de crente.
Estou adorando minha folga. Berlim é bem diferente do que minha imaginação havia pintado, mas não menos viva. Há uma parcela da cidade que simplesmente não se importa com a Copa e é essa a que tenho conhecido desde que Stela desembarcou neste país e nesta cidade, com enfado de jogo e apetite para roteiros culturais.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 21h13
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É daquele jeito. Parte 2
Ela desembarcou por aqui e eu embarquei na dela. Fui ao Deutsche Guggenheim, ao Haus am Checkpoint Charlie e até ao Botanisches Museum der Freien Universität.
Resolvi apelar: “Stela, vamos empatar – acabou de museu, vamos de cinema”. Topou. Mostra do Expressionismo Alemão no Cinemaxx Potsdamer Platz sem legenda.
“Murnau, que não resisto a filme de vampiro”, adiantei. Stela: “Dr. Caligari, Deco, que tô precisando rever”, trucou. Topei.
Foi quando o celular – uma das poucas concessões feitas pela redação – tocou. Era o chefe. “Dequinho”. Não tive dúvidas, tinha me fudido – folga era história. Não respondi de imediato. “Dequinho”, repetiu. Não havia jeito, tinha de dourar a pílula: “Fala, Amaral, gostou de Dortmund? Deu certo o esquema dos esparadrapos na camisa do Bugre? O quê? Suíça? Puta-que-pariu, o Togo é a Bolívia de lá?”
A conversa enrolou uns segundos em sua água. E o Amaral atirou, surpreendente: “Deco, já passou o ‘Gabinete’?”. “Hein?”. “Dr. Caligari, caralho, já passou na Mostra?”. “Não, ainda não. De fato, velho Amaral, estamos indo pra lá agora, eu e a Té”, provoquei o bolonista.
“Então me pega aqui na estação que eu tô nessa” – touchê!
Amaral, Stela e eu vimos a obra-prima de Robert Wiene e rumamos até o Jansen Bar – onde encontramos a melhor cerveja caseira de toda a Alemanha. Centenas de goles mais tarde, abraçados em três e rumo a um improvável táxi às quatro, nosso editor masca um “Dequinho”.
“Faala, cheffe, cê mannda”.
“Amanhã: Equador e Costa Rica, só parente. Hamburgo”.
Finda a folga, à Copa. A rapadura é daquele jeito.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 21h12
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Abacate, limão.
1ª Fase de Copa é terra adubada pelo improvável: nasce abacaxi, nasce marmelo, nasce trevo de quatro folhas.
Grupo A:
Alemanha 1 X 2 Costa Rica
Polônia 0 X 1 Equador
Alemanha 1 X 0 Polônia
Equador 2 X 3 Alemanha
Grupo B:
Inglaterra 2 X 0 Paraguai
Trinidad e Tobago 1 X 5 Suécia
Suécia 3 X 0 Paraguai
Grupo C:
Argentina 3 X 1 Costa do Marfim
Sérvia e Montenegro 0 X 3 Holanda
Argentina 6 X 2 Sérvia e Montenegro
Grupo D:
Angola 2 X 3 Portugal
México 3 X 1 Irã
Portugal 2 X 1 Irã
México 1 X 2 Angola
Grupo E:
EUA 1 X 2 República Checa
Gana 2 X 0 EUA
Itália 2 X 3 Gana
República Checa 2 X 3 Itália
Grupo F:
Austrália 1 X 1 Japão
Brasil 1 X 0 Croácia
Brasil 2 X 0 Austrália
Grupo G:
Coréia do Sul 4 X 0 Togo
França 4 X 1 Suíça
Togo 2 X 3 Suíça
Grupo H:
Tunísia 6 X 4 Arábia Saudita
Espanha 0 X 2 Ucrânia
Já temos classificados?
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 17h05
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Jogaço
Bolonistas, tem cada jogo nesta Copa....
Há poucas situações imutáveis no universo. Uma delas, definitivamente, são as chances de classificação de Togo para a segunda fase do mundial. Nenhuma. Foi com este pensamento que me escalei para assistir a contenda entre Togo e Suíça. Certamente um dos jogos mais improváveis da história das Copas. Ninguém acreditaria que este jogo decidiria alguma coisa, coisa alguma. E fato, ambos perderam as primeiras partidas. Togo foi goleado pela Coréia do Sul. A Coréia queiram ou não os cronistas esportivoss, pratica um futebol de razoável qualidade e velocidade. Arrumadinha, a seleção coreana pode novamente sonhar em disputar a segunda fase. Já a Suíça perdeu da França de Zidane. Quem tem Zidane tem chances, sempre. Um jogo que nenhum dos Bolonistas queria ir, este Togo e Suíça. Fui.
Dortmund é a cidade. Lá tem um Borussia, eu sei. O Borussia de lá, salvo ledo engano, conquistou o mundo e foi o time de Amoroso e tal cousa, lousa e mariposa. Batata, fiz umas pesquisas no Google sobre o time alemão, surrupiei uma camisa do Guarani de Campinas do Juliano Basile, escrevi, com esparadrapo mesmo, o nome Amoroso e rumei à estação de trem.
A regra na Copa é encontrar turmas, para debater e para discutir futebol. O maior quebra gelo é o time da cidade. Sempre há algum curioso. A camisa do Amoroso fez sucesso e foi fácil encontrar companhia, alemã, para ir ao estádio. Cervejas, sempre.
Togo e Suíça começou na hora exata. O público era bom. Muitos alemães. Suíços. A torcida de Togo, linda. Mas a maioria era indiferente, como eu. Uniforme vermelho de um lado. Do outro, uma camisa amarela, berrante. Tenderia a torcer pela vitória do Togo. Mas, sempre existe um, preferi dar tempo ao jogo, estudar a partida. A partida? Não me perguntem. De uma hora para outra comecei a pensar num disco com as vozes do Jamelão e do Ibrahim Ferrer, cantando clássicos da dor de cotovelo tupiniquins e boleros de arrasar quarteirões. Na minha cabeça a música "Silencio.... que están dormiendo, los nardos e las azucenas..." Ou, "Quem sou eu... pra ter direitos exclusivos sobre ela". Achei a idéia genial. Pena, o Ferrer faleceu em 2005, antes da idéia. Ia dar um belo filme, divaguei.
Pensei comigo que os bolonistas iam ficar fulos com o meu relato do jogo. Inventaria uma jogada de efeito, aqui e alhures. Mas nada feito, porque nem as escalações pude acompanhar no painel eletrônico do estádio. Mas, passada a idéia, não tinha perdido nada. 43 minutos do primeiro tempo, 0x0. Ser cronista esportivo e assistir a Togo e Suíça tem suas vantagens. Imaginem no programa da noite dizer, textualmente, que o futebol togolês evoluiu muito na última década. Salvo o PVC, da ESPN Brasil, ninguém iria duvidar desta pérola. Nem da Suíça, que tem tradições, o ferrolho, a Copa de 54 e os chocolates, sabem dizer os cronistas. Outro dia, ouvindo um programa especializado em futebol, na televisão, me peguei perplexo: o fulano errava sistematicamente a classificação do Campeonato Brasileiro, o nome dos jogadores, dos treinadores e até da próxima rodada. E ele recebe uns trocos para "comentar" futebol. Suíca e Togo, convenhamos, qualquer coisa que eu escrevesse ia ser uma sumidade.
Segundo tempo. Estádio agradável, o Westfalenstadion. . Como são bons os estádios da Copa. E no Morumbi, no maior palco particular do globo, não há nem sequer estacionamento. Coisas deste mundo, Seria de bom alvitre pensar atenção no jogo. Não conseguia. Eram as idéias. Iam e vinham. Grande filme o Dr. Fantástico, do Kubrick. Dr. Strangelove, o nome em inglês. Um burburinho na platéia e percebo, nitidamente, a pressão do time suíço. O jogo era morno, afinal. Não haviam rompantes na multidão. Salifou, entretanto, Salifou é um atacante togolês, percebi na ficha do almanaque, rompeu o marasmo e fez Togo 1x0. Contragolpe letal. Bela jogada. Sorri. No único momento que perdi minhas idéias, assisti ao jogo e vi um belo gol. Já tenho o que escrever. E eram exatos 20 minutos do segundo tempo.
Aos 22, num lance épico, Frei, avante suíço, rompeu a defesa togolesa, na raça. Parecia um tanque de guerra. Vibrei com o gol e com a corrida do atacante rumo ao banco de suplentes. Me parece que Frei acabara de entrar. Aos 25, incrível, o jogo era mesmo bom, Vonlanthen, não é piada, o volante suíço chama Vonlanthen, rouba a bola de um amarelo, lança em profundidade para Frei e este para Streller. Na cara do gol o vermelho sacramenta, 2x1. Aos 28, sim, a dramaticidade do jogo era encantadora, o mesmo Vonlanthen, o jogador mais novo a a marcar um gol numa Eurocopa, descobri isso lá nas nossas fichas, toca para Streller e este, sem dó nem pena, dá um tirambaço para o gol. 3x1. A torcida suíça finalmente vibrou. Olha o jogo, que jogo.
E não foi só, um sururu danado na área acabou com a expulsão de um amarelo e outro vermelho. Penalidade para os vermelhos. Não deu para ver quem bateu. Longe. A bola foi cair em Zurique, desconfio. Outro sururu, mais um amarelo para fora. E aos 38, o que parecia findo ganhou vida. Com nove jogadores, uma disposição inacreditável, os amarelos imprimiam ao jogo uma velocidade de arrancar suspiros. Alguma violência. Arbitragem pífia. Olufade recuperou uma bola na entrada da área e bateu firme. A pelota fez um ziguezague danado e acabou, após bater no pé de um vermelho, no fundo do gol. 3x2. Haja fôlego. Dali ao fim do jogo, muitos lances perdidos, algumas chances desperdiçadas. Mas no fim, com quase toda a torcida pelos africanos, a Suíça consegue a primeira vitória no mundial. Suíça 3 x 2 Togo. O Borussia Dortmund não ganhou o mundial contra o Cruzeiro? Naquele jogo bobo que os mineiros remendaram o time já no Japão? Foi, foi isso mesmo. Minhas idéias voltaram. O jogo acabou. Preciso encontrar o Deco, lá em Berlim, tem uma mostra de cinema expressionista alemão, com o "Gabinete do Dr. Caligari". Ele certamente topa um programa desses e é suficientemente digno de não divulgar o programa cultural. Estamos aqui pela Copa!
19.06.06 - Dortmund. Togo e Suíça. 3x2.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 16h35
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Adoro Tênis
Esse é um blog dedicado ao esporte das massas, o futebol, mas há outros grandes esportes, como o tênis que merecem nossa atenção...
Cá está o link para que todos se atualizem em relação ao esporte do nosso querido Guga, torcedor do Avaí.
http://sportsillustrated.cnn.com/features/2006_swimsuit/athletes/
Escrito por Renato às 12h27
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MONEY TALKS - PARTE 1
Berlim, 19 de junho de 2006. Eu tinha voltado para a minha cidade alemã favorita e, este fato, por si só, já merecia uma festa. Fui para uma taverna beber o que o fígado agüentasse e comemorar, afinal esta estava sendo uma Copa fantástica e a redação estava sendo menos muquirana, o que me permitia beber mais, já que o meu velho pulgueiro na Zôo Station e o seu mau-humorado dono Hans, que me fazia lembrar o Zecão, eu não largava por nada desse mundo.
Para todos aqueles que tem por volta de 30 anos de idade, Berlim vai sempre ser uma cidade mística. A grande maioria leu o livro Christiane F., ou viu o filme, dançou ao som de Nena com “99 luftballons”, escutou o som de uma das diversas bandas de “alemães com mullets” da época, como Scorpions e Accept e se divertiu com a maluquete de plantão, Nina Hagen e seu namorado adolescente Supla. O muro de Berlim criava grandes fantasias e filmes adolescentes impagáveis, como “o homem do sapato vermelho”, com o hoje sério Tom Hanks.
Pois bem, amenidades à parte, eu estava aqui para cobrir um jogo dramático, Alemanha contra Equador. Dramático pois, graças à inesperada derrota alemã para a Costa Rica, um desastre nesse jogo significaria o fim da Copa para os organizadores.
Bom, isso era assunto para o dia seguinte. Várias canecas de cerveja depois e eu já estava perdido, tentando dar dicas de turismo a um casal, Haiko e Hanna, que mal falavam inglês. Mímica de bêbado é foda. Nessa hora eu escutei um brado de “eu não acredito, filho da puta”, atrás de mim e me deparei com o americano-candango mais baiano do mundo, Pedrão. Continuamos com os trabalhos, desta vez acompanhados de um einsbein e de um paprikaschnitzel, afinal, estômago de bêbado também merece respeito. Ainda cantamos bastante com um grupo de ingleses que estava no bar, até que, mesmo os mais resistentes deles começaram a ter arroubos meio estranhos de mostrar as nádegas e fazer coisas pouco nobres. Hora de ir para o hotel.
De manhãzinha, a suavidade típica de um antigo membro da SS, do velho Hans, com dois murros na porta me acorda. Um banho gelado para curar a ressaca e vou ao encontro do Pedro.
Ao redor do estádio só se respira otimismo. Imagine, um bando de índios esquálidos diante da superioridade ariana. O que poderiam fazer? Bom era a resposta desta pergunta que nós dois queríamos conseguir.
O esquadrão alemão, do recém-empossado técnico Rudi Voller, entra escalado com Oliver Kahn, após ter cumprido suspensão, Hinkel, Friederich, Worns, Nowotny e Bauman, Schweinsteiger, Hamman, Ballack e Jeremies, Kuranyi e Klose. Do lado equatoriano luziam nomes como os de Delgado, Mendéz, De La Cruz, Kaviedes, Lara, Valencia, Espinoza e Tenório, além do veteraníssimo Aguinaga. A superioridade teutônica já se impunha pelos nomes. Que Mendéz neste mundo poderia segurar um Schweinsteiger, nome que por si só já é um grito de guerra. O árbitro era do Togo e os auxiliares tunisianos. Mau presságio.
Começa o jogo e a seleção da casa vai logo para o ataque. Schweinsteiger (sempre ele) rouba a bola de Tenório e lança para Jeremies, o ariano mais negro do mundo, que lança para Ballack. Este dribla dois adversários e abre para Worns, que centra para um cabeceio fraco de Kuranyi.
Aos 15 minutos de jogo, Ballack lança com maestria para Klose, que de voleio abre o marcador. Alemanha 1x0.
Estava sacramentado aquilo que era esperado. A Alemanha toca a bola, como sempre fez em toda a sua história, esperando, como um abutre, um erro do adversário, um filhote que se desgarre da manada. O que eles próprios não contavam é com um erro de seu time e isso ocorreu aos 28 do primeiro tempo, quando Hamman perde a bola na intermediária e Valencia dispara, mostrando todo o seu fôlego, de quem cresceu nas pedreiras de Cuenca, e cruza, para a cabeçada certeira de Kaviedes. Estava empatado o jogo.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 12h26
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MONEY TALKS - PARTE 2
Silêncio no estádio. Uma pequeno som de bumbos, flautas e gritos era escutado, solitário, num pedaço do estádio reservado aos andinos.
Logo na saída de bola, após tentativa de Ballack de lançar uma bola longa para Klose, a bola é interceptada e, após uma rápida troca de passes conduzida por Delgado, chega até Alex Aguinaga, que com um drible de corpo tira Schweinsteiger da jogada e avança rapidamente, até ser derrubado por Friederich. Falta pouco perigosa, longe da meta de Kahn.
A cobrança de Espinoza, porém, vem como um tiro de arcabuz, rasteiro e aquilo que muitos julgavam impossível aconteceu; a barreira abriu e um desvio na coxa de Worns deixou Oliver Kahn vencido. Equador 2x1. O silêncio se estabeleceu de vez na arquibancada e o desespero em campo. Fim do primeiro tempo.
Após 15 minutos de intervalo que pareciam uma eternidade, as seleções voltam para o segundo tempo. O vermelho da camisa alemã se parece ainda mais com sangue e assim recomeça a peleja. Os alemães começam com um ritmo frenético, sufocando os equatorianos em seu campo. Porém uma marcação bem armada sobre o craque Ballack transforma todo este ímpeto em algo estéril e a bola não chega nunca aos dois homens de frente.
O ímpeto da pressão se transforma, então, rapidamente em violência e, aos 17 minutos, numa entrada criminosa por trás, digna de um recruta da Gestapo, Worns tira Alex Aguinaga de campo, sob o olhar complacente do árbitro Togolês, que sequer aplica cartão amarelo. Entra Ayoui no lugar de Aguinaga.
Durante os dez minutos seguintes, a violência vai aumentando, por parte dos germâmicos, na medida em que aumenta o desespero, até que aos 29 minutos, após rápida troca de passes, Delgado é colocado frente a frente com o gol, que só não acontece graças a uma entrada criminosa de Oliver Kahn. Delgado se contorce e chora estirado no gramado, o seu menisco quebrado e a não marcação da penalidade máxima para os andinos. O time equatoriano, com os nervos completamente alterados parte para cima do árbitro para cobrar a marcação e conseguem levar dois cartões amarelos e a expulsão de Mendéz. Sai Delgado, entra Soli. “Que merda é essa”, me perguntou o Pedro.
Aos 36 minutos, Ballack acerta um lançamento preciso para a corrida de Worns, que cruza com precisão na cabeça de Klose. Estava empatado o jogo. Delírio no estádio.
Aos 44 minutos, após rápida troca de passes entre os alemães, Klose entra na área e, percebendo estar sem ângulo de finalização, se atira ao gramado escandalosamente. Penalidade máxima marcada. Loucura no time equatoriano e Ayoui e De La Cruz são expulsos pelas supostas ofensas ao árbitro. Ballack coloca a bola na cal e converte o tento, fazendo o estádio tremer, num frenesi indescritível. Alemanha 3x2 Equador.
Fim de jogo e os jogadores equatorianos se retiram rapidamente, sem trocar camisas e Tenório, num gesto emblemático ainda acerta uma cusparada numa bandeira alemã pendurada. Os torcedores equatorianos, indignados, atiram os seus instrumentos musicais e tudo o que tinham nas mãos no gramado, até serem reprimidos pela polícia alemã. O Pedro, com os olhos vidrados me perguntava incessantemente “meu irmão, que merda é essa”. Dinheiro, Pedrão, muito dinheiro.
Naquele dia, estava desenhada a primeira mácula na Copa de 2006, o que trazia muita preocupação quanto ao futuro do certame. Saí do estádio com o Pedrão quieto, sem vontade de ir a qualquer taverna. Nos separamos e eu fui passear num dos inúmeros parques de Berlim. À noite fui comer sushi num restaurante próximo ao hotel.
No dia seguinte, exaltação, pelos tablóides, do espírito guerreiro da seleção alemã e condenações ostensivas ao comportamento selvagem dos “animais equatorianos”. A Primeira-Ministra Ângela Merkel mandou um telegrama de felicitação pela brava classificação. Uma nuvem negra passou a pairar sobre a Copa.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 12h25
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14 de fevereiro.
Bol(t)onistas:
Um presente neste 14 de fevereiro: Torero, em plena forma. O texto está em seu blog e foi extraído do livro "Os cabeças-de-bagre também merecem o Paraiso", que deve ser fantástico.
Em tempo, feliz Dia do Botonista a todos.
O mais nobre dos esportes
O homem mais rico do mundo queria saber qual era o mais nobre dos esportes e, para isso, chamou três sábios: um da China, porque a China é o berço da sabedoria; outro da França, porque a França é o berço da ciência; e outro dos Estados Unidos, que não são o berço de coisa nenhuma mas ganham muitas medalhas nas Olimpíadas.
Logo que os três sábios chegaram à casa do magno magnata, este lhes perguntou: “Senhores, qual o mais nobre dos esportes? Aquele que me convencer receberá um pote de ouro.”
Então o chinês disse: “Honorável senhor, em todos os esportes há nobreza, mas em nenhum outro há mais do que no xadrez. Ele é um jogo de estratégias e inteligências, onde mais conta o cérebro do que qualquer outra coisa. O xadrez é o esporte do intelecto.” Depois, satisfeito com suas próprias palavras, sentou e tomou seu chá.
Então o francês falou: “Monsieur, nenhum esporte se compara à esgrima. Na esgrima treinamos pontaria e rapidez, defesa e ataque, reflexos e precisão. É um esporte onde todo o corpo é chamado a agir, e por isso é o esporte da habilidade física.” Depois, satisfeito com suas palavras, sentou e tomou seu vinho.
Então o norte-americano rosnou: “Mister, o xadrez e a esgrima são okeis, mas o mais nobre mesmo é o pôquer, que exige dissimulação e farsa, psicologia e trama. Ele não é jogado apenas com o corpo e o cérebro, mas também com a alma. É o esporte do controle emocional.” Depois, satisfeito, sentou e tomou sua Diet Coke.
O homem mais rico do mundo disse que precisava de algum tempo para pensar sobre aqueles profundos arrazoamentos, e, como pensar dá fome, pediu uma pizza pelo telefone.
Quando o entregador chegou com a pizza, o homem mais rico do mundo, só por brincadeira, resolveu lhe perguntar qual era o esporte mais nobre: o xadrez, a esgrima ou o pôquer. O entregador não se fez de rogado e disse: “Esses três esportes são importantes, mas o mais nobre de todos é o futebol de botão.”
Os três sábios caíram na gargalhada, mas o entregador permaneceu imperturbável.
“Vejam, o futebol de botão é uma síntese do conhecimento humano. Ele necessita de movimentos estratégicos como o xadrez; pede pontaria, reflexos e precisão como a esgrima — e requer autodomínio como o pôquer. O futebol de botão, senhores, é o único esporte onde são necessários intelecto, habilidade física e controle emocional. Tudo ao mesmo tempo e em igual proporção.”
Todos ficaram boquiabertos com tais idéias e as aplaudiram com entusiasmo.
O entregador então fez uma partida de botão com cada um dos presentes para celebrar a mais nobre das artes. Ele venceu o chinês por 8 a 0, goleou o francês por 9 a 0 e deu de 10 a 0 no norte-americano. Estranhamente, porém, perdeu de 1 a 0 para o anfitrião; e com um gol contra.
O homem mais rico do mundo ficou tão feliz com a inesperada vitória que não deu apenas um pote de ouro ao entregador de pizza, mas também a mão de sua linda filha e única herdeira.
E a moral dessa fábula esportiva, se é que há alguma, é que é bom ser sábio, mas melhor ainda ser sabido.
Escrito por Demas às 12h14
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Jubas!
Hoje é o dia mundial do Botonista!!!
O texto do Torero de hoje, sobre o tema, imperdível. O link tá aí do lado.
Escrito por Amaral às 12h07
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Caiu na rede é peixe... ê... ê... á....
Bolonistas, um cadinho triste...
Ainda lembro daquele gol do Baltazar, de fora da área, no Morumbi lotado e preparado para o bi campeonato nacional. Foi um golaço e não consigo lembrar se o time jogou bem ou mal aquela partida final. Mas tínhamos ganhado do Botafogo do Rio nas semifinais, de forma heróica e indestrutível, com um dos gols mais bonitos da história do Morumbi. O gol de empate. O gol de sem pulo do Éverton. O fato é que o Grêmio veio até aqui e ganhou o caneco, na nossa casa. Lembro de Baltazar correndo para a pequena torcida gremista, ou para o banco de suplentes. A imagem do artilheiro correndo, sorrindo, de alma lavada. No paradoxo perfeito do futebol, minha alma sentia naquela corrida uma profunda tristeza, uma pergunta sem resposta – porque não vamos ganhar? – e uma lágrima que escorria pela face. Uma, duas, três... várias. Chorei, como poucas vezes chorei por causa de um time de futebol.
Quando se é criança, a derrota dói. Mas estamos sempre prontos para o jogo seguinte. Por mais que a cabeçada de Oscar e a espetacular defesa de Zoff causem pesadelos, a memória está lá e sabe que aquilo acaba. Lembro que na semana seguinte ao fatídico jogo do Sarriá estava sorrindo na quadra do colégio e disputando aquelas sensacionais partidas de futebol de salão da quarta série. E mesmo na derrota para o Grêmio, já na hora do jantar, descontava a tristeza numa emocionante partida de botão, em que, se não sou enganado pela seletividade das memórias, o tricolor paulista ensacou o tricolor gaúcho, por uns seis tentos de diferença. Embora Baltazar deva ter deixado o seu, anotado no caderno.
A criancice se vai. Vejo que perdemos com ela a capacidade de enfrentar as derrotas com tanta altivez, grandeza e otimismo. A cada derrota, quando adolescente e depois quando adulto, sofremos muito mais, porque demoramos a curar. Evidente que o futebol perde um pouco aquele local central na vida da gente. As derrotas que falo não são, necessariamente, as do seu time de coração. Mas as contas que vencem e a grana que não chega para pagar. A falta de prazer que nos dá um trabalho, ou, em muitos casos, o trabalho. Aquela decepção que nasce de um golpe aqui e outro acolá durante a maluca corrida por um lugar ao sol. A decepção da política, que lenta e mortiferamente, nos tira aquele semblante radiante disposto a enfrentar panfletagens em portas de garagem lá pelas quatro da madrugada. A derrota da ingenuidade. A vitória dos que estacionam em fila dupla e dos que não limpam as fezes dos animais de estimação quando dão suas voltinhas pelas ruas da cidade. A cada derrota sentimos que algo nos é tirado. Arrancado. Usurpado. E não há mais o campo de botão para descontar.
Escrevo essas linhas, um pouco melancólico. O meu time enfiou cinco gols na Portuguesa Santista e jogou bem. Muito bem. Lembro da derrota na Copa do Brasil para o Cruzeiro, no finalzinho do jogo. Naquele dia não dormi, tive insônia e perdi o apetite. Não me lembro se fui trabalhar na hora exata na manhã seguinte. Vejo o gol de Danilo, o segundo, plástico, um arremate fulminante. Nesta vida é preciso um local para descontar as tristezas e as maluquices deste mundo. Ainda não entendo como, nem porque, as coisas são como são. Um local em que possamos olhar o gol do Baltazar e saber que tudo continua firme e aberto para nossos olhares, nossos arremates, nossas camisas preferidas. Sai tristeza, sai. Vim aqui no Bolonistas e escrevi, acho que este local é aquele meu campinho do Estrelão, minha mesa de botão. E lá fora, se chovia cinza, o sol está vermelho, absolutamente novo. Escrevo estas linhas com um pouco mais de coragem. Desabafar é assim. É descontar no Grêmio de botão a derrota da tarde. Abraço, Bolonistas. Temos sorte, muita sorte.
14.02.2006
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 11h49
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Futuro dos Bolonistas
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GRÊMIO RECREATIVO
BATE FÁCIL |
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Tudo começou com um inocente bate-papo sobre futebol. Estavam entre amigos, tomando uma cervejinha num bar de Taboão da Serra.
| Entre um gole e outro, Edmar, Santinho, Paulo Cristiano e Rico resolveram fundar um clube de futebol. Assim, em 06/09/1989, nascia o Grêmio Recreativo Bate Fácil. "Escolhemos um nome que não fosse comum. Queríamos ser diferentes", afirma José Edmar Gonçalves, presidente e grande idealizador da equipe. |
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Edmar e seu irmão, Ataliba, mostram que o gosto pelo futebol é de família. |
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Escrito por Frank às 16h11
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Só pra variar
GALO FORTE VINGADOR vai jogar quarta feira contra Hermann Aichinger-SC, pela copa do Brasil, nunca ouvi falar deste time. Moçada, sem piadinhas.
Escrito por Frank às 14h51
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o maior clássico do mundo
ENCUESTA
ALEMANIA 2006
¿A qué rival le gustaría que Argentina enfrentara en la final?
Escrito por Ogro às 13h02
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Ainda sobre o tema, algumas curiosidades. Achei na globo.com.
Nem sempre a seleção brasileira entrou em campo vestida de branco/azul (de 1914 até 1953) ou de amarelo/azul (a partir de 1954). O Brasil já disputou partidas oficiais com camisas de clubes estrangeiros. Algo impensável no futebol globalizado do século XXI.
Segundo o pesquisador Ivan Soter, autor do livro "Enciclopédia da Seleção", no Sul-Americano de 1937, realizado na Argentina, a seleção disputou partidas com uniformes de equipes locais. Caso do jogo contra o Chile (6 x 4), quando apenas o goleiro Jurandir usou a camisa oficial, com o escudo da CBD.
Os jogadores de linha envergaram a camisa do Boca Juniors, em azul e amarelo. A razão provável foi a falta de uniforme reserva nas equipes brasileira e chilena. E os adversários tiveram o privilégio de usar o branco.
No Sul-Americano de 1917, contra o mesmo Chile, o Brasil recorreu a uma camisa vermelha para se diferenciar do adversário. No ano seguinte, a seleção envergou uma camisa branca com detalhes em azul e vermelho nas mangas em amistoso contra o Dublin (Uruguai).
Dois anos depois, o Brasil também utilizou cores fora do padrão em um jogo beneficente em prol dos familiares do goleiro uruguaio Cherry, que morreu durante o Campeonato Sul-Americano disputado no Rio em 1919. A seleção atuou com a cores do Peñarol (amarelo e preto), time do goleiro.
Curiosamente, trinta e um anos depois, na final da Copa de 50 a seleção uruguaia, formada com a base do Peñarol, seria responsável pela aposentadoria da camisa branca do Brasil.
Que voltou apenas em 2004, no primeiro tempo do amistoso contra a França, no Stade de France, na comemoração do centenário da Fifa.
Escrito por Demas às 11h19
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Eu gostei. Nota 8,5.


Escrito por Demas às 11h13
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Sabe o que mais?*
Bolonistas que viajam e bolonistas que não:
A Copa, tal como (chegamos á metade da 1ª fase, bolonistas) é:
Grupo A:
Alemanha 1 X 2 Costa Rica
Polônia 0 X 1 Equador
Alemanha 1 X 0 Polônia
Grupo B:
Inglaterra 2 X 0 Paraguai
Trinidad e Tobago 1 X 5 Suécia
Suécia 3 X 0 Paraguai
Grupo C:
Argentina 3 X 1 Costa do Marfim
Sérvia e Montenegro 0 X 3 Holanda
Argentina 6 X 2 Sérvia e Montenegro
Grupo D:
Angola 2 X 3 Portugal
México 3 X 1 Irã
Portugal 2 X 1 Irã
México 1 X 2 Angola
Grupo E:
EUA 1 X 2 República Tcheca
Gana 2 X 0 EUA
Itália 2 X 3 Gana
República Tcheca 2 X 3 Itália
Grupo F:
Austrália 1 X 1 Japão
Brasil 1 X 0 Croácia
Brasil 2 X 0 Austrália
Grupo G:
Coréia do Sul 4 X 0 Togo
França 4 X 1 Suiça
Grupo H:
Tunísia 6 X 4 Arábia Saudita
Espanha 0 X 2 Ucrânia
* tá duca nossa Copa.
Escrito por Demas às 17h50
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Birguntinha
Por que o Egito, com uma população fanática por futebol de mais de 70 milhões, que se destaca em torneios de idades inferiores, em Copas da África, na hora da Copa do Mundo broxa, tendo participações inferiores a países africanos minúsculos e mesmo a alguns de seus irmãos magrebinos??
Escrito por Ogro às 16h26
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Detesto amigo oculto
Destesto. Eu me lembro do meu primeiro amigo oculto, primeira série, sete anos. Começou, aquela palhaçada de meu amigo oculto é assim, assado etc. Todos ganharam presentes, menos eu. O imbecil do meu amigo oculto tinha conseguido cair da corbetura do prédio no dia anterior, pelo menos foi a notícia dada pela professora. Se morreu? Não, não morreu. Aliás, sequer teve um lesão grave. Na semana seguinte já estava de volta ao colégio e recebeu o presente dele. O meu? Nunca recebi. Desde então, destesto amigo oculto – exceto aquele de 1998, em que a Carol me deu vários presentes e um cartão supimpa, mas esse não vale, é a exceção que confirma a regra.
Por tudo isso, fiquei preocupado quando o Ogro sugeriu o amigo oculto, ainda mais com a exigência do presente ser criativo. Mas aceitei, afinal, um amigo oculto entre bolonistas poderia ser legal, sei lá. Passei a procurar o tal presente criativo. O Deco indicou o sófutebol. Uma merda. Todas as oito camisas que eu pensei em dar de presente estavam esgotadas. Para que porra serve um site que vende camisas, se ele não tem camisas. Apelei para o google, vi vários sites, acabei achando uma camisa da Copa de 58 da Seleção. Nâo era a original, era uma série especial da Nike. Comprei e acho que o meu amigo oculto gostaria do presente, já que o ele mesmo se presentou com uma camisa de 58, porém original.
Bom, Ogro, vou ficar com a camisa. E vou desisitir do presente criativo. Meu presente é um almoço no Rosenthal e um almoço no Nippon. Feliz amigo oculto procê.
E, pelo amor de Deus, sem amigo oculto este ano, ok?
Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Zecão às 15h45
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Deutschland Uber Alles
Cheguei ao estádio de Dortmund e não conseguia tirar a Holanda da cabeça. No caminho de trem, de Leipzig, sentia como se estivesse presenciando a história que, como dizem os sociólogos, se repete. Ora como farsa. Será? Depois de ver a Holanda, acredito que não. A Holanda é pra lá de real. E Dortmund é a cidade em que o time de Cruyff jogou três de suas sete partidas em 1974. Faz um tempão, mas, é claro, aqueles jogos ficaram para a história. Inclusive o jogo em que o Luiz Pereira perdeu a cabeça e fui expulso e o Zagallo percebeu que o futebol mudara. O Brasil inteiro, aliás, percebeu que não era mais rei numa noite em Dortmund, quando, de camisas azuis, perdemos para a novidade laranja.
Hoje, teremos Alemanha e Polônia e os 62 mil lugares estão ocupados pela torcida germânica. Será que o estádio é todo germânico? Não vejo nenhum polonês, a não ser os onze enfileriados para o hino. Mas, quando os hinos começam vejo que apenas um jogador de branco não canta o Deutschland Uber Alles. Aliás, que belo hino. O estádio inteiro cantando já dá a sensação de que a vitória será questão de tempo. O estádio cantando me mostrou que a Alemanha virá com honra, força e organização. E não importa se perdeu a primeira partida, se o time não é tão forte quanto o de 74 e 90. O estádio todo cantando mostra que o dia é da Alemanha. Vejo a emoção no rosto dos jogadores alemães. Um a um todos entoam o hino. Exceto um que parece estar mais concentrado na partida. Então, começa o hino polonês e o silêncio é sepulcral. O estádio inteiro quer é que este hino acabe logo para verem a Polônia ser destruída pela invasão germânica. Então, noto que há um décimo-segundo polonês em campo. O mesmo loirinho que não cantou o hino da Alemanha mexe os lábios enquanto escuta o hino polonês. É Lukas Podolski. É polonês, mas, hoje, joga de branco. Será?
O jogo começa e a Alemanha toca a bola em sua defesa. De Hinkel para Friedrich. De Friedrich para Huth. De Huth para Hinkel. Os primeiros 25 minutos se resumem a tentativas de lançamentos longos. Todos em vão. Escuto xingamentos em alemão. É triste ver que o barulho do hino foi substituído pelo barulho dos xingamentos. O mais difícil é entender o alemão. Por um momento penso se não são xingamentos, mas elogios do público. Gritos de força. Para quem não entende alemão, tudo o que eles falam parece palavrão.
A Polônia tenta avançar com lances de Rasiak e de Wynczkiwncink. Por que será que oito entre dez poloneses têm nomes digitados desorganizadamente nos teclados dos computadores? Wynczkiwncink tenta tabelar com Rdzsckwnfricz. Mas, os avanços são em vão. A Alemanha marca bem, com Frings, Asamoah e Schneider. Termina o primeiro tempo num preocupante 0x0. Quem perder pode cair fora da copa. E os dois times se estudam e exageram na cautela. Começo a sentir saudades do futebol laranja.
O segundo tempo começa como o primeirro. A bola mal chega em Podolski e Klose, os atacantes. Foram apenas dois toques de Podolski no primeiro tempo e dois desarmes poloneses. Klose nem viu a supernova. Um lance resume o ataque polonês: um chute de longe com Boruc. A bola quase sai do estádio.
Ballack, o craque alemão, parece apagado, abalado com a derrota na estréia. Chegamos aos 30 minutos do segundo tempo, quando a torcida começa a cantar o Deutschland Uber Alles novamente. O jogo é chato, mas esse hino já valeu o ingresso e agradeço o editor por ter me enviado a Dortmund.
Ballack passa a pedir mais toque de bola de todos os jogadores alemães. A Polônia, com medo, procura fechar a marcação. Sai Wynczkiwncink e entra Pzsitnckrtsezs. Confesso que não entendo a alteração. A Polônia simplesmente não consegue dominar a bola. A Alemanha é só pressão. O hino ecoa em todos os jogadores que parecem possuídos. Aos 35 minutos Ballack toca para Podolski que fura. A bola sobra para Schneider que acerta um chutão. Na trave! A Polônia se encolhe na defesa e a cantoria alemã é tanta que mal dá para ouvir o goleiro Dudek. Só vemos que ele está desesperado, falando o tempo todo com a sua defesa. E numa confusão após cobrança de escanteio Dudek divide com o atacante Klose. Lance difícil para a arbitragem, mas o juiz marca pênalti. Os poloneses se desesperam. Klose pega a bola de Ballack e diz algo que, confesso, não entendi. Mas, me parece um: “esse gol é meu”. Ballack vira as costas para o companheiro. Klose bate à meia altura e Dudek espalma a bola para a frente onde três zagueiros poloneses disputam o rebote com um volante, um beque e um atacante alemão. A bola espirra na canela do zagueiro alemão - me pareceu Friedrich - e voa da esquerda para a direita da pequena área. Lá, sozinho, estava Lukas Podolski. O gol aberto e Podolski sozinho com a sua camisa branca e o seu sotaque polonês. Ele esquece a torcida por um momento e mira o chute com a perna direita. Ele daria um chutão para estufar as redes e acabar com aquela situação que lhe incomodava. Mas, então, resolve dar de chapa. Basta um passe para o gol, pensou. O passe foi feito. Dudek voou para a bola e conseguiu pegá-la. Mas, ela já estava dentro do gol. 1x0 aos 39 do segundo tempo. O resto do jogo foi um misto de comemoração e alívio pela torcida alemã. Algo lhes dizia que não perderiam para a Polônia nunca. Velha síndrome histórico-futebolística. Nos descontos, Podolski recebeu uma bola morta no meio-campo, driblou dois volantes poloneses e partiu para a linha de fundo. Chegando lá, cortou para o centro e aquando chegou a marcação, Podolski deu um passe de calcanhar para Schneider. Pensei: tem nome de craque esse Lukas Podolski. Schneider chutou uma bola curva que passou rente à trave e saiu. O juiz pediu a bola e apontou para o centro. Lukas foi o nome do jogo. A torcida continuou cantando o hino, mas, em meio aquela letra, para mim incompreensível, ouvia algo como Lukas isso, Lukas aquilo. Naquele dia, Lukas virou herói. Será ele um craque? Só o futuro dirá.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 15h45
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campionato falsato
Descobri hoje um tal de Elio e Le Storie Tese, um italiano que dedicou uma música aos pênaltis dados e dos não marcados para que a Juve fosse campeã em 1997-98. Fala até do lance do Fenômeno. Me lembrei do time iraniano-argentino que anda ganhando pênaltis desde o ano passado...
Aí vai a letra...
TI AMO CAMPIONATO
Ti amo campionato, perche' non sei falsato
No no, non sei falsato
A me mi eri sembrato falsato
Ma m'han detto che non sei falsato
Ha detto Umberto Agnelli che son state solo delle sviste
Due o tre sviste arbitrali
Ma a me mi era sembrato che già da molto tempo qualcosa stava accadendo
Ad esempio in Juve-Udinese del 1 novembre 97
Il signor Cesari non ha convalidato un gol che aveva fatto Bierhoff
Che era entrato di tanto così,
diciamo delle dimensioni tipo Rocco Siffredi.
E poco dopo, in Juve-Lazio c'è stata un'azione in cui Del Piero
è stato atterrato in area, l'arbitro ha detto "Regola del vantaggio",
Inzaghi ha preso il palo e subito dopo l'arbitro ha detto
"Non è più regola del vantaggio, diamo il rigore alla Juve
Ma questo è stato fatto nel segno dell'amore
Io non vado certo a pensare che ci siano dietro delle cose sporche.
No no no no no no è stato fatto tutto nel nome dell'amore,
In nome del campionato, del buono svolgimento e dell'amore fra le squadre.
Io non porto nessun risentimento
Perché ho visto che l'amore vince tutte le battaglie
E' in grado di far superare gli odii sia razziali che interrazziali
Sia quelli tra le squadre.
Diciamo che in questo momento io sono quasi contento
Che alla fine della fiera mi sembra che l'ho preso in quel posto
E penso a quelli che hanno fatto un abbonamento da un miliardo in tribuna rossa
Per andare a vedere l'Inter ,che si era comportata bene
O per andare a vedere la Lazio che a un certo punto della sua carriera
Diciamo il 5 aprile del 1998 ha avuto un fallo in area fatto da Juliano
E l'arbitro Collina non l'ha fischiato e allora tutti hanno pensato male
Ma non dovevano pensare male
No no no no no no
Perché l'arbitro Collina così come l'arbitro Rodomonti
Diciamo quello di Juve-Empoli non ha commesso quella svista
In nome di chissà quale pastetta
No no no no no, l'ha fatto in nome dell'amore
Perché lui ama il campionato e voi non lo sapete ma gli arbitri si vogliono bene
E si vogliono bene anche con i calciatori tanto è vero che io con i miei occhi
Ho visto che alla fine di Inter-Juventus
L'arbitro della partita è andato dai calciatori della Juve
E li ha baciati e li ha abbracciati come se fossero degli amici
E tutto questo in nome dell'amore e allora tutti insieme cantiamo :
Ti amo,ti amo campionato perché non sei falsato
Anche se inizialmente eri sembrato ma in realtà non sei falsato
L'ha detto Umberto Agnelli l'han detto tanti critici di calcio
L'ha detto tanta gente,insomma non sei falsato
Anche se sarebbe sembrato. Ad esempio mi era sembrato
Che in Juventus-Roma dell'8 febbraio 98, quando l'arbitro Messina
Non ha dato un rigore su Gautieri
E ad esempio anche in Brescia-Juve dell'8 febbraio 98
Quando il signor Bettin non ha dato un rigore a Hubner, un rigore grosso così
E questo è stato fatto nel segno dell'amore perché l'amore è importante
L'amore è qualcosa di essenziale
Sembra che nel calcio non ci sia e invece dopo c'è
Tu dici :"Ma l'amore nel calcio non c'è"
"No, guardando bene,lo trovi in ogni piccolo particolare
Ad esempio nel mio amico che sembra che indossi la maglia del Milan
E invece è la maglia del Foggia (se voi guardate bene
Quella lì è la maglia del Foggia così come se voi guardate bene
Le sviste arbitrali non sono state due ma sono state tipo 10, 10, 11 o 12
E la maggior parte delle quali a favore della Juve)
Ma alla fine l'amore dato è uguale all'amore che dai
E allora amici cantiamo tutti insieme
Ti amo campionato,tu non ci sei mancato
Anzi tu ci eri mancato adesso siamo contenti che sia finita così
Perché l'amore ha riempito tutto l'universo della F.I.G.C.
Particolarmente Baldas.
Ad esempio in Juve-Piacenza, Borriello ha convalidato
Il secondo gol irregolare che ha fatto Del Piero
Che si è fatto passare la palla sul braccio
Ma era talmente bello che era un peccato non convalidarlo
E allora cosa ha detto? "Convalidiamolo", Perché nel calcio tutti si amano
E allora cosa vuoi fare? Vuoi dare il rigore a Ronaldo?
Vuoi convalidare il goal del Napoli che forse c'era?
Per esempio vuoi dare il fallo a Montero
Che ha dato una gomitata a Neqrouz in piena area?
Era calcio di rigore con espulsione e non ha dato niente
Perché aveva capito che Montero amava Neqrouz
E d'altra parte Neqrouz con i suoi trascorsi cosa vuoi che non ami Montero?
I due si amavano,l'arbitro aveva già visto che c'era qualcosa
In quella gomitata, che non era altro
Che una scaramuccia, perché l'amore non è bello se non è litigarello
Era una scaramuccia.
Categoria: Por Una Cabeza
Escrito por Jubas às 14h20
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Esta história de vestir camisas de times simpáticos é um belo passaporte
Bolonistas que Torcem,
Eulália. Este é o nome da angolana de fechar o comércio que conhecemos aqui em Hannover. Repórter de uma rede de televisão portuguesa, é setorialista de esportes. Entende muito de futebol e nos deixou totalmente fora de órbita. Pelos seus conhecimentos sobre o Benfica, sobre Eusébio, sobre as Portuguesas Brasileiras. Ela sentou na nossa mesa, depois de alguns minutos em que, literalmente, babávamos. Nós e o bar. Só percebi, durante o papo, que ela só veio a nossa mesa porque reconheceu as camisas da Portuguesa Santista e da Portuguesa da Ilha do Governador. O Renato e eu, incrédulos, bebíamos algumas canecas enquanto esperávamos a hora de embarcar para o jogo Angola e México, noutro dia.
O comércio fechou. Vocês sabem como os alemães ficam numa hora dessas. Eulália era uma coisa de outro mundo. E sabia de futebol, como poucas. Esguia, vestia um daqueles vestidos improváveis e coloridos, que só as africanas sabem usar. Era areia para caminhão nenhum botar defeito. Mas depois da primeira hora de papo, só sobre futebol, ela, que atraía a atenção de todos no bar, e nós, que atraíamos a suprema inveja dos outros todos, éramos bolonistas puros. A imaginei jogando futebol de botão conosco lá em Brasília. Suei. O fato é que ela era jornalista e tinha o crachá de imprensa para o Mundial. Antes de ir embora disse que muitos angolanos apostavam em Johnston, da nossa Lusa de Desportos. Ela dizia que a classificação angolana era difícil e que o México tinha um time tinhoso. Falou de Felipão, da vitória inacreditável contra o Irã e deixou escapar o time do coração: Desportivo Sagrada Esperança. Não era um time que tinha jogado com o Vasco no projeto dos mil goles? Pensei, mas não disse. E ela ainda confessou que em Portugal torcia, desde menina, para o Rio Ave. Ave! Que time de sorte.
Renatão e eu fomos ao estádio. O Piauí conhecia Hannover e foi um ótimo anfitrião. De lá ele tinha narrado sua história com Gunther e uma loira, também de fechar o comércio. Tinha visto o time de Gana bater a Itália. Estava empolgado com o futebol africano. Fui logo avisando que o time de Angola era bem mais fraco que o time dos Estrelas Negras. Por causa de Eulália entramos no estádio com portentosos crachás de “Press” e tiramos um sarro de um cara chato e metido, alemão, que tinha barrado a minha entrada no jogo Irã e Portugal. Enquanto ela chamava a atenção de toda a galeria, nós tentamos descobrir a escalação do time vermelho. Para impressionar. O jogo começa e nossa torcida era toda para ela. Mas era uma mulher de fibra aquela, torcia calada. Era profissional da crônica esportiva lusitana, não podia transparecer uma torcida assim tão ferrenha. Angola é nosso segundo time na Copa. É o Brasil. E o México, pelo menos naquele dia, era a Argentina.
E o jogo foi muito bom. O time do México é organizado. Parece que a longa duração de preparação prévia ao Mundial fez bem ao time. A imprensa mexicana estava eufórica. Era ganhar de Angola e comemorar a passagem para a segunda fase. A torcida mexicana era ruidosa no estádio. Sombreiros davam o tom e confesso que gosto do México. Nenhum país ama tanto o futebol e tem uma seleção tão ruim. Ou não se ama o futebol e a seleção é ruim. Ou se ama e a seleção é, no mínimo, mais ou menos. Os mexicanos, quase sempre, tem times de medíocres para ruins. Não era o caso deste, que jogava muito bem aqueles minutos iniciais da partida.
Mas o time de Angola tinha uma disposição incomum. Joaquin e Mendonça tocavam bem. Se não eram melhores, não eram piores. Merecido o empate, ao fim do primeiro tempo. 1x1. O espigado Johnson, de cabeça, fez 1x0. E não deu tempo para Eulália comemorar, Blanco, ele mesmo, aquele, fez um belo gol acertando um pelotaço, em curva, da linha da grande área.
No segundo tempo, porém, só deu Angola. O México cometeu aquele equívoco de menosprezar o adversário. E tome bola nas costas de Pardo. Mendonça acabou com o jogo e fez 2x1. Eulália sorriu, olhou para nós, piscou, eu quase que desmaio. Ela foi fazer as entrevistas com os jogadores, no final do jogo. Eu e o Renato estamos aqui no jardim de Biergarten, próximos das cervejarias de Eilenriede, com camisas da seleção de Angola, sorrindo e felizes com a Copa. Muito felizes.
Hannover, 16.06.06 – México 1 x 2 Angola.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 10h25
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cumbia germânica - parte 1
Toda boa Copa que se preze deve alternar como sedes, cidades grandes e conhecidas e lugares misteriosos, que não aparecem nem no rodapé de guias de viagem e, ainda por cima, tem nomes legais.
Pois bem, cinco dias após a cobertura de México e Irã, fui escalado para fazer a cobertura de Argentina x Sérvia e Montenegro, a bolinha extra do sorteio dos grupos. O lugar, Gersenkilchen. Que porra de lugar era esse? Na última noite de descanso em Munique, bela cidade, famosa por seu Oktoberfest, por seus modernos arranha-céus e por um centro reconstruído, encontro com o Massoneto em uma taverna. Muitas e muitas cervejas “alt” depois, acompanhadas pelo fétido, porém delicioso queijo Munster, consigo convence-lo a me acompanhar na empreitada. Partimos no dia seguinte.
Gersenkilchen, no final das contas, é um antigo centro carvoeiro desativado que está desenvolvendo novas formas de tecnologia para a produção de energia, principalmente a nuclear. Fora isso, nada. Ou seja, a cidade era uma mistura de Criciúma com Springfield, dos Simpsons e algumas construções antigas bonitas. O negócio era beber cerveja, curtir o clima do jogo e aumentar o nosso colesterol. Rumamos para o maior monumento da cidade, o novíssimo estádio do Schalke 04, uma equipe tradicional, desde sempre ligada ao proletariado mineiro, participante do forte campeonato alemão.
Como sempre, nos mandamos para uma taverna e começamos os trabalhos.Muitas canecas bebidas e fomos abordados por um bando se sérvios, encantados com o fato de sermos brasileiros. Bebemos muito, conversamos um bocado, até que eu percebi, na hora dos brindes e saudações que a alegria ali presente não passava de fachada. Um sujeito eslavo de olhos bem azuis começa a bradar gritos de “morte aos croatas”, “morte ao Islã” e “viva o coração Partizan”, ao que se seguem diversas músicas de ódio. Como eu já disse no meu texto anterior, uma Copa do Mundo era muito mais do que um torneio e aquela era a representação do que de mais execrável existe no espírito humano. Hora de pagar a conta e sair.
Dentro do estádio, um bando de camisas azuis incentivava a seleção “plavi”, sérvia-montenegrina. Buscamos no outro lado do estádio, a turba argentina, engrossada por alguns mexicanos e alguns equatorianos. Percebemos que, ao contrário da confraternização da última partida com os estudantes argentinos em Berlim, estavam ali presentes os temíveis “barra-bravas”, os torcedores violentos argentinos, com faixas com dizeres como “los borrachos del tablón – River” e “la Guardia Imperial”. Realmente aquele não era um jogo com um clima ameno e fraternal.
A Argentina entrava em campo escalada por Pekerman com Abondanzieri, Burdisso, Heinze e Samuel, Sorín, Cambiasso, Riquelme, Messi e Zanetti, Saviola e Crespo. Do lado sérvio, uma equipe com uma das defesas mais fortes da Europa, que mandou a seleção espanhola para a repescagem, tendo como destaques o meio-campista Stankovic, o atacante Kezman e, especialmente para nós brasileiros, o sérvio-baiano-carioca Petkovic.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 17h28
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cumbia germânica - parte 2
Começo de jogo, peleja amarrada, truncada, estudada. A Argentina partia para o ataque apostando nas rápidas trocas de passes entre Riquelme, Messi, Saviola e no oportunismo de Crespo. Em vão. Esbarrava na muralha balcânica postada na retaguarda sérvia. Após os 20 minutos, a seleção sérvia-montenegrina começou a articular contra-ataques perigosos, que partiam de Stankovic, jogando quase como líbero e avançavam, nas costas de Javier Zanetti, até os pés habilidosos do velho Pet.
Numa dessas jogadas, o meia do Flu colocou a bola por trás da zaga Argentina, para Kezman, livre, driblar Abondanzieri e fuzilar. Sérvia e Montenegro 1x0. Mal refeitos dos sustos, os argentinos não viram a rápida troca de passes sérvia-montenegrina, que levou Kezman a ser derrubado na entrada da área pelo desajeitado Heinze. Cobrança milimétrica de Petkovic. Sérvia e Montenegro 2x0. A partir daí, o que se viu foi uma seleção comandada por uma fúria imensa arremetendo contra uma seleção Argentina pequena, apática, trêmula. Quase como um sopro dos deuses, aos 44 do segundo tempo, numa cobrança solitária de escanteio, Burdisso sobe no terceiro andar e, com uma cabeçada fatal, sacramenta o final do primeiro tempo. Sérvia e Montenegro 2x1 Argentina.
No exato momento em que a Argentina diminuía o placar, instintivamente eu e o Massoneto nos levantamos para comemorar. Mas por que diabos o instinto nos levava a festejar um gol argentino. Percebi que, mais do que o meu amor pelo futebol argentino, fruto talvez de alguma herança enterrada com meu bisavô rosarino e da identificação do Massoneto com seus parentes em Lanús, no sul da linda Buenos Aires, a verdade é que o seu adversário favorito você escolhe pelo respeito que tem por ele e ele te pertence, como um grande amigo, ou uma namorada.
Brasil e Argentina é o maior clássico do futebol mundial e nenhuma seleção vai macular este fato. Comemoramos como crianças as desventuras dos argentinos em Copas, sempre com aquela sensação escondida de que, no fundo gostaríamos de ser nós a eliminá-los e que a glória suprema do futebol seria ganhar uma Copa do Mundo enfrentando-os na final.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 17h27
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cumbia germânica - parte 3
Começa o segundo tempo. José Pekerman demonstra imensa coragem ao promover três alterações, tirando Heinze e colocando Placente em seu lugar, tirando Zanetti, deslocando Cambiasso para o seu lugar para a entrada de Sérgio Aguero e colocando Carlitos Tevez no lugar do lesionado Saviola. O que se viu foi sobrenatural.
O espírito do lendário time de “la máquina”, do River Plate, que encantou o mundo na década de 40, com Lousteau, Di Stéfano, Labruna, Pedernera e Moreno estava em campo, seguindo o ritmo cantarolado pelos argentinos aonde “uno entra y el outro sale”. Logo aos 5 minutos, fantástica triangulação entre Messi, Aguero e Riquelme junto à área balcânica para a chegada como uma flecha de Sorín, que com um corte limpou o zagueiro e bateu cruzado no canto. Estava empatado o jogo.
A desorientação passou para o lado do “plavi”. Aos 10 minutos, em uma jogada individual fantástica, Juan Román Riquelme dribla dois jogadores sérvio-montenegrinos e chuta, de fora da área, no ângulo do goleiro, para fazer Argentina 3x2. Por alguma razão, o Massoneto estava paralisado como uma estátua, com o olhar vidrado, sentindo estar no meio de um momento especial da Copa.
Exatamente 8 minutos depois, a seleção Argentina avança em bloco, contra a antes inexpugnável defesa balcânica, tocando a bola de pé em pé. Cambiasso para Sorín, para Riquelme, para Messi, para Aguero, para Messi novamente, pela ponta direita e cruzamento certeiro para a cabeçada fulminante de Riquelme. Argentina 4x2.
Nesse momento, a camisa alvi-celeste Argentina voltava a ser mística e aqueles que a usavam heróis, como tantos do passado. Cambiasso comandava a intermediária com o espírito de Ratín, Messi e Aguero criavam e tabelavam como Di Stéfano e Pedernera, Sorin era indomável como Moreno, Samuel na retaguarda era um leão, como Passarella (o jogador), Tevez era o coração de Kempes, Crespo o oportunismo de Valdano e Riquelme, bem esse, o dono do jogo, eu não preciso dizer quem era......
Aos 25 minutos, um longo passe de Cambiasso alcança Riquelme, que nem teve tempo de se virar. Um carrinho criminoso, por trás, tratou de sacá-lo do jogo. Tensão no ar, ameaça de briga campal, zagueiro sérvio-montenegrino expulso. Argentina com 10 em campo, afinal já tinha feito as suas alterações. Na cobrança da falta por Messi, bola no travessão, disputa no meio da área e um zagueiro imprudente calça Carlitos Tevez. Pênalti. Ele mesmo bate e faz Argentina 5x2. Sorriso franco no rosto do Massoneto.
A partir daí, o Apache tomou conta do jogo, disputando cada jogada como se disputasse um prato de comida. Comandou o esquadrão argentino, que tratou de fazer o arqueiro balcânico ter a melhor atuação de sua vida, conseguindo o milagre de impedir uma goleada que entraria para a história das Copas. Nesse momento, mesmo sem perceber, o ritmo do estádio era a cúmbia, de milhares de alemães encantados com aquele espetáculo.
Aos 38 minutos do segundo tempo, Carlitos avança pela lateral da área, tomada por sete jogadores balcânicos, até a linha de fundo e chuta, quase sem ângulo, para sacramentar, Argentina 6x2 Sérvia e Montenegro. Levantei, juntamente com o Massoneto, para aplaudir aquela bela pintura. Depois desse golaço, a retranca balcânica apenas esperou o tempo passar, rezando para que o vexame não fosse ainda maior.
Fim de jogo. Eu e Massoneto ainda vamos para um bar para alguns tragos antes de deixar aquela pequena cidade. Lá, comentamos como é bom o fato de certas tradições serem mantidas, na certeza de que aquele manto alvi-celeste ainda vai nos fazer roer as unhas muitas vezes, mas também vai nos proporcionar grandes alegrias.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 17h23
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A Lisboeta
Bolonistas, as armas e os barões
Pirilampo. Esta é a palavra que define o comportamento do Daniel quando chegamos na estação de trem de Frankfurt. Era visível a euforia do candango, que passou dias visitando museus, pracinhas e sei lá mais o que, quando falava da Copa e do jogo Itália e República Checa. Era evidente que embora derrotado pela Itália, sua torcida era para bons jogos nesta Copa dos Sonhos. Estávamos na Alemanha.
Frankfurt é dessas cidades que merecem visita, estada e dinheiro. Tudo caro. Mas o estádio é uma beleza e nosso inglês macarrônico era exato. Eram duas as palavras necessárias: "Beer" e "Beckenbauer". Sabendo as duas palavras os sisudos germânicos puxavam papo e queriam falar do Mundial. Estavam perplexos com a derrota para a Costa Rica, ainda. Mas confiantes, porque não iriam perder, jamais, para Polônia ou Equador. Eu e o Daniel não queríamos brigas. Concordávamos. Eu até acho que o apito amigo irá ajudar a Alemanha. Mas não falei isso para o Zecão, para não magoar. Este assunto de apito amigo sempre mexe com os brios do Zecão. Ele me pagou o vinho. Os vinhos. Colocamos os assuntos em dia. A beleza do nosso diário. A classificação do Bolão. O divertido de estar na Copa. Desancamos a organização do mundial, que nos impedia de assistir aos jogos na tribuna de imprensa. Neste lenga lenga, falei: "Zecão, acho que o Felipão vai infartar na Copa."
Portugal foi um dos maiores fiascos na Copa de 2002. Tomou uma sova dos americanos, goleou os polacos e outra sova, dos sul coreanos. Figo não jogou nada. Portugal já foi eliminado de Copa pelo selecionado do Marrocos, acho que foi em 86. Minha memória falhou. Ele, riu. Mas Portugal tem Eusébio. Não nesta copa, mas na história. O time português não é ruim. Mas carece de ambição. A final contra os gregos na Eurocopa não sai da minha cabeça. Era como o Santo André vencer o Flamengo em pleno Maracanã. Era o Once Caldas campeão da América. Era o Goiás, campeão na Libertadores.
O fato é que na porta do estádio era nítida a superioridade e o favoritismo dos lusitanos contra o Irã. Algumas portuguesas eram lindas, com as camisas grená da seleção. Bela camisa, belo escudo. Brasileiros de todos os cantos engrossavam a torcida lusa, numa clara devoção a Scolari. Os alemães adotaram Portugal, também. O Irã mete medo no mundo. Mas, em um canto do estádio, uma ruidosa turba com bandeira do Bayern de Munique destoava.
Quando os times entram em campo, Felipão com uma bandeira de Portugal, silêncio. Os hinos eram cuidadosamente respeitados. Foi quando Ali Daei, o capitão iraniano, se dirigiu a turba vermelha com a bandeira do Bayern. Imaginei: "Vai dar sururu". E o que se viu foi um bandeirão com a cara do iraniano e com dizeres dizendo "Obrigado. Estamos com Você". Soube da frase porque perguntei para um torcedor alemão, com a camisa do Eintrach. Lembrei! O centro avante do Irã, com a experiência de ter jogado a Copa de 98, jogou no time de Munique e fez algum sucesso. Pelo jeito tinha fã-clube.
O Irã em 98 ganhou a partida do século. No mundial da França derrotou os estadunidenses, 2x1. Foi inevitável rememorar o texto do Ogro sobre Irã e México. E foi inevitável torcer para que os Estados Unidos tomassem outra sova. Simpatizei pelo Irã, disse um pouco envergonhado. Desconfio que o Zecão também.
Mas o jogo foi dramático. Como gostam os portugueses. Uma letra de fado. Dois minutos de jogo e uma pane no sistema defensivo de Camões, tome lá: Ali Daei. Irã, um a zero. Depois disso, o que assistimos foi um time absolutamente ansioso, trocando passes miseráveis, tentando furar retranca. E o pior, não chutavam a gol. Para desespero de Felipão e de toda a torcida lusa. Silêncio. A turba, por sua vez, percebeu o que acontecia. Não teve dúvidas. Sobre os gritos de "Ali Ali" tomou conta do estádio. Figo irritava com erros de passes infantis. Pauleta era ridículo. Fim do primeiro tempo.
O clima no estádio era pesaroso. Tive compaixão do time grená e de sua torcida. Sentia-se uma tristeza profunda, quase uma saudade, no intervalo. O segundo tempo, incrível. Nada de novo. Uma falsa pressão e o time luso, de fato, chutou duas bolas no gol. E nada. Deco, o português do Barça, nada fazia. 37, segundo tempo. Ali Daei faz o segundo, no único contra golpe iraniano. Mas estava impedido. O juiz, corretamente, anula o gol. Foi quando o estádio conheceu, ou melhor, reconheceu o vozeirão de Scolari. Uns impropérios dirigidos para Figo. Felipão olhou para as tribunas de imprensa e deve ter imaginado como a imprensa esportiva Lusa estava dinamitando o time, comentando do fiasco do jogo. E, pasmem, deu uma banana dirigida para as cabinas. Um certo alvoroço, deu para perceber de onde estávamos. Zecão, seco: "Vai empatar. O Felipão quando grita assim...".
Batata. Figo aos 39, na única jogada lúcida do jogo. As portuguesas ao nosso lado choravam e perderam o segundo gol, Pauleta, de fora da área. "Nós conhecemos o Felipe... é sempre assim. Haja coração." Não sei se foi o Zecão que disse isso, mas concordei.
Portugal 2 x 1 Irã. Frankfurt, 17.06.06
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 12h07
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DÁ? NÃO DÁ!
Ouvi o jogo do Corinthians e São Caetano pelo rádio. Rádio Tupi AM. Narração de Ivo Morganti e comentários de Dalmo Pessoa. Dá? Não dá!
Escrito por Ricardo às 11h43
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Taí a prova.

Escrito por Demas às 19h25
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Golaço no Jogo da Tarde!
Já telefonei. Falei. Falar é sempre bom. É melhor que escrever, que mandar "e-mail" e coisa e tal. É mais pessoal. E é intransferível. Mas, há sempre um deles, nosso diário ficaria sem este pedaço de história. E nosso diário é feito desses pedaços, quase sempre. Sempre, melhor dizendo. Ou escrevendo. São os Cacos da Existência. De nossa existência. Não poderia o diário ficar sem esta breve nota, portanto. Então, para todos os efeitos, não liguei, não disse nada. Escrevo, para ficar marcado aqui, na nossa página. Deco, Dequinho, Demas, Demétrio, Demétriu. Demétrius. Todas estas pessoas merecem nossos parabéns. Aniversariam hoje. É dele o troféu "Osmar Santos" de hoje. Ou o Motorádio. Mas, de fato, queria mesmo era abraçar. Abraço, véio. Parabéns, te cuida.
Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Amaral às 17h16
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DEMÉTRIUS, VOCÊ TEM SORTE, MUITA SORTE. A INGLATERRA TE AMA. E NÃO FALO DO GERARD, DO LAMPARD OU DO OWEN
Escrito por Ogro às 13h12
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Belíssimos presentes.
Balus, Té e Bóris:
Muitíssimo obrigado pelos presentes. Soube que era uma ótima idéia no momento em que ela invadiu meus pensamentos. Compartilhar é a única razão de ser da alegria. Um beijão.
Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Demas às 11h20
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Aniversário. Hora Doze.
PROCESSOS E ACESSOS
Nunca entendi porque se correm maratonas. Não me entra na cabeça porque um sujeito põe tanto tempo e esforço em completar com sucesso um percurso de 42 quilômetros se poderia obter os mesmos resultados – vitórias, medalhas, prêmios, aplausos – treinando para os 100 metros. Rasos, com barreiras, o que seja, mas apenas 100 metros. Se praticasse o atletismo decididamente não seria um fundista.
Acredito que em todas as esferas da vida – e não apenas nos esportes – a coisa se dá dessa maneira. Há corridas longas e curtas. Só que ao contrário do que acontece no atletismo, ambas têm sua graça.
As mutações lentas, os desabrochares, são o que chamo de processos. É o que ocorre, por exemplo, quando nos casamos. O papel de marido-mulher é assumido devagar. O fulano e a fulana vão se dando conta do que fizeram ao longo do tempo. Percebem aos poucos que sua identidade é cada vez menos de filho de A ou amigo de B, e mais de companheiro daquela pessoa que antes era tão estranha.
O ser chato – e é gostoso ser chato – também é um processo. Ninguém dorme boa-praça e acorda insuportável, exceção feita às variações de humor hormonais (v.g. TPM) ou ligadas ao ciclo raquidiano (a Síndrome de Garfield). Tomemos a vida amorosa como exemplo. Dado o desconto das pressões sociais e narrando a coisa da ótica masculina, na infância e na adolescência namorar é o que importa. Não tem problema se a menina é feia, rouba o estojo dos outros na escola, mora longe. Aí vamos envelhecendo, ficando chatos e vetando possibilidades de romance pelas questões mais ridículas. É o caso de um conhecido – já em estágio avançado deste processo – para quem o uso inadequado de um pronome feito por uma paquera inviabilizou qualquer chamego.
Ao lado dos processos há aquelas mudanças que acontecem de um estalo. Por serem como um ataque repentino, um surto, um inexplicável arrebatamento, as chamo de acessos. A paternidade é o exemplo clássico. Ser pai é de repente. De fora, o tipo pensa que tudo é um desenrolar de meses, uma transição suave e gradual bem planejada pela natureza. Mas, olhando para trás, todo pai percebe que foi de um segundo pro outro que apareceram sintomas esquisitos como o prazer de trocar fraldas – especialmente as mais sujas, sinal de um intestino sadio.
Com o socialismo se dá o mesmo. Não sei com outras ideologias e paradigmas, mas com o socialismo é assim. Um dia você acorda socialista. Não que você não tenha ouvido falar daquilo antes e até achado interessante, mas o negócio entra nos ossos de uma hora pra outra. Daí pra frente é passar a vida buscando argumentos para justificar o pensar assim.
Recentemente descobri um outro troço que acontece por acesso: a paixão por um time e pelo futebol. Minha experiência com o tal esporte nunca foi boa. Sempre era o último a ser "escolhido" pelos times e logo despachado para o gol. Pior ainda era o sorriso no rosto do capitão que tinha se livrado do peso morto. Para completar, ninguém em casa tinha interesse pelo assunto, e assim fui vivendo e crescendo como um marciano no país do futebol.
Mal sabia o que me esperava. De uma pancada, sem qualquer explicação plausível, me pego um dia pensando no Juventus. Não na Juventus italiana, mas no Juventus do bairro da Moóca, campeão da série B do Campeonato Paulista de 2005. Sina... Me surge o desejo de ir ao estádio da Rua Javari o quanto antes. Reparo como é bonita aquela camisa roxa com um jota branco no peito. Fico ansioso de pensar em um jogo contra o São Paulo no Morumbi dali a um mês.
Depois de tantos anos sendo corintiano pela obrigação brasileira e masculina de ter um time, num acesso descobri o futebol de verdade. O futebol metafísica, paradigma, ideal, metáfora para tudo na vida. Uma boníssima surpresa aos mais de trinta anos de idade.
Para o atletismo de fato, na vera, corpóreo, eu definitivamente não tenho ânimo. Já com esse outro tipo de exercício, transcendente, metafísico, me dou muito bem. Se for para correr no chão, sejam muitos quilômetros ou poucos metros, melhor chamar o Neves: não conte comigo. Mas se a idéia é dar umas passadas nesses outros pedaços da vida, ainda tenho fôlego para algumas voltinhas.
Balu, vulgo Raphael Maia Negrão Caldas
Escrito por Demas às 11h11
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Aniversário. Hora Onze.
Mulheres na copa
Em ano de Copa, todo mundo vira torcedor. Todo mundo quer dar opinião. Todo mundo quer escalar time. Todo mundo quer achar alguma coisa. Todo mundo quer xingar o Lúcio. Todo mundo quer. Tudo bem, tudo bem. Vivemos numa democracia. É superprodutivo conviver com a diferença, com o pensamento adverso. Principalmente – e tão somente, eu diria – quando ele te acrescenta alguma coisa.
Agora, elas que me desculpem. Mas não tem nada que me tire mais do sério do que mulher opinando em Copa do Mundo. Não interessa se estamos no Século 21. Não importa se todo mundo tem o direito de falar. Podem me chamar de rotulador. "Generalizador". Preconceituoso. Machista. ("Conservador, reacionário e caretão", como diria Roger Rocha Moreira). Mas é fato. Imagina só você no meio do jogo do Brasil pelas quartas-de-final, tendo uma síncope nervosa no meio da sala, dando murro na televisão, xingando todo mundo e vermelho de raiva de ver o Lúcio dando passe de cabeça pro atacante adversário. Quase tendo um ataque cardíaco.
E eis que de repente, não mais que de repente, surge na sua sala de TV, timidamente, aquela criatura doce, de aparência tão cândida e dócil. Fácil, cheirosinha. Fitinha do Brasil prendendo o cabelo. Camisa do Arakem. Pulseirinhas verde e amarelas. Unhas pintadas com as cores da bandeira. E tudo mais. E aí, no momento de maior tensão ela se arrisca: "Amor, quem é o adversário mesmo?". Você ainda se dá ao trabalho de responder – educadamente, eu diria, dadas as circunstâncias -, sem tirar os olhos da TV: "é a França, você não vê televisão não, porra?". Dez minutos depois, a moça, que ficara acanhada com a patada eqüina que levara, ganha arrojo e ousadia e, como um incansável Adriano, arrisca de longe: "quem perder tá fora? Se ganhar, estamos no final?". A paciência já não existe há tempos. Mas você não consegue ignorar aquilo e diz, aos berros: "tá, caralho, QUEM PERDER TÁ FORA DA COPA, PORRA!!!".
Avexada com a delicadeza paquidérmica masculina, a moça muda de alvo e passa a cochichar e tirar as dúvidas soprando ao ouvido dos pobres amigos que estão ali no sofá, igualmente tensos. "Eu acho esse Ronaldinho Gaúcho muito feio. Tem tanto jogador mais apessoado. Bom mesmo é o Kaká. Adoro quando ele dá entrevista. Não erra nada de português". Enlouquecido, você tenta, tenta, tenta e tenta esquecer aquilo e se focar no jogo. Mas não consegue. O nível de irritação que uma mulher, por mais bem intencionada que seja, provoca em situações de Copa do Mundo, é de testar ao limite qualquer relacionamento.
Parece lugar comum, mas dizer que mulher presta atenção na forma e não no conteúdo de um jogo de futebol é uma verdade universal e atemporal. Passam-se os anos e, salvo raras e bissextas exceções, o indivíduo do sexo feminino pouco tem a acrescentar ao esporte bretão fora das quatro linhas – e olha que só estou dizendo isso em respeito às norueguesas, americanas e chinesas, que ainda protagonizam um espetáculo divertido de se ver ocasionalmente. E ainda assim não tenho a menor paciência de ver um jogo em que um monte de gente sai correndo atrás da bola sem nenhum objetivo. Pelada feminina pra mim tem outra conotação. Sempre teve e, espero, sempre terá.
Mulheres, não levem pro lado pessoal. Vocês têm milhares de outros talentos. Sabem como nunca perceber as coisas. Sabem amar. Sabem arrasar com um homem. Sabem seduzir. Conseguem tudo o que querem. Mas não sabem a regra do impedimento. Aceitem isso. Lugar de mulher inteligente, moderna, gostosa e espetacular pode não ser mais somente na cozinha. Mas, com certeza, não é na Copa.
Felipe Campbell*
*Felipe Campbell é integrante do time dos Joselitos ( www.joselitando.blogspot.com) e freqüentador assíduo dos Bolonistas.
Escrito por Demas às 10h08
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Aniversário. Hora Nove. Parte 1
Escrito por Demas às 08h54
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Aniversário. Hora Nove. Parte 2
Escrito por Demas às 08h53
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"Site" interessante...
http://www.fourfourtwo.premiumtv.co.uk/page/Perfect/0,,11442~732716,00.html
Revista inglesa. 4-4-2. A seleção que o Zico escolheu como os seus inesquecíveis. Vale a pena.
Ogro, a Argentina ganhou de 3x1 da Costa do Marfim. O jogo foi quando você esteve perdido em Madrid. Escolha Holanda e Costa do Marfim, acho que ainda dá tempo de comprar ingressos.
Ricardo, sua passagem para Inglaterra e Suécia já foi emitida.
Franklin, meu caro.... Trinidad Tobago e Inglaterra te esperam Você aguenta???
Deco, aguardo amanhã. Aguardo.
Escrito por Amaral às 18h16
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Véspera de aniversário.
Bolonistas:
Amanhã completo 31 anos. Pela primeira vez pedi presentes com antecedência a alguns amigos. Pedi e essa não foi a parte mais mal-educada: cometi a indelicadeza de escolhê-los, despudoradamente.
E – acreditem – deu certo. Tenho-os recebido ao longo do dia e são ainda mais maravilhosos do que supunha. Sua maravilha é tanta que ultrapassa o prazer sentido pelo aniversariante de véspera: ela pode ser alargada, compartilhada. Está aí sua maravilha singular.
Bem, se fosse vocês não deixaria de visitar este diário amanhã. Haverá surpresas. Das mais bonitas.
Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Demas às 17h20
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Palaia, esse gênio.
"É bom chegar ao Brasil e ver essa receptividade. Isso mostra que o Palmeiras voltou a ser grande "
Salvador Hugo Palaia, diretor de futebol do Palmeiras, sem saber que a recepção de mais de 400 pessoas era para a banda mexicana Rebelde.
(http://www.caneladas.globolog.com.br/)
Escrito por Demas às 16h10
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Quem está vendo está. Quem não está, perde uma das maiores, melhores e belas demonstrações de afeto por um clube... José Trajano, um chato incorrigível, está ao telefone, briaco, desconfio que completamente, voz pastosa..."estou feliz". O futebol é um jogo? Evidente que não é. Evidente. Lá no fundo da alma todos temos um América.
Escrito por Amaral às 23h07
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América. E basta.
Escrito por Amaral às 22h25
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Morte aos infiéis, pinches gringos!! - parte 1
Com a vida repleta de problemas em minha conexão na cidade de Madrid, preso em uma salinha minúscula do aeroporto de Barajas, sendo interrogado por um sujeito que havia suspeitado do meu sobrenome basco, recebo uma ligação do chefe, explicando que estava adorando o meu trabalho na Europa, mas que os outros redatores-chefes estavam cobrando a minha imediata ida ao emocionante duelo México vérsus Irã.
Após um pequeno chá de cadeira, consegui embarcar em um vôo rumo a Berlim. O jogo era no dia seguinte e aproveitei para conhecer a cidade, sonho de juventude e viajar para Nuremberg no dia seguinte. Com os parcos euros que a redação muquirana pagava como diária, arrumei um hotel perto da Zôo Station, que povoava o meu imaginário adolescente e me fazia buscar alguma Christiane F. vagando por ali. Pelas ruas, ao contrário, organização, limpeza e um clima ameno. Saí, então, sem destino definido e acabei exatamente no Portão de Brandemburgo. Vou conhecer o “leste europeu” pensei, com a cabeça desta vez povoada por espiões, um muro, arame farpado e Trabants velhos. Do outro lado, um certo ar de decadência maquiada, com alguns moradores dormindo embaixo de uma marquise e prédios habitacionais populares espalhados. Aquela cena me convenceu que o destino da humanidade é a divisão.
De volta ao lado Ocidental, uma boa taverna era o que me restava. Um gordo e suculento Kassler, algumas Bratwursts e o velho sauerkraut, vulgo chucrute, além de muitas canecas de cervejas diversas, acompanhadas de um schnaps, afinal ninguém é de ferro. Eu era um homem feliz. Dentro do restaurante uma festa se inicia “olé, olé, olé a cada dia te quiero más, soy Argentino” ecoava no recinto. Rapidamente me enturmei com um bando de argentinos que estudavam em Berlim e um colombiano que vibrava e lamentava a ausência de seu time e do folclórico condor-mascote, que alegrou outras copas. No final da noite, os pontuais teutões já tinham se retirado e aquela turba sulamericana já estava enturmada com os garçons, todos turcos e tunisianos. Um interessante intercâmbio de simpatias e impressões transformou aquele lugar, ainda mais, numa confraria. Naquele momento de cumplicidade, fiquei convencido de que o mundo se divide entre os que exploram e os que são explorados.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 18h26
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Morte aos infiéis, pinches gringos!! - parte 2
No dia seguinte, muita dificuldade para acordar. Porra, se o nosso editor soubesse que acordar cedo é uma bosta. Viagem tranqüila até Nuremberg, uma cidadezinha simpática e insossa, outrora centro de acontecimentos históricos importantíssimos. O jogo a ser coberto era México e Irã.
Neste exato momento, o agito era descomunal em Isfahan, cidade iraniana imponente localizada às margens do Rio Zayandé, outrora o maior centro comercial de especiarias, seda e metais daquele lado do mundo, por isso intitulada “metade do mundo”. A Pérsia seguiu por séculos como um vasto império até se enfraquecer e ser colonizada, por britânicos. Após a 2ª Grande Guerra, diante de movimentos diversos esquerdistas ou religiosos, os estadunidenses encravaram uma monarquia títere, que deveria “ocidentalizar” aqueles bárbaros. A revolução islâmica de 79 trouxe os Aiatolás para o centro do poder e os estadunidenses para o centro do ódio iraniano.
Do outro lado do mundo, a vida ferve em Tenochtitlán, a cidade mais populosa do mundo, já no século XV, o centro de um império construído pelos Aztecas e dizimado pelos espanhóis. Atualmente conhecida como Cidade do México, aquele povoamento viveu uma era de exploração colonial em que uma grande parte do território mexicano foi surrupiado pelos estadunidenses e os projetos nacionais foram lentamente sucumbindo ante a sombra do grande vizinho, até que a década de 90, com o NAFTA sacramentou a identidade de um país que vive totalmente na periferia do sonho estadunidense e nutre por seus vizinhos uma relação que, com uma fina casca de admiração, esconde uma gigantesca revolta e um gigantesco ódio guardado por muito tempo.
Já dentro do estádio, uma sensação de melancolia. O estádio vazio, como era de se esperar em um jogo desta importância, com pequenos grupos de mexicanos e iranianos espalhados, alguns turcos solidários com os iranianos e a maioria de alemães simpáticos ao México. Começa o jogo e a bola rola de um lado para outro do campo de forma feia. Chutes bizonhos são dados, dribles são tentados, sem efeito e lançamentos são feitos, a dezenas de metros do jogador pretendido. O ferrolho armado por Ricardo La Volpe transformou o México num time eficiente, uma Argentina que não sabe passar a bola, mas tem pegada. Nada mais do romantismo de Carbajal, de Jorge Campos, ou do pueril “jugamos como nunca, perdimos como siempre”, Do lado iraniano, só correria. Jogadas manjadas, cruzamentos manjados aprendidos em vídeos do Manchester United e chutões de fora da área. Num breve lapso de tempo, uma roubada de bola na intermediária do Irã e uma troca de passes inspirada por Alá deixa o centroavante Ali Daiei livre no bico da área para fuzilar o gol mexicano. Fim do primeiro tempo, Irã 1x0 México.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 18h25
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Morte aos fiéis e ao UOL, pinches gringos!! - 3 (o fim)
Começo do segundo tempo e a entrada do veterano Palência dá outro ritmo ao México. A lembrança de um Estádio Azteca lotado, de um Zócalo em pura festa tinha contaminado “la Tricolor”. Logo aos 15 minutos, uma rápida triangulação, uma falta e uma cobrança perfeita de Borgetti iguala o marcador. A correria sem sentido se transforma em uma coreografia tensa, até que, após um cruzamento de Palencia, lá estava ele, Borgetti para matar o goleiro iraniano com um belo voleio. A partir daí, a paz voltou a reinar, os iranianos se entregaram e ainda tiveram tempo de assistir à bela cabeçada de Rafael Márquez, que selou o placar de México 3x1 Irã.
Fim de jogo e o alegre grupo de iranianos se aproximou, propondo a troca de nossas camisas mexicanas, brasileiras e argentinas pelas camisas deles. Troca aceita, todos se vão, num clima de cordialidade equivalente à saída da Rua Javari num jogo Juventus e Mirassol.
Deixo Nuremberg com a certeza de que, se o futebol é parte da alma humana, uma Copa do Mundo é muito mais do que craques, vencedores e jogadas geniais. Uma Copa do Mundo é a mais pura representação do sentimento de povos, a busca de afinidades daqueles que podem não falar as mesmas línguas, não ter os mesmos hábitos, mas ter coisas em comum, como no caso aqui narrado, uma mesma nação para odiar.
Escrito por Ogro às 18h19
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A de domingo está virando tradição...
Bolonistas Que Teimam em Dormir Tarde....
Antes de mais nada, Zinedine. O primeiro gol, o jeito que ele pegou na bola... A bola gosta do Zidane, não tem jeito.
Tradição, no futebol, pode não ser nada. Mas não custa respeitar, a história é quem diz. Lá em São Caetano, a tradição mandava dizer que o Santos ganharia, fácil. Dizia? Não. Não dizia. A tradição, nos dois últimos paulistas, é a Lusinha dificultar e, se não ganha, empata. O Santos esqueceu da tradição. E perdeu. A tradição se não é nada, no futebol, pode até ser. E explicar o inexplicável.
O Fogão honrou a sua tradição e ganhou, no saara, do Americano. 2x1. Gol de Lúcio Flávio, bonito. Sol de lascar e classificação para a final da Taça Guanabara. Taça, aliás, que é pura tradição. Tomara que amanhã tenhamos a vitória do tradicional América, contra a tradicional zebra da Cabofriense. A tradição que o Ceará, o vovô, não respeitou e tomou uma piaba do Ferroviário. Dá-lhe Ferinho, 4x1. O segundo chocolate que o Ceará leva em clássico e o tradicional sururu com a torcida, comum nesses casos. Técnico pede demissão. Tradicional, também.
E manda a tradição dizer que em clássico não há favoritos. O Santa Cruz não deu pelota para esta assertiva popular e despachou o Náutico, 2x0. Ficou com o título do primeiro turno. Já Remo e Paysandu seguiram a risca e empate. Paysandu campeão, nas penalidades. Atlético e Cruzeiro, 1x1. Precisa falar de tradição? Não. Mas precisamos relatar os fatos. O Cruzeiro mandou no jogo. Mas o Galo, na raça e com Marques, arrancou o empate. É isso, é usual acontecer assim nos clássicos. Usual? Sim, então se é usual é uma tradição. Correto? Em Campinas, no dérbi, foi sim. A Macaca arrancou o empate, depois de início fulminante do Bugre. Em Campina Grande, não sei, não vi matéria nem texto e nem foto, mas vi que o Treze fez 2x1 na Campinense. Deve ter sido um jogão. E o calor não deve ter sido nada fácil, como manda o figurino na escaldante Paraíba.
Sei não. Mas nesse papo besta de fim de noite, de tradição e coisa e tal, o Inter de Porto Alegre faturou o Passo Fundo, quatro goles e disparou na liderança do Gauchão. E o Grêmio empatou, zebra. Mas ainda é líder do grupo. E um estádio quase vazio viu a Lusona ganhar do Santo André, 3x2. O que não é nada, nada, nadinha usual é a forma da vitória. A Portuguesa perdia por dois a zero e virou. Uma virada portuguesa, com certeza. O "vira", na música, é um patrimônio da colônia lusitana. Patrimônio? Tradição. Esta cantilena de tradição deu texto, acho que deu para relatar bem a tradicional rodada de domingo.
Mas domingo é dia de clássico. E no Morumbi, a maior rivalidade paulista em campo. E como não podia deixar de ser, jogo disputado, emocionante. Em campo, um tabu. O Verdão não ganha do São Paulo desde 97 em Campeonatos Paulistas. Esta virando tradição. Virando, não. Virou. 4x2. Danilo, Thiago e Alex Dias fizeram estripulias que resultaram na vitória do tricolor. Com direito ao tradicional golaço do Mineiro, fintando o magistral São Marcos, como se fosse um Romário contra um arqueiro uruguaio. Aliás, Romário, em mais um amistoso, meteu três goles na rede de algum time carioca. E, para encerrar o assunto, tradição não é nada no futebol. Mas que é bom respeitar, é. O Palmeiras de 2006 fez o melhor início de temporada da história, igualando o feito do time de 1973. Na rodada de hoje poderia superar a marca histórica. Mas o time de 73 não era do tempo da Academia? Era. Então é melhor respeitar a mais gloriosa fase do Palestra. O São Paulo foi lá e fez isso, respeito. Deixou o time de 73 com o seu recorde. Tradição quando é boa, deve ser respeitada.
06.02.06
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 00h16
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Adoro o Muricy.
"Posso garantir que vamos entrar com 11 jogadores"
Muricy Ramalho, véspera de São Paulo X Palmeiras.
Escrito por Demas às 09h26
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Fala muito. Fala muito.
04/02/06 18:14 Eto'o queima a língua, perde pênalti e elimina Camarões
Costa do Marfim leva a melhor e vence por 12 a 11 após empate em 1 a 1 na prorrogação
LANCEPRESS!
Dois dias após se comparar ao companheiro de Barcelona Ronaldinho Gaúcho, Samuel Eto'o pagou pela língua e deixou a seleção de Camarões fora das semifinais da Copa Africana de Nações, no Egito. O atacante, que na quinta-feira disse que seria o melhor jogador do mundo caso se chamasse Eto'odinho, foi o único jogador que desperdiçou uma cobrança na decisão dos pênaltis, que acabou 12 a 11 para a Copa do Marfim.
Após empate em 0 a 0 no tempo normal e 1 a 1 na prorrogação, a decisão foi para a disputa de pênaltis. Todos os 22 jogadores, incluindo os dois goleiros, acertaram suas cobranças na primeira série.
Mas na segunda vez em que bateu, Samuel Eto'o perdeu, jogando a bola por cima do gol. Didier Drogba, astro do Chelsea e da seleção de Costa de Marfim, acertou sua segunda cobrança e definiu a disputa.
O tempo normal foi bem equilibrado, sem grandes emoções. No entanto, na prorrogação, os times entraram dispostos a não deixar a decisão ir para os pênaltis. Logo aos dois minutos, após uma verdadeira blitz na área camaronesa, a Costa do Marfim abriu o placar, com Kone. Aos cinco, Camarões chegou ao empate, através de Meyong.
Depois dos dois gols, as equipes voltaram a diminuir o ritmo da partida e nenhuma outra grande chance foi criada. A classificação da última seleção semifinalista teria que aconetcer mesmo pela cobrança de pênaltis.
Na próxima terça-feira, a Costa do Marfim irá enfrentar a seleção da Nigéria, que também se classificou após a disputa de pênaltis. Na outra semifinal, os donos da casa jogam contra Senegal. A Costa do Marfim é a única semifinalista que estará na Copa do Mundo de 2006.
Escrito por Demas às 18h30
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Sono quá
Parte I
Hamburgo. Foi meu destino final após uma cansativa viagem cheia de escalas – Brasília, São Paulo, Frankfurt. Estava com sono e com fome, muita fome. Os que me conhecem bem sabem que isso me deixa de péssimo humor. Péssimo. Por isso o Caubas, que me acompanhava desde São Paulo, e o Deco, que nos esperava no aeroporto, não me dirigiam palavra, ficaram conversando a conversa deles, lembrando nomes de jogadores que desconheço e narrando fatos de duvidosa verossimilhança.
Ciente da minha fraca memória para nomes de pessoas, agravada pela confusão mental causada pelo fuso horário, estou preocupado em decorar os nomes dos jogadores da Itália e de República Tcheca, cuja partida vou acompanhar no dia seguinte com meus dois eternos companheiros de República. O Amaral não se conforma com um bolonista que simplesmente não armazena os nomes de jogadores de futebol. Quero chegar logo no hotel, mas os dois outros bolonistas querem tomar ali mesmo um chopp. Embora não esteja minimamente interessado em chopp às 10:00 h da manhã, aceito a sugestão. Talvez seja melhor comer algo no aeroporto mesmo, antes de ir para o hotel, pode ajudar a melhorar o meu mau humor e evitar que eu me transforme num homicida. Eles pedem chopp e frios, eu peço um sanduíche. Dois. Meu humor melhora. Fomos ao hotel, demos umas volta pela cidade. Os alemães estão estranhamente de bom humor, talvez seja o efeito da Copa. Mas, um alemão, mesmo de bom humor, é um alemão. Melhor tomar cuidado. Fomos almoçar. Fico definitivamente de bom humor. Agora estou empolgado para assistir meu primeiro jogo de Copa do Mundo no estádio, junto com os dois republicanos. Nunca fomos juntos a um estádio de futebol.
Bom, dia seguinte, o jogo. Antes de mais nada, gostaria de registrar o meu ódio pela seleção italiana, acalentado desde a Copa de 82, quando tinha sete anos de idade. Logo, torcerei loucamente pela seleção tcheca, o que não interferirá neste meu bolônico relato. A torcida italiana é maioria no estádio, e é insuportável. Me dirijo à torcida tcheca, numerosa também, junto com o Deco e o Caubas, que, suspeito, preferia ficar junto com os italianos.
A Itália vem disposta a jogar ofensivamente após a deliciosa derrota para Gana na estréia. Jogar ofensivamente, para italianos, significa: quatro defensores, três volantes, um meia que eventualmente acerta um bom passe e dois atacantes medíocres. É, interferirá. Os nomes? Desculpa chefe, já esqueci todos. Eu sou assim, só me lembro dos nomes dos jogadores essenciais, não necessariamente aos seus times ou seleções, mas essenciais ao futebol: Jorge Campos, o goleiro surfista de metro e meio; Valderrama e sua cabeleira, maior que do Fê BSB; Roger Milla e a roubada de bola em cima do Higuita; Zé Carlos e seu desespero na semifinal da Copa de 98; Baré e Gralak. Apenas dois jogadores italianos entram na minha categoria de essencial, e nenhum está em campo hoje: Paolo Rossi e Dino Zoff. Infelizes.
A República Tcheca vem com a mesma formação que ganhou dos EUA, como favorita, mas pressionada pelas duas vitórias de Gana. Os nomes? Chefe, confesso, nem tentei decorar. Tem o Nedved, ponto.
O jogo começa com os italianos afoitos, tentando surpreender a seleção tcheca, que está num ritmo mais lento, com a zaga batendo cabeça. Os tchecos acabam cedendo escanteio, já aos 5 minutos do primeiro tempo. Um italiano bate o escanteio, outro faz de cabeça, livre. O grito de gol dos italianos ecoa forte no estádio. Eu e o Deco ficamos xingando o imbecil do zagueiro theco que falhou na marcação. O Deco sabe o nome dele. O Caubas fica quieto. É estranho ir a um jogo em que eu e o Deco estamos torcendo pelo, ou contra, o mesmo time, e o Caubas está do outro lado.
Depois do gol, a seleção tcheca tenta pressionar os italianos, porém de forma um pouco atabalhoada, errando passes simples. A solidez da defesa italiana, que contrasta com a sua atuação ridícula contra Gana, deixa o Caubas emocionado. A Itália se aproveita da situação e começa a jogar na base de contra-ataques perigosos, que exigem boas defesas do goleiro tcheco. Mas, aos vinte minutos, o tal meia italiano acerta um bom lançamento, atacante e goleiro, bola por cobertura. Itália 2 x 0 República Tcheca. Eu e o Deco estamos inconsoláveis. Nem olho pro Caubas. Os tchecos começam a apelar e fazem faltas violentas, cartões amarelos são distribuídos. Quando parece que a Itália fará seu terceiro gol, uma falta na intermediária italiana, meio longe do gol. Não parece levar perigo. Nedved bate falta precisa, o goleiro nem se mexe. Itália 2 x 1 República Tcheca. São 37 minutos do primeiro tempo, o jogo fica um pouco morno. Intervalo.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 16h27
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Sono quá
Parte II
No segundo tempo o jogo começa truncado no meio de campo. A Itália claramente só quer se defender e garantir a vitória, a República Tcheca busca ao menos o gol de empate, que é um bom resultado. Está mais calma e errando menos passes. Aos vinte e um minutos, boa troca de passes e Nedved deixa um tcheco na cara do gol. Ele bate de bico, com raiva. Itália 2 x 2 República Tcheca. Grito muito. Acho que o Deco deixou cair uma lágrima. O Caubas quieto, na dele. A situação é confortável para os tchecos, que passam a depender apenas de um empate contra Gana para ir às oitavas. Para os italianos, esse resultado pode significar um jogo para cumprir tabela contra os EUA. Desesperado, o técnico italiano tira um volante e mete mais um atacante, ou algo que o valha. A República Tcheca recua demasiadamente e não faz jogadas efetivas de contra-ataque. Começo a ficar tenso, aquilo não está me cheirando bem. A Itália tanto tenta que consegue forçar o segundo amarelo do zagueiro tcheco. Para recompor a zaga, o técnico tira um atacante e põe um zagueiro. A Itália continua pressionando, a seleção tcheca agora está toda fechada. 44 minutos do segundo tempo, escanteio para a seleção italiana. No momento em que é batido o escanteio, o juiz consegue ver um pênalti pra lá de duvidoso, os tchecos perdem a cabeça e partem para cima dele, dois são expulsos, partida paralisada por cinco minutos. Acalmados os ânimos, o meia que acerta um passe na vida e outro na morte pega a bola e a coloca na marca do pênalti. Os torcedores tchecos começam a gritar Baggio, Baggio, Baggio, eu junto. O meia italiano chuta a bola forte, meia altura, no canto esquerdo do goleiro tcheco, que consegue tocar na bola, que bate na trave, bate nas costas do goleiro e entra. A festa dos italianos estrapola todos os limites. O Caubas não se contém, e também comemora. Temos os três de sair correndo do meio da torcida tcheca. Não foi, definitivamente, o que eu esperava da minha primeira partida in loco de Copa do Mundo.
O juiz não dá nem um minuto a mais. Apita e sai correndo. Fim de jogo: Itália 3 x 2 República Tcheca. Cada uma tem três pontos, mesmo saldo de gols e um gol pró a mais para a Itália. Gana está com 6 pontos. EUA tem merecido zero ponto. Na última rodada, os Smurfs pegam o EUA, e República Tcheca a líder Gana. Vai ser emocionante. Parece que o Jubas, ainda em êxtase com a vitória da seleção italiana, será o bolonista escalado para Itália x EUA.
Embora sempre torça para ver a Itália eliminada na primeira fase da Copa, não deixo de ficar imaginando como seria o Brasil pegar a Itália já nas oitavas de final, com uma Seleção tão parecida com a de 82. Me dá um frio na barriga, mas, no fundo no fundo, estou torcendo para a Itália ser a segunda do seu grupo.
Enfim, vou ter de esperar. Por ora, saio para tomar um chopp com o Deco e o Caubas. Amanhã, vamos nos separar, cada um tem um jogo para assistir e narrar. Eu vou ver México e Irã.
Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 16h26
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Homenagem ao massacre.
Esta é ou não é a idéia mais idiota do Flamengo em 2006?
(se bem que eles contrataram um tal de Peralta com base em um dvd)

Escrito por Demas às 20h28
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Milhões em ação.
O Brasil concorre em quatro categorias no Oscar 2006: roteiro adaptado, trilha sonora, edição e atriz coadjuvante. O Brasil? Sim, o Brasil.
Nada de “O Jardineiro Fiel”, nada de adptação do romance do Le Carré, nada de Rachel Weisz, nada de co-produção teuto-anglo-queniana. O Meirelles é brasileiro: se o caneco vier, é nosso e ninguém tasca.
Porque somos assim mesmo. Somos a eterna atualização da fábula do macaco no lombo do elefante que corre pela floresta. O elefante em sua corrida furiosa, derrubando árvores, abrindo clareiras, e o macaco montado nele, gritando: “olha só o poeirão que nós estamos fazendo”. Nós?
Sim, nos apropriamos do sucesso individual de esportistas, artistas, intelectuais e o transformamos em uma vitória coletiva da raça. Somos assim, e tenho dito.
Ah, só mais uma coisa: o blog “Os Bolonistas” está participando da promoção sobre “o meu jogo inesquecível” lá no Caroço. O lindo texto é do Amaral (sobre um jogo definitivamente inesquecível), mas a vitória – se vier – é de nosso diário. E ninguém tasca.
Escrito por Demas às 11h08
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ANO AMERICANO
Dá-lhe coelho. É O ANO DOS AMÉRICAS.
Coelho vence e assume liderança gazetaesportivanet.com.br
Belo Horizonte (MG) - O América assumiu a liderança do Campeonato Mineiro na noite desta quarta-feira ao derrotar a Caldense por 3 a 0. Com o resultado, o time da capital chegou aos sete pontos, mesma pontuação do Guarani, que fez 2 a 1 na URT mas é vice-líder devido ao saldo de gols (4 a 3).
O América saiu em vantagem aos 26 minutos do primeiro tempo, graças a um gol de Washington. O atacante americano voltou a marcar aos 13 da segunda etapa, enquanto Faísca completou o placar.
Confira os outros resultados, com exceção de Cruzeiro x Democrata-SL, que começou ás 21h45:
Villa Nova 3 x 1 Democrata GV Ituiutaba 3 x 0 Uberlândia Ipatinga 0 x 0 Atlético
Escrito por Ogro às 10h15
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japonês 171
Rapaz, o moço é bom de arrumar encrenca
Ministério Público quer a condenação de Sandro Hiroshi
São Paulo - O Ministério Público Federal pediu nesta quinta-feira a condenação do jogador Sandro Hiroshi por ter utilizado 2 vezes um documento falso. Em 1999, o ex-atacante do São Paulo, que também atuou no Flamengo, viajou para os Estados Unidos e México a trabalho portando passaporte falso, com uma idade menor do que a verdadeira.
Escrito por Ogro às 18h43
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João Cem Medo
Diário da Copa - Edição 05 - Parte Dois e Fim
O time do Brasil não era ruim, definitivamente. Djalma Santos fazia a sua primeira copa.. Brilhou. A Enciclopédia ocupava a lateral esquerda. Didi, o gênio, jogou também. Castilho, o goleiro da Leiteria do Fluminense, foi o titular. E quem viu Castilho afirma que era dos melhores. Bauer jogou e encantou, óbvio. E Julinho era o nosso ponta. Julinho Botelho é a própria Firenze, uma lenda. Dos melhores. É espetacular a crônica de Nélson sobre o dia em que Julinho calou o Maraca. E falando em Julinho foi inevitável lembrar do John Sehn. O que? Por que? Porque nós iríamos acabar a noite neste simpático bar alemão e eu tinha que dar um gancho no texto. Fluência, sabem. Nessa o Sartori riu.
O João 100,. a alcunha do boteco, é o lugar mais legal para se ir em turmas da cidade de São Paulo. Primeiro, o chope é gelado, quase perfeito. Segundo, as porções de frios e queijos são coisas de outro mundo. Terceiro, e fundamental, as mesas são grandes, espalhadas, com aquelas toalhas breguíssimas e espetaculares ao mesmo tempo. E lá podíamos falar alto. E foi em alto e bom tom que o Daniel afirmou que se o time do Brasil não era ruim, padecia na alma. A derrota no Maracanã ainda açoitava.
Na Copa levamos Castilho, Djalma Santos, Bauer, Pinheiro e Nílton Santos; Brandãozinho e Didi; Julinho, Pinga, Rodrigues e Baltasar. Cabeção e Velludo, os goleiros reservas. Alfredo, Mauro Ramos e Paulinho para a defesa. Ely e Dequinho para o meio. E no ataque, Humberto, Índio e Maurinho, que jogaram um jogo, e Rubens. Era um baita time, pensando bem. Goleamos o México, de Carbajal, na estréia. 5x0, com dois goles de Pinga, outros de Didi, Baltasar e Julinho. Empatamos com a Iuguslávia, 1x1, Didi. E perdemos, na "Batalha de Berna" para os húngaros: 4x2. Djalma Santos e Julinho. Foi um grande jogo, mas o time deles era bom e jogava por música. No final, perdemos a compostura e foi um quiproquó danado, com garrafadas, pontapés, sururu e brigas, que nem nos vestiários findaram. Os húngaros entretanto se cansaram. Desconfio que os brasileiros e os uruguaios tiraram as forças magiares que tanto fizeram falta na finalíssima.
Os alemães fizeram a copa do cálculo. Um jogo aqui e outro acolá. Jogaram com os reservas na primeira fase contra a Hungria. Se pouparam. Jogaram tanto na final que a lenda é taxativa: jogaram dopados.
A campanha germânica: 3x1 na Turquia; 3x8 da Hungria, sim oito a três. Oito!. Foi necessário um jogo de desempate contra os turcos: 7x2. Na segunda fase, 2x0 contra a Iugoslávia. Nas semifinais, 6x1 na Áustria. E a grande final, 3x2 na Hungria, de virada. Chovia pacas em Berna no jogo final. Faltaram pernas para Puskas e Koczis. Foi difícil curar a ressaca. Até hoje a Hungria nem sonha em voltar ao topo.
Já nos descontos, na rodada do chorinho, bar quase vazio, lembramos que aquela copa foi a copa das maiores goleadas da história. Acreditem, Áustria 7x5 Suíça. Hungria 9x0 Coréia do Sul. Turquia 7x0 Coréia do Sul. Hungria 8x3 Alemanha. Era gol que não acabava mais. O artilheiro? Koczis da Hungria, 11 vezes. O time da Copa: A Hungria. Perdão, o time que a FIFA escolheu: Turek (Alemanha); Djalma Santos, Santamaria (Uruguai); Neury (Suiça), Bozsic (Hungria) e Lorant (Hungria); Koczis, Puskas e Czibor (Hungria), Julinho Botelho e Fritz Walter (Alemanha). Aliás, Fritz Walter, a primeira das legendas alemãs. Virão outras, sabemos. Foi quando uma sueca adentrou o bar, já era madrugada e ninguém acreditou, só o Deco. A Copa de 58 estava chegando. Em Bauru, perto da estação ferroviária, o ex sãopaulino Waldemar de Britto desconfiava de alguma coisa...
02.02.06
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 16h49
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Esses textos cortados por excesso de caracteres...
Diário da Copa - Edição 05 - Parte Um
Bolonistas Suíços,
Algumas coisas não tem explicação. Aliás, nem exigem alguma. Demi Moore, antes dos músculos, evidente. Aquela voz absurdamente rouca, aquele sorriso absolutamente maroto e "Sobre Ontem à Noite", o clássico dos clássicos, película com ela e o canastra do Rob Lowe. Nas prateleiras da loja não encontrei o filme, paciência. Mas, de fato, encontrei um documentário da Copa de 1954. E faz tempo que eu queria escrever, divagar, opinar sobre a Copa Suíça.
Se não fosse a Copa de 54 só lembraríamos da Hungria em véspera de Grande Prêmio. Bom, tem o interessante Budapeste, livro do Chico Buarque. Mas todos se lembram de Puskas e todos cantarolam ao vento que houve injustiça naquela copa. O time magiar perdeu a final para os germânicos. Os alemães começaram a ganhar copas, já foram três. Os húngaros, desapareceram.
E foi o Fernando, num dia desses, que ao telefone nos lembrou que o Massoneto ia defender a tese, linda por sinal, e estaríamos todos em São Paulo naquele final de semana. Batata, pensei. Vamos discutir a Copa de 54 tomando o bom chope do Original. E foi assim, desse jeito mesmo, que combinamos tudo.
O Franklin estava emocionado com a porção de jiló, não o culpo. A Copa foi na Suíça, que neutra na guerra, sobreviveu firme e com estádios intactos. E gozava de relativa credibilidade no campo futebolístico, em razão do ferrolho. Depois da Copa no Brasil foi a vez da Europa sediar o certame. O Ogro, sempre profético, argumentou que aquele torneio devia ser meramente protocolar, pois o Honved já mostrara ao mundo que da Hungria não escapulia o caneco. O Honved, lembrou o Ju, era o timaço do exército, a base do time que encantava o globo. Budapeste era uma cidade mais feliz. Sorria a toa, no campo. Tinham ganho as Olimpíadas de 1952 de forma assustadoramente fácil e era a barbada da década. Não foi, todos sabemos.
O regulamento da Copa era de amargar. Ninguém entende. Nem os brasileiros da época que quase se mataram no jogo contra os iugoslavos, que diz a lenda, pediam aos canarinhos para se acalmarem pois o empate servia a ambos. O Brasil se esgoelou em campo, em vão. Canarinhos? Sim. O Brasil estreava o amarelo, largara o branco das outras copas. Diziam alguns que dava azar. Era a síndrome do Maracanazo. Entre um chope e outro, tem dias que o chope do Original é chope do Léo, uma iguaria de calabresas e um prato de acepipes de balcão, Renato lembrou que naquela Copa o time do Uruguai conheceria a sua primeira derrota em copas do mundo. Contra a Hungria, 4 x 2 na semifinal. Em 30 e em 50, e até aquele jogo em 54, a Celeste não sabia o que era derrota. Eu imaginei que o ego deles naquela época era maior que toda a Montevidéu. E depois da primeira derrota, veio a segunda, para a Áustria que ficou com o terceiro lugar.
Os argentinos, só para variar, medraram. Não quiseram disputar a Copa, muito menos as Eliminatórias. O Brasil se classificou de forma tranqüila, batendo os paraguaios e os chilenos, lembrou o Pedrão, ostentando uma bonita camisa do El Tigre Ramirez. Bonita para ele, que gosta. O treinador Zezé Moreira, entretanto, cometeu uma das maiores injustiças da humanidade, não convocando o nosso maior craque para o mundial. Zizinho ouviu os jogos pelas ondas do rádio. Não podia dar certo nossa epopéia.
Fim da primeira parte
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 16h47
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Deu branco.
Tentei escrever um texto, mas estou sem inspiração e sem assunto. Deixo, portanto, apenas a bela imagem de Leonardo Cuéllar, meia da seleção mexicana que disputou a Copa de 78. Cuéllar, como o México, não fez bonito (3 derrotas, 2 gols feitos, 12 sofridos).

Escrito por Demas às 16h06
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ANO DO DIABO??
DEPOIS DO DIABO DE RIO PRETO, O DIABO ORIGINAL, O MEQUINHA, VAI, APÓS 18 ANOS, DISPUTAR A SEMIFINAL DA TAÇA GUANABARA.
HEI DE TORCER, TORCER, TORCER....
Escrito por Ogro às 09h23
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Parabéns, Jorginho.

Escrito por Demas às 23h58
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Dona Carmen
LANCEPRESS!
O presidente da Federação Sueca de Futebol, Lars-Aake Lagrell, rejeitou nesta quarta-feira um convite das prostitutas de Frankfurt para que a delegação sueca faça sua uma visita guiada durante sua estadia no país durante a Copa do Mundo de 2006.
LANCEPRESS!
O presidente da Federação Sueca de Futebol, Lars-Aake Lagrell, rejeitou nesta quarta-feira um convite das prostitutas de Frankfurt para que a delegação sueca faça sua uma visita guiada durante sua estadia no país durante a Copa do Mundo de 2006.
O caso se origina em Piteaa, cidade do norte da Suécia que protestou muito no ano passado contra o mercado de prostitutas durante o Mundial. Isso levou a federação a assegurar que nenhum membro da delegação sueca contrataria seus serviços, algo que, inclusive, é proibido pela legislação deste país.
A associação Dona Carmen, que defende os direitos das prostitutas em Frankfurt, enviou recentemente um convite a Lagrell, ao técnico Lars Lagerbäck e aos jogadores, mandado posteriormente a vários veículos de imprensa suecos.
As excursões guiadas incluem conversas sobre a prostituição e visitas aos bordéis, onde serão apresentadas todas as instalações.
O caso se origina em Piteaa, cidade do norte da Suécia que protestou muito no ano passado contra o mercado de prostitutas durante o Mundial. Isso levou a federação a assegurar que nenhum membro da delegação sueca contrataria seus serviços, algo que, inclusive, é proibido pela legislação deste país.
A associação Dona Carmen, que defende os direitos das prostitutas em Frankfurt, enviou recentemente um convite a Lagrell, ao técnico Lars Lagerbäck e aos jogadores, mandado posteriormente a vários veículos de imprensa suecos.
As excursões guiadas incluem conversas sobre a prostituição e visitas aos bordéis, onde serão apresentadas todas as instalações.
Escrito por Fernando às 15h45
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Ao Fabrício, obrigado.
Bolonistas que sabem que nem tudo é Copa do Mundo,
Há quem faça comparações entre Leônidas e Pelé. O teipe, a melhor invenção para a memória, não favoreceu o Diamante, o que é uma pena. Mas diria que Pelé é daqueles que todos acham a mesma coisa, inclusive o Romário, que ele era melhor e tal cousa, lousa e mariposa. Era, não contesto. Mas há quem faça comparações entre Leônidas e Pelé, há.
Leônidas inventou a bicicleta. Inventou? Não é verdade. Dizem alguns que a bicicleta já existia em algum campo por aí. Mas Leônidas fez da bicicleta uma jogada habitual, corriqueira, fantástica. Jogou duas copas, o que é uma pena. Deveria ter jogado mais. Os mais velhos diziam que ele era um comentarista muito do ranzinza. Depois de craque, virou comentarista de rádio. Não duvido. Mas, ranzinza ou não, deviam ser comentários preciosos. A bicicleta tem lá suas variações. Os mais puristas afirmam que bicicleta mesmo é aquela que os dois pés estão fora do chão. Daí a puxeta. Prefiro não ser ortodoxo porque a bicicleta é das poucas jogadas que não existem no futebol de botão.
O velho inventor jogou no São Paulo. Foi campeão. Seus jogos no Estádio Municipal lotavam. Quando aportou na cidade, de trem, a estação ferroviária estava repleta. Foi uma festa. É dos maiores artilheiros do Tricolor. Fez goles de bicicleta pelo mais querido.
Um verdadeiro crime não ensinarem histórias do futebol nas salas de aula. Devíamos ter uma matéria específica sobre este tema nos currículos escolares. Tenho receio que Fried, Leônidas, Rui, Bauer, Noronha e Sastre fiquem anônimos. Concordo que a matéria não deva ser obrigatória, alguns preferem jogos de videogame. Respeito a todos, mas não entendo. A aula de histórias do futebol seria sempre a última aula antes do recreio ou antes de acabarem as aulas, para os estudantes exercitarem nos corredores ou nas quadras os ensinamentos. O material didático seriam as figurinhas para a prática do bafo, times de futebol de botão, planilhas de esquemas táticos desenhadas a mão. As estudantes entenderiam um pouco mais sobre este tema que as enlouquecem todos os domingos, ganhariam vários pontos e, quem sabe, um jantar a luz de velas no futuro próximo. Poderíamos até discutir a relação, sem traumas.
Estes pensamentos soltos me ocorrem quando vejo o grande dando os seus pontapés na pelota, na sala do apartamento. Chutes que invadem o corredor, batem no carrinho do pequeno, ajudam a mãe a tropeçar. Ele arremessa a bola para o ar, com as mãos e cai no chão. Outro dia disse: "Pai, sou goleiro". Poy, Pedrosa, Sérgio, Barbosa, Castilho, Valdir Peres, Toinho, Gilmar Rinaldi, Gilmar dos Santos. Rogério Ceni e Zetti. A galeria é enorme, penso eu. Será que ele vai se interessar pelo tema, quando as meninas chegarem na vida dele? Quando ele descobrir a bicicleta e a liberdade, a sessão de cinema, a matinê, os "bailinhos", o grêmio escolar? E o pequeno? Será que vai gostar? Quero ir ao parque com eles. "Chuta a bola, papai". "Chuta". A bola quase derruba o vaso sobre a mesinha de centro. Tiro o vaso e a mesinha, instinto.
Nas aulas de histórias do futebol também haverá espaço para aquela reunião com os pais e mestres. A escola convidará mestres para participarem dos colóquios entre professores, pais e estudantes. Nesse dia me lembro que o Mestre convidado a participar da reunião era o Mineiro, volante do tricolor em meados da primeira década do século, autor daquele gol maravilhoso contra o Liverpool, que conferiu a terceira estrela de campeão mundial. O Mineiro, com aquele jeitão simples dele, tão campeão e tão modesto, contando causos da bola, falando de craques e vestindo uma camisa sete. O grande dispara uma pergunta, com um sorriso maroto, me deixando desconcentrado: "Mineiro, qual o gol mais bonito que você fez?". Silêncio. Fiquei compenetrado. "Menino, lembro até da data. 21 de janeiro de 2006. Morumbi. Era o primeiro jogo depois do Mundial que fazíamos no nosso estádio. O jogo era contra o São Caetano. Estava difícil, sabe. O time tentava, o Tiago fazia um bom jogo e a bola não entrava. O goleiro deles, o nome dele era Silvio Luís, estava num dia daqueles. Uma bola já tinha ido parar na trave. Foi num desses ataques, o Grafite mandou outro balaço na trave, na volta da bola percebi que não tinha jeito. Ou melhor tinha, o jeito era tentar a bicicleta. E olha, foi exata. Pé na pelota, corpo no ar e golaço. Foi o gol mais bonito que fiz." Vi até umas lágrimas nos olhos do bravo volante. "Mineiro, eu sei. Estava lá com o papai." O menino sorri. As lágrimas, percebi, não eram do volante.
Há quem faça comparações entre Leônidas e Pelé. Eu não faço. Mas acho que o Leônidas inventou a bicicleta, o que para mim é o mais importante.
01.02.06 – São Paulo 2 x 1 São Caetano, 21 de janeiro de 2006. Estréia do Marco Antônio no Cícero Pompeu de Toledo.
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 12h42
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