Os Bolonistas


Botões sem fronteiras

Uma das curiosidades mais irresistíveis das Copas do Mundo são os uniformes dos times. Quem não se lembra da Dinamarca de 86, da Laranja-Holanda dos anos 70, da Celeste-Mística uruguaia...? E é claro que se algo acontece no futebol, tende a se repetir em melhor nível no botão! Que o digam os novos esquadrões filiados à Fiba – a Federation International of Botão Association. A Fiba conta, desde a última expedição rumo às desertas lojas de São Paulo que não aderiram aos “computer games”, com 64 seleções. Dá para fazer duas copas do mundo. Ou duas divisões de Copa do Mundo. As equipes mais recentes já prometem tornar-se clássicos os seus uniformes. Vamos a elas, pois eram as que faltavam para completar os times da futura Copa da Alemanha. A Ucrânia veio absolutamente toda amarela. Não há aquele tradicional risco redondo em torno do distintivo, delimitando onde a bolinha deve pegar. É tudo amarelo e, no centro, uma bola embaixo de uma coroa com a inscrição Yphania. Confesso, bolonistas que adoro os times que chegam na versão original. Tenho a Rossija, a Sverige, a Helvetia, a Hellas. Detesto o meu Irã, com o acento em português. Prefiro a Arábia Saudita naquelas letras milenares que sou incapaz de transcrever, em meio a espadas e luas. Ou a Argélia que tenho sem bandeiras, nem nada, com riscos em vermelho, preto e verde, riscos incompreensíveis para os ocidentais, mais do que quando bateram a Alemanha por 2 a 1 na eterna Copa de 1982. Agora, estou atrás de uma Hrvatska, de uma Ceska Republika e adoraria adquirir a Srbija i Crna Gora. Enfim, voltando à Ucrânia, gostei de terem posto uma coroa na bola. Ok, pode ser meio absolutista, ainda mais para quem ensaiou uma revolução laranja. Nada comparada à revolução de Cruyjf, é claro, pois os laranjas da Ucrânia já se pegaram em denúncias de corrupção e blá, blá, blá. Mas, vamos perdoar os ucranianos, pois deram a coroa a quem pode honrá-la. A bola é a rainha das Copas, ou, pelo menos, deveria ser. E, além da Ucrânia, encontrei a seleção de Coitê d´Ivoire. Uma beleza! Vem com desenho estilizado de elefante e outro do mapa do país. Botão claro o dos marfineses, afinal, já viveram do marfim (ou foram explorados por ele). E procurei logo o número 11, ele, Drogba. Dali sairão os gols, pensei. Na seqüência, a melhor surpresa de todas. Angola chegou com uma máscara africana, o nome da federação em bom português e o contorno em marrom-madureira. Por causa da máscara, lembrei-me de Picasso. Mas, a cor me mostrou que Angola é a seleção de botão dos subúrbios. Estou louco para colocá-la em campo contra os europeus. Gana veio OK, num claro amarelinho, com o tradicional bordeamento e o símbolo da federação. Trinidad também, mas em vermelho e com o símbolo parecendo uma daquelas fortalezas caribenhas pós-colombo. Ficou até óbvia demais. Aproveitei a viagem para trocar a Austrália por outra versão mais potente. As peças são maiores e o desenho do canguru mais bonito. E, para completar, Togo. Togo é um amarelão só, com um distintivo nada inspirado: FTF, uma bola desenhada e ponto final. O legal é que, assim como a Ucrânia, Togo veio sem bordeamento. Nada separa o jogador da bola. Por que precisamos de fronteiras, afinal?



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 18h37
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Clássico é clássico.

Seu computador é daqueles bem bacanudos? Telinha plana e tals? Zil giga bits bytes ram hd pentium e tals?

Então visite http://fifaworldcup.yahoo.com/06/en/p/video.html

É sensacional.

Só pra tirar gosto, lá estão a íntegra de Brasil e Itália (82), Brasil e Holanda (74), Argentina e Inglaterra (86) e Argentina e Holanda (78).

Filminhos com Maradona, Cruyff, Puskas, Eusébio e Garrincha. Melhores momentos de todas as Copas desde 66.

É bem massa. Quem deu a dica foi nosso vizinho, o PVC.



Escrito por Demas às 14h08
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Notas, impressões e o fígado

Bolonistas da Rede

19 horas na cidade de São Paulo. Dia de semana. Hora de trânsito. De trânsito? Não. Para alguns idiotas que organizam torneios de futebol, para alguns abutres, para uns beócios que usam cartolas e enfeites de lapela, é horário de clássico, do jogo. E que jogo.

Ouvi no rádio, que tem graça. Mas acho que o José Silvério tá cansado. Entre o Oscar Ulisses, o Deva Pascovich e o Silvério, optei pelo Raí. Deus é comentarista de uma das rádios. Se bem que o Oscar tá o fino, o fino!

O apito foi inseguro e o jogo foi tenso. O esperado coração na chuteira dos verdes. No final, 1x1. Justo? Sei lá, que eu sou torcedor e fiquei um pouco bravo. Um pouco. Porque o Murici demora tanto para fazer alterações no time? Que presepa a do Gamarra no gol tricolor... E que defesa do Sérgio naquela bola do Danilo, já no final do jogo. Bom, o Morumbi aguarda o outro jogo. A definição. Que jogo. Me deu gastrite, confesso. Mas a impressão é que o São Paulo tinha mais o controle da coisa. Que não é nada, posto que empatamos.

Depois, já na TV, vi uma coisa engraçada. O Corínthians foi garfado. Sim, o juiz foi muy amigo. Deve ser uma tortura para os alvinegros ter o árbitro jogando contra.... logo eles, tão desacostumados. Mas, confesso outra coisa: Gosto do Ademar Braga. O cara é bamba. E tem um rabo que só! Pois o lateral que vai lá e põe a bola na cabeça do outro e gol. O Ricardinho não jogou nada. Mas o Timão foi bem, no fim da festa.

Copa do Brasil? Perdão. É muita bola para uma quarta feira só. Pode dar fastio. Boa noite, boa noite.

Mas que não foi pênalti do Souza, não foi. Foi pré-primário, verdade. Mas pré-primário não é falta. No máximo um joelho no milho. Os dele e os do Fabão.

 



Escrito por Amaral às 23h28
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Aos 47 o Timão alivia.

Durante todo o jogo no Maraca...

Foi mal Franklin...

O flu deu trabalho lá em Minas...

O Cruzeiro foi bem lá em Santos...



Escrito por Renato às 22h48
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Simon foi mal.

E por acaso isto é falta?

Non, isso é classe.



Escrito por Demas às 22h14
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Arsenal X Barcelona

Perguntaram ao Gaúcho após a classificação:

 

“Feliz?”

 

“Sempre, ué?”

 

Ser feliz é mole. O negócio é o “ué”.



Escrito por Demas às 19h13
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Derradeira Estação

Bolonistas Ansiosos

 

Detratores de Dida, incluindo este bolonista, não tem motivo para sacanear o arqueiro. Parece uma muralha. Grande, intimida os atacantes. Sai com coragem do gol, muita. E Beletti me perde um gol daqueles. Fazer o que?

 

O Barcelona manda no jogo e já são 17 minutos da etapa derradeira. Seedorf não consegue ser o motor do primeiro tempo. Agora os contragolpes são milanistas. Entra Cafu, sai Costacurta. Ambos jogaram aquele mundial tricolor, o do bi. E Cafu, o que fará?

 

Pasmem, enquanto respondia uma consulta sobre tramitação de algum projeto de lei, pasmem, Ronaldo dá um daqueles passes absurdos, olhando para um lado e tocando para o outro. Vesgo, como o Mário Sérgio Pontes de Paiva. Genial.

 

O Milan toca a bola. Muda a estratégia. Toca e espera. Tocaia. Entra Rui Costa, mas porque ele está no banco? Times italianos são assim mesmo. Larsson, o sueco, entra em campo. Ele perde gols incríveis. O Milan está melhor. Gol anulado de Sheva. Não me pareceu nada. Vou tentar ver o teipe. 25 minutos.

 

Defesaça do Dida. Larsson, no cabeceio. O Barça também perde o ímpeto ofensivo e espera pelo bote. Deixam Ronaldo puxar ataques repentinos, uma temeridade para os brancos. Deco arremata de forma infantil. Dida pega. O gol do Milan, acho que foi legítimo. Ao menos pelo teipe, que vi de relance.

 

Pronto. O Dida dá uma espanada na bola, com os pés. Impossível não crer em Rogério Ceni. Daqui a pouco, Parque Antártica. Odeio favoritismo. Odeio. É o tipo do jogo que a camisa, a alma e a história dos clubes perfilam conjuntamente com o pelotão de combate. Frio na barriga. O jogo fica morno, definitivamente. Tenso, estudado, calculista. Tensão nas faces das arquibancadas e de Anceloti. 43 minutos, o Arsenal espera ansioso.

 

Seedorf reaparece, motor. Falta para o Milan. Chuveiro na área. Clássico. E não dá em nada. Clássico. Mas no rebote um tirambaço de Serginho, para fora.

 

Acréscimos. Três minutos. Não atenderei telefone. Nada mais. Acabou. Barcelona na final. Alívio. Foi um grande jogo e foi árdua a batalha. Ronaldo e Henry. Paris. A final. A reunião, enfim.

 

Danilo, boa sorte.

 

26.04.06



Escrito por Amaral às 16h43
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Intervalo

Bolonistas Difusos

 

Ainda que os outros digam qualquer outra coisa, o fato inexorável é que escuto pelo prédio os ecos do jogo. Os televisores estão ligados. Ronaldo tem culpa nisso. Todos querem ver as jogadas do Gaúcho. Querem sorrir, como ele. É como brincadeira de guri.

 

Kaká tem aquele jeitão mais objetivo. Parece que o são-paulino não tem outro objetivo que não o de seguir em frente, tocar para frente, caminhar para o gol. Impressiona, essa objetividade é quase incomum.

 

É torcer para o telefone não tocar. E a reunião atrasar....



Escrito por Amaral às 16h23
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Etapas Primeiras

Bolonistas da Tarde

 

Soube, por terceiros, que é pecado ter televisor na sala de trabalho e deixar de acompanhar, ainda que com um olho só, o jogo entre Milan e Barcelona. Na verdade, Barça e Milan, que o jogo é no Camp Nou. Que jogo. Que jogo.

 

33 minutos. Primeiro tempo. O jogo é aberto. Chances de lado a lado. O Milan surpreende, adiantou marcação e faz pressão, séria e incisiva. Os azuis grenás parecem um pouco atordoados, mas apresentam contra ataques quase letais. Ronaldo não brilha tanto, mas quando toca na pelota é um deus nos acuda. Colocou Eto na cara do gol. Kaká está em todos os lados do campo. Kaká tem vaga em qualquer time, deste globo ou não.

 

Como são belos os passes do Barcelona. De pé em pé. O Milan é aguerrido, luta. Beletti não convence. O Costacurta ainda é o zagueiro milanista. Eto parece afobado. Deco é fundamento. Edmílson tem vaga no time do Parreira, é seguro e parece se sentir seguro, o que convenhamos é uma vantagem enorme em relação ao nosso Roque Jr.. O Barcelona, com mais calma, vai ganhando terreno. O Milan parece cansar. Serginho não faz partida boa. Erra passes que costuma não errar.

 

42 minutos. O panorama do jogo é este. Lá e cá.

 

Penso na Copa do Mundo. Falta para o Barça. Falta de Costacurta em Eto. A jogada ensaiada não dá em nada.  Ótimo primeiro tempo. Sinopse. E hoje ainda tem Tricolor e Verdão... 



Escrito por Amaral às 15h51
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Por que as mesas redondas são sensacionais?

Vejam este texto do site comunique-se...

Jornalistas à beira de um ataque de nervos

Marcelo Russio

Olá, amigos. Nesta segunda-feira aconteceu algo totalmente inusitado no programa "Troca de Passes - Mesa Redonda", da ESPN Brasil. Em dado momento, José Trajano mostrou-se irritado com a demora em uma determinada discussão sobre o Palmeiras e, com a veemência que lhe é peculiar, externou essa irritação. Subitamente, o apresentador Paulo Soares levantou-se e, ao vivo, abandonou o programa, para espanto de todos os participantes, inclusive do próprio Trajano, que pediu comerciais e se ausentou também.

O restante do programa foi apresentado por Juca Kfouri, que o fez muito bem, inclusive explicando ao telespectador o que acontecera, com muita honestidade e transparência, como é comum no programa e no canal. Os demais (Paulo Vinícius Coelho, Fernando Calazans e Márcio Guedes, os dois últimos do Rio de Janeiro) mostraram-se surpresos com a atitude do apresentador, mas retomaram os debates e tudo transcorreu bem até o fim.

A reação de Paulo Soares, notoriamente um profissional bem-humorado, mostra, talvez, a necessidade de reflexão sobre o estresse que toma conta do jornalismo. As pessoas trabalham, muitas vezes, sob uma carga absurda de pressão e de críticas, muitas vezes feitas de forma desrespeitosa e sem levar em conta os problemas que os profissionais têm para cumprir as suas tarefas. E esse nível de cobrança, associado muitas vezes à falta de tato de quem cobra, ou, talvez, de falta de senso de limite, pode levar profissionais a ter reações como a que teve Paulo Soares no programa da última segunda-feira.

A cobrança pode e deve ser feita por qualquer chefe. Mas a forma como ela é feita, lembrando-se que o cobrado é um profissional, um ser humano, e tendo-se em mente que não se quer errar, faz parte do que hoje é chamado de "gerência pessoal", que significa tratar profissionais como tal, com respeito e com tranqüilidade, e não com chutes em cadeiras, murros na mesa, berros e crises de autoritarismo, como se quem cobrasse fosse Deus e tivesse o poder e o direito de destratar colegas jornalistas como se estes fossem burros, incompetentes e inferiores de alguma maneira.

Adianto que não digo que José Trajano o fez, ou o faça, pois nunca trabalhei com ele, e nem o conheço pessoalmente. Mas é importante que um sintoma público, como o que foi visto no "Linha de Passe" da ESPN Brasil, seja analisado com cuidado, para que não tenhamos profissionais à beira de um ataque de nervos em cada cadeira de uma redação. E pior: para que não tenhamos um chefe sentado no trono de Deus, achando-se como tal, em cada salinha da mesma redação.




Escrito por Jubas às 19h06
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O outro lado

Bolonistas de jogos inesquecíveis,
estamos aqui cronicando os jogos da futura Copa e me deparo com o livro do PVC sobre os 50 maiores jogos dos mundiais. Belo trabalho! Já vou me adiantando e dizendo que não o conheço, nem que quero fazer comercial. Mas, o fato é que o PVC foi atrás de holandeses, italianos, alemães e trouxe o famoso “outro lado”. Aquele “outro lado”, que tem feito muita falta ao jornalismo. Tanta falta quando só lemos uma versão dos fatos... Mas, enfim, não vamos descambar para a política – que, aliás, está absolutamente desinteresante com os seus dias de falsas moralidades e acusações. A política absolutamente desinteressante em ano eleitoral?! Mas, pelo menos ano eleitoral é ano de Copa e teremos alguns clássicos antes da tensão dos famigerados debates televisivos.
O PVC conta que para os holandeses a geração de 94 era decadente (o fim da era Van Basten e Gullit, sem os dois) e a de 98 (com Kluivert e bergkamp no auge) era estelar. Que os argentinos comemoraram mais a Copa que ganharam fora de casa, em 1986, do que aquela vencida em Buenos Aires, em 1978, durante a ditadura. Que os italianos sabiam que eram piores do que os brasileiros em 82, mas também sabiam que poderiam ganhar. Saber ser pior e, ao mesmo tempo, saber poder ganhar. Estranhas certezas no infinitivo.
Aliás, o PVC conta que o atual centro-avante da Itália, o Gillardino nasceu em 5 de julho de 1982. A data das datas para o futebol. É o AC/DC da bola. O futebol tornou-se mais feio após aquele 5 de julho em que o time cascudo ganhou do futebol-total. Proliferaram times cascudos e até o Brasil entrou nessa fase de marcação-marcação em 1990 e 94. E o Gillardino estará lá na futura data quando Brasil e Itália se encontrarem nas oitavas. Anote aí, Zecão! Vc que foi escalado para o jogo: atenção com o Gillardino! Não, não é porque ele bate com os dois pés, sabe tabelar, tem bom cabeceio. É que ele nasceu naquele terrível 5 de julho, a anti-data do futebol brasileiro. Confesso que morro de medo do Gillardino. Eu colocaria dois zagueiros para marcá-lo. Xô, uruca de Paolo Rossi!
Agora, vamos à lição de casa! Este bolonista pegou os 50 jogos descritos pelo PVC e anotou vitórias e derrotas de cada time numa tabela. Resultado: Brasil e Alemanha são os que mais perderam. Foram seis derrotas cada um. O Brasil ganha no desempate já que computei Brasil x França (com o azarado Zico em 1986) na casa dos empates. Já a Alemanha ficou com outro jogo contra os franceses como empate: o 3 a 3 de 1982 (e eles ganharam nos pênaltis, antevendo uma derrota nossa quatro anos depois.
O resultado é que as derrotas do Brasil são jogos emocionantes. Sim, claro! Mas, também podemos dizer que não. E por quê?!
É que o Brasil é o recordista em vitórias nos 50 melhores jogos. Foram 9. Isso sem contar a final de 1994 (computada como empate). Nove, bolonistas, é o dobro dos segundos colocados, todos com quatro míseras vitórias inesquecíveis em 17 Copas. São: Alemanha, Argentina e Itália. Vamos ao placar de cada seleção, sem contar empates e disputas de pênaltis:
Brasil 9x6
Alemanha 4x6
Argentina 4x4 (derrotas argentinas são tão inesquecíveis quanto as vitórias)
Itália 4x5 (aqui, há uma clara preferência pelas derrotas)
Inglaterra 1x4 (idem, mais ainda)
França 3x1 (o efeito "marselhesa")
Uruguai 3x3
Holanda 3x2

E o resto são os tradicionais coadjuvantes.
Espanha 1x1
Hungria 2x1
Portugal 2x0
E etc.


Escrito por Jubas às 19h07
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Jogo do Xadrez. Parte 1.

Sempre tive dificuldade em apontar o meu jogo inesquecível. Me concentro pouco na totalidade da partida: prefiro suas frações. Gosto de anotar os dribles inesquecíveis, os passes, os gols. A amplidão dos 90 minutos sempre me pareceu demasiada.

Isto é, até ontem.

A partir de hoje, a resposta saltará língua afora antes de a pergunta terminar: meu jogo inesquecível sempre será Espanha e Arábia, pela Copa do Mundo de 2006. Alemanha, Kaiserslautern, Fritz Walter. Arquibancada, porão, jaula.

Aos fatos, bolonistas.

Começando do começo: estou sem fazer a barba há um mês. Esse fato, creio, foi fundamental para a seqüência dos eventos.

O meio: cheguei cedo ao Fritz Walter. Recusei a tribuna de imprensa e fui acompanhar o jogo na arquibancada. Já não havia, por desnecessária, a divisão das torcidas. De fato, quase não havia torcedores. Alguns espanhóis – poucos milhares – e árabes – muitas centenas – encontravam espaço de sobra no estádio para assistir à partida mais amistosa desta Copa: as duas equipes se encontrariam apenas para brindar seu fiasco. O jogo não oferecia nenhum interesse à torcida. Esse fato, creio, foi fundamental para a seqüência dos eventos.

Da arquibancada, antes dos hinos, pude ainda folhear guias de viagem: pretendia folgar uns dias e estava analisando com carinho o convite que recebi dos holandeses malucos de Stuttgart. "Pode ser uma boa. Dizem que a Holanda pode ser uma experiência relaxante pacas". Este era o clima: paguei com uns tostões uma caneca de cerveja de trigo e um espeto com salsichas grelhadas. A paisagem era esta até o início da partida: Estádio Fritz Walter quase vazio, eu, o Lonely Planet de Amsterdã, uma gelada e umas salsichas. Do meu lado direito, uns árabes falando alto. Do esquerdo, uns moleques espanhóis já um pouco altos cantavam músicas sobre o Real Madrid e exaltavam Raul. Essa paisagem mudou radicalmente aos 10 minutos de jogo. Esse fato, creio, foi fundamental para a seqüência dos eventos.

O jogo começa e o desinteresse dos jogadores em disputar aquele amistoso era não só notável, mas absolutamente irritante. Os jogadores, tanto os de vermelho quanto os de verde, recebiam a bola com desdém e se livravam dela com asco. Não havia marcação, só um arremedo de combate. Os atacantes desprezavam os lançamentos que os obrigariam a um pique. É lamentável um jogo que não vale nada em uma Copa: não culpo os jogadores, que a frustração é um manto pesado – mina as forças. A torcida, no entanto, não se resignou ante a apatia dos boleiros: o visgo que unia as pernas dos atletas criou na alma da assistência uma revolta. Antes, silenciosa. Depois, transformada em vaias. Mais tarde, em xingamentos. Umas garrafas chegaram a alçar vôo.

A revolta que unia árabes e espanhóis, todos vestindo a incômoda sensação do escárnio, logo sofreu uma mutação perigosa. Esse fato, creio, foi fundamental para a seqüência dos eventos.

Começou com uns apupos mútuos entre os europeus à minha esquerda e os asiáticos à minha direita. "Normal", pensei. Derrapou para uns abusos verbais mais graves e umas insinuações religiosas deselegantes. "Upa, tá ficando pesado". Foi quando um esbarro entornou o caldeirão. Esse fato, creio, foi fundamental para a seqüência dos eventos.

Um espanhol se estranhou com um árabe barbudo e em segundos duas ondas se formaram. Olhei para um lado e vi o massudo vagalhão de espanhóis correndo em uma direção. Virei o pescoço e lá estava a coluna de árabes correndo na direção oposta. O encontro das duas massas? O exato local onde estava sentado, sorvendo um trigo maltado e limpando os dentes com o espetinho. Esse fato, creio, foi fundamental para a seqüência dos eventos.

"Fudeu geral". Ainda tentei correr, mas o segundo que vacilei me custou caro: o sururu me encontrou parado e descobri que a edição de capa mole do Lonely Planet é um escudo de bosta.

Tomei bordoadas de mouros e castelhanos. Quando consegui escapar da confusão, de cabeça baixa, trombei com a barriga de um tira alemão. Esse fato, creio, foi fundamental para a seqüência dos eventos.

O polícia não titubeou: me presenteou com uma bela seqüência de cassetetadas. Tentei explicar em português minha situação de turista na peleja, mas não tive chance: fui agarrado e levado para o porão do Fritz Walter, junto com umas duas dúzias de briguentos.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 13h34
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Jogo do Xadrez. parte 2.

O fim: me enfiaram numa celinha junto com os árabes. "Melhor, melhor assim". Na cela em frente: espanhóis, alguns bem machucados. Lá em cima, espanhóis e árabes ainda mantinham intocado o placar do amistoso.

As ofensas não cessaram na cana, mas as grades impediam o confronto. E eu lá, pato em galinheiro, sem achar a menor graça. Tentei a abordagem clássica quando o guarda cruzou entre as celas, ordenando o fim da palhaçada: "Herr Polizist! Herr Polizist! Ich bin brasilianer! Brasilianer! Pelé! Flamengo! Feijoada! Ronaldo!!!!"

O sujeito me mandou um "Shhhhhhhhhhhhh" e saiu dando ordens em alemão a uns dois estagiários. "Putaqueuspa. Carales. Bosta". Meu lamento comoveu os árabes, companheiros de cárcere. Eles sabiam minha inocência e azar. Um deles, que falava inglês, tentou me consolar: "Deve ser a barba". Era um sujeito boa praça, e seu comentário amenizou o infortúnio. "E o nariz também não ajuda", respondi.

O primo, descobri em seguida, não dominava só o inglês. Se levantou e, colando o rosto à grade, começou a falar, em tom grave e baixo, com os dois estagiários. Seu alemão era perfeito. Não sei se foi a fluência, o tom respeitoso ou a argumentação, mas o fato é que gerou lucro: um dos estagiários buscou o chefe, que, mal humorado, ouviu o árabe, sob os impropérios dos espanhóis.

O polícia respondeu algo rápido e saiu marchando suas botas contra o chão. "O que o senhor falou com o guarda, meu amigo?", perguntei ao árabe. "Não se preocupe, vão te tirar daqui assim que o jogo acabar".



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 13h33
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Jogo do Xadrez. Parte 3.

E assim foi: passados longos minutos, os estagiários me chamaram de lado e me escoltaram para fora da cana. Os espanhóis vociferavam. Antes de sair, um agradecimento ao meu protetor. "Brigadão, meu velho". "Vai em paz".

Fui escoltado até a saída do estádio pelos dois silentes estagiários. Ainda tentei puxar papo, algo do tipo: "Putz, que sufoco", mas os jovens nem me olhavam. Me deixaram no lado de fora do portão principal e se viraram. Nem um tchau.

Ainda tive a manha de perguntar às costas dos meganhas: "E o jogo, quanto foi?".

Sem se virar, mantendo a marcha, um deles soltou: "Arábia 2 a 0. Al Jaber, duas vezes".

Soltei um grito de alívio e felicidade.

Revendo tudo, até que não foi de todo mal. Uma história pra contar e um jogo inesquecível. Um amigo árabe de quem nunca me esquecerei e o maior fiasco da seleção espanhola. É, não foi de todo mal.

Pensando bem, enquanto relembro os fatos, aqui neste Café em Amsterdã de onde escrevo, tudo me parece um pouco engraçado. Tudo está me parecendo engraçado até demais.

Arábia Saudita 2 X 0 Espanha.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 13h33
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“And in the end, the love you take is equal to the love you make”

Não foi pelas folhas. Não foi pelo arrepio da música da rede globo. Não foi pela rede. Quem me deu a notícia da morte de Santana foi minha mãe – eu estava em Goiânia, sem folhas, sem música, sem rede.

 

Não foi surpresa, que todos estávamos acompanhando apreensivos sua última briga. Mas foi triste. Mandei uma mensagem ao Amaral, curta como são as mensagens urgentes: “Morreu meu John Lennon”, dizia.

 

O fim de semana foi dele. Acompanhei as retrospectivas: pensava no Jubas (há quanto tempo estavam prontas?). Ouvi o Galinho (será que todos percebem a importância de Zico revelar que só Santana não cobrava os pontapés?). Vi imagens da corrida de Raí rumo ao seu abraço (só um bárbaro não percebe que Raí e Sócrates devem sua existência ao mestre). Pensei um pouco sobre mim.

 

Descobri que tudo (tudo, tudo, tudo, tudo) de que gosto sobre futebol foi de alguma forma ungido pela benção de Santana.

 

Sou obcecado pela seleção de 82. Gosto do Fluminense. Gosto até do Grêmio. Adoro 86. Tenho certeza de que 92 foi fruto da mágica. Acredito piamente que, se um goleiro desafia um jogador – dizendo que seu chute na disputa de pênaltis será defendido –, é obrigação do técnico garantir a escalação do jogador, sob o risco do fiasco.

 

Adoro o Atlético Mineiro. O Madureira. Piro com o fato de um ponta decretar o fim de sua posição. Estou absolutamente convencido de que 93 ultrapassa a mágica. Prefiro acreditar que a derrota nos engrossa o couro.

 

Alguns dizem que os sãopaulinos somos loucos pelo Santana porque com ele aprendemos a ganhar.

 

Nada disso. Santana nos ensinou a perder. Nos ensinou a todos. Isso não tem preço.

 

A benção, Santana. Vê se dá um jeito no Best.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Demas às 22h41
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Bolonista de Família

Bolonistas de abril,

Vai um texto do meu irmão Edu. Sobre o jogo.

Aliás, o Du aniversariou dia 11 de abril. E o Jubas, aniversaria hoje, 23. E o que isto tem a ver? Nada. Nadinha. É só a deixa para dar os parabéns. Para os dois.

Ps.: Para o Edu, o Falcão é atacante. Não deixa de ser interessante olhar o jogo desse jeito.

 

Sent: Friday, April 21, 2006 4:15 PM
Subject: Telê...

Especial para o Bolonista.
 
Morreu Telê Santana. Foi-se um tempo. Futebol, mas futebol-arte. Eu, que nem de pelota entendo, ainda assim me entristeço. Tempos de infância que me vem à memória, sobretudo as lágrimas de todos que escorreram naquela copa de 82, lembro da capa do jornal JT. Mas a derrota foi dolorida, a mais dolorida, porque daquele futebol nos orgulhávamos, reconhecíamos em campo o que queríamos ser quando crescêssemos. Fazer bonito, como fizemos, sob a batuta do Telê. Futebol, com arte. Era 82. O futebol arte de Telê encarna para mim, nas memórias da época, uma esperança de que tudo, ao menos, seria mais bonito. Foi o ano, me lembro bem agora, em que nos 15 dias de novembro, saímos todos às ruas para votar, chuva de papel, santinhos, euforia na eleição para governador do Estado. Mas só de haver eleições, nossa!, aquilo já prometia dias melhores, mais bonitos. Foi o ano em que o velho MDB da abertura política levou de goleada da Arena - embora os nomes já fossem outros, PMDB e PDS, e apesar da lei Falcão, que nada tem a ver com o atacante no escrete de Telê. Tudo era para ser mais bonito. E o futebol deixava se contaminar pelo clima - lembro do Dr. Sócrates, ícone nas minhas memórias seletivas do movimento de democratização. Em 84, Diretas Já - e o mesmo de quem ouvimos a narração dos jogos de 82 era quem narrava o maior jogo dos últimos tempos: "Diretas quando, meu povo? Já!!!".
Telê me lembra isto: A possibilidade de sonhar com tempos mais bonitos.
Sinal dos tempos, até Telê se foi. O futebol é mais feio. É tática, tatibitate. É técnica, tecnocrático. Jogo na retranca. Não tem mais arte, que é aquilo que fazia com que nos reconhecêssemos na peleja, a raça, gana, coragem de guerreiros altivos. Sinal dos tempos...
 
Tempos bicudos
Minha esperança já tem nome
de saudade.
 
23.04.06



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 21h32
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Bolão - 2ª Rodada

1) O Massonetto apelou;

2) Pedro, francamente;

Frank 190
Massonetto 175
Caubas 165
155
Daniel 150
Pedro 150
Deco 140
Amaral 135
Ogro 135
Renato 130
Ju 120



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 20h36
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Adeus, Mestre...



Escrito por Renato às 13h03
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Tá lá

Timão e Goiás na final.

Como será a próxima fase

Oitavas
Quartas
Semi
Final
1-Velez
x
16-Newell's
8-Indep. Santa Fé
x
9-Chivas
5-Goiás
x
12-Estudiantes
4-São Paulo
x
13-Palmeiras
3-Corinthians
x
14-River Plate
6-Libertad
x
11-Tigres
7-Nac.Medellín
x
10-LDU
2-Inter
x
15-Nacional



Escrito por Zecão às 11h06
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O Pedrão vai pirar com esta. Parte 1.

Bolonistas modernos, concretos, árcades e românticos:

 

Cometo novamente uma indiscrição. Mais uma vez revelo, despudorado, uma correspondência privada. O pior: não é a primeira vez que a vítima sofre com minha falta de caráter. Não sei por que continua confiando em mim.

 

Mas a razão é maior: trata-se da melhor idéia que ouvi (li) no ano. Julguem só um trecho do e-mail que recebi:

 

“Mas estou escrevendo por outra coisa. Criei um blog (ainda não está no ar) no endereço http://poemadojogo.zip.net

 

A idéia é juntar um povo – os bolonistas todos estão convidados, podendo cada um publicar um poema para cada jogo da Copa do Mundo. Assiste o jogo, matuta, escreve, publica. Que achas? Vamos escolhendo o melhor de cada jogo e no final da competição temos 64 poemas – de repente até damos um jeito de publicar.

 

Topas?

 

Beijos,

 

Balu”

 

Se topo, meu velho? Já topei grandão. Topamos todos a fantástica idéia.



Escrito por Demas às 18h40
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O Pedrão vai pirar com esta. Parte 2.

Só pra sentir o drama, deliciem-se com o gênio de Raphael Maia Negrão Caldas: 

 

JOGOS E POEMAS

 

Missão arriscada essa que agora assumimos

de fazer poesia dos jogos que assistirmos;

de botar palavras onde elas nunca couberam;

de tentar fazer bem o que outros nunca fizeram.

 

A diversão, pelo menos essa, é garantida

mesmo depois dos 90 minutos de partida.

É certo que coisa muito boa não veremos,

mas isso, convenhamos, é o de menos.

 

O que importa é o barato, a brincadeira,

o escrever sem medo de dizer besteira,

o torcer de uma forma mais discreta.

 

Afinal, quem tem que fazer bonito

antes que soe o derradeiro apito,

não somos nós, ridículos poetas.



Escrito por Demas às 18h38
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A Dialética de Telê

Já faz algum tempo, alguns anos. Entrei na redação da Folha e me pediram um obituário do técnico Telê Santana. Confesso que fiquei um pouco espantado. Telê tinha saído dos gramados há pouco mais de dois anos. Sabíamos que ele sofria problemas de saúde, mas eu não tinha a noção de que a situação era grave. “Ele pode morrer”, me disseram na redação. Subi no arquivo do jornal e comecei a procurar histórias do mestre. Meio a contragosto, confesso. Era um obituário que nunca gostaria de ver publicado. Tinha visto no estádio a melhor fase do Telê. Vi as duas Libertadores, os títulos quase mensais que ele ganhava pelo São Paulo. E mais: vi Telê aprimorar craques.

Telê foi uma antítese de si mesmo. Ele foi o ponta que não se limitava a ser ponta. Voltava para marcar, via outras possibilidades além de se limitar aquela fatia do campo. E dessa antítese nasceu a síntese de Telê: a exigência de jogadores completos, de um futebol total.

Ele pegou Muller, o ponta-direita, e o fez jogar pela esquerda. Não bastava Muller ser o melhor ponta do Brasil. Afinal, o futebol já estava abandonando os pontas. Muller deveria ser um jogador completo, e não apenas o melhor ponta-direita do mundo. Telê procurou mostrar novos caminhos a cada jogador que treinou. Ele pegou Raí, antes entre a marcação e a armação no meio-campo, e o fez virar artilheiro. Ele pegou Cafu e o transformou em polivalente. Cafu era um bom lateral, de pulmão cheio, até Telê chegar. Depois, Cafu virou meia, volante, armador, atacante. Cafu jogou com a 11 contra o Barcelona, lá na frente. E voltou a usar a 2 contra o Milan um ano depois. Tudo obra de Telê! Curioso que, depois de Telê, nenhum técnico soube aproveitar a polivalência de Cafú. Lhe dão a 2 e pronto!

No CT do São Paulo, Telê pegava a bola, dava  vinte passos de distância e colocava-a dentro da cesta de lixo. Telê chegava a ser perfeccionista até por ironia. Tanto que, no primeiro título brasileiro com o Galo, ele quase tirou Dario da decisão. Não, não foi uma opção tática, é claro. Quem iria tirar o Dario?! É que Telê mandou uma tacada de efeito num jogo de pingue-pongue com o atacante, e o Dario que não gostava de perder nem jogo de bafo foi parar no chão. Se contundiu e virou dúvida para a final. Acabou jogando e foi campeão junto com Telê.

E Telê transformou vários jogadores, antes coadjuvantes, em campeões. Tenho uma teoria sobre a Era Telê no São Paulo: a de que ele invariavelmente acabou trabalhando para outros times também. No São Paulo, ele formou jogadores que ganharam títulos importantes para outros clubes. O Grêmio levantou uma Libertadores com o volante Dinho. Vítor foi um lateral campeão pelo Corinthians. O Palmeiras-Parmalat levou Antonio Carlos e Cafu para seus títulos. O Cruzeiro ganhou a sua segunda Taça na América do Sul com os passes precisos de Palhinha. Foram, na verdade, todos passes de Telê.

Telê foi autor de verdadeiros milagres no futebol. Quem se lembra de Ronaldão no grupo campeão mundial de 94? Antes de Telê, Ronaldão era um lateral limitado e nervoso. Fez um gol contra histórico para o Corinthians. A torcida queria ele fora do time. Então, veio Telê e Ronaldão virou seleção. E Junior Baiano, gostem ou não, também chegou à seleção depois de passar por Telê. Junior Baiano chegou até a ser artilheiro do São Paulo num Brasileirão: obra do mestre. Acho que se ele estivesse no banco, o Baiano não teria cometido aquele pênalti bisonho contra a Noruega na Copa de 1998.

Quantas derrotas seriam evitadas com Telê no banco?! Várias, acredito! O São Paulo já teria ultrapassado o Independiente em Libertadores. E olha que são necessários sete títulos! Mas, a história teve outros planos e Telê foi para o seu apartamento em BH. E, de lá, foi recentemente para o hospital.

Confesso que abro os jornais apreensivo todos os dias. Não quero ler aquele obituário. Não quero ler as homenagens a Telê porque não quero ler a morte de Telê. Será uma péssima matéria nos jornais, uma péssima notícia. Será pior do que a derrota na Copa de 1982.

Você, torcedor, ao se lembrar de um título importante de seu time, pense um pouco e logo encontrará algum jogador formado por Telê no elenco. Encontrará também a dialética de Telê Santana da Silva. A tese foi ser ponta no Fluminense nos anos 50 e 60 e voltar para marcar. A antítese foi antever o fim dos pontas tradicionais nos anos 80. E a síntese foi o futebol-total: aberto e completo. Sempre pra frente, pra frente, pra frente!

Telê foi campeão gaúcho, mineiro, paulista, carioca, brasileiro. Eu diria mais: Telê foi tetra nos Estados Unidos, Telê é penta, como Cafu levantando a Taça no Japão! E Telê será hexa, hepta, octacampeão! Verá os títulos de seu apartamento em BH, ou de outro lugar. Não importa. A sua dialética estará nas derrotas mais injustas, nas vitórias triunfais e nos títulos inesquecíveis.

 



Escrito por Jubas às 12h13
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Fácil

Me dei ao trabaalho de cruzar os dados da Libertadores, resultado:

O São Paulo, melhor segundo colocado, deve pegar ou o Medellin ou o Independiente;


Se o Chivas ganhar, o Timão, quarto melhor primeiro colocado, pega o Palmeiras. Se o Chivas não ganhar, o Timão, terceiro melhor primeiro colocado, pega o River Plate. Moleza em qualquer situação.

Escrito por Zecão às 10h42
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Agora só prá falar sério,

São Paulo joga fácil, Mineiro joga prá caralho, Flamengo, nada....



Escrito por Pedrão às 03h44
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Não sei onde foi que rimou...

Escrito por Pedrão às 03h37
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UH UH UH !!”!!!!

 

Escrevo assim

Falo assim

Hip hop

Nunca assim

 

 

A rima é pobre

Irmãos nunca

Ricos reggea

Porrada só numa

 

Chego na área

Me fodo talvez

Nunca encontrei

Igual vocês

 

A batida é outra

Tenho que lembrar

Brasil e Argentina

Agora, devo chorar

 

90 se foi

94, ...,02

 

 

Em época de copa

Num basta o ano passado

Renato, mermão,

Ainda ta lembrado

 

Demas amigo

Copas carrega sempre

As senhas meu velho

Ainda guardo comigo

 

Agora chegou

Momento do Pança

Banho igual aquele

Você nunca tomou

 

Frankitcho no ar

Brinca safado

Sem que lhe diga

Reinaldo ainda volta à jogar

 

Daniel....

Zecão, fudeu

Chora o jardim

O penta brinquei com os seus...

 

Fica a piada meus bróders

Aqueles que escrevem comigo

Aqueles que lamentam o que digo

Chega a saudade.....

 

 

 

Chega de hip de hop de rock só devo dizer, ......

Já armei de pintar minha rua essa copa....



Escrito por Pedrão às 03h36
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Mais uma vez bêbado....

Telefone cortado. Não só um como todos....

Pança, teria te dito isso de outra forma.

Só tendo essa, vai essa mesmo...

Já diziam os belgas: Só tem tú, vai tú mermo!!!!!

Parabéns meu velho!!!!

Segue forte irmão. Segue ligeiro como Ligeirito Gonzalez...Aí Aí A!!!!

Aí Caramba!!!!

Salvador continua aquí!

Te espera mermão

Tú és foda. 19 de abril...

Dia do índio.

Mais que isso, dia de irmão.

Regado ao acidjazz.

Cerva na mão

Poema é teu.

Te amo!!!!

PARABÉNS!!!!

 

 



Escrito por Pedrão às 02h47
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- Amaral...

- Fala Ricardo!

- Hoje é aniversário do Pança. Do Fernando.

- Porra, que legal. Você tem o telefone? Os e-mails dele estão voltando.

O fato é que certas coisas temos que falar para o mundo. Nesta data que o mundo saiba, então, que nosso arqueiro "cumple años". É isso aí.

Se o Ricardo errou a data, problema é dele. Pança, meu velho, nossos parabéns. O primeiro chopp de maio pagamos para você aqui em Sampa. Abraço.

Parabéns, goleiro. Parabéns.



Escrito por Amaral às 20h33
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Festa em Sidnei

Bolonistas cangurus

Croácia e Austrália é uma final de Copa do Mundo. Entendam, bolonistas, as equipes fizeram nesta tarde um jogo épico. Ninguém ganhará a Copa, mas a vaga na segunda fase é uma vitória e tanto. A memória de elefante do Juliano me disse que a Croácia já chegou numa semifinal de Copa do Mundo, mas expliquei, de bate pronto, que a Bulgária, o Chile e a Coréia também. O fato é que o certame mundial é avesso a grandes e inenarráveis surpresas. No máximo, um time que joga em casa faz um estrago aqui e outro acolá. Um Suker e um Stoichkov também fazem alguns estragos, mas insuficientes. No mais, o seleto clube de Brasil, Alemanha e Itália é quem manda. A Argentina se borra em Copa, mas manda também, mas está no segundo grupo. A França e a Inglaterra ganharam Copas em casa e isso as credencia como o terceiro grupo de pretendentes. O valente Uruguai está num quarto grupo de pretendentes, já distante dos demais, porque nem vaga conseguem. Mas é mais provável o Uruguai ganhar uma Copa do que o México, a Holanda ou a República Checa. A Holanda é a cisca cisca, como já foram União Soviética, Hungria e Tchecoslováquia. Para deixar de ser cisca cisca a França teve que fazer um certame em casa e, na bacia das almas, eliminar o Paraguai num gol de ouro antológico.

Não quero aqui afirmar que nunca, nunquinha, uma seleção da Costa Rica não vá ganhar o mundial. O que quero afirmar é que as Copas tem lógicas certeiras. As tradições mandam e estas são construídas certame a certame, campeonato a campeonato. O Brasil é cinco vezes campeão do mundo, mas jogou todas as Copas, foi semifinalista em 38, vice campeão em 50, perdendo em casa, para ser campeão em 58. A Argentina ganhou no apito, em casa, depois de ter sido vice campeã em 30, ter tremido Londres em 66. E teve Maradona em 86. A Itália, a única campeã na estréia em Copa, ganhou 34, 38 e só voltou a ganhar em 82, depois de ser vice em 70 e de ser 4ª colocada em 78. É a lógica das Copas. A tradição é importante. Diria até que faz com que certos times comecem o jogo sempre com um meio a zero a favor, o que não garante vitória, mas é alguma coisa. Se é. O México que perdeu para a Alemanha jogando melhor em 86 e em 98. Camarões, que perdeu para a Inglaterra em 90. Enfim, os exemplos estão por aí, espalhados pelas páginas de almanaque.

Todo este intróito só para dizer que o clima em Stuttgart era tenso, mas festivo. Torcedores australianos lotavam boa parte das cadeiras superiores. Os croatas também não eram poucos. Muito barulho. A Austrália empatou com o Japão e perdeu para o Brasil. Os croatas venceram os japoneses e perderam para o brasileiros, reclamando muito, e com boa dose de razão, que houve apito amigo para a seleção de Parreira. Empate, Croácia. Aos australianos, a vitória e só.

Difícil para um time que se escuda no vigor físico e no voluntarismo, como os australianos, jogar com o único objetivo de vencer. Existem certas escolas de futebol vocacionadas para o empate. Infelizmente, para os australianos. Já os croatas tem habilidade. Verdade que junto aos montenegrinos, aos sérvios, aos bósnios formavam um time de muito respeito, a Iugoslávia. Mas, separados, os times ainda tentam encontrar os espaços perdidos. Os croatas estão disputando mais uma copa do mundo, a terceira seguida, o que, convenhamos, dá sinais de nascedouro de uma pequena tradição.

Apito. A Austrália tenta partir para o ataque. Um esquema ofensivo. Mas não consegue. Não é natural. É como esperar do XV de Novembro de Campo Bom uma goleada estonteante. A Croácia toca a bola, com calma. Diria que os croatas são um pouco sonolentos, de tanto que a bola fica zanzando naquele meio campo. As camisas amarelas dos australianos se destacam no campo. Viduka se esforça e é visível ser ele o olho no time de cegos. Nas arquibancadas, depois dos quinze minutos de zero a zero, os australianos resolveram deixar aquele ar de cão bravo e passaram a ser os australianos festivos. Começam uma cantiga de apoio que, repentinamente, toma conta do estádio. Parece que todos estão cantando a tal música. Inclusive os mais chatos dos croatas. Um festival de mãos abanando de um lado para outro. Ola, aquela onda de braços erguidos. Bonita a festa. Se é verdade que certas torcidas são derrotistas, como os ingleses e os palmeirenses, há torcidas que cantam e exalam um otimismo irritante, como os coreanos e os corintianos. Os australianos são de uma outra estirpe, parecem aqueles torcedores que vão ao estádio para torcer pelo time, mas se o time não dá pinta que vai ganhar, faz a festa para ver o jogo. Como os torcedores dos times do interior, São Bento de Sorocaba, típico.

A Austrália não consegue impor um ritmo ofensivo. É uma falsa pressão. Chuveirinhos na área aos borbotões. A zaga croata deverá dormir com intensas dores de cabeça e pescoço duro. Torcicolo. A Croácia, quando com a bola, toque para cá e outro para lá. Nesta toada alguém encontrou Prso (isso é nome de jogador?) pela direita e este avançou, fintou o único marcador e cruzou, na medida, Olic, de cabeça, um belo chuveirinho numa fina ironia. Croácia 1x0.

Pensei que a festa iria acabar nas arquibancadas. Me enganei, redondamente. Os australianos, os alemães e muitos croatas caíram na farra. Viduka empatou o jogo, de cabeça, numa daquelas bolas na área. Festa em dobro nas arquibancadas. O problema é que alguns croatas começaram a ficar um pouco arredios. Nada que Prso não pudesse evitar. Escanteio, aquela confusão na zona do agrião e Prso tocou, de fininho. 2x1.

A Austrália ficava mais organizada depois de tomar o gol. Tinha sido assim no primeiro tento e foi assim depois do segundo gol. O time tinha a vocação, impregnada na alma, do empate. Mereceu empatar. Mas a Croácia ainda faria o terceiro gol, novamente com Prso. A festa então foi mais ruidosa, com os australianos festejando a Copa. Perderam a final da Copa. Nem ligaram. Fiquei com a nítida impressão que vários daqueles torcedores estarão na África do Sul e era isso que, para eles, realmente importava.

Croácia 3 x 1 Austrália – 22.06.06. 

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 13h13
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É sério. Juro.

Ricardo Oliveira. Thiago. Alex Dias. Leandro. Roger. Lima. Aloísio. Rodrigo Fabri.

 

Nunca pensei que fosse dizer isto, mas não tem atacante demais neste time não?



Escrito por Demas às 19h35
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41 do segundo tempo.

Senhores:

 

É o ocaso da 1ª fase: faltam Holanda e Argentina (Grupo C), Croácia e Austrália (Grupo F), França e Coréia do Sul (Grupo G) e Arábia Saudita e Espanha (Grupo H). Os dois primeiros decidem classificação; os últimos são amistosos, sendo o penúltimo semi-importante e o último uma pelada.

 

Intimemo-nos, que a 2ª fase promete. Ó o que temos pela frente até agora:

 

Costa Rica X Inglaterra

Suécia X Alemanha

Brasil X Itália

 

Mais:

 

1° do C (Argentina, provavelmente) X Portugal

México X 2° do C (Holanda ou Costa do Marfim)

Gana X 2° do F (Croácia ou Austrália)

1° do G (Coréia ou França) X Tunísia

Ucrânia X 2° do G (França ou Coréia)

 

Promete.

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 19h00
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QUE SUFOCO - III

        Como pra Suécia tanto faz como tanto fez, ela continua com o mesmo jogo de cerca Lourenço. Lourenço. Bonito nome.

        E nesse rame-rame, 43 minutos, Ibrahimovic, como quem não quer nada, arrisca de longe e a bola entra no ângulo do gol inglês. Atrás de mim, como que incorporando o Ozzy, o Gillan e o Dio, tudo ao mesmo tempo, um sósia do Michel Serdan solta um urro na minha orelha. Não me agüentei.

        - Deco. Caguei.

        - Cagou!?

        - Caguei.

        - E agora?

        - Agora o tempo vai esquentar. Se os suecos marcarem, a casa cai. Vô fica quietinho e no intervalo eu me viro.

        - Como vai esquentar? Mais? Caubas, nós tamos fodidos

        Não dava pra sair do lugar. Resolvi ficar imóvel, pra não vazar. Os quinze minutos do intervalo demoram a vida pra passar. E os caras olhando feio pra nós.

        Segundo tempo, a cada subida do time inglês, o Deco levanta e bate palmas. Eu bato palmas sentado mesmo.

        32 minutos. Falta pro time inglês a dois metros da meia-lua. Beckham ajeita, toma distância e bate de chapa. A bola encobre a barreira e morre no fundo do gol.

        O Serdan me levanta, dá um beijo na minha bochecha e grita: - My love!

Que merda!

        E a partida volta ao nada-com-nada até o fim. Na saída do estádio o Deco avisa que a gente precisa se apressar pra não perder o vôo. – Deco, não dá, meu. Tô melado. Vai com a Stela. Eu vou amanhã. Mas chego em Brasília na sexta pra comemorar o meu aniversário com os bolonistas. E se preserva pra festança do sábado!

 

Colônia – 20.06.2006 – Suécia 1 x 2 Inglaterra

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ricardo às 16h33
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QUE SUFOCO - II

        Entramos. Lotação máxima. Acabamos no corredor entre as duas torcidas, espaço separado por barras de ferro. De cada lado das barras as mais entusiasmadas parcelas das torcidas de cada equipe. Entusiasmadas? Ensandecidas.

        De um lado, os ingleses, com as caras pintadas de vermelho, copos de cerveja na mão – achei que não iam vender cerveja nos estádios -, cantando, gritando, uivando. Do outro, os suecos, com as caras pintadas de azul e amarelo, capacetes com chifres, copos de cerveja na mão, xingando, urrando.

        - Ai caralho! Ai caralho! E agora, Caubas? Vamos ficar aqui mesmo?

        - Aqui não pode. Olha o polícia. Já vem vindo pra cá.

        - Então vamos pro lado dos suecos.

        - Não. A cobertura é minha. Vamos pro lado dos ingleses que eu preciso prestar atenção no jogo.

        - Caubas, cê num tá entendendo, bicho. Nós tamos fodidos! Esses loucos vão fazê nóis. Foda-se o jogo. Depois a gente escreve qualquer merda pro Amaral.

        - Não. Isso aí é só até começar. Depois fica tranqüilo. Vamos pro lado dos ingleses.

        Bola já rolando, depois de muito custo, conseguimos entrar no meio dos hooligans.

        Jogo morno, estudado. Um lateral sobe, o outro fica. Sobem os dois, os volantes recuam. Passinho pro lado, bola de volta pro zagueiro. E o povo gritando e olhando pra nós com cara feia.

        24 minutos, voa o primeiro copo cheio em cima da gente.

        - Ai caralho! Ai caralho! Nós tamos fodidos!

        - Calma, Deco. Daqui a pouco o pessoal cansa.

        29 minutos, lançamento do Beckham pra ponta direita. Owen dribla o lateral e cruza rasteiro. Rooney entra que nem um foguete. Petardo no canto esquerdo do gol. Rede balançando. A parte do estádio em que estávamos vem abaixo.

        Os ingleses se viram pra torcida nórdica e berram, cospem, gritam, peidam. Jogam os copos pra cima. Agarram-se uns aos outros. Um branquelo de dois metros de altura levanta o Demetrius do chão umas três vezes.

        - Deco, agora vai. Com esse resultado, os caras tão na segunda fase.

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ricardo às 16h32
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QUE SUFOCO - I

        Caminhávamos tranqüilamente pelas ruas de Colônia, com a garganta mais seca que bico de papagaio, procurando um butiquim pra tomar umas canecas, a Stela comentando com o Deco o último livro do Paul Auster, quando avistei um cineminha pulguento, espremido entre uma loja de botões – de roupa, Jubas, de roupa - e outra de canetas antigas. Em cartaz, “Winetou”, uma série de westerns produzida pela Alemanha antes que o gênio Sergio Leone assombrasse o mundo com a qualidade dos bang-bang made in Europe.

- E aí, Deco, topa?

        - “Winetou”!? Nem fodendo!

A Stela nem se mexeu.

        Pronto. Talvez a única oportunidade da minha vida de assistir ao “Winetou” e eles dão pra trás. Só de birra, disse que a conta do bar era deles.

        Butiquim encontrado, canecas viradas, salsichões pra dentro, lista dos dez finais mais desconcertantes da história do cinema elaborada e conversa vai, conversa vem, ele olhou no relógio: - Caubas, fodeu!

Corremos pro estádio. Não dava pra perder a cobertura de uma das mais aguardadas partidas da primeira fase da Copa. Jogo decisivo para os campeões de 66. Os nórdicos, por enquanto, estão na Alemanha a passeio.

        Chegamos em cima da pinta e demos com a entrada para a imprensa fechada.

        - Deixa que eu falo com os caras, porquê ninguém vai entender o inglês de vocês.

        Não teve jeito. O alemão foi inflexível. Explicou-me, num péssimo inglês, que ele só estava cumprindo ordens, que foi a chefia que determinou barrar todo mundo fora do horário, que por ele não tinha problema, mas que ele tinha dois ingressos baratinhos pra arquibancada. Bacana o alemão. Mas eram só dois ingressos.

        Imediatamente a Stela disse pra irmos eu e o Deco, que ela ia visitar umas lojinhas ali perto. Encontraria com a gente no aeroporto. Sem problemas. Desconfiei que era um mau presságio.

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ricardo às 16h28
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Gazeta da Tarde

Bolonistas com sorte e televisores ligados em plena labuta,

 

 

O futebol é um pouco esquisito mesmo. Barcelona e Milan jogam e eu me pego pensando na Série B, no jogo do Galo contra o Marília, no Bento de Abreu. É como saber que temos bacalhau no almoço, mas pensamos no sandubão de mortadela. Vou lá na Internet e descubro: Empate. O Franklin já deve ter o resultado do jogo e, cá comigo, um empate fora de casa não chega a ser resultado de jogar fora. Mas o Galo é o Atlético. O Marília, bem, o MAC é só o Marília mesmo. Barcelona e Milan fazem o jogo mais esperado do ano. Não gosto nem de um, nem de outro. E quando não tenho time para torcer sou um chato. Tá certo, o Gaúcho é o que vale o ingresso. Os jogos do Barcelona são vistosos, plásticos. Mas tem o Kaká e o Serginho do outro lado. Os times italianos normalmente praticam um jogo chato de dar dó. O Campeonato Italiano é uma farsa, disputada por quatro times: La Vecchia, Inter e Milan, cativos, Roma, Lazio e algum outro na vaga de rodízio. Quatro... Ando ranzinza. O espanhol também não chega a ser lá um campeonato fascinante também, mas a rivalidade entre Barça e Madrid tem um certo encanto. Mas se o encanto da rivalidade bastasse, o campeonato nacional da Escócia seria o mais mágico do globo. Mas o Barça é fogo e o Gaúcho é o que há. Acabo de ver um drible fantástico, passa o pé por cima da bola e vai lá enganando zagueiro. Bom, pelo Gaúcho, somos Barcelona. Aliás, se um time já teve Romário, já teve Ronaldo, tem o Gaúcho e por lá jogou Don Diego, tá feita a escolha. Barça. Na verdade, Ronaldo Gaúcho.

 

A Santacruzense faz uma campanha irretocável na Série A3 do Paulistão. Alguns me chamarão de louco, mas as pelejas entre Ferroviária, XV de Jaú, XV de Piracicaba, Barretos, Sertãozinho e Osvaldo Cruz me empolgam. Coisa de maluco, esquisito, concordo. O campeonato brasileiro devia ser o mais empolgante e “rentável” do mundo. Não é, por absoluta inépcia de alguns. Nas edições de 1971 para cá tivemos, nada mais nada menos que, Atlético Mineiro, Palmeiras, Vasco, Internacional, São Paulo, Guarani, Flamengo, Grêmio, Fluminense, Coritiba, Bahia, Corinthians, Botafogo, Santos, Atlético do Paraná e Cruzeiro como campeões. Dezesseis times. E, caindo quatro times, a disputa pela rabeira também envolve grandes torcidas. O campeonato nacional começou, entretanto, sem pompa e circunstância, justamente num feriado daqueles que as famílias querem é ficar em casa e não num estádio de futebol. Estranho. Não há álbum de figurinhas, não há um almanaque decente com os jogadores, porque ninguém sabe quem serão os jogadores até o final de campeonato. Nos meus campeonatos de botão, tinha um almanaque, um caderninho azul surrado com as fichas dos jogadores, descobertos em garimpos nos tabelões da Revista Placar e nos periódicos esportivos espalhados por aí. Era raro o Fulano começar o ano no Bangu e acabar na Francana. Sei lá. Ando ranzinza.

 

O fato é que escrevi todas essas linhas para perguntar uma coisa fundamental para os rumos deste diário eletrônico: Porque raios as picadas de inseto só começam a coçar violentamente depois de terminado o feriado, depois que as lembranças da viagem se misturaram com a segunda feira, seja segunda, terça ou quarta feira e seja o feriado só passado? E porque a coceira é irresistível, no limite de abrir as casquinhas e as feridas? Sei lá. Ando ranzinza. Achei o motivo.

 

Alguém aí viu o primeiro gol do Barcelona? O passe do Ronaldo Gaúcho? Não viram? Paciência. Sei o que é isto, andava um pouco ranzinza. E por falar nisso, o próximo feriado é já nesta sexta. Chega logo. Não vai dar nem para cansar.

 

18.04.06 – Milan e Barça. O jogo ainda não acabou. 1x0. E, depois de findo o texto, o Gaúcho quase emplaca outro. Literalmente, de placa.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 16h22
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Porcos

Pressionado, Palmeiras deve deixar o Parque Antarctica

LUÍS ANDRÉ ROSA
do Agora São Paulo

O palco construído para ser o tormento para os adversários virou um "inferno" na vida dos palmeirenses. Sinal disso é que nas últimas três apresentações no Parque Antarctica o time acumulou três fiascos: Rio Branco, no Campeonato Paulista, Cerro Porteño, pela Libertadores e, por fim, domingo, para a Ponte Preta, no pontapé inicial do Brasileiro.

Com a torcida pedindo a cabeça de jogadores e diretores, a cúpula palmeirense decidiu que o melhor é fugir a enfrentar a pressão. O temor dos dirigente é que os protestos descambem para a violência.

Nos últimos jogos, o presidente Affonso Della Monica e o diretor de futebol Salvador Hugo Palaia foram xingados e só conseguiram chegar aos camarotes com reforço de seguranças. Com o Palmeiras se afundando dentro de campo, a "diversão" dos torcedores que ficam nas numeradas foi dar as costas para a partida e hostilizar os dirigentes.

Do outro lado, as torcidas organizadas também estão em pé de guerra, mas, domingo, a Mancha Alviverde, principal organizada, inovou e, ao som de uma marcha fúnebre, fez o enterro do time.

Após a partida, o diretor Palaia deixou claro que a decisão de mandar os jogos no interior paulista já está tomada.

"É uma decisão de consenso e está muito claro que os jogadores não querem mais jogar em casa. Três ou quatro deles me procuraram para dizer isso. Todos parecem incomodados. Vamos levar os jogos para o interior até que essa fase se acalme", avisou o dirigente, que não aceita que digam que o Palmeiras esteja fugindo dos torcedores.

"Não é isso. Estamos dando um prêmio para o nosso torcedor do interior que não tem a chance de ver o Palmeiras jogar. Temos muitos torcedores em Ribeirão Preto, Rio Preto, Marília e Presidente Prudente e vamos para uma dessas cidades. Além do mais, a nossa torcida aqui canta que onde o Palmeiras jogar ela vai", avisa Palaia.

O que a diretoria quer fazer vai totalmente contra o pensamento do técnico Emerson Leão, homem que tem grande peso nas decisões do futebol. "Eu não jogo a toalha e prefiro jogar em casa. Sair daqui seria uma vergonha. É a minha opinião."



Escrito por Zecão às 14h38
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Bolão Brasileirão 2006

Como previsto, o Frank, que não torce para nenhum time grande, começou bem.

Pedro, francamente.

Frank 100
Pedro 70
Amaral 65
Caubas 60
Ogro 60
55
Renato 50
Deco 50
Ju 50
Massonetto 45
Daniel 35



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 14h32
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Puro azar - I

Sempre achei o Zico um baita dum azarão em Copas do Mundo. Ele disputa com o Uwe Seller o título do copeiro mais azarado. O Seller, só para lembrar, jogou as Copas de 58, 62, 66 e 70. A Alemanha perdeu todas, mas ganhou em 54 e 74 – justamente as copas que Seller não jogou. Daria o título para o alemão, se não fossem os azares do Zico. O galinho estreou em Copas com o pé esquerdo e todos os sentidos azarísticos que esse pé pode ter. Foi na Copa de 78 fazendo um não-gol. A história é uma das mais bizarras daquela Copa – junto com a goleada argentina sobre o Peru, claro. Após cobrança de escanteio aos 44 minutos do segundo tempo, Zico se antecipa à zaga e faz o gol que daria a vitória do Brasil contra os suecos. Mas, o juiz anulou o gol dizendo que havia apitado o fim do jogo enquanto a bola alçava vôo entre o “corner” e a pequena área. Puro azar de Zico; mais azar do Brasil que foi desclassificado sem perder um jogo, ganhou o pseudo-título de campeão moral e teve de esperar até 1982. Na Copa de 1982, Zico era o grande nome. Até o jogo contra os italianos, ele tinha quatro gols no mundial contra nenhum de Paolo Rossi. Rossi fez um a zero e Zico perdeu a melhor chance de empatar o jogo para Serginho Chulapa que chegou desastradamente na frente do galinho, tirou-lhe a bola e bateu para fora contra o gol vazio. Depois, a história que todos sabemos. Rossi fez seis gols e a Itália levou o título da Copa que seria a consagração de Zico. A consagração ficou, então, para 86. E Zico chegou machucado ao Mundial por causa de uma estúpida entrada de um beque do Bangu. Baita mandinga. Como se não bastasse ter sido vendido para a Udinese, enquanto outros craques de suas seleções jogavam na Juventus (Platini e Boniek), Napoli (Maradona) e outros times mais competitivos. O Brasil chega ao jogo contra a França e a melhor chance de desempate vem num passe magistral de Zico. Ele lançou Branco que foi derrubado. Pênalti. O galinho bate desafortunadamente mal. O Brasil sai da Copa com a imagem de Zico batendo pênalti, como um Roberto Baggio sairia oito anos depois. E se Zico tivesse batido o pênalti contra a Polônia um jogo antes, estaria melhor preparado para o tiro contra os franceses? Acredito que sim. Penso que o Brasil foi eliminado naquele pênalti polonês. Zico deixou para Careca bater em nome da artilharia. Careca quase perdeu: bola na trave e só depois da rede do outro lado, próxima à trave. Então, no jogo seguinte, Careca já havia feito o seu gol (após passe de Junior) e chegara a vez de Zico, mas algo dizia que ele iria errar. Esse algo era o azar. Fiquei relembrando da história de Zico em Copas quando foi convocado para fazer a cobertura de Brasil x Japão. Na verdade, o editor me pediu para acompanhar o galinho e deixar o jogo com o resto do reportariado. Zico no banco, me lembrei, também dá azar. Essa é outra teoria sobre o galinho. Na Copa de 1998, a sorte de Zagallo contrastou com o azar de Zico. Então, ganhamos na estréia com gols de ombro (Cesar Sampaio) e contra (após chute de Cafu): 2 a 1 na Escócia. Ali, contra a Escócia, tivemos Zagallo. E contra a Noruega perdemos de 2 a 1 (a primeira derrota do Brasil numa primeira fase de Copa desde 1966) de virada com um pênalti bisonho de Juniro Baiano. Lá, contra a Noruega, estava Zico. No outro jogo da primeira fase, acho que tivemos um pouco de Zagallo e de Zico num único lance. A entrada de Chiba em Ronaldo seria para castrá-lo, mas a marca da chuteira do beque marroquino parou nas coxas do Fenômeno. A entrada para castrar o Ronaldo foi um lance típico de Zico; mas a contensão da chuteira do marroquino na perna do Fenômeno foi puramente Zagallo. E tivemos o jogo semifinal contra a Holanda com Zagallo atuando bravamente com o seu 13 e suas superstições vitoriosas. Os pênalties defendidos por Taffarel, com Zagallo escalando-o com todos os seus trezes. E, na final, contra a França, ficamos por conta de Zico: a convulsão do Fenômeno, os gols de escanteio de Zidane e a derrota fatídica. Faltou Romário na final, acredito. Com Romário, os jogadores teriam outro ícone em quem confiar. Mas, Zico afastou Romário, não é mesmo?! E para provar que poderia jogar, Romário fez um amistoso no dia em que o Brasil estreou na Copa. Mas, Zico já o havia barrado. O mesmo Zico que um mês após perder o pênalti contra a França, em 1986, fez, de pênalti, o gol da vitória do Flamengo contra o Fluminense, num clássico que poucos se lembram. Baita azar.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 19h37
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Puro azar - II

Enfim, vejo o time brasileiro no estádio de Dortmund, onde perdemos para a Holanda em 1974 – um dos poucos azares de Zagallo, já que o azar de 1998 contra a França foi do Zico, claro! e sei que lá vem mandinga. Zico está confiante no banco e seu time começa bem o jogo. Trocando passes na intermediária força as saídas de Emerson e Zé Roberto da marcação. Aos 12 minutos, numa saída estabanada de Lúcio, Ogasawara lança Alex Santos que é derrubado na área: pênalti. Santos pede para bater, mas Zico o adverte. Ele pede para o capitão do time, Myiamoto fazer a cobrança. Myiamoto é o homem de confiança de Zico, o seu capitão. O zagueiro japonês troca olhares com Dida por alguns segundos e bate alto no cantinho. Dida voa e pega a cobrança. Cumprimentos da defesa brasileira à Dida. Lúcio fica eufórico e dá pulos na pequena área. Mas, o árbitro indica invasão de Dida. A cobrança será repetida. Um minuto de confusão na área e Dida está pronto para outra. Zico manda Myiamoto entregar a bola para Nakata, o “craque” do time. Nakata (ex-Roma, boa perna esquerda) prepara o seu pé esquerdo contra o goleiro mais frio da Copa. Ele bate no outro canto, dessa vez, uma bola baixa. Dida pega novamente. Nada resta ao juiz a não ser continuar o jogo. O Brasil cresce com as defesas de Dida. Aos 32 minutos, Emerson adianta a bola para Kaká. O são-paulino dá um chapéu em Myiamoto e lança para Robinho na esquerda. O santista pedala pela primeira vez na Copa. Engana Tanaka – o zagueiro com nome de loja de verduras no Setor Sudoeste – e cruza para o Fenômeno. Dois japas perseguem Ronaldo que, dê bico, ajeita a bola para Ronaldinho. Com a camisa 10 que foi de Zico, Ronaldinho faz um golaço: chute alto no ângulo. Brasil 1 a 0. O gol esfria os japoneses que iniciam o jogo de correria. Ficam zanzando de um lado para o outro atrás de passes de Robinho para Adriano, Adriano para Kaká, Kaká para Ronaldinho. Ao final do primeiro tempo, um lance isolado. O goleiro Kawaguchi, titular da seleção nipônica desde a Olimpíada de Atlanta, dá um chutão para a frente. A bola pinga na frente de Zé Roberto que fura. Então, a bola sobra para Roque Junior que tromba com Dida. A bola vai siscando para o gol. Inacreditável! O primeiro gol de goleiro na história das Copas. Japoneses correm eufóricos para comemorar com Kawaguchi. Passam-se 40 segundos para eles entenderem que o árbitro filipino Tilipo Hipino anulara o gol. Ele apontou falta fora do lance de Alex Santos em Cafu. Reclamações nipônicas aceleram o fim do primeiro tempo. Brasil 1 a 0. Na entrada para os vestiários, corro atrás de Zico, tentando um declaração. Ele está irritadíssimo. Cumprimenta Zagallo que lhe sorri, um sorriso de desculpas, mas é a seleção brasileira.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 19h36
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Puro azar - III

No segundo tempo, o galinho promove duas alterações. Sai Suzuki e entra Honda. Sai Kaji e entra Maki. Confesso que não entendi o que Zico pretende. Tirou um atacante com nome de montadora e pôs outro. Tirou um atacante com nome de tempêro para arroz e pôs outro com nome igualmente culinário. Estranho. E, quando começa o segundo tempo, Maki e Honda não vêem a cor da bola. O jogo está concentrado na grande área japonesa. Kawaguchi faz três defesas seguidas em lances geniais de Robinho e Ronaldinho. Num tabelinha brasileira, Myiamoto corta a bola com a mão. Pênalti. O Fenômeno se prepara para bater e dispara. Kawaguchi toca na bola, batida à meia altura, desviando-a para a trave. Então, a bola volta e bate na nuca de Kawaguchi. Da nuca do japonês a bola fica dançando na linha do gol. Um veloz Robinho chega para empurrá-la às redes. 2 a 0. Zico fica desesperado. Começa a gritar com os seus jogadores em português. Vendo o império nipônico ruir, Nakata lança o rápido Honda. Ele domina na frente de Lúcio e chuta alto. Na trave. Dida ficou parado olhando a bola. Da trave a bola cai nos pés de Cafu que dá um chutão. Myiamoto tenta cortar o lance de sua defesa, se antecipa e escorrega. A bola encontra um consciente Ronaldo. Ele domina e corre em direção a Kawaguchi. O goleiro sai desesperado nos pés de Ronaldo e nem vê quando a bola voa por cima dele. Será um golaço de cobertura? Mas, a bola pega na trave. No rebote, Ronaldinho, ao invés de dar um chutão, domina a bola e dá um corte seco num desesperado zagueiro japonês. Então, toca de cobertura e faz o 3 a 0. Humilhado, Zico tira o zagueiro Abe, que tomou o corte de Ronaldinho, e põe Komano, o meia com nome de Ofurô. Komano chegou para organizar o jogo. Ele entra em campo dando orientações para meio time, fazendo gestos com as mãos. Pede lançamentos para Maki e Honda. Pura ilusão. O time japonês está apagadíssimo no fim do jogo. Mais do que a estrela de Zico em Copas, a única estrela que lhe faltou. O Brasil troca passes com categoria, esperando o fim do jogo. Jogo que, para o Brasil, só não foi bom para Ronaldo. Um pênalti perdido, duas bolas na trave. Na cobrança de lateral, Zagallo pede a Cafu: Cruza para o Ronaldo! Cafu manda para Emerson que toca a Kaká que toca para Ronaldinho que cruza na área para Adriano. A cabeçada de Adriano é defendida por Kawaguchi e no rebote Myiamoto – o zagueiro de confiança de Zico, o seu capitão – fura e cai sentado na pequena área. A bola fica livre esperando por um chute de Ronaldo. O Fenômeno manda para as redes e olha para o resto do time com seu sorriso dentuço, fazendo o sinal de número 1. Com quatro a zero no placar, vejo Zico cumprimentar Zagallo. Zagallo não deveria entrar na Copa de 1958. Seria reserva de Pepe e de Canhoteiro. Ou de Zizinho. Mas, Zagallo fez gol na final contra os suecos. Zagallo, o ponta que voltava para marcar, foi campeão do mundo quatro vezes, fez gol em final de Copa. Zico teve gol anulado contra os suecos numa primeira fase de Copa. Seria o seu primeiro gol, como foi o de Zagallo em Copa. Zico deveria ter feito gol em final de Copa, mas nunca chegou numa final de Copa. Viu Kempes, Tardelli, Rossi e Jorge Valdano marcarem gols em finais de Copa que poderiam ter sido suas Copas. Zico deveria ter sido o que foi Zagallo, sem nunca ter sido o jogador Zagallo. Zagallo saiu de Dortmund com quatro a zero a favor. Zico sai eliminado de mais uma Copa. Puro azar! Dortmund, 22 de junho de 2006. Brasil 4 x 0 Japão.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 19h36
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Pois é...tá difícil de postar....

Prá quem gosta de musica, o nome do momento é: Matisyahu!

Um rabino, judeu!!! barbudo, ragga, hip hop, e que bota prá fudê!!!!!!

Pra ter uma idéia, lá vai um trecho(?):

Young man control in your hand
Slam your fist on the table
And make your demand
Take a stand
Fan a fire for the flame of the youth
Got the freedom to choose
You better make the right move
Young man, the power's in your hand
Slam your fist on the table and make your demand
You better make the right move
"youth is the engine of the world"

 

Fica o recado....

Demas, tú vai pirar... se ainda não...



Escrito por Pedrão às 03h07
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Sometimes I feel like I don't have a partner.

Sometime I feel like I don't have a friend.....

Moçada, essa noite conheci Pavão

Lembram dele?

Goleiro, do vitória, do botafogo....

Me senti no filme Boleiros.....

conversamos horas a fio....

precisei escrever

Hoje ele é dono de um quiosque na praia

Se julga um escravo

muitas idéias trocadas

Ogrão, lembrei de ti

as saudades da bola

queria ver você com o cara....

Brincadeira firme e forte

até de caju ele falou...

 

Lançamentos iguais do Gerson

nunca viu

Zico prrá ele é rei!!

Pela primeira vez,

me ví boleiro

Porra Naldinho!!!!!Beijos prá todos!!!!!!



Escrito por Pedrão às 01h05
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Tem gente que é realmente otimista...


Quem vence a partida deste domingo no Morumbi?

São Paulo 750 votos - 33,23%
Empate 171 votos - 7,58%
Flamengo

1336 votos - 59,19%
 

Total:
2257 votos

 

Lancenet.



Escrito por Pedrão às 11h27
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Tenho cacife.

Li nas folhas. Domingo, dia 16 de abril, o Beirute será palco do 1° Brasília Open de Bafo. Parece que será um grande evento. Até interditarão o trânsito.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Demas às 19h53
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"Os Bolonistas" indica.

Para quem tem curiosidade sobre fatos relativos à vida e trajetória de Diego Lugano, indico o site www.diegolugano.zip.net. Explica bastante. Seguem alguns fatos só pra atiçar a curiosidade:

 

·        Quando Diego Lugano chama Jesus de Genésio, ele atende. 

·        Diego Lugano nunca fez xixi na cama quando era criança. Era a cama que se mijava de medo. 

·        Quando Romário nasceu, Deus apontou o dedo para o baixinho e disse: "Esse é o cara". Quando Diego Lugano nasceu, Deus não foi louco de apontar o dedo. 

·        Diego Lugano não gravou a marca de seus pés na calçada da fama do Maracanã, pois exigiu que o cimento estivesse seco. 

·        O primeiro emprego de Diego Lugano foi aos 9 anos, como entregador de jornais em Canelones, sua cidade natal. Não houve sobreviventes. 

·        Uma vez os dinossauros olharam torto para Diego Lugano. Uma Vez. 



Escrito por Demas às 09h36
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E não é que foi massa? Parte 1.

“Dequinho”. O celular me acorda três horas antes do previsto. “Dequinho, bitchô, acorda”. Era Amaral, o editor. É impressionante a mudança que revolve nosso chefe quando abandona a fuzarca e volta ao escritório. A gravata o transforma. O chapa que paga cerveja a tunisianos e ensina o hino tricolor a montenegrinos é o mesmo cara que me chama às 7. Sabia que esse negócio de celular era golpe. Duvido que me acharia nesta estalagem. “Dequinho, porra”.

 

“Ahnnhnnhn?”. “Ninguém quer fazer Ucrânia e Tunísia”. “Nem eu, porra”. “Pois é, é sobre isso mesmo”. Vi tudo: sobrou.

 

“Por que eu, caceta?”. “Cê viu onde serão os jogos das Oitavas?”. Meu humor quase vomitou um “Na Alemanha”, mas me contive. “Munique, Leipzig, Suttgart, Nuremberg, Kaiserslautern, Colonia, Dortmund e Hannover”, mandava o chefe em sua ladainha. E continuou: “Sacou, sacou?”. Não tinha sacado nada. Ninguém saca nada às 7. Mas algo me despertou, qual balde. “Berlim, parceiro, Berlim!!!”

 

Era verdade. O último jogo em Berlim antes das Quartas era justamente o jogo entre os ucranianos e os africanos. Já estava convencido quando o Amaral começou a desfilar uns argumentos estranhos, do tipo “Francileudo janta o Sheva”, ou coisa do tipo. Resumi: “A passagem já está comprada?”. “Não é só isso, Dequinho, faremos o jogo juntos. Te espero na estação em Berlim: tenho novidades”.

 

A viagem foi agradável. Tinha cumprido minha cota de fuzarca em Stuttgart. Lia umas folhas e não deixava de pensar: “Como faremos o jogo juntos? Que porra de novidade é essa?” O chefe sabe da minha dificuldade em escrever a quatro mãos – não arriscaria um texto conjunto. Sei lá, melhor não antecipar.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 21h53
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E não é que foi massa? Parte 2.

Cheguei na estação e lá estava o chefe, acompanhado de dois sujeitos. Pareciam boas-praças. Os três dividiam uma porção de haxen e algumas cervejas. Cheguei e já fui apresentado. “Deco, estes são os caras de que falei (não havia falado porra nenhuma), Lourival e Damastor: os caras da rádio”. “Beleza?” Foram simpáticos os desconhecidos: ofereceram uma cadeira e chamaram em alemão uma cerveja para o recém chegado.

 

“Pois bem, Deco, como sabe (sei o quê?), eles são brasileiros e donos de uma emissora de rádio aqui em Berlim, especializada em programação para brasileiros. Disse pra eles o quanto você é conhecido no Brasil e eles toparam nossa programação: vamos transmitir o jogo Ucrânia e Tunísia para a rádio local. Eu narro e você comenta”.

 

Senti o golpe: havia sido engrupido de verde-e-amarelo. Teria de comentar para uma rádio local. Porra, o Amaral pelo menos narrou jogo para a Rádio XI. Eu não tinha idéia do ofício. Fiz uma careta. “A grana é aquela mesmo que combinamos, eles toparam”, disse o chefe, piscando de leve pro meu lado. Upa, talvez valesse a fraude. Só tenho nota de cinco no bolso desde a fuzarca. Topei, facinho que sou.

 

No caminho pro Estádio, ainda deu tempo de trocar umas três idéias com o Amaral: “Eu mando qualquer bobagem e pergunto pra você; cê inventa, bitchô, improvisa”. Nem respondi: decidi jogar o jogo. “Beleza, manda bala”.

 

Pois, senhores, a tribuna reservada aos jornalistas de rádio na Alemanha é um espetáculo. Garçons servindo quitutes e uma visão espetacular do Olympiastadion. Curti a farsa enormemente. Ao lado de nossos microfones e da mesa de som, uma baita de uma TV de tela plana para conferir o replay. Estava em casa.

 

O Amaral já se empolgou no hino. “Francileudo, que poucos conhecem, é uma figura conhecidíssima no Brasil. Jogou no São Paulo, quando ainda era conhecido por França, não é mesmo, Demetrius?”. “Claro, Amaral, mas a melhor fase do ‘Dos Santos”, como ele aqui é conhecido, foi quando jogou na zaga – a turma ainda se lembra dele como Márcio Santos”. Dá pra imaginar o resto.

 

“O Kaká me disse, ainda ontem, que o Shevchenko só entra em campo depois de um golinho, não foi mesmo, Demetrius?”. “Upa, se não tiver Viborowa, o Sheva nem aquece”. E assim foi a palhaçada, até a cabeçada certeira de Sheva.

 

“Euuuuuu aviseeeeeeeeeei, torcida brasileira em Berlim, deixar o ucraniano sozinho na área contra o Trabelsi, o Hagui, o Mhadhebi e o Ghodhbane era gol da Ucrânia na ceeeeeeerta, não é, Demetrius?” “Quem?” “Pois é isso, torcida, 1 a 0 para a Ucrâââââââânia!!!!”



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 21h53
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E não é que foi massa? Parte 3.

Enrolamos até o fim do intervalo. Amaral contou sobre a passagem vitoriosa do técnico Oleg Blokhin pelo Botafogo, garantiu a compra do Jomaa pela MSI. Na farra, garanti que o Rusol era de Ourinhos, se naturalizou só para jogar a Copa.

 

Um rega-bofe de 1ª no intervalo. Nossos patrões, Lourival e Damastor, brindaram uns polegares pra cima em nossa direção. Houve até alguns telefonemas para a rádio, com perguntas sobre os novatos radialistas.

 

O juiz trina seu apito na etapa complementar e a farsa continua. “Voronin é irmão de Voronei, não é, Demetrius?”. “Gêmeos. Univitelinos”. “Esse Slim Bem Achour não é DJ nas horas vagas, Demetrius?”. “Faz show com aquele outro, o Fat Boy”. “Eles não são irmãos?”. “Bivitelinos”.

 

No meio da patacoada, Sheva arranca da meia-lua. Amaral narra todo o lance, pintando a paisagem com cores inimagináveis. O arremate do ucraniano, depois de quatro dribles em velocidade, é um tiro de pé esquerdo monumental. Amaral grita um “É feriado nacional em Kieeeeeeeeeeeeeeev!!!!”. Eu também gritei: havia de fato sido um golaço. Sheva é realmente um craque.

 

Terminou assim, 2 a 0 para a Ucrânia sobre Tunísia. Eu havia curtido a milonga, mas ainda mandei uma flechinha: “Amaral, cê ainda não me falou sobre grana. Quanto é que os caras pagaram?”.

 

Amaral riu: “Velhinho, tive que pagar uma grana preta para esses dois vigias, o Louras e o Dama, para a gente ocupar esta cabina que estava sobrando, meu chapa. Uma grana preta. Não valeu?”

 

A verdade é que a resposta era sim. Valeu grandão. Cada segundo.

 

Ucrânia 2 X 0 Tunísia. Berlim, Grupo H da Copa.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 21h52
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Quanto valerá o Gaúcho?

Vez em quando alguém faz a pergunta: “Você já foi bom em algum esporte?”.

 

A opção é dupla, sabemos todos. Dizer a verdade. “Sim, joguei basquete no Vizinhança e disputei o Jeb’s. Ficamos em 6°”. Ou mentir descaradamente: “Bicho, quase me profissionalizei. Só não virei craque que Gama fica muito longe”.

 

O importante é dizer que sim, já fui bom – seja isso na vera ou uma canalhice.

 

Pois digo a vocês: ao ser questionado por tal pergunta, nem vacilo: fui bom pacas. Em que? Em bafo.

 

Já salvei com uma figurinha do Dirceu umas duas páginas do meu Ping Pong. Em dias inspirados, provocava adversários: “Quer por dentro ou por fora? Uma mão só ou com casinha?”. Folgava, arrogante.

 

Se acreditam, um parabéns basta. Se duvidam, a hora é esta.

 

Estou com meu Panini oficial em fase inicial. Sou tão foda que nos primeiros 10 envelopes não saiu nenhuma repetida. E olha que torço pra sair repetida só para convocá-la a ocupar meu exército do bafo.

 

Saí de cara com o Henry e um ucraniano (Anatoly Tymoschuk, n° 562) que tem o cabelo igualzinho ao da Renata Sorrah.

 

Sei que o Massoneto já está com uns dez Emersons. Sei que nosso chapa Felipe já acumula croatas.

 

Sei também que este Cacos de Existência está oficialmente hospedando a “Central do Álbum de Figurinhas da Copa”. Trocas, desafios de bafo, vendas e ameaças estão desde já permitidos.

 

Prometo amanhã sair com uma repetida. Aliás, prometo não, que eu sou foda em figurinha.

 



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Demas às 20h55
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Nóis é JECA mais é jóia



Escrito por Frank às 16h33
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Um neologismo e o domingo

 

 

Bolonistas, véspera de Bolão e não se fala de outra coisa.

 

Ainda bem que não torço para o Fortaleza. Ainda bem. Falar de futebol, hoje? Segundona braba? Nem a pau, Juvenal. O time fatura os clássicos, mete 6 no maior rival, repito SEIS, na primeira fase. E nas finais, no jogo das faixas, não marca gol e perde. Perde para o maior rival, o Ceará. Perde com estádio lotado. Perde para um time de segunda divisão, sendo um time de primeira. O técnico do Fortaleza é o Jair Picerni... que sina! É por isso que eu gosto de controle remoto.

Adoro ver filme repetido. Explico. Não resisto quando estou zapeando e aparece lá uma daquelas histórias colegiais, do cara que é da turma dos esquisitos e da moça que é da turma dos descolados. E por causa do "amor", eles se descobrem, vencem as barreiras sociais e culturais e acabam num longo e determinado beijo. O enredo é sempre o mesmo e o que costuma mudar são as atrizes, algumas sinceramente bonitas, outras nem tanto. Mas tampouco importa. E eu sei porque gosto de filme repetido. Por saber do final feliz, fica mais fácil gastar os segundos sem pensar em nada. E pensar em nada, convenhamos, é uma arte peculiar e raríssima. E para o torcedor de futebol, absolutamente necessária.

Um desses filmes na tela e do controle remoto acompanho ao jogo do Santos e do Bragantino. Secando, que é bom esporte. Aquele jogo selou a sorte do campeonato paulista, porque os pontos não perdidos pelo time da Vila Belmiro foram mais do que suficientes para o título que viria em algum domingo do mês de abril. Admito um certo mau humor, o Santos venceu. E de virada, que é muito mais saboroso. A Vila em festa. O filme acabou sendo bom, pude dormir sem aquele gosto de café de bule velho e passado, comum nos revezes futebolísticos.

O São Paulo venceria o clássico contra o Santos, de forma bela. Mas perderia para o time do México, em pleno Morumbi. Na derrota da Libertadores, filme nenhum adiantaria. O gosto foi de café frio, velho, de bule, fraco que parecia tinta bege e coado já com açúcar. "Benzadeus". E não deu nem para dormir. Os pequenos, percebendo o estado de ânimo do pai, resolveram ter uma noite no Jardim do Éden, e deliberaram, por conta própria, não dormir, que isso é coisa de pequeno burguês.

Dizem que o Santos foi campeão ontem, um domingo de abril. Campeão paulista. Não sei, não vi o jogo e tenho raiva de quem viu. O São Paulo foi a Mogi, derrotou o Ituano. Também não vi, porque depois do primeiro gol na Vila Belmiro desisti de tudo. Na tela, um daqueles filmes repetidos, com final feliz. A moça, vejam só, apostava que ganharia o cara. O cara, percebam a originalidade do enredo, aposta com os amigos que faturaria a moça. Batata, no fim deu tudo certo e o beijo veio. Pude dormir tranqüilo. Tá certo, quero ser tetra e isso me importa mais que café bem feito. Mas título é sempre bom, sempre aquece. Tem gosto de café feito na hora, encorpado, com aquele cheiro do pó que dá água na boca. Igualzinho aquele que serviram ontem nas casas do pai do Stela e do Chico, meu amigão. E eles, com razão, não me convidaram. Quando o pó é gostoso, só dá para uma xícara.

10.04.06



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 15h35
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Bolão do Fazão

Bolonistas, vamos fazer o bolão da série B? O que vocês acham?

 

 



Escrito por Frank às 15h07
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Paulistão 2007

Se a série A2 tivesse terminado ontém, teríamos um paulistão 2007 sem Lusa, Bugre, Briosa e Mogi Mirim e com Grêmio Barueri, Rio Claro, Taquaritinga e Sertãozinho. Eu, hein !!

Escrito por Ogro às 12h57
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parabéns

Na falta de outros fatos, uma homenagem ao simpático Baraúnas, campeão do Rio Grande do Norte em partida épica, marcada por uma briga campal pós-jogo, contra o seu arqui-rival Potiguar. Foi a primeira decisão potiguar que não teve na final nenhum time de Natal. Viva Mossoró!!



Categoria: Por Una Cabeza
Escrito por Ogro às 12h54
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Bolão do Zecão 2006

NÃO ESQUEÇAM DE FAZER SUAS APOSTAS.

PEDRO, FRANCAMENTE.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 20h26
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Está indo

Maradona diz que aceitaria treinar Timão


São Bernardo do Campo (SP) - O ex-jogador argentino Diego Maradona admitiu que aceitaria uma proposta feita pelo Corinthians para treinar a equipe. Pouco depois de participar do Showbol, uma partida de futsal, envolvendo atletas brasileiros e argentinos em São Bernardo do Campo, Maradona garantiu que não teria problemas em assumir o posto, caso fosse convidado.

'Aceitaria com muito prazer', disse, em entrevista à TV Bandeirantes. Em tom de brincadeira, ele perguntou ao repórter se era funciona´rio do clube e se o convite era formal. Confessando sua admiração pelo compatriota Carlitos Tevez, Maradona acrescentou que as vitórias corintianas são comemoradas pelos torcedores do Boca Juniors como se fossem deles.

O duelo entre Brasil e Argentina terminou empatado em 6 a 6.



Escrito por Zecão às 20h12
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E só prá registrar nossa viagem à mangue seco:



Escrito por Pedrão às 06h17
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Foi mal pessoal, só consigo assim.....

MEU LADO BOM

 

 

Anda forte

Fala firme

Dança leve

Humor bom

 

Como pedra

Sorri

Eis que fácil

Casa pronta

 

Todo dia

Amigos vêm

Na saudade

O amor

 

Sei ser belo

Companheiro

Ligeiro

Parto

 

Ela fica

Sem maldade

Na minh’alma

Vai-se o medo

 

As brigas

Intrigas

Pra vocês

Morrem comigo

 

Segue ela

Meu coração

Firme e forte

Meu lado bom.

 



Escrito por Pedrão às 05h56
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outros tempos - parte 1

Num mundo em que qualquer Raul, Owen, ou Drogba vale até 100 milhões de dólares, eis o registro de tempos mais amadores do futebol.

Levado pela premente necessidade de atender a compromissos financeiros de vulto, 18 anos depois de se ver transformado no maior mito do futebol, Pelé decidiu aceitar uma proposta do New York Cosmos para defendê-lo durante 3 temporadas de 6 meses cada uma, ganhando cerca de 6 milhões de dólares (CR$ 48 milhões), mais 67 por cento sobre todo o merchandising de seu nome, e outras conveniências fabulosas. Para quem havia encerrado a carreira de maneira tão definitiva, a ponto de recusar um lugar na Seleção Brasileira, a decisão de voltar aos estádios foi uma surpresa para os mais renitentes defensores do Rei.

Pelé 6 milhões de dólares o preço de um mito

Reportagem de GERALDO ROMUALDO

Em face de problemas financeiros advindos da falência da Construtora Netuno – empresa associada à Sanitária Santista, da qual era também proprietário juntamente com seu ex-companheiro Zito – e ainda a súbita crise que se abateu sobre a Fiolax carregando nessa corrente de insolvência até o Centro de Fisioterapia que expõe seu nome no alto do expediente da Direção. Pelé não teve outra alternativa senão optar pela proposta supermilionária que o New York Cosmos lhe fez. A proposta, examinada na sua superfície esportiva, significou um compromisso de três temporadas jogando futebol nos Estados Unidos – o equivalente a seis meses de atuação em cada uma, ao todo 85 partidas, ganhando 6 milhões de dólares (48 milhões de cruzeiros) e mais 67 por cento do merchandising que seu nome significa em áreas comerciais diversas.

O lado mais grave do processo foi a intimação que ele recebeu da Justiça, no dia 27 de maio deste mesmo ano. Nessa oportunidade, em São Paulo, o juiz Angelo Trigueiros, da 1ª Vara Cível, ordenou a expedição de um edital que os jornais publicaram, anunciando que “Edson Arantes do Nascimento e outros três industriais a ele associadas se manifestassem no prazo de três dias, a contar da data da publicação, sobre o protesto de alienação de seus bens”. O caso tinha direta ligação com um empréstimo bancário concedido à empresa Fiolax – Indústria de Borracha S/A, da qual Pelé e outros industriais participam efetivamente como acionistas ou diretores.

Como não podia deixar de acontecer, essa nota causou funda repercussão. Pelé, ausente do país, revoltou-se com a notícia e prometeu ação imediata igualmente na Justiça. Tinha o seu amor próprio arranhado e iria reclamar uma reparação à altura. Aconselhado entretanto por amigos, acreditou ser mais prudente dar tempo ao tempo.

O processo

Mais adiante, consoante instrumentos particulares elaborados de acordo com a resolução n.º 63 do Banco Central do Brasil, de agosto de 67, firmados em 1 de outubro de 1973 e 21 de março de 1973, um Banco paulista procedeu o repasse dos mútuos contratos com os credores estrangeiros Comptoir Panamericain Siderurgique S/A, de Bruxelas, e Manufactures Hanover Bros. Co., de Nassau, no valor de 700.000 dólares à empresa Fiolax, “da qual Pelé e os industriais José Ely Miranda (o ex-jogador Zito), Jurandyr Moraes Lima e Mituo Terramac participam como diretores ou acionistas”.

Como garantia, o Banco recebeu 228 notas promissórias de valores diversos e vencimentos alternados, no período de 1974 e 1984, com os avais de Edson Arantes do Nascimento e dos outros três industriais, no valor total de Cr$ 17. 917.650,00.

De acordo ainda com a informação do Banco, o vencimento e não pagamento de inúmeras das prestações a que se obrigou a empresa, “ensejando o protesto cambial de duas das notas promissórias recebidas em garantia, restou a sua mora, acarretando o antecipado vencimento das obrigações assumidas com a exigibilidade do saldo devedor por inteiro”. A dívida atual, de conformidade com o pronunciamento do pessoal do Banco, está garantida por uma hipoteca de imóvel de propriedade da empresa e por 214 notas promissórias no valor total de Cr$ 16.834.050,00.

O Banco ainda viria a sublinhar que “é quase desnecessário proclamar que o mútuo foi concedido à empresa Fiolax em razão do aval de Pelé, de renome internacional e de notória idoneidade moral e financeira”. Esse reconhecimento aliviou um pouco a revolta de Pelé. Afinal, quem teria dito que ele não saldaria suas dívidas?

Mas segundo o Banco – ele e seus sócios passaram a contestar em Juízo. A alegação era de que “Pelé vem permitindo o total desmoronamento dos empreendimentos que administra”. Nesse passo, mencionou três empresas das quais Pelé participava em nível de diretoria: a Fiolax, que requereu concordata; a Sanitária Santista, que teve sua falência decretada em 1967, e a Plamasa, que está com as suas atividades paralisadas. Por último, o Banco anexou um documento da venda de 341.000 ações nominativas que Pelé possuía. Nada mais se disse, é certo, mas Pelé voltou a manifestar sua justa intenção de, em prazo que pretende ser razoável, provar o contrário.



Escrito por Ogro às 15h01
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outros tempos - parte 2

Um mito em apuros

Constrangido por esse volume surpreendente de publicações envolvendo seus negócios particulares, Pelé não vacilou nem mais um instante em topar o desafio lançado pelo Cosmos. Era um direito que tinha, independente da sólida imagem construída, anos após anos, de homem de uma palavra só – imagem irretocável de um mito invulnerável que se projetou com grandeza, no país e no mundo.

Mas há momento em que o mito, por mais inconfundível que ele seja, se veja tentado a voltar atrás. Pois foi o que fez. Então, a partir desse escândalo, Pelé não mais vacilou em embarcar depressa na canoa do Cosmos – e por que não? Afinal, se se tratava de um namora tão velho, que motivo havia para não alcançar o casamento?

Uma paixão bem antiga

Foi na Jamaica, por volta de 1972, que Pelé manteve seu primeiro contato com os poderosos empresários do lendário Cosmos. Ele já havia se despedido da Seleção Brasileira – conta um inconfidente, seu amigo de Santos – e já cumpria contrato promocional com a Pepsi-Cola, quando o procuraram em nome da Warner Communication, uma agência de imensos recursos nos Estados Unidos, com múltiplos interesses tanto na área do cinema como do rádio e da televisão. O que os emissários da Warner queriam é saber se ele estaria disposto a tirar do marasmo o incipiente futebol norte-americano.

Embora os dólares da Warner soassem forte e que a oferta merecia todo respeito, Pelé pediu tempo para pensar. Os homens da Warner, pacientes e obstinados, não se recusaram a atendê-lo. A rigor, o que dificultou basicamente o prosseguimento das demarches naquele instante foi o fato de o contrato com o Santos ainda manter-se em vigor. Uma vez porém que se libertasse de todo – o pressentimento foi geral – passaria a calcular melhor o alcance do convite vantajoso, mesmo que tivesse de romper uma palavra que gostaria de conservar pelo resto da vida.

Um adeus sem certeza

No dia 2 de outubro do ano passado, Pelé fez suas despedidas do futebol. Foi um dia de muita festa e muita lágrima. O estadinho do Santos estremeceu de gente para vê-lo pela última vez. Sua apresentação foi digna e estudada. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, seguido por um batalhão de meia centena de fotógrafos, ele se ajoelhou no centro do campo, estendeu os braços para a multidão e chorou copiosamente.

A dor da saudade não duraria muito. Persuasivos e determinados, carregados de dinheiro, os empresários da Warner voltaram novamente à carga. Desta vez, em Santos mesmo. Presente, a fim de garantir o êxito dos entendimentos, a turma de maior peso da Warner e do próprio Cosmos: Clive Toye, vice-presidente, e Nesuhi Ertegum, gerente de negócios. A cantada não poderia ser mais infalível. Clive soltou a primeira nota:
- O importante é que você passe três temporadas conosco, levando uma boa compensação.
- Quanto? – indagou Pelé, os olhos rútilos.
- Três milhões de dólares.
Pelé venceu o estremecimento com a seguinte desculpa:
- Bem. Vou ter que conversar primeiro com minha mulher. Se ela achar que vale a pena, voltaremos a nos entender.
Mais tarde, consultados prós e contras, Pelé tornou a receber Toye em seu escritório.
- Então, vamos ou ficamos? – indagou, sinuoso, o empresário.
- Depende. Se o Cosmos me pagar o dobro da oferta proposta, é provável que acertemos as contas.
- Seis milhões de dólares?
- Sim, senhor, seis milhões de dólares.
Clive Toye teve um gesto de enfado, as mãos caindo pelo corpo pesado:
- Não podíamos reavaliar esse detalhe?
Pelé disparou sua flecha bem no alvo:
- O senhor não é o vice-presidente executivo do Cosmo? Pois avaliemos agora!
Mas o gordo Toye, a pretexto de novas consultas, solicitou um breve adiamento.
- De acordo, Pelé?
- Perfeito. De pleno acordo.
Em casa, regressando de uma excursão, Pelé confessaria a Rose e seus assessores mais íntimos que só havia “pedido aquilo tudo para ver se o gringo desistia”.
- Sabe o que é, eu já deixei o futebol e não sinto nenhuma vontade de voltar.
Estava tenso e preocupado com o futuro:
- Tem outra coisa: juro que não me sinto inclinado a jogar futebol como profissional. Foram 18 anos de carreira e emoção. Será que isso não basta?



Escrito por Ogro às 14h59
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outros tempos - parte 3

O sacrifício da família

Aconteceu que os norte-americanos não estavam dispostos a ceder, e realmente não cederam. Nesse ritmo, menos de um mês após o último encontro com Toye, Pelé tornou a ser ansiosamente procurado em casa; agora o que a Warner desejava é que o contrato fosse assinado o mais rápido possível, na base de 5 milhões de dólares.

Pelé mergulhou na mais profunda indecisão:
- O problema – confessaria – é que com isso irei sacrificar minha família, obrigar minha mulher e meus filhos a viverem fora do Brasil, coisa que nunca quis fazer, vocês sabem melhor que eu!

Finalmente, chegou a hora de se definir. Sozinho a argumentar romanticamente que não havia se casado para sacrificar a família, terminou voto vencido. E aí a primeira providência foi avistar-se com o professor Altivo Ferreira, economista e secretário da Fazenda Municipal em São Paulo, para conhecer detalhes sobre o U. S. Tax – a taxa de imposto de renda nos Estados Unidos.

O professor Altivo não lhe negou as informações solicitadas, tendo demonstrado que, carecendo de rigor nas cláusulas do compromisso prometido, pouco lhe iria sobrar do montante dos 6 milhões de dólares.

Mas os persistentes homens do Cosmos não se entregaram. Como no início, mostraram que o negócio poderia ser feito de outra maneira.

- Os impostos não impedirão que façamos esse trato.
Nesuhi Ertegum, perto de Rafael de la Sierra, outro membro da comitiva, foi logo advertindo:
- No problems, Mr. Pelé!
E partiu para o deslumbramento:
- Ora, amigo, quem tem o Frank Sinatra, o Bob Dylan, o Mike Jagger, os Rolling Stones, o Paul Newman e o Kubrith sob contrato, jamais admitirá transformar o Rei do Futebol num boneco de sua trupe.

Como de outras feitas, os grandes olhos de Pelé brilharam intensamente, enquanto do seu lado direito e esquerdo corriam abraços e manifestações de contentamento.

- O seguinte – ele disse –; primeiro eu quero que me dêem 50 por cento de todo o merchandising a que tenho direito sobre a marca Pelé. E isso, vamos deixar bastante claro, durante seis anos. Algum problema?
Resposta taxativa de De la Sierra:
- No problems.
- Ainda mais: quero que a Warner se comprometa a trabalhar junto com a Pepsi-Cola. Essa é uma questão delicada, muito importante para mim, de maneira que não abrirei mão dela em nenhuma circunstância!
- Ok, Ok. No problems, Mr. Pelé.

A voz de Toye era firme e confiante.

Pelé não ficou nisso. Quando se esperava que ele não tinha mais obstáculos a apresentar , de novo levantou a voz e declarou:
- Isto que agora vou lhe dizer é superimportante: jamais me obrigue a fazer propaganda a respeito de álcool ou cigarro.
- Right. No problems.

Nesuhi Ertegum, envolto na fumaceira desprendida do havana de Toye, apertou o gatilho pela penúltima vez:
- Quer dizer que estamos entendidos, não há mais nada, tudo Ok?

Pelé mexeu-se na cadeira, inquieto e sorridente:
- Por favor. Um pouco de tolerância. Negócios são negócios.
- No problems, Mr. Pelé...

E Pelé:
- Vou querer uma garantia antecipada de 5 por cento nas ações do Cosmos, certo? É o seguinte: hoje o time vale 500 mil dólares, mas amanhã, poderá valer dez vezes mais.
- No problems, my friend. Ok.

Os olhos cansados de sono, Clive, Ertegum e De la Sierra preparam-se para ir embora.
- Um momento, por favor.

Era Pelé, de novo;
- Vou precisar de um escritório no Rockfeller Center, um Cadillac para mim e minha família, avião para assuntos urgentes, colégio para as crianças e apartamento central, bem central. De resto, a garantia de um intenso intercâmbio esportivo Brasil-Estados Unidos e uma verba que se destine à Fundação Pelé, para crianças pobres se desenvolverem no ensino e nos esportes, perfeito?
- Well, no problems.

Só não falou em Sinatra. O outro mito que ele, um dia, espera trazer ao Brasil para cantar em homenagem aos seus meninos pobres da futura Fundação Pelé.

Assim como diz Chaplin, o pedestal do mito pode ter ficado abalado. Mas o conceito de homem de negócios, jamais.

 

O Cruzeiro on line é um trabalho de preservação histórica do site Memória Viva



Escrito por Ogro às 14h58
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Boa dica.

Belo site o do Zico, que o Renatão acrescentou aí ao lado. Belo site. E com algumas pérolas. Esta é genial.



Escrito por Demas às 14h39
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A mesma pessoa??

Será??

Ele pode definir a copa com um chute sem-pulo estilo garça (a la Karatê kid 1)



Escrito por Ogro às 13h43
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Cruyff e Ribamar.

Acredito que todos estamos acompanhando as enquetes do Torero sobre os jogadores inesquecíveis.

Pois bem, saiu o resultado dos meias inesquecíveis. É surpreendente.

Dêem uma olhadinha. Ele é nosso vizinho.

O Pelé? Ah, o Pelé ficou em segundo.

O corintiano mais votado? Não, não foi o Sócrates.



Escrito por Demas às 13h13
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É mais forte.

Não deveria revelar isto, eu sei, é fofoca pura, mas aí vai.

 

O PVC realmente responde às dúvidas que os leitores de seu blog têm. Responde por e-mail, no mesmo dia. Impressionante.

 

É o maior serviço de utilidade pública da internet. Aproveitem.

 

Minha última resposta foi:

 

Demetrius,

A Lista dos 22 de 1982 era:

 

1. Valdir Peres

2. Leandro

3. Oscar

4. Luizinho

5. Toninho Cerezo

6. Júnior

7. Paulo Isidoro

8. Sócrates

9. Serginho

10. Zico

11. Éder

12. Paulo Sérgio

13. Edevaldo

14. Juninho

15. Falcão

16. Edinho

17. Pedrinho

18. Batista

19. Renato

20. Roberto Dinamite

21. Dirceu

22. Carlos

 

O blog do PVC (um show de bola) está aqui:

 

http://lancenet.ig.com.br/colunistas/_novos/pvc/index.asp



Escrito por Demas às 11h07
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Peremptórias - I

As grandes injustiças da Copa da Alemanha:

1. A não convocação do Nilmar

2. A não convocação do Júnior (melhor lateral esquerdo do Brasil)

3. A convocação do Gustavo Nery

 



Escrito por Luís às 10h14
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Ao Braga

 

Carlitos é de fato especial.

É difícil torcer contra a garra do cara, muito difícil.

 

 



Escrito por Amaral às 10h07
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Ramo nessa.

Só para lembrar, são estes os grupos já decididos: o A, o D e o E.

 

Grupo A

1° Costa Rica – 9 pontos

2° Alemanha – 6 pontos

 

Grupo D

1° México – 6 pontos

2° Portugal – 6 pontos

 

Grupo E

1° Gana – 9 pontos

2° Itália – 6 pontos

 

 

PS. No Grupo F, faltam Japão e Brasil e Croácia e Austrália. No H, Arábia e Espanha e Ucrânia e Tunísia.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 19h36
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Rumbora.

Alguns comentários sobre a Nossa Copa do Mundo. Na verdade, três comentários sobre os grupos que aguardam uma única contenda: o B, o C e o G.

 

Grupo B

Suécia versus Inglaterra: um jogo com potencial, muito potencial.

Os nórdicos ostentam 6 pontos, conquistados com duas maiúsculas vitórias: 5 a 1 sobre Trinidad e 3 a 0 sobre o Paraguai, no dia em que a mágica de Gamarra acabou. Um dia triste. 8 gols pró e 1 contra. Nada mal.

O English Team oscila. Ganhou fácil do Paraguai e desafinou contra Trinidad. 2 a 0 e 0 a 1. 3 pontos, 2 gols pró e 1 contra.

Fica assim: vitória da Suécia: Suécia e Paraguai. Empate: Suécia e Inglaterra. Vitória da Inglaterra: Suécia e Inglaterra (a não ser que os britânicos enfiem 7 gols – nesse caso, a Inglaterra se classifica em 1°. Improvável).

 

Grupo C

Holanda e Argentina: talvez o mais charmoso combate nesta 1ª fase. Duas seleções que já decidiram título mundial.

Os Laranjas não vêm bem nesta Copa. Têm 3 pontos: sapecaram 3 a 0 na Sérvia, mas foram surpreendidos pelos marfinenses e perderam por 2 a 1, em um jogo que não vi. 4 gols pró e 2 contra.

Os argentinos, para o orgulho da vibrante Jujuy, vêm bem: 3 a 1 sobre os africanos e 6 a 2 sobre os sérvios. 6 pontos, impressionantes 9 gols pró e 3 contra.

A Holanda só se classifica vencendo. Se der Argentina ou empate: Argentina e Costa do Marfim. Tenso. Tenso.

 

Grupo G

França e Córeia do Sul: um amistoso. Ou quase, que a posição na classificação define tudo em uma Copa.

França: 4 pontos (enfiou 4 a 1 na Suíça e empatou com Togo, 1 a 1). 5 pró, 2 contra.

A Coréia brilha: invicta, aplicou 4 a 0 no Togo e 2 a 1 na Suíça. Enfiou 6 gols, tomou 1.

Se a França ganhar: França e Coréia. Empate ou Coréia: Coréia e França.

 

É isso. Pau na máquina.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 19h11
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fotos

Certas fotos dispensam comentários

Foto Fernando Pilatos/Gazeta Press



Escrito por Ogro às 16h59
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Colo Colo - 1987

O jogo contra o Colo Colo foi marcado entre um clássico contra o Palmeiras e outro contra o Corinthians. O São Paulo estava com técnico interino desde a derrota na Vila para o Santos (3x2). Naquele jogo, saiu Pepe e entrou José Carlos Serrão (?). O São Paulo vinha com Neto (ele, o ídolo do Corinthians) na escalação. E o goleiro Gilmar - depois, ídolo no Flamengo. Trouxe ainda algumas pérolas do mundo futebolístico, como Manu (?) e Quinho (?). Mas, jogo de Libertadores é jogo de Libertadores. Entraram em campo: Gilmar, Zé Teodoro, Wagner Basílio, Daryo Pereira e Nelsinho; Bernardo (que, depois, jogou no Tatuapé), Silas, Pita e Neto; Muller e Lê. Manu entrou no lugar do Bernardão e Quinho no lugar de Lê.

Um tal de Gutierrez abriu o marcador para os chilenos logo no começo do jogo. Muller, como sempre, empatou. No segundo tempo, Vera fez 2 a 1 e o goleiro Rojas pegou todas as bolas, como faria numa fatídica Copa América naquele ano em que o Brasil tomou de 4 a 0 do Chile.

Nos clássicos: vitória do Palmeiras por 1 a 0, gol de Lino (?). E empate com o Corinthians em 0 x 0. Detalhe: o Corinthians naquele começo de temporada, não ganhava de ninguém e acabou o primeiro turno na zona do rebaixamento. Depois, ganhou o segundo turno do Paulista e foi para a final. Na final, perdeu o primeiro jogo (2 a 1) e empatou o segundo (0 a 0). O São Paulo, naquele ano, acabou trocando a Libertadores por mais um título paulista.

A decisão do Paulista é neste domingo. Será que a história vai se repetir?



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 14h55
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Jornalista é foda.

Abro a FSP de hoje e encontro: "Metrossexual, Braga põe imagem corintiana à prova".

Pensei: "Upa, rende piada..."

Leio a entrevista com o treinador corintiano e lá está:

"Folha – E o que o senhor gosta de fazer na cidade?

Braga – Eu gosto de shopping, do salão de beleza. Fazer unha, cabelo, limpeza de pele. Vou uma vez por semana.

Folha – O senhor é um técnico metrossexual...

Braga – É [risos]. Não sei."

Não tive dúvidas: "Tá lá n’Os Bolonistas. Piada pronta"

Continuei a leitura e encontrei uma notinha: "Cabeleireiro que cuida de técnico é são-paulino".

Jornalista babaca. Acabou com a minha piada.



Escrito por Demas às 11h50
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Um dia a casa cai.

É o fim de uma invencibilidade de 19 anos. 30 jogos.

 

A última derrota do Tricolor em casa, jogando pela Libertadores, havia acontecido em 87: Colo-Colo.

 

Assim foi o fim:

 

Na última jogada da partida, todos os jogadores no campo do time adversário. Todos? Todos. E não foi escanteio: bola rolando.

 

Rogério de volante, ao lado de Fabão e Diego. Na direita, o lateral Mineiro. Na esquerda, Felisbino.

 

Na meia: Josué.

 

No ataque: Thiago, Danilo, Lima, Alex Dias e Aloísio.

 

Melhor assim.



Escrito por Demas às 23h00
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Lapidar.

É intervalo no jogo São Paulo versus Chivas pela Libertadores.

 

O Galvão, após um reclame sobre a Copa, vira para o Falcão:

 

“Ê, Falcão, é bom demais Copa do Mundo, não?”.

 

“É, Galvão. Foi bom demais jogar na Copa e é muito bom trabalhar numa também”.

 

É isso. É isso. Jogar não é trabalhar. Sei que o gênio do meio de campo não planejou tal frase: ela saiu. A sentença fluiu, qual comentário de menino. E resumiu tudo.

 

Jogar. To play. Jouer. Não é trabalho. É brinquedo.



Escrito por Demas às 22h01
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Jogo compreensível!

Estou em Colônia para um jogo pra lá de compreensivo. A França compreende que derrotará Togo e Togo compreenderá a derrota para a França. Não há como fugir dessa realidade irreparável. A França já perdeu para Senegal numa Copa em que era a campeã. Togo nunca jogou Copa nenhuma. A França tem Henry, Vieira, Zidane, Cisse. Togo tem Agassa, Abalo, Mamam e Salifou. A França tem Paris, Marseille, Lyon; Togo tem o quê? Quem é Salifou? Quem é Olufade? Ninguém sabe o que tem em Togo. Pelo menos aqui nessa parte ocidental do mundo, Togo é uma ilusão e a França, a devastadora realidade. É a Eslovênia da África. Eslovênia, quem?!

Logo no começo do jogo, Henry dá um chapéu em Abalo, outro em Atte e bate pra fora. Aplausos da torcida. Na jogada seguinte Zidane deixa Lizarazu na linha de fundo. Ele cruza e Wiltord cabeceia para o chão. A bola sobe e bate na trave. Depois bate na linha do gol. Braços franceses se levantam em comemoração, enquanto o goleiro Agassa dá um tapa na bola empurrando-a para a lateral. O gol francês é questão de tempo. Nada de perder para africanos, ainda mais jogando na Europa. Aos 18 minutos, Cruzamento na área de Togo, Atte corta de cabeça e, na sobra, Zidane bate de longe. Agassa toca com o dedo anular esquerdo na bola, desviando-a para a trave. Novos aplausos da torcida. A defesa de Togo joga compreendendo que vai perder. Trocam passes entre os zagueiros; depois, entre os volantes, e terminam sempre atrasando para o goleiro que dá um chutão. A derrota é certa, então, o que fazem é adiá-la. Sabe quando você tem que fazer algum trabalho pra lá de chato, então deixa pra última hora?! Me lembrei dessas situações vendo a defesa de Togo trocar passes com o único objetivo de adiar a derrota. E foram adiando até o fim do primeiro tempo. Zidane deu mais três passes mágicos, mas Wiltord, Henry e Cisse pecaram pelo excesso de preciosismo. Foram chutes na barriga do zagueiro, no peito de Agassa e inacreditavelmente para fora. Zero a zero é um placar injusto com todos os que pagam ingresso. Mas, com a França, é mais injusto ainda. Eles merecem ganhar. Então, chega o segundo tempo e aos três minutos Zidane faz fila pela esquerda. Dribla dois togoleses e inverte o jogo para Vieira. Quando pensamos que Vieira iria cruzar para Henry, ele chuta do meio da rua. A bola é a mais fácil do jogo até aqui para o goleiro Agassa. Mas, ele bate roupa. Na sobra Wiltord chega dividindo com Abalo. Os dois param no chão. Então, a bola fica na pequena área esperando um chutão de Henry. O atacante do Arsenal ameaça dar o chutão e pára o pé. Na parada de Henry, Agassa voa e cai ridiculamente no chão. Henry espera o goleiro africano aterrisar e toca de cobertura. O gol é humilhante. Finalmente, França 1x0.

O gol alivia os franceses e o técnico resolve poupar jogadores para a fase seguinte. Saem Zidane, Henry e Vieira. Entram volantes e marcadores. O objetivo é segurar Togo, por mais ridículo que pareça. A torcida aplaude quem sai, mas é um aplauso contido. Sabem que sem Zidane, o jogo ficará mais chato. E ficou. Sem meia de ligação, a França partiu para a estratégia de bolas longas para Wiltord e Cissé e os altos zagueiros togoleses se esforçam para tirar todas. Sem Zidane, Henry e Vieira todos no estádio esperam pelo apito final. Não há nada mais pra ver ali. 48 minutos do segundo tempo e pra que tanto desconto?! Uma última bola alçada para a área e Atte tira de cabeça, Olufade dá outra cabeçada e tira a bola do bico da área togolesa. Mamam divide no meio campo e a bola cai na ponta-direita com Salifou. Sem olhar ele dá um chutão para a área francesa. A defesa rebate a bola fácil. Mas, o rebote deixa Adebayor cara a cara com Thuram. Então, Adebayor dá um chapéu em Thuram e bate seco, baixo no cantinho de Barthez. O goleiro vai desesperado pegar a bola no fundo do gol. Os franceses querem reiniciar o jogo e retomar a fácil vitória. A comemoração de Togo dura dois longos minutos para os franceses. São dois minutos históricos para o time africano. Em seguida, a bola vai para o centro do gramado e Cisse se prepara para reiniciar a partida, quando o juiz dá o apito final. Um a Um. Jogadores negros da França não param de reclamar. Tudo é tão incompreensível para eles. Jogadores negros de Togo fazem uma roda e atiram o camisa 14, Adebayor para o céu. Tudo é tão incompreensível para eles também.

Colônia, 23 de junho, Togo 1x1 França.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 16h49
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Goles de placa

 

Bolonistas Londrinos, Soteropolitanos, Candangos e os Demais

Outro dia, dia assim um pouco dúbio, ora bom, ora ruim, percebi que nunca tinha escrito nada sobre o time do Arsenal, de Londres. Alguns podem não entender, mas outros, como o Ricardo, entenderão minhas razões.

E vejam, depois de muitas rodadas cambaleando na tabela no campeonato inglês, o chato campeonato inglês, o Arsenal sapecou um 5x0 no time do Aston Villa. Numa exibição digna. Mui digna. O primeiro tento de Henry é daqueles para se colocar no panteão das memórias seletivas. Bola alçada na área, o avante matou a menina com o pé, levou para o outro e destilou veneno, encobrindo com sutil toque o arqueiro adversário. Plástico, genial. O terceiro gol, o segundo de Henry, teve um toque de calcanhar exuberante que culminou num arremate formidável do francês. Golaço.

Descobri o Arsenal por livro. Um livro de Nick Hornby, "Febre de Bola", que descreve a paixão do jornalista pelo clube. O livro é coisa rara. Explica coisas inexplicáveis, como a falta de apetite depois de uma derrota, ainda que sabedores da insignificância daquela derrota. Explica um pouco o fenômeno dos "hooligans", parentes próximos de nossas torcidas organizadas, que tantas mazelas trazem para um estádio de futebol. O livro é de cabeceira. O Arsenal está lá, em todas as páginas. Para quem é indiferente aos clubes londrinos fica difícil não ter alguma compaixão pelo time de Highbury.

O fato é que o ano de 2004, na temporada 03-04, foi mágico para o time do Arsenal. Todos os recordes da liga inglesa foram estilhaçados. O time passou a temporada inteira sem perder, marcou goles em profusão e fez de tudo um pouco. Pires, Vieira e Henry, os franceses do time, tiveram jogos impressionantes. A bola ia da defesa para o ataque numa rapidez empolgante e o time era capaz de em três ou quatro toques colocar o atacante na cara do goleiro, com chances mais do que reais para marcar mais um gol. E, para completar, um dos jogadores mais excepcionais que vi jogar, estava ainda em forma, menos brilhante que em outras temporadas, é verdade, mas em forma e capaz de milagres, que só os craques são capazes. Dennis Berkcamp, o pimentinha, o jogador que tem paúra em viajar de avião. Como na Inglaterra o avião deve ser desnecessário para o campeonato local, Berkcamp jogou os jogos e era fácil esperar alguma coisa rara, insólita. Aliás, nos primórdios do nosso diário eletrônico, ainda no tempo da troca diária de mensagens eletrônicas, nosso Deco lembrou do gol holandês contra a Argentina na Copa de 98. Memorável.

Naquele segundo turno de campeonato inglês, aos sábados e aos domingos, quase sempre pela manhã, tínhamos as transmissões dos jogos do Arsenal. Me lembro muito deste fato. Eram os primeiros dias do Marco Antônio, que se acostumou a dormir assistindo aos jogos. Dos passatempos possíveis naqueles dias, este era o melhor. Era batata. Nove ou dez da manhã, televisão ligada. O pequeno resmungando, querendo arrotar, impaciente, irrequieto. Achava uma posição no sofá, o pequeno encontrava posição no colo, quase sempre aninhado na vertical, e lá estávamos nós, curtindo mais um jogo. Lembro que muitas vezes ele só acordava na rodada do campeonato alemão, que vinha logo na seqüência. Mas a bundesliga é muito chata e ele logo acordava, inclusive nos jogos do Bayern de Munique.

Depois daqueles dias o Arsenal caiu em declínio. Acabou perdendo jogos, deixou espaço para a ascensão do Chelsea, também londrino. Não dá para torcer pelo time do Chelsea, nem por decreto. Mas Marco Antônio também cresceu e outros passatempos foram possíveis e acalentadores. A pracinha, o andar descalço no tanque de areia - e como é bom andar descalço nos tanques de areia!!!-, as idas e vindas de metrô para ver o trem e outros programas legais, inclusive o de chutar bola e gritar gol do São Paulo. O Arsenal ficou na memória.

Bom, mas neste ano o Arsenal eliminou o Real Madrid da Copa dos Campeões. Sei lá, me deu vontade de ver algum jogo, de saber se alguma coisa daquele time ainda existia. Existe, meus caros. Existe. A televisão ligada, sabadão e como de costume, em algum jogo de futebol. Descobri os 5x0. Henry continua fazendo coisas que a bola duvida. Leonel acordou bravo, muito bravo, e querendo barulho. Não sossegava no colo de cá, nem no colo de lá.. Então, Leonel arregalou os olhos, fixou-os na tela, balançando no colo e até que dormiu. Achei lugar no sofá. Daquele jeitão, só que na transversal, o pequeno só acordou no fim do jogo. Reclamando uma barbaridade, que a mãe veio correndo para ver o que era. E eu percebi que o Arsenal tinha comprado vaga cativa no campo das memórias seletivas. Vou ver se acho um Arsenal de botão para eles, em alguma loja do centro. E vamos de metrô, para virar passeio.

04.04.06 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 15h04
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Esquentando os tamborins

O samba de Garrincha

Texto de MÁRIO DE MORAES – Fotos de RUBENS AMÉRICO

Mané Garrincha, que sambou como quis frente a João de tôda ordem, e balançou muita rêde internacional com seus chutes de enderêço certo, volta ao cartaz numa nova facêta, bem diferente da que o fêz famoso. Garrincha, agora, fará os outros sambarem, dando receita para balanço. Não é conselho para furar arco adversário, mas forma acertada de cair no mais autêntico samba brasileiro. Porque Mané virou sambista. E, na base do teleco-teco, lançou seu primeiro sucesso, que tem como título Receita de Balanço. E, com intérprete, Elza Soares, a bossa em pessoa.

 

A história é simples, como simples são os seus personagens, apesar da fama que os cerca.

Há dias Elza Soares preparava, na cozinha da sua bonita casa da Ilha do Governador, um bem temperado feijão, quando ouviu o ritmado assovio. O samba não era conhecido. O assobiador, sim. Mané Garrincha surgiu, e com êle o diálogo:

- Onde aprendeu êsse samba, Nenen?
- Não aprendi, Crioula. É meu.
- Seu? E tu é sambista?
- Não sou, mas dou meus assobios.

A música era gostosa. Faltava a letra. Ali mesmo, entre pratos e panelas, Mané Garrincha preparou a primeira parte. Depois do almôço, saiu a segunda. Elza deu uns retoques, e veio o batismo: Receita de Balanço.

- Vou gravar êsse samba, Nenen.
- Deixa pra lá, Crioula.
- Mas, êle é muito bonito.
- Então, é todo seu.

A turma da Odeon ouviu o samba. Gostou e marcou gravação para o dia 24 de junho. Receita de Balanço completará um compacto de 4 sambas. Unindo-se a O Morro, Bossambando e Na Roda do Samba. Garrincha misturando-se com compositores do quilate de Carlos Lyra, Orlandivo e Helton Menezes.

Agora o diálogo é conosco:

- O samba é bom, Garrincha?
- Não sei. A Crioula gostou.
- Você já tinha feito algum outro samba?
- Não me lembro. Talvez, sim. De brincadeira.
- Qual é a letra?
- Não repare a voz. É assim:
Vamos balançar/ Cantando/ Vamos balançar/ Sambando/ Vamos balançar/ E deixando a tristeza da vida pra lá. Agora, a segunda parte: Como é que nasce o amor?/ Balançando/ Como é que se cura uma dor? Cantando/ Então vamos balançar/ E deixando a tristeza da vida pra lá. Gostou?

Gostamos. Principalmente depois que ouvimos a repetição na voz de Elza Soares. É impossível, porém, separar Garrincha do futebol. Ainda mais na semana em que só se fala no seu joelho enfêrmo.

- Como vai o joelho, Garrincha?
- Acabei o tratamento hoje. Agora, segundo o médico que está me tratando, terei que ficar mais quinze dias parado. Depois posso voltar a jogar, em plena forma.
- Quem é êsse médico?
- É um holandês, de nome complicado. É muito bom, e deu jeito no meu joelho.

Garrincha se desabafa. Está triste com os que o criticam, por não ter excursionado com o Botafogo. Explica que teve vontade. O seu médico, porém, avisou ao técnico do clube:

- Se quiser, podem levá-lo. Mas, na volta, não quero mais vê-lo, nem me responsabilizo pelo que lhe possa acontecer. Se não fizer o tratamento direito, pode ter certeza de que Garrincha não ficará bom.

Mané não foi, pensando no próximo campeonato carioca. E na Copa do Mundo de 66:
- Essa eu trago, nem que tenha que morrer em campo.

Falaram que êle só pensa em dinheiro:
- Não é verdade. Gostar de dinheiro, eu gosto. Mas gosto ainda mais do futebol. Se o que dizem fôsse verdade, eu teria ido. Jogava cinco minutos em cada partida, garantia a cota do Botafogo e embolsava 200 mil cruzeiros por jôgo. Além disso, não indo, deixei de ganhar um milhão e pouco. Estou há 13 anos no Botafogo e só não excursionei porque preciso ficar bom. Para o bem do meu próprio clube.

Elza Soares vai trocar de roupa, para novas fotos. E comenta:
- Hoje eu posso escolher um vestido, entre muitos que enchem o meu guarda-roupa. Não era assim no tempo da Conceição.

Conceição era um vestido. O único que Elza Soares possuía quando iniciou no rádio. Presente de Ziza, espôsa de Aerton Perligeiro. Côr coral, era lavado todos os dias, para as apresentações da bossa crioula. Hoje Elza ganha 200 contos por show e faz de dois a três por semana.

 


Escrito por Ogro às 14h56
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A coluna do Sócrates na Carta Capital desta semana.

IMPERDÍVEL.

http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=4307

 



Escrito por Amaral às 14h50
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Riam enqunto é tempo

Digo e repito: agora vai.

Braga: 'serei campeão da Libertadores e não haverá novo técnico'
Raul Flávio Drewnick

São Paulo (SP) - As declarações surpreendentes de Ademar Braga estão virando rotina no Corinthians. O técnico interino, que foi efetivado mesmo depois de dizer que não se indicaria para o cargo, parece estar ganhando confiança a cada dia. Nesta sexta-feira, ele não gostou de ouvir as perguntas sobre a intenção de Kia Joorabchian em contratar um profissional renomado após a Copa do Mundo da Alemanha, que será disputada no meio do ano.

“Eu vou ganhar a Libertadores e não vai haver novo técnico”, garantiu o treinador corintiano, enfático e seguro. Mesmo na época em que era apenas o comandante interino do Timão, as entrevistas incisivas concedidas por Braga chamaram a atenção dos dirigentes e foram um dos fatores que motivaram a MSI a efetivá-lo após a tentativa frustrada da contratação de Paulo Autuori.

Ao ouvir os comentários sobre as declarações do novo técnico, o meia Ricardinho teve de conter o sorriso, que escapou discretamente no canto de sua boca. Famoso por ser sempre cauteloso e politicamente correto em suas aparições públicas, o camisa 11 se surpreendeu com o estilo de Ademar Braga diante dos microfones.

“Estamos junto com o treinador. A conquista da Libertadores é nosso objetivo. Temos um jogo decisivo na quinta-feira no Chile e vamos dar o nosso melhor”, afirmou Ricardinho, que tem gostado do jeito democrático adotado por Ademar Braga com os jogadores.

O volante Mascherano lembrou que o Corinthians só depende de suas próprias forças para se classificar e gostou de saber que o novo técnico está confiante. “Oxalá sejamos mesmo campeões. Deus queira que o Ademar esteja certo. Ganhamos bem do Tigres e merecíamos ter ganho do Palmeiras. Temos muito mais pela frente”, projetou o jogador argentino.



Escrito por Zecão às 12h26
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Porra, Frankiln

Era inevitável. Eu teria de corrigir algo do texto do Frank, mesmo que com muito atraso. O tiozinho esqueceu de publicar o texto dele - maravilhoso, aíás - no lugar certo, daqui alguns anos daria um puta trabalho achar a porra do texto, aqui republicado. O original, com comentários, foi publicado na seção geral no dia 22/02/06. Frank, francamente.

VUDU 1

Prá merda! O veado do Amaral me manda cobrir o jogo de Trinidade Tobago e Inglaterra. Não que eu não pudesse gostar de assistir qualquer jogo que fosse, mas, Trinidade Tobago? O que é isso? Existe time lá, ou ainda, existe futebol lá?

O jogo vai ser no dia 15 de junho em Nuremberg e eu já tive que correr atrás de passagens, passaporte, visto, o escambal a quatro, sei lá se vai estar frio ou quente em Nuremberg, qual o câmbio do Euro, quanto eu vou ter que levar, o retardado do Fábio dizendo que está faltando batata para o almoço do Bela Rúbia amanhã e que a feijoada do sábado corre o risco de ficar sem a maldita da costelinha. Putaqueopariu!

Comprei um dicionário de alemão. Isso depois de levar a Julinha no parque e ter de ouvir tudo o que a Elke tinha na sua mente. Eu descobri há pouco tempo que a mulher não fala sem pensar, não. Ela pensa falando e aí a gente vai ficando pelas tabelas porque elas não têm o filtro entre o cérebro e a boca e o que elas jamais falariam para nós, homens, elas pensam falando, sem se darem conta de que estamos a tudo ouvindo. “O Fá só pensa nele! Nem se importa com a filha! Tem um tal de jogo sei lá das quantas em Nuremberg e ele faz gato e sapato para atender o puto do amigo dele e nem pra levar a Julinha no parque. Ele nem se importa, diz que isso é coisa de mulher, blá, blá, blá”.

Rachei pro shopping com a Julinha pendurada no pescoço, tendo de enfrentar lugar de fazer doidos que são esses parques eletrônicos e ao mesmo tempo me acabando de estress de ter que ter o tal do dicionário. O gás de criança de cinco anos não acaba nunca e eu tive de arrastar a Julinha aos berros pra Fnac, comprar o infeliz do dicionário. Cheguei em casa, mala pronta prá viagem da madrugada seguinte, deitei prá acordar dali à pouco.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 11h40
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Pora, Frankiln

VUDU 2

O táxi me levou ao aeroporto. O avião partiu às 03:30 para São Paulo e o vôo de São Paulo partiu às 08:30 para Frankfurt. O meu assento era o 37-A, saída de emergência. O encosto não inclinava e quando eu fui me assentar tinha um gordo ocupando todo o seu assento e parte do meu. O pior do gordo é quando o gordo tem a consciência de que é gordo e fica o tempo todo se desculpando pelo incômodo de estar te espremendo, te esbarrando, te acotovelando, assumindo, por total excesso de espaço pessoal, o braço da poltrona que deveria, entre pessoas educadas, ser compartilhado num vôo tão longo. Assim, entre as mil desculpas que eu ouvia a toda hora do gordo ao meu lado, eu abri o dicionário para pegar pelo menos algumas palavras chaves em alemão. Mas só então eu descobri: ele era um dicionário que traduzia alemão para português e não vice-versa. Eu teria que saber alemão para usar a bosta daquele dicionário. Eu gastei as quase dez horas de vôo para achar naquele dicionário filhadaputa pelo menos algumas palavras que pudessem me ajudar:

JA:sim - NEIM:não - TAXI:taxi - BIER:cerveja - HOTEL:hotel - STADION:estádio - GEHEM:ir - KOMMEN:vir - BAR:bar - DANK:obrigado - FUBBALL:futebol.

Desembarquei e entrei na fila. Passaporte e documento de imigração na mão, cheguei no guichê do troglodita alemão que me olhava feito eu fosse um imigrante e disse um punhado de coisa que eu não entendi.

Aí eu disse: GEHEM-NUREMBERG

O cidadão falou mais um punhado de merda.

Aí eu novamente: FUBBALL-STADION-GEHEM-NUREMBERG

O gorila começou a ficar vermelho e eu puto da vida.

O cara se inclinou no balcão do guichê e falou outro punhado de bosta e, pelo movimento do seu corpo, eu julguei que eu tinha que responder algo como SIM ou NÃO.

Nunca na minha minha vida eu me arrependi de ter feito algo ou de deixar de ter feito algo. Pela primeira vez eu estava profundamente arrependido. Eu queria saber falar, com toda a fúria da minha alma, em alemão, as seguintes palavras: VAI PRÁ PUTA QUE O PARIU.

Eu fiquei ali, então, calado e o cidadão vendo que eu não ia falar nada, carimbou meu passaporte e disse algo parecido com GEHEM.

Isso tudo acabou perto de meia noite e meia, horário local, e meu vôo para Nuremberg saía às 05:30 da manhã. Procurei o gichê da Lufthansa. Saí rolando a minha mala até ele, não sem antes tomar umas quatro latas de cerveja pelo caminho.

Finalmente Nuremberg! Já fora do aeroporto, imóvel, meio que cambaleando, olho prum lado, olho prá frente, olho pro outro e aí acontece! Devia ser fruto da minha imaginação. Olho prá frente novamente, fixo o olhar no nada e então, somente então, olho para a esquerda de novo e era verdade. Ele está ali parado, sozinho, com toda a impressão que esperava alguém para lhe buscar. Reinaldo! Isso mesmo, o nosso Rei! O maior camisa 9 de todos os tempos! O mesmo cara que eu encontrei um dia lá em João Monlevade na Taberna 33 assentado com alguns amigos quando me aproximei e disse: "Reinaldo, beleza? Eu sou seu fã!" Mas isso é outra história...

Sobrou-me apenas estar ali com uma palavra na minha mente: TAXI, já no dia do jogo, 15 de junho. Chego no hotel às 07:00, tomo banho com uma ressaca federal de um drinque exótico que mistura cerveja, gordo, dicionário, alemão de guichê e fuso horário.

Saio do hotel às 2 da tarde, ainda bêbado do drinque exótico. Me curo comendo uma bratwurst com cerveja escura, tudo regado de mostarda alemã no famoso Christkindlesmarkt.

Estádio lotado. Do meu lado uma loira nórdica que ia me perturbar o resto da partida, pois não sabia se olhava para ela ou se assistia o jogo. Para que vocês entendam a dimensão do conjunto, os alemães são inimigos históricos dos ingleses. Assim, todos os alemães estavam torcendo para Trinidad Tobago e a empolgação dos que não tinham para quem torcer foi tomada pela maioria esmagadora e decidiram vestir a camisa de Trinidad, inclusive a loira norueguesa do meu lado. Se bem que, exotismo por exotismo, sou muito mais a minha indiazinha de Goiás Velho.

A gritaria era ensurdecedora. Jamais imaginei que europeu pudesse ser tão ávido em ver um time ser derrotado. No caso, os coitados dos ingleses que, por paradoxo, de coitado, o time da Inglaterra não tinha nada.

Nunca vi tal técnica. Nunca presenciei algo parecido. Não sei se foi tática do técnico ou desespero dos jogadores, mas nesse jogo, a fúria dos tobaguenhos era tanta que eles corriam desembestados e em bloco na direção da bola, numa carreira desesperada gritando: URUGUM! URUGUM! O estádio enlouquecido começou também a gritar URUGUM junto com os jogadores. A situação ficou de dar medo. Assim chegavam eles na bola e davam uma bicuda da porra para a lateral. Foram tantos os laterais que eu acho que se tivessem mudado as traves de lugar, Trinidad teria feito pelo menos uns quarenta gols.

Teve um lance interessante. O goleiro inglês Paul Robinson lança pro jamanta do John Terry que chuta prá frente e corre em direção à bola prá continuar a jogada. Na frente dele estava o tobaguenho Silvio Spann. De onde eu estava eu podia ouvir os ovos do jamanta: "bolof-bolof" e, pelos olhos arregalados do Silvio eu não sei se ele correu do Terry ou se ele correu prá bola, mas pela carreira que ele deu, ficou a impressão que ele fugia da morte e chegou antes do Terry na bola, bicou um chute prá lateral e continuou fugindo até o fim do campo.

Assim, nesse desespero, diante de um time inglês totalmente pasmado, o técnico inglês arrancando os cabelos, tentando passar orientações para os jogadores e impedido pela gritaria coletiva e alucinada da torcida, termina o primeiro tempo zero a zero.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 11h39
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Porra, Franklin

VUDU 3

No início do segundo tempo, era palpável a raiva dos jogadores ingleses. Porém, mais uma vez, o inusitado perturbou a ordem natural das coisas. Primeiro, era que os tobaguenhos estavam de peito inchado e encarando os ingleses feito Wanderley Silva num Vale-Tudo.

Segundo, quando Carlos Edwards de Trinidad Tobago sai com a bola e toca para Avery John, o estádio em peso, ao invés de gritar OLÉ, grita: URUGUM! Assim, de passe em passe dos tobaguenhos, URUGUM vira instantaneamente uma agulhada de vudu no orgulho já abalado dos jogadores ingleses que tiveram não cotra si somente onze jogadores tobaguenhos, centro-americanos, desconhecidos, de onde jamais alguém pudesse pensar que sairia futebol, mas quarenta e cinco mil jogadores marcando, driblando, chutando, correndo, defendendo e atacando. E o pior, desses quarenta e cinco mil jogadores, somente onze estavam no nível de igualdade de disputa. O resto vinha de cima como fantasmas medonhos e intimidantes, achatando, sob o peso do que é uma verdadeira torcida, como a GALOUCURA, o futebol de quem, apesar de ser favorito, passa a ser repúdio para quem sabe o que é torcer.

Já nos descontos, num zero a zero fenomenal para Trinidad Tobago, o tobaguenho Russel Latapy lança Atiba Charles que avança pelo corredor direito com Ashley Cole da Inglaterra ao seu encalço, tentando interromper a carrreira do outro, porém sem nenhum resultado. O cruzamento vem num efeito descendente à la "Eder Aleixo", com a bola parecendo pairar sobre o ar em câmera lenta, caindo justamente aos pés de Dwight Yorke que já vinha numa carreira alucinante e chuta de bate-pronto, com o peito do pé, e o petardo fulminante vara o ângulo, bem lá onde a corjua dorme, e os dedos esticados de Paul Robinson não tiveram a mínima chance sequer de ter o gosto de encostar na bola fulminante e impedir o gol humilhante, levando o estádio à explosão louca e desvairada da maior zebra que eu já vi na minha vida: Trinidad 1 X 0 Inglaterra.

Querem saber? Tô fora! É emoção demais. Não cubro mais nenhum jogo, seja ele qual for. Prefiro a cerveja e os pés para cima, beliscando uma boa picanha na minha casa ou com os amigos, tendo todo o conforto de ver replays e ouvir os comentários desses amigos que são técnicos por excelência, assim como todos os brasileiros.

Obs.: Zecão, devido à convocação em cima da hora para este jogo, não tive tempo de rever o texto e corrigir os erros de português. Então, não enche o saco.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 11h38
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