Os Bolonistas


POR UNA CABEZA

Realmente cada país tem o seu Parreira

   Terminada a partida e a Argentina está eliminada. Caiu de pé, diga-se de passagem, para dissipar essa lenda urbana que diz que a Argentina "amarela".

   O melhor time desta Copa. Pato Abbondanzieri estava nervoso, mas deu conta do recado. Sorín foi incansável como sempre. Ayala um monstro. Heinze, sempre o calcanhar de Aquiles, entregou o ouro, ao deixar Klose livre para o gol germânico. Coloccini bateu pouco, o que é raro e foi bom na defesa, apoiou pouco e no final quase faz um gol espírita, na prorrogação. No meio, Mascherano cobriu como um maestro a defesa e organizou a saída de bola. Como joga o corintiano. Lucho González foi o primeiro grande equuívoco do Parreira dos pampas; totalmente ineficiente. Maxi Rodriguez deixou de ser a grata surpresa do time e caiu na tentação de ser Killy González, jogando pouco e catimbando muito. Riquelme é o maestro. Crespo um centroavante brigador e oportunista. Tévez, um monstro; novamente ele estava numa pelada no Fuerte Apache, encarando o mundo e correndo atrás de qualquer bola. Que sorte tem os corintianos!

   No segundo tempo, o dedo do Parreira dos pampas se fez sentir e a Argentina, dona do jogo mudou. O Pato se machucou e o Franco entrou na "roubada". GOL ARGENTINO. Pekerman, então resolve armar uma retranca com contra-ataque e tira o maestro para colocar um volante de categoria, Cambiasso. Péssima decisão a de tirar o homem que podia prender a bola no meio de campo, ao invés dos imprestáveis Lucho González e Máxi Rodriguéz. Em seguida, a cereja no bolo; ao sacar Crespo, ao invés de colocar um jogador rápido e com toque de bola preciso, como Messi (ou Saviola), a entrada de Julio Cruz, pesado, um Jardel piorado. GOL ALEMÃO. PRORROGAÇÃO E PENALIDADES. Vitória alemã contra um time que não tinha treinado penalidades direito, afinal DISPUTA DE PENALTIS NÃO É LOTERIA.

  Quanto ao time alemão, nenhum comentário. É uma bosta, o tal de Ballack é um pretendente a Beckham e os principais jogadores de seu esquema mecânico são poloneses.

  Só espero que o nosso Parreira faça menos cagadas e tenha mais sorte.

  Jujuy está de luto!!!



Escrito por Ogro às 14h41
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Donos da casa

Alemanha vai às semi-finais da Copa do Mundo, a Argentina chora, com um dos melhores times da copa sucumbe à tradição de ser derrotada pelo time da casa. Aqui nos Bolonistas para o meu caro Albaro um abraço, lamento muito, esperava por uma final sul-americana.

Escrito por Renato às 13h48
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A Coluna na Copa - 18

Ao Ogro

 

Bolonistas da Copa....

 

Outro dia escalei os melhores que vi jogar. Adoro essas listas de time dos sonhos, times impossíveis e tudo mais. Fui rabiscando num guardanapo de restaurante esquadrões imortais. Goleiros belgas, Pfaf e Preudhomme. Ou dinamarquês, Schmeichel. Sei lá se a grafia está correta. Não importa. Goleiro uruguaio, Rodolfo Rodrigues e aquela defesa impossível contra o América de Rio Preto. Rogério, mas aí é patriotada clubística. Será? Zetti, e aquela seqüência sobrenatural de defesas contra a Católica. Carlos, o azarado. Zenga, o recordista de tempo sem goles numa Copa. Mas escolho para o gol outro italiano, Zoff. Zoff é o pior pesadelo do Sarriá. Pior que Rossi. E o guardanapo vai sendo preenchido. Letra a letra. Passarela, Ardiles, Kempes, Redondo, Batistuta. Reparo que a lembrança de argentinos é enorme. Não que sejam todos titulares no time dos sonhos, mas as lembranças garantiriam alguma convocação para algum amistoso nas nuvens. Sorin. Opa! Este ainda joga. É raro time dos sonhos com quem ainda joga. Sorin, o capitão deles.

Há alemães no time dos sonhos? Mathaus, talvez. Rummenigue, pode ser. Não vi Beckenbauer, nem Pelé, entretanto. Breitner só lembro das penalidades que Valdir Peres pegou. A garotada curtia o último dia de aula. Amanhã, férias. Este pensamento alivia a qualquer mortal, mas quando se tem dez anos, um pouco mais ou um pouco menos, este pensamento significa, sempre, bola. Amanhã tem jogo de bola na sala, na quadra do prédio, na rua, no parque ou no campo de botão. Não que nos outros dias a bola não estivesse presente. Mas a bola tinha que dividir as atenções com os cadernos e com os cachos daquela menina que sentava na primeira fileira. Nas férias, não há cadernos. E a menina, foi viajar com os pais para visitar algum parente no interior. Porque a menina sempre viajava nas férias? Acho que não viajava não. É que os guris não iam ligar para a menina, então inventavam desculpa. E tinha a bola. As férias.

Como fui passar do time dos sonhos para as férias escolares só os devaneios podem explicar. Mas o fato é que logo mais teremos Argentina e Alemanha. Clássico. Eterno. Desses de gravar na memória. Será que foi por isso que lembrei de férias escolares e lista dos sonhos? Por via das dúvidas vou ver se encontro uma televisão por aqui, no centrão de São Paulo. Quem sabe no meio do jogo não largo a gravata e ponho debaixo do braço a velha bola, aquela mesma, preta e branca, com gomos, surrada, pisada, chutada. Lembrada. Só de imaginar o menino Maradona torcendo pela sua Argentina lembro do maior craque da lista, e dá um nó danado. A Copa, já disse, é lugar da infância. Mas tem dia que é mais.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 10h25
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Estou mais otimista.

Do portal do Estadão

Pelé prevê vitória francesa nas quartas-de-final da Copa
“Estou com um mau pressentimento. A França ganhou as últimas duas vezes contra nós", falou o atléta do século em mais uma de sua conhecidas previsões



Escrito por Ogro às 18h26
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GÊNIO

Maradona em declaração extraída do site folhaonline:

Sobre o jogo que a Argentina disputa nesta sexta-feira contra a Alemanha pelas quartas-de-final da Copa do Mundo, Maradona fez um aviso aos jogadores de seu país: "Não se esqueçam que em 90 nos roubaram a Copa e me fizeram chorar".



Escrito por Ogro às 14h28
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A Coluna na Copa - 17

 

Bolonistas da Copa...

 

O maior receio de todos, confesso, é o Roberto Carlos. Não queria ralhar com o Parreira numa hora dessas. Delicada. Ansiosa. Desejada. Esperada. Mas o lateral é irritante demais. Parece o Máscara, aquela personagem de filme infanto juvenil. Não pelas peripécias da personagem, que viriam a calhar pela esquerda do selecionado. Mas pelo simbólico, da máscara. Não consigo esquecer daquele fatídico lance de 98, na beira da lateral, a tentativa frustrada de uma "bicicleta" e pronto. Escanteio. E Zidane, e gol e o resto todos sabem, uma das maiores piabas da história de final de Copa do Mundo. E Roberto Carlos continua por ali. Seguro, mas incapaz de transmitir segurança para ninguém mais. Pobre Juan. Tenho pena do Lúcio. Pedindo a bola, que quando vem é mandada para setores altos da arquibancada. Tudo bem, alguém me dirá que ele tem currículo e pode fazer um gol de falta, repetir a façanha de Branco em 94. Mas o receio é a farsa, não a repetição.

Numa Copa sem zebras impressiona que o Uruguai esteja fora da Copa. Não pela bola que a Celeste tem jogado. Mas esta Copa tem sido a Copa da Camisa. Jogos como México x Argentina, Brasil x Gana, França x Espanha e Equador x Inglaterra demonstraram que nesta Copa a camisa foi o décimo segundo jogador. A eliminação dos espanhóis foi caso típico, embora absolutamente corriqueiro para a Fúria, de tremedeira. Jogo equilibrado, Espanha bem e França jogando boa partida. Mas numa bola, aparentemente controlada, sobra para um pirulão azul e caixa. E não há mais fôlego para recuperação. Argentina e México, idem. Os mexicanos tinham as pernas mais pesadas do globo ao término do segundo tempo. Era o respeito a camisa argentina. Respeito pesa. Isto é fato. O Uruguai, então, foi a zebra desta Copa. Uma zebra anterior ao próprio torneio. Portanto, não há Copa sem zebras. E não há teoria de boteco que não possa ser deliciosamente comprovada por métodos infalíveis e científicos.

Outro fato, embora fatos em dia sem jogos, de pura abstinência, sejam só lembranças, é que a Copa do Mundo teve seus momentos de Libertadores da América. Pode parecer estranho aos europeus, numa Copa na Europa, que um treinador faça mágica na beira do campo para retardar um jogo. Pode parecer inusitado, aos olhos da fria Liga dos Campeões, que um time jogue com o coração na bota, com um jogador a menos, com valentia, dividindo bolas, cuspindo, dando cabeçadas e falando impropérios. Quem teve o prazer, ou foi vítima, das travessuras de um certo treinador no Parque Antártica, que jogava bolas no campo para forçar a paralisação do prélio, que insultava jogadores adversários para depois abraçá-los, que dá piscadelas para os jogadores de sua defesa, sabe o que significa a expressão time copeiro. Eu, sinceramente, torceria para que os ingleses não deixassem a Libertadores para a próxima semana....



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 08h22
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Tenho medo, muito medo!!

Zagallo diz que Zidane está mais lento e o compara a garça

EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online, em Bergisch Gladbach


Escrito por Ogro às 19h42
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A Coluna na Copa - 16

 

Bolonistas da Copa....

 

 

Podemos ter um fiasco de proporções inenarráveis no sábado. E, acontecido o desastre, irão enumerar as inúmeras críticas ao time do Parreira. Será um verdadeiro clima de “eu já sabia”, “eu disse”, “eu bem que avisei”. Ontem irritou a unanimidade da crítica ao time.

 

O time ganha de três, bate todos os recordes e ainda assim é um time que joga mal, ridículo, ínfimo. Desconfio que uma parte da crônica não torce contra, mas no fundo quer arrumar uma desculpa pelo fiasco. Na verdade, antecipando o fiasco e encontrando desculpas. Uma parte da crônica quer ver um time que nunca existiu. Podem dizer que o Quarteto teve lampejos de plasticidade nas eliminatórias e na tal Copa das Confederações. Mas nunca houve esse time dos sonhos. Há aquele gol contra o Paraguai nas Eliminatórias, no Mané Garrincha. Há os gols de Adriano contra os argentinos. Mas não há a tão propalada festa do “futebol arte”.

 

Nosso técnico é o Parreira. Este ponto é essencial. Parreira é um técnico pragmático. Um chato metodológico. Não há como exigir de Parreira coisas diferentes. Agora, com Parreira, as chances do caneco se ampliam. O Brasil venceu todos os quatro jogos, teve sorte em alguns momentos, mas foi dono das partidas. Alugou o meio campo com um festival de passes laterais, alugou a posse de bola. Contra Gana tivemos menos posse de bola, mas tivemos um a zero com menos de dez minutos de jogo. Dois a zero, ainda antes do início do segundo tempo. Futebol prático, de resultados. De time que quer o caneco.

 

Ou uma coisa ou outra. Não haverá espetáculos. Só o Gaúcho, quando e se acordar, pode trazer coisas novas. Se o Dez continuar na sombra não há técnico que faça arte. Parreira monta o time para se classificar. No fundo da alma deve querer que o Gaúcho acorde. Mas não será Parreira a acordar o Dez. Enquanto isso, o Nove é o maior artilheiro de todas as Copas. Li que alguns dizem que o gordo é o maior, mas não encanta. Olho para as estatísticas, olho para o drible no goleirão africano e olho para o sorriso do atacante, correndo com os dedos erguidos. A bola gosta dele e isso deveria ser suficiente. Por mais que queira Telê, acho que encanta, sim. O mestre, com certeza, está a sorrir com os goles de Ronaldo. O Brasil caminha firme na Copa. Ronaldo é o centroavante mais eficaz das estatísticas. Basta, para o título, basta.

 

As Quartas definidas: Alemanha x Argentina; Itália x Ucrânia; Inglaterra x Portugal; Brasil x França.

 

Na Nossa Copa foi assim: Inglaterra x Portugal; Gana x Coréia; Alemanha x México; Brasil x Ucrânia.

 

Acertamos um dos jogos, ainda que em chave diversa. E, lembrem, em Portugal e Inglaterra, o príncipe invadiu o campo e mostrou, solenemente, a bunda. 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 14h41
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Manchete do Diário Olé da Argentina de hoje

Rapaz!! Isso é uma buzanfa!! E o caboclo parece o Casão.

AHORA CON FRANCIA EN CUARTOS
O mais grande do mundo

 Y si lo tienen así de grande, llegan a la final.



Escrito por Ogro às 11h42
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Evento antológico no Bela, Os Bolonistas, valeu rapaziada, que isso se repita. Viva o Demas. Viva o ausente Jubas que estava batendo um bolão, Lucas estava dando seus primeiros berros. Abraço a todos.

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 



Escrito por Frank às 20h25
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BOLONISTAS QUE ROEM AS UNHAS

Que Copa!!

Posso ver o sorriso no rosto do Caubas, avesso a zebras e times pequenos.

Seis campeões entraram e os seis estão nas quartas. A laranja amarela ficou. A fúria só produziu fúria para os espanhóis. Africanos, asiáticos viraram poeira. Os reis de Praga naufragaram e o resto, foi apenas o resto.

O imponderável foi generoso apenas com Portugal, que traz o espírito do sétimo campeão, celeste, misturando a garra platina com a garra do Tejo. Portugueses da Colônia de Sacramento. Ah, restou uma concessão feita ao velho Sheva, que pelo conjunto da obra mereceu a oitava vaga.

Agora só incertezas:

1 - Alemenha e Argentina - o jogo da Copa. O time da casa, evoluindo, contra a seleção que apresentou o melhor futebol até agora.

2 - Brasil e França - o imponderável. Times com craques, até agora apagados. Zizou, Gordo, Gaúcho, Henry. Uma recente freguesia do Brasil (86 e 98). Arrepios, muitos arrepios.

3 - Inglaterra e Portugal - outra dúvida. Jogadores ingleses mais técnicos e apáticos contra um time raçudo comandado pelo "big Phil".

4 - Itália e Ucrânia - apesar das presepas da Itália, não creio em dificuldades para os azuis.

Veremos!!!



Escrito por Ogro às 19h43
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Final dos sonhos

SE O BRASIL GANHAR DA ARGENTINA NA FINAL, EU GANHO O BOLÃO.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 18h10
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Cachorro grande

Renato (Bra X Ita) 625
Deco 1 (Bra x Ale) 605
Jubas (Bra x Fra) 595
Caubas (Bra x Fra) 595
Pedro (Bra x Ita) 585
Massonetto (Bra x Hol) 580
Ogro 2 (Ita x Ing) 580



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 18h07
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Com chances

Amaral cient. (Bra x Ita) 565
Ogro 1 (Ing x Arg) 560
Stela (Bra x Ita) 555
Gugu 2 (Bra x Hol) 550
Fisch 2 (Bra 3 x 1 Fra) 545
Lucas 1 (Tche x Bra) 540
Fernando 2 (Arg x Por) 535
Lindona (Arg x Ing) 535
Daniel 1 (Bra x Arg) 530



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 18h06
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Sem chances

Gugu 1 (Ing x Ale) 530
Renata (Bra x Ale) 530
Fernando 1 (Bra x Arg) 510
Cazuza 2( Bra x Por) 500
Daniel 2 (Bra x Hol) 495
Lucas 2 (Ing. X Bra) 480
Fisch 1 (Bra 2 x 0 Fra) 475
Cazuza 1 (Bra x Fra) 470
Deco 2 (Bra x Arg) 445
Nossa Copa (Bra x Por) 415
Amaral zoado (TchxBra) 395
Deco 3 (Ing x Hol) 360



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 18h03
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A Coluna na Copa - 15

Bolonistas da Copa....

 

Faltam poucos minutos para o jogo do Brasil. A cidade está eufórica. Buzinaços. Camisas amarelas, verdes, azuis. Gritos de Brasil. Hexa. O trânsito, aparentemente, civilizado. O Anhangabaú deve estar repleto.

Ano de Copa e ano de eleição. Preferia o nosso Vale repleto nos dias de política. Confesso, o Vale hoje fica mais bonito nos dias de jogo. Há o que comemorar. Há? Ainda não sabemos. O Quarteto Mágico volta. A contusão de Robinho. O Nove buscando o recorde absoluto. E Gana, a zebra, representa a África. Um continente inteiro. Brasil e Gana já decidiram Mundiais de categorias juvenis, juniores e fraldinhas. Um confronto interessante. Neste mundial sem zebras o Brasil põe as barbas de molho. Mas Parreira é um relógio, certinho, monótono, mas quase sempre preciso. Quase sempre não é sempre. Mas é quase.

Ontem tivemos o primeiro zero a zero eterno desta Copa. Suíça e Ucrânia poderiam jogar até o final da Copa e o placar insistiria em não sair do zero. Lembro de outro zero a zero eterno, Brasil e Itália, 94. É o meu palpite para final. A sorte dos italianos no jogo com a Austrália mostra que eles estão nos cascos. E com sorte. Em 94 ganhamos de um time africano, Camarões. Que caiu no mesmo grupo da Itália de 82. E Gana caiu no grupo dos italianos nesta Copa. Os africanos no caminho dos campeões. Coincidências? Não sei. Mas futebol é mais que um jogo. As bruxas existem.

Desligo o computador. Será que chego a tempo do apito inicial? Perderei os hinos. Mas o rádio do carro me manterá informado. Me perguntam o palpite. O palpite é Brasil, com gol de Ronaldo. Bom jogo. Boa sorte.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 10h50
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Na briga direta

Porra, Renato!

Massonetto 440
Jubas 425
Caubas 425
Renato 425
Ogro 1 (Ing x Arg) 420
Fisch 2 (Bra 3 x 1 Fra) 415



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 22h04
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Com chances

Gugu 2 (Bra x Hol) 400
Pedro 395
Amaral científico 395
Daniel 1 (Bra x Arg) 390
Lucas 1 (Tche x Bra) 390
Ogro 2 (Ita x Ing) 390
Deco 1 (Bra x Ale) 385
Stela 385
Daniel 2 (Bra x Hol) 375



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 22h03
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Sem chances

Cazuza 2( Bra x Por) 370
Fernando 1 (Bra x Arg) 370
Gugu 1 (Ing x Ale) 370
Renata 370
Fernando 2 (Arg x Por) 365
Lindona 365
Fisch 1 (Bra 2 x 0 Fra) 355
Cazuza 1 (Bra x Fra) 330
Amaral zoado 325
Deco 2 (Bra x Arg) 325
Lucas 2 (Ing. X Bra) 310
Nossa Copa 305
Deco 3 (Ing x Hol) 290



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 22h03
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Eliminados

Preencheram a tabela errada!

Paulo

Pier



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 21h54
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A Coluna e os jogos da Copa

 

Bolonistas da Copa...

Durante a ausência, os jogos:

Portugal 2 x 1 México; Angola 1 x 1 Irã; Argentina 0 x 0 Holanda; Costa do Marfim 3 x 2 Sérvia e Montenegro

Na Nossa Copa: Portugal 0 x 5 México; Angola 1 x 1 Irã; Argentina 0 x 11 Holanda; Costa do Marfim 1 x 0 Sérvia e Montenegro

Acertamos mais um. E o texto fala de um eventual Sarriá angolano. No fim Angola comemora, mesmo desclassificada... Nossa Copa escreveu certo, mais uma vez.

 

Itália 2 x 0 República Checa; Gana 2 x 1 Estados Unidos; Brasil 4 x 1 Japão; Austrália 2 x 2 Croácia

Na Nossa Copa: Itália 3 x 2 República Checa; Gana 2 x 0 Estados Unidos; Brasil 4 x 0 Japão; Austrália1 x 3 Croácia

Não acertamos, mas o Brasil fez sua melhor exibição no jogo contra os japoneses. E colocamos 4 goles na rede de Zico. Acertamos todos os goles do Brasil na Nossa Copa. Todos. Se for assim, Gana e Brasil tem tudo para ir para a prorrogação....

 

Espanha 1 x 0 Arábia Saudita; Ucrânia 1 x 0 Tunísia; França 2 x 0 Togo; Suíça 2 x 0 Coréia

Na Nossa Copa: Espanha 0 x 2 Arábia Saudita; Ucrânia 2 x 0 Tunísia; França 1 x 1 Togo; Suíça 1 x 2 Coréia

Oitavas de Final:

As da Copa: Alemanha 2 x 0 Suécia; Argentina 2 x 1 México; Inglaterra 1 x 0 Equador; Portugal 1 x 0 Holanda; Itália 1 x Austrália; Ucrânia 0 x 0 Suíça (3x0, penalidades); Brasil x Gana; França x Espanha

Na Nossa Copa: Costa Rica 0 x 2 Inglaterra; Holanda 1 x 2 Portugal; Suécia 0 x 2 Alemanha; México 3 x 0 Costa do Marfim; Gana 2 x 2 Croácia (5x4, nas penalidades); Coréia 2 x 1 Tunísia; Brasil 4 x 3 Itália; Ucrânia 4 x 3 França

Acertamos dois jogos das oitavas, mas invertidos. E, vejam que beleza, acertamos os ganhadores desses jogos. Agora, agüenta coração.... vejam os jogos de Brasil e de Gana da Nossa Copa....



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 19h00
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A Coluna na Copa - 14

 

Bolonistas da Copa....

 

"Foi bonita a festa pá....". Foi. Desconfio que todos, absolutamente todos, esperam por nossas Copas do Mundo. Quem não vai se lembrar, e se emocionar, com as lembranças das primeiras partidas de nossas Copas? Lembro, como ontem, quando ganhei aquele trem de madeira gigante. Eu e o Edu não largamos mais o tal do trem. O trem foi um jogo muito do divertido. Nele cabiam os outros brinquedos. Cabiam os sonhos. Hoje, cabem as lembranças. Lembro do primeiro São Paulo e Grêmio, no botão. Um clássico. Eterno. O primeiro gol. O primeiro pênalti perdido. O primeiro beijo roubado. A primeira caganeira. A primeira nota vermelha. A última nota azul. O último jogo com os amigos. A primeira bola. E o gol do Oscar, contra a Escócia.

Enfim, Brasília foi sede de um dos jogos emocionantes dessas Copas do Mundo. Por causa desse jogo o texto não saiu. Os computadores de hotel não combinam com o texto. Por causa do jogo tivemos outros jogos, todos com nossas lembranças. O jogo fez a primeira viagem de avião do Marco Antônio. "Pai, nós vamos para Brasília?". O grande já sabe que a capital federal tem formato de avião. O ar seco trouxe mais uma dessas viroses de criança. E sabe, virose é o máximo!!! Nas viroses descobrimos que nossas partidas tem muito, infinitos jogos, para se jogar. Por causa do jogo, uma festa. Bonita.

Entre um texto e outro a Copa foi. Foi de uma fase para outra. Não houve grandes injustiças nessa Copa. A República Checa fez três jogos bons, disputados, técnicos. Está em Praga, porém. Mas Gana mereceu. E convenceu. Seria Gana a zebra da Copa? A zebra não é sempre africana. Mas pode ser. Todos esperamos por mais um jogo de Copa do Mundo.

A imagem da Copa pode ser o gol do suíço contra os coreanos, o primeiro. O gol e a narigada na testa alheia. O sangue, a comemoração. O gol. A Copa e seus significados. Um a um. E o gol de Maxi Rodrigues pode ter sido o gol da Copa. Mas nas Copas há muitos goles. Um gole para brindar nossa Copa. Um brinde para a festa. A Copa se vai. Amanhã tem mais jogo.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 18h55
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Viva!!!!

Dia 23 de junho é aniversário de um dileto bolonista, meu padrinho e cumpadre Ricardo Sartori. Um baita viva pra ele!!!

Eu disse um dileto bolonista?

Corrijo: são dois. Nasceu, com saúde e muito cabelo, Lucas, o filhote do Jubas e da Vivi. Mais um viva, desses de encher o quarteirão!

Jubas, Vivi e Lucas, recebam um beijo apertadíssimo do Deco, que neste momento treme que nem vara verde.

Beijão!!!



Escrito por Demas às 10h03
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A Coluna na Copa - 13

Bolonistas da Copa....

 

Cá estou. Brasília. Eles não sabem, mas a última vez que assisti ao selecionado nacional na companhia de outrem, que não a Daniella, deu piriri. Foi Brasil e Noruega, Copa de 98. Aniversário do Ricardo. Xi... o Ricardo não cumple años amanhã?

 

Mas pouco, ou nada importa. Eles não sabiam do meu azar. Mas mesmo assim foi abraço, foi carinho e foi torcida. Conheci o Pedrão, materialmente. Abraço. Figuraça. Mas já sabia. Pança, igual. Coração enorme, segurou o Marco Antônio no colo enquanto tentávamos arrumar carrinho, malas, mochilas e casacos. Faz frio em Brasília. Frio? Piada. Somos paulistas. Frio é frio. Brasília é Brasília. Seca. Como sempre. Calorosa, com os amigos, como ultimamente.

 

É tempo de festa e acho que isso contagia a todos. O Franklin é o anfitrião. E a Elke é a chefe. Bela chefe. Bela mesa. Julinha cuidou dos pequenos. Depois, eu, o grande e a Julinha nos esbaldamos no parquinho. Ela apresentou. “Tio, empurra”. Empurrei. Sorri, brinquei. Fez bem.

 

O jogo? Importa mesmo o resultado? Importa. Foi 4 x 1. Dois goles do Nove. Zecão achou que o Cafu tem que ser titular. Concordei. Não achou. Mas não importa. Renato, meu velho, o Zico tem azar em Copa. Deco, que beleza. Você e a Ana formam um lindo casal. Sério. E obrigado pela camisa.

 

Coluna esquisita? Não é não. Meu véio, é bom esses Bolonistas. O Ogro aposta na Argentina. Eu? Que se lasque. Minha copa já foi.

 

Jogos de 21.06.06.... Poxa, acabou o tempo no computador do Hotel. Beleza, amanhã tem mais.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 21h16
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Suspende a feijoada.

Revelado o segredo: Ronaldo está com 90,5kg

Fenômeno, no entanto, chegou à seleção brasileira com praticamente 95kg

A reportagem completa está aqui: http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/0,,AA1221064-4482,00.html



Escrito por Demas às 16h26
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Faz sentido.

A outra coisa por trás (vide post abaixo) de que falou Clodoaldo é o Robinho ou o Fred?



Escrito por Demas às 15h04
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Quem entende

Maradona diz que seleção brasileira joga com "meia potência"
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da Folha de S.Paulo

O ex-craque argentino Diego Armando Maradona afirmou na noite desta terça-feira que a seleção brasileira está jogando a "meia potência" desde o início da Copa do Mundo-2006.

"Não é tudo que esperamos do Brasil. Está jogando a meia potência. Sabemos que todos os jogadores são grandes figuras. Mas eles acabam não tomando as rédeas do jogo", disse Maradona à rádio espanhola "Cadena Ser".

"Ao jogar contra o Brasil, as pessoas têm sempre que esperar uma genialidade que mude o jogo. Não dá para jogar pior do que está jogando, só pode melhorar e isso é temível", acrescentou.

Já classificado, o Brasil volta a campo nesta quinta-feira, contra o Japão, pela terceira e última rodada do Grupo F. Com um empate, a equipe de Carlos Alberto Parreira garante a liderança da chave.

Escrito por Zecão às 10h35
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A Coluna na Copa - 12

 

Bolonistas da Copa...

 

A única notícia que eu queria dar nesses dias de Copa do Mundo não é sobre futebol. Todos sabem. Faz um mês já. Seu Nilton continua na batalha dele, tirando forças e buscando espaços, vencendo uns jogos marrentos e enfrentando outros. A única notícia que eu queria dar nesses tempos de Copa do Mundo é que o barba saiu do hospital, está em casa e que veremos o jogo juntos. A ansiedade é grande. Mas aprendemos, também, que a melhor notícia é aquela que podemos dar. No tempo dele e no tempo dela, das notícias.

Quase acabada a primeira fase e a fase crítica passou. Da UTI e de todos os dias intermináveis, em que as horas passam depressa demais e, ao mesmo tempo, são as horas mais lentas do mundo. Está agora num quarto para pacientes que exigem cuidados especiais. Semi-intensiva, os médicos definem. Ainda está desacordado. Mas vez por outra abre os olhos e com eles manda um oi para minha mãe. Apertou a mão da Paula. E durante Argentina e Sérvia acompanhou alguns flashes do jogo. Creio que os suficientes para lembrar o gosto do futebol bem jogado.

A ansiedade é muita. E muitos amigos e amigas perguntam e querem saber. A única notícia que queria dar era que tudo acabou. Que vencemos o campeonato. Que estamos com o caneco. Aos ombros queria todos abraçar, ainda que prefira as vezes o silêncio, que só os amigos conseguem entender. E respeitar. Os dias são vagarosos, lentos, pesados. Mas passam rápido demais, já faz um mês.

Quem conhece o barba, o Seu Nilton, o pai, sabe que ele ganha essa. Daquele jeito dele, de fazer as coisas dele. O vô que ensina a molecada a lavar as mãos, do jeito que eles nunca mais vão esquecer. Não sei rezar, e sei que isso não é virtude, nem defeito. E sei que cada torcida, cada gesto e cada pedaço de carinho tem um valor inestimável. Já disse que a torcida acalenta. Esta palavra, acalento, é uma das mais bonitas preces que conheço. Obrigado.

O Mundial da Alemanha será inesquecível. Assim como foi aquele São Paulo e Juventus, lá no fim dos anos setenta. E a Maria Helena, o Du, a Paula, a Marisa, a Jó, a Dani, o Marco Antônio e o Leonel sabem que aquela pescada do Claudius nos espera. Pode avisar o pessoal da restaurante, para deixar a adega estocada, o peixe na grelha e a salada de tomate, cebola e atum preparada.

Daqui a pouco vamos a Brasília. Tem casório do Deco. Marco Antônio conhecerá o avião. Está ansioso. Pai, fique bem. Domingo te vejo. E fica tranqüilo, darei um forte abraço nos Bolonistas.

Beijo, moleque.

Jogos de 20.06.06 – Alemanha 3 x 0 Equador; Polônia 2 x 1 Costa Rica; Inglaterra 2 x 2 Suécia; Paraguai 2 x 0 Trinidad e Tobago

Na Nossa Copa - Alemanha 3 x 2 Equador; Polônia 1 x 5 Costa Rica; Inglaterra 2 x 1 Suécia; Paraguai 6 x 0 Trinidad e Tobago

O texto de Inglaterra e Suécia, imperdível. O Bolão escreve certo, por linhas tortas. Alemanha e Suécia foi confronto das nossas Oitavas. Mas invertido, na nossa Copa a campanha alemã era puro desassossego. A outra contenda era Inglaterra e Costa Rica. A Costa Rica é o maior fiasco da Nossa Copa. O Equador, a maior surpresa. E agora?



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 08h27
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Eu hein.

"Ele está com a fisionomia triste e abatida. Acho que alguma coisa está acontecendo com ele. Não sou especialista mas minha experiência diz que há algo de errado. A dificuldade dele não é só o peso. Parece que há outra coisa por trás".

 

Clodoaldo, tri-campeão do Mundo em 70, sobre Ronaldo.

 

Era só o que faltava.

 

Fonte: http://copa.esporte.uol.com.br/copa/2006/ultnot/geral/2006/06/20/ult3580u1592.jhtm



Escrito por Demas às 18h22
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Só rindo

Zico telefonou e pediu uma ajuda a Parreira:

"O Brasil já está classificado, o Japão não, bem que você podia dar u'a mão...".

"OK, Zico, o que você quer? Que eu escale os reservas?", perguntou Parreira.

E Zico, se assustou: "Não, Parreira. Os reservas, não!!!".


Escrito por Zecão às 12h54
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A Coluna na Copa - 11

 

Bolonistas da Copa...

 

O que angustia não é a decisão pelas poucas vagas que restam. Aliás, esta Copa não tem tido zebras catastróficas. Ainda. A busca pelas vagas até emociona. Suécia ou Trinidad? Trinidad, seco. No coração. A razão diz que Suécia e Inglaterra vão fazer marmelada, ainda mais se a Alemanha tiver ganho a sua peleja. Se os germânicos perdem para os equatorianos, há chances de ingleses e suecos entregarem os seus jogos. Não é uma boa, para ninguém, enfrentar os donos da casa. Ainda mais quando os donos da casa são tri campeões. Mas o que angustia, neste começo de definição da Copa? O futebol perdido do Brasil?

Vou contar um pequeno defeito. Um certo egoísmo me abate. O que me angustia é o fato de não termos mais durante a Copa três jogos no mesmo dia. Sim, três horários do dia devidamente preenchidos por Copa do Mundo. A partir de hoje, a Copa só terá dois horários de jogo, no máximo. Isso me angustia. É como o prenúncio do fim. Do caos. E da dura realidade. Outro dia me falaram da Bolsa de Valores. Dei de ombros, tinha Togo e Coréia. E me convidaram para um colóquio sobre saúde e colesterol. Confesso, preferi Arábia e Tunísia.

E a angústia hoje é redobrada, porque se só temos dois horários, teremos quatro jogos. Dois simultâneos. E se sou ambíguo, não tenho o dom da ambigüidade. Difícil. Como escolher entre Alemanha e Equador e Costa Rica e Polônia? Um homologa as vagas e define classificações. Mas e o conteúdo dramático da despedida do outro? Hoje será um longo dia, angustiante. Enquanto isso, nos preparamos para perder divinamente os jogos do sábado. Já aviso que alguém vai ter que me emprestar o computador. A trupe aporta em Brasília, na noite de quarta. Sem saber o resultado de Holanda e Argentina. Mas com o México classificado. Mas felizes caso Angola seja escolhida a zebra da Copa. Não há Copa sem zebras.

 

Jogos de 19.07.06 – Suíça 2 x 0 Togo; Ucrânia 4 x 0 Arábia Saudita; Espanha 3 x 1 Tunísia

Na Nossa Copa - Suíça 3 x 2 Togo; Ucrânia 3 x 3 Arábia Saudita; Espanha 1 x 3 Tunísia



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 08h13
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Jogos de Copa são jogos inesquecíveis XV - Cap. 1

Havia tanto a fazer que nem parecia domingo com o Brasil na Copa. Tinha o supermercado, o almoço pra cozinhar, os remédios para a grávida e o trabalho. É claro, o trabalho. O jornalismo não respeita nem domingo com o Brasil na Copa e, imediatamente após o apito final, teria de reescrever matérias no plantão da redação. Estava pesando batatas, em meio a carrinhos extremamente nervosos com o grande evento do dia, quando o celular me trouxe uma tarefa a mais naquela lista. “Oi, Juliano! A Viviane me falou pra eu ligar pra você pra gente ver o jogo.” Reconheci a voz de dez anos de idade. Era o Junior, o irmãozinho da Viviane, o meu melhor amigo desde a Copa da Coréia-Japão, com um pedido que eu não tinha como negar. Mesmo sabendo que, para levá-lo ao jogo, teria de atravessar 27 quadras do Lago Sul, passar pelo aeroporto, descer em direção ao Park Way e dobrar ruas pequenas na satélite mais antiga de Brasília, o Núcleo Bandeirante. Depois, faria todo o caminho de volta. Algo como 40 minutos ida, 40 minutos volta. Quase dois tempos de futebol. Quase um jogo inteiro. E tudo agravado pela tensão dos motoristas em dia de Brasil na Copa. “É claro que pode, cara! Pode ir se preparando que eu já estou chegando aí.” Respondi, me lembrando que houve 38 acidentes de carro no jogo da estréia contra os croatas. A viagem seria um risco, motoristas de camisa amarela, ora tensos, ora bêbados. Mas, não havia como negar. No caminho, me lembrei que, enquanto dirigia, numa estrada de terra pelo interior de Minas, tentei ultrapassar um sujeito numa ladeira. As rodas se desequilibraram. O carro bambeou para a esquerda e, logo depois, para a direita ficando quase perpendicular à pista. Sem controle, iríamos bater ou capotar. De um lado da pista, um pequeno precipício de uns três metros. Seria fatal. De outro um pequeno morro, de uns 30 centímetros. Joguei o carro para o morrinho e escutei os gritos da Viviane. Ela chorava enquanto segurava a alça acima da janela como se fosse uma aranha pregada na teia: “Seu maluco!” Ela gritou este e outros xingamentos. E eu mereci todos. Então, olhei para o banco de trás: “Junior, você está bem?!” “Claro! Nem vi o que aconteceu!”, respondeu ele, fingindo tranqüilidade só para me defender.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h45
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Jogos de Copa são jogos inesquecíveis XV - Cap. 2

Amigos são assim. Eles nos defendem por mais burradas que façamos. Podemos pôr a vida de todo o mundo em risco que os amigos, os amigos de verdade, estão sempre ali com a gente. “O Juliano dirige muito bem, viu Viviane”, dizia ele em outras ocasiões no carro depois que escapamos daquela fatídica derrapagem na estrada de terra. Então, nada mais natural do que buscar um amigo, ainda mais se ele tem dez anos e é dia de Brasil na Copa. “Dez anos”, pensei no caminho, enquanto ouvia pelo rádio a Croácia perder um pênalti contra o Japão. “São seis Copas do Mundo atrás”, continuei, me achando um pouco velho para, logo em seguida, ser criança novamente. “Ôoo, Juliano! Você sabia que eu vi equis-men três?” “Sério, cara?! É você gostou do filme?” “Foi o melhor que já vi.” “Ahh... O melhor filme que eu já vi foi ET!” (Eu poderia ter citado Casablanca ou alguma coisa do Win Wenders, mas aí não seria conversa de amigos.) “Ééé Têê. Há! Há! Nem tem ação neste filme...” “Como Assim?” (Agora, tinha que defender minha infância dos anos 80. Já não bastava ele ter dito que Pac-Man era “coisa de perebinhas”) “E a cena com as bicicletas?”, contra-ataquei. “No equis-men...” (Por que será que ninguém mais fala xis-men como nos anos 80?) “... tem cada cena legal. O Wolverine luta com o Magneto. Mas, antes ele vai na Sala do Perigo e a Jean Grey...” “Peraí, cara! A Jean Grey não morreu no xis-men dois?” “Nãaao! Ela foi salva pela Tempestade. A Tempestade também lutou com o Magneto que tentou matar o Ciplope. Aí, né, a Mística e o Magneto quase mataram a Jean Grey...” E fomos assim, por 27 quadras: “Ai, o Wolverine tomou um tiro na cabeça e a bala saiu inteirinha.” Até chegarmos em casa, com mais tarefas a cumprir: “Você me ajuda com esse supermercado?!” “Humm... Sem problemas”, respondeu ele rapidinho. E foi correndo em direção à casa, sem tempo para que eu o avisasse: “Tuuum!” A cabeça do meu amigo se espatifou na porta de vidro.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h45
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Jogos de Copa são jogos inesquecíveis XV - Cap. 3

“Junior, Junior, você tá bem?!” Eu estava desesperado e ele ficou com a mão grudada na testa, bem onde havia o topete pintado de verde (pra combinar com a camisa amarela, claro) repetindo um “Ai, Ai...” Mas, não chorou. O cara é forte pra caramba. A batida foi a maior que já aconteceu desde que chegaram as portas de vidro. Maior do que as minhas, as duas do meu sogro, a do entregador de sofá. Tão grande que a Viviane escutou do banho lá de cima. Não sei porque usam portas de vidro numa cidade clara como Brasília. O vidro some na claridade. Eu bati duas vezes no mesmo lugar (o canto superior direito da testa) e umas vinte quando criança embaixo do bloco lá na Asa Norte. Mas, ele não chorou; só perguntou do jogo: “Será que já vai começar?” Fiquei com a tarefa completa de tirar as sacolas do supermercado e de fazer o almoço; o Junior ganhou gelo, salgadinho e Coca-Cola no copo do Ronald e foi direto pra televisão. Confesso que, enquanto cortava cebolas e tomates, lamentei muito duas coisas. Primeiro, a testada na porta de vidro. Ora, eu já havia comprado a faixa pra pôr naquele vidro, mas quando discutíamos a altura vieram as contrações e não conseguimos fazer mais nada além de olhar para aquela barriga. “Viviane, a sua barriga está tão grande que cabe até uma bola de futebol”, disse o Junior pra ganhar um beijo e, depois, um abraço forte, quando entregou uns sapatinhos de frio, presente para o pequeno Lucas. Aquela testada doía até em mim, enquanto descascava cebolas. A segunda coisa que lamentei foi ter de voltar para o trabalho logo após o jogo. É sempre assim. Todo o plantão, lamento o acréscimo no trabalho duro de toda a semana. O trabalho invade domingos e feriados, é um saco! Mas, aí me lembro que há um claro motivo nisso tudo. Afinal, gosto de escrever. É simples assim. Então, não importa se a matéria estava pronta na sexta-feira e, por causa de umas decisões de última hora do ministro, terei de refazer tudo. “Vamos fazer um bolão do jogo?”, propus, numa clara tentativa de animar as dores de um galo na testa e de uma barriga do tamanho de uma bola de futebol. “Vaaamos! Vaaamos! Pra mim, 2 a 0!”, a gente se empolga com dez anos. “Dois a um”, disse a representante das dores na barriga. “Vocês estão muito desanimados”, respondi enquanto punha a comida na mesa. “Vai ser 3 a 0! E o que vamos apostar?”



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h44
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Jogos de Copa são jogos inesquecíveis XV - Cap. 4

O Hot Zone é a última palavra em diversão infantil. As crianças entram lá e ficam completamente malucas. No Hot Zone, você pode ser Wolverine e lutar ao lado do Homem Aranha. Você pode correr de Ferrari e bater em todo mundo. Você pode ser campeão da Copa do Mundo com o time que quiser. Você pode ser Luke Skywalker. Você pode matar Klingons. Você pode voar no Submarino Amarelo. Você pode. Então, quando perguntei o que apostaríamos a resposta era clara, apesar de a representante da barriga ter dito “Um sorvete”. Eu e o meu amigo, ficamos com o Hot Zone. E fomos torcer pelo nosso prêmio, depois de duas bolas de flocos com refrigerante. A representante da barriga não estava muito interessada na partida, mas ficou lá com a gente pra ter alguma companhia. Acho que foi por este desinteresse que ela viu algo que não estávamos nem aí. No pé de meu melhor amigo, havia uma verdadeira crosta de sujeira, provavelmente formada por dias de pelada na quadra. Tentei disfarçar sugerindo a ele que ficasse com os pés no chão, e não em cima da cama. Mas, sem sucesso. A dona da barriga mandou ele para o chuveiro em pleno primeiro tempo. Impressionante a insensibilidade feminina com o futebol: mandar alguém lavar o pé durante o jogo?! Tenha dó! Ele obedeceu e voltou antes do intervalo. “Ôoo, Juliano! Abaixa o pé!”, disse ele com toda a razão, afinal, é bastante imbecil esse tique que eu tenho de chutar junto com o jogador que está na TV. O Adriano esticou a perna na Alemanha e tentou um passe; eu acabei impedindo meu amigo de ver aquela jogada. “Se a gente tivesse o Careca nesse jogo...” “Quem é o Careca?!”, perguntou ele. No intervalo, peguei o jogo de botão que ganhei do Ogro: o tricolor de 86 com fotinhos dos jogadores coladas nas peças de plástico e contei histórias da Copa daquele ano. “Ôoo, Juliano, por que ele é Careca se ele tinha cabelo?!”



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h44
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Jogos de Copa são jogos inesquecíveis XV - Cap. 5

Vou acreditar que foi por causa das explicações que dei sobre o Careca que o nosso Nove acertou um passe. O nosso Nove estava furando todas, correndo com freio de mão puxado, um traste. Então, veio o passe e o 1 a 0. “Xiii! Ninguém ganhou o sorvete!”, disse o Junior, me lembrando que apostamos também um sundae para o autor do primeiro gol. A barriga apostou no Kaká, o Junior no Ronaldinho Gaúcho (afinal, vestia a camisa dez do Brasil) e eu no Fenômeno, mas só pra dar uma força no ambiente que tinha passado por testadas e contrações. Já o passeio no Hot Zone... “Ganhei! Ganhei o passeio!” Ora, eu nunca vi comemorar gol assim. “Não ganhou, não. Será 3 a 0 e eu vou sozinho no Hot Zone jogar River Raid!”, enfatizei ainda nos descontos. A gente não gosto de perder aposta nem pra melhor amigo. Então, veio mais uma jogada pela direita e a bola sobrou livre para o Kaká. Em casa, duas torcidas confusas se misturaram. Uma voz grave dizia: “Vai, caramba! Essa eu vou ganhar!!” E a outra pequenininha, com as mãos juntas numa reza: “Não, pooor favor! Nãaao!” O chute do Kaká foi pra fora. Ouvi um “Ehh...Baaa!” Perdi mais uma. Parei de acertar nessa Copa. No caminho para o trabalho, no rádio, os comentaristas sempre mau-humorados diziam o contrário mas, para mim e para o meu amigo, a tarde estava ganha.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h43
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Fifa x Fiba

Após duas rodadas, vejam qual Copa do Mundo é a mais emocionante:

Fifa – 75 gols. Média: 2,3 gols/partida
Fiba – 152 gols. Média: 4,75 gols/partida
Fifa – artilheiro: F. Torres – 3 gols
Fiba – artilheiro: Klose e Djordjevic – 5, Rooney e Asamoah - 4
Fifa – maior goleada: Argentina 6x0 Sérvia
Fiba – maior goleada: Alemanha 6x1 Costa Rica
Fifa – jogos com mais gols: 6 (Alemanha 4x2 Costa Rica, Argentina 6x0 Sérvia)
Fiba – jogos com mais gols: 10 (Romênia 6x4 Espanha, Sérvia 5x5 Dinamarca)



Escrito por Jubas às 17h37
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Finda a segunda rodada. As listas? Sim, as listas.

 

Jogo: Gana e República Checa

Pior Jogo: Disparado e com louvor, Croácia e Japão.

Gol mais bonito: Cambiasso, por tudo e pelo tango.

Jogador: A partida de Fábregas de hoje é qualquer nota. Mas, pelo conjunto da obra, ainda voto no Kaka.

Destaque: Espanha e Gana

Goleiro: O Hislop merecia. Mas fico com o goleiro checo,  que esqueço o nome.

Fiasco: França.

Destaque para o bom futebol espanhol, que durará pouco.

 

E a Argentina? Bom, a Argentina não vale. Estamos hablando dos mortais. E o melhor, os dez da linha jogaram mais que o Kaká.

 

Vagas? Na ordem. Alemanha e Equador. Inglaterra e Suécia. Argentina e Holanda. Portugal e México. Gana e Itália. Brasil e Croácia. Suíça e França, apesar de tudo. Espanha e Ucrânia.

 

Mas, e as zebras???? Existe Copa sem zebra?



Escrito por Amaral às 17h27
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A Coluna na Copa - 10

Bolonistas da Copa...

 

Não tem jeito não. O Nove entre três zagueiros, repito, três, encontrou Adriano e um só zagueiro. Caixa. O Nove é lento. Pode ser, mas é o Nove. E leva sempre três com ele. Três, repito. Vejam o teipe e reparem, reparem. O Nove e três. A Austrália jogou com nove jogadores. O Brasil com dez, porque para muitos o Nove ainda não estreou. Vejam lá o teipe. O Nove é pesado. Pode ser, mas deixou o adversário, boa parte do jogo, com nove. Não tem jeito não. Tá certo que a Austrália teve que ir para o empate e deixar a defesa mais exposta. Já perdia de um. Mas reparem, só foi depois que o Nove saiu. Puderam os oceânicos deixar de jogar com nove e ir para o ataque. Quase fizeram. Mas na hora h faltou o passe, faltou o gol. Faltou, enfim, o Nove.

O time joga melhor com Robinho. Fato. Ele dá referências a um ataque que espera por demais a pelota. Adriano joga mais com Robinho. Fato. O madrilenho abre espaços e Adriano pode ir para a área, local que gosta. Mas o fato é que as jogadas de gol do time nacional, com o Nove em campo, passaram pelo centro avante. Fato. Vejam o teipe. O problema não é o Nove, o peso do Nove, a cara do Nove, o humor do Nove. O problema é o Parreira. É ele que escolhe assim. Já deu certo uma vez. Não me parece que ousará mudar, porque pode dar certo. De novo. Pode ou vai? No futebol tudo pode, exceto o Roberto Carlos.

As mesas quadradas do pós jogo pediram Robinho. Querem o madrilheno no time. Pode ser. Mas queria ver o time com Juninho. Émerson, Juninho e Zé. Kaká e Gaúcho. E na frente, para ser referência na área, o Nove. Ou o Adriano. Se bem que estrela por estrela, tem o Fred. Largo. E decisivo. Tive preguiça de procurar, mas a média de goles do Fred deve ser um por jogo. Bobeou, caixa. E só futebol.

Sabe filme que já passou? Todos queriam mudanças em 94. E todos desconfiavam do time depois de Brasil e Turquia, Brasil e China, Brasil e Costa Rica e Brasil e Bélgica. Nas duas o time trouxe o caneco. O risco não é repetir 82, definitivamente. E infelizmente, por outro lado. O risco é repetir o time de 90. Aí, alguém nos acuda. Será pesadelo.

Jogos de 18.07.06 – Croácia 0 x 0 Japão; Brasil 2 x 0 Austrália; França 1 x 1 Coréia

Na Nossa Copa - Croácia 4 x 3 Japão; Brasil 2 x 0 Austrália; França 0 x 5 Coréia

Que o Bolão escreve certo por linhas tortas, ninguém duvidará. Zidane foi expulso no França e Coréia. Só voltou a Copa por causa de um efeito suspensivo. O Brasil se classificara já na segunda rodada. E o Renato colocou 2 x 0, gol de Ronaldo. Enfim, lá e cá. 100% de acerto nos jogos do Brasil. Se for 4x0 no Japão, desisto. A Copa é nossa. E ninguém tasca.

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 08h17
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Mais uma vez em Brasília

Graças á Deus

Não me encontro

Numa ilha

 

Amigos vejo

Estou com os meus

Com saudades da pequena

Ainda assim vale a pena

 

Saio de casa andando

Ogro me espera

Vou caminhando

Hora megera

 

Daqui há pouco

Brasil começou

Brincando com a gente

Coração disparou

 

O gordo tentou

Não resolveu

Com o Robinho

Ninguém se atreveu

 

Fred fechou

Ainda acha que não

Fazer mais um gol

Esse pela Seleção

 

Finda a partida

Felizes não estamos

Desabafo da gente

Não derramamos

 

Voltando à Brasília

Esse jogo não importa

Assim como disse

O resto não entorta

 

Voltando a vocês

Meus irmãos

Tenho muito a dizer

Não que seja aqui

 

De um por um

Acredito que posso

Debitar minha dor

E que antes de ir

Declare meu amor.



Escrito por Pedrão às 03h51
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Os da frente

Bom, bolão é como as nuvens etc:

Fisch 2 (Bra 3 x 1 Fra) 145
Massonetto 130
Deco 1 (Bra x Ale) 115
Daniel 1 (Bra x Arg) 110
Jubas 110
Ogro 1 (Ing x Arg) 105
Gugu 2 (Bra x Hol) 105
Lucas 1 (Tche x Bra) 100
Ogro 2 (Ita x Ing) 100
Amaral científico 100



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 20h59
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Os meieros

Fernando 2 (Arg x Por) 95
Stela 95
Cazuza 2( Bra x Por) 95
Nossa Copa 90
Daniel 2 (Bra x Hol) 90
Caubas 90
Fernando 1 (Bra x Arg) 85
Lindona 85
Renato 85
Gugu 1 (Ing x Ale) 85
Lucas 2 (Ing. X Bra) 85



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 20h57
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Os últimos

Pedro 80
Renata 80
Paulo 80
Pier 75
Fisch 1 (Bra 2 x 0 Fra) 75
Amaral zoado 75
Deco 2 (Bra x Arg) 65
Cazuza 1 (Bra x Fra) 60
Deco 3 (Ing x Hol) 55



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 20h57
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Sad but true.

"Ninguém pode dizer que não dei o melhor de mim jogando pelo Paraguai. Gostaria de ser lembrado pelo que fiz ao longo da minha carreira, não só pelo que aconteceu nesta Copa".

 

"É hora de pendurar as chuteiras e eu faço isso com a tranqüilidade de saber que dei o máximo jogando pelo Paraguai. Críticas realmente não me afetam, pelo contrário, me dão força".

 

Carlos Gamarra, 35 anos.

 

É triste, mas nós já sabíamos.

 

Fonte: Uol



Escrito por Demas às 09h26
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A Coluna na Copa - 09

Bolonistas da Copa...

 

Desconfio que em algum lugar na prateleira todos tenham, em algum lugar, o disco "Clube da Esquina". Milton Nascimento e Lô Borges. Um clássico. Inevitável, tem gosto de picolé de chocolate. Mas tem sabor de bom vinho, cabernet. Dessas coisas que marcam a memória. Mas persistem, continuam a tocar.

A Copa da Alemanha tem sido ótima. Depois de alguns jogos podemos afirmar que as nossas tardes de junho e julho estarão inevitavelmente comprometidas. Desde Felipão até Gana, passando por Van Persie e esperando por Prso. Drama, romance, ação e filme de terror: México e Angola. Comédia dramática: Itália e Estados Unidos. Fado: Irã e Portugal. A Copa é a Copa. E ponto final.

Lá em algum lugar, o baile da vassoura. Número desigual de meninos e meninas. Meninos acanhados. Inventavam, algum sádico ou sádica mãe, de fazer o baile com a vassoura. A vassoura era a parceira, enquanto os outros casais deslizavam pelo salão. A tarefa era esperar o acorde exato, o momento esperado, a hora precisa e pronto. Batíamos nas costas do adversário, deixávamos a vassoura com o incauto e cintura com cintura, ar com ar, ela era nossa... até o próximo chato. Ou o fim da música. Os bailinhos eram verdadeiras Copas do Mundo.

Não há Copa sem a Itália. Não tem jeito. No fundo queremos espiá-la. Queremos a derrota estonteante, a crise ensurdecedora. Torcemos contra, em despudor. Mas no canto do baile esperamos a vassoura para tê-la. A Itália de Zoff. E de Baggio. De Gentile, de Maldini. De Scirea, de Baresi. A Azzura. A mais bonita do baile. A mais odiada, a mais cobiçada. A mais faceira. A doce. A impiedosa. A que diz não e faz ruir o sonho do menino. A que diz sim e nos faz tetra. A Itália que empata com Peru, Camarões e Polônia. E derrota a Argentina. Os bailes sem a Itália não tem o mesmo gosto. No canto da sala. A vassoura. Nas oitavas. Ou na final?

Ouço o cd. Vejo o teipe. Tem cara de 82. A alma quer revanche. O corpo tem medo. E no fundo, queremos 70. Que venha o baile.

Jogos de 17.06.06 – Portugal 2 x 0 Irã; Gana 2 x 0 República Checa; Itália 1 x 1 Estados Unidos

Na Nossa Copa - Portugal 2 x 1 Irã; Gana 1 x 0 República Checa; Itália 2 x 0 Estados Unidos

Alguém se lembra do golaço de Essien?

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 22h26
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Pequeno comentário sobre um mico

A Itália faz gol contra, um minuto depois um companheiro do Mussolini enfia uma cotovelada de graça num amigo do Bush e sai expulso sem direito ao cartão amarelo, que mico, francamente! Futebol é outra coisa...

Para quem não tinha lido ainda ou para os que aqui retornam, outro amigo do Bush fez uma falta de carrinho criminosa, os caras estão em guerra ou o que? Aliás, foi expulso também e perdeu a vantagem para o segundo tempo.

 



Escrito por Renato às 15h36
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Minuto de silêncio.

Nunca pensei que o Bussunda um dia me deixaria triste. Vai em paz, Ronaldo Fofômeno. Vai em paz, Marrentinho Carioca. Pega no pé do Best.



Escrito por Demas às 08h55
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A Coluna na Copa - 08

Bolonistas da Copa...

 

"Pai, quem joga?". "Argentina e Sérvia". "E o Brasil, pai?". "Filho, olha direito e não espalha: Estamos de azul."

Explicar a diferença entre certos conceitos é difícil. Soberbo e soberba, por exemplo. Mas não há nada como uma boa partida de futebol para definir o que é soberbo. E não há nada como o Roberto Carlos, o lateral, para definir soberba. Ontem foi dia de Nossa Copa. Daquelas Copas que trancamos nas memórias. Pergunte para o menino: "82?". Ele responderá: "Hungria e El Salvador", "Brasil e Nova Zelândia", "França e Alemanha". Continue a enquete: "86?" . "Dinamarca e Uruguai". "Brasil e Polônia". "Maradona". Tente recuperar algo da pior de todas as Copas e pronto: "90?". "Camarões e Colômbia". "Matthaus".

O menino ainda lembrará de Argentina e Grécia e Argentina e Nigéria de 94. Terá gosto ao falar de Romário. De 98, lembrará de Brasil e Dinamarca, de Brasil e Holanda, esta partida um épico. E de Zinedine. E 2002 será sempre Brasil e Costa Rica, o time amarelo com os reservas. Como a memória ainda está fresca dá para recitar Brasil e Inglaterra, Rivaldo e Ronaldo.

Ontem tivemos a certeza da memória de 06. O Mundial da Alemanha será o mundial de Argentina e Sérvia. Será o mundial daquele gol de Cambiasso, em que a bola faz um tango, de vinte, vinte e cinco passes. Calcanhar. No início e no fim. De Riquelme, Saviola. Crespo. Sorín. Deco, é futebol. Felizmente.

A Copa da Alemanha tem tudo para ser a Nossa Copa. Madrugada adentro, vendo os teipes, é possível encontrar preciosidades em cada jogo. Há um toque de Sorín de calcanhar, na entrada da área, que é qualquer nota. Kaviedes, o homem aranha, fez uma estripulia contra os costa riquenhos que sei lá. Vale? Vale. Cada pedaço.

 

Jogos de 16.06.06 – Argentina 6 x 0 Sérvia e Montenegro; Holanda 2 x 1 Costa do Marfim; México 0 x 0 Angola

Na Nossa Copa do Mundo – Argentina 6 x 2 Sérvia e Montenegro; Holanda 1 x 2 Costa do Marfim; México 1 x 2 Angola

Acertamos um. Leiam, o Deco já postou parte do épico. E os outros dois jogos temos Eulália e a fuzarca em Berlim, uma festa digna de nota. A Nossa Copa foi duca.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 08h13
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Bolhas! Bolhas! Bolhas!

A Copa continua e o nosso ataque manteve a síndrome meia-bomba da primeira rodada. Mas, melhoramos. Fizemos dois gols nos gregos que só jogam na retranca. O primeiro foi uma esperteza de Cafú. O goleiro esperava o cruzamento e ele colocou no cantinho. O segundo, uma jogada de gênio do Ronaldinho Gaúcho: driblou dois volantes gregos e bateu de cobertura na entrada da área. Tivemos sorte, é verdade. Dida estava batido nas bolas de Machlas e Zagorakis, mas ambas foram na trave. No “Mesa Redonda De Futebol de Botão Debate”, o Cavalone pediu a entrada de Robinho no lugar do Fenômeno, muito apagado no Mundial da Fiba, e do Juninho Pernambucano no lugar do Zé Roberto (Só o Parreira não vê!). Ele lembrou da entrada de Amarildo, em 1962, e escalou o time reserva daquela Copa, com Zózimo, Jair da Costa, Jurandyr, Mengálvio, Coutinho e Pepe. O Amaral entrou no “Mesa” no lugar do Paulo Morsa, que só falava merda mesmo. Ele elogiou o time de Gana, que meteu cinco gols no Chile e será nosso adversário na derradeira rodada. “É lamentável”, disse o Amaral sobre o nosso ataque, ainda incipiente. A Luize Althenholf deu o cooler da Brahma para o Gaúcho e aplaudiu o filmete com as obras assistenciais do Cafu no Jardim Irene. Depois, fomos na Pizzaria Castelões, no Braz, onde ganhamos porção extra de calabresa acebolada. O Cavalone se emocionou com o hino do Palestra, emoldurado na parede. Lamentamos a situação da Portuguesa e elogiamos o ataque inglês. Vejam quanta emoção na segunda rodada da Copa Fiba...
Grupo A – Uruguai 6 x 3 Áustria, Tcheca 5 x 4 Austrália
Grupo B – Romênia 3 x 2 Equador, Espanha 3 x 2 Eslovênia
Grupo C – Sérvia 5 x 5 Dinamarca, México 0 x 1 Irlanda do Norte
Grupo D – Brasil 2 x 0 Grécia (Aleluia!), Chile 1 x 5 Gana
Grupo E – Alemanha 6 x 1 Costa Rica, Paraguai 0 x 3 Costa do Marfim
Grupo F – Suécia 1 x 0 Emirados Árabes, Inglaterra 5 x 1 Israel
Grupo G – Colômbia 1 x 1 França, Itália 4 x 2 Togo
Grupo H – Nigéria 2 x 2 Portugal, Rússia 1 x 3 Trinidad & Tobago


Escrito por Jubas às 18h05
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Sacanagem 2.

Maldade. Maldade pura do pessoal do Blog da Redação do Uol (http://blogdaredacao.blog.uol.com.br/). O título é Separados no Berço.



Escrito por Demas às 17h49
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mantra do dia

"Vamos, vamos Argentina, vamos, vamos a ganar, que esta banda quilombera no te deja, no te deja de alentar"

Escrito por Ogro às 13h33
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O argentino mais preto de Jujuy.

O Ogro escreveu estas linhas em 09.02.2006, quando acompanhou Argentina X Sérvia e Montenegro pela Nossa Copa do Mundo. Esqueçam o Aguero e o Samuel. Esqueçam o que não é importante. Boa, Ogriné.

 

“Nesse momento, a camisa alvi-celeste Argentina voltava a ser mística e aqueles que a usavam heróis, como tantos do passado. Cambiasso comandava a intermediária com o espírito de Ratín, Messi e Aguero criavam e tabelavam como Di Stéfano e Pedernera, Sorin era indomável como Moreno, Samuel na retaguarda era um leão, como Passarella (o jogador), Tevez era o coração de Kempes, Crespo o oportunismo de Valdano e Riquelme, bem esse, o dono do jogo, eu não preciso dizer quem era......”



Escrito por Demas às 13h00
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vida na Copa

Bolonistas espantados e leitores ocasionais

  Eu me atrevo a tecer alguns comentários, mesmo sem a verve afinada de cronista esportivo, por razões sentimentais. 

  A beleza do futebol argentino pode ser traduzida, históricamente, numa mistura de raça e um toque de bola executado com uma precisão e rapidez únicos. Em vários momentos nas últimas Copas,  algum desses dois elementos ficou em Buenos Aires e a nau argentina naufragou. Volantes violentos, mais preocupados em destruir, armadores lentos, que seguravam demais a bola, jogadores apáticos, que se conformavam com derrotas reversíveis e esquemas táticos executados por técnicos medíocres. Todos estes fatores têm derrubado a seleção Argentina nas últimas Copas, mesmo com a presença total do gênio Maradona em 90 e parcial em 94.

  A seleção de Pekerman começou a trajetória da forma correta, ou seja, em silêncio. Nada de "quadrado mágico", treinamentos com 35 mil pagantes, milhões de dólares em publicidade. Apenas a preocupação em armar um time coeso, que traga as duas características marcantes do tradicional futebol argentino, aquele que um dia era mostrado por "la máquina", time destruidor do River Plate na década de 40, com os sensacionais Di Stéfano, Labruna, Pedernera e Losteau. Silêncio confundido até mesmo com antipatia, com o distanciamento da mídia ufanista, especialista em insuflar egos e colocar "saltos altos" nos jogadores.

  O time começa por um goleiro razoável (quase bom) raçudo, o "pato" Abbondanzieri, partindo para uma defesa, que em termos de solidez só rivaliza com a italiana, com o seguro Burdisso, o irregular Heinze e o espetacular Ayala. Cumprindo a função de dois volantes modernos, que roubam a bola com impressionante precisão, alimentam o ataque e chegam para concluir, temos Cambiasso e Mascherano (este último fica mais preso, protegendo a defesa com rara categoria). Logo à frente, Riquelme dosa o jogo com rara visão de jogo, tendo ao lado o rápido Maxi Rodriguez, que tende a ser substituído pelo menino-prodígio Messi, outro com uma visão de jogo espetacular e a capacidade de avançar por ambos os lados do campo tabelando e finalizando com a precisão de um cirurgião. No ataque, um centroavante-centroavante (não existe o zagueiro-zagueiro??), Crespo, mortal. Ao seu lado, acredito na presença progressiva de Tévez, um craque peladeiro. A habilidade dos melhores atacantes com o espírito dos meninos do Fuerte Apache, que vão "pra dentro" dos marcadores, apanham, são seguros e jamais são parados. Olhar sempre fixo no gol. Creio ter me esquecido de alguém...ah, ele, Sorín, aquele que não guarda posição. É apenas o capitão, onipresente, a fazer o toque de bola do time fluir em velocidade desconcertante e a compor a movimentação constante de seus nove colegas, na defesa, no meio-campo e no ataque.

  Nesta sexta-feira de feriado, este foi o time capaz de realizar a melhor exibição da Copa, até agora e mostrar a todos momentos dignos do Brasil de 82 e da Holanda de 74. O futuro?? Bom, no segundo jogo ainda é muito cedo para dizer. Saltos crescem, marcações ficam mais acirradas, após uma exibição como a de hoje e o imponderável, armado com o maldito favoritismo está sempre à espreita. De qualquer forma, hoje eu estou feliz, muito feliz.

Obs: No momento em que escrevo essas considerações, a Holanda, aos 27 minutos do primeiro tempo, faz 2x0 na Costa do Marfim, o que torna o jogo Argentina e Holanda, certamente, a melhor atração da primeira fase da Copa.



Escrito por Ogro às 12h31
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Argentina X Sérvia e Montenegro

É só o que eu tenho a dizer:



Escrito por Demas às 11h48
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Deu até medo

Caros Bolonistas, não me atrevo a iniciar uma crônica da Copa, não entrarei na seara do meu amigo Amaral, ele fará com certeza um belo texto para os Ermanos, mais ermanos do Albaro, outro crônista nato que falaria melhor que eu do seu time do coração. No entanto, além de concordar com o pequeno comentário do nosso amigo Luís logo aqui em baixo, tenho que comentar rapidamente que, até aqui, há nessa copa um time com cara de campeão, atitude de campeão, futebol histórico e seis tentos de tirá o folego de qualquer amante do esporte. Ruim para a Sérvia que teve que engolir a Argentina, ser envolvida por um jogo inacreditável, um placar elástico e a conclusão demorada do técnico argentino, bota o Tevez e o Messi que é capaz que vocês ganhem a peleja. Eu espero que não, mas que deu medo, isso deu!

Escrito por Renato às 11h06
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Salve a Argentina!

O Tevez é bom demais.



Escrito por Luís às 10h50
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A Coluna na Copa - 07

 

Bolonistas da Copa...

Deco, não é futebol. Infelizmente. O maior problema é que faz muito tempo que não é futebol. Porque o Robinho e não o Juninho? Olhe para o santista e veja que ele desfila sorridentemente no comercial do banco e da operadora de celular. Aliás, todo close no santista ele faz o símbolo da operadora. E Juninho? Os intervalos da Copa, da busca do hexa, do maior de todos os desafios e sei lá mais qual invenção, estão garantidos, com o devido patrocínio.

A notícia, então, não pode ser o futebol. Porque teríamos que explicar as razões da ausência de Alex, o turco, do selecionado. Explicar que ele não aparece em peças publicitárias, não vende nada porque é quieto, soneca, não desfila com modelos, não vai ao Castelo de Caras. Ou está careca ou com aquele cabelão black power. Teríamos que explicar porque Ricardinho. Teríamos que explicar porque o quarteto ou o quinteto, e não um time equilibrado. Teríamos que perguntar por Rivaldo, tão importante quanto na dele. A notícia tem que ser outra. É despiste.

É a amarelinha. É o "vocês vão ter que me engolir". São os "bobinhos" que se transformaram em demonstrações de táticas invencíveis. É o beijo do lateral na apresentadora de televisão. Não é futebol.

Ainda assim torcemos. Porque a Copa é o lugar da infância. E entre uma memória e outra há a jogada, há o jogo, há o toque. Há o sutil. Há o futebol. A imprensa esportiva não sabe mais como olhar o jogo sem olhar para o intervalo. Porque a imprensa, no país do faz de conta, também faz parte da carochinha. Não há quarteto, se quisermos o Ronaldo Gaúcho. E Robinho não trará o Dez para o campo dos sonhos, automaticamente. Isso é futebol.

Mas não fique assim, porque a Copa tem das suas. Imagine nosso Bolão o quantas anda com as façanhas do Equador? E mais, não torcemos todos por Trinidad, ainda que ninguém, exceto o maravilhoso texto do Franklin, considerasse possível uma vitória caribenha? E há lances geniais, ainda que ingleses. Terry tirou uma bola do gol de forma absolutamente improvável, tal qual o drible, a fantasia. O sonho. E não deu para ver qual era a marca da chuteira.

Jogos de 15.06.06 – Equador 3 x 0 Costa Rica; Inglaterra 2 x 0 Trinidad; Suécia 1 x 0 Paraguai

Na Nossa Copa do Mundo – Equador 0 x 1 Costa Rica; Inglaterra 0 x 1 Trinidad; Suécia 3 x 0 Paraguai.

Não acertamos nenhum jogo. Mas desvendamos a alma paraguaia na Copa. Ler os jogos do Paraguai na Nossa Copa ajuda a entender o fato. E explica um pouco.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 09h07
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Mais do mesmo (mas é que tá foda)

Acho que está mole notar como anda meu astral com a imprensa esportiva brasileira, mas preciso desopilar. Então, segue mais fel.

 

O portal da globo.com estampa a seguinte manchete: “Psicóloga do esporte analisa má fase de Ronaldo”. Abaixo, a sentença: “Atacante corre o risco de pirar a qualquer momento e entrar em depressão”.

 

Upa, casca grossa.

 

Começa o texto (sintam o drama): “A péssima fase de Ronaldo já se arrasta desde o início do ano e pode estar ligada a um estresse elevadíssimo, causado pela falta de orientação fora de campo, o vexame de seu último casamento, a derrocada do Real Madrid, da Espanha, e a obrigação de arrebentar na Copa do Mundo da Alemanha com as cores da seleção brasileira. Esse conjunto de fatores estaria, supostamente, interferindo no rendimento do jogador, inclusive na sua recuperação física. Não está descartado sequer o risco de o atleta pirar a qualquer momento, entrar em depressão ou sofrer nova convulsão, como ocorreu em 98, no Mundial da França.”

 

Casca, casca. Mas, ué, cadê a tal psicóloga? Ah, ela vem logo abaixo. Vejamos.

 

“Não darei palpite sobre Ronaldo, pois não estou ciente de seu caso”.

 

E desanda a falar sobre o quanto o estresse pode afetar os atletas em geral. Cuidadosa, faz ressalva: “Cada um reage de uma maneira quando está apertado por expectativas de excelentes resultados”.

 

Ai, meu saco. Ai, meu saco. Ai, meu sagrado saco. Qual é a intenção? Qual, cacildis?

 

Quem assina a matéria é Sérgio Lorena. A matéria está aqui: http://globoesporte.globo.com/ESP/Noticia/0,,AA1217593-4482,00.html



Escrito por Demas às 18h48
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Faz sentido.

“Puta jogo difícil, espero que o Parreira aprenda a jogar com times retrancados e nossa zaga aprenda a tirar bolas da área.”

 

Renato Parente

 

“É bom começar ganhando apertado para conter o salto alto da Seleção.”

 

Daniel Machado

 

(24.01.2006, comentários sobre o jogo Brasil 1 X 0 Croácia, na Nossa Copa do Mundo de 2006)



Escrito por Demas às 18h17
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Os que estão na briga

Porra, Massonetto:

Massonetto 110
Daniel 1 (Bra x Arg) 90
Jubas 90
Fisch 2 (Bra 3 x 1 Fra) 85
Ogro 1 (Ing x Arg) 80
Lucas 1 (Tche x Bra) 80
Gugu 2 (Bra x Hol) 80
Fernando 2 (Arg x Por) 80
Ogro 2 (Ita x Ing) 75
Stela 75



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 17h32
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Os com chance

Será?

Amaral científico 70
Deco 1 (Bra x Ale) 70
Pedro 65
Cazuza 2( Bra x Por) 65
Fernando 1 (Bra x Arg) 65
Nossa Copa 65
Daniel 2 (Bra x Hol) 65
Caubas 65



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 17h31
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Os sem chance

Senhores e senhoras, me passem a grana:

Lindona 60
Renata 60
Paulo 60
Renato 60
Pier 55
Deco 2 (Bra x Arg) 55
Fisch 1 (Bra 2 x 0 Fra) 55
Amaral zoado 50
Deco 3 (Ing x Hol) 45
Gugu 1 (Ing x Ale) 45
Lucas 2 (Ing. X Bra) 45
Cazuza 1 (Bra x Fra) 40



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 17h30
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Imagina o contrário.

Copa de 2006. 1° Ato.

 

Ronaldo tem bolhinhas no pé. Ronaldo, em sua folga, vai ao boteco. Ronaldo tem febre. Pré-crise.

 

O Brasil estréia na Copa com vitória. Ronaldo joga mal. Muito mal.

 

Ronaldo sente vertigem. Ronaldo vai ao hospital. Entrevista coletiva com o médico. Com o treinador. Plantão da Globo, com musiquinha e tals. Crise. Das brabas.

 

Cortina rápida.

 

Copa de 2006. 2° Ato.

 

Suécia estréia na Copa com um empate ridículo contra Trinidad e Tobago. 0 X 0.

 

No vestiário, Ljungberg, atacante, fala que a defesa não jogou nada. Mellberg, zagueiro, diz que o ataque não jogou nada. Resultado: um enfia a mão na cara do outro, o outro enfia a mão na cara do um. Crise?

 

No jogo seguinte, contra o Paraguai, a Suécia arranca um gol no finalzinho. Vitória suada. Quem marca é Ljungberg. Quando o juiz apita, ganha um abraço de Mellberg. Sem crise.

 

Cortina.

 

 

Uma história é sobre futebol, sobre Copa do Mundo. A outra é sobre Armazém de Secos e Molhados.



Escrito por Demas às 17h17
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A Coluna na Copa - 06

 

Bolonistas da Copa...

O tema de todas as rodas redondas, mesas quadradas e debates esportivos filosóficos é o Nove. O peso do Nove e a atuação pífia no jogo com os croatas. Adriano e Ronaldo fizeram uma partida de pebolim, de totó, no jogo de estréia. Eram destaques garantidos em qualquer futebol de bar ou de salão de festas de hotel fazenda. E parece que este é o problema, e não o peso.

Felipão disse numa dessas entrevistas que o Nove é um menino mimado. Tratou o craque com carinho. Deu no que deu. Mas desconfio que o problema não seja só a baixa estima do craque, que exige carinho a todo tempo. O Nove é daqueles que sempre quer ser bajulado, porque ele mesmo não tem dimensão de seu futebol. É um caso grave, e sério, de baixa estima. O Nove sempre foi notícia. Nem sempre a notícia que ele quis ser, o da genialidade, o do homem tanque a derrubar defesas inimigas. O Nove é notícia pelo peso, pelas contusões, pelas moças. Este problema me parece ter mais peso do que o peso do craque.

Todos nós conhecemos um lá no colégio que sofria de paixão crônica. Era começar o bailinho e pronto. Três músicas bastavam para arrebatar o coração do um. Que na primeira negativa não comia, não bebia, catatônico. E, pior, beijada a moça era o monstro da insegurança, do ciúme, da posse. Esse nosso amigo era um incorrigível apaixonado, capaz de entrar numa discoteque apaixonado por uma e sair vidrado pela outra. Imaginem isso numa Copa do Mundo. Esse nosso amigo teria convulsões na concentração, sem saber de sua loira. Teria bolhas nos pés sem saber de sua morena. Teria febre, dor de cabeça. A única receita para aquele nosso um era preservar o cara, tentar evitar os holofotes excessivos na moça, que invariavelmente era uma gata de fechar a pista de dança. Para evitar o monstro. Para evitar aquela paixonite crônica. E aquele um podia ser gordo, magro, alto ou baixo. Não era um problema de peso.

Sei lá. Domingo tem Brasil e Austrália. O Nove precisa jogar mais, é verdade. Mas Adriano também não pode ser peão de pebolim. Pebolim tem peão? Time de futebol, não. E entre o Nove e Adriano, fiz minha opção. Com Juninho no time. E Robinho, no segundo tempo.

 

Jogos de 14.06.06: Espanha 4 x 0 Ucrânia; Arábia 2 x 2 Tunísia; Alemanha 1 x 0 Polônia

Na Nossa Copa: Espanha 0 x 2 Ucrânia; Arábia 4 x 6 Tunísia; Alemanha 1 x 0 Polônia

Outro acerto. Reler os textos depois dos jogos é pura arte. Comparem o texto com o jogo. E percebam que a Espanha vai afundar o nosso Bolão....



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 14h14
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Sacanagem.

Eu sei que é maldade, eu sei. Mas dêem uma olhada na capa do Lance! de hoje. Maldade.



Escrito por Demas às 14h10
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Lapidar.

"Não tem nada de ser gordo. Eu joguei gordo a vida inteira. Ele tem é que aparecer. Quem fica parado na área é pebolim."

Coutinho (O Coutinho, alma gêmea de Pelé e bicampeão do mundo no Chile)

Fonte: FSP, 15.06.06



Escrito por Demas às 09h46
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Finda a primeira fase, as listas:

Melhor jogo: Itália e Gana.

Pior jogo: França e Suiça.

Gol mais bonito: O do Kaká. Com menção para o gol de Fernando Torres (o quarto) da Espanha.

Goleiro: Hislop (Trinidad)

Jogador: Kaká e Robben

Destaque: República Checa

Fiasco: Ucrânia e França

Palpites para as vagas: Alemanha e Equador; Inglaterra e Suécia; Argentina e Holanda; Portugal e México; Checa e Itália; Brasil e Croácia; Suíça e Coréia; Espanha e Tunísia.

Quanta bobagem. Que bom.



Escrito por Amaral às 20h54
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Acabou a 1ª Rodada. Quem ganha a Copa de 2006?
Brasil
Alemanha
Argentina
Inglaterra
Itália
França
República Tcheca
Portugal
Holanda



Escrito por Demas às 20h04
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A Coluna na Copa - 05

Bolonistas da Copa...

O time tem grandes jogadores. É fato. Desde Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico não reuníamos tantos talentos do meio campo para frente. O time tem experiência. Disputamos três finais de Copa consecutivas, o que eqüivale dizer que estamos a mais de vinte e um jogos disputando a cereja. A euforia, entretanto, é nauseante. Todo o time virou estrela publicitária. Até Parreira, sempre um quieto, fatura a rodo com comerciais de televisão.

Tudo o que cerca a seleção é patriotada e faturamento. Uma mistura de bandeira do país com 0800. E agora nos entendemos definitivamente como os melhores do mundo. A Copa é mero cartório para homologar o caneco. A crônica esportiva endeusa tudo e até o bobinho da seleção virou notícia e proezas táticas. Zagallo, irresistível, e a amarelinha. A mística. Enfim, somos os penta campeões do mundo.

E bastou um jogo mais ou menos para cairmos na maior depressão. Desconfio que isso tem a ver com as verbas publicitárias. Se o time volta na primeira fase quebra a empresa de refrigerante, desmorona a empresa de celular, estanca as vendas dos planos de saúde. É este o ponto. Parreira, o astro de comercial de TV, sabe mais do que todos que uma desclassificação antecipada é mais do que a queda da Bolsa. Por isso como exigir da seleção o jogo plástico, o jogo "bonito"? Ora, pelotas, nosso time tem que ganhar o caneco. Não me venham com baboseiras artísticas.

Portanto, exigir exibições de gala do escrete canarinho é um pouco de paradoxo. A imprensa especializada já encheu o saco, pedindo quartetos, quintetos e sei lá mais quantas cordas musicais. Mas não dá para jogar assim. Não há quarteto. Nem quinteto. E Parreira sabe disso, como poucos.

Gostei do jogo de ontem. Cafu fez uma partidaça. Juan e Lúcio foram bem. Émerson, ainda que batendo muito, e Zé Roberto transpiram confiança e disciplina tática. Ronaldo Gaúcho não brilhou, mas fez algumas e é sacrificado pelo quarteto. Kaká sobrou. A tendência agora é marcarem o Oito, com dureza. Se o Oito se virar será o nome da Copa. O gol do Brasil foi a demonstração da habilidade, da precisão e da oportunidade de Kaká. Kaká é um jogador objetivo. Raramente toca de lado. Raramente anda de lado. Roberto Carlos é uma piada ultrapassada e, de novo, fez papagaiadas inexplicáveis, como aquela bola que rolou para o croata do outro lado do gramado, armando uma das poucas chances reais do uniforme xadrez. Ronaldo e Adriano, inoperantes. Mas o Nove deu um tiro a gol, que se a bola entra o Galvão diria: "Eu sabia, ficou parado o jogo todo, mas quando precisou..." Argh. Dida, bem. Robinho entrou e o time se reequilibrou.

Os quinze primeiros minutos do time nacional foram ótimos. Ótimos. Depois a pelota e a crista baixaram. Não se justifica a depressão, na minha modesta opinião. O time ganhou a oitava partida seguida numa Copa. Não é pouco. Não é. E a Croácia teve só dez minutos de pressão, de perigo real. Ou seja, Parreira e Bragantino. Parreira e Fluminense. Parreira. Sempre. Eu gostei do time. O que eu não gosto é do resto.

Jogos de 13.06.06: Brasil 1 x 0 Croácia; Coréia 2 x 1 Togo; França 0 x 0 Suíça.

Na Nossa Copa: Brasil 1 x 0 Croácia; Coréia 4 x 0 Togo; França 4 x 1 Suíça.

Outro acerto da Nossa Copa. Ju Basile relatou a estréia e o apito amigo. Gol de quem? Kaká, no ângulo.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 08h27
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vocês são quem bebem!!!!!!!

 



Escrito por Pedrão às 05h27
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Jogos de Copa são jogos inesquecíveis XIV - Cap. 1

Eram três os assuntos importantes que eu teria que lidar naquele dia: a data de nascimento de meu filho, a entrevista com a futura ministra e o jogo do Brasil. O tempo era pouco para resolvê-los. Tentava intercalá-los por ordem de importância, tarefa difícil, apesar de o primeiro ser obviamente o mais fundamental. Mas, o fato é que o filho também dependeria daquela entrevista, afinal, é o ganha-pão do pai. Foi o nosso companheiro Massonetto que me disse uma frase inesquecível sobre os pequenos: “A gente começa a pensar num terceiro emprego”. Ele me falou isso logo no dia do nascimento do pequeno Lourenço e eu ouvi atentamente com os bolsos. Percebi rapidamente que o ganha-pão não seria mais só para mim, nem para a Viviane que tem o seu próprio ganha-pão. Agora, não teríamos mais que pensar em dois, mas em três. E pensar em três muda completamente a nossa vida, mesmo quando o terceiro está confortavelmente acolhido no corpo da mãe. A mãe não vai achar muita graça no que direi na seqüência mas, o filho também dependeria do jogo. Ora, isso é óbvio! Afinal, teríamos que decidir a data entre a última rodada da primeira fase e o início das oitavas de final. E o jogo estava por trás de todos os pensamentos da cidade naquele dia. Vi o jogo logo cedo na face dos repórteres com suas perguntas rápidas, antecipando fechamentos igualmente antecipados, e as respostas da ministra cheias de frases de efeito e de uma simplicidade incontestável. “O Direito tem o seu tempo. Direito é razão, e não emoção. O povo pode se emocionar; o direito tem os seus princípios.” Me identifiquei bastante com a última frase, a da emoção e desci os dez andares do prédio da entrevista em busca da notícia mais importante do dia. Para mim, era. Porque para o resto do país, a notícia estava marcada para as 16h e todos anteciparam a preparação, os fechamentos, tudo. O trânsito foi invertido às 13h, bem na hora que dispensaram o funcionalismo. A ponte ficou lotada no sentido Burocracia-Casa e vazia no Casa-Burocracia (É impossível falar em sentido centro-bairro em Brasília.) A Esplanada ficou mais deserta do que feriado de fim de ano. Mas, no hospital, o movimento parecia o mesmo. Pessoas nascem a toda hora. Não importa se tem jogo ou não. É claro que havia a diferença. As atendentes vestidas de verde e amarelo falavam do choro do Zagallo, da religião do Kaká. “O Cafu é pastor evangélico”, disse uma delas, pouco antes de o Doutor Felipe nos chamar para a consulta.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 20h05
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Jogos de Copa são jogos inesquecíveis XIV - Cap. 2

Doutor Felipe Calvillo é argentino. Gente boa pra caramba. É direto, sendo gentil. Gentil, sendo sincero. Sincero, sendo cuidadoso. Confesso que ele só nos deixou em dúvida uma vez nessa Copa. Foi no sábado quando jogaram Argentina e Costa do Marfim. “Para quem vamos torcer nesse jogo?”, perguntou a Viviane, ainda alheia a disputas futebolísticas. “Para a Costa do Marfim, é claro!”. “Mas, e o Doutor Felipe? Ele é argentino. Será que não seria melhor, ele ficaria contente...” O argumento foi irrefutável. Viramos hermanos na hora. E voltamos a ser hermanos ao entrar na sala dele para o grande dia. “Parabéns, minha cara, engordou 400 gramas”, disse ele, logo na entrada. A mãe não engordou muito é verdade, o que é bom para evitar polêmicas sobre peso nessa Copa. A pressão: 12 por 8. “Aumentou um pouco, tudo bem.” E o Lucas: 2.800 a 3 quilos, 48,5 cm. “Todo perfecto”, continuou ele, com seu sotaque simpatissíssimo. “Todo in ordein con sua esposa, con bebê. Agora, bamos ber a data.” Mas, rápido assim?!, fez ela com os olhos. “Temos o dia 22, o 23...”, continuou ele apontando o lápis para o calendário. Então, como fica?, perguntei num outro olhar. O 23 ficou piscando. Mas, o 22 é dia de jogo do Brasil. Não resisti e peguei a tabelinha da Copa. Nesse momento, todos os critérios para decidir se misturaram e fiquei com várias respostas para uma pergunta que parecia tão simples.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 20h00
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Jogos de Copa são jogos inesquecíveis XIV - Cap. 3

Eu poderia usar critérios religiosos, futebolísticos, afetivos... Como decidir algo tão importante?! Já sabia que seria entre Santo Antonio e São João, mas o 22, o 23... O 22 terá Gana x EUA, o 23, Suíça x Coréia do Sul. O 22 terá República Tcheca x Itália, o 23, Togo x França. O 22 terá Brasilsilsilsil x Austrália... “O 22 tem aquele problema aqui, não tem”, disse o Doutor Felipe. “É o dia dos dôs patiños, dôs patiños juntinhos...” Não, Doutor Felipe, esse é o dia 24, respondi. Vieram, então, os critérios afetivos. Tenho bons amigos no 23 de junho. A Lili, uma das melhores companheiras de cinema nos anos do colegial, da faculdade e da pós-faculdade também, gente boa pra caramba, seria legal que o Lucas fosse seu xará de aniversário. E tem o Chico, o melhor companheiro de futebol de botão dos últimos anos. O único capaz de reproduzir na mesa a Laranja Mecânica de 74. O Chico tem um filho Felipe e hoje mora na Argentina. Coincidência de nomes e de nacionalidades. E tem o Caubas. Sim, o Caubas com quem formei a melhor dupla de debates nas eleições do XI de 1994. Desculpe, Yuri, você era insuperável para discursar, mas o Caubas e eu fomos bem pra caramba e ajudamos a garantir aquela vitória. Era como se fossemos Romário e Bebeto, sem aquele “eu te amo” ridículo do jogo contra os americanos, dá licença! O 23 começou a passar na frente na disputa, mesmo do dia do jogo do Brasil. Até que vieram os critérios médicos para resolver de vez. Se o Lucas ficar mais um dia na barriga, melhor para ele. Nada contra o mundo. É bom ver o mundo lá fora, mesmo nessa época de escândalos políticos intermináveis e indignações baratas. É que o mundo – sai pra lá, critério político! – nunca poderá se comparar à barriga, à mãe. Se o mundo fosse essa grande barriga da mãe, acho que estaríamos resolvidos. E esse foi o critério que valeu. Lucas, se tudo der certo, você verá as oitavas. Ficar na barriga da mãe durante o jogo com os australianos será certamente melhor, apesar de ela tomar sustos com os fogos da rua.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h59
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Jogos de Copa são jogos inesquecíveis XIV - Cap. 4

Os fogos da rua acordaram a futura mãe às 16h de ontem. E ela ligou logo no primeiro minuto de jogo. Atendi do trabalho. Pautas a fazer, entrevistas para escrever. O dia já tinha sido bastante longo, com decisões históricas para tomar e a história futebolística prestes a começar naquela TV rodeada de repórteres. É claro que só as mulheres para telefonar no primeiro minuto de jogo. Mas, daquele telefonema, não me incomodei. Nem um pouco. Falamos novamente da data. Sabia que o jogo anterior – aquele que decidimos no consultório do Doutor Felipe – era de longe mais importante. Mas, a Copa continuava e eu logo palpitei. Será 1 a 0, gol de Kaká, sentenciei aos outros repórteres. Não sei o que está acontecendo comigo. Nunca acertei nada. Mas, nessa Copa, talvez seja a necessidade de prever datas impossíveis, talvez seja a barriga se esticando. Eu não sei. O fato é que tenho acertado muitas coisas. Acertei seis jogos entre catorze. Acertei a compra de berço, de roupas de berços, de fraldas, de cueiros – algo que nem sabia que existia. Acerto coisas improváveis, enquanto a realidade vai se mostrando verossímel. Acertei o passe de Cafú, acertei o ângulo de Pletikosa. Agora, acertei a data fundamental. Acertei o olhar da Viviane. Acertei um beijo. Acertei a vitória e, agora, acho que posso dormir profundamente.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h58
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É hoje o dia

Bolonistas de todas as capitais, filiados ao Blog ou não, chegou o momento esperado, dia 13 de junho de 2006, às 16:00 h, cidade de Berlim, a Copa do Mundo começa para os brasileiros, boa sorte para todos, que os cardíacos aguentem firme...

Escrito por Renato às 12h01
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A Coluna na Copa - 04

 

Bolonistas da Copa...

Antigamente, já podemos falar assim, era absolutamente comum acompanhar aos jogos da Copa pelo rádio. Torcíamos, os doidos, para que alguma rádio transmitisse todos os jogos, ou o maior número deles. Lembro de pelejas memoráveis acompanhadas pelo radinho, escondido na mochila ou grudado ao ouvido no Bandeira-Vila Sônia: Espanha e Iugoslávia, Hungria e El Salvador, jogo este que a Hungria meteu onze, Argentina e Bélgica, Portugal e Marrocos. E por aí iam os jogos. Mas a modernidade amalucou ainda mais os doidos.

Há rádios que cobrem todos os jogos do mundial. O que significa pura delícia. Três jogos ao dia. Um na pausa para o cafezinho da manhã, um para o almoço e outro para o lanche da tarde. Ouvi o primeiro tempo de Austrália e Japão pelo rádio. O locutor e o comentarista me provaram, por A mais B, que foi falta no gol japonês. Provaram tanto que quando vi o teipe desconfiei. O segundo tempo vi no hospital e pude ter a sorte de ver os três goles australianos. Enfim, "vi" quase o jogo todo. Ponto para a Copa.

Mas perdi as esperanças no almoço. República Checa e Estados Unidos caíram bem no horário daquele prazo que tinha prometido na semana anterior. Um "paper", nome idiota para um texto opinativo, sobre as regras para as eleições deste ano. Eleições? Sim, este ano teremos eleições. Das mais chatas, diga-se de passagem. Mas o tema é República Checa. Mas consegui ver o primeiro tempo no almoço, em um telão no restaurante. Telão? Na verdade uma tela plana de sei lá quantas polegadas, um colosso. Quase pedi um chope. Quase. Mas fiquei na água e pedi a conta, embasbacado com os checos. Era o melhor jogo da Copa, sem dúvidas. E que golaço, o segundo. Desanimei. A conta chegou e torci para que o jogo ficasse modorrento.

Mas aí me lembrei do Pedrão. O genial baiano criou uma forma, um endereço, para acompanharmos o jogo pela internet. Sou desconfiado, sabem vocês. Primeiro, duvidei do Pedro. Errei. A senha dava acesso ao jogo. Segundo, duvidei da imagem. Errei, era ao vivo, mesmo. Terceiro, e por fim, odeio meu computador do escritório. Quase acerto, porque as imagens as vezes paravam, esperando pelo "buffer". Não sei o que é isso. Mas vi o terceiro gol, numa jogada em profundidade. Objetiva. Os checos, o melhor primeiro jogo da Copa. Outro ponto para a Copa.

Enfim, o terceiro jogo era o da Itália. É pecado não acompanhar os jogos dos italianos. Pecado mortal, dá até cadeia. Imagine o Jubas discorrendo sobre o jogo e você com cara de patzo: "Não vi". Seria ridículo. Mas o jogo caiu no horário da tal reunião, 17 horas. Fiz os cálculos. Primeiro tempo no café da Praça, com o Ricardo. Dois cafés e uma água com gás. 1 x 0 Itália. Totti joga muito e Toni é um tormento. A Itália... Corri até o carro no estacionamento, Radial Leste e intervalo. Começa o jogo, rádio no carro. Moóca. Reunião. Moóca lembra Itália. Um frio na espinha, será que logo na Moóca perderia o segundo tempo? O resultado? A reunião atrasou e tinha televisor ligado. Batata. Ponto para a Copa e temor pela Itália. Bom time. Sou doido. E sem culpa.

Jogos de 12.06.06: Austrália 3 x 1 Japão; República Checa 3 x 0 Estados Unidos; Itália 2 x 0 Gana.

Na Nossa Copa do Mundo: Austrália 1 x 1 Japão; República Checa 2 x 1 Estados Unidos; Itália 2 x 3 Gana



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 08h21
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Os da frente

Jubas 60
Massonetto 55
Fisch 2 (Bra 3 x 1 Fra) 50
Pedro 50
Ogro 1 (Ing x Arg) 50
Daniel 1 (Bra x Arg) 45
Lucas 1 (Tche x Bra) 45
Ogro 2 (Ita x Ing) 45
Cazuza 2( Bra x Por) 45
Gugu 2 (Bra x Hol) 45
Fernando 1 (Bra x Arg) 45



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 21h27
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Os meieros

Lindona 40
Amaral científico 40
Fernando 2 (Arg x Por) 40
Nossa Copa 35
Renata 35
Daniel 2 (Bra x Hol) 35
Stela 35
Caubas 35
Deco 1 (Bra x Ale) 35



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 21h27
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Os últimos

Paulo 30
Pier 30
Renato 25
Deco 3 (Ing x Hol) 25
Amaral zoado 25
Gugu 1 (Ing x Ale) 20
Deco 2 (Bra x Arg) 20
Lucas 2 (Ing. X Bra) 15
Fisch 1 (Bra 2 x 0 Fra) 15
Cazuza 1 (Bra x Fra) 15



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 21h26
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Jogos de Copa são jogos inesquecíveis XIII

Episódio de hoje: (Uáaaa, a little help from my friends...) "Ver torcendo".

Antes da estréia do Brasil, nada melhor do que um passeio pelo Centro velho de São Paulo. Já era rotina pra gente: nos fins de semana, meu pai levava todo mundo para os lugares que ele freqüentava entre as segundas e a sextas-feiras. Foi assim que conhecemos o Terraço Itália – apesar de, na época, preferir um hambúrguer do Mc Donald´s à boa comida dos restaurantes panorâmicos –, o Cine Copan, logo abaixo das curvas do famoso edifício, o Famiglia Mancini e sua incrível mesa de frios, o Bar do Léo e seus canapés excepcionais... Acho que esse era o jeito que ele arrumava para variar dos encontros que tinha com o pessoal do trabalho para encontros com o pessoal que realmente importava. A gente, é claro. E, naquela época, não tinha guardador-de-carro, muito menos seqüestro-relâmpago. Poderíamos estacionar à vontade ali mesmo numa das praças mais famosas do centrão. Mas, tínhamos pressa. O passeio deveria ser curto, afinal, esperamos quatro longos anos por aquela data. E meu pai parecia que havia esperado muito mais. Ele estava louco para dar uma olhada na Praça da República, respirar novos ares e nos falava de política, mesmo sabendo que não compreenderíamos tudo. Meu pai parecia esperar algo de novo há anos. No fundo, estávamos todos ansiosos. Eu, pela Copa. Meu pai, pelo Brasil. Era uma sensação refletida num imenso balão em plena Praça da República, onde estava escrito “Tem que dar certo”. Eu já tinha visto aquele balão na televisão e pensava que era por causa da dobradinha Piquet-Senna, que deu certo na abertura da temporada da Fórmula 1. Ora, o balão era para a Copa do mundo, óbvio. Comemos uns pastel (como se diz em São Paulo) e voltamos rapidinho para a estréia. Peguei o meu lugar no chão, ao lado do sofá. Com uma camisa amarela com a bola central da bandeira transferida para o ombro, ouvi o hino da bandeira, ao invés do hino nacional. O pessoal da televisão tratou como um escândalo. Mas, o problema, para mim, não era o hino trocado, nem a faixa política que o Sócrates trazia na cabeça – que gerou outro debate chatíssimo –, e muito menos a camisa do Araken, o show-man, que compramos na Praça da República de um sujeito com o cabelo da Wanessa Da Matta. Essa camisa – da musiquinha “mexi, mexi, mexi coração” – eu adorava. O problema era que o Brasil não era bem aquele que gostaríamos. Sem Zico, machucado. E sem Éder, sem Falcão, sem Leandro. Tinha um tal de Elzo, convocado depois de ganhar 35 motorádios. Não sei, não. Eu queria acreditar, mas duvidava um pouco daquele Brasil. E meu pai também, enquanto lia os jornais de fim de semana, coçando a cabeça entre telefonemas. No primeiro tempo, quase não atacamos, mesmo com dois centroavantes implacáveis, Careca e Casagrande. Para piorar, num chutaço espanhol, a bola pegou na trave e ficou naquela zona cinzenta entre a linha do gol e as nossas expectativas. É que o que chamo de “ver torcendo”. O “ver torcendo” acontece muito no futebol de botão. É aquela sensação que faz com que nossos olhos tirem bolas exatas de dentro do gol. A bola pega na trave e vai para trás do goleiro: para quem chutou é óbvio que entrou; para quem arrumou o goleiro, nunca que aquilo foi gol. Já fiquei horas sem falar com melhores amigos por causa de discussões após  lances estúpidos como este. Brigas intensas. Enfim, o juiz australiano “viu torcendo”, como todos em torno daquele sofá, e o jogo continuou até fazermos um gol. Pra mim, foi gol claro. Mas, o juiz continuava vendo “não-gols”. Ele deu que foi com a mão. Mas, eu vi claramente o Edinho cabecear pra dentro e fiquei inconformado. Então, o narrador também disse que foi com a mão. Não acreditei: “Será que esse pessoal é cego?!” Na cobrança de falta que veio na seqüência, sabia que não seria gol. Não tínhamos o Éder, nem o Zico. E não foi. A bola pegou na trave. Mas, na volta encontrou o Sócrates e a Careca. Eram dois brasileiros para fazer o gol. Vi torcendo um gol do Careca, mas fiquei contente quando percebi que foi o capitão quem testou pra dentro. Não sem um momento de discussão. Os espanhóis levantaram os braços e, por um momento, tentamos localizar o bandeirinha enquanto a TV passava outras coisas. Após meio segundo de vacilo, comemoramos como gol de verdade. Ao final do jogo, vi uma entrevista com um torcedor espanhol: “Canguru ladrón”, disse ele, xingando o juiz e apontando para um inexistente 1 a 1 com os dedos. Depois, veio novamente a imagem do balão com o “Tem que dar certo”. Quem sabe? Meu pai voltou para os jornais, onde claramente via torcendo. Teríamos eleições no final de ano. O próximo jogo era contra a fraca Argélia.



Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h35
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Mais um da série: "estou como c* na mão"

Hoje visitei o blog dos jornalistas da BBC. Muito bom por sinal, vale a visita (http://www.bbc.co.uk/blogs/worldcup/).

Sintam a sensação de absoluto estupor dos gringos em relação a nossa preparação. Reparem que não é uma crítica, mas o basbaque total.

http://www.bbc.co.uk/blogs/worldcup/2006/06/theyre_having_a_laugh.html



Escrito por Demas às 18h58
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Sou contra meus palpites

Bolonistas, vocês eu não sei, mas eu estou torcendo totalmente contra os meus palpites.

Comecei a me arrepender logo no primeiro dia da Copa. Havia apostado num empate entre Equador e Polônia e o jogo estava 1 a 0. Deveria torcer para os poloneses, mas como não comemorar uma vitória sulamericana em campos europeus? O fato é que torci como nunca para perder no bolão e o Equador fez 2 a 0 para a minha felicidade futebolística e tristeza botonística. No dia seguinte, fui totalmente Trinidad, apesar de ter apostado numa derrota dos caribenhos por 5 a 1. E me desesperei entre um segundo gol inglês, que me daria a pontuação máxima no bolão, ou no empate paraguaio que seria delicioso de ver. O pior, no entanto, veio no jogo dos argentinos. O 2 a 1 me garantiu a vitória, mas como comemorar quando o fantástico seria um empate da Costa do Marfim. E, no domingo, foi o fim. Acertei dois jogos, droga. A Holanda e o México ganharam e minha previsibilidade chegou ao auge: 1 a 0 e 3 a 1, perfeito! Pontos para mim, o previsível. Liderança no bolão, e daí?! É estranho torcer contra si mesmo, confesso. Agora, vai começar Itália x Gana. Que o meu bisavô me perdoe. Sei que ele desceu as montanhas da Calábria para entrar num navio mal arrumado rumo ao porto de Santos há cento e poucos anos. Sei que comia pão com azeite, enquanto gozavam o seu sotaque na saída das fábricas do Braz. Mas, hoje, sou totalmente contra o meu palpite. 2 a 0 para a Itália seria mesmo o fim!

 



Escrito por Jubas às 14h06
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Pois é moçada, copa rolando e não faço mais nada que não seja relacionado à isso. Assisto aos jogos, bebo cerveja, falo mal das seleções que se apresentaram até agora, tive minha primeira decepção(com o japão) e coleciono figurinhas. Nunca na minha vida tinha conseguido reunir amigos dispostos a pintar a rua. Felizmente, sábado passado finalmente abriu um sol e eu e uma galera nos divertimos bastante tomando uma cerva, ouvindo um samba e decorando a rua. Fiquei feliz pra burro, e creio que todos que passavam também. Foi até motivo para vizinhos que nunca tinha visto, virem conversar e participar da confraternização. Salve a copa!!!! Definitivamente o evento que mais gosto!

Abraços a todos e até breve.

 

 

 



Escrito por Pedrão às 13h41
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A Coluna na Copa - 03

Bolonistas da Copa...

A imprensa livre é uma das maiores conquistas de uma sociedade. Esta frase, chavão por sinal, é dita e repetida várias e várias vezes, para justificar certas reações adversas quando alguma manchete desagrada o dono das cadeiras de plantão. A imprensa livre é uma conquista. Mas infelizmente liberdade e libertinagem, no sentido ruim, andam juntas demais. Deveríamos exigir coisas de melhor qualidade. Leiam nos periódicos as matérias sobre a Copa. Quanta bobagem, quanta bolha no pé, quanta nádega. E quanto, mais quanto, mais quanto mesmo de lugar comum.

Estréia em Copa é sempre incerta. Ou quase. Duvido alguma lembrança pulular para rememorar um time campeão de copa que tenha feito um jogaço de estréia. Lembro vagamente de Brasil e Turquia de 2002. Ganhamos no apito. Lembro da primeira fase da França de 98, um martírio. E mesmo o Brasil e Rússia de 94 não foi um show. Em compensação, a Dinamáquina de 86 fez estréia e primeira fase brilhante. Para que? O Brasil de 82 fez uma estréia esquisita contra a URSS para depois encantar na primeira fase. Sabemos o que Zoff fez conosco. Impossível esquecer a campanha da Itália de 82 e o calvário para a classificação no grupo inicial. Inesquecíveis os primeiros jogos da Argentina em 94. Portanto, estréia boa é estréia com vitória. A plástica, o bom futebol, o coletivo, as opções táticas, podemos esperar para outras ocasiões.

Escrevo estas bobagens porque ontem foi o dia nacional da crônica esportiva de descer o sarrafo nas "favoritas". Ninguém apresentou um futebol "convincente". Exceto Trinidad Tobago, entretanto, todo mundo fez o que se esperava. Ou não? Argentina e Alemanha, favoritas. Os primeiros quinze minutos de Inglaterra e Portugal mostram que esses times podem sonhar. A Holanda fez um jogo duro, marcou e ninguém percebeu. E o México, bom, os mexicanos são assim mesmo: apaixonados por futebol, time fraco. Mas até os mexicanos podem sonhar, porque a dedicação e a garra mexicanas merecem nota. Num torneio curto, outro chavão, tudo é possível.

Enfim, exceto Trinidad Tobago, não houve injustiças. Mas que Angola e Costa do Marfim podiam ter empatado...

 

Jogos de 11.06.06 – Holanda 1 x 0 Sérvia e Montenegro; México 3 x 1 Irã; Portugal 1 x 0 Angola

Na Nossa Copa: Holanda 3 x 0 Sérvia e Montenegro; México 3 x 1 Irã; Portugal 3 x 2 Angola.

O Ogro acertou o placar. Vale a pena reler o negócio. Lá o jogo foi dramático, com virada mexicana. Cá, drama. Mais pela ruindade, mas drama.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 08h23
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Os da frente

1) Deco, três apostas e nem metade dos pontos do Jubas!? Francamente:

Jubas 45
Fisch 2 (Bra 3 x 1 Fra) 40
Cazuza 2( Bra x Por) 40
Gugu 2 (Bra x Hol) 40
Fernando (Bra x Arg) 40
Pedro 40



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 19h08
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Os meieros

Daniel 1 (Bra x Arg) 35
Lucas 1 (Tche x Bra) 35
Ogro 1 (Ing x Arg) 35
Lindona 35
Nossa Copa 30
Ogro 2 (Ita x Ing) 30
Renata 30
Amaral científico 30
Fernando (Arg x Por) 30



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 19h07
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Os últimos

Daniel 2 (Bra x Hol) 25
Pier 25
Renato 25
Caubas 25
Stela 25
Gugu 1 (Ing x Ale) 20
Deco 1 (Bra x Ale) 20
Deco 3 (Ing x Hol) 20
Lucas 2 (Ing. X Bra) 15
Fisch 2 (Bra 2 x 0 Fra) 15
Cazuza 1 (Bra x Fra) 15
Deco 2 (Bra x Arg) 15
Amaral zoado 15



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 19h03
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A Coluna na Copa - 02

Bolonistas da Copa...

Um dos maiores dilemas de uma Copa do Mundo é a tarefa de assistir todos os jogos do Mundial. É uma obrigação. É um deleite. Mas, depois do colegial, é quase impossível. Ou improvável. Em 2002 perdi muitos jogos, mas vi muitos teipes. Mas os jogos eram de madrugada, então eram possíveis algumas desculpas. Algumas até convincentes. Como o sono. Mas uma Copa na Europa, com todos os jogos transmitidos ao vivo e em horários prováveis, como perder algum jogo? Como?

Leonel aprontou um banzé durante a madrugada. Uma febre e os dentes nascendo irritaram o pequeno e ele decretou: "Ninguém dorme!" Me lembro da TV ligada, madrugada adentro, a lua na varanda e o jogo Equador e Polônia em imagem de cinema. Não era sonho. Era o Leonel no colo, único lugar em que ele fechava, por uns vinte ou trinta minutos, os seus olhos verdes! Sim, Leonel tem olhos da bisavó e faz qualquer choro dele parecer cinema europeu. Mas o bicho é um reclamão de marca, tem um pulmão daqueles e acorda todos os vizinhos, cachorros, gatos e o irmão. Foi um banzé. Daqueles.

A Dani bem que tentou arrumar as coisa para que o jogo das dez fosse assistido em paz. E o primeiro tempo foi um êxito absoluto. Leonel finalmente dormiu uns trinta minutinhos, no colo, óbvio, e me permitiu assistir aos primeiros momentos do jogo. Não pude me mexer, para não acordar o rapaz, mas isso é um detalhe irrelevante. Vi uma Inglaterra forte, um jogo fácil. Vi Gamarra falhar, fazer gol contra, errar passe e entregar o ouro. O goleiro guarani se machucou, chorou. Um começo difícil para o Paraguai. Leonel deve ter sentido alguma espécie de compaixão com os vizinhos. Acordou, berrou e viu os últimos dez minutos do primeiro tempo acordado. Irritado com a inapetência do meio campo latino e contrariado com a má fase de Santa Cruz. Mas o jogo já estava chato. A Inglaterra já não queria nada com nada. "Pai, quero fazer cocô." Com esta frase Marco Antônio colocou um ponto final no primeiro tempo. Deixei o pequeno com a mãe. Não vi o intervalo, se bem que não ver o intervalo é quase perdoável. Mas, depois, veio a assertiva que me fez ter certeza que perderei vários jogos desta Copa: "Pai, o pum é irmão do xixi.". Sorri, e durante minha gargalhada, o grande me deu um abraço e soube que o segundo tempo seria com ele, brincando e olhando de lado a TV. Que ficou ligada, como que decorando a sala. Foi um bom segundo tempo.

Jogos de 10.06.06 – Inglaterra 1 x 0 Paraguai; Trinidad 0 x 0 Suécia; Argentina 2 x 1 Costa do Marfim.

Na Nossa Copa: Inglaterra 2 x 0 Paraguai; Trinidad 1 x 5 Suécia; Argentina 3 x 1 Costa do Marfim.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 09h30
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A Coluna na Copa - 01

Bolonistas da Copa...

É verdade. A Copa de 2006 teve estréia ontem: Alemanha 4 x 2 Costa Rica. Quero muito escrever todos os dias nesta Coluna, de hoje até a final. Oxalá consiga. Por várias razões, inúmeras. Mas que no fundo é uma só.

De ontem não quero falar dos jogos, embora o time polaco seja muito ruim. Lato e Boniek estavam em 82. Mas escrevi breves impressões sobre os jogos lá no Poema do Jogo. Boa diversão, aquela.

Quero falar da Claudia. A Schiffer. Tem um filme inglês, desses água com açúcar, ótimos, com o Rodrigo Santoro no elenco, seu eu não me engano. Lá pelas tantas um marido que perde a mulher, mas cuida do filho dela, e vira o pai. E convive com a perda da esposa e o primeiro romance do menino, apaixonado pela vocalista da banda escolar. O fato é que esse pai tem um sonho: Encontrar a Claudia. E como o filme é inglês, lá no fim do filme, quem aparece? Ela. E entendi, ontem, as razões do pai. Pelé é um homem de sorte, definitivamente.

Quero falar de Dunga, lá no meio dos campeões do mundo. Já desgostei demais do nosso capitão. Mas vendo ele ali gosto mais daquele título de 94. Na época, confesso, achei aquele título um pouco mambembe. Ontem, vendo o Dunga ali, não desgosto daquele campeonato. Pelo caneco, mas por Romário e por ele. Dunga foi o melhor volante que vi jogar, sei disso hoje. Está no meu time de todos os tempos.

Assisti Alemanha e Costa Rica num restaurante por quilo. Experiência horrorosa. Um telão na parede branca. A única coisa boa foi a acurada transmissão esportiva, especialmente designada para o prélio. A Stela e a Renata comentaram os jogos do estúdio. Um futebol de sensibilidade!!!! Soube do Beckham, do Lundberg e do Ballack. Que elas odeiam o "dry-fit" do material dos uniformes esportivos. E que elas no fundo, bem lá no fundo, gostam é do babado. O jogo? Futebol sabemos que não é isso  só... Mas por via das dúvidas, no jogo da tarde, encontrei uma TV perdida no trabalho. Escapei do dry fit, mas tive que aguentar os comentários do "comentarista" da TV. Ufa...

Jogos de 09.06.06 – Alemanha 4 x 2 Costa Rica. Equador 2 x 0 Polônia.

Olhando a Nossa Copa: Alemanha 1 x 2 Costa Rica. Equador 1 x 0 Polônia;



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 07h57
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A COPA COMEÇOU

A Copa começou, Alemanha joga fácil contra a fragilidade da seleção da Costa Rica, o placar de dois a um para a anfitriã revela o óbvio, mas se os donos da casa insistirem naquela linha burra de impedimento, jogador sério vai deitar e rolar...

Escrito por Renato às 12h52
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Sinal para 2010?

Eu só pensava na música do Ultraje a Rigor e sorria dos alemães que tiveram que engolir o orgulho e entrar com a primeira camisa do time, vestidos de gala, para, vejam bem, tentar o terceiro lugar em uma Copa jogada em sua casa. Terceeeeeiro, oba, oba! No mais não sei o que será na final, mas espero que a seleção canarinho invada essa praia. Porque se fomos inúteis em oitenta e dois, mostramos que quatro finais consecutivas é coisa pra poucos, nós e o Independente Futebol Clube. Aliás, enquanto vejo num boteco esse jogo me embriagando à vontade sem alemães do lado, encontrei o Roger e caímos no crime. Brasil!!! Brasil!!!! Eita, Goooooool de Gaaaanaaaaa! Tá lá! Mas que beleeeeza!

Que gol foi esse? Caraca.

Klose dá uma cabeçada que nem o Banks pegaria, mas Sammy Adjei, considerado o melhor goleiro da África pela imprensa, pegou. E não foi só isso, na seqüência correu até a entrada de sua área e emendou um balão, que levou a bola, sem quicar no campo, direto para o gol. Lehmann nada pode fazer já que amarrava sua chuteira no momento. Gol de Gana. Histórico.

Gana inaugurava o placar com o gol mais ridículo já sofrido pelos germânicos em sua história: 1 X 0.

O tempo passava rapidamente. A Alemanha num ímpeto raro ensaiou uma jogada ensaiada, onde Schweinsteiger abriu pela esquerda, avançou e tocou para Ballack, aberto pela direita. Cruzamento certeiro para a cabeçada de Klose para o meio da área e interceptação precisa de Kuffour, se antecipando a Podolski. Kuffour para Appiah, para Boateng, que num lance individual dribla secamente Schneider, coloca a bola entre as pernas de Mertesacker e lança para Amoah, que aplica uma meia-lua em Lehmann e avança rumo ao gol, perseguido pelo goleiro e quase na linha chuta a bola para dentro com violência, enquanto o goleiro descontrolado se estatela contra a trave e apaga por alguns instantes, diante do pânico de seus colegas. Após alguns minutos tudo se reestabelece.Gol de Gana.

Lehmann já viveu dias melhores: Gana 2 X 0.

O jogo já parecia caminhar para o óbvio. A seleção germânica trocava passes horizontais sem mais se preocupar em buscar qualquer alteração no placar. Até mesmo o time de Gana parecia resignado quando, num lampejo inusitado, aproveitando o descaso do oponente, Mensah parte em disparada saindo de sua intermediária, dribla Frings, passa "flutuando" entre Schweinsteiger e Mertesacker e, desequilibrado, rola para Asamoah que, agindo mais rápido que Lehmann, dá um lindo toque, centrando a bola na pequena área para a cabeçada certeira de Amoah. Alemães atordoados, mas ainda não muito preocupados de um lado, do outro Ghana comemorando muito o que seria seu terceiro gol na maior decisão de sua história.

Goleada histórica? Gana 3 X 0.

É inegável. O gosto de uma decisão pelo terceiro lugar é como aquela mousse de chocolate, linda na vitrine, chocolate cremoso, lascas do chocolate se destacando, mas que a pequena primeira mordida denuncia: trata-se somente de açúcar batido com um pouco de achocolatado em pó, com cobertura de lascas do mesmo achocolatado, e com mais açúcar. E foi assim a comemoração de Klose para o gol. Que até foi bonito. Mas já não tinha mais o mesmo gosto.

Os alemães comemoram o gol como quem ganha sabonete em rifa: Gana 3 X 1.

Já nos descontos, Schweisteiger cruza, a bola bate nas costas de Kuffour e entra.

Sabonete Lux Luxo: Gana 3 X 2.

O juiz apita e a Copa do Mundo assiste à maior conquista de um time africano em sua história. 2010 promete.

Estaremos lá. Todos nós.

Foi bonita a Copa.

Pedro Sahlit, Renato Parente, Álvaro Corrêa, Fernando Melo, Juliano Basile, Fernando Amaral e Demetrius Cruz (não necessariamente nessa ordem)



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 11h58
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Só acaba com o apito

 

Bolonistas, o que importa?

 

Brasil e Portugal era a nossa final. Só nossa. Confessem, todos lá no fundo temos nossos favoritos, nossas predileções. Amamos uns, apupamos outros. Mas, neste Brasil e Portugal, não. É aquela camisa velha do Fluminense, desbotada, mas que vestia os sonhos do menino e do pai do menino. É aquela tarde na Moóca, aquele cheiro de molho de macarrão. Mas tudo junto. Tudo misturado, em onze cores, onze sabores, onze álbuns. Era só nossa aquela final. E ia acontecer dali a pouco.

Logo de cara é preciso estabelecer algumas regras, alguns limites para que onze aventureiros pudessem transitar por Berlim e não se perder. E não perder a hora do jogo. Não perdessem os tiquetes de entrada. Nada como um Zecão para comandar e criar tais regras. Desde o saguão do hotel. Desde o primeiro café do dia. A primeira bolacha. Não comemos nada que lembrasse as rabanadas. Para evitar o azar.

Não há azar num dia como esse. Esses são dias especiais. Iguais ao daquele título do campeonato de salão de 87, na Quadra Sul, o Fernando no gol do time da Associação de Servidores. Iguais ao primeiro beijo. A primeira sombra. O primeiro flamboyant. Massoneto vestia Sócrates. Franklin, Reinaldo. E sorrimos quando o Ricardo deixou cair a travessa de suco de laranja. É verdade que o Pedro contrariava as regras e bebericava um conhaque enquanto rabiscava uns poemas. Napoleão. Mas todos sabiam que nesses dias não há azares. Nem tristezas.

Ninguém ali era inédito em comemorações. Ganhamos, torcendo ou não, dois mundiais recentes. Perdemos uma final de Copa, também. Mas todos tinham a marca de 82. Há uma frase que guardo, sempre: A única Copa que realmente existiu. Foi num Honduras e Espanha, daquela Copa, que soube que queria estar aqui na Alemanha. Levei um radinho de pilha para a classe e acompanhei o jogo escondido. A professora deve ter percebido o zunido. Mas, ao não tirar o rádio do menino, fez com que o desejo de estar numa Copa do Mundo fosse um dos maiores sonhos. Agora, realidade.

E esses desejos, essas coisas, nós vamos descobrindo aos poucos. Entre amigos é assim. O Ogro, com esse apelido bélico, esconde o chapa que chora em comercial de margarina. Foi ele que propôs o primeiro brinde. A regra tinha ido para o espaço. Era cerveja mesmo. E o relógio ainda não sabia o que era nove da manhã.

O dia de uma final é um dia desses. Desses que a gente só pensa, fala, remói e mastiga a mesma coisa. Portugal desclassificou Gana, Inglaterra e Holanda. Em pelejas convincentes. Quase sempre no ataque e sempre com Felipão. Scolari, conhecemos e tememos. Mas, olhem a Nossa Copa: Ganhamos da Croácia, com apito amigo, ganhamos da Austrália com futebol de brinquedo, vencemos o Japão, 4x0. O Brasil venceu épica batalha contra os italianos. Paolo Rossi não existe mais. Derrotamos a Ucrânia, de forma aguerrida, utópica. E contra os anfitriões foi aula, goles e beleza. Plástica. Como perder esta Copa, a nossa Copa? Era olhar para o Juliano e saber que a Copa estava no papo. Como um campeonato de botão, organizado pelos onze.

Outro que chora e não parece é o Caubas. Ele não se aguenta quando vê o gol do Branco contra a Holanda. E no telão da praça, sei lá por qual razão, era justamente aquele gol que preenchia a memória. Andamos por Berlim. Era passeio de menino. A festa, todos sabemos o que é uma final de campeonato. Todos.

A fila ordeira para o Estádio. Nada similar ao Mané Garrincha ou ao Morumbi. Nada como a nossa casa, porém. Depois de tantos jogos, goles e tudo, pensava sempre na boa e velha cajuína com cachaça Mangueira. O Renato usava a camisa do Francileudo, nascido em nossa terra. No estádio era a festa. Era o jogo. Eram onze perfilados, lado a lado. Um único idioma: A Saudade.

Saudade de um tempo em que jogar bola no intervalo era bom demais. E era verdade. Das figurinhas do bafo, arduamente disputadas. Dos namoros nos recreios. Do sorvete de chocolate. Da primeira cerveja. Do primeiro porre. Do primeiro disco do Roberto Carlos. Saudade que vai lá e cria um diário para escrever e ler sobre futebol. Dizem que só a língua portuguesa sabe o que é Saudade. Era a Nossa Copa do Mundo. A nossa final. O nosso jogo. Saudade de tudo isso. A Copa terminava.

Trinado o apito. Bola de pé em pé. Felipão tenta. É possível se irritar com o Felipão? Lá no fundo, é. Ainda mais porque o time deles mandava no jogo. Mas, existem sempre esses imprevistos no futebol, tínhamos Kaká em noite de gala. Arranque. Força. Sutileza no toque e no arremate. Foi Felipão quem convocou Kaká. 1x0. Quantos abraços e quantos sorrisos. Seis vezes campeão do mundo. Seis. Era esperar para ver.

O Deco, o nosso Demas, percebi, estava irrequieto. Macambúzio. Não era o de sempre, estava até cabisbaixo. Parecia distante. Viu o gol e comemorou, óbvio. Mas vi uma lágrima. Outra. Eram várias naquele dia. Um dia desses de guardar na memória. Afeto. E outro gol, nosso, de novo. E com Ronaldo, o Nove. Depois da jogada de Gaúcho que só o teipe pode atestar veracidade. Não era fim do primeiro tempo. Mas todos sabiam o desfecho. Nem o gol de Maniche atrapalharia. Confesso que temi quando Cristiano Ronaldo, Deco e Figo envolveram nossa zaga. Mas foi só susto.

No intervalo éramos ansiedade. "Caraca, véio, vamos ser campeões". Seis vezes campeões. O segundo tempo. Tinha um gosto estranho, vou aqui descrever. Era bom demais tudo aquilo. O jogo. As partidas. As memórias de uma Copa. Da infância. Do futebol. Entendi o Deco. No fundo, lá no fundo da alma, ele não queria que a Copa acabasse. De jeito que seria melhor o jogo ficar ali, naquele 2x1. Para sempre. Bom, mas o terceiro gol foi obra prima. Juninho e Kaká escreveram a jogada, para o gol de Adriano. E tinha ainda o Robinho a desfilar o quarto tento.

Trinta e dois minutos, segundo tempo. Deco, o outro, o deles, fez o seu também. Uma final de Copa e seis goles. Só podia ser a Nossa Copa do Mundo. Nossa, onze. De todos nós. Era certo, já não importava mais o jogo. A taça não era aquela taça da FIFA não. Tá certo o Deco. E na cumplicidade, os onze se levantaram e saíram, abraçados como ébrios, do monumental estádio de Berlim. O Fá tinha preparado uma porção daquelas, de queijo, com salame, mortadela, azeitona, lascas de pão, amendoim, picles, tomate, torresmo, gorgonzola. A geladeira do Bela abarrotada. Dali a pouco ia começar Alemanha e Costa Rica. Tudo de novo. A nossa Copa do Mundo.

Dia 09 de julho de 2006.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 00h55
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LEMBRETE

Lembro aos cronistas que, além da final, para encerrar a cobertura resta a insossa partida para a definição do terceiro colocado. 

Escrito por Ogro às 17h22
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gajos contra ganeses - parte 1

Novas cores em Dortmund

 

         Finalmente, após quase um mês, mágico, de deslocamentos frenéticos pela Alemanha, manguaças homéricas, estadias em pulgueiros variados, contatos com povos do mundo inteiro, amor com a minha pequena Priscila, aventuras surreais com diversos bolonistas e futebol em doses cavalares, da melhor e da pior qualidade, era chegada a hora das semifinais do torneio, as preliminares para o gozo mundial que é a grande final, o “cunnilinguis” do torneio.

         Nesta etapa, sobravam quatro bravos exércitos, sendo que naquele dia dois deles se enfrentariam na verde cidade de Dortmund; a nau portuguesa comandada pelo general Felipão e os africanos surpreendentes de Gana.

         Consegui o telefone celular do Renatão e para lá parti, curioso para encontrar a já famosa Eulália, que certamente cobriria o certame. Nos encontramos no Westfalenpark, o parque temático mais famoso da Alemanha e nos juntamos à festa. Portugueses uniformizados gritavam em montanhas-russas, africanos de diversas nacionalidades descarregavam a adrenalina num ringue de carrinhos de bate-bate e nuestros hermanos latinos, sempre eles, sambavam, dançavam cúmbia, merengue e se rolasse até um baiãozinho. O dia estava lindo e nos sentamos em um bar ao ar livre, bem em frente a um grupo de capoeiristas, que encantavam uma pequena platéia de europeus.

         Aquele clima era excitante e eu estava emocionado por esta ali (talvez por que, como diria o poeta amigo do Demas e do Amaral, todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo, espero que no meu caso sem sífilis). Era óbvio que seria impossível, por mais simpática que fosse a seleção ganesa, não torcer pelo time português. Até por que, além da afinidade histórica e lingüística, Eusébio merecia aquele triunfo. Ah, merecia...



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Escrito por Ogro às 17h18
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gajos contra ganeses - parte 2

O jogo – “Abrem-se as cortinas”

 

         Chegamos ao quadrado Westfalenstadion e rumamos para a ala destinada à imprensa. O clima era de muita tranqüilidade, mesmo com o patético atentado “terrorista” perpetrado pelos eco-chatos e a fila andava tranqüila, com jornalistas de todas as partes do mundo. Cadê o Renatão??

         Dentro do estádio, como num passe de mágica, lá estava ele, animadamente com uma mulher deslumbrante; eis a famosa Eulália. Me apresentei e rapidamente me retirei para o nosso espaço. Naquele momento de reflexão eu me ative à multidão, formada por uma massa descomunal, que tomava bem mais do que a metade do estádio, com camisas grenás com tons de verde. Num pequeno espaço estava a torcida africana, que fazia uma festa colorida e ruidosa. O destaque era o coro de “poeira” da Ivete Sangalo, que vinha da torcida portuguesa, hit em terras lusitanas.

         Sentado a uns cinqüenta metros de mim estava ele, Roberto Leal, talismã eleito por Felipão. Me dirigi a ele e o abracei calorosamente. Mas por que catzo eu fiz isso?? Certamente foi a emoção do momento. Infelizmente, o Renatão, acabara de chegar, observou tudo e riu muito.

         No centro do campo, a nau portuguesa vinha com Ricardo, Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente; Maniche, Costinha, Figo e Deco; na frente Cristiano Ronaldo e Pauleta (desculpem os risos adolescentes). Perfilada estava a seleção ganesa, com Adjei, Kuffour, Pappoe, Mensah e Painstil; Appiah, Essien, Muntari e Addo; na frente Gyan e o matador Amoah. É dada a largada.

         Essien começa a movimentar a bola, com a habilidade de sempre, aciona Appiah, que inverte para a corrida de Painstil; cruzamento para a área e cabeçada fortíssima de Amoah, detida por uma defesa monumental de Ricardo.

         Gana domina as ações, sobretudo utilizando a habilidade de Essien. A bola toca de pé em pé suavemente, quando Maniche toma a bola e rapidamente aciona Deco, toque de primeira para Figo e falta de Mensah. A distância é grande, mas Figo resolve bater direto. O petardo explode na cabeça de Kuffour, na barreira e engana Adjei. Portugal 1x0. Festejei como se fosse português, enquanto o Renato procurava a Eulália na multidão. Eram jogados 27 minutos

         A seleção ganesa não se abalou e continuou a dominar o jogo, com Essien conduzindo a partida como um maestro, que aos 38 minutos se lança com fúria em direção ao campo de ataque, aplica um drible seco em Maniche e lança a bola para o bico da área lusitana aonde Gyan avança, aplica outro drible seco em Ricardo Carvalho e fuzila o goleiro Ricardo. Empate no jogo e um silêncio assustador. Naquele momento só se ouviam os berros de Felipão, vermelho como um pimentão, primeiro dirigidos ao auxiliar, alegando impedimento de Gyan, depois ao seu time.

         Aos 47 minutos, o árbitro encerra o primeiro tempo.



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Escrito por Ogro às 17h17
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gajos contra ganeses - parte 3

O segundo tempo

 

         No intervalo, ambas as torcidas gritavam a plenos pulmões e  chacoalhavam panos de cores diversas. Enquanto isso, saímos em carreira desabalada atrás da formosa Eulália. Em frente ao bar do setor de jornalistas, lá estava ela, acompanhada de quatro cronistas lusitanos agoniados. Algumas cervejas e amenidades acalmaram os gajos.

         Felipão, sabiamente, manteve o elenco no gramado, vociferando orientações e gesticulando histericamente, enquanto a turba lusitana entoava um grito de guerra que parecia um mantra. Era um espetáculo arrepiante.

         Sábio Luiz Felipe. Começa o segundo tempo e a nau lusa voa como um supersônico. Cada um dos gajos tinha sangue nos olhos. Costinha tinha sido deslocado para marcar exclusivamente Essien e as melhores jogadas de Gana foram anuladas. Essien tentava, mas Costinha em partida iluminada colava nele como um carrapato. Aos 14 minutos, uma bola roubada por Maniche dá início a uma troca de passes entre Figo e Deco, abertura para Nuno Valente, corrida até a linha de fundo e centro baixo para o peixinho de Cristiano Ronaldo. Portugal 2x1. Os cronistas portugueses na cabine ao lado gritavam, ensandecidos, frases que mal pareciam português e que eu mal podia compreender.

         A ansiedade e desespero tomaram conta do time africano. O carrapato Costinha não era nada engraçado para Essien, que aos 26 minutos desferiu nele uma cotovelada desleal e foi expulso. Gana perdia o seu melhor jogador.

         Gana partiu para o ataque seguindo uma velha tradição africana, a de perder qualquer precaução defensiva. Os nove jogadores investem contra o campo português e em três contra-ataques o goleiro Adjei operou milagres.

         Aos 42 minutos, no auge do desespero, em um escanteio, o espigado Adjei sai do gol e sobe para o ataque. Bola alçada na área lusa e Pauleta (risos), então apagado no jogo, mata a bola, dá um passo e com um petardo preciso faz o famoso “gol que o Pelé não fez”, acertando a meta ganesa desde sua defesa. Histeria geral, choro de Felipão e invasão de campo por um gajo, logo preso pela politzen. 

         Felipão gesticula, grita, pula, até que aos 48 minutos o árbitro encerra o jogo. “Fecham-se as cortinas”, como diria o monumental Fiori Gigliotti e os jogadores portugueses se abraçam, gritam, lançam Felipão ao ar e celebram a maior glória, até aqui, da seleção portuguesa. Final de jogo, Portugal 3x1 Gana. Portugal ia para a sua primeira final.

         Na saída do estádio, no corredor, lá estava ele, Eusébio. Eu e o Renatão corremos e o abraçamos sem falar nada. Acho que não era necessário.

         Do lado de fora, ela, a simpática Eulália e um grupo de portugueses com olhos marejados nos abraçaram e nos conduziram para uma tasca no centro de Dortmund, onde uma multidão de portugueses já se embebedava. Terminei a jornada comendo uma maravilhosa açorda, entre goladas de Sagres, enquanto o Renatão gastava o latim. Agora, rumo à Berlim.

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Ogro às 17h15
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Quanto foi Gana e Portugal?????

Bolonistas.... não consigo dormir... o jogo é amanhã....

 

Coisas de cadernos. Coisas de guardar. Memórias. Coisas da vida. Fatos. Coleções. Camisas de Futebol. Futebol de Salão, na quadra da escola. Futebol de meia. Futebol de latas de refrigerante. Botão. Camisa do Timão. Bafo. Tricolor Tri campeão do Mundo. Galo. Reinaldo. Mengão. América de Rio Preto. Zico, Pelé e Raí. Sócrates, Falcão e Nelinho. Zé Maria, Maradona, Tostão e Zé Sérgio. Coisas do futebol. Bolão. Bolonistas.

 

As palavras iam e saiam. Quase nenhuma frase. As frases se escondiam. E, num átimo, preenchiam a tela. É difícil escrever assim. A ansiedade do jogo. A ansiedade da palavra. Os barulhos. A torcida. O café da manhã e a noite sem dormir. A madrugada e o papo sobre o time, o melhor que vimos. Ronaldo. O Nove o e Dez. Cafu. Jardim Irene. Parreira. Zagallo. E argh, Teixeira. E Kfouri, Torero, Trajano, Galvão, Alberto Helena, Fátima Bernardes, Soninha e Veríssimo. E Chico.

 

Era sonho. Desconexo. Daqueles que as imagens são rápidas e guardamos nada. Ou muito pouco. Ou tudo. Um pouco. O despertador tocaria dali a instantes e sairíamos para o grande dia. A final. A Copa. A Alemanha. Era dezembro e foi o Deco. Uma idéia do Massoneto. Um projeto de viagem. O Bolão e o Daniel. O diário e o Renato. As apostas. O Pança no gol. Jóia rara. A cerveja no bar do Franklin. O Ogro e as porções. O Pedro, as biritas. Faltava pouco, chegamos julho. E era a Copa que terminava. A Nossa Copa. Ricardo e Romário, lágrima. E era o Juliano que lembrava, sempre, a hora que a gráfica fechava. O texto teria que ficar pronto. Mas que texto?



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 16h07
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Rumo a Berlim. Parte 1.

Ainda é cedo em Munique e cá estou caminhando até o estádio onde em breve Brasil e Alemanha decidirão uma vaga para a Final da Copa do Mundo de 2006. É cedo ainda, muito cedo, e por isso resolvi caminhar até o palco. A ansiedade puxou meus cobertores antes que o quase eterno sol do verão alemão o fizesse.

A sensação de assistir ao vivo a uma semifinal é de estranhamento. O fato de uma das metades da contenda ser amarela aumenta o nó da garganta gravemente. Resolvi dispensar as folhas e juntar cacos da minha existência para preencher de cores minha ansiedade. Não quis saber a escalação, embora desde ontem soubesse da gravidade da lesão de Roberto Carlos. Não quis ouvir entrevistas, embora pudesse antecipar as macaquices de Zagallo. Bastam os cacos.

Vi a Alemanha ser campeã uma vez, em um jogo fraco. Vi o Brasil ser campeão uma vez, em um jogo fraco, e outra, em um jogo fácil. Nesse último, o adversário foi a Alemanha. Vi a Alemanha ser vice-campeã, quando do outro lado brilhou um gênio. Vi o Brasil ser vice-campeão, quando do outro lado brilhou um gênio. Isso importa? Há coincidências tais que permitam o traço de uma tendência? O Brasil manterá o padrão que sempre o permitiu dobrar os alemães em jogos decisivos? A Alemanha dobrará suas forças sob o sonoro manto da torcida? Haverá auxílio da arbitragem para os de casa, como já o houve nesta Copa?

As perguntas ocupam minha caminhada e aceleram as horas. Quero chegar cedo à Arena: buscar o silêncio de uma cabina e tentar sorver cada instante dos minutos que preencherão o intervalo entre os dois solenes apitos, depois do que saberemos quem viajará até Berlim.

O silêncio da cabina, quando fechadas suas portas e desligados os aparelhos de TV, constrói um cenário surreal: vejo a euforia da torcida brasileira à minha frente e, mais ao longe, a mesma euforia do lado alemão. Mas não os ouço – visto um pesado fone de orelhas para aumentar ainda mais a sensação de isolamento. O fato é que não quero torcer: quero perceber o jogo sem as lentes da predileção, e isso seria impossível na torcida. Impossível.

Por isso tentei desconhecer o arrepio que me chacoalhou quando entrou a seleção nacional em campo. Sem as mãos dadas, o que me acalmou, e com o astral leve, o que me causou pânico. Entraram Rogério, Cafu, Lúcio, Juan, Zé Roberto, Juninho, Emerson, Ronaldinho, Ronaldo, Kaká e Adriano. Parreira havia feito uma interessante opção: recuar Zé Roberto para a sua posição de origem e permitir a Juninho atuar como volante. Foi um excelente time que adentrou a Arena, não há dúvidas.

Vi entrarem, graves como sacerdotes, os alemães. Lehmann, Jansen, Metzelder, Mertesacker, Schneider, Frings, Borowski, Schweinsteiger, Ballack, Klose e Podolski. Um time sem brilho, o que – por ser alemão – não inspira vaticínios.

Cumprimentos, trocas de flâmulas, abraços mais calorosos entre companheiros de equipe, apertos de mão entre os conhecidos de vista, um apito.

O arrepio agora contorceu parte do meu corpo, mas ainda resisti a entrar no clima do jogo. Atenção, objetividade, distanciamento. Preenchi com voracidade um caderno com todos os detalhes dos primeiros quinze minutos: o Brasil teve 57% da posse de bola, duas finalizações erradas, quatro passes errados, duas bolas perdidas, uma falta.



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Escrito por Demas às 14h07
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Rumo a Berlim. Parte 2.

Conferia minhas anotações e bisbilhotava o jogo quando Lehmann cobrou o tiro de meta baixo demais – a bola voou paralela ao gramado por metros até encontrar o chute de Ronaldinho, no círculo central. Um instante mágico: a bola voltou com violência contra o gol alemão. Lehmann, basbaque, correu para tentar impedir o gol e, abraçado à trave, viu a bola não entrar por capricho. E soltou o suspiro de alívio.

Foi o que bastou: estava totalmente equivocado. A quem interessa o scout? Não a mim. O que estava era covardemente fugindo da responsabilidade de ser torcedor, de ter que encarar a angústia apertando o peito e vencer o medo da derrota, esse corvo. Estava era querendo prevenir a frustração ou preservar meu orgulho da mancha fedorenta do fracasso. Mas o chute de Ronaldinho bastou. É impossível ficar indiferente a uma resposta de primeira a um tiro de meta. Havia algo de familiar naquela cena, algo mágico e sedutor que me impeliu a jogar para o alto meu caderno, escancarar as janelas da cabina e sorver o maravilhoso barulho que emanava do monstro da lagoa. Permiti um lento e longo inspirar daquele cheiro de gente, de bola, de tudo. Só então reparei o quão bonita era a festa. E o jogo. E o jogo.

O jogo? O que dizer do jogo?

O que dizer do primeiro gol brasileiro? Ronaldo volta até a intermediária para buscar a bola, que o aceita, cadela mansa. O Nove pára por uns instantes, parece titubear, mas abre um passe para a direita, insuspeito. Kaká ainda desenha um corta-luz antes de a bola chegar a Cafu, totalmente desmarcado. O Capitão a recebe com o pé direito, adiantando-a uns centímetros, e desfere o chute mais incrível desta ou de outras Copas: a bola traça no ar uma curva indefinível e vence a Física ao entrar rente à mão direita de Lehmann. O gol mais incrível que havia visto. Como perceber a objetividade no lance? Estava claro agora que futebol não são os jogadores, a partida, a tática, são os instantes como esse, que duram não mais que dez segundos. Estava claro agora que futebol não é um jogo, mas algo mais próximo do sonho, do imaterial.

O gol brasileiro injetou de magia aquela partida. A audiência – agora contando comigo – percebia o testemunho de algo maior. E os incrédulos – se os havia – dobraram os joelhos quando o Brasil marcou o segundo.

Zé Roberto descreveu com os pés uma parábola magnífica: a bola saiu da esquerda, pintou o Morro da Urca no céu e encontrou o peito de Ronaldinho dentro da área. O Dez amaciou sua queda, permitiu que tocasse o chão e aí refez a Criação. Com o pé direito desferiu o mais gracioso chapéu sobre Schneider e não permitiu que a bola voltasse ao chão: com o mesmo pé a guiou em um chute rente ao chão, que balançou o lado direito do gol de Lehmann. O mais belo gol de todas as Copas, sem dúvida. Ronaldinho havia elevado as possibilidades do futebol ao infinito.

O intervalo entre os tempos de jogo serviram apenas para acalmar os ânimos alucinados de beleza. Os dois gols brasileiros tornaram o resto da Copa um trivial abre-alas. O time alemão deixou o campo em silêncio, certo de que não se combate com sucesso o inimigo invisível. E voltou com o mesmo semblante para a etapa complementar.

Logo aos cinco minutos, a magia voltou a mostrar seu sorriso largo: Juninho recebe a bola na intermediária, pela direita. Por um instante, pareceu que iria avançar, mas resolveu tocá-la para a esquerda, em linha paralela à da grande área. Em frente ao gol, Kaká. O Oito foi ao encontro da bola. Por um instante, pareceu que iria chutar, mas preferiu abrir as pernas e, indolente, deixá-la seguir seu rumo. Mais um genial corta-luz. A bola? Ah, a bola encontra Adriano, que a levanta com o pé direito só o bastante para machucá-la com seu espetacular pé esquerdo. Um meteoro fura o gol alemão. O Brasil marcava seu terceiro gol.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 14h06
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Rumo a Berlim. Parte 3.

A audiência, em sua metade amarela, estava enlouquecida. Aplaudia sem parar, como se homenageasse o todo, e não as frações do jogo. Parte da metade branca fazia o mesmo, testemunha de que não havia como bater aquele time encantado.

A partida correu premiando o destino com mais algumas parcelas de fantasia. Como não lembrar do drible que Ronaldinho aplicou em Lehmann, após o passe de Ronaldo. O Gaúcho ruma ao arqueiro alemão como quem vai disputar com ele um pé-de-ferro, mas deixa a bola passar e aplica uma meia-lua plástica, absurda. O alemão ainda tem tempo de olhar para trás e ver nosso Dez, desequilibrado, errar a meta por centímetros. O maior de todos os dribles, aplicado sem um toque na bola.

Quando o ocaso daquele delírio já apontava seus sinais, o coroamento.

Nos acréscimos da partida, quando todos já se abraçavam, vivos ou mortos, Emerson – um leão – apanha a bola na defesa e dribla quatro alemães com a classe de um duque. Rola a bola para Juninho, aberto pela esquerda. O craque estica um lançamento longo, paralelo à linha lateral, que encontra Ronaldo cercado de defensores alemães. O Nove toca uma vez na bola, para acalmá-la, e mais outra, para extirpar um inimigo. E toca para Ronaldinho, de frente para o gol.

Nosso Dez acolhe a bola, seu mimo, e displicentemente a rola para o lado. Ela percorre uns poucos metros, encontra um pequeno defeito no gramado e salta. No salto, encontra o vôo de Cafu, que desfere mais um chute inequívoco. Era o quarto gol do Brasil, fruto de porções de genialidade que transbordaram de cada um daqueles pés.

O juiz decreta o fim do espetáculo, e os atletas brasileiros desmoronam-se, uns sobre os outros, descrentes eles próprios do que fizerem. O lado alemão aplaude e sorri o sorriso de quem perdeu para o exército invencível. O aplauso parido da mais pura honra.

Brasil irá a Berlim. Não ouso antecipar o que pode ocorrer após uma maiúscula vitória como essa. Eu ainda estou envolto de magia, da mais pura magia.

E exibindo meu mais caro sorriso, retiro do pescoço meu Press Pass – esse amuleto que tanta delícia me deu – e o arremesso até o lixo mais próximo. Ele perdeu o sentido: agora sou torcedor. Só torcedor. E estou indo para Berlim.



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Escrito por Demas às 14h05
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Nota fúnebre - faleceu ontém uma das figuras mais destacadas da história do radialismo paulistano, Fiori Gigliotti.

Escrito por Ogro às 07h49
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Lá vem ela parte 1

Como é o nome da cidade? Gé o que? Meu Deus, que porre! O cara falou pra eu comprar Tylenol! Sempre agüentei minhas ressacas sem remédios, mas o porre vem desde o começo da Copa, parei de trabalhar. O Chefe me mandou para um jogo que nem me lembro mais e depois fugi. O que é isso? Cadê a grana, meu! Putz que lama, qual o nome da porra da cidade, parece ginseng, ou (...) como é galinha em inglês? Ou será cozinha? É um troço assim no final. Tô passado. Não consigo nem falar com os brasileiros, todo mundo nessa estação tá com camisa amarela. Vou tentar o português e o cara me abraça, velho! – ROOONALDINHO!!! E tome abraço. O cabelo cresceu, eu aqui de cabeleira enrolada e presa, com a camisa da seleça, só posso ser o cara, mas quanto branco bêbado nessa terra, para de me abraçar, sô! A tabela, mané! Lê a tabela. Cadê a minha bolsa? Iiiiihhhh... Que cidade é essa? Vou sair da estação e pegar um ar, tô sem condição de jogo, será que eu deixei a bolsa no hotel? Rapaz, a Europa é bonita, saca só aquela Torre grandona lá no fundo! Pusta cartão postal! Cacete, maluco, eu tô na França, como assim, carai, o Amaral vai me matar, meu Deus do Céu, como eu cheguei aqui? Calma, meu, respira e pensa. Tava no jogo, encontrei uma galera, paramos no bar, fomos pra estação, agora sim! Lembrei. Fui para a Holanda, Chiiihhh... Mas eu voltei para a Alemanha, vi até uns jogos!? Saí para beber de novo e aí, aaahhh, saquei, preciso da mochila, meu, cadê minha grana e, tô de porre mesmo velho, tô pesado pacas, parece... Animal, a bolsa tá nas costas, idiota! Meu, tenho que correr, preciso cobrir o jogo, parece que Portugal passou e vai pegar a Inglaterra. Como o Amaral me achou?! Égua! Bonjour, linda senhorita... Mas que beleza! É por isso que eu fugi. A tabela tá no computador, a tabela do bolão do Zecons, deve ter a cidade lá, vou olhar. Eitá, meu, acabou a bateria, vá lá, tem um café ali, vou curar.



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Escrito por Renato às 01h25
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Lá vem ela parte 2

Estou em Gelsenkirchen, não olho muito para a cidade, só penso no hotel, no banho, aquela soneca e depois a descompostura do chefe, mas tranqüilo, cheguei. O jogo marcado para às 12:00 me dará tempo de melhorar.

Desço do quarto às 10:30 e ligo para o Amaral. – Diga lá meu caro, como estamos?! Silêncio. Danou-se... Fernandão, tu tá na linha, velho?! A voz vem educada e firme. – Renatão, vai pro estádio e me entrega o texto até às 15:00 que temos que fechar a pauta, depois a gente se fala, boa sorte. Desligou. Bem, é cedo, jogo só meio-dia, vou pro bar. Mandei um salsichão e uns goles, fáceis de entender e rumei pro estádio. Cheguei à minha cabine e procurei por alguns conhecidos distantes, nesse quase fim de mês de copa devo achar algum companheiro de cachaça, pensei. A vista quase queima, lá estava ela, poucos metros de mim, bela, de onde eu estava podia sentir o seu cheiro. Eulália. Linda de morrer, cantei para ela músicas do Jorge Ben lá em... Agora tudo faz sentido, caro chefe. Ela me abandonou, foi trabalhar, cobrir o seu time, foi torcer por Angola, seu grande amor, não tinha tempo para um aventureiro atrás de um romance europeu, curti a rebordosa por quase três semanas. Faz sentido, eu acho.

Perdi o apito, olhava pra ela e cantava baixinho, lá vem ela/estou de olho nela. Portugal ganhou na moeda e deu o chute inicial, mas quando olho pro campo a Inglaterra já havia tomado a bola e partia qual locomotiva rumo a meta lusitana. Felipão pirou. Entrou uns três palmos no campo, queria jogar bola, ser o zagueiro a levantar um metro o atacante inglês. Mas recuou depois que o bandeira o advertiu e seu time se recompôs com um chutaço de qualquer jeito para longe da área. Fiquei tenso pelo Escolari. Os ingleses não vieram de brincadeira, já colocaram o cavalo no centro do tabuleiro e chamaram o jogo.

Os portugueses mal trabalharam a bola até a metade do primeiro tempo, quando Cristiano Ronaldo dispara pela meia direita, dribla genialmente o experiente Gerrard e cruza para Boa Morte que entrou de titular no lugar de Pauleta, com um pequeno machucado no calcanhar, é poupado por enquanto, só entra no sacrifício. Pois bem, Boa Morte tem espaço e chuta com força, seu coração inteiro na chuteira que não comemorava goles desde... sei lá, parece que não faria mais o rapaz, pois fez, a bola correu rente ao chão e entrou relando a trave esquerda do goleiro inglês que nada pode fazer além de pular esperançoso na direção da pelota. Não chegaria nunca naquela bola. Não me contive, pulei na cabine e procurei Eulália, ela sorria satisfeita, enquanto os jornalistas lusos quebravam tudo, fui lá abraça-los, gosto de festa. Boa Morte chorava abraçado com Felipão, tomou cartão amarelo e da cabine entendi o bom português falado pelo técnico gaúcho em direção ao árbitro. Termina o primeiro tempo assim, Portugal 1X0 Inglaterra. Inclusive o jogo não esquentou como previam os comentaristas da Globo alojados perto da minha cabine. Felipão até sentou algum tempo no banco.



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Escrito por Renato às 01h24
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Lá vem ela parte 3

Intervalo. Corro e compro duas cervejas no bar, volto animado com a idéia de trocar palavras com Eulália. Trombamos ridiculamente no corredor de acesso às cabines e acabo banhando a nós dois de cerveja. Ela não esquentou, deu uma lambida no braço esquerdo, mais molhado pelo líquido e agradeceu, falando que estava ótima a cerveja, geladinha. Quase tenho um ataque cardíaco. Desço as escadas rumo ao bar sem saber o que falar, enquanto ela sorria despudoradamente do meu infortúnio. Compramos novas cervejas e conversamos sobre o jogo, às vezes eu cantava na cabeça uma música do Jorge, estranhamente o que me veio foi Fio Maravilha, que acabei cantando para ela. A morena conhecia a canção e cantou comigo. Assim eu não volto mais.

O segundo tempo demora a começar. Se eu soubesse teria conversado mais. O juiz não permite o reinício da partida, vários ingleses invadiram o campo novamente, só faltou o príncipe dessa vez, em compensação nunca vi tanto homem pelado na vida. Eulália ria de por os bofes para fora, mudei de rumo o olhar, é óbvio! Eu e todos os companheiros de trabalho, falei sozinho um que beleza!

O time inglês volta recuperado do baque do gol sofrido em seu melhor momento da partida e Owen em menos de três minutos serve Rooney para empatar. Com a categoria dos craques mata a bola na intermediária adversária, encobre um zagueiro maluco de Portugal que eu nem vi quem era e deixa o atacante de frente para o gol, um toque simples de lado, goleiro no chão e bola na rede. Nada mais apropriado para um jogo de Copa, golaço!

O futebol melhora muito, as duas equipes voltaram com energia e os lusitanos não se abatem. Felipão é o caráter em pessoa, grita e gesticula, incentiva o time, aplaude as boas jogadas e levanta a torcida portuguesa, que grita seu nome como poucas vezes eu vi na vida. Cheguei a assustar. Eles estão pedindo pro cara entrar em campo? Pois deve ter entrado, porque o time estava arrumado e o segundo gol não tardou. 2X1. Inenarrável. Toques rápidos, precisos, triangulação e gol. Não digo mais. O povo delira. Mais um inglês no campo, a segurança foi rápida, mas não o suficiente para evitar o tapa que Figo tomou na cabeça, o passe do gol foi dele. Não me abalei tanto.

A Inglaterra se esforça e Berkham empata novamente de falta na entrada da área lusa. Taco a caneta no chão, filho da puta! Eulália me escuta e faz um gesto que não compreendi. Fico sem graça e me pego torcendo para Portugal. 2X2. Falta agora dez minutos do tempo regulamentar. O jogo aperta no meio e os dois times adiantam a marcação, ninguém parece querer prorrogação ou pênaltis. Quem leva a pior é Lampard que, numa bola lançada na área Portuguesa, sobe mais que todo mundo e cabeceia pro chão com a força de um chute. O goleiro chega a tocar e a meia altura um zagueiro português bica para longe a bola que já tinha entrado. O bandeira não viu, o juiz também não, os ingleses enlouquecem e a partida fica parada por uns dois minutos. No meio da confusão uma mão chega no queixo do árbitro. Os portugueses que nada tinham com aquilo observam Terry ser expulso do jogo. A Inglaterra perde um jogador e se descontrola. Portugal se aproveita do novo estado de nervo inglês e arma as jogadas com precisão, penso eu, vai chegar, vai entrar. Entrou, bem, entraram, dois goles em três minutos. Um escanteio e o time português sem apenas dois homens na área inglesa, contando o goleiro, faz de cabeça e um sem-pulo de Cristiano Ronaldo quase na marca do pênalti que selou a vitória lusitana.

Saio feliz, me distraio e esqueço da Eulália pensando no jogão que tinha visto. Mas, de repente sinto um toque de leve na mão e olho para trás, que beleza!

Vai valer a descompostura!



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Escrito por Renato às 01h23
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disputa entre continentes - parte 1

Aldeia Global

 

Nenhuma Copa do Mundo tem graça se não tiver zebras e jogos bizarros. Na Copa de 2006, o imponderável, algumas vezes preguiçoso, já tinha trabalhado um bocado e naquele dia, a seleção da Coréia do Sul, coadjuvante do mundo da bola e a seleção de Gana, com tradição apenas em torneios de categorias inferiores e caloura em Copas do Mundo, iriam se enfrentar em um jogo das quartas-de-final.

O embate entre estas duas seleções refletia de modo claro a difusão global do futebol, colocando frente-a-frente, em pleno solo germânico a escola africana, marcada por alegria e atualmente por alguma brutalidade, introduzida por alguns técnicos europeus que por lá se aventuraram e a escola asiática, marcada por muita correria e obediência tática.

A cidade de Hamburgo, sempre fria e árida, com seu ar portuário e a sombra das águas cinzentas do Báltico, estava mais colorida e alegre do que nunca.

Dezenas de grupos de ganeses, acompanhados de nigerianos, marfineses, togoleses se reuniam em alegres confrarias, com suas vestes coloridas, reavivando no futebol o ideal do pan-africanismo, enquanto que logo ao lado, grupos imensos de coreanos, com as suas camisas vermelhas e seus gigantescos instrumentos de percussão, pacificamente enriqueciam a festa. Europeus de várias partes tinham se deslocado para ver o inusitado confronto, grupos latino-americanos, sempre eles, executavam coreografias musicais com cabrochas sambando ao lado de mariáchis com grandes chapéus e bigodes. Afinal, Hamburgo sempre foi a capital da música na Alemanha.

 



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Escrito por Ogro às 15h59
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disputa entre continentes - parte 2

O jogo – primeiro tempo

 

 

         Neste clima de alegria, eu e o Pança, cronista designado para acompanhar a etapa final da Copa, chegamos a Hamburgo, loucos para cair na esbórnia (no bom sentido, antes que sejamos emasculados pelas nossas senhoras). O centro do agito era o bairro de St.Pauli, o maior distrito da luz vermelha da Europa. Procurávamos por uma taverna quando fomos abordados por um bando ensandecido de coreanos. Eufóricos com as nossas camisas canarinho, eles nos arrastaram direto para um restaurante coreano escondido numa viela. Algumas horas comendo bulgogui (leia-se churrasquinho coreano) e bebendo Jinro, uma aguardente coreana feita de ginseng (!!!!) já estavam quase me fazendo falar coreano. Bom, nossos colegas garantiram que a birita tem efeitos milagrosos. Veremos......

         Já num estado bastante alterado, saímos do restaurante e rumamos para uma cafeteria, para tomarmos vários cafés e dali nos pirulitamos para o Volksparkstadiom. Ao chegarmos, nos aboletamos em assentos centrais, junto a um bando de mexicanos sempre festivos. Gastamos alguns minutos em silêncio, observando a dramaticidade do estádio, íngreme, quase parecendo uma bombonera européia.

         No centro do campo, a suposta favorita Coréia estava disposta a mostrar ao mundo que não tinha sido semi-finalista em 2002 por acaso. Trazia um elenco coeso, liderado por Park Ji-Sung do Manchester United. O ânimo coreano era grande, sobretudo após o massacre imposto à seleção francesa.

         Alinhada estava a seleção ganesa, com craques respeitáveis, liderados pelo veterano  defensor Samuel Kuffour, pelo milionário Essien e pelo volante Appiah, da Juventus de Turim.

         Começa o prélio. Park Ji-Sung aciona Lee Youg Pyo, que é prontamente desarmado por Kuffour, que lança Tiero. Bola rápida demais, pela linha de fundo.

         Com o passar dos minutos, o futebol ganense perde a força bruta e começa a se alegrar graças a ele, Essien, que ainda com sangue africano (e não italiano, ou alemão, ou inglês), ensaia dribles magníficos, dignos de um Ronaldinho Gaúcho. Dessa forma, a bola rola com suavidade, de pé em pé, interrompida por um drible desconcertante ocasional, que anula completamente o ritmo frenético coreano. Aos 17 minutos, Essien inicia uma jogada genial, tirando com um drible de corpo um zagueiro coreano, aplicando o chamado “drible da vaca” no segundo e lançando para Tiero, que com um corta-luz deixa a bola livre, pedindo “me chuta, me chuta, me chuta” para Amoah. Golaço africano. Gana 1x0 Coréia.

         A animada turba coreana continuava a batucar, mas abalado pela plasticidade do gol africano, o time coreano se encolheu como um caramujo e esperava o tempo passar, à espera do imponderável. O grande problema, me disseram depois, é que o imponderável e seu primo, Sobrenatural de Almeida, assistiam a tudo na TV de um bistrô parisiense, acompanhados por franceses, que se deliciavam com a queda iminente de seu algoz.

         Termina o primeiro tempo e a seleção coreana respira aliviada. O 1x0 estava saindo barato. Eu e o Pança fomos para o bar e enchemos a lata com......coca-cola!! Rapaz, aquele merda de Jinro dava uma ressaca monumental.



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Escrito por Ogro às 15h58
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disputa entre continentes - parte 3

Segundo tempo – o fantasma do terrorismo

 

         Começa o segundo tempo e recomeça o baile. A seleção ganesa, seguindo a antiga tradição africana, eliminada nos últimos anos, começa a fazer gracejos com a bola. Calcanhar pra cá, trivela pra lá e o jogo seguia bonito, apesar de pouco objetivo. Aquela coreografia quase musical irritou os coreanos, que começaram a correr mais e a apertar a marcação. O ápice foi um “pombo sem asa” desferido por Lee Young Pyo, que explodiu no travessão ganês.

         O som surdo da explosão da pelota no travessão acordou todo o time africano e Kuffour se agigantou, orientando todo o time de modo a avançar e massacrar o outro time, que novamente voltou a se defender com os dez jogadores em seu campo.

         Aos 23 minutos do segundo tempo, Appiah escapa como um autêntico ala esquerdo e centra a bola para Essien, que com uma bicicleta perfeita, daquelas que todo menino que joga bola sonha fazer, decreta Gana 2x0 Coréia.

         Então, aos 27 minutos, eu e o Pança nos demos conta do início de um tumulto na área dos camarotes; uma moça de vinte e poucos anos arranca o seu longo vestido e usando apenas um biquíni de pelúcia investe contra o camarote em que estava o presidente sul-coreano Roo Moo-hyun e arremessa uma sacola cheia de sangue e vísceras de porco. O mandatário coreano, completamente coberto com aquela gosma permaneceu estático, em choque, enquanto a moçoila era imobilizada por aproximadamente cinqüenta soldados, fardados, mascarados. Dois helicópteros começaram a dar vôos rasantes sobre o estádio, enquanto outras centenas de soldados entravam no estádio e outras centenas prendiam algumas dezenas de manifestantes que, fora do estádio carregavam cartazes usando roupas de pelúcia.

Por fim, descobriu-se que o grupo “terrorista” em questão era formado por membros do PETA (“people for ethic treatment of animals) e do Partido Verde alemão, protestando contra o hábito coreano de se alimentar com carne de cachorros. Cheguei a me solidarizar com eles, talvez por que eu não consiga me imaginar comendo um pedaço do meu cãozinho Ernesto.  O forrobodó dentro dos estádios paralisou o jogo por 40 minutos enquanto os soldados vasculhavam cada sacola e cesto de lixo, felizes por finalmente terem sido úteis e valido a fortuna que custaram.

Recomeça o jogo e o time coreano corria de forma abobada em campo. Quando o cronômetro do árbitro marcava 37 minutos, após ataque ganês que terminou com a bola chutada pela linha de fundo, o goleiro Lee Won-Jae repõe a bola de maneira completamente desastrada e a mesma cai nos pés de Essien, que cruza para o canto da área coreana e a cabeçada solitária e certeira de Amoah. Gana 3x0 Coréia

A reação coreana não foi de uso da violência e entradas desleais, mas apenas de apatia. Cada jogador refletia a imensa superioridade do adversário naquele confronto e também a humilhação sofrida por seu presidente. Desta forma, o jogo transcorreu de forma monótona por mais 8 minutos e aos 45 minutos cravados o juiz encerrou o jogo, cravando o resultado de Gana 3x0 Coréia.

Fomos embora do estádio e entramos numa taverna qualquer, cheia de africanos em êxtase para rebatermos aquela ressaca horrível e celebrar o fato de que aquela era a primeira seleção africana a avançar às semifinais de uma Copa do Mundo.

A ironia final do jogo foi o fato de que, numa Copa marcada pelo medo de ataques terroristas gigantescos promovidos por grupos islâmicos ou contrários ao ocidente, a única manifestação política agressiva foi feita por algumas dúzias de eco-chatos alemães e estadunidenses.



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Escrito por Ogro às 15h57
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Cadê o barulho?

"Perguntei ao Tostão, que esteve na Suíça, se as perspectivas da seleção eram boas. São boas demais, respondeu o Tostão. Perfeito. A ausência de preocupação é que preocupa. Você também não estaria tranqüilo com tanta tranqüilidade. Precisa-se de uma crise, com urgência, na seleção, qualquer coisa maior do que uma bolha, para as coisas voltarem ao normal."

Luís Fernando Veríssimo, em O Globo, hoje.



Escrito por Demas às 11h19
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Esforço concentrado?

Bolonistas:

Falta um jogo e meio das Quartas (o Ogro já escreveu metade de Gana e Coréia). Amanhã é quarta.

Se conseguirmos fechar as Quartas amanhã, depois é quinta.

Na quinta, Semifinais: dois jogos, dois jogos. Aí é sexta.

Na sexta, a Final: eu voto no Amaral, e não é só pela rima. Ele garante o jogo antes da Copa começar, e com espetáculo.

Rumbora? Esforço concentrado?

(o melhor jogo está sobrando: Inglaterra e Portugal)



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Escrito por Demas às 21h34
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Alemanha X México. Capítulo 4.

Quando o árbitro decidiu o fim do primeiro tempo, não sabia o que fazer. Não tinha a quem entrevistar, nada o que fazer a não ser buscar na memória a delícia de assistir a um gol tão de perto, em Copa. Os barulhos: o estampido e o silvo – tão complementares.

 

Senti alívio com o recomeço: mesmo gol, outro goleiro. Bem mais baixo, ainda que aparentemente mais seguro, estava à minha frente Sanchez. Batia menos palmas, bebia mais água e soltava gritos que – alívio – eu reconhecia. Assim reconheci seu grito contra Rafa Márquez quando o ídolo catalão vacilou e permitiu o chute de Ballack. O barulho da bola na trave, que barulho. Pareceu uma pancada de marreta sobre concreto. E depois o silvo, idêntico ao primeiro: Alemanha 1 X 1 México.

 

Ah, e o cântico longínquo da torcida, mais alto e longo que o primeiro. As sensações variavam, pois agora o jogo se passava todo à minha frente. As costas de Salcido, Pardo e Lozano. De frente: Klose, Podolski e Frings. Os gritos de Sanchez, mais altos e constantes, antecipavam o destino: “bola alta, sai, sai, cuidado, dois em um não, livre, livre”. E os barulhos de bola e pé, pernas e pernas, mãos e bola, bola e mão se sucediam freneticamente: a Alemanha dominava a área mexicana qual donos lutando contra resistentes incontroláveis. Até que houve o encontro entre pé e rosto. Omar Bravo busca com o pé esquerdo uma bola alta e encontra o rosto de Deisler: pênalti.

 

Primeiro, uivos. De todos os lados. Depois, brados. Dentro de campo. Enfim, o silêncio, que persistiu até o encontro do pé com a bola. Daí o suspiro tenso. Daí o barulho de bola e mão. Mão e chão. Bola e trave. Trave e o silvo. Daí a explosão.

 

Klose converte o pênalti e Gelsenkirchen explode: Alemanha 2 X 1. Gritos ecoam ao meu lado: jornalistas europeus aliviados com a morte da zebra. Eu fechei os olhos e curti o monstro da lagoa lentamente se acalmando.

 

O fim do jogo foi brindado com outras ondas de urros e apupos, mas já estava de saída. Esses eu já conhecia.

 

Estava ainda curtindo meu jogo zen. O único a que assisti dentro de campo. Meu penúltimo jogo antes de voltar pra casa. Estou quase pronto.



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Escrito por Demas às 20h22
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Alemanha X México. Capítulo 3.

Sabia uma zona a cobertura dentro do gramado, ou à sua volta: não imaginava o tamanho. A confusão de fotógrafos ansiosos pelo clique consagrador, a euforia dos jornalistas em busca da paisagem, tudo tornava a missão do cronista um horror. Os detalhes me faltavam sempre na hora decisiva: ouvia o oh da torcida e esticava o pescoço, mas nada. Resignação: o gol eu não perco.

 

E não perdi mesmo: Lehmann parecia ansioso quando Franco partiu pela esquerda de sua defesa. Bateu nervosas palmas e gritou com Lahm, como se o empurrasse. O mexicano cruzou de longe, Lehmann saltou: suas mãos não encontraram a bola, mas o rosto de Borgetti. O rosto desse também encontrou a mão daquele, mas antes tocou a bola, que estufou a rede alemã. Gol mexicano: a bola descansa quase ao alcance de meus pés. Nunca havia visto ou ouvido um gol tão de perto, nem em pelada.

 

Não supunha um gol tão de perto, em verdade. Os barulhos. De cabeça em bola, de bola em rede, de mãos em rosto, de lamentos e gritos de alerta. É tudo muito diferente. A cabeça na bola: um estampido rápido. A bola na rede: um silvo suave. As mãos no rosto: um tapa abafado, esquisito. Os barulhos.

 

Nenhum tão estranho quanto a comemoração, tão longe estava da arquibancada. “Então é assim que eles ouvem”. Estranho: um abafar de vozes que cria um uníssono mascado de vaia e afago. Tudo é indefinível.

 

O melhor da Copa até agora foi essa sensação: o oposto de tudo o que vivi como torcedor durante minha vida.

 

Queria a repetição, mas aí se deu que os alemães melhoraram demais seu ritmo de jogo: a certeza vinha da total ausência da bola em seu campo. Esticava o pescoço para buscar, qual periscópio, algum lance lá na frente, mas só via uns espectros verdes ou brancos ao longe. Perto, só Lehmann, seu fardamento azul e suas palmas e gritos, tão próximos que quase os entendia. Mas a bola não chegou mais ao gol de Lehmann.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 19h50
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Alemanha X México. Capítulo 2.

O WM Stadion é o único estádio coberto desta Copa. Sob seu teto, um conforto, germânicos e americanos enfrentam seu destino nesta tarde. Mas isso é mais tarde. Eu já estou aqui, sentado no centro do campo, horas antes de a partida começar.

 

Consegui, enfim, com a dupla ajuda de um ex-jogador do São Paulo e um compositor brasileiro, o passe que dá entrada ao gramado. Posso ficar aqui até a hora do jogo e voltar após ele. Consegui.

 

Desde o começo desta maravilhosa cobertura, fantasiei este momento. Ficar aqui sentado, em um estádio vazio, esperando a audiência ocupar todos os espaços, cada um deles. É isso o que vejo agora.

 

A torcida começou a chegar cedo, mas devagar. Tornou-se um vagalhão maciço faltando duas horas. E agora, à beira de contenda, a torcida é uma massa agitada e vibrante, divida em duas partes desiguais: um pedaço branco, parrudo e grave; uma fatia verde, pequena e agitada. Assisti a essa invasão em silêncio: vi chegar o primeiro fã, ouvi a primeira corneta; vi o primeiro senhor escolher o centro, ouvi o primeiro jovem entoar sua cantoria. Agora tudo é indefinível.

 

O guarda vem em minha direção: tenho de sair. Ficarei atrás do gol. Do mesmo gol nos dois tempos. Só me interessa o gozo: depois de minha meditação, estou farto de preliminares.



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Escrito por Demas às 19h24
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Alemanha X México. Capítulo 1.

“Deco, seu féla.”

 

Assim fui acordado em Gelsenkirchen neste primeiro dia de julho.

 

“Sim?”

 

“Conseguiu.”

 

“Sim?”

 

“Acooooooorda, felá!”

 

Assim fui de fato acordado na cidade onde Alemanha e México se enfrentariam pelas quartas-de-final em Copa do Mundo.

 

“Sim, Amaral, qué pasa?

 

“Conseguiu o tal do Wild Press Pass. Vai poder entrar no gramado hoje. É só passar no comitê de imprensa e pegar.”

 

Tu tu tu tu tu tu...



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Escrito por Demas às 19h06
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E que dia....

 

Bolonistas, Sarriá e Frankfurt

 

 

Tenho uma relação difícil com o escrete canarinho. Na verdade, a bazófia da “amarelinha” me irrita. A CBF me irrita, muito. Toda vez que penso na face do Ricardo Teixeira comemorando a vitória da amarelinha me dá uma náusea violenta. Talvez por isso não tenha me candidato antes para cronicar os jogos do Brasil. Pode ser agouro. O que eu iria dizer para o Zecão, depois daquele Brasil e Itália, se logo na minha vez perdêssemos? E perder para a Ucrânia, vejam só...

 

Outro fato me deixava tenso. Eu sempre acho que times do Leste Europeu aprontam em Copas. Uma hora era a Hungria, outra a Tchecoslováquia. Acabaram com a Checoslováquia, desclassificaram na primeira fase os checos. Os soviéticos, o Gorba fez questão de entregar tudo, tudinho, para o sonho americano. Os romenos, nem vieram. A Croácia também já aprontou das suas, mas já está desclassificada.  Mas sempre tem um time do Leste Europeu aprontando. Não conseguia mais dormir. O Zecão ia ficar fulo se algo acontecesse. Todos ficariam. Mas já era tarde, estava em Frankfurt. Se não fosse o Deco errar os jogos não estaria aqui. Mas estou. Tenso. Que diacho de teoria era essa do Leste Europeu?

 

“Ouviram do Ipiranga”. No hino o telão cravou a face do Ricardo Teixeira. Largo sorriso. Depois, o Zagallo, transpirando emoção. Ai.... Sei lá, não deveria estar aqui. Não deveria. Pensei em sair do Estádio. Resignei. O time do Brasil é muito melhor e a Ucrânia não teria chances.  Um vento frio vinha do leste. Corei.

 

Rogério, Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos. Émerson, Zé Roberto, Kaká e Gaúcho. Adriano e Ronaldo. As estrelas do Brasil enfeitavam as capas dos periódicos, dos cartazes publicitários, dos “stands” do lado de fora do estádio. Chuteiras, banco, cerveja, agasalhos, financiadoras, operadoras de celular. Uma febre. Li que a CBF esperava que a Receita Federal liberasse o desembarque da seleção nacional.

 

A Ucrânia, um time chato. Burocrático, mas eficiente. Marcava firme. E Schevkenko parado no meio campo, esperando. O jogo era chato. O Brasil parecia travado. Cansado. O jogo, o épico contra os italianos parecia ter dinamitado as forças do time. Estava nas cabines de imprensa e vi o semblante de preocupação do Falcão. Falcão estava no Sarriá. Roberto Carlos fazia uma partida esquisita, por duas vezes tentou uma bicicleta na área... lembrei-me daquela presepa contra a Dinamarca em 98, o gol de Brian Laudrup depois da furada do lateral. Me lembrei daquele escanteio inútil que originou o gol de Zidane, escanteio resultante de alguma bobeira do nosso lateral. A Ucrânia, um time chato. Muito.

 

Numa bobeada fenomenal de Ronaldo Gaúcho, roubam a bola. Lançamento para Scheva, nas costas de Roberto, Lúcio não chega. Mas Juan, no carrinho,  manda para lateral. Scheva bate rápido, RC escorrega e Voronin recebe e manda para o gol. Rogério nada pode fazer, embora estivesse adiantado. Ucrânia, um a zero. Temi pelo pior, pensei no Zecons. Porque eu?

 

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Escrito por Amaral às 17h47
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Coração na Goela

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Na saída de bola, Voronin, o nome do jogo, tira a bola de Émerson. De longe me pareceu falta, das ignóbeis. Pelo teipe, foi escancarada falta. Voronin, Sheva, uma finta em Roberto Carlos e centro para Voronin, sempre ele. Rogério tira a bola, na linha do gol. A pelota bate nas costas de Lúcio. 2 x 0. Silêncio no estádio. A maioria estava espantada. Muitos brasileiros. Galvão Bueno emudeceu. Não tinha forças para narrar o gol. Soube, depois, que tiveram que colocar o Luis Roberto, do estúdio, para narrar o resto do jogo. Fátima Bernardes chorava, não entendi. Fim do primeiro tempo. Brasil 0 x 2 Ucrânia.

 

Pensei o óbvio. Parreira ia fazer as substituições óbvias. Provavelmente Robinho no lugar de Adriano, inoperante. Ronaldo Fenômeno, inoperante, também,  não iria sair. Juninho veio, mas no lugar de Roberto Carlos. Incrível, não era o óbvio. Zé Roberto passaria para a lateral. Era o desenho do time. Mas só isso. Seria suficiente? Senti um nó na garganta quando Voronin desferiu um petardo que Rogério tirou sabe se lá como. Cafu, o capitão,  começou a descer mais. Nas costas do capitão, o técnico Blokhin, aquele que fez o gol da URSS contra o Brasil em 82 no frangaço de Valdir Peres, colocou Sheva. Por ali seria o inferno. E foi. Mas Cafu ia e voltava, e se entregava ao jogo. E quando a Ucrânia era melhor foi Juninho que achou Kaká, que encontrou Ronaldo, livre, na frente da zaga, na corrida, do jeito que o Nove mais gosta. Gol. E o árbitro marca impedimento. Não foi, pelo teipe, não foi.

 

Cafu, sempre ele, recebe um lançamento de Rogério. Cafu, sempre ele, na corrida, deixa o lateral ucraniano para trás. E pronto, na entrada da área desfere o petardo. 2x1. Golaço. Mas Cafu põe a mão nas pernas. Extenuado. Cai. O semblante de Parreira denunciava o pior. E Parreira teria que decidir o jogo. Precaução, e buscaríamos o empate. Mas teríamos esquema para a prorrogação. Ou, o time no ataque e a prorrogação seria uma incógnita.

 

Mineiro, sim, Mineiro no lugar de Cafu. Não entendi nada. Nada. Era precaução, talvez. Parreira colocaria Robinho para um Deus nos Acuda no final do jogo. Precisava de Mineiro em campo. Mas não foi isso, não deu tempo. O estabanado Lúcio, correndo atrás de Voronin, tropeça e feio. Sai de maca. Emudeci. Era o fim.

 

Fred entrara no lugar de Lúcio. Sim, Fred. Parreira surtou. Émerson ficou como zagueiro. Zé Roberto foi para o lugar de Cafu. E, pasmem, Gaúcho ficou pela lateral esquerda. E foi de lá, de lá mesmo, que o Ronaldinho do Barcelona se encontrou. Chapelou um, fintou outro, chamou Voronim para bailar e pronto. Colocou a pelota nos pés do Fenômeno. E caixa. Trinta e oito do segundo tempo. O estádio explode. O empate. Ronaldo corre, abraça, dá socos no ar. Era raiva. Era gol. O árbitro não diz nada. Bola no centro.

 

Foram os piores dez minutos. Piores? Sim. O estômago quase saindo. As bolas ucranianas eram perigosas. A zaga brasileira sofria. Rogério operou uns dois milagres, a queima roupa um deles. Mas o nosso time enchia os olhos do estádio todo. Fred, Fenômeno, Adriano, Gaúcho, Zé Roberto. Mineiro era um leão. E Juninho Pernambucano, de fora da área, aos quarenta e seis, tiro certo e no local certo. A bola explode no travessão. E cai, no fundo da rede. Inexplicavelmente no fundo da rede. Tostão disse que se o Brasil ganhasse a Copa de 2006 seria com mágica. Depois de hoje, concordo com Tostão. Não vi mais nada. Abracei o Zecão, que chorava tal qual criança.

 

Frankfurt. 01 de julho de 2006.

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 17h46
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Chega logo, Copa!! - 2

“É o primeiro, não é Viviane?”, perguntou a médica com aquela cara de tranqüilidade, profisionalmente treinada para aplacar a ansiedade de quem vive os últimos dias de uma grande espera.
“É, depois vem mais!”, disse eu, antecipando a resposta da futura mãe.
“Você se lembra que, nesse exame, a gente só vê as ondinhas?”, continuou a médica, com um inconfundível sotaque meio amineirado, meio goiano, bastante comum em Brasília.
“Claro!”, disse a futura mãe bem rapidinho para se concentrar nas ondas que apareciam na tela lá em cima, com o indescritível som ao fundo: “Uóoou, Uóoou, Uóoou, Uóoou...” São os batimentos nos lembrando que já já alguém estará no berço, no quarto, na sala, no jardim, embaixo do piano. Então, a médica desliga os batimentos e vem um zum-zum de rádio baixinho. Reconheço um dó maior com sétima e uma nova batida. De repente, estou tocando a mesma música numa apresentação num teatro de um clube de classe média em São Paulo. Ao final dos acordes, a voz distante do Elton John: “Life isn´t every thi-ing...” Ora, Elton, é claro que é!
O “Uóoou, Uóoou, Uóoou, Uóoou...” volta e vejo colcheias na tela pregada na parede perto do teto. A música é fantástica, a melhor que já ouvi. Pra fora com o rádio. Então, vem a imagem mostrando o coração pulando muito.
“Ah, isso tá bão demaaais!”, continua a médica com o seu sotaque inconfundível. “A movimentação dele está show de bola. Não vai ser um bebê muito gordo”, diz ela, calculando exatos 2,492 quilos. “É que ele será elegante que nem o pai”, respondi com um atrevimento irônico, bem cara-de-pau. “A mãe não tem muita tendência pra engordar, não. Só dez quilos”, continuou ela.
“E a altura?”, perguntou a mãe, com a ansiedade à flor da pele, mas a pressão muito boa, dez por seis. “Deixa eu ver: 44 centímetros. A placenta apresenta grau 1.” Confesso que não compreendi muito bem essa parte, mas fiquei tranqüilo, pois a médica falou que 70% dos bebês nascem com placenta em grau 1.
Veio, então, o recado final: “Está para nascer. Mas, se puder enrolar até sexta que vem melhor”.
Sexta?! É o início da Copa, pensei desviando um pouco a ansiedade para o lado do futebol.
“E aí, vocês vão ter outro logo ou aguardar um bocadinho?”
Calma, doutora! As primeiras contrações vieram na quarta, logo depois de São Paulo x Fluminense, e da convocação do Mineiro. Não, não eram aquelas contrações, as derradeiras. Apenas as contrações preliminares, apenas a convocação. A estréia é daqui a pouco, logo ali. E eu vou assistir do gramado!


Escrito por Jubas às 16h13
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20 mil. Vinte!!!

Escrito por Amaral às 11h56
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Só para garantir

Bolonistas, a tabela do Caroço está correta. Leiam o 4º comentário na mensagem do Deco que trocou o chaveamento da Nossa Copa e o e-mail que passei para todos vocês.



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Zecão às 09h06
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A história se repete?

Cês se lembram do protoblog do Amaral? Aquele de 98?

 

Pois é. Lá eu cobri um jogo do México contra uma equipe européia: a Bélgica. Não era uma partida decisiva, como esta que acompanharei: Alemanha X México, em quartas-de-final. Mas deu saudade e aqui está o que lá escrevi. Foi um bom jogo.

 

A VITÓRIA DA ÍNDOLE

 

O que leva alguém a reagir, ainda que em inferioridade na correlação de forças e sob tamanha pressão que o mais indicado seria resignar? De onde surge este ente imaterial que impulsiona uma pequena equipe contra uma grande, e faz nascer a mágica de situações em que o desastre é iminente? Falo da atuação da equipe mexicana na partida contra a equipe belga, pelo Grupo E da Copa do Mundo.

Ora, até o mais míope dos torcedores não tardaria em concordar que há uma evidente supremacia belga sobre os mexicanos. A Bélgica tem um esquema tático consistente, uma retranca admirável e um goleiro colossal. O México é um bando desorganizado de atletas vesgos, tem defensores atabalhoados e o goleiro mede 1,30 m.

Os belgas são vigorosos como totens, têm uma respeitável tradição no futebol europeu e contam com os habilidosos e veteranos Scifo e Van der Elst. Os mexicanos são baixinhos, apanham de qualquer equipe latino-americana e dependem de jogadores como Pardo e Pelaez. Há uma gritante, notável deformação na equivalência de forças.

Pois, acompanhando a supremacia belga, o placar do estádio apontava um irrepreensível 2 X 0 para os europeus no segundo tempo. Era o óbvio, o esperado. Como também era esperada a resignação mexicana. “Paciência, eles são melhores, fazer o que?”

Mas aí entra o inominado poder que é posto à disposição dos que não se entregam: a equipe mexicana, guiada por Ramirez, resolve desobedecer a lógica. Como que dispostos a subverter toda a organização de um esporte que se baseia em organização tática, vigor atlético e comandos técnicos modernos, a equipe mexicana, calma e preguiçosamente, foi injetando na partida o ritmo de sua índole.

Passaram a tocar a bola irritante e lentamente. Impuseram um ritmo de chumbo à partida. Os belgas, surpresos, não conseguiram entender o que estava se passando, e caíram na armadilha: sob aquela flácida morosidade da equipe mexicana ocultava-se o traiçoeiro e ardiloso bote.

Primeiro foi o penalty sobre Ramirez. O jogador escapou pela esquerda enquanto os belgas, indignados, fitavam os preguiçosos mexicanos. Quando notaram o jogador em sua retranca, já era tarde: Ramirez estava estirado no chão e o juiz apontava com o indicador a marca penal.

Depois foi o gol de Blanco, emblemático. O jogador mexicano resolveu, ao notar que a bola vinha em sua direção, que não a chutaria, nem a golpearia em cabeceio. Simplesmente saltaria e flutuaria, calma e preguiçosamente, até que a bola o tocasse, e seguisse sua viagem em direção ao gol. Aos belgas custava acreditar: o placar apontava um inadmissível 2 X 2.

A superação da equipe mexicana ultrapassa a típica reviravolta que por vezes ocorre em combates envolvendo pequenos e grandes, fracos e fortes. Foi a vitória da índole. Os mexicanos resolveram, instintivamente, testar seu modo de vida como forma de combate, ao engatilharem seu ritmo latino e suave, tenso e caloroso, e ao injetarem na bola uma dose de seu luminoso ânimo.

Provaram que a preguiça e a malícia são, de fato, poderosíssima armadilha. Talvez esta opção não funcione adiante, mas por hora me é plenamente suficiente saber que a esperteza vadia e indolente cabe no atual futebol autômato, maquinal. Por hora basta a certeza de que, assim como os mexicanos, eu também sou preguiçoso e manso por ser latino. Basta-me saber que eu também sou vitorioso e humildemente agradecido por ser vadio.

 

Demetrius Cruz

20.06.98

(México X Bélgica)



Escrito por Demas às 21h03
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Chega logo, Copa!!

O telefone tocou e era a futura vovó: “Hoje sonhei com o Lucas. Ele estava tão bonito.”

“É mesmo, mãe?! E você viu que o jogador que inspirou o nome dele vai pra Copa??!”

“Como assim?!”, ela perguntou meio espantada, meio feliz.

“É o Carlos Luciano, mãe. O Mineiro. Ele fez o gol do título do São Paulo, então, peguei uma sílaba de cada nome dele e botei: Lu-Cas”. 

Ouvi uma risada sem-graça pelo telefone e uma reprimenda vindo da sala de casa: “Você continua falando essas bobagens para a sua mãe! Não basta dizer que Lucas era uma homenagem ao Luke Skywalker?!”

Ora, é claro que não basta. O fato é que nunca vivi um clima pré-Copa como este. Essa Copa é a que mais esperei. Não posso dizer o mesmo da Viviane, afinal ela nunca esperou Copa nenhuma. Em 1994, ela estava nos Estados Unidos e, na final, foi sair com uns amigos, mal viu o Baggio chutar a bola na lua. Em 1998, ela estava em Paris naquele domingo fatal de julho. Enquanto todos iam para as praças, para os agrupamentos, para os pontos de jogo, a Viviane foi ao Museu Rodin. E ficou lá. Sozinha. A entrada era gratuita. Ouviu um certo zum-zum-zum vindo do lado de fora. E, poucas horas depois, os franceses gritando com os olhos esbugalhados, como loucos: "Un, Deux, Trois, Zé-Rô!"

Então, eu entendo que ela não se apaixone pela Copa, mas quis o destino que a Copa lhe trouxesse grandes emoções. E nessa Copa ela está esperando. Atenta com todas as expectativas e ansiedades que uma espera pode reservar.

Já se foram 36 semanas e, no domingo, a 37ª. Conto as semanas com a minha tabela da Copa ao lado. Será que o bebê virá no dia de Suécia e Inglaterra? Ou aguentará até Ucrânia e Tunísia, dia 23? Sim, porque dia 24 o Deco casa com a Ana em pleno confronto do primeiro do grupo A (Alemanha?) com o segundo do B (Suécia ou Inglaterra?) Então, o Lucas poderia chegar no dia do primeiro do F (Brasilsilsilsil) com o segundo do grupo E (Azzurra ou Tcheca?). O jogo é ao meio-dia. Meio-dia, na maternidade, eu, a Viviane e o Lucas. Em Dortmund, o Carlos Luciano. Um gol, um choro. Uma classificação, uma vida. O futebol, um sonho.

Ahh... por que é que eu tenho que esperar tanto?!!

 



Escrito por Jubas às 20h16
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Ih, deu bosta.

“Fodeu a biela”.

 

A expressão e a observação foram do Caubas. Há um impasse em nossa e nas outras Copas.

 

Há tabelas (a do Caroço, a do nosso Bolão, a do Grupo Mídia, a de um candidato a deputado estadual do Mato Grosso) que apontam o chaveamento das quartas-de-final assim: Jogo 1 X Jogo 3, Jogo 2 X Jogo 4 etc.

 

Há outras (dentre essas, a de uma tal de Fifa) que apontam: Jogo 1 X Jogo 2, Jogo 3 X Jogo 4 etc.

 

Não sei em quem confiar. Usei como base para A Nossa Copa do Mundo a tabela do Bolão. Se ela estiver errada, dá para consertar a Nossa Copa, mas o Bolão...

 

Comentem, por favor.

 

Caso essa tal de Fifa estiver certa, assim serão nossas Quartas:

 

Inglaterra X Portugal (belo jogo)

 

Alemanha X México (já vi dar bosta)

 

Gana X Coréia (hein?)

 

Brasil X Ucrânia (caixa. Ou não)



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 19h16
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Ai, ai!

Foi uma festa só. Chegar às oitavas já era motivo de alegria para mexicanos e marfinenses. Embora o jogo valesse vaga nas quartas, a impressão era que, para ambas as torcidas, pouco importava. Parecia até que o jogo já havia terminado e as duas equipes foram vencedoras.

Diferente do jogo entre ingleses e suecos, neste as torcidas estavam todas misturadas, batendo bumbos, assoprando cornetas e as misteriosas cervejas (que achei que não seriam vendidas nos estádios) sendo distribuídas irmanamente.

A festa das torcidas contratastava com a partida. Eita joguinho chato! Pra compensar o preço do ingresso, passei a observar a assistência, deliciando-me com algazarra das arquibancadas. Repentinamente, parece que diviso entre os bigodudos, Salma Hayek. Não era possível. Apertei os olhos, e não a encontrei mais. Nas quatro linhas, primeiro gol mexicano: Borghetti, de falta.

O ingresso já tinha valido. Não pelo jogo, que tava mais chato que chinelo de gordo. Mas pela visão da musa. Aceitei uma cervejinha de um camarada marfinense que me confidenciou ser fã do Ministro Gil e, novamente, avisto a moça. Vestido florido, lenço na cabeça. Que maravilha! E pé-quente. Fonseca, 2 a 0.

Durante o intervalo a mulher evaporou. Na volta dos times, ela tava ali, tocando um tamborzinho com as cores da Costa do Marfim. Que ritmo! Que simpatia! Borghetti, de novo, 3 x 0.

E o jogo termina. Em que pese a bella bosta que os times apresentaram, a minha estada na Alemanha, aquele dia em Nuremberg, fez a minha vida um pouco mais feliz.

Nuremberg - Salmita 3 x 0 Costa do Marfim



Escrito por Ricardo às 17h43
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1958 - A Copa em Capítulos. O terceiro.

 

Bolonistas em capítulos,

 

 

Parati é das cidades que escolheria para mim. O centro histórico. A estrada antiga. A pinga. As ilhas. Trindade. A praia do Sono. Os Bolonistas conversando, felizes, na algazarra. Clima de nostalgia. Uma boa festa.

 

No tempo dos bolachas, raridade era encontrar aquele disco do Cartola. O preto, com ele e a Dona Zica na capa. “Alvorada, lá no morro que beleza...”. “Ainda é cedo amor...” E por aí iam os clássicos. O advento do cd  trouxe novas possibilidades, mas quase acabou com a magia das raridades. E raridades, convenhamos, são raras. Foi por causa daquele bolacha que descobrimos aquele pedaço de praia, um pouco depois da entrada oficial de Parati.

 

Praia do Detetive. Na verdade, o bar, hoje uma pousada, chama-se Detetive. Poucas casas. Mas três barracas na praia. E o tal Bar do Detetive. Chão de cimento, um tanque que virou piscina, boa comida. E cervejas geladas, sempre. E o bolachão do Cartola. Hoje, deve ser cd. É bom lá para quem leva criança. Deixar a criançada brincar na praia e no tanque. E pronto. Beberiscar, palmito na porção, peixe frito. Pinga, daquele mundaréu de rótulos existentes na cidade histórica. Algumas doces, não aprecio. Outras, amareladas, boas. Descem bem. E, os ébrios, podem até se resfastelar em um dos quartos da pousada, simples.

 

Foi lá que continuamos nossa aventura e nossos debates sobre o certame de 58. Os onze, as esposas e as crianças. Coisa boa. Papo bom, não tem hora para acabar. Foi lá que opinei: “Para mim e pelos livros, acho que o time de 58 é superior ao de 70”. E continuei: “Foi a única vez que um time sul-americano ganhou Copa na Europa. E nenhum europeu ganhou Copa fora do velho continente. O feito de 58 é raridade.” “Jogamos no frio, quando gostamos de calor.” Jogamos de azul e tínhamos Pelé e Garrincha, no mesmo time.” “E Didi”. Falava tanto, e pelos cotovelos, que parecia que tinha vivido aquela Copa. Mostrei, por A mais B, que o time de 58 era uma constelação inigualável. E Pelé só foi o dez porque erraram na inscrição. O único erro do Marechal da Vitória. Um erro espetacular, porque o cara que fez inscrição das camisas deu a dez para o Rei, o menino que Nélson Rodrigues alcunharia de rei. Pelé, do gol achado contra Gales. Pelé. Para muitos o maior de todos.

 

A Copa de 58 foi na Suécia. Um frio daqueles. Foi uma Copa das boas. Placares dilatados, recordes inusitados. Pelé. Fontaine. Mané. Didi. E de Bellini, o primeiro capitão a imortalizar o gesto de erguer a Jules Rimet. Times fortes, como os alemães. Times técnicos, como a França de Kopa. Inglaterra e País de Gales, tinhosos. E o escrete do Brasil: Gilmar e Castilho. De Sordi e Djalma Santos. Bellini, Mauro, Zózimo e Orlando. A Enciclopédia, Nilton Santos e Oreco. Zito, Dino Sani, Didi, Moacir. Dida, Pelé, Joel, Garrincha, Vavá, Mazola, Zagalo, Pepe. Feola, já disse, o técnico. Um grande time. E para mim, o melhor. Faltou o Canhoteiro, o Garrincha da Esquerda. Mas ninguém é perfeito.

 

O bolachão tocando. Lembrei das primeiras vezes que estive no Detetive. Faz tempo. Meu pai sorriu. Fez questão de ir conosco.

 

01.06.06

Aqui em SP, a partida continua. Obrigado pela torcida, acalenta.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 17h42
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Caubas, como foi em Nuremberg?

Senhores:

Assim estamos: um mega-clássico e o Brasil enfrentando uma surpresa africana. Sei não, sei não.

QUARTAS-DE-FINAL

Inglaterra X Alemanha, em Berlim

Gana X Brasil, em Hamburgo

Portugal X (México ou Costa do Marfim), em Gelsenkirtchen

Coréia do Sul X Ucrânia, em Frankfurt



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Demas às 14h34
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Gana x Croácia - Capítulo 8

A bola parecia colada aos pés de Amoah. Ele se deslocava para um lado e a bola ia junto. Nesse movimento, zagueiros croatas recém-entrados no jogo ficavam pelo chão. Contei três zagueiros caídos, quando Amoah cruzou para Apiah. Da cabeçada sairia o gol. Eram 15 minutos da etapa derradeira da prorrogação. Minuto final. Bola alta. E Butina se esticou e resvalou a bola pra fora. Teríamos pênaltis. Agora sim, pênaltis. Mas, Butina não se levantava. Deslocou o ombro, me disse o italiano fazendo gestos com as mãos. A Croácia teria que ir para as cobranças com alguém da linha no gol. Prso e Kankjar discutiam. De repente, jogaram uma moeda para o alto. O destino do jogo estava naquela moeda. Como cairia?!



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Jubas às 13h53
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Gana x Croácia - Capítulo 9

Tem gente que não gosta de perder nem par ou ímpar. Prso é um deles. Sempre entra para ganhar. Mas, daquela vitória, Prso estava triste, capisbaixo, preocupado. Ele ganhara, na moeda, o direito de ir para o gol pela primeira vez na vida. Era a primeira disputa de pênaltis da Croácia em copas. Prso, o atacante matador, virara alvo. Só parou o seu c