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Outra das Outras
Bolonistas dos Campeonatos Regionais em fases decisivas...
Quem não se emociona com Altemar Dutra não é pessoa confiável. Simples, assim. Esta era a opinião central de Cróif sobre o mundo dos homens. Não, não errei. Cróif nasceu em 1974, sagitariano, batizado assim em homenagem ao maior jogador de futebol da história da Holanda. Aliás, um dos maiores futebolistas do globo, um assombro. Evidentemente que houve erro na grafia, no cartório. Mas este fato é de pouco relevo.
Cróif nasceu e em pouco tempo revelou sua natureza dócil. Era, desde menino, um cara legal. Supimpa. Boa gente. E galante. Com cinco anos já roubara flores para presentear a vizinha, de sete. Da vitrola do pai conheceu clássicos do repertório romântico. E foi e cresceu desse jeito. As suas paixões eram três, além da música: Filme do 007, mulatas e a Associação Desportiva Confiança. Esta última lhe tirava o sono.
Me contaram um dia, nesses dias de boteco, que Cróif era daqueles lunáticos, sabedores dos dezesseis títulos da Confiança no Campeonato Sergipano de Futebol, das melhores campanhas do time no Nacional e que somente vestia azul ou branco. Era febril. Mas a febre não o impedia de ser um cara normal, exceto no futebol.
Pois bem, o fato curioso foi que em um dezembro qualquer Cróif chegou cabisbaixo, macambúzio e ranheta e sentou-se na mesma mesa cinco do nosso bar predileto, seja ele qual for: "Vocês não sabem o que eu descobri...". Confesso, temi. Só podia ser por causa dela...
"Ela vai se casar." Senti a primeira pancada. No estômago. "Ela vai se casar e vai ter festa." Aquilo roeu minhas vísceras. O cara ia desmontar e ia ser aquela cena no boteco. "Ela vai se casar, vai ter festa e porra... eu vou ser o padrinho!!!". Senti náusea. Vertigem daquelas. E, batata, o cara desandou a chorar, daqueles choros que contaminam, que enlouquecem, que arrebentam.
Impossível deixar de divagar. Bar é local de história triste? Sacanagem. Juro, vou me regenerar e parar de beber. E nesse pensamento fortuito vocês nem desconfiam, nem sequer imaginam o que aconteceu. E posso dizer, testemunhei. Lá pelas tantas, umas quinze tulipas, duas doses de "steiéguener" e muita choradeira, música de corno e impropérios múltiplos sobre os nubentes, entra uma mulata escultural, anormalmente bela e ébria, vestida dos pés a cabeça com o segundo uniforme da Confiança, um branco sublime, bestial e estonteante: "Eu não acredito, você vai deixar eu me casar com ele, seu tapado!!!!".
28.04.07
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 00h20
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Se eu escrever sobre vocês...
Como um time de futebol, Os Bolonistas têm onze jogadores, no caso escritores. Se bem que alguns jogam futebol de botão, mas ao publicar idéias tornam-se escritores, e o futebol comentado, descrito, cronicado, geralmente trata daquele com jogadores reais, peladeiros profissionais. No entanto, no jogo com palavras surgem, de texto em texto, verdadeiros craques. Jogadores criativos e com personalidade, de belas jogadas, dribles memoráveis. Alguns são mais participativos, posicionam-se em campo e nos surpreendem constantemente com jogadas de efeito, outros mais tímidos jogam na retaguarda e saem ao ataque poucas vezes, mas marcam golaços. Há os artilheiros, são poucos sempre, mas não vivem sem o time, por um lado porque as jogadas ensaiadas, os levantamentos dentro da área, partem dos companheiros de time. Acredito, não há jogada totalmente individual. Grandes gols nascem de armações complexas. Mas os artilheiros são imprevisíveis. Outros jogadores fazem milagres às vezes, fazem que vão dar o cruzamento, e partem com a bola rumo à meta. O futebol permite inumeráveis variações táticas e técnicas, formando grandes times quando equilibra forças por todo o campo.
O nosso campo de treinamento, nosso estádio, nossa arquibancada, a mesa de bar. Lugar sacro de criação de jogadas, planejamento estratégico de jogos. Entre um aperitivo e um gole na cerveja, uma bola é alçada na área e o gol está preparado. Cabe ao craque a conclusão final, o estufar das redes.
A comparação não pode ser perfeita porque não posso distribuir por nome e posição nossos onze homens dentro de um campo de futebol. Mas o fato de escreverem sobre futebol com paixão e técnica, conhecimento e beleza, me permite espelhar cada um a seu modo com um craque da bola, um grande técnico ou uma torcida apaixonada e vibrante.
Também nem tudo são alegrias, o time não ganha sempre. Há dias em que o jogador não vai bem, como poderia? O Romário teima, mas não guarda o milésimo, Ronaldo Gaúcho não virou na seleção, o Gordo engorda. Mas quem gosta sabe, o mil sairá, virá outra copa e o Ronaldo é o Ronaldo. Nosso time não piora com o tempo, ao contrário ganha experiência e umas gordurinhas que no peladeiro atrapalhariam. Quando alguém perde o passe ou chuta errado para o gol, certamente faltou concentração, entrou afobado na bola.
Veja bem, no futebol de hoje os times não são compostos de crias da casa. Compramos, vendemos e emprestamos jogadores. Sofremos de problemas semelhantes, os times de base dos nossos jogadores são diversos, suas formações iniciais ímpares, com técnicos mais ou menos exigentes em um e outro fundamento. Também acontecem, como em qualquer concentração, as questões de convivência, mas tudo se resolve e o time prevalece.
Escrevo isso pensando que nosso time andou por baixo nas tabelas, a copa foi genial, mas o resultado decepcionou, amansou os jogadores. No entanto, vem aí o grande campeonato e parece que os ânimos se fortalecem, os boleiros recuperam as forças, preparando-se para as pelejas. Percebo que há renovação no time, o mesmo time inspirado sobretudo.
Não sou craque, jogo porque gosto. Digamos assim um Nunes, poucos gols, mas às vezes decisivos. Pretensão minha?! Deixa estar... Um pouco de Dadá...
Escrito por Renato às 16h09
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"Ses"
Às vezes, eu acordo no meio da noite e fica pensando o que teria acontecido se aquela maldita barreira não abrisse aos 47 minutos do segundo tempo. O 1 a 1 nos daria o título, mas o Muller, curiosamente de azul, falou alguma coisa para o atacante-batedor-de-falta. Aquilo foi algum segredo drástico, pois o goleiro-batedor-de-falta acabou tendo de buscar a bola no fundo do gol.
Desço as escadas, pois este pensamento me incomoda a ponto de tirar o sono e vou esfriar a cabeça no quintal. Olho para o céu, e nada de azul, nem de estrelas, nem de Cruzeiro, o do Sul. Vejo um estranho facho de nuvem clara num céu escuro e imagino o que teria acontecido se o Super-Homem não tivesse jogado o elevador da Torre Eifel no espaço. Aquela foi uma atitude essencial porque o elevador iria explodir Paris inteira. Mas, se o Super-Homem não tivesse jogado o elevador, com a bomba dentro, no espaço, a explosão subseqüente não teria libertado o General Zod, a maquiavélica Ursa e o grandalhão Non de sua eterna prisão de vidro. Uma vez libertos, os três depuseram o presidente americano em plena Casa Branca e ameaçaram a vida na Terra. Mas, se o general Zod, a bela Ursa e o estúpido Non não tivessem ameaçado a vida na Terra, Kal El não voltaria ao Pólo Norte para recuperar os seus poderes. Kal El não iria procurar pelo espírito de sua mãe, com aquele cabelo armado dos anos 80, para dizer que se arrependeu e que não poderia continuar como Clark Kent com três facínoras ameaçando a vida na Terra. E se eu não tivesse visto essa cena, aos oitos anos, talvez não seria jornalista, nem estivesse escrevendo este texto estúpido.
Saio do quintal e passo pela porta de vidro que dá acesso à sala. Na sala, uma cadeira com um paletó pendurado e num de seus bolsos, também pendurado, um bloquinho de anotações. Penso que, se não fosse a atividade deste bloquinho, ninguém saberia que a ministra quis aumentar o seu próprio salário. Aquela foi uma atitude drástica, pois iria aumentar o salário de todo um poder. E o poder vizinho, o Legislativo, também quis aumentar os seus salários, logo depois. Se ninguém divulgasse isso, talvez, ela não voltaria atrás e o seu poder, quem sabe, não derrubaria também o aumento nos salários do poder vizinho. Por outro lado, penso que grandes coisas fez este mísero bloquinho no universo?! Afinal, a informação poderia sair de outros estúpidos bloquinhos pendurados em milhares de ternos surrados conduzidos todos os dias por pares de sapatos mal engraxados que cruzam o salão verde. Outros ternos, outras estrelinhas no céu cobertas por fachos de nuvens brancas, insignificantes e significantes ao mesmo tempo.
Tonto de sono, subo as escadas e vejo Lois, dormindo na minha cama. A Lois de verdade se pendurou no elevador da Torre Eifel atrás de seu tão sonhado Pulitzer. Levou o bloquinho preso ao terno e tudo. A minha Lois descansa porque vai acordar ainda de madrugada também atrás de notícias. É a sua contribuição neste universo cheio de problemas e ternos com bloquinhos de anotações pendurados. Amanhã, ela certamente levará o seu.
Os cabelos pretos e lisos de Lois me fazem pensar o que teria acontecido se eu não fosse na festa da Deise. Foi uma atitude essencial, porque se eu não fosse na festa não teria dito a Lois que iria apurar o se telefone. E se não tivesse apurado o telefone da Lois, certamente não haveria o Lucas, dez meses hoje, dormindo no quarto ao lado.
Lucas dorme observado por outro super-herói: dentuço, amarelo, com olhos esbugalhados e calças quadradas. Está pendurado acima de seu berço, e não num terno surrado onde vive o eterno bloquinho de anotações. O bloquinho que usei para apurar o telefone da Lois e, depois, anotar as ultra-sonografias de Lucas.
Se Lucas não tivesse pesadelos às 4h de manhã, eu saberia o que é ser pai? E se a Deise não tivesse me chamado para a festa, ou se eu tivesse um importante jogo de futebol de botão naquela noite? E se eu tivesse ido almoçar ao invés de participar da convenção para chapa de oposição ao XI de Agosto? Ou se eu não tivesse batido de propósito no carro da Daniela Ignez, como seriam Marco Antonio e Leonel?
E se o editor tivesse me ouvido quando eu disse que a denúncia do prédio do TRT de São Paulo era grave?
E se Kal El voltasse a ser Kal El?
Se a Florida soubesse votar?
Se a rua Capri não caísse?
Se Pelé tivesse jogado 1974?
Se Baggio não tivesse desperdiçado aquele pênalti?
Se Muller não tivesse dito nada para o Geovanni?
...
Os “ses” são, na verdade, a verdade que aconteceu.
Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 19h51
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Um, dois, três... QUATRO.
Fora o baile.
Aviso: Este blog é de Fórmula 1.
Escrito por Amaral às 09h58
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Pança, nosso goleiro, completou bem mais de trinta. Parabéns!!!
Bom... a criançada não deixa o povo dormir.
O povo que não dorme, tem insônia. Agora...
Sabe o Inter???
Tem coisa pior que não dormir.
Escrito por Amaral às 02h34
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De novo das Outras...
Bolonistas céticos e os outros...
Todos reconhecem a grandiosidade das histórias de botecos. De certa forma e modo, as pequenas delícias do chope só se completam com as belezas das histórias anônimas, contadas e percebidas na mesa ao lado. Quem nunca "pescoçou" uma conversa alheia em boteco mente. Todos mentimos.
Lá pelas tantas era tão nítida a pérola que me pareciam os detalhes mais um filme do que novela, mais verdade que mentira, mais sóbria do que ébria. Os fatos relatados eram de amor febril e contrariado. Poucas vezes vi um silêncio tão grande entre as mesas do Bella Rubia. Repentinamente todos auscultavam a pérola. Alguns tinham lágrimas.
Tudo começou, sempre há um começo, numa dessas tardes sem compromisso que acabam por acabar em uma mesa, alguns copos e alguns acepipes. Pelo que notei, era um viúvo. Tinha lá os seus sessenta, menos que setenta. Era um homem de renome, mas desencantado. Os relatos davam conta de ser um dos poucos torcedores da Portuguesa de Desportos e pelo que eu entendi da conversa tinha nome de craque, Heleno. Para quem não sabe Heleno de Freitas fora um genial jogador do Botafogo. Mas um jogador de temperamento para lá de cascudo, um encrenqueiro de marca, um namorador de acabar casamentos alheios, um azougue. Heleno era na viuvez a sobriedade, mas era a tristeza em pessoa.
E naquela tarde entre copos surge uma moça no bar, dessas de dezessete. Linda, atraente, de óculos. Com uma justa e bela camiseta da Lusa. O que era impossível aconteceu e ambos acabaram a noite tagarelando sobre a Portuguesa. O entusiasmo da bela e o conhecimento dela sobre Djalma Santos, Julinho Botelho, Brandãozinho, Enéas, Jair, Wilsinho, Edu Marangon, Rodrigo Fabri, o fantástico Dener, Candinho despertaram os olhos cansados e céticos daquele senhor que pensara seriamente que nunca mais conheceria ninguém com menos de trinta anos torcendo pelo clube do Canindé.
E foi tanto assunto que Heleno se sentiu tentado a fazer o convite: "Lusa e Bandeirante de Birigüi, amanhã. Na tribuna, sou sócio." E ela topou no ato, mas fez reparo: "Vou. Mas de arquibancada, pois não sei ver o jogo sem o fado". Ouvindo o relato imaginei o sorriso da moça, deslumbrante, daqueles de parar o trem, gelar a arquibancada, domar a multidão. E senti que Heleno estaria em apuros.
E depois de Bandeirante tivemos o Rio Preto, o Mirassol, o Comercial e o Nacional, na Comendador Souza. E foi num amistoso contra o algum time grande qualquer, sentados pela primeira vez em cadeiras numeradas, que ouviram o primeiro sinal de alerta: "Vovô deixa a menina com a gente!".
Era inevitável que conversas sobre a Lusa resultassem em outros assuntos. Descobriram uma afinidade política incomum, ambos ainda eram socialistas, seja lá o que isso queira dizer. Eram terminantemente contrários à pena de morte, favoráveis à descriminalização do aborto e achavam uma tolice manter na ilegalidade a maconha e o jogo do bicho. Enquanto ela descia a lenha no Governo Lula, Heleno ainda acreditava em Papai Noel. Ela gostava da Pitty: "Te vejo sonhando e isso dá medo, perdido num mundo que não dá para entrar/Você está saindo da minha vida e parece que vai demorar.." Ele, de Vinícius e de Tom: "Porque tu foste para mim, meu amor, como um dia de sol".
E cada vez mais eram incomodados por comentários pérfidos sobre idade, sobre remédios para os homens trabalharem, sutis hipocrisias e galhofas. Mas nada parecia incomodar de fato, pois sempre havia a lembrança daquele golaço do Dener.
Mas sempre há os dias de luto. Numa tarde fria, ouvindo Amália Rodrigues, ele desistiu de tentar ser feliz, numa argumentação covarde, mas cheia de heroísmo romântico: "Não dá mais para nós. Amanhã você presta vestibular...". Ela não acreditou, mas infelizmente não reclamou, não argumentou, não tentou, sequer chorou. E desistiu também.
O silêncio no Bella era sepulcral. Alguém lembrou que a Portuguesa jogaria a partida decisiva no domingo. Mas, sinceramente, de que adiantaria?
16.04.07
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 22h32
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Ainda o milésimo...
Nostradamus e Romário
Com a palavra, Nostradamus: "No dia em que o homem de baixa estatura entrar na planície junto com seus 10 guerreiros, os defensores da grandiosa ave negra irão se abalar por três vezes. Mas o homem não triunfará como desejado. Num surto, se revelará o anti-cristo, mas o povo não perceberá".
Traduzindo: Até ontem, pensava-se que a citação era sobre Napoleão, mas, que nada: Romário era o cara! "No dia em que o homem de baixa estatura entrar na planície junto com seus 10 guerreiros"... O "baixinho" era Romário entrando em campo...
"Os defensores da grandiosa ave negra irão se abalar por 3 vezes"... O Flamengo levou três gols ...
"Mas o homem não triunfará como desejado"... Perdeu! Não conseguiu chegar aos 1.000...
"Num surto, se revelará o Anti-Cristo, mas o povo não perceberá". Caramba! 999 é 666 de cabeça para baixo.. Romário é o Anti-Cristo!!!
Categoria: Por Una Cabeza
Escrito por Jubas às 15h52
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Dos tempos da onça
Não é futebol. Mas é quase...
http://www.youtube.com/watch?v=6Zgh97ken7Q
Confesso lágrimas.
Escrito por Amaral às 11h52
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Mundiais são eternos...
Bolonistas, onde estão?
Dessas histórias que rondam por aí, e há milhares delas, algumas me despertam atenção redobrada. Todos sabem que a Portuguesa de Desportos ganhou o mundial de futebol de botão lá nos idos da década de 80. A FIBA, a tal federação de futebol de botão, reconheceu o título mundial, depois de anos e anos de intensos debates.
A campanha da Lusa foi heróica e pelo que me lembro foi inconteste. Lembro da semifinal, como se ontem fosse: “Abrem-se as cortinas do espetáculo. Bola rolando no Morumbi”. Num misto de Fiori Giglioti, José Silvério e Osmar Santos a rádio Popular AM transmitia o jogo direto da mesa da sala de jantar. Todos hão de lembrar que os campeonatos de botão eram disputados em três estádios: O Estrelão, para os jogos habituais. Um tampo de madeira, para jogos sem interesse. E a mesa da sala de jantar, para os clássicos e para as finais.
A semifinal foi entre a Lusa e o Tricolor. O São Paulo massacrou todos os adversários, incluindo o Liverpool e a Juventus de Turim. Zé Sérgio era disparado o artilheiro e melhor jogador do campeonato. A Lusa era mais modesta, mas vencera todos os seus jogos. Sou obrigado a confessar que não me lembro dos jogos da Lusa até aquele memorável evento: a semifinal.
“O São Paulo é favorito. Tem mais time e está acostumado com o gramado. A Lusa joga pela primeira vez neste estádio de dimensões continentais.” Era este o comentário do Orlando Duarte da Rádio Popular, patrocinada por um refrigerante qualquer e que transmitia em som estéreo, para desespero dos meus irmãos.
O campeonato era o Mundial de Botão da época. A FIBA reconheceu que o fato dos times estarem completos e das equipes de Liverpool, Internazionale, Juventus e Cosmos estarem presentes com seus esquadrões eram provas cabais da natureza interplanetária do torneio. O jogo foi um espetáculo. Início de peleja e Toquinho, um ponta hábil da Lusa, driblou Marinho Chagas e caixa: 1x0 Lusa. “Golaço!!!! A zebra acontece no Morumbi. Toquinho, é deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeele a camisa sete.” Era o Sílvio Luís ajudando na narração.
Depois do primeiro gol foi um massacre do Tricolor. Ouso dizer que o juiz tentou de todas as formas cavar situações para o empate. Furiosos, os torcedores do São Paulo perceberam a inevitabilidade da derrota. “Lá vai descendo Toquinho, sempre ele, cruza, Enéas.... putaqueospa... que golaço!!!!”. Valdir Peres nem apareceu na foto.
Enfim, por mais que o botonista singular tentasse tentos para o Tricolor o resultado do jogo estava definido desde tempos imemoriais. Confesso, hoje sem nenhum pudor, que mexi no cronômetro para “esticar” a partida. Não adiantou. Enéas estava impossível e a bola resvalou nele, depois de um petardo de Getúlio. Resvalou e acabou por sacramentar a maior goleada até então sofrida pelo time do São Paulo. Vocês podem imaginar o que foi este evento épico. A Rádio Popular gastou horas discutindo o feito da Portuguesa. A final, a Lusa destroçou o Fluminense. E Enéas foi eleito o melhor jogador do certame.
Fico feliz pela torcida da Portuguesa. O título mundial foi épico, homérico, heróico. A FIBA e a sua burocracia infame fizeram bem em reconhecer o caneco. Aliás, há também a petição do América de Rio Preto, que venceu o campeonato de 83. Mas esta é outra história...
11.04.07
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 11h14
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Gênio é isso...
Tá no Juca, mas faço questão...
http://www.youtube.com/watch?v=2ieOS1qSj4Q
Escrito por Renato às 11h49
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GOL 1000
Já já o Baixinho topa...

Escrito por Pedrão às 12h52
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Comentário sobre o texto anterior.

Escrito por Demas às 09h30
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Fomos....
Bolonistas pés frios...
Quase sem pressa. Saímos de Sampa por volta do meio dia. Sábado. Nosso compromisso não era chegar cedo. Sim, eu e o Ricardo fomos ao Rio de Janeiro, ao Maraca. Queríamos estar no Mário Filho no milésimo gol do Romário. Mas se não tínhamos pressa, havia no ar a certeza do imponderável. A Dutra não nos incomodou e chegamos à Cidade Maravilhosa lá pelas cinco da tarde. Tempo bom. Calor daqueles. Bola rolando.
Não vou dizer que no caminho não especulamos sobre o azar. O azar de ir ao Rio e não ver o milésimo. Afinal, Romário é impiedoso com o Fogão. Mas cogitamos tudo, inclusive o não gol. E não tínhamos pressa. Fomos ao Lamas, devoramos um Osvaldo Aranha e começamos nossa turnê pelos chopes cariocas. Falamos de Roberto Dinamite, o Raí do Vasco. Debatemos o Mengão de Andrade, de Adílio e de Zico. Zico foi melhor que o Romário? Ainda que os dois concordassem com que Zico fora para a nossa geração sem Pelé, o Pelé, ficou no ar a impossibilidade da comparação. Romário se casou com a pequena área. Evidentemente que Careca apareceu na discussão com louvor e eu confesso que escalaria o Careca. Mas o Onze era o assunto. O tópico. O motivo do chope.
E como não havia pressa, Bracarense rumamos. Encontramos o Rubens e a nostalgia foi inevitável. O Rubens é das antigas, dos tempos da faculdade. Assim como aquele gol contra a Holanda, assim como aquele passe imponderável para Bebeto. Lembramos com o Maurício, nosso anfitrião carioca e de Maracanã, que lá pelos idos de 86 o ataque do Vasco tinha Dinamite e Romário. Era como ter Raí e Careca no mesmo time. Era Sócrates e Neto. Era nostalgia e era bom. E não tínhamos pressa. O gol sairia, antes do milésimo copo.
E fomos para a Lapa ouvir samba e é inevitável não ter certa dor de cotovelo. Para os paulistas há sempre um alumbramento quando se está no Rio. Corcovado. Aterro. Uma beleza inclemente. Dor de cotovelo do “Samba do Avião”, das esquinas cariocas e de Romário. Porque ele não acertou com o São Paulo em 87? Jogaria com o Muller, no auge. Nossa anfitriã carioca, a Mariana, nos levou ao Democráticos. Bom para dançar. Sem pressa. E na boemia, eu e o Caubas acabamos no Nova Capela, vitela e mais chopes. Domingo era o dia. E se o gol não saísse? Era impossível.
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 19h03
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Não vimos...
Domingo de sol e o Rio está lá. Porque não cuidamos do Rio? Porque descuidamos do Brasil? Porque o berço esplêndido? Romário contabiliza os seus goles desde 1979. Era infante e já marcava seus goles. E o Brasil, quantos gols marcou? Ipanema. Praia. Até cansa aquela paisagem. Antes do jogo foi inevitável perceber um sem número de transeuntes com a camisa do Tricolor Paulista. Achei engraçado. Mas no Bar Lagoa começamos a perceber o jogo, o clássico. Camisas do Vasco. Camisas do Onze. E camisas da Estrela Solitária. O taxista nos informa um sururu entre o Bebeto de Freitas e o cara que se acha dono do Vasco. O clima entre os dirigentes estava péssimo.É impossível não ter antipatia pelo Vasco por causa daquele senhor, concordamos. Porque descuidamos tanto do nosso futebol?
Mas o Vasco não é aquele senhor. E o Maracanã estava lotado. É sempre emocionante o Maracanã lotado. A torcida do Vasco cantava. A do Fogão respondia. Senti o primeiro presságio. A torcida do Fogão não queria perder e cantava de forma bela o “Botafogo, Botafogo campeão desde 1910”. Agora, dentro do Maracanã, não tínhamos mais nenhuma pressa. Era esperar pelo milésimo.
E daí que não é o milésimo? Romário, 40 anos ou mais, joga futebol porque gosta. E faz isso desde um distante 1979. O Onze tem vários defeitos mas tem uma originalidade implacável. Uma sinceridade incomum para o ludopédio. E sabe-se rei. Tem porte de rei. Tem alma de rei. O trote do Onze no bate-bola antes do jogo. A torcida eufórica. O estádio lotado. A lua inacreditável. Era dia de festa.
E daí que os meninos de hoje tem os precedentes numéricos para contabilizar os goles do dente de leite? Ora, façam pelo ludopédio o que fez Romário. Conquistem o mundo. Sejam idolatrados por duas torcidas absolutamente rivais. E cheguem aos 40 contando para todo mundo como é gostoso ser jogador de futebol e fazer o que gosta. Tenham a paixão pela pequena área que o Baixinho teve, e tem.
Só deu Botafogo. Inacreditavelmente. O gol não sairia por decreto algum. A torcida do Botafogo não queria o gol. O time lá embaixo correspondeu. E olha que o Onze tentou. Em vão. Não era o dia. Foi bonita a festa da torcida do Botafogo. Parecia título. Parecia final. Parecia um dia especial. E lá pelas tantas no Belmonte, ali no Flamengo, bar lotado, a cantoria dos botafoguenses era ótima, saudosa, nostálgica.
Não vimos o milésimo. E tenho certeza que valeu a pena. Romário ainda jogará pelo menos mais uma partida. O futebol agradece. Nós, também. E quase sem pressa pedimos para fechar a conta.
03.04.07
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 19h01
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