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Futebol-força x futebol-força
Alemanha e Itália decidiram a Copa das Copas, em 1982. Uma final triste para quem poderia assistir a um Brasil e França, com Zico, Sócrates, Falcão, Platini, Amoros e Tigana. Agora, Alemanha e Itália decidiram a Copa Européia de Futebol de Botão. Campanhas brilhantes para um futebol-força. A Itália passou pela Romênia, Inglaterra e pela retranqueira Grécia. Confesso que tirei o Gattuso do time para que ficasse mais ofensivo. E coloquei o violinista Gillardino em seu lugar. E a Azzurra, ofensiva, com quatro atacantes (Luca Toni, Gillardino, Del Piero e Totti) foi atropelando adversários para a alegria das minhas convicções
Já a Alemanha foi chegando com o seu futebol pragmático. Superou meio leste europeu, batendo Bulgária, Ucrânia e Rússia. Aliás, bater Ucrânia e Rússia na seqüência é como vencer a antiga CCCP. Hitler não conseguiu. Parou em Stalingrado.
A dúvida era imensa na final: escalar o stopper Gattuso ou o avanti Gillardino. Ironia dos fatos: Gattuso fez o gol de empate contra os ingleses, enquanto Gillardino não fez um gol na Copa. Era Luca Toni quem tinha feito 13 gols no torneio. 13 gols em cinco jogos. Tudo bem que foram 7 numa partida incomum contra a Irlanda. Mas, e os outros 6? Escalei o Toni ao lado de Totti e do Del Piero. Pena que não tinha mais o Baggio, se não escalava ele também. Pirlo armava as jogadas e a defesa era um paredão, com Cannavaro e o carniceiro Materazzi.
A Alemanha vinha com Ballack, Podolski recuado puxava contra-ataques pela esquerda, Schweisteiger pela direita e Klose era o tal do homem-referência no ataque. Saudades quando o cara era o centro-avante e não o homem-referência que joga meio que de costas para o gol.
Decisão tomada: Gattuso jogaria o primeiro tempo e Gillardino, o segundo. Me senti meio o Dunga, quando o Gattuso deu o passe para o primeiro gol. Após a cobrança de escanteio, ele tocou de lado para Pirlo abrir o placar. Convicções de um futebol ofensivo já caiam por terra, quando Klose empatou num golaço, bola voando em cima do goleiro. Totti puxou novo ataque e deu um chutão de cobertura para por a Azzura na frente ainda no primeiro tempo. Mas, no começo do segundo, Klose novamente trazia novamente o empate, com um chute no cantinho, calculado. 2 a 2. Belos gols mostravam que o futebol ofensivo achava um espacinho no conflito do futebol-força. Mas, uma coisa me incomodava: Luca Toni não marcava gols. Ele, com os seus 13 tentos no campeonato estava apagado na final. Tentei vários chutes com o Toni e invariavelmente todos acabavam nas mãos do Oliver Kahn. Kahn, um retangulinho a centímetros de distância, defendia todos os lances. Era irritante e incompreensível. Cadê o gol do homem-gol?! Novo chute de Toni e nova defesa de Kahn: a bola foi parar no ataque alemão. Um minuto para o fim de jogo. Schweisteiger recebe na direita, põe a bola no bico da área. Ballack faz o corta-luz, enganando o goleiro. E o Schweis manda a bola no ângulo. Buffon ficou com os dois pés no chão. Incrédulo, como um Dino Zoff. Que golaço! Alemanha 3 a 2. Título e volta olímpica. O 3 a 2 que nos faltou em 1982. No jogo do futebol-força, ainda que num único lance, venceu o futebol-arte.
Escrito por Jubas às 19h50
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II
Seguem os resultados da fase final da Eurocopa:
Romênia 2x2 Inglaterra
Romênia 3x4 Itália
Itália 2x2 Inglaterra (Gattuso fez o gol da classificação; Owen e Rooney para a Inglaterra)
Ucrânia 4x1 Bulgária (Schevchenko fez 3 gols)
Alemanha 2x0 Bulgária
Alemanha 4x3 Ucrânia (Scheva fez mais 2, mas não foi suficiente)
Croácia 3x4 Dinamarca
Rússia 1x0 Croácia
Rússia 1x0 Dinamarca
Áustria 1x0 Holanda (zebraça!)
Holanda 5x4 Grécia (carrossel acabou com a retranca grega)
Grécia 2x1 Áustria (gregos se classificam por terem mais gols marcados)
Semifinais
Itália 2x2 Grécia (2x1 na prorrogação)
Alemanha 4x3 Rússia
3º Lugar
Grécia 6x1 Rússia
Final
Alemanha 3x2 Itália (Fanculo, Tedeschi!!)
Escrito por Jubas às 19h47
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Manual de Sobrevivência I
Mulheres, desisti de entendê-las lá pelos 15, 16 anos. Ok, sou lento; os mais espertos nunca nem tentaram. Mas, como a vida não faz nenhum sentido sem elas, ao longo do tempo fui coletado algumas dicas para tentar não fazer muita besteira. A primeira que me vem à cabeça é fruto do meu primeiro namoro. Se uma mulher pergunta: “você não notou nada de diferente em mim”; não se deve hesitar: “claro, o cabelo”. As chances de acerto são de 95%. O problema é se a constatação deve ou não ser seguida de um elogio. Aí é mais complicado e as chances de acerto se reduzem drasticamente. Se ela gostou do novo corte, tudo bem, um elogio, ainda que tardio, passa. Mas se ela não gostou, bom, um elogio pode lhe colocar em apuros. Mas pelo menos você notou que ela mudou o cabelo, embora, na verdade, você não tenha notado diferença alguma.
Há situações mais complicadas, que envolvem inclusive risco de vida (sim, eu sou do tempo em que se dizia ‘risco de vida’ e não ‘risco de morte’). Você está dirigindo o carro em um lugar que você não conhece bem. Ela, “é na próxima à direita”. Você passa reto por alguns bons motivos. Primeiro, você é homem, é você quem tem noção de direção, e não ela. Segundo, você é homem, você é estúpido, você não quer que ninguém te diga qual o caminho correto. Você sabe qual é o caminho. Ou acha que sabe, porque você é homem; logo, estúpido. Mas o verdadeiro motivo é que você é homem, você não consegue prestar atenção direito no que ela está falando simplesmente porque você não consegue fazer duas coisas diferentes ao mesmo tempo: ou você escuta o que ela está dizendo e bate o carro, ou você finge que escutou e continua, sem bater o carro. É, mulheres são mais evoluídas, elas conseguem pensar e fazer várias coisas ao mesmo tempo, e bem; nós não. Ponto.
Mas, enfim, você seguiu reto, errou, obviamente, o caminho, e está perdido. Ela estoura: “você nunca me escuta, você nunca liga pro que eu falo, nem pro que eu estou sentindo; você não me ama.” É mais fácil comprovar a existência de Deus do que entender como o fato de você não ter entrado na porra da direita a alguns quilômetros atrás pode levá-la à conclusão de que você não a ama. Mas é assim mesmo. Evoluir é não fazer sentido.
Bom, é nesse momento, solitário leitor, que você jamais, repito: jamais, deve perguntar: “você está de TPM?”. Dificilmente, numa situação dessa, um homem consegue fazer a pergunta e sobreviver para contar aos outros. Os poucos que conseguem contam estórias aterradoras (sim, no meu tempo se diferenciava ‘história’ de ‘estória’).
O melhor a se fazer é respirar fundo, contar até dez, voltar calado pelo mesmo caminho que você fez, e entrar na estrada que ela indicou. Há quase 100% de chance de ela também estar errada. Assim, provavelmente vocês vão entrar numa rua sem saída que acaba num morro, quando na verdade a intenção original era ir para a praia. Não ouse comentar nada do tipo: “e aí, entrei no caminho que você indicou; agora a gente faz o quê?, alpinismo?”. Volte, pergunte para alguém onde fica a praia, chegue lá, relaxe. E reze para a TPM ser rápida. E, da próxima vez, entre à direita. Ou à esquerda.
Fê Amaral, feliz aniversário!
Beijo,
Daniel Zecão, ébrio.
Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Zecão às 16h32
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“Água!”
Meu filho olha para o meu pai e finge que tosse. Meu pai olha de volta e, na tentativa de lhe dizer alguma coisa, dispara um assovio. O filho explode num grito-gargalhada e o pai sorri com os olhos. E eu fico ali no meio, entre duas gerações tão diferentes, mas com tanta coisa em comum. Uma geração ainda iletrada e outra que já leu sei lá eu quantas bibliotecas. Uma geração que não teve telefone em casa até os 15 anos de idade e a outra que brinca com um celular de plástico. Uma geração antiga que absorveu o moderno com seus palm-tops, lap-tops e websites e a outra geração moderna que absorveu o antigo com seus mordedores, mamadeiras e fraldas (ainda que, agora, descartáveis). Estou no meio do caminho dessas duas pontas da vida, algo como a síntese das Copas de 1954 e 2006. Entre Puskas e Cannavaro. Sou 1982 e compreendo ambos: o futebol-arte e o futebol-força. Sou a síntese num único lance: Zico tendo a camisa rasgada por Gentile. Nada gentil. Grosso. Sem trocadilhos. Peço ao pequeno Lucas e seus poucos mais de 400 dias neste mundo confuso e exagerado que coma a maldita papinha de frango com legumes. Ele se nega, fechando os lábios com toda a sua pequena força. Mas, os mais velhos vêm lhe fazer testes. E Lucas come baba de moça, iogurte Activia (aquele do teste garantido), pizza, carne de churrasco e até espuma de chopp. E depois ainda lhe perguntam por que ele não consegue fazer coco. “Por que será?”, respondo eu, com meu amigável cinismo. Até bolinhas de champanhe já foram parar na boca dele. É curioso como tudo fica mais divertido na boca de Lucas, com suas caretas de resposta e sua fala sempre precisa: “Água!” Sim, ele fala “água” desde o início da época da seca. Foi a sua primeira palavra, mas não sei se compreende a dimensão da sentença, pois diz “água” para o fogão, a parede, o piano, os livros. Tudo é água como se tudo pudesse ser consumido em sua sede de conhecer o mundo. O mundo que claramente não cabe no seu mundo. Imagino quantas Copas Lucas verá. O Mundial de 2082, quem sabe novamente na Espanha. E quem sabe sem um Paolo Rossi. Se bem que sem Rossi não teríamos aprendido a dor da derrota. Não teríamos chorado nem chutado bolas de raiva na parede da garagem para ver se desatava o nó na garganta. Rossi foi a primeira bomba na escola, o primeiro fora da namorada, a primeira derrota real e surpreendentemente impensável. E das derrotas é que nos armamos para os títulos. As Copas. O Mundo. Tão grande que mal cabe naqueles olhinhos curiosos, o dedo apontado para cima e voz espertíssima: “Água!”
Categoria: Cacos de Existência
Escrito por Jubas às 14h39
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Eu Reverencio

35 X 0 foi o resultado somado dos gols feitos pela Seleção Brasileira Feminina de Futebol, contra os gols tomados. Já diz muito.
Futebol, na linguagem dos jornalistas esportivos, alegre, contagiante. Jogado pra frente, com dribles desconcertantes e gols de placa.
Não posso cegar ante o óbvio, elas conhecem o negócio. A moça Marta tem a habilidade e a inteligência de craques. Finta no tempo do reflexo, não pensa no drible, executa. Chuta bem com as duas pernas e coloca a bola para onde olha, as parceiras fizeram seus gols em belas jogadas tramadas pela companheira. O time tem Andréia; Aline, Renata Costa e Tânia; Elaine, Daniela Alves, Formiga, Marta e Rosana (Kátia Cilene); Cristiane (Pretinha) e Maycon. Todas em algum momento ou vários momentos fizeram festa. Gostei muito da Formiga, baita volante, Da Daniela, da Rosana e da Maicon, bagunçaram as defesas adversárias, e não há o que dizer da turma lá de trás, não tomaram nenhum gol.
Parabéns, na verdade, era quase tudo o que eu queria escrever. Só não fico nisso, porque amanhã várias estarão sem time ou sem campeonato. Treinarão por si ou em clubes masculinos, na beira do gramado. Outras com mais sorte jogarão em times do exterior, na Europa, geralmente. Virá o campeonato mundial e os Estados Unidos jogará com a seleção principal (crítica que não aceito se desmerecer o titulo do pan, aquelas americanas jogam campeonatos organizados desde crianças), outros países europeus também apoiam o futebol feminino e nem assim superam, muitas vezes, a seleção brasileira. Nos resta, nesse país, é reverenciar a coragem e a capacidade dessas meninas. Torcer para que, mais uma vez, o discurso feito após o título traga algum resultado positivo em termos de organização de ligas, torneios. Torcer para que dirigentes, vejam só, acordem para o que está claro como a pira, as meninas conhecem e querem jogar bola, precisam de um empurram para provarem o valor do esporte.
Enfim, meus caros, gostamos de futebol e de mulher, para mim foi uma bela composição. O Maraca faz tempo não vê algo como aquilo. Eu peço obrigado. E torço, agora torço muito...
Inté.
Escrito por Renato às 09h34
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A República e o goleador
Bolonistas que gostam de café...
A República é feita de pessoas ilustres. E outras nem tanto. Na verdade, os últimos tem sido esmagadora maioria. Figuras pálidas, tristes e mesquinhas se avolumam por aí. Os números, as estatísticas e os institutos de pesquisa deveriam analisar tal questão. Elucidativa, poderíamos encontrar boas respostas.
Intriga, e muito, o caso Dodô. O doping do avante. Todos devem ter lido em algum canto o episódio: O risonho é pego no exame antidoping, ingeriu algo impróprio. Muita surpresa. Um forró aqui e outro acolá, suspensão preventiva. E o artilheiro desfalca o Fogão.
Tudo indo. Mas a namorada diz: “Foi o Departamento Médico do Botafogo que receitou o remédio”. Alvoroço. Até o Bebeto de Freitas dá uma “euricada” e manda a moça quedar silente. O outro chefão do Glorioso, o falastrão histriônico, foi mais longe: “Vou rescindir o contrato do jogador.”. Pois bem, coisa aqui e ali, novo forró e pronto: “Foi o Departamento Médico que receitou cápsulas de cafeína para os atletas. Para todos. Incluindo o Dodô.”.
Então, como água para polpa de fruta, a conclusão seria a absolvição do atleta e a punição ao Departamento Médico do Clube. Evidentemente o atleta não teria condições de analisar os riscos da tal substância, aparentemente inofensiva, aliás. Já cheirava injustiça a manutenção da punição. Ora, se o atleta ingeriu algo por recomendação da diretoria de seu clube, e empregador, não há como imputar responsabilidade. Ou há?
É estranho que o Botafogo não seja punido. É estranho que o jogador seja considerado culpado por tudo aquilo que ingere. É estranho que a bandeirinha Ana Paula de Oliveira tenha sido afastada depois de erros, que um obtuso como eu consegue justificar, em jogo do Botafogo. É estranho que o Simon, que errou escandalosamente a favor do Botafogo contra o Atlético Mineiro, numa partida decisiva de Copa do Brasil, continue a apitar, sendo até nosso representante do apito na última Copa América.
Se a historieta for verdadeira, a da ingestão da tal cápsula de cafeína, o Botafogo deve ser punido. Até porque não foi só o atacante que ingeriu a substância dopante. No campo, o time da Estrela Solitária fez os melhores jogos do ano. As partidas do Glorioso foram as melhores que vimos, com e sem Dodô em campo. Jorge Henrique é um jogador de múltiplas qualidades. Cuca é um bom técnico. Zé Roberto, um talento razoável. No campo o Botafogo tem condições de lutar pelo título. No campo, dentro das quatro linhas, o Botafogo consegue reverter qualquer desvantagem causada por este incidente, acidental.
Mas o Fogão não irá sobreviver firme no campeonato se, de fora do campo, vier uma ajuda deplorável. Não irá. Outros “dopings” aparecerão. Outros jogadores serão punidos. E o falastrão continuará a romper contratos. O time perderá a tranqüilidade e, fatalmente, deixará de disputar o caneco.
Para o bem do Botafogo, que se puna o Botafogo. Para o bem do futebol, que se absolva Dodô. Ou que se conte outra história, ou lorota, sem cápsulas de cafeína.
25.07.07
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 12h31
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QUESTÕES
PORQUE UM PILOTO BRASILEIRO E UM PILOTO ESPANHOL ELEGEM A LÍNGUA ITALIANA PARA DISCUTIREM?
Escrito por Zecão às 15h06
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Do Jeito Que As Coisas Vão
Será que a Marta pode ser contratada para jogar futebol nos times masculinos do Brasil?
Escrito por Renato às 12h20
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Perguntinha
Será que o fenomenal Câmara Cascudo, que catalogou dentro de sua vastíssima obra os mitos, assombrações e encostos do Brasil, caso estivesse vivo, estudaria o Diego Tardelli??
Escrito por Ogro às 16h47
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NOTA FÚNEBRE
Morreu Fontanarrosa. Para a grande maioria de brasileiros que não o conhecia, digo que se tratava do maior cronista esportivo argentino, além de chargista. Num país apaixonado por futebol, que respira futebol e escreve sobre futebol com toda a alma, ele era o Rei. Seu livro "no te vayas, campeón" é sensacional. Fará muita falta a este futebol platino, já carente de grandes figuras. A comunidade "Canalla" (torcedores do Rosário Central) certamente está de luto.
MURIO ROBERTO FONTANARROSA Se fue el Negro

HASTA SIEMPRE. La sonrisa de Fontanarrosa, un recuerdo imborrable. (DYN)
Tenía 62 años y en los últimos años luchó contra una enfermedad neurológica que había afectado su movilidad. Futbolero y fanático de Central, el escritor y dibujante rosarino creó personajes como "Inodoro Pereyra" y "Boogie el aceitoso". También fue autor de cuentos inolvidables como "El mundo ha vivido equivocado" y "19 de diciembre de 1971", entre otros.
Categoria: Por Una Cabeza
Escrito por Ogro às 16h52
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Espírito Panamericano.

Fonte: Kibeloco
Escrito por Demas às 14h47
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Tira o tubo...
Bolonistas de Humor Oscilante...
Ainda não engrenei. Quero dizer, ainda não consegui gostar desse campeonato nacional. Na verdade, ainda não curei a ressaca da eliminação da Libertadores. Sério. Ainda tenho pesadelos com aquele gol do tal Diego Sousa no Olímpico. Não é exagero, mas para o torcedor uma ressaca não curada é a pior coisa do mundo. É como cerveja quente, temperatura ambiente.
E tem mais. Muito mais. Nos meus pesadelos sempre me vejo na arquibancada, gritando: "Põe um volante". Estou num azedume atroz com o meu time. Não há coisa pior. Há, óbvio que há, existe sempre a chance da Ana Paula de Oliveira nunca mais voltar a apitar, ou a bandeirar.
Mas há uma parte do pesadelo que é boa. Sim, paradoxo. Contradição. Todos temos nossas coisas difíceis de explicar. A coisa boa do pesadelo é que em boa parte do sonho, no jogo do Olímpico, Mineiro está em campo. Ao lado de Josué. Aliás, em outro devaneio, sempre penso que Josué não é expulso na final da Libertadores contra o Internacional. Mineiro e Josué, já disse mil vezes, nasceram um para o outro. Trata-se do queijo com a goiabada.
A coisa desandou depois que o Mineiro se foi. É verdade que não temos Danilo e resolvemos dar a camisa dez para o Souza, o que explica e muito nossos dissabores. Mas Mineiro faz uma falta danada e safada. Daquelas saudades que nos tiram o sono. Mineiro e Josué, Hans Solo e Luke Skywalker, Harry e Rony, Butch Cassidy e Sundance Kid, linha e agulha.
E não é que os dois estiveram em campo pela seleção nacional de futebol? E no jogo que fizeram poemas como os que faziam no Tricolor, no jogo em que foram escalados como a dupla de volantes, encaixotamos a Argentina, de forma irreparável. Irretratável. Ouso dizer, destroçamos a estima de nossos vizinhos. Mineiro e Josué são imbatíveis, meus caros.
Então não há mais como esconder o óbvio. Tratem de trazer o Mineiro de volta. Urgentemente. E tratem de tirar o Riquelme do Boca Juniors ou do Villareal. Mineiro, Josué e Riquelme farão o melhor meio campo do globo. Tenho dito.
Ainda não engrenei, definitivamente. E desconfio que o gol do Fluminense, neste exato momento, de Somália, vai fazer o azedume alcançar Plutão.
18.07.07
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 22h25
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Ah, o futebol...
Quando a gente acha que somente dentro das quatro linhas somos presenteados com a beleza do esporte...

Foto de divulgação da Revista PlayBoy do mês de Julho com a Bandeirinha Ana Paula. Fotos de J.R. Duran.
Escrito por Renato às 16h22
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Que catzo significa Q.E.P.D.?? "Que Engodo, Perdemos De novo"?!!!!!
(Ogro, explica essa capa pra gente!!)
(A foto é uma das melhores do futebol neste ano!!)
Escrito por Jubas às 15h38
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O nome do momento é:
YUSSUF ISLAM
O velho gato esteves
I go where true love goes......
Escrito por Pedrão às 03h46
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Muito fácil, MUITO!!!!!!!!!!!! Parece Mengao e vsquinho..... MUITO FACIL..,....... Riquelme.....Messi...,....Tevez...... É Phoodda!"!!!!!!!!! Muito Fácil........
Escrito por Pedrão às 20h32
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Então tá.
Somos uns chatos de galochas.
Tem a sorte, que para uns é igual mosca.
E olha, jogamos bem. E vejam, Júlio Batista levou o Motorádio.
E Dunga, vejam, inventou certo: Daniel Alves e Maicon no mesmo time.
Mas no fundo, lá no fundo, "los hermanos" amarelam.
De novo.
Enfim...
Escrito por Amaral às 19h17
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É perder ou perder!
Confesso que torci para o Lugano acertar aquele pênalti. Não foi por motivo meramente clubístico, se bem que estava com saudades de ver como o Lugano administra defesas e roubadas de bola. Foi por motivos patrióticos mesmo. O Lugano e o goleiro Doni, com aquela defesa estranha – parecia que ele estava correndo atrás de galinha –, nos puseram numa verdadeira fria.
Fico pensando como vamos perder no domingo. É, de fato, perder ou perder. Vai ser com a Argentina, mas poderia ser o México. Tanto faz.
O primeiro perder é a pura realidade. Vamos perder, em primeiro lugar, porque os hermanos estão jogando tudo e um pouco mais do que sabem. Assisti a todos os jogos da Argentina e matei saudades dos melhores times que vi jogar. Eles controlam totalmente o jogo e fazem gols espetaculares. Tem espírito de grupo (todo mundo sabe a sua função no time) e um banco fenomenal, onde já passaram Messi, Tevez e Palacio. Eu que critiquei os gols feios dos argentinos na Libertadores queimei a língua nessa Copa América. O gol do Mascherano contra o Paraguai lembrou Ronaldinho Gaúcho contra o Chelsea: bola parada no bico da área e, de repente, colocada, sem força no cantinho do gol. O gol do Messi contra o México foi aquele toque de cobertura minimamente calculado. É difícil de fazer até no futebol de botão. Assim como foi milimétrico o gol do Tevez na estréia contra os Estados Unidos: um passe fenomenal do Riquelme para o toque do Carlitos na saída do goleiro.
E vamos perder, em segundo lugar, porque se, por algum acaso, um destes loucos deuses dos estádios nos dê a Taça no domingo, será a consagração dessa seleção com três, quatro volantes. Aí, vamos perder feio porque vamos ter que aturar a retranca na nossa seleção até a Copa africana. A retranca é aquele jogo onde o que vale é a paciência. O Parreira já dizia que, se o outro time não sair para o jogo, o Brasil também deveria se fechar. Assim é que são feitos os jogos chatos, modorrentos, as “goleadas” de 1 a 0. Será triste jogar o Mundial da África como se fôssemos uma seleção suíça. Fria, cheia de zagueiros e volantes, atacantes solitários esperando um contra-ataque.
O fato é que o Dunga nos transformou em Bragantino. Estamos, de novo, destruindo jogadas no meio-campo, voltando pra marcar. Qualquer que seja o resultado no domingo, já estamos derrotados. No campo e na alma.
É perder ou perder!
Escrito por Jubas às 19h11
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Dos mais bonitos goles de placa...
Bolonistas de chuveiro...
Faz tempo que o debate sobre “futebol-arte” e “futebol de resultados” inunda as páginas dos periódicos, das circulares, dos colóquios, dos botecos e do mundo. Há argumentos, senhores. E muitos. Este tipo de debate, porém, esquece muitos meandros. Muitas particularidades. Ambigüidades.
Tem jogo que nós queremos vencer. E neste tipo de jogo não há como evitar torcer e jogar com o único objetivo de ganhar os três pontos. Neste tipo de contenda não há meio termo. O gol saiu sem querer? Mas saiu, nos convencemos.
Mas há jogos que queremos nos divertir, deliciar. São os melhores jogos, definitivamente. Sem traumas pelos outros jogos, mas nos jogos em que o objetivo é a mais pura diversão estamos próximos das nossas memórias mais gostosas, pequenas relíquias que demarcam nossa existência.
Profundo? Filosófico? Não sei bem. Mas sei, também, que o ápice é o jogo em que nos divertimos e que ao cabo, ganhamos. Uma sensação de leveza, de gosto, sabor e cheiro. Nesses jogos, meus caros, não há vírgula. Há o melhor de tudo. Da vida.
Escrevo este preâmbulo para descrever mais um jogo dos meus campeonatos. E que campeonato!!! Marco Antônio e Leonel, os dois craques da minha vida, são duas figuraças. Todo dia tem encanto, tem jogo. Tem vômito, é verdade. Dor de barriga. Choro. Mas tem risos, tem “papai”, tem brincar de carro pelo chão da sala. Tem abraço. Tem conversas em línguas que nós criamos. Tem futebol. Bola, caneta e chaves. Descobrimos que um pedaço de caixa de papelão pode ser brinquedo e marcamos goles e mais goles. E cada golaço que vou contar...
Um dos campeonatos mais interessantes, desde os primórdios, é o banho. Todos reconhecem a dramaticidade de dar banho em pequenos seres que acabam de começar a jogar e a torcer. Banho quente, escalda. E chora. Banho frio, tiritar. E choro, muito choro. Eles crescem e é pior. A banheira não serve mais. E o choro acaba sendo cada vez mais sombrio e irritante.
_______________________________continua aí embaixo________________________________________
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 13h06
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Excesso de caracteres e outros goles...
_______________ continuação do texto aí de cima ___________________________________
Marco Antônio começou a tomar banho em pé, no chuveiro. E odiava lavar a cabeça. Chorava. Pranteava. Transformava todo o ritual num drama mexicano, dos bons. Mas o que importava, no jogo, era acabar a tarefa. Banho tomado e o paizão sabia que mais uma partida acabara. Mas ficava aquele gostinho de querer o “futebol-arte”. O grande tinha até medo da sentença: “Banho com o papai.” Respondia, na lata: “Mas o papai lava o cabelo muito forte!!!”. Convenhamos, para a estima não era lá uma coisa muito boa de ouvir.
Enfim os jogos iam. Até um santo dia, quando Telê Santana cochichou ao meu ouvido: “Porque você não deixa ele passar o xampu no cabelo? Ele vai se sentir o mais importante, fazendo tarefa de adulto. E você, como quem não quer nada, ajuda, força aqui e ali.” Batata. Espeto. Golaço. O grande ficou tão feliz de lavar o cabelo “sozinho” que enxaguou a espuma, numa boa. Senti-me heróico, me senti um Cruiff, um Sócrates. Um Raí. E os jogos passaram a ser pura diversão, sempre com três pontos.
Mas e o pequeno? Leonel, que todos saibam, tem um temperamento “argentino”. É um milongueiro. E tem pulmões saudáveis. Quando chora acorda até as formigas que infestam a cozinha. Num átimo estão todas as formigas zanzando desnorteadas pela casa. Os jogos com ele e o pai, no banho, eram jogos árduos. Pelejas difíceis. Imaginem o quanto de lida, de disputa, de calor. Lembro de jogos em que eu fiquei ensopado, de suor, tentando domar o artilheiro. Mas, enfim, os três pontos vinham. Com muita choradeira, mas vinham.
Mas lá no fundo ainda queria um “banho-arte”. Bolonistas do mundo, relato: Foi espetacular. Simples e objetivo. Fazia tempo o Cilinho tinha me dado dica: “Põe ele para tomar banho em pé, no chuveiro.”. E num dia desses, cansado, querendo o mundo parar, a tarefa foi dada: “Banho no Leonel.” Lá fui, com ânimo, mas ressabiado. Entrei no chuveiro e resolvi: “Hoje, de pé”. Sentei no chão do box, abri a água e ele lá. Chorando, evidentemente. E uma luz, Cilinho, Telê e Autuori, juntos: “Marco Antônio, vem cá. Vamos tomar banho junto com o Lelê.” O grande chegou todo pimpão, brincando, chamando o irmão. “Não chora. Molha aqui, molha ali.” Trouxe brinquedos. O pequeno parou de chorar. Tomou um tombo, o chão escorregava. E riu. Passei o xampu e o coloquei embaixo da água. Um doce sorriso.
Soube, e foi muito bom, mas bom até o infinito, como se sentiu o Van Basten depois daquele gol contra a União Soviética...
13.07.07
Vejam o banho:
http://www.youtube.com/watch?v=bBNDlQvPYxw
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 13h04
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ACHO QUE O PAN DO RIO VAI GERAR UM BABY BOOM...
11/07/2007 - 10h30
Atletas reclamam de ociosidade e falta de TVs na Vila Pan-Americana
JOSÉ RICARDO LEITE da Folha Online, no Rio
Apesar de elogios sobre o espaço interno, comida e visual da Vila Pan-Americana, alguns atletas estrangeiros que disputarão o Pan-2007, no Rio, foram já reclamam da ociosidade que têm tido que enfrentar no local.
Leia cobertura completa do Pan-2007
Segundo esportistas, não há muito entretenimento na Vila. "Falta alguma coisa como um salão de jogos, uma discoteca. O que podemos fazer nas folgas? Ficamos sentados olhando as quatro paredes", disse o ciclista chileno Luis Sepulceda.
"Acho que faz falta ter TV em todos os quartos. Tem apenas uma em cada prédio, no térreo", completou o também chileno Augusto Sanchez, do ciclismo.
A falta de televisor nos apartamentos foi algo quase que unânime na reclamação de todos os competidores questionados. A Vila Pan-Americana da última edição, na República Dominicana, foi classificada como melhor para as horas de folga.
"Os quartos são bonitos e maiores [no Rio], mas faz falta um cinema, como havia nos Jogos de Santo Domingo, em 2003", disse o venezuelano Tomás Gil.
Alguns reclamaram do pouco número de cabines para o uso de internet. "Faltam cabines para que possamos nos comunicar com nossas famílias", disse Ian Carter, atleta de hóquei sobre grama de Trinidad e Tobago.
A reclamação foi endossada por atletas chilenos, que se queixaram da "invasão de cubanos" ao prédio onde está a delegação sul-americana para utilizar a internet.
"Muitos, muitos cubanos por ali. Demoramos muito para conseguir usar um computador", continuou Sanchez.
A comida, no entanto, foi elogiada por todos. "É algo excelente, estou muito feliz com a qualidade", disse Dowwe Contreras, atleta da natação de El Salvador.
Escrito por Zecão às 16h02
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COpa América: Semifinal

Na verdade, verdadeira, torcer contra o México também pode ser enquadrado como ato de loucura, dependendo do foco de observação. Belo time, sem dúvida.
Crédito da foto: http://www.cinemacomrapadura.com.br/metamorfose/metamorfose.php?id=75
Escrito por Amaral às 11h17
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Copa América

E tem gente que prefere torcer pela desclassificação da Colômbia...
Francamente...
Crédito da Foto: AP/Fabian Bimmer - no sítio do "Live Earth".
Escrito por Amaral às 17h28
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O jogador, o político e o trabalhador
Nos primeiros passos já se encontraram na viela que unia os barracos da favela. Costumavam brigar entre si pelos espaços mais planos do beco para jogarem paredão. Muito desajeitados corriam atrás da bola dente-de-leite, lá ia ela despencando ladeira abaixo, e cresceram com pernas fortes e pulmões fartos. Pouco antes da adolescência já eram peladeiros respeitados entre os colegas. Marinho estudava na escola do bairro de baixo, sua mãe trabalhava como doméstica para famílias abastadas e conseguiu uma vaga para o filho, tinha bolsa integral, e como era forte e bom jogador, entrou para a seleção da escola. Garoto estudioso, atleta aplicado, procurava se destacar na escola. Não gostava de voltar para casa muitas vezes, se sentia culpado por ter uniforme caro e oportunidades melhores que seus amigos. Ficava na rua procurando campos para jogar futebol, e às vezes jogava em três ou quatro no mesmo dia, chegava em casa exausto, mas só dormia depois que a avó tomava sua lição de casa. Velha integra e orgulhosa, falava ao seu ouvido que ele iria sair daquela vida de miséria com as próprias pernas. De fato.
Mozer não tinha uma boa família, como tantos da favela seu pai saíra de casa, sua mãe tomou o mesmo rumo do marido e bebia quase todo o orçamento familiar. Seus irmãos, quase todos mais velhos, trabalhavam com pequenos serviços para o tráfico, não eram ambiciosos, então não preocupavam a irmã mais velha. Ela escolheu Mozer como cria, ele era diferente, exigente em tudo que fazia, já mostrava raça encarando os mais velhos nas pequenas desavenças familiares e criticava o modo com que eram tratados na rua quando ela o levava junto para o supermercado onde trabalhava. Mozer ia cedo para a escolinha da favela e fazia os deveres de casa acompanhado da irmã, que ainda vigiava os horários das peladas, quando anoitecia buscava o menino pela mão para descansar e não se misturar com os malandros.
Tita era o mais abusado dos três nas peladas, jogava na frente zombando dos outros meninos, colocava entre as canetas, dava chapéu, só não fazia muitos gols. Seu negócio era abusar da paciência dos colegas. Irritava Mozer que pelo espírito competitivo e força de liderança queria que seu time vencesse, e muitas vezes perdiam, porque Tita brincava demais e não batia pro gol. Subia a ladeira aos reclames do amigo e corria fazendo galhofa, lembrando da entortada que dera no chefe dos irmãos de Mozer. Não era muito medroso, e até para os traficantes o horário do futebol era sagrado, como Tita apenas demonstrava habilidade, deixavam passar. Também tinha seu pai, que era homem respeitado na comunidade, já tinha sido vereador. Ele que conseguiu o terreno do campo de futebol, que arrumou verba para a construção da pista de skate, que montou o centro de convivência jovem, de onde tem saído muito músico, cantor de rap, dançarinas, cantoras, enfim, seu objetivo é manter os jovens ocupados, e tem se saído bem. O garoto era protegido.
Marinho cursava faculdade de biologia na federal, pirou com um documentário sobre vida animal e queria fazer aquilo, mas um olheiro o levou para o América, nem passou por peneira, foi direto para o profissional e já tem gente no exterior de olho nele, mas na imprensa dizem que o Tricolor e o Flamengo fizeram propostas tentadoras. Comprou um apartamento pequeno para a irmã e a mãe morarem e sonha em abrir um pequeno negócio para os irmãos. Dois estão de avião ainda, só pelos trocados, e outros dois são coletores de papel de uma cooperativa, tiveram medo demais do que viam.
Mozer parou com o futebol e até ganhou uns quilinhos. A cara está redonda e a barriga saliente. Um tempo atrás fazia parte da rádio comunitária, gostava de ser animador das festas que o pai de Tita organizava e acabou sendo influenciado pelo coroa. O velho um dia olhou diferente para o garoto que lia seus textos na rádio. As palavras eram sofisticadas para um jovem, seu pensamento politizado e ao mesmo tempo poético. Encantou o velho que como o olheiro no futebol, recrutou Mozer para seu time. Hoje continua seus estudos, com muito sofrimento conseguiu passar em filosofia na faculdade estadual e já fala como político, anda pela favela com desenvoltura e conseguiu se candidatar para vereador. Um verdadeiro carismático, afirma o pai de Tita.
Esse por sua vez não gostava de escola, apesar de demonstrar inteligência quando apertado pelas professoras, mas não se entendia com história, geografia, sociologia, tudo lhe parecia enganador. Sair da sala e entrar na favela o irritava, não reconhecia seu mundo nos livros e corria para a pelada, ali ele esquecia tudo e zombava da vida com seus dribles e cortes, continua muito amigo de Marinho e Mozer, faz questão de recebe-los em seu apartamento na Barra. Exato, virou empresário dos grupos de pagode que se formavam no centro de convivência e, com o dinheiro entrando, fez saltos altos, comandando seu selo independente. Desfila na favela sempre que tem tempo, procura os meninos bons de bola e os apresenta nas peneiras, para os que conseguem entrar ele garante contrato. Joga bola em um clube social e tem orgulho da foto na sala abraçado com o Péle e o Chico Buarque, numa pelada de seu time contra o Politheama, perderam sem gols, mas Tita deu um chapéu no músico e um elástico no Rei.
Escrito por Renato às 15h46
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Fala sério !!!! Isso era uma seleção de verdade.

Telê, Valdir Perez, Oscar, Edinho, Luizinho, Cerezzo, Júnior, Renato, S�crates, Leandro, Juninho e Carlos Edevaldo, Zico, Paulo Isidoro, Batista, Serginho, Paulo Sérgio, Dirceu, Éder, Careca e Pedrinho, e o rei "Reinaldo" por minha conta.em 1982
Escrito por Frank às 16h30
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Uma tarde sem fôlego
Bolonistas Irritados...
Pergunto, com a alma: Será que vale a pena? Olhando a seleção nacional de futebol tenho cócegas. Sim. Há algo de risível no time canarinho. Empresários escalam jogadores, numa obviedade tão óbvia quanto a luz do sol. O treinador foi um ótimo volante, mesmo. Mas não se pode esperar de um ótimo volante que seja sempre um Beckenbauer. O alemão nem volante era. O treinador desconhece os jogadores, porque alguns não foram necessariamente escolhidos por ele. Isso é tão evidente que nem vale processo. Mesmo.
Mas o risível, quando próximo do ridículo, me encanta. Este time não. Mas não é só o time. É o todo. E não são os jogadores, o Dunga, o Jorginho, o preparador físico e sei lá mais qual cousa. É o todo. Então não é risível próximo do ridículo. É o ridículo próximo do nada. Uma pena.
Pergunto, com a alma: Valeu a pena? Olhando um teipe perdido e a face de Telê Santana tenho certeza que valeu tudo. Cada gota. Olhando a camisa rasgada do Galinho, as veias saltadas do Rei de Roma, a frieza no golaço do Doutor, a defesa impossível de Dino Zoff, percebo que a derrota não é necessariamente um fim. Sim. Há algo de maravilhoso naqueles minutos de Sarriá. A derrota, meus caros, um detalhe. Vejam o teipe, por favor. E vejam logo, para poder entender a luz do sol. Para poder entender porque gostamos desse treco.
E é absolutamente verdadeiro que a derrota foi justa. Como teria sido justa a classificação. Do outro lado, Scirea e trupe fizeram um jogo memorável. Diria, sem dúvida e lágrima, inesquecível. E é verdade que chorei muito naquele dia. Mas sabe, hoje, vendo o teipe e vendo o resto das coisas, não é tristeza. Poderia ter sido diferente? Sim. Poderia. Seria ótimo e nossa infância seria ainda mais deliciosa. Mas quem nunca aqui se imaginou o santo Valdir, o mago Leandro, o genial Oscar, o clássico Luisinho, o estupendo Júnior, o dínamo Toninho, o magnífico Rei de Roma, o pós doutor Doutor, a bomba Éder ou o iluminado Serginho? E, porque toda unanimidade é espetacular, quem nunca pensou em nascer em Quintino? E confesso, de tudo e de fato, o homem do banco de reservas é quem eu escolheria por todos os dias do mundo para ser o técnico do meu São Paulo de botão.
Portanto, Sarriá não pode ser o demônio, a data maldita. Maldita é palavra que define outras coisas, ridículas muitas vezes, empáfia, desconcolo, tristeza. Sarriá é outra coisa. Bem outra.
Hoje aniversaria Sarriá. Que os Bolonistas e todos os boleiros que aqui nos visitam brindem: Valeu a pena!
05.07.07
Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 21h19
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Brasil x Equador, 1º Tempo
Julio Batista bate de fora da área, Vágner Love perde o gol no rebote.
E o Galvão: "O Julio Batista é o único que está tentando alguma coisa. É o melhor em campo."
Não aguento a bobagem e mudo de canal. Minutos depois, Julio Batista erra um passe fácil no meio campo.
E o Lucio do Vale: "Ôôô, Julio Batista... Que isso! O Júlio Batista é o pior em campo"
Conclusão: Pode existir algo pior do que a seleção do Dunga. Sim, é claro que pode!
Escrito por Jubas às 19h48
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Vizinhos
Caros Bolonistas,
Escrevi no outro Blog, http://tipografando.blogspot.com, uma nova crônica, que segue o estilo da primeira logo aí abaixo. Propositadamente publico lá, mantendo uma espécie de relação de vizinhança. Aguardo as visitas.
Um Abraço.
Escrito por Renato às 14h44
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Mensagem ao Anão.
Isso mesmo, sua besta. O Alex Silva é lateral direito. Entendeu tudo. Parabéns.
Escrito por Demas às 09h56
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Nossa Senhora da Abadia!
Aos 41 anos, Aldair volta aos gramados
Zagueiro, campeão mundial pela seleção brasileira, vai disputar a Liga dos Campeões
(GLOBOESPORTE)
Escrito por Demas às 14h07
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TIO LEANDRO
Todas as manhãs punham os barcos na água. Ainda madrugada, o time de futebol inteiro juntava-se para organizar as redes, verificar as velas e saia rumo à barra do rio, ao sabor dos ventos. A visão do mar sempre alegrava o Tio Leandro, desde menino fazia aquilo, sorria na saída do rio, todos os dias de sua vida, exceto aos domingos, dia guardado pela sua mãe para a missa e, copiando seu pai, vestia a calça social, a camisa de botões, a sandália mais nova e caminhava para a igreja. Não podia ouvir os sacros acordes finais nos teclados do velho Hammond B3, tocado pela Dona Maria da Dores, carola temida por todos os meninos, seus beliscões eram famosos e as mães sempre lhe davam razão. Corria para casa para tirar a roupa e vestir o calção.
O campinho, para o Tio Leandro, sempre existira. Na verdade, seu pai e tios foram os que derrubaram as árvores, cortaram mato e arrancaram tocos, para depois baterem a terra até a firmeza, permitindo o rolar tranqüilo da bola de couro. A encomenda era feita anualmente pelo Seu Tonho, dono da mercearia da cidade, velho aleijado pela paralisia, mas que adorava assistir aos jogos, levava o radinho de pilha e acompanhava os campeonatos estaduais pela Rádio Nacional, em prantos de tanto rir da comparação entre a narração e o que assistia ao vivo lá no campinho. Inclusive era ele quem costurava eventuais rasgos na pelota, o que o contrariava um pouco, mas quando alguém falava que o chute fatal havia sido desferido por Tio Leandro perdia a cara amarrada e costurava a pelota com certo orgulho. Tio Leandro era famoso por ter um chute potente, muito goleiro amargou dores por entrar na frente da bola, alguns nem tentavam a defesa, plantavam os pés e rezavam para o tiro passar ao lado. Corria pela esquerda. Seus passes milimétricos faziam que todos rezassem para entrarem em seu time, fazer gol era mais fácil com ele lançando e o dia de glória passava por seus pés. O gol praticamente era dele, mas estufar as redes... Bem, não havia redes, o time adversário tinha que buscar a bola no fundo do terreno. Mas fazer o gol dava o privilégio de ganhar sorvete do Seu Tonho e contar alguma vantagem.
Tio Leandro cresceu gostando de bola e de mar. Jamais saiu da sua cidade. Continuou jogando no campinho. Ensaiava ser técnico dos meus colegas de escola, mas na verdade torcia por todo mundo, gostava do jogo. Herdou a mania de Seu Tonho de se divertir com as narrações da Rádio Nacional regidas pelas nossas peladas desorganizadas. E sorria largo quando uma troca de passes bem feita ou um lançamento preciso resultavam em gol. O mesmo sorriso que ele tinha quando o barco atravessava a barra e ele e seus colegas de futebol e trabalho saiam para a pescaria.
Hoje o peixe é pouco, a gente não trabalha mais no mar. O sorriso de Tio Leandro apenas me lembro dele, quando papai me levava junto para aprender a profissão eu reparava naquele olhar perdido no horizonte e o canto da boca levantada, achando graça de alguma coisa. Ele me via observando, pegava no colo e me colocava em cima das redes para eu olhar também.
Escrito por Renato às 13h38
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Infâmia.
Senhores:
Li nas folhas duas notícias (notícias?) inacreditáveis.
A primeira: há uma música-tema do Pan.
Sim, há e se chama "Viva Essa Energia".
Trata-se de algo tão abominável que deveria ser proibido. Rasga as entranhas e o bom senso com unhas sujas.
Sintam um pedaço do drama, da maviosa lavra de Arnaldo Antunes e Liminha:
"No dia em que o céu beijou o mar
fazendo a cama pro sol deitar
a noite veio cobrindo devagar
com seu manto de luar
ali foi gerado o novo dia
trazendo pra terra a energia
dando vida nova ao novo mundo
ao som do mar e à luz do céu profundo"
Engulhos múltiplos. Passo a página.
Lá está a segunda notícia: a escalação da seleção.
A manchete estampa um improvável: "Ferrolho Brasileiro".
Cuma? Temos agora ferrolho?
Não resisti.
Também lançarei minha marchinha. Será um sucesso no monumental Carnaval de Brasília. É a música-tema do meu fígado.
Manhã de domingo
Com cheiro de pão
Chinelo de dedo
Bermuda e calor
Cerezo, Falcão
Galinho e Doutor
Canseira de Quarta
Um aperto no pé
As contas chegando
Sem soldo por perto
Mineiro, Josué
Batista e Gilberto.
Escrito por Demas às 11h05
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POESIA DA BELEZA E DO INSÓLITO
UM ANO!! UM ANO, eu repito, desde a malfadada copa da Alemanha. No outono de 2006, bolonistas escreviam, frenéticamente, alguns textos quase lisérgicos sobre a copa que imaginávamos; uma copa que foi infinitamente mais bonita, charmosa e interessante do que aquele espetáculo tipicamente germânico, que teve como seu ato final aquela cabeçada bisonha.
O goleiro Pançolino, seguro como uma muralha, o xerife Caubas, raçudo como De León, arriscando chegadas meteóricas repentinas ao ataque, reeditando a dupla, da época do XI de agosto, com o Jubas, zagueiro frio e detalhista, somados à segurança e precisão do Zecons e do Luis, a cobrir a zaga, e às subidas alucinadas ao ataque pelo Pedro e pelo Franklin, vinte mil vezes mais possessos que o Amarildo, servidos pelo meu esforçado arroz-com-feijão e por pinturas plásticas elaboradas por Demétrius, ponta-de-lança de nome estranho e futebol que me fazia lembrar o saudoso Pita, formavam um esquadrão que culminava com um ataque, em que apareciam o destruidor de corações Renato, repleto de paixão e suingue, perfilado ao lado de Fernando Amaral. Bom, sobre este último eu vou precisar de mais do que algumas linhas.
O verdadeiro artista é aquele que extrai a beleza de qualquer forma de vida, objeto ou situação que encontre. A façanha vai desde o óbvio mais ululante, observado pelos outros mortais, aos pequenos detalhes da vida, que passam milhares de vezes por hora na frente dos olhos de todos, sem que sejam percebidos.
Naquela constelação de craques que cronicou uma copa, que infelizmente ainda não existiu, a presença do Amaral era a gasolina que incendiava a todos e inspirava o que de melhor cada um tinha para observar. Eu sei o quanto isso significou para mim e o quanto sou grato por isso. O resultado foi uma final de Copa, em que o esquadrão canarinho se engalfinhou com a nau de Scolari, numa partida que seria condenada a jamais ser esquecida e que levaria bilhões de pessoas às lágrimas. Perdoem-me pela pretensão, mas a perfeição foi atingida naquele momento.
Passada a copa do mundo e, lentamente assimilada a broxada provocada pelo confronto entre os nossos sonhos e a dura realidade, que só times europeus medíocres conseguem impor daquela forma, o blog foi caminhando tropegamente. E caminhou por que, como todo grande time, sempre tem um herói, que carrega o piano nas costas.
Diversos textos de Fernando Amaral criaram situações deliciosas, em que todo aquele time incrível de bolonistas se encontrava em locais incríveis, interagia com vários tipos incríveis em situações incríveis, saboreando acepipes incríveis. Os dias sempre eram mais felizes para todos nós. Na falta desses encontros, descrições apaixonadas de um amor singelo pelo Treze da Paraíba sempre nos faz lembrar que o futebol está em cada pequeno lugar em que exista uma quadra, num estádio morfético com um torcedor munido de seu radinho de pilha ou no meio do Maracanã lotado, na barriga histórica do Tostão, ou na lembrança do mago Zé Sérgio, invencível para qualquer criança. Nas pirraças entre torcedores de vários times, no amor incondicional e por vezes irracional do Franklin pelo Galo forte e vingador, pela desaparecida camiseta tricolor do Renatão, que por algum lapso de tempo já fez o então menino estufar o peito e pelos botões idolatrados, com palco no estádio Villão (do Jubas) e no Raquelão.
Em julho de 2007, já com atraso, eu desejo os meus PARABÉNS E VIDA LONGA aos bolonistas, cumprimento a todos os irmãos empenhados nessa batalha e, especialmente ao Amaral, eu digo apenas OBRIGADO. Ps: prometo a todos muitos momentos de aporrinhações argentinas.
Categoria: Por Una Cabeza
Escrito por Ogro às 18h36
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