Alguém se ligou que só deu esquerda na loteca? Se perdeu a chance de jogar em, absolutamente, todos os times da casa nessa rodada, acho que não ganha mais...
O fusquinha azul subia e descia as ladeiras da cidade. Rodava, passeava, cantarolava. Munido de um estridente aparelho de som, com chiados, quase inaudíveis as frases ditas, de forma rápida. Mas elegantes. “Hoje tem marmelada? Tem sim senhor. Hoje tem goiabada? Tem sim senhor.” Era o anúncio, do circo. O circo e a cidade. As crianças todas vivendo euforia. A tenda colorida. O fusquinha.
Os olhos curiosos e pretos do pequeno Leônidas cintilavam. Camisa do Alecrim, sempre. Inseparáveis. E a bola de meia. O pai, seu Arthur, ainda inconformado com a opção do menino, vestia a camisa do ABC. Coisas de família. Simples, mas teimosos na vida.
O pai, nome Arthur por causa do genial boleiro Friedreinch, já tinha escolhido o nome do menino. Leônidas. O craque que inventara bicicleta. Que jogava para dentro da baliza a pelota com as pernas no ar. O Diamante Negro. E tinha outros planos para o filho: Ser doutor e torcedor do ABC. Assim como o avô, o pai e os tios. Nasceu num Alecrim e América, entretanto.
Desde pequeno Leônidas escolheu o Alecrim. Amor desses que não tem muita razão nem explicação. Talvez o verde da camisa. Talvez o hino. Mas foi assim. E o menino ganhou de um vizinho a camiseta cinco, inseparável. E quando o pai lhe provocava, “sarreando” a opção, respondia, de pronto: “É o único time do Brasil que teve um Presidente da República!!!”. E era. Café Filho jogou nos potiguares da vida.
O fato é que o menino não dormiu mais depois das notícias dadas pelo fusquinha. Imaginava o circo. E na volta da escola fazia questão de errar o caminho e olhar para a tenda colorida. Os animais. Os gritos. As cantorias. As bicicletas num canto. Sonhou com aquilo tudo. Uma, duas, três noites. E sábado nunca chegava.
Chegou. E foi como o Alecrim. Inimaginável alguma razão para tirar o menino do campo de terra da matriz, antes do escurecer. Mas naquele sábado o menino já estava de banho feito, antes da novena. O pai encantado levou o menino e os irmãos.
Espetáculo. Os olhos, as mãos, os pés. O corpo. O menino não imaginava aquilo. E teve o fogo, dos cuspidores. Os trapézios. Os domadores. As canções. E os palhaços. Na primeira risada estava dado o destino. O pai percebeu, por instinto. “Nem ABC, nem Doutor.”. O menino chorou ao fim do ato. E decidiu ser palhaço. O “Galante Alecrim”. Faceiro, inteligente, alegre, Chaplin. O melhor dos Carlitos. Já com quinze anos conhecia o Rio de Janeiro e a Cidade do México. Aos vinte, Lisboa. O palhaço mais feliz do mundo.
Nos festivais internacionais, convites não faltavam, foi conhecer o mundo e outros circos. Outros times. Sempre levava a inseparável camiseta cinco. E trocava com franceses, ingleses, camaroneses, poloneses, por camisetas de outros times. O “Galante Alecrim” fez fama. E seu Arthur repetia, com um imenso sorriso no rosto: “Nem Doutor, nem ABC. Mas também nunca foi América!!!”
“Uma pirueta, duas piruetas.” E num desses foi parar em Moçambique, Maputo. Circos que alegravam aquele país pobre e triste, mas de imensa alma. O sorriso das crianças todas. E um sorriso especial, que nunca mais pode esquecer. Ela vestia branco, um lindo colar e escondia a longa cabeleira no uniforme colado ao corpo. A trapezista e o palhaço. A história foi assim. Como o Alecrim.
Para o Fernando e Márcia, uma breve história dos meus avós.
No final dos anos de 1950, meu avô, após uma vida de carências e muito trabalho, conseguiu juntar em uma pequena chácara às margens do Rio Poty, em Teresina, todo o seu sonho, construiu sua casa, onde moraria com a sua Velha e os filhos, entre crianças e adolescentes. A chácara e a vida na roça sempre fizeram parte de sua personalidade, do seu entendimento de mundo. E a família passaria, em sua idéia, a ter seu definitivo ponto de referência, seu lar. Para ele seria a sua casa e lugar de trabalho, de onde tiraria o sustento da família, o seu orgulho e pouso.
Pouco antes da inauguração da Capital Federal ocorreram chuvas fortíssimas em algumas regiões nordestinas, entre elas partes do Estado do Piauí. As águas alcançaram o Rio Poty e ele transbordou. A enchente foi sentida por todo o Estado e em particular pelo Velho Edson e sua família. Perderam tudo. Com as águas foi carregado o sonho e os anos de labuta e suor, de esperança, sofrimento e a alegria da conquista, reservada para homens que, na forma que ele pensava, acreditavam que o trabalho permitia seu crescimento pessoal.
Veio para Brasília e aqui, após sua reconstrução como homem e como trabalhador, permitiu aos filhos uma vida digna e à esposa uma casa, um lar, onde por toda a vida serviu de referência para a ainda crescente família Parente.
Seu Edson e Dona Zuila são meus avós - Fernandão e Marcinha - conheceram o mundo na construção do lar, na perda dele e na construção de um novo. Sofreram, mas foram felizes. Enfim, viveram. Deixaram marcas de dignidade, amor pela família e amigos que são comemoradas ainda hoje por nós, seus filhos, netos, bisnetos. Fortaleza semelhante à que eu, humildemente, reconheço em vocês dois.
Procurarei ajudar a levantar novas paredes, organizar novo telhado, pintar, o que for preciso e ao meu alcance. O lar de vocês só vai atrasar um pouco, e eu, por hora, lhes desejo a maior felicidade do mundo. Um grande beijo.
O fígado deste colunista é frágil. Bastam derrotas para a fúria. Uma fúria odiosa que me faz aziago. Infausto. E derrotas para o Sport Club pioram, muito, a enxaqueca. Óbvio, nada que me faça esquecer os onze pontos de vantagem que nos distanciam do segundo colocado. Também tenho cá com meus botões que a euforia de flamenguistas e sportclubistas pela vitória revela uma dor de cotovelo para Lupicínio nenhum colocar defeito. Mas, fígado é fígado.
O fato é que há um fastio evidente no Tricolor. Algo como uma saciedade antes da refeição. O time jogou as últimas pelejas com o pé no freio e a faca no faqueiro. O Sport Club e o Flamengo, por outro lado, jogaram com a faca nos dentes. Meu fígado raciocinou um pouco e até considerou a possibilidade deste fastio amortecer a sensação de ânsia e suportar a galhofa. E fato, passou. Onze pontos. E oito rodadas.
Vou aqui fazer uma confissão de um insuportável. Estava absurdamente extasiado com a tabela e a possibilidade de ser campeão com mil rodadas de antecedência. Explico a sensação como se fosse carambola doce em dia de verão. Foi inevitável, salto alto. Os piadistas vão falar que salto combina com o Tricolor. E os piadistas, me desculpem. Vocês não entenderiam o que é ser tricolor do Morumbi. Esta arrogância do sublime. Esta insuportabilidade. A faixa foi carimbada. Pode até ser. Podem, até, imaginar o pior desfecho, o absurdo do improvável acontecer e o time ficar sem o caneco. No fundo, lá no fundo, a alma tricolor está embevecida. Temos Rogério. Temos oito pontos de vantagem. Temos três títulos planetários. Eliminamos o sagrado Boca. E só tomamos onze goles no campeonato. Repito, onze. E, fato, a Libertadores de 2008. Todos sabem que para nós, os torcedores do Dileto, campeonato brasileiro é eliminatório do continental.
Traço tais linhas porque poderiam perguntar com notória injúria pelos cânticos do Amaral. “Cadê o Amaral? Ficou piano com as derrotas? Escafedeu-se?”. Bolonistas, calma, muita calma que o santo é de barro. E o nosso santo está a forjar o quinto caneco, sem drama, sem novena, sem histeria, sem asterisco.
Aqui na terra do futebol o campeonato vai se acabando, com previsões ocilantes na parte baixa da tabela e nenhuma novidade pertinente lá no topo. Mas pelo mundo outras emoções são lembradas pelos especialistas esportivos. Ano passado também houve lembranças desses esportes e aqui ficam algumas considerações desse enviado especial. Em Budapeste, um cara que esqueci o nome ganhou o campeonato de... Como se chama mesmo? Arrumar o cubo? Vá lá! Em meros 13 segundos ele botou todas aquelas cores em seus devidos lugares. Não me surpreende a inteligência, mas a agilidade manual. Teve inclusice um prêmio especial para um garoto de nome desconhecido também, que em 44 segundos ajeitou as cores usando somente os pés, um gênio. O campeonato não foi televisionado por nenhum grande veículo de comunicação, nem os canais esportivos deram atenção a tão relevante acontecimento esportivo. E depois esperam que nossos jovens cresçam saudáveis, espelhando-se em atletas de ponta, seus ídolos. A corrida de sapos, o cuspe à distância, o campeonato de velocidade de ingestão de salchichas, a Fórmula Uno, e a Copa Biu, todos desprezados pelos "especialistas esportivos", francamente, aonde vamos parar com tamanha ineficiência jornalística. Fica somente o protesto para com aquele cidadão auto intitulado 'jornalista isento', que ao cobrir o fla-flu no moribundo campeonato brasileiro de futebol, escreveu um artigo depreciativo sobre a nação rubro negra. Poderia ter utilizado melhor seu tempo e viajado à Budapeste para nos dar maiores detalhes do campeonato com Cubos.
No mais, aguardo o início dos jogos de botão do Deco e o compeonato Russo de tapa na cara com boca cheia de vodca, o clássico das multidões. Aqui, no formato tupiniquim, reproduzido com cerveja, com um dado visual marcante, quando a espuma sai pelo nariz dos oponentes, após o sacolejo da cara dada a tapa.
Como já foi dito pelo amigo Amaral, o São Paulo perdeu, tomou seu décimo gol, vai ser campeão, mas perdeu pro Flamengo. Maior público do campeonato e a mais bela torcida do Brasil. O resto já ficou pouco interessante...
El equipo brasileño anda de mal en peor: perdió sus últimos cuatro partidos y está en zona de descenso directo. ¿Cuál fue la solución que encontraron los dirigentes para tratar revertir la historia? Contrataron un curandero para exorcizar las fuerzas negativas. Si no le tienen fe...