Uma camisa listrada
Bolonistas, muito tempo sem escrever e saiu esta bobeira aí....
Um plano infalível. Combinaram tudo. Todos os pontos. Fulano entraria por uma porta no beco. Beco escuro, deserto, solitário. Beltrano esperaria no carro. Ciclano levaria a sacola. Tudo acertado, ensaiado e em exatos trinta minutos tudo estaria resolvido. Joalheria furtada e os três bem mais ricos e tranqüilos.
O grande dia. Evidente, uma ansiedade atroz os acompanhou. Um deles gaguejou ferozmente no almoço, tomado de um alvoroço na alma. Tinham planos: Aruba. E passagens compradas no cartão de crédito. A ante sala da felicidade, aqueles minutos que antecediam a ação.
Caminhando para a furgoneta, especialmente locada em nome de um quarto desavisado que ficaria com toda a culpa, em caso de meleca, um deles cravou os olhos nos jornais pendurados na banca de jornal. Pânico. A loja ficava nas cercanias do Municipal...
Era a final do torneio local. Um contingente absurdo de pessoas se locomovendo para o estádio. As ruas todas tomadas de carros enfileirados, estacionados em fila dupla. O plano infalível tinha um defeito. A data escolhida era a final do campeonato mais disputado dos últimos treze anos.
Tudo ruiu. Um castelo de cartas. Uma roda de dominós. No beco, carros estacionados e vendedores de sanduíches de pernil. Na frente da portinhola da loja de jóias um vendedor de camisetas utilizava a tramela como ponta de um varal, que servia de mostruário.
Beltrano sentira um ódio terrível. Várias temeridades passaram por sua mente insana e desqualificada. Fulano chorava lágrimas espessas, pensando na fatura do cartão de crédito. E Ciclano, ninguém nunca mais viu. Sumiu na multidão que subia pelo portão principal. Dizem, mas eu não acredito, que na comemoração do título se esbaldou e acordou com ressaca, na casa de uma viúva que era dona de uma loja de jóias.
31.01.2008
Escrito por Amaral às 16h24





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