A estréia foi contra a Argentina. Não aquela que tomou de 6 a 1 da Tchecoslováquia em 58, mas contra a de 78 – a que ganhou a Copa na raça e nas armas. O meu time (aí vai a escalação, sem ajuda do google): 1-Svensson; 3-Bergmark e 4-Axbom; 2-Boergenson, 5-Gustavsson e 6-Parling; 7-Harim, 8-Grenn, 9-Simonson, 10-Liedholm e 11-Skoglund.
Era a Copa de Todos os Tempos, terceira edição. Eu joguei com o Brasil e a Suécia de 58 e a Tchecoslováquia de 62. O Chico ficou com a Argentina-78, a Itália-38 e a poderosa Holanda-74.
Na estréia, como eu estava dizendo, empate: Suécia 0x0 Argentina. Não me orgulho muito desse empate, pois, no último contra-ataque da Argentina, deixei o cronômetro correr e quando o Chico, quer dizer, o Kempes foi chutar, num lance com o gol aberto, disparei, como um Galvão Bueno: “Acabou. O tempo acabou.” O Chico ficou sem falar comigo o resto do dia. E com razão. Seria o gol da vitória da Argentina, mas não deixei ele nem tentar o chute. Até hoje ele me cobra por isso.
O Chico já merecia ter ganho o primeiro jogo. A sua Itália-38 marcou de pênalti o 1x0 faltando um minuto para acabar. Mas, na saída de bola, atrasei para Didi que lançou Mané que cruzou para Vavá na área: 1x1. Inapelável. E acabou assim.
A vingança do Chico veio no jogo seguinte, quando a sua Argentina meteu 4x3 na minha Tchecoslováquia. Chegou a ser 4x1, mas, em dois lances impossíveis na segunda metade do segundo tempo, fiz dois golaços, acho que com Scherer e Masopust. E o final do jogo ganhou um nervosismo terrível: as palhetas tremiam e não conseguíamos acertar um único passe. Chegamos até a rir desse nervosismo em pleno campo de madeira. Não controlávamos o tremor na ponta dos dedos e era apenas um jogo.
Nos outros jogos, os meus times de 58 ganharam os seus jogos. A Holanda decepcionou, talvez, pela proximidade de um jogo do técnico Cruyff com um certo time de Telê Santana. Como eu, o Chico é tricolor doente e meio que torceu contra o seu próprio Cruyff.
Até que, no jogo final, bastava uma vitória do Brasil contra a Argentina para levantar o caneco. Saí logo com 2x0: Pelé e Vavá. E fiquei cozinhando o jogo, bradando que seria campeão. Esqueci duas coisas: 1-Era clássico – Brasil x Argentina; 2-Aquele time de 58 nunca parava de atacar, mesmo que estivesse com 2 gols à frente. O castigo veio com dois gols de Kempes e um de Bertoni. Foram três golaços, um atrás do outro, no segundo tempo. Ainda empatei com Didi – sempre ele nos momentos de crise. E, no último lance do jogo, a punição fatal. Errei um gol feito com Nilton Santos. O gol estava escancarado, mas o Nilton Santos nem chegou a encostar na bola. O 3x3 levou a Suécia, que havia batido os italianos por 1x0 e a laranja de Cruyff por 2x1 a levantar o caneco. O Chico, que hoje mora em Buenos Aires, ficou bastante satisfeito com a minha tristeza de não ter feito aquele Brasil campeão.
Leio hoje que Bergmark teve de trocar de posição com Parling para marcar Garrincha. E que, no meio do jogo, Parling acabou também sendo deslocado para marcá-lo. Saudades daqueles campeonatos.
Hoje é dia do Ricardo. Sim, o Caubas. O nosso galã de filme de faroeste.
Mirassol está em festa. Rio Preto em prantos. São Jorge traja vestes de gala.
E Miguel sorri orgulhoso.
Parabéns, meu velho.
E como presente, um texto sincero sobre a paixão.
Segue o trem...
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Bolonistas Fiéis e Infiéis...
Exuberante. Estonteante. Maravilhosa. Escultura. Sobrenatural. Ela era assim, sem tirar nem por. E os olhos não tiravam o foco, não desviavam nem para respirar. E ruiva, o que lhe alimentava os mais delirantes fetiches de adolescência. Era assim que ele a viu, no elevador. A vizinha do quarto andar. E que perfume...
Era um martírio. Ele esperava algum sinal do quarto andar para enfim chamar ao elevador. Mas a angustiante espera foi se prolongando. Os horários eram incompatíveis. Passou a usar a escada e nada. Até perguntas fez ao porteiro, indiscretas. A única resposta: “Mudou-se para cá faz pouco tempo, é aluguel.”. O chato do porteiro mais nada adiantou. Casada? Solteira? Dirigia aquele Fiat prata, a perua blazer ou o corcel branco? Nada, nada de respostas
Exuberante. Estonteante. Maravilhosa. Escultura. Um deleite para olhos e narinas. E para os ouvidos. Tinha uma voz rouca, daquelas que parecem sussurrar. Percebeu que ficou absolutamente entregue, atônito. Nas nuvens. Ela agradeceu a gentileza, ele abriu a porta. Vagarosamente. E ainda deu tempo para dar aquela providencial “conferida” nos atributos da moça. Espetáculo.
O martírio prosseguiu. Sonhava com a voz, acordava transpirando, suplicando, desejando. Passou a só usar as escadas na esperança vã de encontrá-la. Chegou até a bater propositalmente na traseira do Fiat e deixou bilhete. Mas quem apareceu foi o vizinho do oitavo, um brutamonte de três metros. O porteiro? Continuava impassível. Homem sem coração.
Exuberante. Estonteante. Maravilhosa. Um supremo e delicado poema em homenagem aos seres humanos. Foi indisfarçável a emoção, quando madrugada, se encontraram voltando de baladas. Ele estava um pouco bêbado, ela também. Ele fez um gracejo, daqueles idiotas e banais. Ela sorriu. Um sorriso de diva. Tez de porcelana. Sardas. Covinhas. Definitivamente ele estava completamente apaixonado.
Resolveu que não podia mais viver naquele marcante suplício. Resolveu que era hora de dar o bote. Pensou em flores. Pensou em chocolate. Pensou em algum livro de poema. Naquela paixão arrebatadora, pensou em fazer vigília em frente ao apartamento. Pensou em morar no elevador. Pensou tantas coisas que adoeceu. O porteiro? “Ela é a dona do corcel. Carro esquisito, né?”.
Exuberante. Estonteante. Ele a encontrou na portaria, antes de subir. Não havia luz. A chuva derrubara fios, postes, árvores. Mas deixara também delineadas e perfeitas as curvas da ruiva do quarto andar. Estava em frenesi quando subiu os primeiros degraus, acompanhando-a passo a passo. Febre, boca seca, dor no estômago, o perfume dela, o rebolado, as curvas. Uma mistura de sensações e olhares que o transtornavam. Teve certeza absoluta, quando a deixou na porta do apartamento: “É a mulher da minha vida.”
Enfim, ou a coragem dava as caras ou sentia que iria esmaecer. De tanta paixão. Em transe traçou os planos para o enfim. Um a um. E deixou recados aos amigos e parentes que se desaparecesse por alguns dias, anos ou décadas seria em razão do não. Caso contrário, também desapareceria, mas os planos incluíam lareira, serra e fondue. O porteiro foi quem deu o recado: “Ela chegou.”
Exuberante. Ele tocou a campainha e ela apareceu. Soube pela primeira vez o que sentiu Rick ao beijar Ilsa ao som da Marselhesa. Reconheceu Cardinale, Sofia, Salma e Nicole. Teve frio na espinha. Sentiu o coração quase explodir. Teve lágrimas nos olhos. “Oi... tudo bem... posso... entrar?”.
Não deu tempo de ouvir a resposta. Estava quase nua, mas vestia uma camiseta do Sport, rubro negra. Lembrou-se do jogo da Copa do Brasil, da grande final, do jogo da redenção, a Libertadores, do alívio. “Eu nunca vou te abandonar”. Desmaiou. Acordou no Hospital Santa Catarina e ainda deu tempo de ver a entrega das faixas para o time de Pernambuco. O porteiro o acompanhava, com uma camiseta do Palmeiras e um sorriso no rosto. “A placa do corcel era de Recife, eu tentei avisar.”
Caso ocorrido nos primórdios do futebol inspirou escritores como Horacio Quiroga e Eduardo Galeano
ENRIQUE VILA-MATAS
N a década de 1990, entabulei uma certa amizade com jogadores de futebol que liam. Com Pardeza e Pep Guardiola [ambos foram jogadores da seleção espanhola], muito especialmente. Eles queriam que eu lhes falasse de literatura, e eu, em troca, queria que me contassem segredos do futebol. Martirizei os dois em diferentes noites, perguntando se existiam jogadores de sucesso que, no próprio terreno do jogo, tivessem algum dia tido a consciência de que acabavam de fazer a melhor e última grande jogada de suas vidas. Evidentemente, era uma pergunta que, feita em termos literários, poucos escritores aceitariam responder. Eu, pelo menos, não conheci ninguém que se dispusesse a reconhecer que já tinha escrito seu melhor livro. Pardeza e Guardiola reagiram com tato e acabaram sempre evitando responder a minha pergunta noturna e obsessiva. Encontrei a resposta por acaso, anos mais tarde, na trágica história de Abdón Porte, meio-campista do Nacional de Montevidéu. Rosto afilado, cabeleira lisa, muito alto, dotado de tenacidade combativa. Corria o mês de março de 1918, e no Uruguai, naquela época, jogava-se o melhor futebol do mundo. Abdón Porte tinha 27 anos e era o ídolo dos torcedores do Nacional, embora estes não soubessem que Abdón sabia perfeitamente que já tinha feito a última grande jogada de sua vida. Ele entrara num ligeiro declínio, do qual tinha consciência; já se via sendo reserva de outro meio-campista na temporada seguinte. Toda a torcida tricolor (branco, azul e vermelho são as cores do Nacional) amava Abdón Porte, e naquele dia de março o time derrotou o Charley por 3 a 1 em seu estádio próprio, o Parque Central. Depois da partida, Abdón foi festejar a vitória com seus companheiros. À uma da madrugada, despediu-se de todos e disse que tomaria o trem na Estação Central. Mas alguma coisa aconteceu quando ele ficou sozinho, e mudou de idéia, retornando ao estádio. No meio da noite, foi até o círculo central do campo, onde tinha o hábito de reinar. Ninguém mais o iria substituir. Ali mesmo, no próprio centro do estádio, se matou com um tiro no coração. Na manhã seguinte o porteiro da equipe, que foi o primeiro a entrar no estádio, encontrou o corpo do meio-campista. Junto ao revólver, um chapéu de palha contendo duas cartas. Em uma, ele se despedia de seus entes queridos. E na outra -para que não digam que literatura e futebol são incompatíveis-, alguns versos copiados a mão: "Nacional, mesmo que em pó convertido/ e em pó sempre amante/ não esquecerei por um instante/ o muito que tenho querido/ Adeus para sempre".
Influências Coração tão tricolor. Ainda hoje, em todas as partidas disputadas no Parque Central, é possível ver na tribuna uma bandeira com os dizeres "Pelo sangue de Abdón". "Besteira de alegoria", escreveu alguém. "Ali onde estava, sendo o rei do meio-campo, ele queria que o tempo se fizesse eterno." Besteira ou não, duas semanas depois daquele suicídio, Horacio Quiroga [1878-1937], contista magistral e uma das vidas mais trágicas da literatura, baseou-se na história de Abdón para escrever "Juan Polti, Half-back", relato que publicou na revista "Atlántida" em maio de 1918. "Quando um jovem chega, por A ou B, e sem treino prévio, a saborear esse álcool forte de machos que é a glória, perde a cabeça irremediavelmente." Desse álcool de machos e do mítico suicídio falaria também, anos mais tarde, o relato "Morte no Campo", de Eduardo Galeano [em "Futebol ao Sol e à Sombra", ed. L&PM]. No dia 13 de julho de 1930, sem relação alguma entre o suicídio do meio-campista e o torneio universal que se inaugurava, foi disputada no estádio do Parque Central a primeira partida de toda a história dos Mundiais. EUA e Bélgica se enfrentaram. Assim, pode-se dizer que a primeira bola da primeira Copa do Mundo começou a rolar a partir do lugar exato em que Abdón caíra morto, a partir daquele círculo central em que o meio-campista decidiu jogar sua derradeira partida, eternizando-se no centro do mundo, de seu mundo.
ENRIQUE VILA-MATAS é escritor espanhol, autor de "A Viagem Vertical" (Cosac Naify). Este texto foi publicado no "El País". Tradução de Clara Allain . Escrito por Luís às 10h55
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Escrevi este texto em 25.07.2006. Está publicado aqui mesmo em nosso diário. Acho que vale o replay.
Luís Frederico de Alcântara
No primeiro grau – quando ainda o havia, lá pelos idos de oitenta e falcon – participei de uma corruptela imberbe do Clube dos Cafajestes. Éramos uns cinco ou seis que, sob a proteção de boas notas, organizávamos a fuzarca, promovíamos as rebeliões e liderávamos as peladas no recreio.
Éramos bons de papo, uns mais que outros, o que nos valeu a participação em todas as equipes esportivas do Colégio Pio XII, ainda que – exceção feita ao Alex Peruca – fôssemos todos grossos, uns mais que outros. Freqüentávamos o time de vôlei, de basquete, de futebol de salão e de atletismo da escola.
Em uma notável competição, na sexta série – quando ainda a havia, lá pelos idos de oitenta e dipin’lik – o Pio XII enfrentaria as equipes de basquete do Santa Rosa e do Imaculada Conceição. Sabíamos duas coisas: o Imaculada tinha um craque, o Santa tinha caras grandes (havia a desconfiança sobre "gatos" da oitava série na equipe). O primeiro jogo seria contra o Santa.
Reunimos os cafajestes e traçamos o plano: o plano era convocar o Fred.
O Fred era um garoto muito branco e grande da 6ª A: parecia um armário itatiaia. E Fred era bobo, muito bobo. Era essa a nossa arma: o Fred. Grande o suficiente para encarar os garotos do Santa Rosa e bobo o suficiente para obedecer as nossas ordens. Deu certo: perdemos de pouco.
Pois Dunga é o Fred.
Parece grande, brigão, valente. Motivador, raçudo, exigente. Mas é só um bobo.
Dunga é o bobo que, sob a armadura de soldado, não oferece perigo à CBF, que continuará trocando por dólares jogos contra a Rússia no inverno e contra o Haiti no verão. Dunga parecerá valente, mas não terá autonomia para contratar o auxiliar de roupeiro. Dunga gritará como um louco à beira do campo, enquanto agentes negociam contratos atrás do banco de reservas.
Dunga é o trouxa, uma espécie de xilocaína ludopédica. Perdemos porque somos frouxos? Põe o Dunga, que ele é raçudo. É nada, ele é o bobo.
O Dunga é aquele mesmo que se ajoelhou para Maradona desfilar segundos de seu gênio. Que segurou a taça mais insípida de todas as Copas. Que rachou a seleção em 98.
Mas parece durão. Tem garra, dirão alguns. Tem bosta nenhuma. Ele é o fantoche que legitima o "plus ça change, plus c´est la même chose".
Mudaria alguma coisa com Felipe ou Vanderlei? Não sei. Com Muricy ou Paulo? Não sei. Abel, Mourinho, Pekerman ou Chamusca? Não sei, não sei, não sei. Sei que com Dunga não muda nada. Nada.
No máximo, como com o Fred, perderemos de pouco. O que é, senhores, muito pouco.
Notei que ninguém comentou os jogos do selecionado nacional de futebol. Daqueles silêncios silenciosos, que tudo dizem. Ninguém ousa comentar a derrota para os paraguaios, o passeio da Venezuela ou o embate do Mineirão. Não há vaticínios sobre o jogo. Sem apupos ao Dunga. Ignoradas, sublimemente, as notícias sobre Aécio Neves e a pajelança dos caciques. Ricardo Teixeira simplesmente não existe.
Estávamos todos no Bella. Ainda aquele probleminha com o chope, que segundo a gerência, em breve, será solucionado. Sempre o Massoneto, o preciso, deu a dica certa. “Cada um leva cerveja”. E o Franklin, o anfitrião batuta de sempre, colocou para gelar. Os resultados foram ótimos e ninguém reclamou. Uma beleza. Porção de carne de panela, já premiada pelos Bolonistas. Silvestre sorridente e percebendo que o dia era de pelota.
Antes, óbvio, uma singela homenagem ao Jamelão. Todos cantaram músicas de dor de cotovelo e alguns sambas enredo. A voz do Ricardo, já emotivo pela prole próxima, cantarolava um verde rosa simples. Tinha até violão, emprestado de algum vizinho. Era dia de jogo e todos vinham com as camisetas especiais, o programa de quase sempre. Fernandão desfilava todo garbo o uniforme azul de Nossa Senhora Aparecida, com a 11 de Garrincha nas costas. E sorria farto, era dia de jogo e de cerveja gelada.
Enfim, o Renatão, lágrimas nos olhos, tocou a última do mestre. E preparou o som para o jogo. Todos sabem que nas nossas pelejas a narração é do Amaral e os comentários do Deco. E foi com absoluta tranqüilidade que Juliano deu a escalação do time brasileiro, no clássico 4-3-3: João, José, Pedro, Antônio e Paulo; Mulato, Cafuzo e Cafuné; Escurinho, Quilombo e Alemão. Foi o Ogro que explicou o lindo uniforme branco da seleção nacional: “Fizeram tanto que cansamos da amarelinha. Talvez na Copa volte.”
Zecão, inusualmente de bom humor, sugeriu um Bolão e foi pondo banca: “Brasil 4x2.” O Pedrão chegou atrasado, saudando a todos e trazendo arenque. Todos reunidos. Grande partida.
E no chão do Bella, no chão mesmo, armaram-se as traves, os jogadores, as pelotas chata e redonda.
“Atenção Brasil... apita o árbitro e bola rolando no Bellão”...
QUANDO NÓS, POBRES BRASILEIROS, PENSÁVAMOS QUE UMA DERROTA PASSADA PARA HONDURAS, A DERROTA RECENTE PARA A VENEZUELA E UMA HIPOTÉTICA DERROTA PARA AS ILHAS FIJI SIGNIFICAVAM O INFERNO SUPREMO PARA O ESCRETE CANARINHO, EIS QUE DESCOBRIMOS QUE AS COISAS PODEM SER AINDA MAIS PAVOROSAS....
Do site Terra
Reservas do Brasil perdem para Sub-20 do Atlético-MG
Bernardo Ramos Fábio Mello Direto de Belo Horizonte
No primeiro treino em Belo Horizonte, visando o clássico da próxima quarta-feira contra a Argentina, no Mineirão, a equipe reserva da Seleção Brasileira surpreendeu ao ser derrotada por 1 a 0 diante do time Sub-20 do Atlético-MG, no centro de treinamento do clube alvinegro
DE COMO ACOSTA SALVOU A VIDA DE ARIANO SUASSUNA OU DE COMO O CORINTHIANS GANHARÁ SUA PRIMEIRA LIBERTADORES
Quarta-feira, 11/06. Estádio dos Aflitos. Sport x Corinthians. Quarenta e muitos minutos do segundo tempo. Acosta, dentro da área, recebe sozinho a bola. Naquele instante, ninguém, absolutamente ninguém, tem dúvida de que o gol do título corinthiano está feito. Feito. Não a fazer. É fato inquestionável. Inelutável. O Corinthians ganhou a Copa do Brasil de 2008 naquele preciso instante.
Porém, também naquele instante, Acosta lembra de Ariano Suassuna, enloquecido na arquibacada, e prestes a completar 81 anos. O gol do título seria fatal. Ariano não sobreviveria. Lembra de 2008, o ano dos times pequenos brilharem. Lembra do Centenário do Campeão dos Campeões. A primeira Libertadores tem de vir em 2010. E lembra da missão do Corinthians. Garantir a volta da Série A do Brasileirão para a primeira divisão.
Impávido ante a grandiosidade de seu destino, Acosta decide desfazer o gol feito. Uma encenação. Uma encenação cuja maestria jamais será esquecida. E jamais será igualada.
Acosta simula um lance ridículo, patético, imperdoável. Ele não chuta para o gol. Antes, finge tentar um drible em cima do goleiro. O arqueiro, sem perceber a generosidade do gesto de Acosta, faz o pênalti. Poria tudo a perder. Mas a determinação de Acosta não tem adversários à altura. Ágil, Acosta toca a mão na bola e garante ao juiz a marcação de uma falta inexistente. Brilhante. Faz a atuação de Marlon Brando nos quinze minutos finais de Apocalipse Now parecer uma peça de teatro de escola primária. Gênio. Gênio.
Com o Sport Eternamente estarei Pois rubro-negras são As cores que abracei E o abraço, de tão forte, Não tem separação Pra mim, o meu Sport É religião
A vida a gente vive Pra vencer Sport, Sport Uma razão para viver
Treze de Maio, Mil novecentos e cinco Dia divino em que Guilherme de Aquino Reune, no Recife, ardentes seguidores Fundando esta nação de vencedores Que encanta, enobrece e dá prazer Sport, Sport Uma razão para viver
Eterno símbolo de orgulho É o pavilhão De listras pretas e vermelhas, Com o Leão Erguendo, imponente, o imortal escudo Mostrando à gente que o Sport é tudo Que a vida tem de belo a oferecer Sport, Sport Uma razão para viver
São gerações e corações Fazendo a história São campeões e emoções Tercendo a glória Do bravo Leão da Ilha, Sport obsessão Que faz bater mais forte o coração Torcida mais fiel não pode haver Sport, Sport Uma razão para viver Sport! Sport! Sport
Se até unicórnios existem, o Sport pode ganhar do Timão. Por um gol de diferença.
Unicórnio nascido em cidade italiana faz lenda virar realidade
da Folha Online
À primeira vista, parece uma lenda que virou realidade. Uma corça de um único chifre ficou famosa e levou pesquisadores à cidade italiana de Prato, na Toscana. O animal, que tem quase um ano de idade, ganhou o apropriado apelido de Unicórnio.
AP
Corça (Capreolus capreolus) nasceu com um único chifre em parque mantido pelo Centro de Ciências Naturais do Prato, na Itália
Os machos da espécie têm como característica um par de chifres. Mas Unicórnio tem apenas um, que surgiu exatamente no centro da cabeça. Ele tem um irmão gêmeo com dois chifres.
O animal nasceu em cativeiro, dentro do parque mantido pelo Centro de Ciências Naturais de Prato.
De acordo com Gilberto Tozzi, diretor do centro, é possível que uma falha genética tenha causado a anomalia.
"Esta é a prova de que o mítico unicórnio exaltado na iconografia e nas lendas provavelmente não era apenas um ser fantástico, mas um animal real, uma corça ou outra espécie com mutação similar a essa", afirmou Tozzi ao jornal britânico "The Guardian".
Os unicórnios têm lugar na mitologia desde a era pré-romana. Segundo algumas lendas, seu chifre tem o poder de reverter o efeito de venenos.
Notícia Urgente Veiculada em Periódicos Internacionais
"Causou espanto aos moradores da cidade do Recife uma estranha aparição de seres sobrenaturais. Contam os que vislumbraram tal hipótese que algo misterioso e extraordinário estaria prestes a ocorrer.
Uma câmara amadora fotografou um instante revelador da aparição desses seres."
A foto, tirada pelo fotógrafo amador, um tal Hanna Barbera do Retiro da Esperança:
O centenário deveria ser um ano de glórias, celebrações e alegrias para os atleticanos, mas descambou para disputas políticas - e disputas entre políticos (de carreira, diga-se).
À medida que o time - limitado, envelhecido, sério postulante à luta contra o rebaixamento no Brasileirão 2008 - coleciona fracassos e vexames, seus diretores, assessores, conselheiros e presidente travam dura batalha e afundam as esperanças dos torcedores.
Os objetivos?
Em boa parte, tão turvos quanto os da maioria dos cartolas do futebol brasileiro.
Na semana passada, precedendo mais um fiasco dos jogadores na goleada de 5 a 1 para o São Paulo no Morumbi, a crise que tomava conta dos bastidores do alvinegro veio definitivamente a público, e das piores maneiras possíveis: com cartas abertas e até embates entre assessores e torcedores em redes de relacionamento na Internet.
O Portal Uai noticiou, a 3 de junho, que o presidente Ziza Valadares descartou ser defendido por Roberto Vasconcellos, vice-presidente jurídico do clube, no Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Mineira de Futebol, no qual foi denunciado por afirmar que havia uma "armação para tirar o título [do Campeonato Mineiro] do Atlético no ano do centenário".
Em carta aberta publicada no sítio supracitado, o advogado garantiu que já trabalhava na defesa do presidente; este último, por sua vez, dois dias depois, alegou motivos pessoais para a recusa dos serviços.
Os motivos pessoais alegados por Ziza passam pela busca de Vasconcellos por informações sobre denúncias de "transgressões disciplinares do presidente", e pelo fato do vice-jurídico ter sido, ao lado de Roberto Hermont Arantes - o "Beto Bom de Bola" campeão brasileiro de 1971 -, protagonista do "caso Leão".
Na ocasião, após a demissão de Geninho - o primeiro presente de grego em 2008 para os atleticanos, os quais o rejeitam como não rejeitaram qualquer outro técnico em 100 anos -, Beto e Vasconcellos foram em busca de Leão, então já mais para lá que para cá no Santos.
Ziza e o assessor da presidência, Hissa Elias Moisés - braços-fortes do ex-presidente Ricardo Guimarães, aquele mesmo do Banco BMG do mensalão - opuseram-se aos valores pedidos pelo técnico e anunciaram Gallo como novo comandante da equipe.
Xeque-mate em Arantes, que pouco após o ocorrido, renunciou ao cargo que ocupava desde dezembro de 2006, o de diretor de futebol do clube, alegando estar desgastado.
Por falar em Ricardo Guimarães, seu nome esteve em pauta no Orkut, maior rede de relacionamentos on-line do Brasil.
Segundo informações e confirmações de diversas fontes, o assessor de imprensa, Cássio Arreguy, teria afirmado na comunidade oficial do Atlético, que conta com mais de 190 mil membros, que Guimarães nada tem a ver com a administração do Galo.
Ora, é evidente que o terreiro aonde cantava o Galo virou o quintal, o Lego, o brinquedinho das horas vagas do presidente do BMG e de sua família.
Não à-toa seu filho tornou-se conselheiro benemérito do Clube Atlético Mineiro quando ainda púbere.
A torcida do Galo que una forças, pois, em decorrência de más administrações, causas particulares escusas de atuais e ex-dirigentes, um dos grandes protagonistas do futebol brasileiro nos últimos 100 anos já se transformou num coadjuvante sem qualquer pretensão maior;
escravo de dívidas e ilicitudes, escavador de um poço cujo fundo pode estar muito além da Série B.
Acabou a primeira rodada da Eurocopa e metade dos times ainda não marcaram gol.
No jogo de estréia, o gol (da Tcheca) foi uma fatalidade. Era jogo para 0x0 com a Suíça.
Gratas surpresas: 1-Portugal que cercou a defesa turca do primeiro ao último minuto (2x0); 2-Holanda que, apesar do primeiro gol impedido, deu um chocolate na Itália (3x0); 3-Espanha que mandou o Raúl pra casa e veio com um time rejuvenescido (4x1 nos russos).
Vexames: Itália, Itália e Itália. Os jogadores devem estar indo direto pras baladas européias, pois mal conseguiam correr no início do segundo tempo. E Luca Toni só fará 13 gols numa Eurocopa se for no futebol de botão. Como o cara é grosso!
Incógnita: França. Começou com o mesmo jogo morno da Copa-2006. Mas, como diria Claudio Carsughi, se ganhar todos os jogos de 1x0 será campeã.
Sentimento engraçado esse. Às vezes contraditório.
A inveja em sua forma hepática invariavelmente é crônica. É o pretenso conquistador feio, sempre a lembrar que não é o George Clooney; e que jamais será. Essa inveja tem como grande objetivo que o referido ator sofra um acidente e fique desfigurado."Eu sou feio, mas agora ele também é". No futebol é algo muito comum entre times pequenos, acostumados a ser meros figurantes em campeonatos.
Uma outra forma de inveja não ataca o fígado e vem cercada de reverência e nostalgia. Já vivemos esses momentos, sabemos qual é a sensação e atualmente só podemos ter saudades de tudo isso que os defensores de outras cores (simpáticas e no número de três) estão vivendo. É gostoso ver um time demolir a soberba de supostos semideuses. Admirar a tranquilidade de jogar de forma cadenciada e reverter um gol que provocaria em times medíocres reações destemperadas. Golaço de falta de Washington. Que coração de leão. Já entrou no panteão sagrado das Laranjeiras. O Maracanã lindo, com sua névoa branca. O time segurando bem o jogo e Dodô, quase sempre um craque de amistosos, pregando com maestria o último prego no caixão Xeneize. PARABÉNS FLUMINENSE. ADIANTE!! ESPERO UM CHAPÉU DO THIAGO SILVA NO CRISTIANO RONALDO (SE ELE AINDA ESTIVER NO MANCHESTER)´.
Quanto aos hexa-campeões continentais soberbos, como estampa o impagável diário "Olé", "que Flustación!" (de um site do River)
É HOJE A PRIMEIRA PARTIDA DA FINAL DO TORNEIO CONTINETAL MAIS IMPORTANTE DOS PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL BANHADOS PELO OCEANO ATLÂNTICO SUL, EXCLUÍDOS ARGENTINA E URUGUAI, SEM SER POR PONTOS CORRIDOS.
Eram mais que cinco. Menos que seis. O vinho e a pratada de lasanha. Os meninos dormindo, cada qual mais tranqüilo que o outro. Sofá, largado. Conjecturas. Planos para a semana. Dores de insônia. Trapos e fiapos de pensamentos oblíquos. O respirar deles, me tranqüilizo. Devem ser sonhos. Distantes. Ou próximos. Mas sonhos. Queria estar acordado.
Um barulho. Estranho. Mas absolutamente reconhecido. Anormal, mas habitual. O celular vibra. “Deve ser o Deco...”. “Tem o jogo... É do São Paulo. Com o Santos, na Vila. E quanto será que está? Estamos perdendo?”. Penso em Muricy e na derrota para o Fluminense. Nossa pífia campanha no Brasileiro. Ainda é começo, mas já é quase tarde, refleti em pensamentos sorrateiros. Um deslize. O barulho. Era o Deco.
“Vou mudar de canal”. Sorri. O jogo deve estar modorrento de dar dó. Quando o Deco escreve assim não é a dor da derrota, mas o fastio do jogo. Fui checar, aparelhos de controle remoto. Zero a zero. Novo sorriso. “E agora, assisto o resto?”. Decidi pela lasanha, voltei a dormitar. Com a televisão ligada.
Um sururu daqueles na telinha. “Xi, deu confusão.”. E das brabas. Demorei a perceber que era o jogo do Náutico. O Botafogo anda com esmero trilhando o caminho da tragicomédia. Despertei, relativamente. Procurei outros canais. Soube do empate. Soube de tudo, da rodada. E era o começo do jogo do Galo. Contra a Lusa. Fiquei ressabiado, será que seria um jogo “assistível”? Desisti. Mas como o sono me abandonara, Fla x Flu.
O pequeno acordou. Com o frio lascado esqueceu-se o pipi de avisar que vinha água. Todo molhado. Chorando. Querendo colo. Ainda bem que eu tinha colocado uma toalha na cama dele. Só molhou a toalha e não a cama e as cobertas. Fomos ao banheiro, troca de roupas, carinho para o fim do choro. “Acontece. Mas é sempre ruim acordar molhado, não é?”.
Assistimos ao segundo tempo, uma boa parte. Jogo chato para dedéu. Se dependesse desses jogos para gostarmos de futebol estaríamos fritos no azeite. “Pai, faz pipoca?”. “Acorda teu irmão, então. Mas sem muita confusão, hein!”. No espocar do milho o grande aparece na cozinha. “É, pipoca. Legal.”
Esqueci de responder ao “torpedo” do Deco. “Pipoca, meu velho.” Certamente ele entenderia.