ATENÇÃO BOLONISTAS! EM BREVE REUNIÃO URGENTE NO BELLA. COM CHOPE, PELA PRIMEIRA VEZ. O NÃO COMPARECIMENTO ACARRETARÁ AO "FALTANTE" ACABAR COM O ESTOQUE DA BEBIDA AMARELA ANTIGA SERVIDA NO LOCAL.
A PAUTA DA REUNIÃO É O QUE FAZER COM AS OLIMPÍADAS DE PEQUIM....
SABEM QUEM PODE NÃO PARTICIPAR? LESIONADA E COM DORES NOS TENDÕES?
ATENÇÃO BOLONISTAS, EM BREVE REUNIÃO URGENTE NO BELLA. O NÃO COMPARECIMENTO SUJEITO A PUNIÇÕES SEVERAS. O CHOPP BRAHMA ESTÁ CHEGANDO. BOLONISTAS DO DF, SÃO PAULO E DA LÍBIA, AGUARDEM MAIS INFORMAÇÕES.
O Ferreira Gullar tem um poeminha sensacional, chamado “O Gol”, que vai assim:
A esfera desce do espaço veloz ele a apara no peito e a pára no ar depois com o joelho a dispõe a meia altura onde iluminada a esfera espera o chute que num relâmpago a dispara na direção do nosso coração.
Uma beleza. Um golaço. Mas o que gosto mesmo é de pensar que a esfera que desce do espaço para ser domada pelo artista pode não ser a bola.
Podem ser idéias. Palavras. Emoções. Intuições.
Que são dominadas e devolvidas ao espaço transformadas. Embelezadas. Maiores.
Por que isso?
Para mandar um beijo naquele que transforma este nosso diário num espaço maior. Mais bonito e raro.
Aquele que num chute relâmpago dispara palavras certeiras na direção do nosso coração.
Amaral, meu velho, receba um beijo grande e cheio de saudade.
(Bolonistas, sou mais de prosa. Nunca fui muito de poesia - o que vocês poderão notar em alguns versos quebrados. Só que, ontem, recebi essa mensagem no celular: “Miguel chegou!” Simples assim. Mensagem do Amaral, que fez a cabeça entrar pela madrugada, pensando com muito carinho em Caubói e Stelinha e num beijo que eles deram lá em casa, na Vila Madalena, há uns bons tempos. Aí vai o resultado...)
Este post é de um são-paulino e uma corintiana que esperam, de coração, que você faça sempre o mundo todo sorrir e siga a tradição de seus pais de buscar sempre um mundo mais justo (e divertido também..).
Um beijo para os três (enquanto não conseguimos falar por telefone)
Ogro e Priscila
ps: este Ogro barrigudo que, provavelmente não irá ao estádio com você, espera tomar vários choppes com você no futuramente centenário Léo.
Seis da tarde. Na cidade que nunca para, seca como o deserto do Saara, confusa como um novelo de lã, uma lua cheia desponta no céu. Alva, singela, retumbante. Uma beleza rara. Ímpar. Na janela do escritório vislumbro a noite boa, com ar de chuva e alguma esperança nas cervejas geladas.
Ouço, vindo dos botecos da praça, um som pesado, ótimo. Vocal de Ian Gillan, guitarras de Blackmore. Lord, no teclado. Paice na batera. Glover, no baixo. Incrível. Tocam a inesquecível, imponderável e imaterial “When a blind man cries”. Tudo conspirando para ser um sonho.
E não há uma multidão perplexa e abobada com os fatos. Há rostos amigos na praça. Esfrego os olhos, parece mentira, mas é o próprio elixir do Bar do Léo que é servido para os convivas da festa. Ou do sonho.
Repentinamente, uma kombi vermelha abre as portas laterais. E dúzias de ruivas, todas besuntadas em óleo de amêndoa, descem para comemorar, festejam a música para completar a festa pagã.
Será que estou dormindo? A consciência me chama...
Carambolas elásticas, o Dagoberto acertou o pé e fez um gol no jogo de ontem contra o Vitória da Bahia!!!! Sim... Uma epifania de dar gosto. O menino dos goles perdidos e da forma de bolo errática entrou na área, driblou o zagueiro e fuzilou, no gol, certeiro, como se o gol fosse a conclusão mais óbvia do universo. O São Paulo fez o segundo gol. E Dagoberto, ainda não consigo acreditar, acertou um belo gol. Acertou a bola, a mira, o foco, o objetivo, a meta. O impossível se fez, tal como a fênix renascida. Afinal, se até o Dagol colocou o pé na forma, nada é impossível. Só improvável.
Bolonistas Globalizados e Antenados no Mundo do Esporte...
O que é a maturidade? Esta pergunta sempre desafia meninos e homens. Há uma linha tênue que separa as calças curtas do terno e gravata. Mas é preciso enfrentar esta linha tênue. Com coragem, criatividade e tenacidade. Todos sabem que este diário tem como tema central o bom e velho futebol. O futebol de nossas infâncias. No nosso diário Zico ainda é o dez do Flamengo. Zé Sérgio é figurinha de álbum para o jogo do bafo. Reinaldo é o avante dos goles impossíveis. E Sócrates é o capitão da seleção. Simples. Aqui somos meninos, sempre seremos.
Sempre? Entre uma e outra, gelada, conversávamos sobre este temática, a do amadurecimento. Alguns ponderavam a necessidade do nosso diário abordar temas mais adultos. “Olha, o Daniel Dantas foi preso e ninguém falou nada!”. E papo vai e papo volta, naquele debate intenso que só os confrades podem ter, sem sair aos tapas e pontapés.
Um argumento irrefutável foi lançado: “Ora, mas é um diário que trata de futebol, prioritariamente. É um diário esportivo. Não tem sentido ficar discutindo o desmatamento da Amazônia!”. Outro argumento, irrefreável e contundente, quase finaliza a celeuma: “Mas será que só existe futebol? E os outros esportes? É ano olímpico, “benzadeus!”.
E assim, nesta toada, houve uma resolução importante. O futebol é o foco das atenções, mas enquanto o Roger Galisteu for ausência sentida, o Bruno for o goleiro da semana e o Edmundo o craque da rodada não temos muito como gastar linhas para o esporte bretão.
Assim, o óbvio. Fundamental a cobertura imparcial e atenta de outras modalidades esportivas. Do basquetebol, que inicia o pré olímpico masculino. O volibol, que está prestes a nos trazer novas medalhas. O taco, ou betz. O bicicross e o xadrez. E antes que alguém diga que xadrez não é esporte olímpico, um aviso: Futebol de Salão também não é.
E nesta nova fase, eu e o Renato, já lá pela décima gelada, combinando o táxi para levar a galera embora, descobrimos fato importante e marcante para o mundo esportivo. Desde o último dia 14 de julho teve início mais um importante torneio da WTA TOUR 08: http://www.bankofthewestclassic.com/site4.aspx
Firmamos o solene compromisso de acompanhar aos jogos, apresentar fichas técnicas e teorizar debates acadêmicos. E desde já informamos que em jogo eletrizante, de três sets, Cibulkova, da Eslovênia, derrotou a russa Nadia Petrova.
E das agências internacionais, um “flash” da coletiva de imprensa:
O Flamengo foi a Belo Horizonte, segurou um empate contra o Galo, coisa e tals.
Despues, nossos amigos Marcinho, Diego Tardelli, Paulo Vitor e Bruno foram fazer uma festinha no sítio do goleirão, lá pras bandas de Ribeirão das Neves.
No bucólico recanto, uma piscina infantil cheia de “cerveja, uísque, vodca, vinho e energético”, pagode na vitrola e oito prostitutas.
Lá pelas tantas, Marcinho, o artilheiro do Nacional, resolve dar uma tapa na boneca. De verdade. Enfia umas bolachas em uma das senhoritas, a Wanessa, que corre para a delegacia “com marcas da possível agressão na região lombar, braços e cabeça”.
Não satisfeito com o vexame, o atacante achou uma boa idéia ligar para Wanessinha, para dizer: veja bem, não foi nada disso.
A senhorita, que no momento estava na delegacia, identifica o interlocutor e liga o viva voz:
“Preciso conversar pessoalmente com você. Por que você foi dar queixa? Estou muito arrependido e tudo se deu enquanto eu estava muito bêbado”.
O inquérito foi aberto.
Parece que duas das patroas dos boleiros já manifestaram intenção de romper contrato.
Por que estou dizendo tudo isso?
Ah, lembrei.
Sou são paulino. Sei de quem foi a culpa dessa lambança toda.
Todas as informações retiradas de matéria do CB de hoje.
Se for para morrer de batida, que seja de limão...
Bolonistas e leitores
Nos atuais tempos bicudos de reprimendas aos motoristas ébrios e o nosso processo, após os 30, de aclimatação com o termo "amigo da vez (bota amigo nisso)" e com o convívio mais frequente com motoristas de táxi, ou a busca de botecos bem próximos a nossas casas, recomendo, como alento, a leitura do blog "pé-sujo, o blogue do Juarez Becoza" (http://oglobo.globo.com/blogs/juarez/), com relatos impagáveis de histórias de botecos clássicos, fotos bacanas e notícia de eventos sensacionais, como o debate ocorrido entre Moacyr Luz e o jornalista Paulo Thiago de Mello ( do livro "Rio Botequim") sobre a identidade dos botecos na era das franquias dos pseudo-botecos.
Considerando que o futebol anda pouco inspirador e amanhã é o dia das beldades da semana, aproveito para fechar a tríade futebol,mulheres e biritas.
Do blog:
Filosofia de botequim
"Já que a vida começa aos 40, me traz uma mamadeira de uísque" Tulípio, personagem paulistano dos quadrinhos
"Cerveja e cachaça são os piores inimigos do homem. Mas homem que foge dos inimigos é um covarde" Zeca Pagodinho
"De tudo que ganhei na vida, 90% eu bebi. 10% dei pro garçom" Autor desconhecido
"24 horas num dia, 24 cervejas numa caixa. Coincidência?" Stephen Wright
"Vender cerveja ruim é um crime contra o amor cristão" Décima-terceira lei da Cidade de Augsburg, Alemanha
"Se for para morrer de batida, que seja de limão" Anônimo
"Jamais fiz amigos bebendo leite" Sabedoria popular
"O uísque é o cachorro engarrafado" Vinícius de Moraes
Frases de balcão
"Mamãe mandou tomar juízo, mas só tinha cerveja"
"Só não bebo acetona porque tira o esmalte dos dentes"
"Quando eu partir desse mundo sem fim, só espero encontrar escancarada a porta de algum botequim"
"Vinho, azeite e amigo, o mais antigo"
"Só bebo socialmente até cair"
"Fiado é que nem barba: se não corta, cresce"
"Bendito sejam os chatos, pela imensa alegria que nos dão, no exato momento em que se vão"
"60 num bar, 70 sair 100 pagar, aí mando a polícia 20 buscar"
"Freguês educado não cospe no chão, não pede fiado e não diz palavrão"
"Fiado só para maiores de 90 anos acompanhados dos pais"
"Bebeu, caiu? Levantou, pagou, saiu!"
"In god we trust, all the others pay in cash"
"Fiado? Só em dia de feriado, que o boteco está fechado"
"Para não haver transtorno, aqui neste barracão, só vendo fiado a corno, filho da puta e ladrão"
Um futebol resumido a um quadrado triste. Passes retos. Posições estanques. Brasil e Argentina vivem crise sem tamanho. Ameaçam não chegar à segunda fase da Copa do Mundo. O Brasil vem com Gilberto Silva, Mineiro, R.Gaúcho e Kaká. Lineares e previsíveis. Robinho e Julio Batista tentam algo lá na frente. Um golpe de sorte, quem sabe. A Argentina com Mascherano, Maxi Rodriguez, Cambiasso e Riquelme. Crespo e Tevez arriscam o gol. Seriam equipes geniais se não fossem a campo com o objetivo de serem previsíveis. O resultado pelo resultado. E agora: precisam vencer seus jogos finais para chegar à classificação.
O Brasil perdeu de virada para os búlgaros. Gaúcho fez um golaço, daqueles colocados, no ângulo. Mas, depois ficou com aquela cara de quem pensa que está convencendo todo mundo de que continua gostando de jogar futebol. Ora, ele não engana nem a Patrícia Poeta nessa tarefa. No segundo tempo, Berbatov empatou num chute de longe e o time se perdeu. Kaká, num lance irreconhecível, foi expulso. Confundiu garra com afobação e acertou a canela de dois adversários*. Georgiev virou a partida no lance seguinte: 2x1. Agora, não teremos Kaká e ainda pegaremos a boa Ucrânia com a volta do Scheva na decisão do grupo.
A Argentina começou com um golaço de Riquelme. Ele driblou o goleiro na linha de fundo e tocou para as redes. Mas, o bravo time de Senegal acertou dois petardos de fora da área. Os portenhos só empataram com sorte: Zanetti foi cruzar, a bola bateu nas costas de Riquelme, que estava contundido no meio do gramado**, e entrou meio que sem querer. O técnico Basile ainda colocou o Saviola, mas era tarde. Acabou em 2x2.
Seguem os resultados da 2ª rodada do Mundial. Até aqui, Holanda e Dinamáquina são as favoritas!
Grupo 1
Romênia 1x2 Holanda
Áustria 1x2 Japão
Romênia 0x2 Áustria (surpresa!)
Holanda 4x2 Japão (show de Nilsteroy com 3 golaços)
Grupo 2
Alemanha 3x2 Uruguai
Peru 2x2 China
Alemanha 2x3 Peru (os peruanos que jogam no Bayern acabaram com o jogo)
Uruguai 2x2 China (futebol uruguaio também vive dura crise)
Grupo 3
Equador 1x1 Colômbia
Irã 4x7 Tunísia
Equador 2x3 Tunísia (Francileudo jogou muito)
Colômbia 0x1 Irã (olha a zebra!)
Grupo 4
Brasil 2x1 Canadá
Bulgária 2x3 Ucrânia
Brasil 1x2 Bulgária (Fora, Dunga!)
Canadá 1x2 Ucrânia (e sem Schevchenko)
Grupo 5
Inglaterra 0x2 Grécia
Arábia 5x5 Angola
Inglaterra 4x2 Arábia (o “salsicha” Crouch entrou e fez 2 gols)
Grécia 2x2 Angola (com pouca experiência em Copas, Angola sofreu o empate nos descontos)
Grupo 6 (o “grupo da morte”)
Gana 3x0 Argentina
Dinamarca 4x2 Senegal
Gana 1x4 Dinamarca (futebol total da Dinamáquina é a maior surpresa da Copa)
Argentina 2x2 Senegal (una vergoenza!)
Grupo 7
Itália 0x1 Camarões
Coréia do Sul 3x1 Argélia
Itália 0x0 Coréia do Sul (Luca Toni perdeu 28 gols. É grosso mesmo!)
Camarões 4x4 Argélia (Jogo incrível! Camarões tomava goleada e empatou com dois gols nos descontos)
Grupo 8
Nigéria 3x4 Rússia
Croácia 1x0 Venezuela
Nigéria 3x2 Croácia (jogo equilibradíssimo)
Rússia 1x1 Venezuela (o lateral esquerdo da Venezuela fez o primeiro gol olímpico no ano)
*A falta dupla é expulsão no botão.
**Contundido é quando a pecinha fica virada do avesso. Nesses casos, é preciso esperar a bola sair para atender o jogador, ou substituí-lo imediatamente.
Um pouco atrasado. Espero que goste. E ele também.
Abraço.
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Bolonistas, esta é para o Lucas...
Estavam todas lá. As caixas. De papelão. Eram as caixas em que guardadas as memórias, os enfeites, as lembranças, os contos e os segredos. Em cada caixa guardada, um pedaço de história. Uma casa. Um brinquedo. Livro.
O menino voraz procurava alguma coisa. Alguma pista. Alguma dica. Alguma fotografia, texto, recorte de jornal. Uma bula de remédio. Descobrira as caixas inadvertidamente. E provavelmente teria reprimenda. Era um velho baú, no quarto dos fundos. Baú misterioso. O quarto dos fundos era um depósito de quinquilharias de todos os tipos. De trapos de roupas, bicicletas antigas, restos de lendas e até um motor inutilizado de um opala. O quarto era um território proibido. Eram muitas coisas que podiam cair, machucar, quebrar. Pai e mãe, aflitos, recomendavam não entrar no tal quarto. Era uma lei. Ainda que não escrita.
Mas como o doce é sempre mais gostoso, o menino deixou a imaginação fluir. E entre as viagens de super heróis imaginários, entre Raís, Mullers, Carecas e Rogérios, entre a luta dos jedis e os orcs, o planeta distante da galáxia de Alfa Ômega Centauro se tornou o quarto misterioso, cheio de pântanos, areias movediças, breu dos inimigos e esconderijo de tesouros perdidos. Era um arqueólogo. Usava lanterna, botas e uma bola de futebol, que se tornara na arma secreta ultra e que transformava os inimigos em pedaços de torresmo.
Nas expedições secretas, o baú. O baú do avô. O avô que lia histórias, o avô das memórias mais saborosas das tardes de domingo, na beira da piscina ou contando histórias para dormir. Um baú enorme, cheio de caixas.
Devorou os tesouros. Procurava sem mapa e não sabia ao certo o que iria, ou queria, encontrar. Recortes de jornal, textos do avô jornalista. Entendia as palavras, as frases, as linhas todas. Admiração. Fotos da faculdade que o velho sempre contava. Recortes da avó. Livros de escola. Anotações. Garranchos. Números de telefone. Pequenas moedas de ouro. Saudade.
No fundo do baú encontrou o graal. Era um pequeno caderno preto, de capa dura, com o distintivo do São Paulo Futebol Clube colado na capa. O São Paulo tão querido do avô italiano, o mais querido do mundo, o time do coração do menino também. No livro, página seguida de página, linha por linha, saltavam lances geniais, viradas heróicas, epopéias, louros, derrotas infames, torcedores enlouquecidos, torcedoras apaixonadas. Era naquele velho caderno que o avô anotava os jogos dos campeonatos de botão que fazia, ora sozinho, ora com os amigos do bairro. Reconheceu o Tio Chico, o tio Amaral, o tio Deco. E percebeu que, exceto o primeiro, o avô literalmente devorava os adversários. Gargalhou, campeonatos que se tornavam reais. Parecia o caderno de esportes que se acostumara a ler no café da manhã, contrabandeado da leitura do pai.
Na última folha, o jogo dos sonhos. Pela data, pouco antes do vô ir. Era com Rogério no gol, De Sordi na lateral, Oscar e Bauer, Noronha. E Raí, Fried, Leônidas, Gérson e Mineiro, Careca, Muller, Zé Sérgio, Canhoteiro, Serginho Chulapa. E as lágrimas nos olhos do aventureiro foram inevitáveis: No mesmo time, os três últimos escalados eram o avô, o pai e o menino.
Passavam das dez da noite quando o pai foi buscar o menino, que dormia agarrado no livro.
Boa sorte, Renato Gaúcho, contra o Goiás; na lanterna no Brasileiro, que o centro do país seja tão leve feito o Japão
AMIGO TORCEDOR , amigo secador, aqui, neste botequim ludopédico, a dor da gente sai no jornal, ao contrário do que diz a bela música do xará Buarque. Foi triste, velho Francisco, apesar do corvo Edgar, minha agourenta ave de estimação, em aliança espúria com o urubu da gávea primo de sangue, ter secado o teu glorioso Fluminense. Foi doloroso, meu caro Edmundo Barreiros, mas bem que disseste que não estava nada ganho. Ao contrário do Renato Gaúcho, que confundiu preleção com arrogância pública e desfraldou a imperdoável bandeira da soberba, pecado capital do já ganhou de véspera. Soberba que o técnico, como todo machão dos tristes trópicos, tirou do próprio pênis, com todo o perdão do religioso clichê freudiano. Não à toa cantou vitória e, a Sérgio Rangel, desta Folha, disse que transou com mil mulheres antes dos 20. Tudo bem, os Casanovas nasceram para isso, são vocacionados, todavia há uma dúvida pendurada aqui no trapézio do cocoruto qual a obsessão de Brás Cubas em inventar o emplasto que curaria todos os males. À dúvida, pois: para ter tal marca, ou pulou mais cercas do que todos os grandes líderes do MST juntos ou levava 20 galegas para o quarto a cada concentração. Longe deste cronista fazer o cricri do bel-prazer de outrem, nem pensar em uma espécie de datagozo da humanidade. As 1.001 transas do Gaúcho só me caíram bem a essa altura para fazer meu samba-exaltação à sabedoria de Sigmund. O mesmo pecado que cometera o Mengo antes de enfrentar o América do México, embora Joel Santana tenha sido mais guardado e modesto em matéria de obras completas na alcova, digo, na cama. O corvo Edgar voltou do Rio e aterrissou aqui em Paraty, meio do caminho, onde me encontro a trabalho, só para dizer: "Tá vendo como cantei a bola da desgraça no buraco certo, amado mestre?". Sim, velho Francisco, ele sempre usa metáforas do golfe, adora o Tiger, é do ramo, como o Wander Wildner, amigo punk de todos os desabafos e guerras farroupilhas. No mesmo Maraca de 1950, eis a agourenta ave falando, não confunda, aspas, o ano que não acaba nem com decreto-lei do Zuenir Ventura, o ano que não acaba nem mesmo com as cinzas finais do Apocalipse de São João Baptista. Foi cruel, titio Nelson, ai, doeu, como canta o grande Wando, embora o corvo tenha feito questão de pousar justamente no ombro de todos os gravatinhas e do nobilíssimo Sobrenatural de Almeida. Que mundo este, Francisco, que a gente não manda nem mesmo nos nossos bichos de estimação, coitados dos humanos e de todos os que reencarnam, coitados dos Sobrenaturais de Almeidas nesse materialismo absoluto e concreto. Que filme triste, velho Chico, a culpa não é do cimento do Maraca, não é do urubu da aliança espúria do meu corvo, muito menos da urucubaca perto de ti, morro Dois Irmãos, que fizeram anteontem. Não há culpados, titio Nelson, e nada a dizer nas cinzas das horas. Boa sorte, Renato Gaúcho, contra o Goiás. Mesmo com a lanterna no Brasileiro, qual o meu amigo Diógenes, que o centro do Brasil seja tão leve e importante feito Tóquio.
Daqui a poucos instantes, pouquíssimos, ínfimos, o Maracanã lotado receberá Fluminense e LDU. Meu cotovelo inchado quase não me deixa respirar. Nélson Rodrigues deve estar nas tribunas e ouso dizer que até Mestre Telê por lá se encontrará. Chico Buarque fará disco novo com gosto de futebol, três cores no peito e uma taça na mão.
Meu cotovelo dolorido quase não me deixa respirar. Serão os primeiros minutos do duelo decisivos para meu ânimo de fígado. Que os meus desatinos não me traiam e que o tricolor carioca consiga alguns goles. Mas seria mentira dizer que a Liga não me atrai. Que uma vitória daquelas épicas de um time de pouca ambição não me sejam caras. Mas o destino é caprichoso. E as cores do Flu são cores vivas e eternas.
Que hoje Assis e Washinton estejam em campo. Assis é daquelas peças de museu que nunca se poderá esquecer. Assis jogou no meu tricolor e era o nosso décimo segundo jogador nos fantásticos anos que iniciaram a década de 80. Depois foi ser ídolo, estátua e ouro nas Laranjeiras. Que hoje se enterrem finalmente as inglórias dos tapetões que tanto pudor e desgosto causaram ao querido pavilhão.
Meu cotovelo dolorido e corroído hoje não irá torcer freneticamente. Não irá, provavelmente, secar nenhum dos jogadores da Máquina de Rivelino. Hoje é dia de Didi. Meu cotovelo sabe que o mundo é mais bonito depois da taça do continente. Por isso ele dói. E por estas e outras que hoje ele não me deixa respirar.
Daqui a poucos instantes, o jogo. Que meu cotovelo não arda em chamas eternas. Que o Fluzão entre em campo e mostre que valeu a pena soterrar o sono do outro tricolor, o mais querido das galáxias interplanetárias. Do contrário... bom, que o Renato Gaúcho me desculpe: “Bem feito. Trouxa.”
Próximo de se tornar o primeiro brasileiro a conquistar a Taça Libertadores da América como jogador e treinador, Renato Gaúcho deixou a modéstia de lado para a decisão contra a LDU, do Equador, nesta quarta-feira, às 21h50, no estádio do Maracanã.
Em entrevista à Folha, ele afirmou que os cariocas vão "ser campeões", diz saber tudo sobre futebol e declarou que não gosta de teoria no campo.
Ao contrário dos técnicos disciplinadores, Renato acredita que "jogador não é escravo" e permite que seus pupilos caiam na noite desde que rendam depois no jogo.
O ex-jogador, que venceu a Taça Libertadores em 1983 com o Grêmio, contou também que deseja comandar a seleção brasileira e afirma ter tido relação sexual com mais de mil mulheres.
FOLHA - Após perder a primeira partida, você acredita no título? RENATO - Nós vamos ser campeões. O time deles é bom, mas sou mais o meu. Passamos por vários gigantes, São Paulo, Boca Juniors. Precisávamos fazer dois gols no São Paulo e fizemos três. Por que não podemos fazer três gols na LDU? Não estou falando da boca para fora.
FOLHA - Como você define o seu estilo de trabalho? RENATO - Gosto da prática. Não gosto de teoria. Quando quero que o jogador faça algo, eu mostro no campo. Por isso, acho que tenho vantagem diante dos outros. Este lado jogador me ajuda muito. Conheço tudo. O jogador não fica em dúvida. Quando ele me olha, sei o que está pensando pela experiência que tenho. Na sala de aula, é diferente. O professor só mostra. Prefiro mostrar na prática. No futebol, a maior parte é dentro do campo. Sei que ali é que eles vão ganhar. Se ficar só na teoria, não se chega a lugar algum.
FOLHA - Você foi um jogador polêmico. Gostava da noite, namorou belas mulheres, tomava cerveja. Um jogador com o seu perfil tem espaço neste time do Fluminense? RENATO - Claro. O Renato jogaria porque era fora de série (risos). Prefiro um cara que saia na noite, tome o seu chope, vá a uma boate, mas chegue ao dia do jogo e dê trabalho para o adversário. Não gosto destes que vão dormir às 20h, tomam suco de laranja, mas não vejo em campo no domingo. Falo aos jogadores para fazerem o que quiserem lá fora. Mas digo que, dentro do clube, é comigo. Se eles não renderem no campo, eles ficam de fora. Agora, se fizerem a parada deles lá fora, mas se garantindo no campo, não tem problema. Jogador não é escravo.
FOLHA - Você já disse que pretende dirigir a seleção brasileira. Sente-se pronto para o cargo? RENATO - O treinador que fala que não quer chegar à seleção é um mentiroso. Não estou falando que é agora. Um dia vai chegar [a oportunidade]. Vários já estiveram lá, mas deixa o Dunga trabalhar.
FOLHA - Você já usou drogas? RENATO - Isto é de cada um. Nunca me envolvi com drogas. Cada um é dono do seu nariz. Não tenho nada contra, mas cada um vive sua vida. Não vou mudar o mundo, mas não gosto de drogas. Bebo o meu chope, o meu vinho... Isto faz mais minha cabeça do que drogas.
FOLHA - É verdade que você fez mais sexo do que gols? RENATO - (risos) Muito mais mulher (risos). Mas deixa isto para lá. Eu transei com mil mulheres antes dos 20 anos. Segue. Faça outra pergunta.
FOLHA - Qual a importância da Libertadores para a sua carreira de treinador? RENATO - Vai carimbar o meu trabalho. Estou muito feliz de ter chegado aqui, algo inédito para todos. Podemos ganhar o maior título da história do clube. Eu já estou na história do Fluminense. Fiz o gol de barriga [que deu o título do Estadual de 95] e agora ajudei a levar o clube para a final da Libertadores. Quero ficar ainda mais importante. Além disto, serei o primeiro brasileiro a conquistar a Libertadores da América como treinador e jogador.