Os Bolonistas


Vai buscar quem mora longe

 

Bolonistas, chamem o táxi...

 

 

Chegou em casa de terno e gravata, nó desfeito. Com fome e sede. Chegou em casa com a lembrança da mesa no escritório e aquela infinidade de papéis, prazos, contas, querelas, xurumbambos.

 

Chegou em casa e o ruidoso barulho do trânsito a martelar. Ruas cheias, avenidas cheias, gentes cheias de falta de paciência. O estômago roncando. Prostra-se no sofá. Televisão, para constar. Uma sopa, dessas de envelope. Algum pedaço de pão. Tentou dormir, dormitar, descansar. Em vão.

 

Chegou a pensar em sair, beber, papear, zombar. Desistiu entre pijamas e banho quente. Adormeceu, em controvérsias.

 

Um fusca vermelho descia a serra, verde e vista para o mar. Uma tapera e uma placa: “Cerveja gelada, torresmo e lingüiça.” Barulho de cachoeira, vento e a fritura da frigideira. Um papo de gente e sempre uma boa estória para contar. Uma caninha, para aliviar. E uma rede.

 

Alguém pergunta: “E aí preferes o que?”. Sem a menor ponta de dúvida: “Disputar pela sexta vez a Libertadores da América. Sexta vez consecutiva. Seis vezes. Quero só isso...”. O outro, com seu olhar de galhofa, barba grande e branca, com certa arrogância despreocupada: “Mas não queres também o caneco???”...

 

O despertador tocou. Fazia um frio daqueles. Dia cinzento, escuro, modorrento. Tentou voltar para o fusca, mas não conseguiu. O rádio relógio vencera a batalha. Cento e doze quilômetros, segundo a Companhia de Tráfego. Levantou, aos murros com os ânimos. Mas sorriu na alma imprudente e assoviou as glórias do passado.

 

27.11.2008

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 20h17
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Telê da Guarda

 

Bolonistas, um desatino para as páginas desta Enciclopédia Celestial...

 

 

Este mundo é realmente admirável. A história nos proporcionou feitos gigantescos, estrondosos, ruidosos, maravilhas que de tão espetaculares podem, tranqüila e honestamente, serem alcunhadas de coisas sobrenaturais.

 

A descoberta do fogo, que com o tamborilar de duas pedras nasceram fagulhas. Imaginem, em um exercício de desprendimento e de desapego, tentar conceber o que se passou pelas idéias luminosas daqueles seres de priscas e remotas eras, com a descoberta das potencialidades do fogo: Podiam assar a carne, queimar tintas, curar feridas. Um feito, meus caros. Um feito digno dos descendentes dos Deuses.

 

A roda, meus diletos confrades. Que descoberta magnífica, emancipadora, divina. Com a roda encurtaram-se distâncias, começaram os carregamentos de maiores quantidades de mantimentos, roupas, tesouros. Enfim, um emaranhado de possibilidades imensuráveis, que certamente são os antepassados dos automóveis, das naves espaciais, das estações orbitais...

 

A imaginação humana que gestou os saltimbancos, os bufões, os astronautas. Fez o teatro, os circos, as feiras de artesanato. O cinema. James Bond, aliás, estupendo o último 007. Skywalkers. Corleones. Fellini, Amarcord.

 

Reescrever o intento humano. Que tarefa mais entusiasta do que esta pode existir, estimados convivas? Os capítulos, os feitos, os desenhos, os gráficos. A beleza, a imponência. A grandeza. Que sonho maluco, doido, desvairado. Mas possível além de nossas mais extravagantes utopias!!!

 

Posso antever que daqui alguns séculos de quilômetros de distância, em ponto infinito do Universo, algum historiador universal de uma galáxia absolutamente instransponível reconhecerá a grandeza dos homens e das mulheres que habitaram o planeta Terra.

 

24.11.2008

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 16h05
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Por um Brasil mais sério

Campanha cívica

  Circula pela internet uma campanha que certamente revolucionará o ludopédio tupiniquim, trazendo os bons tempos de volta:



Escrito por Ogro às 15h36
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FESTA!!!!!!!!!

  O futebol brasileiro está em êxtase!! Dragão, Bugre campineiro e o Campinense trazem a promessa de grandes dérbis em Campinas, Goiânia e a raça paraibana, que certamente proporcionarão uma bela série B em 2009. Vasco da Gama e Duque de Caxias farão uma versão, em forma de farsa, dos antigos rachões do subúrbio do Rio (eu preferia Olaria e Bonsucesso).

Saudações para os três:

               

FORA ISSO NENHUMA NOVIDADE NO FUTEBOL BRASILEIRO.....



Escrito por Ogro às 14h00
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Definições de Transtornos Psíquicos da Pós Modernidade

Bolonistas, me perdoem...

 

Alguém aí tem reuião importante esta semana?

Nasce alguém?

As bolsas vão se firmar justo nesta semana?

O Obama declara o ministério?

O Serra renuncia percebendo que ele faz mal para a saúde?

Terremoto?

Maremoto?

Escafandros, jurubebas ou iscas de fígado ao vinagrete???

Não? A resposta é não?

 

Então, ok. Aceito perder uma semana inteira no calendário. 

 

Vamos logo para São Januário que minhas coronárias estão explodindo.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 17h53
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O Lela é o pai do Ricky...

 

Cultivar a memória do desporto.

Para o nosso diário, uma obrigação.

Uma singela homenagem ao campeão brasileiro de 1985...

Mais um gigante do ludopédio tupiniquim!

Oxalá Olimpicamente Gigante.



Escrito por Amaral às 15h49
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Que legal!

 

Bolonistas, mais um na Série A...

 

 

A televisão ligada. Série B. Rodada gorda. Várias definições possíveis. As atenções em Santa Catarina. Ressacada, Floripa. Jogo ruim, mesmo. O técnico do Avaí é o Silas, meia que fez parte da espetacular equipe de Cilinho no São Paulo Futebol Clube. Impossível não torcer pelo Silas, concordam?

 

E o jogo era contra o Brasiliense. Uma espécie de Bragantino do Planalto Central, na antiga era Chedid. Impossível não torcer pelo Avaí, concordam?

 

Uma vitória e a matemática colocava o time da Ilha na série A. O Avaí passou quase o campeonato inteiro freqüentando a zona de classificação. Estádio cheio. O jogo? Péssimo. Mas a torcida cantava, vibrava, empurrava. E como é bonito ver uma torcida feliz assim, não é? Impossível não torcer pelo Avaí, concordam?

 

O Avaí disputou pela última vez um campeonato nacional de primeira divisão lá em 1979. Leio isso nos periódicos digitais. E aumenta a torcida pelo time da Ilha, que nos últimos anos sempre aparece ali na zona do agrião para depois ficar fora da festa. Morrer na praia. Sina? Sinceramente fica difícil não ter um pouco de compaixão com este dilema. E por isso torcer contra o Avaí era difícil, concordam?

 

Mas o jogo era daqueles que o melhor era mudar de canal, procurar outros jogos, outras coisas para fazer. Mas estava lá e lá pelas tantas me peguei torcendo! Sim, torcendo pelo time de azul e branco. Tal criança. E torcer contra time de criança é tarefa para lá de difícil, não é? Concordam?

 

Lá pelas tantas, mais ainda, bola que bola que toca e que vai e aquela zona total e tensão e tanto, e aos trinta e lá vão pedras a bola espirra daqui e dali e... GOL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Era o gol da classificação. Gol!!!! 1x0. O Avaí estava quase na primeira divisão. A festa. As canções. O estádio. O nome do estádio do Avaí? Ressacada. Todos nós já tivemos uma “ressacada” não é? Concordam?

 

O apito trina. Pura festa. Confesso, comemorei. E lá pelas tantas, descalço, brincando como criança que ganha trem elétrico, dançando, pulando junto aos jogadores, encontro o “manezinho” da Ilha. Aquele que em 97, já distante, me fez acordar cedo para ver jogo de tênis e final de campeonato. Aquele que assombrou o mundo com uma vitória espetacular, vindo dos qualificatórios. E que na entrevista coletiva após o caneco de Roland Garros disse, na lata: “Meu maior ídolo? O Jacaré, atacante do Avaí. Meu time de coração”. Se não disse exatamente assim, disse quase e é o que importa. O grande feito, épico, heróico, único, especial e transcendental na França e a homenagem singela ao time do coração. Como um menino. Lembrei com um baita sorriso a razão de estar ali torcendo pelo Avaí: Torcer contra o Guga, meus caros, é impossível mesmo. Não precisam concordar.

 

Obrigado Guga. Parabéns!

 

 

12.11.2008

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 19h30
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Enquanto isso no UOL Esporte...

11/11/2008 - 19h03

Marcos fala em atitude "ridícula", pede desculpas e apoio a Luxa

Carlos Padeiro
Em São Paulo
 


Escrito por Renato às 08h47
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Ídolos

  Escrevo este texto baseado no texto do Amaral sobre o Palestra,apenas para expressar uma angústia minha que já cresce há algum tempo.

  Concordo em gênero, número e grau com o texto, em todas as suas palavras e me lembro de uma rápida conversa telefônica com o Deco no último domingo, em que ele me disse, com toda a razão, que não importa o desatino do Marcos e a sobriedade travestida de pastor evangélico de Luxemburgo, o monumental guarda-metas tem e terá sempre moral para mandar o outro se lascar, apenas por uma razão: ELE é o Palmeiras.

  A questão é, quantos deles ainda sobrevivem??

  Depois da era dos esquadrões eternos, que durou até meados de 80, dos esquadrões montados e desmontados lentamente (Palmeiras-Parmalat, Grêmio do Felipão, Corinthians de 99 e 2000), chegamos à era dos times de aluguel, em que os torcedores tem dificuldade de lembrar as escalações de seus times e os jogadores, em sua maioria, ficam um ou dois anos nos times para depois, mesmo que imberbes ir para times, geralmente de segunda, na Europa, Oriente Médio, Ásia Menor (aliás, O Uzbequistão não era aquele país que o Borat detestava??) e Extremo Oriente, jogar por alguns anos, se desgastar e acabar voltando, invariavelmente para o grande rival do time que o revelou e assim repetir o primeiro ciclo (vide o lateral Kléber, ex-Corinthians, ex-Santos e futuro o que??).

  São-Paulino que sou, vivo, desde 2005 uma época incrível, com dois brasileiros, um paulista, uma libertadores, um mundial e a atual liderança do brasileirão e sei que, daqui a 10 anos, vou me lembrar do gol do Mineiro contra o Liverpool em todos os detalhes e só. Cicinho, Ilsinho, Lugano, Miranda, Breno, Alex Silva, Júnior, Josué, Denilson (que saiu por uma fortuna para a Inglaterra antes de fazer uma dúzia de jogospelo São Paulo),Hernanes, Felisbino, Jean, Danilo, Adriano, Ricardo Oliveira e outros menos expressivos serão apenas lembranças quase sem cor, sem vida. Quem sobrou?? Rogério Ceni. Não importa sua categoria em bater faltas e penalidades, sua capacidade de liderança, ou o fato de quase nunca ter jogado efetivamente na seleção. Rogério é o que eu posso chamar de ídolo São-Paulino, como meu sogro chamava o Canhoteiro, o meu pai chamava o Roberto Dias e eu já chamei o Raí. Isso é o que diferencia figurantes dos ídolos de verdade; aqueles que quando encontramos nos dão o mesmo frio na espinha e o coração acelerado, seja com 10 ou 70 anos de idade.

  Quantos times do Brasil ainda tem jogadores assim?? Qual é a escalação atual do Grêmio?? Quem é o ídolo do bom time do Cruzeiro?? E do Palmeiras (fora o Marcos)?? Qual é o futuro próximo dos jogadores que estão jogando um bom futebol e que tem o nome gritado pela sua torcida, como o jovem Dentinho (na minha opinião a cara e o coração do Corinthians)??



Escrito por Ogro às 14h41
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Eu teria um desgosto profundo...

 

Bolonistas, escalei o reserva do Imortal nas pelejas do Super Time de Botão...

 

 

Ainda acho que não acabou. O campeonato, para a Sociedade Esportiva. E, certamente, não dou a menor pelota para isso. O fato é que nessas rivalidades de criança, e que quando bem tocadas alimentam o futebol, o time de verde é, de longe, o time que menos gosto. Torço contra a SEP até nas disputas com o Sport Club. Até o Vasco já teve minhas torcidas entusiastas nos prélios disputados contra o imponente alviverde.

 

Mas é inegável a apaixonada devoção por seu time que tem a torcida esmeraldina. A paixão aqui não se confunde com a fidelidade canina da torcida do rival alvinegro, por favor. São traços distintos. A paixão esmeraldina é aquela paixão de adolescente, visceral, que altera o humor como a paulicéia altera de clima.

 

Esta paixão é assombrosa. É febril. E é por isso que o atual “manager” do time não merece estar por lá. Luxemburgo é um técnico excepcional. De fato, trata-se de um treinador com qualidades objetivas importantes e tem currículo vitorioso. Mas Luxemburgo é um homem de negócios, de grandes corporações, de grandes maquinações. A paixão verde é contraditória a este sentimento. O Palmeiras é Felipão. Não sei se estou certo, mas os palmeirenses devem chorar mais com os canecos de Luis Felipe do que com os anos de glória da Parmalat.

 

E escrevo estas linhas porque mais uma vez me emocionei com o Marcos. O arqueiro santo que falha, como todos os homens, mas que transpira, exala e se transforma a cada jogo, conforme os ditados do coração. Marcos foi ao ataque, buscou desesperadamente o gol, não para ser o destaque, o supra sumo, o herói. Marcos foi porque as arquibancadas queriam paixão. Luxemburgo, com toda a sua sabedoria de terno e gravata, não entende este sentimento. Para o treinador, que quer ser sempre o super herói, as ações do coração não são razoáveis. Ao preferir comentar o jogo da SEP pela televisão, ao escolher o estrelato em detrimento do ser solidário, o treinador deu as costas para a história da nação palestrina. Marcos foi atabalhoadamente ao ataque, beirou o desespero. Mas suou o manto e já tem o nome escrito lá no almanaque da Academia, não há mais provas para atestar. 

 

Quero, mesmo, que o Palmeiras se lasque. Que fique sem a Libertadores, que a crise e as cornetas soem por todos os cantos. Mas isto é a rivalidade do coração de criança bolonista. No fundo sabemos que o Palmeiras é São Marcos, é o time da paixão e é o clube rival que nos faz falta. Assim como o Corinthians, imortais. Tenho convicção que uma boa parte da recuperação histórica do Tricolor Mais Querido das Galáxias e do Universo neste campeonato se alimentou da nossa intensa rivalidade com o clube que fica perto daquele shopping novo ali no bairro das Perdizes ou da Pompéia, dependendo do guia.

 

A Paulicéia tem três corações desvairados. E acho que novamente será o coração tricolor, mais elegante, altivo, sobrenatural, que gritará Campeão. Do contrário, só lamento. Mas enfim...

 

10.11.2008

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 19h36
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Domingo de Sol



EMPATE!


EMPATE!


EMPATE!!!!!

Escrito por Amaral às 21h17
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Do correspondente na Líbia



Escrito por Zecão às 11h53
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Trienal

 

Galeria de Arte

01 de novembro de 2008 - Marco Antônio Galvão & Amaral



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 16h10
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Agora, só em 2012

(Bolonistas, sei que o Brasileirão emociona, mas segue um desabafo político...)

Leio na revista que o trânsito é o pior problema de São Paulo. Balela!

Claro que é o pior problema se você comprou um Land Rover que faz até 300 km, mas só pode andar a 15 km por causa do excesso de gente que comprou carro como você. Há outros poucos Land Rovers e um punhado de Gols, vans, Fuscas, umas BMWs, muitas Kombis e Saveiros. Honda Civis e Chevrolets. Xsara Picassos e Karman Guias. Sociedade confusa essa em que cada um compra o seu carro – extensão de si – e todos têm que andar a 15 km por hora na pista de 80. Agora, dizer que o trânsito é o pior problema porque ele custa os seus bilhões e bilhões é literalmente não olhar para o lado. Você que está no seu Land Rover, fazendo a velocidade média de 15 km por hora, a qual lhe permite folhear a sua revista preferida de fim de semana enquanto dirige, não reparou em nada diferente quando parou no sinal vermelho? Não viu aquela sucessão de pedintes jogando sabão desesperadamente no vidro do seu carro em troca de um mísero centavo para comprar qualquer coisa na padaria da esquina ou no Mc Donald´s que fica no entroncamento daquela grande avenida, agora, sem outdoors? A avenida foi “limpa”. Não tem mais mensagens publicitárias. Não tem mais painéis vivos, compre isso ou aquilo, nem sorrisos e seios. Então, você não olhou para o lado nem viu que o problema não está no trânsito?

E no Rio de Janeiro, a revista nos diz que o principal problema é a informalidade. Claro! Que coisa grave a informalidade que impede que empresas lucrem com os produtos que desenvolveram e, assim, contratem mais gente, combatendo o desemprego. O principal problema do Rio – e isso todos os cariocas sabem – não é o Vasco caindo pra Segundona, nem o deslumbramento momentâneo do Fluminense, as desilusões constantes do Botafogo ou os negócios da diretoria do Flamengo. Nem a segurança pública que mata centenas de pessoas nos morros e outras tantas na parte baixa da cidade. É a informalidade! Afinal, você que pega o seu Land Rover, atravessa a porcaria da Dutra e vai ao Rio tem que pagar mais caro pelos CDs vendidos na Toca do Vinícius porque a informalidade reduz as vendas oficiais e o telão de LCD da Casa & Vídeo – aquele de 50 polegadas – também fica caro pra caramba.

Combinado, então, que, no Rio, vamos fazer uma marcha contra a informalidade, o principal problema dos cariocas. (Até porque em São Paulo não dá para fazer marcha nenhuma já que o trânsito – o principal problema paulistano – impede tanto que as pessoas cheguem na hora da manifestação quanto que saiam às ruas para protestar.)

E em BH, adivinhem qual o principal problema? Saneamento. Aqui temos algo que, de fato, afeta a população que mais precisa da atenção de quem organiza a verba recebida por meio de impostos. Mas será que podemos elencar o maior problema da capital mineira como a “crise do saneamento”. Fora o esgoto não há nenhuma outra crise gritante nas ruas de BH? É esse o problema? Está descoberto?! Nada mais?!!

Amigos bolonistas: desigualdade, desigualdade e desigualdade.

E o problema é que somos tão desiguais e queremos tanto andar a 120 na pista de 60 que perdemos a noção do coletivo. Olhamos para o nosso individual e não para o comum. Para o nosso carro, para as nossas vendas, para os nossos bolsos. E não venham dizer que a desigualdade é um problema federal nem debater se a melhor maneira é resolvermos pelo controle da moeda ou pela injeção de capital e investimentos. O problema não está entre sermos monetaristas ou desenvolvimentistas. O problema é local e está em cada cidade, avenida, rua, esquina. Desigualdade, desigualdade, desigualdade. E a chance de acabar com ela está cada vez mais longe, distante. Impossível!

 



Escrito por Jubas às 22h48
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Fome de Viver

Bolonistas, uma daquelas histórias que gosto...

 

 

Ela tinha um grave e melancólico defeito. Torcia, desesperada e doentiamente, um exaspero e com todas as vísceras pelo Vitória. Sim, rubro negro. Era terrível ver aquele corpo escultural, aquela gênese mulata de bunda, peito, coxas e pés desenhados por Deuses, vestida pelo capeta. Lembraria sempre daquela tarde em Itacaré, a primeira vez que a viu de biquíni, e aquele par de chinelos do Vitória. Teve um horror similar ao pânico de elevador cheio, um gosto de vatapá vencido, uma sensação de morte profunda. Namoraram, mesmo assim, umas duas semanas depois da triste descoberta.

 

Ela tinha perfeições outras que quase a salvavam. Mas o Vitória? Nem purgatório resolvia. Ela gostava de prato, cerveja, praia, mar e odiava axé. Foi este ódio ao ritmo que os aproximou, numa tarde de janeiro. Num bar onde os tímpanos sofriam com os batuques eles se encontram no lado de fora, para respirar. Papo vai e papo indo, acordaram na casa dela. Foi tão bom que somente se separam no domingo, depois do café. Ela disse que tinha que visitar a mãe. E era ótimo, pois o Bahia ia enfrentar o Internacional de Porto Alegre, na Fonte Nova.

 

Brigaram feio durante um BaVi. Feio, mesmo. Combinaram de assistir juntos ao jogo, mas em território neutro. Viajaram para Triunfo, no interior de Pernambuco. Um chalé. E compraram por pacote o tal jogo. Durante o final de semana inteiro se amaram, beijaram, brincaram. Considerou, com todo o coração, a possibilidade daquilo dar certo, daquele defeito certeiro dela se transformar só em um detalhe, uma pequena rusga, uma coceira. Em vão. Foi a pelota rolar e o Vitória deitar e rolar, ela cantar, gritar, xingar e golear. Ela o deixou antes da Mesa Redonda. Voltou sozinha. E de ônibus.

 

Da Guia era o cara mais simpático do mundo. Abençoado. Todos o tinham como cara calmo, sereno e boa praça. Tinha uma paixão desmesurada pelo Bahia, herdada da mãe. O nome quem colocou foi o pai, encantado com aquele time verde de 1969. Costumava dizer que o Tricolor era o que lhe fazia sorrir. Se bem que sorria muito, era de bem. Ela? Eram águas passadas.

 

Conheceu a outra numa saída de estádio. Chorava, copiosamente. A dor do rebaixamento ficou até um pouco mais tênue ao confortar a moça, muito bonita, embora com um corpo mais para modelo do que para o que ele gostava. Mas era Bahia fanática. De sangue. Ficaram andando pela praia após o jogo, se conheceram, trocaram telefones, ela fazia academia perto da casa dele. E marcaram encontro e saíram e tudo mais. Tinham uma combinação explosiva, quente e passavam quase todo o tempo possível juntos, quase sempre sem roupas.

 

Faziam planos para acompanhar o Tricolor nos jogos da Série C, na cama dela. E, repentinamente, aquela fome absurda. “Vamos ao mercado?”. “Engraçado, nunca fomos juntos...”

 

Na fila ele desconsolado acompanhava as compras. Um queijo branco light, umas fatias de peito de peru, um pão integral. E iogurte. O estômago roncava. Os olhos quase marejados. Ela de camisa tricolor, linda. Na gôndola ao lado reconheceu de pronto a eletricidade, o comichão e o cheiro: Com a camisa do Vitória, um sorriso de quarteirão, lingüiça defumada, parmesão italiano, pão de torresmo e umas tantas latinhas de cerveja. A mulher da vida dele, não teve dúvida.

 

04.11.2008



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 20h58
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CAMPEÃO?? COVEIRO??

Trigésima terceira rodada e o experiente tricolor do Morumbi lidera, por meia cabeça de diferença com relação ao Império do Mal. Três jogos em casa e dois fora. Nenhum confronto com demais aspirantes ao título. Campeão??

Acho que não.

Espero dar uma dolorida e saborosa mordida na minha língua em Goiânia, mas essa inédita situação de coveiro, em que, com exceção do Ipatinga (o América-RN deste ano) e do Goiás, quase só jogos contra quatro dos cinco candidatos às demais vagas na segundona do ano que vem (só escapa o Atlético Paranaense). Trocando em miúdos, para o tricolor ser campeão, precisa pregar pregos em três caixões diferentes, podendo ser dois deles de times cariocas, o que trucidaria o combalido futebol da cidade maravilhosa. Os times deixarão?? Os cartolas deixarão?? A torcida do Vasco, em São Jnuário deixará?? Acho que não.

Mas, como diz o Amaral, espero que os fatos sejam mais generosos que a teoria. 



Escrito por Ogro às 15h01
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TRI-CAMPEÃO. VAI APOSTAR?

- Não sou de apostar, mas, se tivesse que fazer isso, colocaria todo meu dinheiro no título de Felipe Massa – afirma.

 

 

 

 

 



Escrito por Frank às 14h59
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Bolonistas...

 

O Nacional de Ludopédio da Primeira Série ferve.

Os jogos são péssimos. Mas emocionantes.

Confesso, com lágrimas, minha ansiedade.

E queria brindar, com chope de verdade:

 

Ao Peixe e ao Esmeraldino nossas loas!!! Times gigantes do desporto tupiniquim que fizeram campanhas de recuperação e superação. Escretes que saíram da lona para recuperar a dignidade!!!

Ao Figueira, como incentivo e torcida sincera. Não seria ótimo para o esporte predileto ter dois times da aprazível Florianópolis na Primeira Série de 2009???? O Figueira e o Avaí. Clássico emocionante.

Por fim, queria muito que nossa Lusa enfrentasse o glorioso Sport Club na primeira série. Seria o reencontro épico de dois heróis. Duas legendas. Duas equipas de muita tradição. Glória. Viva!!!!

 

Depois de tantos brindes... a perspectiva do jogo do Colorado é inebriante.



Escrito por Amaral às 14h03
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