Os Bolonistas


Bolonistas da Confraria ...

 

Mais um.

Que venham outros.

Muitos.

Com goles de placa, goles de bico e goles de chope.

Com bandeiras na janela e na alma.

Grande Abraço.

 

 

 



Escrito por Amaral às 12h33
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Bolonistas anônimos,

Reparem nesta foto! 

É o Bezerrão, o jogo do título. Onze titulares, alguns reservas...

Agora, tentem ampliar a foto. Vejam ao lado do ombro esquerdo do Dagoberto.

Primeiro, um sujeito careca de camisa amarela. Ao lado dele, uma menina de preto. E, ao lado dela, esse bolonista aqui.

E vocês ainda dizem que eu não existo...

Abraços, bom Natal e um excelente 2009!!

 



Escrito por Jubas às 17h37
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Isso não vai dar certo

O Negão ficou louco e tá achando que é o Rock Balboa. Depois de velho quer bater no singelo rapaz aí da foto.

Repararam nas proporções?! Se não, saca só o tamanho da mão do tiozinho, o anel de noivado serve de bambolê no Mike Tyson.

Lembrem que o Campo Sagrado era bem um palmo mais alto que o outro que torou sua orelha. E o branquela é 25 cm maior que ele.

Vai dar m...



Escrito por Renato às 16h37
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És o primeiro...

 

Bolonistas, resquícios ainda...

 

 

Tudo muito improvável. Depois de um ano atribulado, finalmente as pazes com as contas, com os bancos. Também foram comprados novos paletós e os velhos foram devidamente doados. Deu para trocar de carro e finalmente comprou o Passat Pointer vermelho que sempre quis ter na garagem. A omelete de queijo e presunto era tão boa quanto os índices de colesterol e as triglicérides estavam mais calmas que um monge budista longe do Tibet.

 

Conseguiu comprar todos os presentes de final de ano antes da primeira quinzena de dezembro, gastando em promoções mais do que o habitual. Comprou bons livros para biblioteca, encontrou aquele vinil do Black Sabbath com o Ian Gillan no vocal e completou a adega com bons chilenos, um argentino e três europeus, França, Hungria e Itália. Estava feliz com as notícias da política e já tinha escolhido a candidata para a próxima contenda eleitoral. Acordou disposto e foi andar no parque, por mais de uma hora. Permitiu-se deitar na grama, uma garrafa de água gelada e pensamentos na boa vida que estava improvavelmente impecável.

 

Comprou o jornal. E se deliciou mais uma vez com as notícias do domingo. Mais um caneco para o time de coração: o sétimo. E, sempre que se lembrava deste fato ficava um tanto bestificado: o quarto caneco na seqüência. Era o ano de "super trunfo" do time: Continental e Nacional. E naquele mesmo dia partia o avião para Dubai, para disputar o torneio da Federação Internacional. Era improvável aquilo tudo e confessou tal fato aos deuses, orixás e para uma mulata espetacular, que também estava tagarelando consigo mesmo na grama verde do parque. Riram os dois e trocaram telefones.

 

Em casa, a velha torneira fora consertada. Os lustres finalmente colocados. No terraço, plantas bem cuidadas. Um girassol se destacava, imponente. Na mesinha da varanda, um balde com algumas latinhas e alguns acepipes básicos, feitos com esmero por mãos divinas. Jiló a milanesa, lascas de pastel fritas que faziam barulho ao primeiro bocado. E tinha um sol daqueles que invejam até João Pessoa.

 

Tudo tão improvável que certamente algo teria que acontecer, estragar, maldizer. Mas nada, nada e nada. A camisa do time sobre o sofá, a bandeira de três cores estendida na janela.

 

Mas como tudo o que é bom assim necessariamente acaba, ouviu ao longe uma voz feminina: "Acorda. Tá na hora...". "Não faz manha, levanta... vai... vamos perder o café da manhã...". Foi inevitável constatar o óbvio: Estava sonhando. Que puxa.

 

Esfregou os olhos, espreguiçou, respirou fundo. Reconheceu o quarto. Tomou fôlego. "Que sonho perfeito", pensou. "Gi... até que horas vai o café da manhã?". " Até as dez...". Entre uma espreguiçada e outra, o telefone tocou e não deu para não atendê-lo: "Alô, é da recepção. A Senhorita Bundchen está?".

 

11.12.2008

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 18h24
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Que ostentas dignamente...

 

Bolonistas, delírios...

 

 

Tenho certeza que a irritação gerada no jogo contra o Atlético Mineiro, no Magalhães Pinto, naquele 1x1 terrível, acordou os deuses tricolores do futebol. Tenho a plena convicção de que aquela partida foi a pior partida de todos os tempos. Pior que café gelado misturado com groselha quente. Pior que acordar três minutos antes do despertador. A inapetência naquele jogo foi narrada em prosa e verso pelo Muricy, o homem que provou a minha implicância bestial, em todas as entrevistas que deu após o jogo contra o inefável Goiás.

 

Mas aquele jogo preocupou Fried, Leônidas e Bauer. Os três foram chamar o seu Telê e o Vicente Feola para uma conversa. Conversa daquelas de confrades, numa mesa com broa de milho e café, quente. Também chegaram Roberto Dias e Canhoteiro. Alguns minutos depois e a mesa estava repleta de semblantes divinos e foi possível reconhecer o bom Poy, fala mansa. Sastre também estava preocupado. Outros tantos apareceram. Chegou Chicão, com aquela bigodão de xerife. Foi o mestre que sentenciou: "Depois deste jogo não há mais o que temer. Vamos todos ajudar."

 

Ainda estou rouco. Comemorei. Paulista. Buzinas, cantorias, aporrinhações nos vizinhos de outras cores, mortais. Ganhar três vezes o caneco, em seqüência, era algo que sequer os sonhos mais infantes podiam ter gala. Três vezes em seqüência o campeonato nacional de futebol. E o time conseguiu a façanha numa arrancada de dezoito jogos sem conhecer o sabor da derrota. Dezoito pelejas sem perder. Arrancamos uma diferença de mil e dois pontos que nos separavam do Grêmio de Futebol Porto Alegrense. Ultrapassamos a Academia. Deixamos a Raposa no escanteio. E o Flamengo de Zico deixamos também para os debates de segunda feira. As lembranças da façanha estão presentes em todas as esquinas do campeonato, principalmente no segundo turno. O gol de Dagoberto contra o Internacional de Falcão. Num jogo de muita tensão arrancamos um empate contra o Fluminense de Rivelino. Sem perder nada. Nada. E nada. Uma façanha homérica. Uma ode. Não há mais dúvidas. Conseguimos o improvável. Agora, só nos resta o impossível.

 

Um caneco assim, uma série de três canecos, um conjunto de seis taças. Esta obra não pode ser só obra de um escrete momentâneo, de um técnico, de um presidente. Este título começou a ser construído em 1930, com o São Paulo da Floresta. Em 1935 foram construídas as primeiras prateleiras para os canecos. E de lá para cá, ano a ano, jogo a jogo, escrevemos nossa história: Seis vezes campeão nacional de futebol. Três vezes campeão continental do esporte mais popular do Globo. Três vezes campeão da Terra.

 

Muricy Ramalho e Rogério Ceni tiveram sonhos estranhos naquele pós jogo contra o Atlético. Não sei se conseguiram dormir. Nem Hernanes, nem Miranda, nem Jorge Wagner. Telê escalou cada um que esteve presente naquela noite, naquela távola especial, para uma tarefa extraordinária. Perguntem para Hugo, Dagoberto, André Dias, Jean, Rodrigo, Borges. Perguntem para Bosco, para os demais jogadores. Perguntem para o massagista, o roupeiro, as cozinheiras, os seguranças, os preparadores físicos e de goleiros. Naquela noite algo admirável aconteceu. Até Seu Juvenal recebeu a visita de Monsenhor Bastos e de Porfírio da Paz, que cantavam o hino: "As tuas glórias... vem do passado!!!".

 

E foi assim que aconteceu. Ainda estou rouco e, desconfio, um pouco ébrio.

 

09.11.2008



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 19h19
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A final

Dia de final de campeonato e o que faço numa van rumo ao aeroporto? As ruas vazias. O Sol forte. As pessoas escondidas em suas casas, com as TVs ligadas. E eu numa van abrindo a janela para ao menos sentir esse ar com cheiro delicioso de sal.

A final é hoje. Meu time (certamente) será campeão e estou aqui preso, com o motorista ouvindo axé. Nada do José Silvério e sua narração-emoção. Nada das imagens em câmara lenta na televisão, com seus tira-teimas e a sua atualização constante da tabela sempre em diferentes cores: o verde da Libertadores, o amarelo sulamericano e o vermelho do rebaixamento. A final para mim são alguns sinais de trânsito também em verde, amarelo e vermelho, ditando o ritmo da avenida paralela em meio às dunas de Itapuã. Ao menos, estive na Bahia num fim-de-semana de chuva e Sol. "Então, valeu a pena?!", me pergunto, preso, enquanto o jogo come feio no estádio.

Podemos ser campeões dentro ou fora do estádio. No campo ou na televisão. No rádio de pilha ou na internet. Podemos ser campeões como o Bahia que alardeia os seus dois brasileiros na frente do campo de treinamento. O título de 1988 e o de 1959. Como dizer que o de 59 não foi uma conquista de Brasileiro se o Bahia ganhou do Santos de Pelé? O Bahia foi bi superando Santos e Inter, como o São Paulo que ficou pontos e mais pontos em cima do Colorado, em 2006, e do Peixe, em 2007. Agora, o tri. Eu numa van. "Valeu a pena?", volto a me perguntar.



Escrito por Jubas às 23h04
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Às vezes, ser pai é levar o pequeno ao estádio. Ver o título pela primeira vez. Meu pai me levou e vi a Inter de Limeira faturar o seu primeiro e único paulista contra o seu Palestra. Foi uma tristeza. Pai também tem os seus azares. Outras vezes, ser pai é fazer passeios simples. Uma ida à praia, por exemplo. Seria simples se não morássemos a mil quilômetros do mar. O fato é que o pequeno Lucas adorou o seu batismo nas águas de Ondina. Ali, onde termina o famoso circuito que sai todos os anos do farol da Barra e caminha num baticum mais forte que qualquer coração. "Juuu, tem natação!" Vê-lo correndo na areia vale muito mais do que qualquer jogo de futebol.

A praia estava ótima! Tivemos a variação de chuva e Sol, como temos a variação entre tricolores e rubro-negros. Para mim, o Bahia é o ar salgado de Salvador: azul, branco, claro e forte (vermelho) ao mesmo tempo. E o Vitória é como a comida da Bahia: o tempero com dendê, a potência do abará, a força do mugunzá. Quando aparece um sujeito com a camisa do Bahia, é como se ele trouxesse alguma alegria consigo, contagiando o ambiente. E não importa se o time está na segunda ou até na terceira divisão. A camisa do Bahia sorri. Ou sorria. Já a camisa do Vitória traz uma força inexorável, é mais temperada. O Vitória é uma conquista. Sem trocadilhos.



Escrito por Jubas às 23h03
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Faço o check-in com a cabeça no estádio. Hora do intervalo. Já sou hexacampeão? Já está 2 a 0? Borges já fez o seu gol de placa? Hernanes já driblou meia zaga adversária? Rogério Ceni já bateu falta? Os "jás" estão passando rapidamente e não estou vendo nada. Sou um péssimo exemplo de torcedor. Falhei com o meu time. Sou alheio a tudo. Alienado. Fora do campo. Fora do estádio. Fora do rádio. Fora da televisão.

Entro no embarque e sou tomado por uma sensação de desespero ao identificar a segunda e última televisão disponível passando axé para os turistas. Já estamos no segundo tempo e não tenho a mísera notícia do jogo. Ligo para o meu irmão palmeirense e escuto um goool ao fundo do telefone. "Tartá!" Ele ri no seu dia de secador. Gol do Fluminense e teremos uma tarde sofrida no Morumbi. Penso por um instante que sou feliz por não estar naquele estádio. Mas vem o instante seguinte e começo a buscar lap-tops de outros passageiros. Se acontecer uma tragédia, eu deveria ao menos vê-la para compreender o meu destino de torcedor. Um gol aos 46 e meio do segundo tempo e a eliminação do campeonato. Nada que queremos ver, mas, se não vermos, nunca iremos compreender.

Um sujeito com lap-top percebe a minha afliação e se esconde atrás da pilastra. Deve ser corintiano, penso, enquanto meus neurônios voam de um lado para o outro. O segundo torcedor com lap-top resolve conectar logo o jogo do Vasco. Esse eu respeito, pois está sofrendo mais do que eu. Nem peço para trocar o jogo. Apenas reparo o sinal da cruz no peito e faço um igual, quando vem o pequeno tremor do celular: "Borges empata de voleio".

Perdi o gol. Um golaço! Voleio. Empate. Falta um gol para o título mais difícil de toda a história. Trinta e oito rodadas é mais sofrimento do que qualquer disputa de pênaltis. A disputa de pênaltis acaba ali, nuns poucos sofridos minutos. Trinta e oito rodadas demoram. São sete meses. É jogo que não acaba mais. Vira domingo, volta domingo e você assiste ao jogo do seu time para, quando acabar, ainda secar o jogo do time seguinte. O campeonato é uma eternidade maior do que o desespero vivido naquele portão de embarque.

Outro tremor no celular. André Dias cabeceia na trave. Pânico! Vamos para a derradeira rodada. O décimo pênalti. Olho para o meu cartão de embarque. A final ficou para Brasília. A minha consolação é que é para lá que eu vou.



Escrito por Jubas às 23h02
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Duas horas esperando para comprar ingresso e sair de mãos vazias. Nada mais angustiante. Talvez, esse seja o pior preço de se viver dez anos fora da minha cidade. "Eu estava lá quando Zetti pegou aquele pênalti", disse com ar de autoridade para um sujeito de 20 e poucos anos que ficou mirando meus recém-cabelos brancos. Eu vi quando Silas fez o gol impedido na final de 1987. Vi o 0 a 0 com o São José ao lado do antigo refletor. Eu vi o gol de cobertura do Muller no goleiro hoje esquecido de nome Wirth. Ou quando Cafu fez um arco com o corpo na linha de fundo e cabeceou para o 10 tocar para o gol livre.

A vida tem dessas coisas. Um dia você está na praia na Bahia; no outro, você está contando histórias velhas para gente jovem numa fila interminável de horas e mais horas, um Sol de rachar o coco. Antes, estava pisando na areia branca de Abaeté. Agora, estava fazendo bolhas no pé. Três únicos brasileiros pegavam o dinheiro de mais de vinte mil torcedores desesperados para ver o hexa. Eles pegavam as notas, uma a uma. Miravam na luz para ver se não eram falsas. Abriam um armário. Colocavam a grana lá. Anotavam. Em seguida, pegavam um ingresso. Davam para o cidadão desesperado com calos e bolhas no pé. Brasil-sil-sil-sil!!! Turistas, aguardem a Copa aqui!



Escrito por Jubas às 23h01
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Saio da fila totalmente transtornado. Corro por dois shoppings e as filas são igualmente imensas. Nada de ingresso. Perderia a final! Mais de uma década longe da cidade de meu time. Quinze anos sem ver uma final no campo. O estádio fica sempre distante. A torcida é apenas uma coreografia vista da televisão. Você vê títulos e mais títulos, mas sempre pela musiquinha da Globo. Você não grita com o jogador, com o sujeito que põe a bandeira na sua frente. Não manda tomar no c. Não vê a beleza das novas torcedoras são-paulinas. E quando a final por um golpe de sorte chega na sua nova cidade, são horas e horas e nada de ingresso. "Não é possível que não verei esse jogo!", penso muito mais desesperado do que se estivesse preso num portão de embarque, o título sendo decidido naquele mesmo instante.

Chega a noite e tudo cheira a bosta de cavalo. Volto ao estádio. Torcedores bêbados apontam gritos para a bilheteria. Guardas, cassetetes e cavalos do outro lado. Vai dar pau e eu ali no meio sedento por um ingresso. É quando vejo, na penumbra, um cambista. Me aproximo esguelando os olhos. Vende meia-entrada pelo preço de inteira. Compro na hora. Sem discutir. São quase nove da noite. Vou ao jogo. Parem o mundo e só me acordem no domingo às 17h.



Escrito por Jubas às 23h00
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Domingo de Sol. A perua escolar está pronta. Sim, arrumamos uma perua escolar e, se tivéssemos figurinhas, íamos trocando pelo caminho. Estamos na estrada e volto a falar das finais que fui. Omito o fato de ter visto aquela tarde com gol de Sorato. Também não falo que vi o gol de cabeça (ou terá sido de joelho) do Wilson Mano num Morumbi dividido. Não quero ser pé frio e só conto histórias de Raí e Muller. Histórias que todos conhecem, mas que nem todos viram no estádio. É quando um sujeito com mais cabelos brancos do que todos fala da final de 1977, "realizada em março de 1978". Com esse não dá pra competir. "Alguém aí viu Rui, Bauer e Noronha?"



Escrito por Jubas às 22h59
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Chegamos aos campos verdes do Gama e volto a ouvir aquele sotaque. O "São" dito como "San" e o "Paulo" como "Paolo". Tudo meio italianado. É como se estivesse em casa mesmo fora de casa. A fila é toda tricolor e, de repente, não se vê mais verde em lugar nenhum. Apenas um sujeito com a camisa do Atlético Mineiro, e que é aplaudido efusivamente. Até o caixão do Grêmio é tricolor, apesar do distinto tom de azul. O estádio é pequenininho e, na entrada, alguns pedem "Morumbi". Me separo da turma da perua escolar, pois fui o único a comprar na arquibancada leste. Verei a final sozinho. Mas com outros 20 mil ao meu lado.

Duas horas de Sol até a bola rolar enfrentadas com uma cerveja sem álcool e um saco de amendoim japonês. Que droga de época politicamente correta?! Cerveja sem álcool não é cerveja! E o picolé está a quatro e cinqüenta. Alguém deve ter dito que a torcida é rica, mas o abuso é demais.

Escolho o lugar próximo do gol à direita de quem vê televisão. Acho que será lá o gol do título. Uns poucos estendem uma bandeira do Grêmio naquele canto. Vaias. E a minha certeza de que será lá.

O time entra em campo e grito mil palavrões para dar força e sorte para aqueles onze. Rogério dá uma volta com a cabeça em torno do estádio, faz olhos de impressionado. As letras do Gama somem em preto, branco e vermelho. O Morumbi é aqui.



Escrito por Jubas às 22h58
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A bola rola e toda a vez que passa do meio campo, gritamos “gol, gol, gol”, como num tantra insistente. Contamos “gol” a cada segundo de jogo e essa progressão só aumenta quando o juiz marca faltas perto da área. Na primeira, a zaga verde-limão tira o cruzamento de Jorge Wagner. Na segunda, também. Então, Borges atua de pivô e é derrubado. Rogério vem bater e somos todos surdos e repetitivos, gritando “gol, gol, gol”.

O chute de Rogério resulta primeiro num não-gol. Harlei defende. Mas a bola cai nos pés de Hugo e, agora, os gritos de gol estão completamente descoordenados. Eles se deslocam para os pés de Borges, onde o gol se torna um uníssono. Punhos, saltos e a garganta. Uma explosão. Corremos como crianças na praia. “Vamu sê campeão!”



Escrito por Jubas às 22h57
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Ouço no rádio que o goleiro gremista acaba de fazer um milagre. Milagres são péssimos nessas horas, pois nos mostram que nada está decidido ainda, apesar do quase. Então, os gritos continuam: "gol, gol, gol". Nova falta perto da área goiana. Recebo algo no celular. Mensagem de meu irmão que mora a dez minutos do Parque Antarctica: "Borges, 1,31 m impedido". O placar do Bezerrão dá o gol para o Hugo. Pouco importa. Continuamos o nosso "gol, gol, gol".

Poderíamos ter ampliado a vantagem ainda no primeiro tempo. Ficamos no 1 a 0. E veio um Sol de rachar o coco no intervalo. Bandeiras protegendo os rostos das meninas. Após tantos anos longe do Morumbi, já tinha me esquecido como a nossa torcida feminina é bonita. Elas arrumam o cabelo, usam tons de dourado, escolhem o melhor sutiã. Que maravilha!

Quando o time volta para o segundo tempo, os olhos se deslocam. O Sol de rachar sai dos rostos vermelhos e mira intensamente uma nuvem negra acima de nossas cabeças. Ouvimos um estrondo! E respondemos com "É campeão!"



Escrito por Jubas às 22h55
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Nas nossas cabeças tudo o que não choveu nos quatro meses da última temporada de seca em Brasília. A visão do campo se mistura com inúmeras gotas em meus óculos e sinto a alma quase lavada. 0 a 0 no Olímpico. 1 a 0 aqui. Deus falou conosco e respondemos cantando. Estamos no quase e esvazio o saco de amendoim na tentativa de salvar o radinho de pilha e o celular.

O Sol some de vez e, nessa variação, a chuva cai forte. O segundo tempo é todo em pé. Aos pulos. Socos no ar, veias pra fora, garganta. Perdi duas vezes um tri. Agora, verei um tri-hexa. Já voltei a pé do Morumbi até o Largo da Batata após o gol solitário do Sorato. Paguei penitência e terminamos enxugando as lágrimas no popularíssimo Bar das Batidas (aquele atrás da igreja, com apelido jocoso). Depois, vi Neto batendo bolas paradas para Wilson Mano. Agora, um tri-hexa. Pra contar daqui a 30 anos que foi em "dezembro de 2008".



Escrito por Jubas às 22h52
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O juiz apita e pouco importa o mundo. A crise internacional, o PAC, o Bolsa-Família. Recebo uma mensagem no celular. É o Amaral: "Morri". Peço para ele me ligar para que ele escute o estádio. Vejo que ele está me ligando, mas o celular simplesmente não atende. O celular já era. O campeonato já era. Ganhamos. Fizemos história.

Outro estrondo. É Deus. "É campeão!" Respondemos a tudo e a todos porque, se aqui chegamos, tudo sabemos. Respondemos a Deus e se o Diabo perguntar também teremos a resposta. Respondemos com nosso técnico abrindo os braços para a chuva, com nosso goleiro de tiros certeiros, nossos volantes armadores, com nossa zaga intransponível, e nossos atacantes desbravadores.

Atravessamos o deserto e o mar se abriu naquela chuva. Pego o celular e consigo mandar uma última mensagem para quem está lá em casa: "SP campeão. Te amo."

O jogo acabou, o campeonato acabou e tudo pode parar como está.

O mar chegou a Brasília com cheiro de sal e conquista.

Deus manda um último estrondo. Respondemos com nosso enésimo "É campeão". Só aquele dia ficou. Não terminou. Eterno como uma estrela.



Escrito por Jubas às 22h49
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segunda-feira

Soberba - é o sentimento caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, levando a manifestações ostensivas de arrogância, por vezes sem fundamento algum em fatos ou variáveis reais. O termo provém do latim superbia.

Numa segunda-feira, começo da semana, esse é um sentimento perigoso, que tenho que afastar da minha cabeça, ainda inebriada, embriagada.

Prometo com firmeza me policiar para não hexagerar. Quem sabe o sétimo caneco não esteja muito próximo; ou quem sabe um passeio no próximo ano ao bairro de Ginza, coração da alta cozinha de Tóquio.

Chega!!!Chega desta sensação besta, que só pode ser aplacada por um fado daqueles bem tristes, ou a lembrança da tristeza que será a Taça Libertadores no ano que vem, longe do Maracanã.



Escrito por Ogro às 19h18
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PARA UMA GUERREIRA

   Estávamos em 1993. O calouro Alvaro começava a conhecer o mundo das disputas pelo C.A. XI de agosto. Alguns grupos se formavam dentro do nosso grupo, aparentemente fadado a ganhar as eleições vindouras. No meio de futricas adolescentes, um nome era consensual e me causava curiosidade; a segundanista Renata. Para gregos e troianos uma figura inatacável, acima de panelismos e outras mesquinharias adolescentes. Ganhamos a eleição e, no ano seguinte, o desafio  da sucessão. Seu nome era consensual, como a nova líder da chapa que se formava. Da forma mais sensata do mundo, ela renunciou a uma "glória estudantil" pois tinha outros planos, como mudar o mundo.

  E então, passei a conhecer melhor a "guerreira Renata". Devo dizer que, desde então, eu pude perceber a sua outra qualidade suprema; a ternura. Demos boas risadas, falamos muitas abobrinhas, sempre mantendo aquele sonho empoeirado de um país, um mundo justo e igualitário e, no final, graças a duas pessoas maravilhosas, o mano Marco Aurélio e a minha pequena amada Priscila (além daquela coisa fofa que é o João), somos parte de uma mesma "familiona". Agora temos sempre Campininha, não importa aonde estejamos, além da angelical Dona Maria.

Renata, a única alma que aquieta, momentaneamente, o ódio que nutro ao Palestra Itália, mãe maravilhosa e PRIMA ESTUPENDA. PARABÉEEEENS. Espero sempre o melhor do mundo pra você, por que você merece e espero que estejamos sempre juntos.

PARABÉNS PRA VOCÊ!!!!!!!! DO SEU PRIMO OGRO.

 



Escrito por Ogro às 16h04
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Mil e Um Pontos

 

Bolonistas, a ambulância...

 

 

A bola pune. A frase é do Murici, o treinador turrão que vai provar que eu sou um chato apocalíptico de galochas e azucrinante. Mas a frase é boa. Ela pune. Pune o oba oba, a festa antecipada, a galhofa de véspera. E pune, também, as impurezas nas obviedades. O Fluminense das Laranjeiras na batuta do Bigode é um time tinhoso como o cão. E o cão, sabemos todos, não gosta muito de santos.

 

A esta altura o Ogro já deve estar pensando ziguiziras e maldições. Pessimista e melancólico, deve estar pensado na crise de fígado que terá caso o acaso acontecer. O ocaso. Vai ser pura pilhéria.

 

Mas, confrades diletos, a vida é assim. Boa, mas difícil. Alegre, mas repleta de peras pretas amassadas. Viva, mas com nuances de Série B. Enfim, ficamos para a última rodada.

 

Minha ansiedade está terrível. Fosse Brasília aqui do lado, estaria já na estrada. Tivesse uma graninha extra e um caixa previdente, gastaria. Não porque confio no time. Confio, mas a razão principal é porque o time mereceu nesses últimos jogos nossa mais acalentadora torcida: Fizemos um segundo turno digno de notas clássicas. Uma invencibilidade de dezessete pelejas. Uma quantidade absurda de vitórias. Tiramos mil pontos de vantagem. Mil. Um mil pontos nos separavam do líder do torneio ao início do segundo turno. O Dileto Tricolor então chegou, passou e joga por um empate na última rodada.

 

Bolonistas, com um pouco de sorte faturo a loteria até quarta feira. Compro as passagens, os ingressos e vamos nos embebedar até o raiar do sol da segunda feira. Deco, põe água no feijão. Jubas, prepare a Super 8. O chope, em prestações suaves no cartão de crédito.

 

Os demais estão todos convidados. Podem até secar, xingar, “zeconzar”. Não ligaremos. Nossa paixão vermelha, preta e branca tem estrelas demais e é nosso escudo contra os embusteiros que pregam a emulação medonha.

 

“Vai lá... vai lá.... vai lá.... vai lá de coração....”.

 

01.12.2008



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 19h44
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