Povo, ficarei as próximas cinco semanas na terra do Obelix com a certeza de saber tudo o que acontecerá no Brasil até meu retorno. Seguem os acontecimentos:
1) O Timão vencerá a Copa do Brasil com dois gols do Gordo na final. Contra o Coritiba.
2) O São Paulo eliminará o Cruzeiro na Libertadores. E perderá de novo para o Grêmio. O Boca ganhará a Libertadores.
3) O Lula negará que pretende concorrer a um terceiro mandato.
4) O Caubói completará 35 anos de idade.
5) O Deco e a Ana completarão 3 anos de casados.
6) O Botafogo perderá.
7) O Atlético Mineiro perderá.
Mas tem uma coisa que não consigo prever: teremos mais um bolonista antropólogo?
P. S. 1: Na cena, estão Obelix e Asterix. Os dois estão escondidos observando um acampamento romano. Asterix: “Nossa, são milhares de romanos”. Obelix: “Eu diria mesmo centenas”.
Dia treze de maio, dois mil e nove. Dois bolonistas. SMS.
22:00:26
O Douglas é a cara de um ator que eu já vi nuns 100 filmes, mas não sei o nome.
22:05:48
Desde que você mandou a mensagem não filmam mais o cara.
22:10:59
É mesmo. O ator costuma fazer papéis de fumantes. Num dos milhares de filmes ele está em algum pântano do sul dos EUA. Sempre fumando e suando. É a lata do Douglas
22:18:00
Esse não é o filme da Woolf? As horas?
22:20:04
Pode ser.
Dia quatorze de maio, dois mil e nove. Os mesmos bolonistas. SMS.
18:25:05
Ele não trabalha em As Horas. Já vi 500 fotos e não acho o desgraçado.
18:26:23
Será que você está pensando no Michael Madsen, dos filmes do Tarantino?
18:33:10
Não me lembro dele em nenhum filme do Tarantino. Mas verificarei. Qualquer dica tá valendo.
Caçarolas de ferro lascado, creio que teremos problemas neste primeiro semestre. Problemas estomacais. Enquanto o São Paulo flerta com maus agouros, em outras paragens o mundo vai ficando brigadeiro.
O caso México é a cereja do bolo. Ao aceitar, e se esforçar nos bastidores para tanto, a classificação sem jogar, o São Paulo atrai o infortúnio. Atrai o asterisco. O problema da atual diretoria do Dileto é confundir planejamento com soberba. Confunde inteligência com esperteza. E por fim, e mais grave, o comportamento da diretoria se aproxima do comportamento típico das elites predatórias, numa prova irrefutável de burrice. O futebol tem bruxas e deuses que costumam tratar muito mal aos que abusam das graças do firmamento. Enfim, que um raio caia na minha cabeça, me parece que o meu São Paulo namora firme com a desventura.
Por outro lado, nas asperezas da vida, o Palmeiras paquera a esperança. Beluzzo é uma espécie de piscadela ou de passeio de mãos dadas na praça central. Enquanto isso, o cupido anda trabalhando com afinco. O “manager” do Palestra não nasceu para torneios sulamericanos. Até os alfinetes sabem que o motivador funciona bem quando tem as cartas, quando tem a manilha. Nos torneios do continente as regras são outras. Vale mais um blefe e o coração. E o tal professor tende a cometer gafes estrondosas e patéticas. Veja o jogo de ontem e analisem as razões que fizeram o homem de terno tirar de campo o Diego Souza e o Keirisson quando o jogo estava empatado. Se a vaca tivesse ido para o brejo, com todas as patas, iriam crucificar o gravata de seda para todo o sempre. Mas Marcos, um cruzado sem dúvida, salvou o dia. Assim como Cleiton Xavier fez no Chile. Assim como Nelsinho Batista fez no jogo do Parque Antártica ao tirar o volante que não tinha cartão e deixar Hamilton, já amarelado, que seria expulso nos estertores da partida. Que outro raio caia e rache a têmpora...
Reparem na fisionomia serena do jovial jogador de 36 anos (em cada perna?), artilheiro do grande Colón de Santa Fé (cidade do tamanho de Anápolis), convocado para a seleção argentina para substituir o ...........
Do site Terra
Maradona convoca atacante de 36 anos para amistoso
O atacante substituirá Milton Caraglio, do Rosario Central, que rompeu os ligamentos do joelho no jogo de domingo, 1 a 1 contra o Newell's Old Boys. Maradona convocou 26 atletas que jogam na Argentina e que começarão a treinar nesta terça-feira
Combinado. O Ogro e o Daniel já marcaram o churrasco em Uberlândia. O Franklin alugou a casa, que tem piscina e dependência especial para crianças. O Renato combinou com uma adega lá do Triângulo o fornecimento de cervejas, previamente geladas. O Massoneto acaba de confirmar as carnes de primeira, incluindo costela e cupim, com um frigorífico de um amigo do Pedrão.
O Deco preparou a pauta do encontro e será a de sempre: Futebol. O Juliano fez uma pequena edição do Almanaque do Brasileiro e mandou fazer dez cópias. Enfim, o Pança já traçou as melhores rotas para quem vai de carro de Brasília e o Ricardo fez gráficos com todos os pedágios das estradas paulistas. Vai ser um grande evento.
Adianto que tenho minhas convicções pessoais sobre o Nacional. Os cinco favoritos, pela ordem, são: Internacional, Corinthians, Cruzeiro, São Paulo e Palmeiras. Acho difícil sair disso. O São Paulo pode ser o maior fiasco do campeonato, mas esta frase decorre de minha conhecida ranhetice. E o Timão dependerá da sorte e do fôlego do Nove. Grêmio, Flamengo, Fluminense, Sport e Santos estão no segundo grupo, o dos times que podem sonhar um pouco mais. Botafogo, Coritiba, Atlético Paranaense, Vitória e Goiás estariam no grupo do alerta. E, infelizmente, o Náutico, o Galo e o Avaí acompanham Santo André e Barueri na sala do desespero.
Estão lançadas as primeiras pedras para o debate. Vai ser um grande encontro!!! Chego sexta feira, antes das dez da noite. Dá tempo de tomar uma na piscina.
Outro dia, fui ultrapassado por Nelson Piquet. Estava descendo a via que dá acesso à Ponte JK e vi um carro antigo pelo retrovisor. Branco, sem capota, linhas dos anos 50. Pensei que era um colecionador, um velhinho desses que chegaram à capital antes de ela ser capital, nos tempos do Juscelino. De repente, o carro acelerou de tal forma que me tomou a esquerda e emplacou reto rumo à ponte.
Piquet de calhambeque. Uma ironia. Um carro do passado. Claro que o calhambeque estava turbinado, provavelmente como ele fazia na Williams. E claro que aquela ultrapassagem não foi tão emocionante quanto a do Grande Prêmio da Hungria, em 1986. Piquet ficou literalmente na perpendicular do carro de Senna naquela vez.
Na Hungria, há uma reta imensa, não tão grande quanto essa da Ponte JK, mas propícia para ultrapassagens. Na primeira tentativa, Piquet acelerou no início da reta e foi para frente de Senna no final. Só que teve de frear no fim da reta, quando ela virou uma curva de 90 graus. O problema é que essa freada fez com que o Senna recuperasse a posição. Nada de ultrapassagem.
Então, lá foram eles para a volta seguinte. Ali se deu o momento fatídico. Piquet acelera na reta novamente e passa o carro preto do Ayrton. Quando chega a curva de 90 graus, Senna se aproxima para retomar o primeiro lugar. Aí veio a manobra decisiva. Piquet fecha Ayrton com a lateral do carro. Uma fumaça sai dos pneus de sua Williams bufando para que Senna não acelere até o limite de baterem. Senna resiste e não segura o carro. Há um quase-toque e Piquet ganha a posição.
Confesso que só reparei que era o Piquet porque tinha um “pardal” logo à frente e ele teve que desacelerar. Curioso como até os Piquets têm que desacelerar na ultrapassagem. Os carros são feitos com potência de 220 km por hora, mas as pistas nos limitam a 80 km. E ficamos cada um com a sua própria cota de velocidade. Existem sujeitos que só vão a 60 na pista de 80. E há outros que só andam a 120 na pista de 80. Uns querem andar o dobro do que os outros. As regras são iguais para todos. Mas cada um faz o que quer nessa sociedade individualista e confusa.
Jackie Stewart disse que aquela ultrapassagem foi como dar um “looping” com um Boeing 737. Pois Piquet tem um avião e, nos dias em que vejo uns jatinhos nos céus da capital, sempre me pergunto se não é ele que está lá em cima e se não terei o privilégio de ver um “looping” e aplaudir do quintal de casa. Ou quem sabe, nos esbarramos numa curva de 90 graus e serei novamente ultrapassado. Passado.
Nosso diário eletrônico não poderia deixar de registrar a bela homenagem do capitão corinthiano ao Botafogo. O corajoso time da estrela solitária, apesar das críticas ferozes, segue determinado rumo ao dodeca vice-campeonato. O diário confia no Fogão.