Promotor sugere estádio do Morumbi para Parada Gay de 2010
Estádio do Morumbi Casa do São Paulo Futebol Clube foi sugerida por promotor como local da Parada Gay de 2010
SÃO PAULO - A tradicional Parada Gay, evento realizado anualmente na cidade de São Paulo, pode mudar de local. O evento sempre ocorre na Av. Paulista, mas diante dos últimos acontecimentos e casos de violência registrados, o Ministério Público de São Paulo sugeriu o deslocamento da festa e um dos locais citados é o estádio do Morumbi.
"Uma alternativa é diluir em outros eventos [menores], para que possa ser utilizado o Sambódromo, o autódromo de Interlagos, até o estádio do Morumbi, que é um local apropriado para manifestações dessa natureza", disse o promotor José Carlos Freitas, responsável pelo inquérito, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.
Para José Carlos, as declarações de Gilberto Kassab reforçam a necessidade de mudança já para 2010. O prefeito já afirmou que a Paulista "cada vez mais se mostra inadequada para os eventos", mas que seriam necessário os laudos técnicos.
O crescimento da Parada Gay é claramente notado através dos anos. Um relatório da Polícia Militar afirma que o evento foi de 2.000 participantes, em 1997, para 3,1 milhões na edição de 2009. Neste ano foram registradas 691 ocorrencias, contra 324 em 2005.
A Dona Morte, senhora de mãos frias, salvou, com muita serenidade e sabedoria, mais um semideus de um fim grotesco. Com todo o respeito, pena que ela não fez isso com o Ozzy e o Gene Simons.
Ele era o craque da segunda estrofe (aquela que vem depois do refrão)
Essa era uma das minhas favoritas:
People always told me be careful of what you do And don't go around breaking young girl's hearts She came and stood right by me Then the smell of sweet perfume This happened much too soon She called me to her room
*
Mas, muito antes disso, ele havia escrito essa:
And oh - I'll be there to comfort you, Build my world of dreams around you I'm so glad that I found you I'll be there with a love that's strong I'll be your strength, I'll keep holding on *
Essa, em parceria com o Paul e uma guitarra em escala descendente no fundo, é fantástica:
You never ever worry And you never shed a tear You're sayin that my love aint real Just look at my face these tears aint dryin' *
Outra parceria com o Paul (Beatles e Michael Jackson é covardia):
(Paul) I love you more than he (Take you anywhere) (Michael) But I love you endlessly (Loving we will share) (Michael & Paul) So come and go with me Two on the town (Michael) But we both cannot have her So it´s one or the other And one day you´ll discover That she´s my girl forever and ever *
E essa ele fez para cantar em 45 vozes. Esse trecho é melhor que o refrão:
When you're down and out, there seems no hope at all But if you just believe theres no way we can fall Let us realize that a change can only come When we stand together as one *
Literalmente, o cara era um monstro:
You hear the door slam And realize there's nowhere left to run You feel the cold hand And wonder if you'll ever see the sun You close your eyes And hope that this is just imagination But all the while You hear a creature creepin' up behind You're outta time
Somos vizinhos há mais de dez anos. E raramente nos vemos no condomínio. Moramos em prédios diferentes, e jamais fora a seu apartamento. Nossos filhos, porém, são amigos. Jogam bola e participam de torneios de videogame no salão de festas. Na noite de sexta-feira, o vizinho do 74 era o nome mais falado da cidade. Todos os telejornais e sites divulgavam com alarde que ele havia sido demitido do emprego. Um emprego e tanto! E, então, decidi visitá-lo.
Resolvi interfonar para não usar a prerrogativa de ser vizinho. Ele não estava, mas deixei recado com sua mulher que se chegasse e estivesse disposto a conversar, me telefonasse. Poucos minutos depois, ele ligou e pediu que fosse até lá. No caminho, fiquei pensando que deveria estar cercado de gente, de amigos, ex-companheiros de clube ou coisa parecida. Qual não foi a minha surpresa quando me recebeu com a porta já aberta e sozinho na sala.
Ao contrário do que imaginava, estava tranquilo e sereno. Sem nenhuma ponta de mágoa, rancor, bronca. Parecia ter tirado um peso das costas. Seu rosto revelava a certeza de que havia saído de cabeça erguida e com a sensação do dever cumprido. Fora o momento que se queixou de Cuca, por ter ligado ao presidente Juvenal para pedir conselho se deveria sair ou continuar no Flamengo, atitude que ele enxergou como falta de ética, o vizinho conversou sobre tudo com muita tranquilidade.
Para ele, a diretoria anda mais preocupada com o Morumbi do que com o time. Os cartolas só pensam no estádio, na Copa do Mundo de 2014, e os problemas do time ficaram em segundo plano. E havia problemas no elenco. Falta de parceria, disse. Que eu entendi como ciumeira de alguns jogadores com os novos que chegaram este ano.
Sem levantar a voz ou tentar se desculpar pelos maus resultados, o vizinho lamentou não ter conseguido Conca como reforço. "Ele esteve duas vezes aqui, mas o negócio não vingou", disse. Um bom meia de ligação teria feito o time jogar diferente, com mais liga entre a defesa e o ataque, sem precisar jogar à base de lançamentos longos para o setor ofensivo.
O vizinho desconfiava que, mais cedo ou mais tarde, a demissão iria acontecer, porque ele não tem o jeitão que alguns dirigentes imaginam para um técnico do São Paulo. Não é de frequentar bons restaurantes para fazer companhia aos cartolas, não gosta de interferências na contratação de reforços e acredita até que a maneira de se vestir deixava essa turma incomodada. "É o meu jeito, simples, sem frescura, sem afetação, que as vezes eles não gostam."
Toquei na decisão que tomamos em não mais ouvi-lo depois de uma entrevista que achei grosseira . Ele disse que não guardou mágoa e que somos meio parecidos na defesa de quem trabalha com a gente. Até os filhos brincaram com ele, achando que andava meio rabugento.
Já era de madrugada quando fui embora. Um pouquinho antes de sair, chegaram Pi e Fabinho, dois de seus três filhos. O vizinho me contou que o Pi (sou testemunha que joga muita bola) voltou muito irritado do Morumbi depois da derrota para o Cruzeiro e prometeu não torcer mais pelo São Paulo. O vizinho discordou do filho e disse que não podia abrir mão de sua paixão, que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Voltei para casa com a impressão de que meu vizinho é mesmo aquilo que diz. Gosta de ficar em casa, em companhia da família, dos cachorrinhos que leva sempre para passear, de lavar louça para passar a ansiedade e de ir ao sítio em Ibiúna para descansar. É um cara simples, um trabalhador do esporte. Sem banca, sem arrogância, não tem nada de "professor".
Ele sabe que foi a derrota da arquibancada para a numerada. Mas sabe também que saiu por cima. A torcida gritou seu nome a todo instante, e isso ele não esquecerá nunca. Quer dar uma parada, já jogou no lixo tempos atrás uma proposta milionária do Catar, mas não creio que fique parado por muito tempo. Continuo achando que precisa ter mais educação nas entrevistas, após uma partida, mas me conquistou pela sinceridade e autenticidade.
É um bom sujeito o vizinho do 74. Boa sorte para ele.
Por JOSÉ TRAJANO
Roubei do vizinho: http://blogdojuca.blog.uol.com.br/
Dinheiro fácil! US$ 5 mil para fazer um gol num jogo no Vietnã
Da agência Estado:
Denilson deixa time no Vietnã após marcar gol em partida
REUTERS
HANOI - Depois de jogar metade da uma partida com o clube Hai Phong Cement, do Vietnã, o brasileiro Denilson chocou os torcedores ao deixar a equipe por causa de uma lesão, informou a Federação do Futebol do Vietnã (VFF).
Denilson, que já foi o jogador de futebol mais caro do mundo, fez um gol de uma jogada livre nos primeiros minutos de sua única aparição na liga vietnamita no domingo para ajudar o Hai Phong Cement a derrotar o ex-campeão Hoang Anh Gia Lai por 3 x 1.
Ele saiu no segundo tempo quando o técnico viu que um machucado na perna direita estava impedindo-o de jogar, informou o Vietnam News.
A VFF disse que ele deixou o time na terça-feira e planejava sair do país.
"Mais uma vez, torcedores estiveram tão chocados quanto surpresos há alguns dias com sua aparição", disse a VFF.
Denilson não jogou duas partidas anteriores, enfurecendo os fãs esperançosos, antes de fazer sua estreia no domingo.
O brasileiro, de 31 anos, chegou à cidade portuária ao norte do Vietnã no início deste mês após meses de bajulação. A transferência encantou os torcedores da equipe da liga vietnamita.
Mas sua rápida saída certamente irritou torcedores do Hai Phong, conhecidos por suas arruaças.
Na última sexta-feira, a federação proibiu os torcedores do time de assistirem jogos com roupas que levam os símbolos do time ou o nome, informou o site da equipe.
A decisão foi tomada após os torcedores do Hai Phing entrarem em confronto com a polícia paramilitar em Hanói quando o time perdeu uma partida.
Denilson foi assunto de uma transferência recorde em 1998 quando o Real Betis pagou mais de 35 milhões de dólares para assinar com ele.
O relatório da VFF informou que o contrato do brasileiro apenas estipulava pagamento para partidas jogadas. Ele recebeu 12 mil dólares pela partida e um bônus de 5 mil dólares pelo gol, informou o site do jornal Ngoisao.
Hoje o Presidente Inácio visitou o Morumbi. Lance de Copa, coisa e tal. Desceu de helicóptero, provocou o Raí, foi aos vestiários, visitou a lojinha.
Assim relata o G1:
“Na loja do Morumbi estão expostas as taças conquistadas pelo São Paulo. O fato foi suficiente para gerar brincadeiras entre os presentes.
- Essa aqui vocês não vão ter – disse o prefeito tricolor Gilberto Kassab, apontando para a taça do Mundial e se dirigindo ao governador palmeirense José Serra.
- Mas essa aqui nós temos – respondeu Serra apontando para a taça da Libertadores.
Ao lado dos dois, o presidente corintiano, André Sanchez, completou:
- E nós um dia vamos ter.”
Tá aqui: http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL1205316-9825,00-LULA+VISITA+MORUMBI+E+IMITA+RAI.html
Ok. Depois de muito silêncio, de curtir bem curtido, vai o desabafo.
O texto é longo e chato. Mas foi o que saiu, para a ocasião.
Um grande abraço ao Ricardo, aniversariante do dia.
E um brinde ao Murici.
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Bolonistas....
A bola pune. Uma das frases mais interessantes dita pelo treinador Murici Ramalho ao longo de três anos e meio dirigindo o tri campeão brasileiro de futebol. Uma frase, mas um vaticínio.
O bom, o ótimo, o torcedor Murici Ramalho foi o responsável pela impossível seqüência de três conquistas consecutivas no campeonato nacional. A magistral recuperação no campeonato do ano passado, quando no início do segundo turno estávamos a mil pontos do líder do certame, o valente Grêmio. A espetacular consagração de 2007, com um time que levou pouquíssimos goles e que ganhava as partidas dentro e fora de casa com uma rigorosa e deliciosa disciplina. E a vitória de 2006, sem sustos, sem devaneios, sem mistérios.
Mas o excepcional treinador não conseguiu se sair bem no certame continental. A paixão da torcida pela Libertadores da América, uma fixação de novo rico, definitivamente, confere ao torneio das Américas um valor inestimável. Foram quatro derrotas, na seqüência, e para times brasileiros. Os mesmos times brasileiros que se acostumaram a ver o São Paulo com a faixa de campeão no torneio local. Perdemos do Internacional com imensa altivez, com um jogo disputado até a última centelha, numa disputa renhida. Perder uma final de campeonato é a pior experiência para um torcedor. Mas perder com garra, lutando e tentando compensa, um pouco. Foi assim que saímos de Porto Alegre. Mas não foi assim que saímos no ano seguinte, perdendo para o Grêmio, num jogo feio, com um time tímido, acuado, que não chutou uma bola no gol. Perder daquele jeito é triste e enche a paciência, mas a dor fica de escanteio, porque não se sente quando não houve ímpeto. Depois, perdemos do Fluminense. E sem desmerecer o Tricolor Carioca, que tinha um timaço no papel, mas pessimamente treinado, perdemos para a sorte. Jogamos e não merecemos perder no último minuto, num lance fortuito. Dodô marcou um gol decisivo e convenhamos, Dodô e decisão não são tão íntimos assim. Enfim, perder para a sorte entristece e a dor aparece, mas controlada com uma ponta de resignação. E, por fim, quarta feira última, perdemos e fomos eliminados pelo Cruzeiro. E é esta a derrota emblemática, porque o time não jogou nada, não se dedicou nada, se entregou como presa. E se não houve ímpeto houve desleixo, desídia, corpo mole. Perder deste jeito entristece, mas dói. Avilta, machuca. Futebol não é uma questão de vida e de morte, como teimam alguns imbecis de cátedra. É, na verdade, afeto e um pouco da extensão de nossas infantilidades, de nossa criancice. Perder sem alma é perder exatamente este afeto, esta lembrança de pés descalços, esta memória de figurinhas de bafo. Perder sem alma é lembrar que sonhos não são para adultos.
A bola pune. E por isso estamos nesta situação esdrúxula de mandar embora o treinador três vezes campeão nacional. Mas a diretoria do SPFC tem tido esmero em revelar uma soberba incompatível com as vitórias do time. Saber ganhar é tão importante quanto saber perder. Uma diretoria que não sabe ganhar, não sabe perder. Simples assim. Algo precisava mesmo ser feito. O time sem alma revelava entranhas doentes, panelinhas, desgastes, humores terríveis, falta de ambição, acomodação. E é verdade, também, que em casos como este esperar pode significar desandar. Mas um pontapé nos fundilhos, colocando a responsabilidade integral nas costas do treinador e torcedor, sem que ninguém viesse ao público para explicar que o time precisava de mudanças por inúmeras razões, para assumir responsabilidade pelo insucesso e, principalmente, porque é natural que haja vencedores e derrotados, que nem sempre seremos campeões - embora sempre seremos dentre os grandes, o primeiro – foi de uma crueldade absurda. A bola pune. A bola vai reconhecer os méritos e os deméritos. E o São Paulo Futebol Clube será punido. Que seja breve o nosso infortúnio.
Nós torcedores vamos curtir nossa ressaca. Vamos esperar. E vamos cantar o nome de Murici, como cantamos o nome de Telê. Que Ricardo Gomes tenha paciência, mas saiba que a diretoria que o acolhe neste instante não é muito afeta a assumir erros. Que Ricardo Gomes consiga encontrar eixo, prumo e trilho. E que saiba reconhecer no ditado da bola que pune lições.
E sábado é dia de torcer, como sempre.
“Vai lá vai lá vai lá..... vai lá de coração.... “vâmo” São Paulo “vâmo” São Paulo.. “vâmo” ser campeão.”.
Nunca fui um torcedor de estádio. Talvez por ser filho de família palmeirense, minhas glórias futebolísticas sempre vieram pela voz do Silvério, do Fiori Giglioti, do Osmar Santos ou pelas imagens de uma TV qualquer. E cresci, como todos da minha geração, ouvindo falar dos gols do Pelé, dos passes do Ademir, dos elásticos do Riva - todos eles acompanhados ali, sob a garoa do Pacaembu, sem divisão de torcida e com uma conha acústica no lado oposto dos portões principais.
Desde que voltei para São Paulo e fui morar perto do nosso estádio (ou alguém ainda tem dúvida que o Paulo Machado de Carvalho, que ironia, é alvi-negro?), decidi acompanhar de perto os jogos do Corinthians. Acompanhei aflito o nosso rebaixamento, vibrei a cada ponto conquistado na série B, na Taça São Paulo, no Paulistão, na Copa do Brasil. Muita cantoria, algumas alegrias, um time em construção. Pouca coisa a relatar. Mas ontem foi diferente. É bom demais ver um ídolo como o Ronaldo em campo. Pesado, arriscando pouco, meio parado. E genial nas poucas oportunidades que apareceram. E o gol. Nunca fui um torcedor de estádio. Tenho pouco a contar aos meus sobre o que vi nos estádios de futebol. Mas vi um gol do Ronaldo, o maior artilheiro das Copas do Mundo, o fenômeno, o cara que deu a volta por cima. Não sei como termina esta história. Talvez isso não seja tão importante. O que vale é o que contamos aos nossos filhos, a nossa mitologia esportiva pessoal. E ontem eu assiti a um dos grandes capítulos desta história.
Pedaços futebolísticos de uma dissertação de mestrado...
Os meios de comunicação se apresentam como potencialidades e a dificuldade em analisá-los está justamente na visão que temos, na sociedade como um todo, de suas potencialidades expostas simultaneamente. Lemos o jornal pela manhã, entramos no carro e ligamos o rádio. Chegamos ao trabalho e nos conectamos à Internet. Falamos ao celular e vamos almoçar, enquanto assistimos à televisão. Estamos permanentemente ligados aos meios de comunicação. Neste contexto, é difícil verificar quem possui a primazia de nos informar. Quem dá a notícia primeiro? Quem melhor contextualiza os fatos? Soubemos dos atentados de 11 de setembro pelo rádio, pela televisão, pelo celular ou pela Internet?
O mesmo acontece quando presenciamos pessoalmente um evento mediático. Temos uma impressão pessoal ao estarmos lá e, depois, uma percepção diferente quando vemos a sua descrição por um veículo de comunicação. Um jogo de futebol é uma coisa se presenciado das arquibancas, onde se pode literalmente gritar com os atletas e o juiz, e outra se visto na mesa redonda da televisão, onde se torna uma sucessão de palpites e replays. A imagem do gol pela câmera é diferente da visão presencial do gol pelas arquibancadas. No jogo decisivo do Campeonato Brasileiro de 2008, observei a 100 metros de distância o exato momento em que a equipe do São Paulo marcou o gol que lhe deu a vitória pelo placar de um a zero sobre o Goiás. Naquele instante, achei que o gol havia sido marcado pelo meio-campista Hugo. Logo após o gol, o placar eletrônico do estádio confirmou a minha expectativa ao informar que o gol fora de Hugo. No entanto, recebi mensagem pelo celular de meu irmão que acompanhava o jogo pela televisão indicando que o gol fora do atacante Borges e que ele estava impedido por 1,08 metro. Após o jogo, assisti a um programa de televisão em que um dos comentaristas ficou impressionado com o fato de o juiz da partida ter dado o gol para Hugo, quando a imagem era clara ao mostrar que Borges foi o último jogador a chutar a bola para o gol. O comentarista é um ex-árbitro de futebol e chegou a dizer que o juiz deveria estar cego ao não perceber o toque feito por Borges. De fato, se Borges não tivesse tocado na bola ela sequer seria direcionada para o gol, iria para escanteio. Porém, no ponto da arquibancada em que eu estava, todos tivemos a impressão de que foi Hugo quem mandou a bola para o gol. Talvez, o juiz tenha tido a sua percepção do jogo alterada pelos gritos constantes dos torcedores pedindo o gol sempre que a bola chegava perto da área defensiva da equipe do Goiás. Os pedidos eram tão fortes em intensidade que envolviam o estádio como se fossem um mantra. Esse mantra – a repetição contínua da palavra “gol, gol, gol” gritada pela maioria dos torcedores no estádio – também não foi captado com a mesma intensidade pela televisão.[2] De modo que a percepção de quem está presenciando o evento ao vivo, às vezes, pode não trazer o fato com exatidão. Aqui, a percepção dos meios de comunicação, no caso da televisão, com os seus sistemas de replay e de “congelar” a imagem, é que trouxe para as pessoas no estádio o relato do que aconteceu de fato: o autor do gol e a sua posição exata de impedimento.
[1] Ver o artigo “Amor sem pudor”, de Jonathan Franzen, veiculado na revista americana TechnologyReview e publicado no Brasil pela Folha de S.Paulo, no Caderno Mais, p. 3-6, em 16 de novembro de 2008.
[2] A partida de futebol a que me refiro foi Goiás e São Paulo, realizada no Estádio Bezerrão, na cidade de Gama, próxima de Brasília, em 7 de dezembro de 2008. O programa de televisão aqui referido foi o “Terceiro Tempo”, exibido na TV Bandeirantes, na mesma data, às 22h. O ex-juiz que atua como comentarista é Oscar Roberto Godói.
O que notamos, portanto, é que os meios de comunicação modificam a percepção dos eventos através de diferentes suportes utilizados. Quem assistiu ao vivo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva falar a palavra “Sifu” durante um discurso certamente riu da expressão.[1] Ele estava discorrendo a respeito da crise internacional da economia e comparou-a à situação de um paciente doente. Então, Lula disse que podemos dizer ao paciente que ele está mal, mas que tomará um remédio e ficará bem. Ou, podemos dizer: “Meu, sifu”. A expressão utilizada pelo presidente foi absolutamente inusitada e levou todos os presentes às gargalhadas. Ele mesmo riu marotamente com o canto da boca quando falou. Foi um evento cômico para quem estava presente naquele salão. No entanto, na televisão, a comicidade do evento não se deu por completo, pois já se tratava de um registro, onde só podemos ver a face do presidente em “close”. Pela TV, não vimos as pessoas na sala, naquele ambiente de pretensa seriedade presidencial, serem, de repente, aturdidas por um palavrão pronunciado pela mais alta autoridade do Executivo do país. O JornalNacional, da TV Globo, qualificou a expressão de “extravagante”. Ainda assim, a cena ganhou alguma graça na TV, pois manteve um caráter inusitado e a imagem do sorriso do presidente. Já nos jornais, a descrição da cena ganhou ares de moralismo, com várias manchetes como: “Presidente usa palavrão em discurso”. Aqui, a comicidade se perdeu e virou crítica ao presidente. O relato perdeu o seu caráter de proximidade e tornou-se excessivamente formal. De modo que os meios podem levar a mensagem a ganhar contornos diferentes. O evento que foi cômico ao vivo pode se tornar extravagante na televisão ou impróprio no jornal impresso.
O problema das diferentes percepções de um mesmo evento surgiu, com mais intensidade, a partir da década de 1960, com o advento da TV, e a constatação, de maneira mais constante, do fenômeno de coexistência entre os meios. “Depois da TV muitas coisas já não funcionam tão bem”, escreveu McLuhan. “Tanto o cinema como as revistas de âmbito nacional foram duramente golpeados por esse novo meio”, completou. Segundo o teórico canadense, antes da TV as pessoas não ficavam excessivamente preocupadas caso uma criança abandonasse a leitura. Depois, essa preocupação tornou-se constante. Assim, a TV teria levado a um declínio, inclusive nas estórias em quadrinhos.[2] Em outra passagem, ele relata como, a seu ver, o meio TV afetou o jornalismo:
Se o telégrafo abreviou a sentença, o rádio abreviou as estórias noticiosas e a TV injetou o tom interrogativo no jornalismo. De fato, a imprensa é hoje (1967) não apenas um mosaico de todas as tecnologias da comunidade. Mesmo na seleção dos que fazem notícia, a imprensa prefere aqueles que já alcançaram alguma notoriedade no cinema, no rádio, na TV e no teatro. Por aqui se pode testar a natureza do meio-imprensa, pois aquele que aparece apenas no jornal é, pela razão acima, um cidadão comum.[3]
[1] A expressão “Sifu” é comumente utilizada por pessoas que falam palavrões e significa “se ferrou” ou numa acepção mais pejorativa “se fudeu”. O presidente Lula utilizou essa expressão durante discurso realizado em 4 de dezembro de 2009.
[2] M. McLuhan, Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem, p. 350.
Coluna da Mônica Bergamo, Folha de São Paulo (10/06/09)
E AGORA, LÉO? Frequentadores do tradicional Bar Léo, de 69 anos, famoso por um dos melhores chopes da cidade, estão preocupados com o que acontecerá com o local que está na área da Nova Luz, que será revitalizada nos próximos anos. O gerente, Waldemar Pinto, diz que a mudança do boteco é inevitável. "Vai ficar tudo caro por ali. Melhor sair logo." Ele diz temer que o Léo perca o "glamour" em outro lugar.
O ator americano David Carradine, encontrado enforcado na quinta-feira (4) em seu quarto de hotel em Bangcoc, talvez tenha morrido devido a um ato sexual que terminou em tragédia, indicou nesta sexta (5) a Polícia tailandesa.
"Uma corda estava presa em torno do seu pescoço e uma outra em seu órgão sexual. As duas estavam ligadas uma à outra e penduradas no armário", declarou o general Worapong Siewpreecha da Polícia Metropolitana de Bangcoc.
"Nestas circunstâncias, não podemos estar seguros de que tenha cometido um suicídio, pois ele pode ter morrido (em um acidente) de masturbação", afirmou.
E eu que achava o "five point palm exploding heart technique" grande coisa...
A Copa Europa foi duramente prejudicada por uma dissertação de mestrado. A média de gols caiu dramaticamente levando a fatos inéditos: pela primeira vez o Futebol de Botão teve inveja do futebol de campo. Vimos empates fantásticos em 4x4 no campeonato inglês, enquanto se sucederam placares mixurucas, como 2x0 e 2x1 no botão.
Os livros foram os grandes culpados. Colocados em sucessão em cima do campo criaram duas grandes áreas de tortuosidades. O gol próximo da janela está declinado para frente e o gol que fica perto do computador ficou torto para a esquerda. Como é possível jogar num campo assim? Telê ficaria petrificado!
O espanhol Manuel Castells, com o seu A Sociedade em Rede, é apontado como um dos maiores vilões do torneio. O livro é um catatau de mais de 600 páginas (e ainda vem com prefácio de FHC, o boca-mole). Gerou a tortuosidade extrema no gol da janela. Outros autores também provocaram as quedas em sucessão no gramado, como o português Nelson Traquina (três livros de 200 pgs cada) e o francês Dominique Wolton (quatro livros que envergaram o gol do computador para a esquerda prejudicando inúmeros ataques).
A Fiba já estuda a proibição desse tipo de atividade nos próximos anos.
Grupo 1
Alemanha 1x3 Croácia (3 gols do Eduardo)
Áustria 2x0 Croácia (zebra)
Alemanha 7x1 Áustria (austríacos sempre abrem as pernas para os alemães)
Grupo 2
Dinamarca 3x3 Bulgária (bom jogo)
Itália 4x2 Bulgária
Itália 1x0 Dinamarca
Grupo 3
Bélgica 2x2 Montenegro
Grécia 0x1 Bélgica
Grécia 2x1 Montenegro
Grupo 4
Portugal 2x1 Turquia
Rússia 1x2 Turquia (gol do Marco Aurélio)
Rússia 2x4 Portugal (Deco e Ronaldo fizeram 2 gols cada)
Grupo 5
Romênia 2x0 Eslovênia
Inglaterra 2x0 Eslovênia
Inglaterra 5x2 Romênia
Grupo 6
França 2x1 Israel
Suécia 4x2 Israel
França 5x1 Suécia (Henry acabou com o jogo)
Grupo 7
Irlanda 2x1 Irlanda do Norte
Holanda 4x2 Irlanda do Norte
Holanda 2x2 Irlanda
Grupo 8
Polônia 2x0 Suíça
Sérvia 2x2 Suíça (Petkovic fez um golaço)
Sérvia 2x1 Polônia (outro belo gol de Pet)
Grupo 9
Ucrânia 2x2 Hungria
Espanha 2x0 Hungria
Espanha 3x0 Ucrânia
Grupo 10
Noruega 1x1 Escócia
Tcheca 2x2 Escócia
Tcheca 5x5 Noruega (finalmente, um jogão)
Na segunda fase, Alemanha, Itália e Portugal caíram no grupo da morte:
Ontem perdi a conta do número de anúncios na camisa do Sport Club. Até no sovaco tinha publicidade, mórbida, de desodorante. Não gosto. A camisa branca do Clube Paulista é bonita, elegante. O distintivo tem lá seu charme. Mas tudo fica perdido, esquecido, maltratado, ignorado e poluído naquele mundaréu de cores, palavras, anúncios.
Meu anacronismo anda martelando como nunca. Tenho receio de não querer mais ver jogos de futebol profissional. Assusta este pobre idiota que ninguém reclame da poluição visual que invadiu uma das mais célebres camisas do desporto nacional.
Os times mudam as cores de seus mantos em razão de interesses comerciais. Colocam no verso do calção dos jogadores abundantes anúncios. E parece que não há mal nenhum nisso. Normal, normalíssimo, perfeito. Sinal dos tempos, da modernidade, do universal, do fatal.
Propagandas nas golas da camisa, nos punhos, nas dobras. Um monte de letras miúdas embaralhando tudo. Será mesmo que alguém resolve viajar para algum lugar, comprar uma esfiha ou investir numa financeira em razão de um patrocínio na camisa de um time de futebol? Na minha idiotia crônica, contumaz, reiterada, reconheço que a “marca” estampada fixa na memória. Lembraremos daquela marca de pneu que patrocina o time tal. Do carro que veicula comercial no clube de acolá. Mas esta fixação resulta no que?
Resulta em sonhos desfigurados. Resulta na dúvida constante se os interesses comerciais também não manipulam o próprio jogo, o resultado, as escalações, o campeonato. Resulta em camisetas estapafúrdias com tantas cores que algum desavisado pode achar que tem azul no pavilhão de um rubro negro. Camisetas que parecem fruto de pura pirataria, pilhagem.
Na várzea, saborosa como groselha, os times também desfilam um sem, e por vezes cem, números de “patrocinadores”. Mas o Mercado do João, a Quitanda da Lúcia, a Mecânica do Abel, são um pedaço da alma daquele time. Na alma do São Paulo Futebol Clube não tem “fast food”, eletrodoméstico, companhia de aviação. Para nós, eternos guris, a alma está na gente. No pai, no avô, no vizinho, na professora de educação física.
O futebol é um produto, vão me responder. É... talvez estejam certos. Talvez seja mesmo necessário impedir que nos estádios compareçam duas torcidas. Talvez seja melhor comprar o “pague para ver” da televisão a cabo, uns amendoins de plástico e umas anedotas de sacristia. O produto fica melhor assim, asséptico. Os olhos então podem perceber as maravilhosas engenhocas disponíveis para o nosso santo consumo diário.
Não, não é uma confraria. Não é também um palco de discussões. Nem de desabafos. Nem é sobre futebol.
Este blog, senhores, é um abraço.
O que não é pouco.
Nesta lida, que rouba um pouquinho do nosso lirismo a cada bater de ponto, nesta falta de tempo, neste aperto da gravata, na crueza do martelo que amassa cada restinho dos nossos sonhos, não é pouco.
Um comentário de um amigo querido em um texto qualquer é um recado: estou aqui, um pouco distante, mas aqui. A crônica do Amaral, contando do malte sorvido em Uberlândia, nos lembra que aquele encontro não ocorreu, mas poderia. E ocorrerá.
Cada linha, cada caco de pensamento deixado aqui, é um abraço.
É justamente este o abraço que deixo em cada um, no momento em que começo a mais deliciosa contagem regressiva de minha vida.
No momento em que, dentro de minha Ana, com 14 mm, inicia sua jornada aquele (a) que já mudou (e mudará deliciosamente) toda a minha vida.
Não consigo escrever direito, afogado na mais completa felicidade que já senti.