O comentário do pai de Felipe Massa, popularmente conhecido como Titônio, foi em tom de brincadeira, mas ilustrou bem o drama vivido por seu filho ao ser atingido no capacete pela mola que se soltou da Brawn GP de Rubens Barrichello durante o treino classificatório do GP da Hungria.
Titônio comparou o impacto da peça - cerca de 150 kg - a um soco desferido pelo ex-peso-pesado Adílson Maguila Rodrigues. Mas o ex-pugilista e hoje cantor de pagode garante que sua pegada era bem mais forte do que isso.
"No auge da minha carreira, meu soco chegava a 280 kg. Era o segundo mais potente do mundo. Só o Foreman batia mais forte do que eu", afirmou. "Não tinha nem para o Holyfield. Ele tinha sequência, mas eu tinha pegada", gaba-se.
Maguila conta que assistiu, horrorizado, pela TV, ao acidente de Felipe Massa. "Sorte que bateu nos pneus. Se fosse que nem o Senna, no muro, aí, já era".
Sem medir as palavras, Maguila não livrou a cara de Rubens Barrichello, que teve envolvimento de forma involuntária no acidente. "Esse Rubinho só atrapalha. Não ganha nada e ainda cria problema. Quase matou o Massa. É f...".
O ex-campeão sul-americano de boxe gostou de ser lembrado pelo pai do piloto da Ferrari, mas disse que não é hora de brincadeiras com o estado de Felipe Massa.
"Que Deus o abençoe e a toda a sua família. São todos gente muito boa. Ele tem de ficar bom logo para brilhar nas pistas", despediu-se Maguila, dando uma canja do seu novo repertório.
Nada de socos ou esquivas. O CD está quase pronto para sair e ele agora só quer saber de cantar sambas de nomes como Zeca Pagodinho e Bezerra da Silva. Assim, seguiu cantarolando um refrão bastante conhecido: "Malandro é malandro, mané é mané...".
Fonte: Site do Terra http://esportes.terra.com.br/automobilismo/formula1/2009/interna/0,,OI3897540-EI14151,00.html
Tem sujeito que fica três anos com a mesma garota. Depois, se separa e passa mais de um mês em casa, meio deprimido, pensando no que aconteceu para que o relcionamento se desgastasse. Até que, finalmente, decide sair de casa e partir para outra. E quando apresenta a nova namorada aos amigos (que não é bem "a namorada", mas apenas aquela que ele está ficando), faz essa cara aí...
Giovanni Arrighi, ao analisar a hierarquia das nações no sistema mundial, utilizava largamente a expressão semiperiferia. Referia-se aqueles paíse que acumulavam o suficiente para se distanciar da pobreza dos países periféricos, mas não acumulavam o suficiente para alcançar a riqueza dos países do núcleo orgânico do sistema. Uma característica comum a muitos destes países era a polarização interna - de um lado, o grosso da população, próxima da pobreza dos periféricos; de outro, uma minoria, sonhando com os shopping centers de Miami.
Mais ou menos como o campeonato brasileiro. Bom o suficiente para ser melhor que, sei lá, o campeonato mexicano. A milhas de distância, porém, de um campeonato organizado, sei lá, do campeonato inglês. De um lado, a maioria dos times lutando pra não fechar. De outro, alguns poucos sonhando com esta bobagem de campeonato mundial, em que por um único jogo achamos que pertencemos ao primeiro time. Tal qual a nossa elite.
Até quando seremos meros exportadores de commodities? Quando cumpriremos o desafio furtadiano e unificaremos nosso mercado interno, internalizando nossos centros de decisão e fazendo um ampla reforma social? Quando criaremos um campeonato de verdade, sem janelas de julho e agosto, reduzindo as desigualdades regionais e criando as condições para que os nossos jogadores permaneçam por aqui?
Corinthians X Sport, 21h, Pacaembu. Dia de levar a família ao futebol. O valente time de Recife, comandado por Leão, não parece um adversário duro de bater. E sempre há a possibilidade do fenômeno, que, sozinho, já vale o ingresso e umas fotografias pra garota botar no Orkut.
Primeiro tempo, alguns toques de bola e Ronaldo quase marca. Contra-ataque do Sport: 0X1. Família meio cabisbaixa. E lá penso com meus botões - o Corigão voltou. Vai ser sofrido. Como sempre foi.
Segue a peleja. Dois cruzamentos pefeitos e tá lá no marcador, 2x1 - Ronaldo e Ronaldo. A torcida vai a loucura. Um ídolo é um ídolo, um craque é um craque, mas um fenômeno é um fenômeno. A torcida ri à toa a cada lance do número 9. Dá gosto de ver, a morte da objetividade. É bom porque é bom, porque é imprevisível, porque dá pra mandar a bola nele que alguma coisa sempre acontece.
Intervalo. Chocolate, coco e limão. Banheiro químico e mais Ronaldo no telão.
Vira o campo, agora atacamos pro Tobogã, pertinho de onde estamos sentados. Toca aqui, toca ali. Cristian, um monstro em campo, faz 3 x 1.
Acho que agora dá pra relaxar. Torcer por mais alguns do fenômeno. O Coringão voltou.
Mano mexe errado no time. Tudo bem, não tem banco. Mas mexe errado.
3x2. 3x3. Puta que o pariu. O Coringão voltou. Família em silência de novo.
Mais umas graças do Ronaldo. A torcedora mais velha pontifica - até que ele não é tão gordo como na televisão.
Vamos jogar com raça e com o coração, é o time do povo, é o Coringão.
Moradei, o renegado Moradei, 4x3. O Pacaembu vem abaixo.
Faltam alguns minutos mais os acréscimos do fraco Simon.
Torcida de pé, torcida nervosa, pedindo o fim do jogo. Sofrido. O Coringão voltou.
Na saída, a corneta começa a soar. Se o Mano soubesse mexer no time...
Jogo bom pra levar a família ao futebol. O Coringão voltou.
Era uma vez uma cidade pacata, a 90km da frenética Buenos Aires. La Plata, um centro urbano de 800 mil habitantes, uma intensa vida universitária e um famosíssimo (na Argentina) museu de história natural. Qualquer semelhança com Campinas definitivamente não é mera coincidência.
Nesta urbe provinciana, em que o tempo corre lentamente e o Café de Don Manolo ainda é o lugar para se discutirem acontecimentos, casos e causos, no fim do século XIX (1887) surgiu o Gimnasia Y Esgrima, "los lobos", de caráter popular, o mais antigo clube em atividade na Argentina, apesar de ter ganho apenas um título em 29 (alguma semelhança com a Ponte Preta?). Em 1905, após brigas internas, fundou-se o Club Estudiantes de La Plata, de caráter mais elitista (Guarani?) e ambos logo se tornaram inimigos viscerais.
As décadas passaram e ambos seguiram disputando campeonatos como coadjuvantes e se odiando, até que em 1965, o Estudiantes começou a formar um time predestinado; simples, muito raçudo, com um meio de campo comandado por um monstro, que realmente jogava com um prego nas mãos para intimidar quem quer que fosse e que depois levou a seleção argentina, como técnico, ao segundo título, em 86 - Carlos Bilardo, "el Narigón".
O diferencial "pincharrata" (apelido do Estudiantes) era um ponta esquerda feio e rápido como uma flecha, de sobrenome Verón, conhecido como "la Bruja". La Bruja destroçou a academia palmeirense em 68 e levou o Estudiantes à final mundial contra o Manchester United. Neste dia, calou um Old Trafford lotado de ingleses hostis aos argentinos (principalmente depois da famosa pisada de Rattin na bandeira britânica na Copa de 66, após ser expulso) e um time com Bobby Charlton e George Best., entre outros.Estudiantes campeão do mundo. Outras duas libertadores seguidas conquistadas transformaram o Estudiantes, outrora time provinciano, em lenda sul-americana.
Nos anos 70, 80 e 90, sempre recebendo muito mais respeito por aqueles três anos mágicos, vieram mais dois títulos nacionais, mas o fogo do time parecia que ia se apagando.
Eis que entra em cena outro personagem; o filho de Verón, Jun Sebastián, já chamado de "la Brujita", que diferentemente da rapidez e contundência do pai, era um meio-campista clássico, alto, desengonçado, capaz de enxergar todo o jogo ao seu redor e dono de um passe com precisão milimétrica.
Após alguns anos no Estudiantes, foi para o Boca, time mais rico, como era a praxe no tempo em que vivia. Neste momento ficou famoso pela habilidade monstruosa e pela negação retumbante em comemorar qualquer gol que fizesse contra o seu Estudiantes. Mais alguns anos, passagens por grandes equipes italianas, como a Inter de Milão e inglesas, como, quem diria, o Manchester United e, aos 28 anos, com milhões de euros a ganhar na Europa ainda, resolveu voltar para a Argentina, deu uma banana para ofertas da dupla Boca/River e foi para o velho estádio "pincharrata", apenas pelo sangue que corria em suas veias.
O resultado disso foi coroado nas duas últimas semanas, em que com a cara rasgada, liderou o velho Estudiantes a engolir o Cruzeiro, no Mineirão. Novamente um time simples, muito raçudo, sendo regido por aquele careca feio de 1m85.
Daqui a 10, 20, ou 30 anos, um historiador argentino, torcedor ou não, vai poder dizer: era uma vez, um time mediano, de uma pacata cidadezinha que ganhou quatro libertadores da América, graças à liderança de duas bruxas (como a Alcéia e a Meméia dos quadrinhos), pai e filho, que nasceram abençoadas pela habilidade, raça e um coração fatalmente "pincha" e escreveram uma história sozinhos (o resto são coadjuvantes, melhores ou piores). E assim, o Estudiantes de la Plata é uma equipe mitológica na história do futebol sul-americano.
E que a próxima Bruja Verón continue esta saga.
No fim, la Plata, que se parece com Campinas, tem como diferencial duas bruxas, o que não é pouco. E eu tenho a certeza de que, mais do que qualquer rivalidade mesquinha com o Cruzeiro, ou com a Argentina, eu vi uma final histórica, como alertou o Demas e que realmente, como disse o Luis, só pode ser contada pelo Eduardo Galeano.
ps: para não ser imparcial, cito o fato de que o Gimnasia, o rival, está em euforia, pois após quase cair para a segundona de lá, precisando ganhar o seu jogo por 3x0, fez um gol aos 17 do segundo tempo, o segundo aos 44 e o terceiro aos 46 e levou a torcida dos "lobos" ao delírio. Nada tão grandioso quanto uma Libertadores, mas uma certeza que continuaremos a ver o Derby Platense nos próximos tempos.
La Plata tem sorte, como diria o Amaral.
ps2: como seria uma mágica que eliminasse a diferença de idade entre as duas bruxas e armasse um time com as duas jogando, já que o estilo de uma complementa o estilo da outra??
Hoje tem final de Libertadores. O torneio mais importante das Américas. Na TV, um interessante Flamengo e Palmeiras, cujo interesse maior é saber se o Jorginho aguenta o tranco e é confirmado técnico do Palestra. Interessante a relação do público com o maior torneio das Américas. Como ninguém perde dinheiro, deve ser fácil comprovar que um jogo do Brasileiro atrai mais patrocínio e audiência que o jogo de Belo Horizonte. Quando o Corinthians caiu para a série B, lembraram uma história do Sinatra, que preterido de uma cabeceira de mesa teria dito que cabeceira é o lugar em que o Sinatra está sentado. Simples assim. Em São Paulo, a glória da Libertadores é a obsessão corinthiana em disputá-la e sempre fazer papelão. Pode escrever, o Corinthians vai ganhar a Libertadores do próximo ano e redescobriremos este que é o melhor campeonato de futebol do mundo - o Brasileirão.
Acho que a auto-estima dos nossos hermanos já foi melhor. Desse jeito as piadas velhas sobre o ego argentino vão entrar em extinção.
Por D´Alessandro, meia do Inter, ontém:
"Fui xingado o tempo todo pelo William. Palavrões de todo tipo para me provocar. Além disso, ele me chamou de argentino de uma forma ofensiva, preconceituosa", continuou.
Ô, o Coringão voltou, o Coringão voltou, o Coringão voltou!
Todo time tem a sua própria mitologia, um jeito de contar a própria história e que, invariavelmente, confirma uma certa tradição. Há os que se vêem soberanos, outros que se entendem argentinos. E há os que insistem em renascer, confirmando o samba do Vanzolini e a dignidade de quem não perde a esperança. Os mitos não são melhores ou piores. São narrativas que emprestam sentido e coerência para fatos, muitas vezes desprovidos de qualquer importância.
Ontem, mais importante do que ser campeão, foi poder gritar, mais uma vez, que o Coringão voltou; que é grande aquele que cai, que é gigante aquele que levanta, mas que o mais importante mesmo é orgulho da própria trajetória. Uma bela lição de ética para o ano do nosso centenário.
Celso Marcondes “Fora Sarney! Diretas Já!”, minha mulher lembrou deste grito ontem à noite, quando assistíamos ao Jornal Nacional. O leitor deve se lembrar daquele momento. A presidência da República tinha caído no colo do maranhense (que ainda não era do Amapá) depois da morte de Tancredo Neves, em abril de 1985. A grande maioria da sociedade brasileira queria mais, queria eleições diretas.
Porém, um ano antes, em 1984, o Congresso Nacional havia rejeitado a emenda Dante de Oliveira e o clamor popular. Tivemos que engolir as indiretas e tragar Sarney. Aí, ficamos alguns anos ouvindo os gritos acima nas manifestações de rua. Até que, em 1989, pudemos finalmente votar para presidente e ... eleger Fernando Collor .
Vinte longos anos se passaram, o leitor se deu conta? E o grito volta. Só que agora da tribuna do Senado, nas vozes de ....Artur Virgílio e José Agripino, senadores do PSDB e do DEM. O povo assiste, nenhuma entidade popular se manifesta até agora sobre a crise que destrói o Senado. E o PT, triste ironia, pela voz do presidente Lula antes e da senadora Ideli Salvatti ontem, saem na defesa do indefensável.
São os preços das alianças. O governo trouxe o PMDB para o seu lado, virou maioria. Pagou caro por isso: as presidências da Câmara e do Senado, vários ministérios, dezenas de cargos a importantes, centenas de nem tanto. E muito mais. É a tal da “governabilidade”. Por conta disso vai aturando os desmandos infinitos: nepotismo, empreguismo, desperdício de verba pública, orçamentos secretos, uma lista que não para de crescer e envolve todo o Senado – para não falar da Câmara dos Deputados, Michel Temer anda mudo - , alguns senadores bebendo mais da fonte, outros menos.
Claro que a oposição joga com o caso, não seria oposição se não o fizesse: com a queda do imperador do Maranhão, assumiria seu cargo, o vice Marconi Perillo, do PSDB. Daí ficaria muito mais fácil emplacar a CPI da Petrobras e muitas outras coisitas mas, em ano pré-eleitoral, de disputa na ponta da faca.
Sabendo disso, o bloco de situação, majoritário, mantém o impasse e o próprio partido tucano tenta uma saída negociada, rifando Perillo e montando uma “comissão especial” para substituir Sarney. Perillo chiou, o PSDB recuou, o impasse continua.
A cada dia sabemos novidades de Sarney e do Senado. Claro que a crise é da instituição. Mas quem é a “instituição”? Quem a presidiu nos últimos tempos? Lembremos só dos mais ilustres: ACM, duas vezes, Jader Barbalho, Renan Calheiros e José Sarney, três vezes. Vamos e venhamos, com uma galera deste “naipe”, como diria meu sobrinho, o que esperar da “instituição”? Você gostaria de ver estes “cidadãos comuns” comandando a tua micro-empresa ou a escola do teu filho?
Pois é. Apoiar a destituição de Sarney custará caro ao presidente Lula e ao PT. Mas, fazer o quê, a vida é assim. Não tem almoço grátis. E se o convidado é uma “mala”, sinto muito, já se sabia disto antes, hora de pagar a conta cara. E dispensar a sobremesa.