Se pudesse ter escolhido um resultado, escolheria o zero a zero.
É verdade que o empate nos deixa quatro pontos daquele que não deve ser nomeado. É verdade que na corrida pelo título esta diferença é considerável. Mas também é verdade que nos poupar de ver o velho e bom Murici comemorando um eventual gol do adversário foi bom. Fez bem para a alma.
A saída de Murici do São Paulo era inevitável. Havia um desgaste no trabalho do nosso treinador tricampeão. Creio que a diretoria errou ao colocar um ponto nesta história sem assumir os erros da própria diretoria. Deveriam ter poupado o nosso treinador da desgastante “responsabilidade” pelo fracasso da Libertadores e por nossa inapetência no primeiro semestre. E tenho tido um prazer diferente ao assistir aos jogos do SPFC com Ricardo Gomes. O time de fato parece mais leve, alegre e menos carrancudo.
Com Murici nos desacostumamos a perder. Exceto nas pelejas da Libertadores, que foram derrotas doloridas pela cobiça que nós torcedores temos pelo caneco continental, e por isso tão marcantes, o São Paulo era um time de uma irritante obviedade e de previsível resultado, a vitória. Com o Ricardo reaprendemos a perder e a sofrer. Vai ser um caneco diferente este que conquistaremos em 2009. Desconfio que as comemorações serão até mais calorosas.
Mas ontem, sinceramente, não era dia para triunfos ou humilhações. Murici é como nós, um torcedor do São Paulo. É sempre bom, portanto, um período de resguardo antes das pilherias naturais que nascem com o futebol.
Temia por três situações no jogo de ontem: A primeira, a derrota. E como seria a reação de Murici. Se houve desapontamento no aceite, embora absolutamente compreensível, ao convite palestrino, seria desgostoso demais ver Murici comemorando algum gol, batendo no peito e tais coisas que a emoção descarrega. Seria uma adaga, um punhal, um coice. E seria constrangedor demais se ele não comemorasse, porque do lado de lá da força o sentimento também seria de traição. E Murici não é um traidor. Sem contar que perder para a SEP seria o fim de qualquer possibilidade de caneco, pois seria uma derrota indizível.
A segunda, se o São Paulo ganhasse com folga, jogando bem e dando espetáculo. Esta hipótese era remota, mas todo o torcedor sonha. Eu sonho, e muito, com goleadas contra o Palmeiras. Estes sonhos me divertem. Mas não seria divertido neste caso, pois do lado de lá um de nós sangraria.
E a terceira, e de maior probabilidade, seria a de que o jogo se definisse em algum erro de arbitragem, daqueles crassos, óbvios, solares. O pós jogo seria terrível ao ver as explicações sobre o fardo. No futebol os erros dos juizes sempre revelam nossa face oculta abominável, e por vezes deliciosamente perversa, de que a vitória vale mesmo três pontos.
Mas o juiz foi bem e o empate selou um armistício. Bola para frente, a punição acabou. Agora vamos atrás dos quatro pontos que ainda nos separam: o caneco mais saboroso.
A madrugada é um tempo imprevisível. Eu adoro a madrugada.
Tudo em silêncio. E tudo pode acontecer.
Outro dia, (ou melhor dizendo, outra madrugada), lá pelas três, ouvi um barulho no quarto ao lado e fui checar se estava tudo ok com o pequeno. Ele parecia apreensivo e levantou assim que pus a mão em sua testa suada. Olhou para mim bastante sério, com aquela cara de precisamos conversar e disse: “Você sabia, Ju: ohomem-aranha não é científico”.
Fiquei perplexo com aquela novidade. Nunca pude imaginar que o Aranha, Peter Parker para os íntimos, não teria nenhum grau de robustez científica em sua conformação morfológica.
“É mesmo, Lucas”, respondi com a voz cansada. Reuniões, um longo expediente e entrevistas coletivas me esperavam no dia seguinte. “Então, ponha a cabeça no travesseiro e volte a dormir.”
Ele me obedeceu meio que por inércia. Colocou a testa suada na imagem de um avião da década de 1910 que está estampada em seu travesseiro, voltou os olhos para o pingüim azul americano de nome espanhol em sua fronha e, dez segundos depois, pegou no sono novamente.
Fico imaginando de onde ele tira essas histórias. Claro que o Aranha, em ficção, é comprovadamente científico. Parker foi picado durante uma excursão de sua escola por uma aranha de laboratório. Daí, veio a sua força descomunal, capaz de levantar até 10 toneladas, a sua aderência, que lhe permite espionar os inimigos em arranha-céus, e o seu radar rastreador, que lhe avisa o perigo. Aranha, laboratório, é pura ciência. O que ele quis dizer com não-científico?
Então, veio outra madrugada. Outro barulho. Lá fui eu ver se estava tudo ok. A testa estava novamente suada e ele novamente levantou-se da cama arqueando a sobrancelha, um ar de “preciso te contar uma coisa”.
“Sabe, Ju: aquela montanha que sai fogo não é um vulcão.”
“Como não, Lucas?” (Novamente, ele estava errado e é dever de pai ensinar as coisas aos pequenos.) “Lucas, se é montanha e sai fogo, claro que é um vulcão.”
“Não, Ju. Aquela é a montanha do dragão.”
Um silêncio reinou no quarto por uns instantes. Pensei se deveria corrigi-lo. Explicar como funciona um vulcão ou se não seria melhor voltarmos a dormir, afinal, passava das duas e outro longo dia de trabalho me esperava assim que amanhecesse.
“Tudo bem, Lucas. É a montanha do dragão avermelhado. Agora, vá dormir!”
Às vezes, acho que Lucas me convence, nem que seja pelo cansaço. Eu é que estou errado. Nós, adultos alfabetizados, é que estamos errados. Lucas é que é científico. Afinal, o Aranha é mesmo uma ilusão. E a montanha é do dragão vermelho que vive no alto do Vale dos Dinossauros. Um picterodátilo à espreita. E nada de vulcão. São fatos claros como o ar que outra vez me acordou em meio a suspiros infantis na madrugada. Lá fui eu arrastando chinelos pelo quarto para vê-lo se levantar com uma paciência quase oriental e voltar-se para mim com toda a sua sabedoria.
“Sabe, Ju: aquela rocha não é a rocha voadora dos vikings. É a rocha de uma tempestade de verdade.”
Vão dizer que é cedo de mais, mas o Brasileirão terá as primeiras finais hoje e no outro domingo. São dois jogos do Palmeiras contra Inter e SP. Se perder os dois, perdeu o campeonato. Se ganhar, será difícil alcançá-lo. Isso porque o Muricy está armando um ferrolho no Palmeiras. O time está indo de um-a-uns e um-a-zeros. Vejam que ele colocou o Diego Sousa de atacante. Ainda não deu certo, pois o Diego perdeu até gol cara-a-cara contra o Botafogo. E o Obina voltou a murchar. Parece feio dizer que o Muricy é retranqueiro, mas a verdade é que ele fecha o time. Isola o jogo. Está longe de ser um Parreira, mas entope o meio-campo. Cria um xadrez para o adversário. Pode até dar certo. Deu nos últimos três anos. Só que ele tinha mais elenco.
Muricy deslocou o Hernanes para a direita no começo do ano. Deu certo por uns três jogos, inclusive num SP 1x0 Palmeiras em que ele cruzou da direita para o Washington fazer o gol. Só que, logo depois, Hernanes ficou irreconhecível. Curioso como Hernanes é volante que sabe passar a bola, e não meia armador. Cada jogador tem a posição que joga melhor e, muitas vezes, não precisa ser um grande treinador para escalar o time. Talvez, esse seja o simples mérito do Ricardo Gomes. Basta colocar cada um no seu lugar de preferência. Richarlysson era um lateral péssimo, mas é excelente marcador pela volância esquerda. E ganhou o motorádio na última quarta-feira acumulando essa função com o apoio à zaga e um golaço.
Falando em gol tem gol mais corintiano do que o tento do Chicão contra o Inter?
1) O gol surgiu de uma jogada tradicional do Timão: jogar a bola na área para ver o que acontece. Vale lembrar: o gol de 77 do Basílio surgiu assim. Não foi uma jogada ensaiada, mas um tento empurrado pelos olhos pela massa.
2) Vejam que não foi bem um chute a gol do Chicão. Foi uma sucessão de divididas que levou a um estouro desmedido para o gol rente a pés adversários em cima da linha. Foi um gol-dividida.
Sakiro Suzuki - a versão japonesa do Joãozinho!! No primeiro dia de aulas numa escola secundaria dos EUA a professora apresentou aos alunos um novo colega, Sakiro Suzuki, do Japão.
A aula começa e a professora: Vamos ver quem conhece a história americana.
Quem disse: 'Dê-me a liberdade ou a morte'? Silêncio total na sala. Apenas Suzuki levanta a mão e diz: - Patrick Henry em 1775 na Filadélfia.
Muito bem, Suzuki. E quem disse: 'O estado é o povo, e o povo não pode afundar-se.'? - Abraham Lincoln em 1863 em Washington. A professora olha os alunos e diz: - Vocês não têm vergonha? Suzuki é japonês e sabe mais sobre a história americana que vocês!
Então, ouve-se uma voz baixinha, lá ao fundo: - Vai tomar no cú, japonês de merda! - Quem foi? grita a professora. Suzuki levanta a mão e sem esperar responde: - General McArthur em 1942 em Guadalcanal, e Lee Iacocca em 1982 na Assembléia Geral da Chrysler.
A turma fica super silenciosa, apenas ouve-se do fundo da sala: - Acho que vou vomitar. A professora grita: - Quem foi? E Suzuki: - George Bush (pai) ao Primeiro-Ministro Tanaka durante um almoço, em Tókio, em 1991.
Um dos alunos grita: - Chupa o meu pau! E a professora irritada! Acabou-se! Quem foi agora? E Suzuki, sem hesitações: - Bill Clinton à Mônica Lewinsky, na Sala Oval da Casa Branca, em Washington, em 1997.
E outro aluno se levanta e grita: - Suzuki é uma merda! E Suzuki responde: - Valentino Rossi no Grande Prêmio de Moto no Rio de Janeiro em 2002.
A turma fica histérica, a professora desmaia, a porta se abre e entra o diretor, que diz: - Que merda é essa, nunca vi uma confusão destas! Suzuki: - Lula para o ministro da Aeronáutica, a respeito do caos aéreo em Dez/2006, Brasília.
E outro aluno, num sussurro que ecoou: - Ihhh... agora fudeu de vez! Suzuki: - Lula de novo, após a queda do avião da TAM.
O diretor fica estarrecido com a petulancia do japonês e da euforia da turma e diz: - Cambada de viadinhos filhos da puta, vcs tem que virar homens de verdade! Suzuki: - Adilson Batista para o time do Cruzeiro depois da derrota da libertadores de 2009.
Impossível esquecer que Jorge Aragão e Beth Carvalho já estiveram no espaço sideral.
Sim, a NASA botou numa dessas espaçonaves um robô que despertava ao som de Jorge Aragão...
Na voz da primeiríssima dama Beth Carvalho: "Coisinha do Pai" era a canção.
E a mesma pareceria rendeu outros clássicos...
Coloco aqui um deles, talvez o mais importante nesta quarta feira de agosto.
"Chora, não vou ligar Chegou a hora Vai me pagar Pode chorar pode chorar (mais chora!) É, o teu castigo Brigou comigo Sem ter porquê Eu vou festejar, vou festejar O teu sofrer, o teu penar
Você pagou com traição A quem sempre lhe deu a mão
Bom, antes de mais nada, esclareço que sou são-paulino desde 1980.
Nestes quase 30 anos de torcida, já vaiei o Raí e anos depois gritava o nome dele até perder a voz. O mesmo se deu com o Careca, o Pita, o Rogério Ceni e muitos outros. Acredito que o importante é a qualidade das partidas feitas pelo jogador, bem como o tanto que ele veste a camisa do time. Por esta razão, pouco gritei o nome do craque Kaká, que jogou de forma razoável no Tricolor e não vestiu a camisa do time por estar mais preocupado com a sua tranferência para a Europa.
Por outro lado, já exaltei os nossos ídolos que jogavam muito, bem como jogadores limitados, como o Pintado, para dar um exemplo, que mostravam muita raça.
Em síntese, acredito que os jogadores devem ser incentivados a jogar bem e mostrar raça e amor à camisa. Só isso.
Pois bem, eu não consigo ficar quieto vendo um bando de imbecis, com bosta na cabeça, perseguindo o Richarlyson pela sua aparente orientação sexual.
Eu não sou um defensor incondicional do Richarlyson, mas espero que ele seja avaliado como os demais jogadores; aplaudido nos momentos em que está jogando bem, como nas últimas partidas e vaiado, ou cobrado, quando joga mal, como recentemente, quando foi um ala ou zagueiro medíocre.
De qualquer forma, merece lembrança os fatos de que ele sempre joga com raça e, segundo dizem, é um dos jogadores mais sérios, que levam mais a sério a missão de vestir o manto sagrado, treinando mais do que os demais jogadores e seguindo as ordens dos treinadores.
Por esta razão, após ser derrubado, na década de 50, a discriminação racial no futebol , seja combatida a discriminação de orientação sexual e, inclusive, acabemos com a hipocrisia, já que sabemos que vários jogadores fazem pose de machões e gostam, na verdade, de outros machões. A HOMOFOBIA É ALGO TÃO NOJENTO QUANTO A DISCRMINAÇÃO RACIAL.
Quanto aos "organizados" da Independente, meus desejo de que todos vão à merda e deixem os estádios para torcedores de verdade.
Segunda-feira, com o sol fervilhante e o ar seco como areia. O campeonato brasileiro das séries A e B avança, próximo à virada de turno, com o prenúncio de recuperações emocionantes e tombos embaraçosos dos ditos "cavalos paraguaios" pela frente
Nas séries C e D, aquelas com as equipes mais simpáticas do país, donas de seus pequenos caldeirões, terrões e suas centenas de fanáticos, inferno de alguns times de massa que nelas penam por algum tempo, a hora é de decisão.
Destaco, em primeiro lugar, a série D, em fim de semana de definição da primeira fase. A manchete de impacto é o inferno da nação coral do Santa Cruz, que perdeu a passagem para a próxima fase diante de 30 mil torcedores no Arruda. O grupo A3 merece destaque, pela classificação do Ferroviário cearense e o Alecrim, duas das mais simpáticas equipes do país.
Por fim, a série C já se encontra em fase decisiva, faltando apenas um jogo para conhecermos as equipes que jogarão a série B em 2010. No primeiro jogo, Guaratinguetá x Caxias, com uma vitória por dois gols a zero, a equipe do Vale do Paraíba está quase lá. No segundo jogo, entre o Brasil de Pelotas e o América Mineiro, tudo igual no sul e a minha aflição, já que eu gostaria que ambas fossem promovidas. No terceiro jogo, entre o ASA de Arapiraca e o Rio Branco do Acre, um empate em terras alagoanas e a minha torcida pela vitória do Rio Branco, neste conflito entre a selva eo sertão. Por último, o encardido Icasa, da terra do padim padre Cícero segurou heróicamente um empate diante do Paysandu e sua ensandecida torcida, no caldeirão da Curuzu.
Pois é, o próximo fim de semana vai ser quente, seja úmido ou seco.