XV de Jau versus ASA
Bolonistas, setembro termina...
Alguém vai dizer, com certa dose de razão, que o São Paulo Futebol Clube abandonou a disputa pelo caneco de 2009. O empate de ontem teve gosto de chá velho, nem quente nem frio. E fornece munição aos torcedores do Sport Club, pois revela uma forte tendência à freguesia.
O empate foi patético. O time demonstrou raça, o que não é pouco. Mas faltou tranqüilidade e capacidade para impor o jogo. Em síntese, nessas fases cíclicas em que a camisa joga mais do que o próprio time, o clube com nome inglês devolve, ainda que sem a mesma fidalguia, as indigestas derrotas no período anterior ao gol do Betão, no ano inesquecível do rebaixamento.
Mas a questão não é o empate. Vamos ganhar o quarto caneco e esta questão me parece tão óbvia como a certeza de que a soma de dois números pares resultará num outro número par. A questão é encontrar logo o nosso eixo para não deixar para as últimas rodadas uma busca ingrata ao Clube Que Não Deve Ser Nomeado.
Ricardo Gomes teve uma missão espinhosa. Entrou numa arapuca, porque quis, é verdade, e muitos eram incrédulos. Cornetas zombaram de nossas qualidades e alguns piadistas de véspera vaticinaram nossa ida para outras séries e, pior de tudo, que nossa jornada em 2010 era a Copa do Brasil. Mas o time foi se arrumando, ganhando, atropelando. E apresentava uma característica diferente dos anos anteriores: leveza e alegria na posse da menina.
E é este o ponto central da discórdia com relação aos últimos desatinos: O São Paulo de Ricardo Gomes não é a engenharia matemática de Murici, que teve seus momentos de genialidade, como canso de repetir aqui nestas nossas páginas. O São Paulo de Ricardo Gomes só conseguiu entrar numa disputa a qual alguns incautos classificavam de impossível, a luta pelo título, por duas razões lunares: A primeira, a cadência nova do time. Hernanes com bolas de açúcar, Dagoberto com sorrisos nos pés e Jorge Wagner deixando descansar o lado kicker de futebol americano. Richarlisson com pulmões de ópera. E o time jogando com sincera felicidade. A segunda razão é o destino, o sol que rege o horóscopo tricolor.
Concentremos-nos, portanto, nas próximas rodadas, nas primeiras razões. André Dias não pode ter medo de errar, porque quando se tem medo, se erra de forma bíblica. Nossos volantes não podem ter a precisão suíça dos relógios, lhes é permitido ousar, sonhar, voar. Junior César pode voltar a correr como a lebre que encantou a Ilha do Retiro. Jean pode e deve voltar ao improviso de um Kroll, o dínamo holandês.
Ricardo Gomes, meu caro, ouça o conselho deste humilde bolonista: o caneco é um detalhe. Esqueça a matemática e se entregue ao improviso. Este será o caneco da diferença. As lições das últimas rodadas nos ensinam que querer copiar é mera cola de ginasial. São os outros times que querem ganhar e para os mortais o caneco é obrigação. Este é o segredo. Para o povo vermelho, preto e branco a taça é só mais uma loa, um capítulo, uma jornada.
Faltam só cinco pontos. Ao hepta. Ao tetra: “O campeão voltou”.
28.09.2009
Escrito por Jubas às 22h11








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