Escalo a seleção dos sonhos para a Copa que se avizinha


Todos sabem da minha imparcialidade quando o assunto é futebol. Sou, sem dúvida alguma, das pessoas mais equilibradas e sensatas neste assunto que transborda emoção. Emoção, muitas vezes, é inimiga da razão.

Por essas e por outras é que me deu vontade de dar uns pitacos sobre o selecionado brasileiro. Véspera de copa, véspera de torneio das confederações. O Taiti não pode nos surpreender!!!

Então, escalo a seleção como se a estréia fosse domingo próximo. E o faço com a sempre certeira das justezas de princípios e caráter que movem minhas análises futebolescas.

No gol, evidentemente não podemos esconder que Diego Cavalieri foi o próprio Castilho no Brasucão. A leiteria pura. Foi o campeonato. É óbvio que a convocação do número um do Fluminense é necessária. Mas... vejam... sou daqueles que defendem a experiência no gol. A frieza, a sabedoria, a tranquilidade de alguém que já passou por inúmeras histórias: do frangaço histórico e histérico ao maravilhoso milagre, a defesa mais das impossíveis, Banks em cabeçada de Pelé. E aí, meus caros, é justo que o goleiro titular da seleção seja ninguém mais ninguém menos que Rogério Ceni. Mito. Justo. Equilibrado. E ainda pode fazer uns gols naquelas pelejas parelhas...

Na lateral direita, Daniel Alves é uma espécime de coringa, de escoadouro, de super trunfo. Mas futebol é momento, convenhamos. E ninguém no globo pode esquecer do renascimento de Paulo Miranda. De zagueiro apupado, da dança com o moicano, a se transformar no lateral direito preciso, objetivo, forte na marcação e capaz de passes milimétricos nas disputas mais áridas. Paulo Miranda na lateral é certeza de garra, de solidariedade na marcação e de segurança aos zagueiros. Vaga para ele.

Na zaga, as obviedades do tal Tiago do Paris sei lá e de David Luiz. Mas, porém, contudo e entretanto, as vezes o óbvio vira clichê. Gosto de zagueiros já entrosados. E na seleção isso pode ser uma vantagem, um ás na manga, um tento de Careca. Por isso é que escalaria Tolói e Rhodholpho para comporem a zaga. Tolói porque é um zagueiro que nunca erra - e os perfeitinhos de plantão irão lembrar da lambança no gol de empate do Flu, do Fred, na decisão do Brasucão, no que eu respondo: A exceção confirma a regra. E a regra é: Tolói não erra. E Rhodholpho porque com tanto "H" no nome confere a virilidade necessária para uma zaga de seleção. Com tanto "H" nem uruguaio.

Continuando, e se você chegou até aqui no texto já está seguro de minha total responsabilidade e isenção, na lateral esquerda não podemos olvidar nossas dificuldades. Nos últimos anos uma profusão de laterais se espalhou para tentar substituir o Zé Meião, grande lateral campeão de tudo pela esquadra nacional. A responsabilidade, portanto, é enorme. Marcelo, do Real Madri, me parece adequado, mas só em partidas já decididas. Convenhamos, não é no mundial que devemos arriscar. Por isso, e por outras, Cortez me parece o nome ideal. O futebol moleque, irreverente, cheio de malemolência, mas com senso de marcação ímpar - reparem, ninguém marca como ele no futebol mundial - é o melhor dos cenários para as aventuras que vêm por aí.

Futebol não se premia invenção de modinha. Volante é volante. Esse negócio de escalar gente com bom toque de bola, com boa saída, é para quem gosta de emoções. Tá certo, se tivéssemos algum Falcão ou algum Cerezo, vá lá. Não temos. Paulinho é um mago. Ralf, um destruidor imponente. Ramires, serelepe demais. Mas confio no entrosamento, no queijo e na goiabada, na banana e na aveia, na cuíca e no tamborim: Denílson, do Arsenal da Inglaterra (experiência internacional, fundamental acredito) e Wellington do São Paulo fazem uma dupla de sonhos, capaz de ressuscitarem Bauer, o monstro do Maracanã, e Chicão, do dono de Mendonza (os dois são, sem nenhuma sombra de dúvida, os melhores volantes da história do futebol pátrio, quiça do universo). Batata, anotado, ponto.

Dois meias. O futebol brasileiro precisa respeitar suas tradições. Gersón, que ganhou sozinho aquela dura partida com a Itália em 70, final de copa, não me deixa mentir. Nem Raí, o santo de 94, o homem que marcou o gol mais importante da estréia naquela copa, copa que finalmente nos tirou da fila da tristeza nos mundiais. Marcar o primeiro gol é para poucos, muito poucos, mas decidir o jogo é outra cousa. E aquele jogo foi, sem dúvida, o mais difícil daquele mundial modorrento (Raí se machucou no ânimo e só voltaria a jogar bem contra a Suécia, na semifinal). Portanto, dois meias de excelência são necessários para um bom time. Muitos vão falar de ZiDanilo, e sua frieza cósmica. Outros falarão de Oscar, o homem da nota de três reais. Mas, confesso, sem pudores: Ganso, por tudo o que fez no Santos, merece a oito. Cerebral, inteligente, capaz de tomar boas decisões, na vida e no jogo. Sim, há certa desconfiança por causa das contusões, mas vamos respeitá-lo. E com a dez, só podemos escalar alguém que só pode ser comparadado, em assistências, ao melhor jogador do planeta, Messi. E este jogador, uma espécime de armador de basquete, um Mauri, um Guerrinha, um clássico, é o antigo camisa dez do Shaktar, time brioso e multi campeão da temida Ucrânia. Jádson é o Messi dos Cárpatos. É dele a dez da seleção. O resto é secos e molhados.

Para terminar a seleção, a dupla de ataque. Certamente os reclamões de sempre hão de tecer algum comentário do tipo "essa seleção é muito paulista" ou outras cousas desabonadoras: que fiquem com minha mais profunda indiferença!!!! É mais óbvio que a luz do Sol que Neymar e Fred devem compor o grupo campeão. Para dar alternativas e que tais. Capazes de decidirem renhidas batalhas, os dois devem ser alternativas - muito embora não saibam bater penalidades... mas este time tem Rogério, não será preciso inventar moda. E temos o jogador mais caro de todas as galáxias, o que por si só já justifica a sua inclusão no time (é impressionante como a FIFA pode ser tão obtusa e mesquinha ao não relacioná-lo na lista dos melhores do mundo... ele é o mais caro de todos!!! A jóia da coroa!): Lucas. Mas, um pouco de polêmica não faz mal e os meus dois titulares seriam Luís Fabiano, por razões de excelência e de natureza ululante - a melhor média de gols desde o maior jogagor de todos os tempos, Leônidas da Silva O Diamante - e o pequeno artista Osvaldo, um Ednardo da bola, um pavão misterioso. Futebol é arte, amigos. E Osvaldo e seus dribles que desconjuntam, seus gols maviosos, bastam para compor um sonho melhor que Muller e Chulapa.

Tá escalado o time. Divirtam-se. E preparem-se para comemorar!!!!!!