Os Bolonistas


 
 

Bigodes Prontos!

 

 

Enfim, a confraria nasceu foi por causa de um bolão e por causa de umas trocas de e-mail, com opiniões sempre sensatas sobre futebol e cousas do gênero conversa de boteco. E aquele bando de trintões calçavam o kichute e iam para o blogue lembrar infâncias.

 

Mas foi na Copa de 2006 que o negócio encontrou um fim. Sim, criamos uma copa do mundo imaginária. Uma copa muito melhor que a copa da Fifa. Teve coisas do arco da velha aquela copa da Alemanha. Lembro de um porre com Raí e Chico Buarque, lembro da cagada de medo num jogo da Inglaterra, lembro dos jogos do Brasil, das risadas, dos chopes tomados e da intensa alegria e energia. A confraria foi, de fato, válvula de escape, jogo de botão, tampa de garrafa, saudade e, mais que tudo, abraço e solidariedade entre cúmplices, parceiros, palpiteiros.

 

Mas as coisas vão, caminham, e contas, mudanças, responsabilidades, tecnicalidades e falta tempo, espaço, gaveta e o blogue esfriou, quase que só memória, resquício, foto de escola, bola de gude. Poeira. Mas o fato é que a confraria segue lá seus encontros, suas coisas, seus intermináveis torpedos e outros whatsapps da vida.

 

Pois que neste último final de semana tivemos o casamento do Pança, nosso arqueiro bolonista. E que puxa, que saudade, que legal, que festa. Sim, alguns não puderam comparecer físico, gravata, paletó, mas coração é um bicho que pulsa e voa solto por aí.

 

E teve tudo. Teve gente nova chegando, a Joselitada toda. Mais gente de Brasília, mais camaradas, barbas e bigodes. Fico aqui pensando, matutando, matando tempo que deveria ser dedicado aos prazos prescricionais, decadenciais, tais e tais e lousa e louça, pensando que estamos em véspera de Copa. Uma Copa no Brasil, sonho de todo mundo que algum dia já foi Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho, Júnior, Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico, Serginho, Éder, Careca, Leão, Zoff, Diego, Ronaldo, Bebeto, Muller, Pedro Rocha, Romerito, Dinamite, Reinaldo...

 

Sim, é impossível repetir receita. E já não são mais trintões, são quarentões ou quase quarentões. Mas comprei passagem para ver Uruguay e Jordânia, que copa no Maracanã sem os uruguaios é como paixão sem beijo, sexo sem lambuzação, festa de casamento sem buquê, porre e fofoca, amigo sem boteco, Calcanhoto sem Claudinho, Buxexa e Paula Toller.

 

O jogo é agora em novembro. E Lugano acaba de dar entrevista para Eulália...

 

23.10.2013

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 21h56
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Imatérias

E quando o palhaço não ri, nem chora...?

 



Alguém já observou alguém andando por aí com a alma despedaçada? Sim, alma. Não, não estou a falar de algo esotérico, sobrenatural, religioso, palco, confete, pudim de leite ou pão. É alma. Aquilo que nos dá, a todos, um cadinho de sustância. Que dá a vida um sentido próprio e não mero adjetivo.

As almas estão por aí, a preencher, a recuperar, a comer, a amar, enamorar, chorar, gritar, dor, prazer, gozo, choro, vexame, coragem, medo, raspa de açúcar, limão na pinga, gelo, verbo. Quem não as tem, vaga. Vazio. E os que as têm despedaçadas parecemos trôpegos, vacilantes, macambúzios, diminutos, vesgos nos trilhos.

Sabe-se lá por quais razões, a alma. E ela está nas gentes mas está nos discos, nos copos, nas mesas de boteco, nos brinquedos de criança. Sem ela tudo fica um pouco propaganda de lanchonete de fast food americana de palhaço: “amo muito tudo isso”, como que amor fosse algo prensado, insosso, mastigável somente, médio, meridiano, tombo e até o palhaço causa fobia.

Todos nós conhecemos estes fatos, estes devaneios. Podemos, cultos, impolutos, inteligentes, dar outros nomes... chamar psicólogos, terapeutas, linguistas, engenheiros, médicos e até os advogados para dar tratos à bola e definir esta verdade universal, talvez a única, de que há a alma, sustância, firmamento, essência, razão de.

Pois bem, o São Paulo havia perdido a sua. Sim, o time. Que o assunto todo desta prosódia é mesmo o futebol, o ludopédio, a pelota, a bola, a gorduchinha, ripa, chulipa, driblou, apontou, guardou, balançou a roseira, tá no placar, é rede, oxítonas, paroxítonas, proparoxítonas. E até os azulejos do paço reconhecem que um time sem alma é um vagar eterno pelo purgatório, um velar de bicho, uma escuridão sem destino. Nalgum canto desses campeonatos por aí, bastidores, eleição, reforma de estatuto, arrogância, soberanos, que tais, queixumes, fomos esvaziando, tirando pedaços, esvaindo, consumindo. E o tricolor, o Clube da Fé, parecia um corcunda triste, mas que não chorava.

Isso tudo foi até a noite de ontem, senhouras, senhoures, confrades. Desde o primeiro gol chileno fomos enchendo de volta, como bico de bicicleta, recuperando. Aloísio, finta e gol. Em passe de Maicon. E Rogério, impossível: uma, duas, três vezes. E outro gol chileno e a calibração, o pulso, o coração. E Ganso, açúcar, Aloísio, dribla o goleiro e gol. E Rogéeeeerio, mais uma, duas, três vezes. Aloísio, bola para Ademílson, bola mansa, toquinho, gol. E outro gol chileno. Mas aí tínhamos outra vez nossa cidadela, nas mãos do goleiro infinito. Na garra de Aloísio. No toque sutil de Ganso. E a tabela Ganso, Maicon, Wellinton. E o olhar de Muricy, lá da botica, aviando receitas, conjurando demônios, santos, deuses e deusas.

O correto não seria o pleno pulmão gritar o estandarte do “campeão voltou” ou “time de guerreiro”. Ontem foi muito mais que isso. Simples, assim mesmo.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 11h48
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