Quando não há mais graça, nem sentido, em se torcer para alguém no futebol...

 

 

Sinceramente, não sei. Não sei qual minha opinião sobre o imbróglio final da última rodada do campeonato brasileiro, sobre a questão da Portuguesa ter escalado supostamente um jogador que não poderia e, por isso, deveria perder seus pontos e mais um, e sobre a impugnação do terrível jogo de Joenville, entre Vasco e Atlético do Paraná.

A questão mais fácil, evidente, é que em hipótese alguma, moral, jurídica, de boteco, de amor, de raiva ou de dor, os pontos do Atlético do Paraná não podem migrar para o Vasco. Seria o cúmulo da desfaçatez, o prêmio para a peroba, o soco no estômago. Mas, após a premissa, pergunto: Mas não se vai fazer nada a respeito do jogo? Perder vinte mandos de campo é uma punição razoável para os times e suas torcidas? Parece saltar aos olhos que o Furacão foi de uma negligêngia feroz na organização do jogo. Também parece operação de adição matemática simples imaginar que as torcidas estavam organizando o confronto e que o pior era mais do imaginado: era esperado.


A solução, segundo os códigos e eteceteras, deveria ser a perda do mando do jogo. Mas o jogo n]ao era em Joenville porque a torcida do Atlético já tinha causado quiprocó em Curitiba? O jogo na arena – nome nojento que andam a dar aos estádios de futebol – catarinense já não é a prova de que “perder” o mando tem uma eficácia de chuchu? Para além das reformas na legislação penal, da criação de um sistema que monitore e proíba torcedores do ódio de comparecem aos estádios, da punição de torcidas e de clubes que sustentam as torcidas, algum tipo de punição objetiva ao clube no campeonato deveria ocorrer. Não sei se o rebaixamento, não sei se perder pontos para o campeonato seguinte, não sei se inverter os mandos de todos os jogos do campeonato seguinte... Mas algo eficaz, que retire de fato as possibilidades na disputa, deveria ser pensado. Alguém há de dizer que isto não está na regra atual, e concordo. Mas há que se pensar, sim.


O outro caso é bem mais complicado. Tirando as teses conspiratórias – e eu admito que como bom leitor e cinéfilo tenho paixões e crenças por conspirações, das mambembes também – o fato concreto é que se houve escalação de jogador de forma irregular e a punição é a perda de pontos, inexorável que ocorra a punição. Porque não dá para relativizar, nem de um lado, nem do outro. Portanto, por mais que funestas as manobras da diretoria do Fluminense e que a gente saiba no fundo que o resultado de campo e o rebaixamento do campeão são questões de justiça, quem matou Odete Roitman foi a personagem da Cássia Kiss.


Sim, há que se discutir questões formais e gostaria muito de ter informações de rodadas pretéritas, se o suspenso na noite da sexta feira sempre esteve ausente na rodada do final se semana, se houve notificação para o clube, se houve alho e bugalho.


Porque a Portuguesa não merece ir para série B por causa do Heverton, pelos dez ou quinze minutos que ele jogou na última partida quando o time já não tinha chances de ser rebaixado. Entretanto, talvez mereça, se, de fato, foi tão negligente com o trato com a justiça desportiva. Enfim, temos debates aí.


Mas, sinceramente, a questão toda é outra. É muito mais ampla. Escrevi estas linhas depois de ver uma foto no Estadão em que Marin conversa com Marco Polo Del Nero. Tenho nojo do Marin. Não é um sentimento simples de não gostar ou divergir: é nojo, asco, vômito, azia, bile. Reside na foto, porém, afastando todo o meu dissabor, as razões profundas de que os imbróglios da última rodada não se resolverão. Marin, decrépido, é a síntese do pior deste país, oportunista, convivente, cínico. E enquanto essa gente estiver por aí a comandar cousas públicas – “ah... mas a CBF é uma entidade privada... argumento torpe este, torpe, torpe, torpe” - não há decisões justas. Qualquer uma será injusta, imoral, oportunista, conivente, cínica.

Quem gosta de futebol começa a se afastar do futebol. Estamos sendo derrotados, também aqui. O problema não é o tapetão do Fluninense ou pena da coitada da Lusa. É outro. Imagina na copa...