Os Bolonistas


 
 

Quando não há mais graça, nem sentido, em se torcer para alguém no futebol...

 

 

Sinceramente, não sei. Não sei qual minha opinião sobre o imbróglio final da última rodada do campeonato brasileiro, sobre a questão da Portuguesa ter escalado supostamente um jogador que não poderia e, por isso, deveria perder seus pontos e mais um, e sobre a impugnação do terrível jogo de Joenville, entre Vasco e Atlético do Paraná.

A questão mais fácil, evidente, é que em hipótese alguma, moral, jurídica, de boteco, de amor, de raiva ou de dor, os pontos do Atlético do Paraná não podem migrar para o Vasco. Seria o cúmulo da desfaçatez, o prêmio para a peroba, o soco no estômago. Mas, após a premissa, pergunto: Mas não se vai fazer nada a respeito do jogo? Perder vinte mandos de campo é uma punição razoável para os times e suas torcidas? Parece saltar aos olhos que o Furacão foi de uma negligêngia feroz na organização do jogo. Também parece operação de adição matemática simples imaginar que as torcidas estavam organizando o confronto e que o pior era mais do imaginado: era esperado.


A solução, segundo os códigos e eteceteras, deveria ser a perda do mando do jogo. Mas o jogo n]ao era em Joenville porque a torcida do Atlético já tinha causado quiprocó em Curitiba? O jogo na arena – nome nojento que andam a dar aos estádios de futebol – catarinense já não é a prova de que “perder” o mando tem uma eficácia de chuchu? Para além das reformas na legislação penal, da criação de um sistema que monitore e proíba torcedores do ódio de comparecem aos estádios, da punição de torcidas e de clubes que sustentam as torcidas, algum tipo de punição objetiva ao clube no campeonato deveria ocorrer. Não sei se o rebaixamento, não sei se perder pontos para o campeonato seguinte, não sei se inverter os mandos de todos os jogos do campeonato seguinte... Mas algo eficaz, que retire de fato as possibilidades na disputa, deveria ser pensado. Alguém há de dizer que isto não está na regra atual, e concordo. Mas há que se pensar, sim.


O outro caso é bem mais complicado. Tirando as teses conspiratórias – e eu admito que como bom leitor e cinéfilo tenho paixões e crenças por conspirações, das mambembes também – o fato concreto é que se houve escalação de jogador de forma irregular e a punição é a perda de pontos, inexorável que ocorra a punição. Porque não dá para relativizar, nem de um lado, nem do outro. Portanto, por mais que funestas as manobras da diretoria do Fluminense e que a gente saiba no fundo que o resultado de campo e o rebaixamento do campeão são questões de justiça, quem matou Odete Roitman foi a personagem da Cássia Kiss.


Sim, há que se discutir questões formais e gostaria muito de ter informações de rodadas pretéritas, se o suspenso na noite da sexta feira sempre esteve ausente na rodada do final se semana, se houve notificação para o clube, se houve alho e bugalho.


Porque a Portuguesa não merece ir para série B por causa do Heverton, pelos dez ou quinze minutos que ele jogou na última partida quando o time já não tinha chances de ser rebaixado. Entretanto, talvez mereça, se, de fato, foi tão negligente com o trato com a justiça desportiva. Enfim, temos debates aí.


Mas, sinceramente, a questão toda é outra. É muito mais ampla. Escrevi estas linhas depois de ver uma foto no Estadão em que Marin conversa com Marco Polo Del Nero. Tenho nojo do Marin. Não é um sentimento simples de não gostar ou divergir: é nojo, asco, vômito, azia, bile. Reside na foto, porém, afastando todo o meu dissabor, as razões profundas de que os imbróglios da última rodada não se resolverão. Marin, decrépido, é a síntese do pior deste país, oportunista, convivente, cínico. E enquanto essa gente estiver por aí a comandar cousas públicas – “ah... mas a CBF é uma entidade privada... argumento torpe este, torpe, torpe, torpe” - não há decisões justas. Qualquer uma será injusta, imoral, oportunista, conivente, cínica.

Quem gosta de futebol começa a se afastar do futebol. Estamos sendo derrotados, também aqui. O problema não é o tapetão do Fluninense ou pena da coitada da Lusa. É outro. Imagina na copa...

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 10h21
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Almofadinhas...


 

As vésperas da Copa do Mundo no Brasil, algo que aconteceu tantas e tantas vezes no meu Estrelão e em todos os campos de botão de minhas casas (incluo as pelejas imaginárias também), o futebol no Brasil é "algo em disputa". (OK, reconheço que esse "algo em disputa" é mera escusa retórica para nossa cegueira - ou torcida, ou crença, ou amor)

De um lado, o negocinho. Das "arenas multi uso", do pijama novo da seleção canário lufante, das almofadinhas para bundas nas cadeiras numeradas, nas cotas de patrocínio até para o nariz dos jogadores, dos horários pós novelas. Um negócio lucrativo, rentável, miraculoso, Brasil 3 x 0 Espanha.

Do outro, a imensa resistência de torcedores e almas. Nada, repito, nada foi mais importante do que o acesso de Sampaio Corrêa e Santa Cruz para a Série B do campeonato nacional. Porque dois times de verdade, daqueles que fazem o futebol esta cousa mágica, esta peleja interminável em que a cabeçada de Oscar vence Zoff e o Brasil de Telê empata a última partida viva da história da seleção nacional. Também o Botafogo da Paraíba na série C. E a volta do Vila Nova para a B. São pedaços de resistência de cimento, de paixão, de bandeira, camisa e sanduba de pernil.

Durante muito tempo, por gostar muito do jogo e do meu time, por gostar de ver jogo em estádio, acreditei que o bom começo era a modernização dos estádios, a racionailização das tabelas, um pouco de conforto, o fim dos estaduais para poder me dedicar mais a todos os jogos são clássicos, pontos corridos para premiar mais o mérito do que a sorte.

É verdade que boa parte destes quereres e crenças são benvindos. Seria fantástico um sistema de compra de ingressos e de entrada e saída do Morumbi minimamente racional, razoável e sem aquele empurra empurra que vai dar merda alguma hora. Mas o efeito deste discurso foi demais perverso. Deu asas aos que enriquecem aos custos de sonhos alheios: dos que fabricam casas e prédios, dos que comandam rádio, tv, jornal, revista - e que agora também "usuram" o futebol. E defender o fim dos estaduais, me parece evidente hoje, que é ser ou inocente útil desta maldita roda de destruição de jogos de botão, ou de uma retumbante má-fé: não há a menor possibilidade de um bom futebol sem um Ferroviária versus América de Rio Preto, sem um Olaria versus Goytacaz, sem um Valeriodoce versus Tupi, sem um Galícia versus Fluminense de Feira de Santana, sem um Desportiva versus Rio Branco. O resto é discursinho de "playstation".

Um sanduba de mortadela, um copo de cerveja, um canóli de creme. Bandeira, bumbo, abraço. Xingar o bandeira, a mãe do juiz, o adversário. Mandar o lateral do nosso time vir atender o telefone lá na arquibancada. Camisa do time custando preço de gente e não preço de shopping. Vai ser difícil explicar...

 

Escrevi estas linhas como forma de desabafo. Porque vou torcer pelo meu time amanhã, o São Paulo. Porque para nós tricolores não há nada mais importante do que a Libertadores, do que jogar naqueles campos latinos, enfrentar catimba, ser campeón. Porque nossa vitória seria épica e é difícil imaginar a possibilidade deste acontecimento sem uma partidaça de Rogério ou de Ganso - e Ganso tem feito a gente torcer, secretamente, para que ele continue inconstante e assim não saia do plantel tão cedo em busca de dólares, salários, famas em outras praças, mas continue com a nossa oito arrancando sorrisos quando faz cousas como o quase gol no jogo com o Botafogo. Mas vou torcer sabendo que seria ótimo para a resistência a vitória da Ponte Preta e quem sabe o título, para cuspir na face da prepotência da diretoria sãopaulina e na própria lógica das arenas, almofadas, lanchinho de isopor.

E que no final de semana o grande, o imenso Icasa, do Crato, no interior do Ceará pode rumar para a série A, em pleno ano de Copa. Imaginem senhoures e senhouras a beleza de um jogo da série A em Crato ou em Juazeiro, com a benção de Padre Cícero!!!!

Sempre acho que aquela bola do Oscar entrou. Que a defesa de Zoff não existiu.

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 20h52
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Bigodes Prontos!

 

 

Enfim, a confraria nasceu foi por causa de um bolão e por causa de umas trocas de e-mail, com opiniões sempre sensatas sobre futebol e cousas do gênero conversa de boteco. E aquele bando de trintões calçavam o kichute e iam para o blogue lembrar infâncias.

 

Mas foi na Copa de 2006 que o negócio encontrou um fim. Sim, criamos uma copa do mundo imaginária. Uma copa muito melhor que a copa da Fifa. Teve coisas do arco da velha aquela copa da Alemanha. Lembro de um porre com Raí e Chico Buarque, lembro da cagada de medo num jogo da Inglaterra, lembro dos jogos do Brasil, das risadas, dos chopes tomados e da intensa alegria e energia. A confraria foi, de fato, válvula de escape, jogo de botão, tampa de garrafa, saudade e, mais que tudo, abraço e solidariedade entre cúmplices, parceiros, palpiteiros.

 

Mas as coisas vão, caminham, e contas, mudanças, responsabilidades, tecnicalidades e falta tempo, espaço, gaveta e o blogue esfriou, quase que só memória, resquício, foto de escola, bola de gude. Poeira. Mas o fato é que a confraria segue lá seus encontros, suas coisas, seus intermináveis torpedos e outros whatsapps da vida.

 

Pois que neste último final de semana tivemos o casamento do Pança, nosso arqueiro bolonista. E que puxa, que saudade, que legal, que festa. Sim, alguns não puderam comparecer físico, gravata, paletó, mas coração é um bicho que pulsa e voa solto por aí.

 

E teve tudo. Teve gente nova chegando, a Joselitada toda. Mais gente de Brasília, mais camaradas, barbas e bigodes. Fico aqui pensando, matutando, matando tempo que deveria ser dedicado aos prazos prescricionais, decadenciais, tais e tais e lousa e louça, pensando que estamos em véspera de Copa. Uma Copa no Brasil, sonho de todo mundo que algum dia já foi Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho, Júnior, Falcão, Cerezo, Sócrates, Zico, Serginho, Éder, Careca, Leão, Zoff, Diego, Ronaldo, Bebeto, Muller, Pedro Rocha, Romerito, Dinamite, Reinaldo...

 

Sim, é impossível repetir receita. E já não são mais trintões, são quarentões ou quase quarentões. Mas comprei passagem para ver Uruguay e Jordânia, que copa no Maracanã sem os uruguaios é como paixão sem beijo, sexo sem lambuzação, festa de casamento sem buquê, porre e fofoca, amigo sem boteco, Calcanhoto sem Claudinho, Buxexa e Paula Toller.

 

O jogo é agora em novembro. E Lugano acaba de dar entrevista para Eulália...

 

23.10.2013

 



Categoria: A Nossa Copa do Mundo
Escrito por Amaral às 21h56
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Imatérias

E quando o palhaço não ri, nem chora...?

 



Alguém já observou alguém andando por aí com a alma despedaçada? Sim, alma. Não, não estou a falar de algo esotérico, sobrenatural, religioso, palco, confete, pudim de leite ou pão. É alma. Aquilo que nos dá, a todos, um cadinho de sustância. Que dá a vida um sentido próprio e não mero adjetivo.

As almas estão por aí, a preencher, a recuperar, a comer, a amar, enamorar, chorar, gritar, dor, prazer, gozo, choro, vexame, coragem, medo, raspa de açúcar, limão na pinga, gelo, verbo. Quem não as tem, vaga. Vazio. E os que as têm despedaçadas parecemos trôpegos, vacilantes, macambúzios, diminutos, vesgos nos trilhos.

Sabe-se lá por quais razões, a alma. E ela está nas gentes mas está nos discos, nos copos, nas mesas de boteco, nos brinquedos de criança. Sem ela tudo fica um pouco propaganda de lanchonete de fast food americana de palhaço: “amo muito tudo isso”, como que amor fosse algo prensado, insosso, mastigável somente, médio, meridiano, tombo e até o palhaço causa fobia.

Todos nós conhecemos estes fatos, estes devaneios. Podemos, cultos, impolutos, inteligentes, dar outros nomes... chamar psicólogos, terapeutas, linguistas, engenheiros, médicos e até os advogados para dar tratos à bola e definir esta verdade universal, talvez a única, de que há a alma, sustância, firmamento, essência, razão de.

Pois bem, o São Paulo havia perdido a sua. Sim, o time. Que o assunto todo desta prosódia é mesmo o futebol, o ludopédio, a pelota, a bola, a gorduchinha, ripa, chulipa, driblou, apontou, guardou, balançou a roseira, tá no placar, é rede, oxítonas, paroxítonas, proparoxítonas. E até os azulejos do paço reconhecem que um time sem alma é um vagar eterno pelo purgatório, um velar de bicho, uma escuridão sem destino. Nalgum canto desses campeonatos por aí, bastidores, eleição, reforma de estatuto, arrogância, soberanos, que tais, queixumes, fomos esvaziando, tirando pedaços, esvaindo, consumindo. E o tricolor, o Clube da Fé, parecia um corcunda triste, mas que não chorava.

Isso tudo foi até a noite de ontem, senhouras, senhoures, confrades. Desde o primeiro gol chileno fomos enchendo de volta, como bico de bicicleta, recuperando. Aloísio, finta e gol. Em passe de Maicon. E Rogério, impossível: uma, duas, três vezes. E outro gol chileno e a calibração, o pulso, o coração. E Ganso, açúcar, Aloísio, dribla o goleiro e gol. E Rogéeeeerio, mais uma, duas, três vezes. Aloísio, bola para Ademílson, bola mansa, toquinho, gol. E outro gol chileno. Mas aí tínhamos outra vez nossa cidadela, nas mãos do goleiro infinito. Na garra de Aloísio. No toque sutil de Ganso. E a tabela Ganso, Maicon, Wellinton. E o olhar de Muricy, lá da botica, aviando receitas, conjurando demônios, santos, deuses e deusas.

O correto não seria o pleno pulmão gritar o estandarte do “campeão voltou” ou “time de guerreiro”. Ontem foi muito mais que isso. Simples, assim mesmo.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 11h48
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É só um jogo...


"Pai, esse jogo tá muito esquisito. A gente chuta chuta chuta e nada." O Pequeno, visivelmente impaciente.

Mas o Grande, firme. Mas sonado, bocejo, lutando.

Intervalo.

Bocejos... esparramados pelo sofá.

"Molecada, cês tão com sono. Que tal ir para a cama?"

"Vou, pai. Mas só depois do São Paulo fazer o primeiro gol."

Dali a instantes, gol. Abraços, sorrisos e tais.

"Pai, posso gritar na janela?"

"Não... não é para tanto."

E foi dormir, o Pequeno, feliz.

Já o Grande continou na sala.

"Pai, quando eu falei que ia dormir saiu o gol... e se eu for dormir e a Ponte empatar?"

"Filho... você tá com sono..."

Ele levantou.... ficou em pé na sala... a Ponte atacando.... coçando os olhos... bocejos....

"Filhão... vem aqui."

Colocou a cabeça no meu colo e dormiu.

Fim de jogo, levanto do sofá e com o movimento ele acorda. Digo o resultado do jogo.

"Ainda bem que eu fiquei aqui, pai."

...

É... filho... você sequer desconfia o quanto de "ainda bem".
 
São Paulo 1x0 Ponte Preta. Volta de Muricy.
13. setembro, 12.



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 09h50
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Os fantasmas se divertem

Foi linda a vitória, aquela cantilena, toda a sorte de elogios e elegias e uma infinidade de eteceteras e tals.

Tomamos uma sonora e solapante tunda no jogo de ontem. Resultados assim deixam qualquer comentário sobre o time do outro com cara de pum na sala, com jeito de curió depenado, com esparadrapo no costume.

Sim, ganharam, levaram e não tem muita cousa para falar.

Mas o futebol mágico, o resplendor tático, a lousa, tudo isso passa. Até o acre da derrota, passa. A boa fase alheia, passa. A nossa sorte é esta efemeridade. O tabu de hoje passa, assim como o tabu de ontem, contra ou a favor.

Só há uma cousa que para o torcedor não tem fim, levaremos para o paletó de madeira ou junto com as cinzas...: o nosso time, aquele que escolhemos nalgum dia da vida e que ficam, marcam, tatuam.

Portanto, aos que torcem, estes querem o inferno. Por isso vomito quando os jornalistas esportivos, todos travestidos de neutros, teimam com suas baboseiras acerca de "planejamento", "calendário", "a coragem de manter treinador", "projeto". No inferno, o baile é com o capeta e a labareda redime.

O São Paulo tem jogado pedrinhas em todos os jogos decisivos. Todos. Não ganha clássico e quando ganha é jogo de quinta feira, que decide o troféu do nono lugar ou, quem sabe, a melhor campanha duma primeira fase ou dum segundo turno, quando já se morreu no anterior. Ontem, pela primeira vez em algumas dessas derrotas, perdemos de forma retumbante, sem contestações: não houve juíz, polêmica e contusões para além dos já contudidos. Não houve aquela sensação terna tão comum aos sãopaulinos recentemente de que o "time até que jogos bem" ou, a mais pérfida, "jogamos até um pouco melhor do que o outro".

Aproveitemos, portanto, o sabor desta derrota para ver se saímos deste rame-rame. "Mas vocês ganharam a Sulamericana", dirá algum desses desavisados de coração. Sim, ganhamos quase que por obrigação numa finalíssima pela metade contra um time meia boquíssima. Talvez reconhecer este dilema existencial nos leve a algum divã capaz de entender as razões destes fracassos decisivos, este medo do gozo, esta incapacidade ao infinto que nos assola desde o fim do tricampeonato - basta lembrar da campanha heróica da era Ricardo Gomes, onde saímos do fundo do poço, fomos chegando, passamos e na reta final perdemos de Goiás e Botafogo e deixamos escapar um impossível tetracampeonato nacional, fato que nenhuma outra agremiação do céu, da terra e do inferno poderia chegar neste plano espiritual.

Deixemos as fitas, os embaraços, as pilhérias. Elas vão. O time, este fica. Lá no fundo da alma todos nós escolheremos e nomearemos nossos vilões mais como forma de cachaça, quando sabemos que a enfermidade está na alma. Não acho crível alguém que torça defender, por exemplo, que Nei Franco fique. Mas entendo que isso está longe de ser a solução do problema.

Fiquemos então com nossos fantasmas. Até a estréia do próximo brasileiro.

 

09.05.2013



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 09h27
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Imagina na Copa!!!!

Acordei de madrugada. E não era a insônia habitual. Nem calor, nem frio.

Era a certeza de que precisamos, urgentemente, montar um time para ganhar a Copa do Mundo no Brasil. Sim, a copa! Imagina na Copa.

Falta pouco para o certame, o evento esportivo mais importante, a cereja, a coroa, o santo. E, mesmo assim, tão distantes estamos de um time minimamente estruturado para enfrentar tal grandiosa tarefa!!!!

Não se pode mais dormir no ponto.

E vejamos: o presidente da confederação de futebol é um decrépido, abjeto, filhote da didadura, um pássaro do tipo "surrupia medalhas", um lingueta!!! É isso mesmo que queremos???

Sem time e sem um representante digno para dar um simples bom dia organizando a festa toda...

E já durante o sonho, tinha todas as receitas prontas.

Juvenal Juvêncio na presidência da CBF é algo mais do que natural. Nosso Vicente Mateus repaginado, mas mantendo o folclore, empreendedor, de grife, diferenciado. Nenhum, repito, nenhum cartola está mais preparado para tão importante jornada. Juvenal na presidência da confederação é certeza de bons momentos, de bons augúrios. Sim, é imperioso defenestrar Marin. E com Juvenal estaríamos dando um passo definitivo ao êxito, ao altar, ao infinito. Amanhã mesmo Juvenal poderia desembarcar na Rua da Alfândega (ok, sei que a sede da CBF não é mais perto do Saara, mas de lá nunca deveria ter saído - ainda mais se considerarmos o atual destino...) e garantir a transformação do futebol nacional.

E na seleção, é de uma evidência solar, para o entendimento de qualquer meridiano, que temos que ter um treinador moderno, polido, capaz de inovações táticas e impor variantes durante o jogo - sim, é possível mudar de cinco a dez vezes o esquema tático numa mesma partida, só os amestrados acham que não - com altivez. Sim, conforme as variáveis da peleja um time que entrou com três zagueirões mais dois volantes pode alterar para um time sem nenhum volante. Isso é magia, ousadia!!! É disso que a seleção nacional precisa. Urgentemente. E é o nome de Nei Franco o único capaz de agregar tais virtudes e consagrar o Brasil. Seremos, com Nei, campeões mundiais. Não tenho a menor sombra de dúvida.

E o São Paulo Futebol Clube, e falo por mim e talvez pelos milhões de torcedores soberanos, sempre humildes, estará disposto a dar sua contribuição decisiva para o futebol nacional, nosso patrimônio: Estamos dispostos em perder, no mesmo dia até, presidente e treinador. Tudo em nome da grandiosidade do futebol canarinho!!!!!

E tenho dito!!!

(E, sim, em duas semanas dá para refazer o time destas alterações tão importantes e impactantes. E fazer um jogo decente em terras bolivianas).

http://www.facebook.com/Quodores/posts/282636698536342



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 09h17
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Driblou um, driblou dois, apontooou: Abraço!!!

 

Opa! 

Esse texto aí saiu do forno como encomenda para festa. 

E é, também, um quitute feito para alguns amigos.

Ao Celão, com quem dividi arquibancada comendo um sanduba de mortadela, o que hoje, infelizmente, é impensável. E ao Érico e o Seu Francisco, que fazem a cada jogo do Tricolor uma imensa mesa redonda, repleta de cousas que estão no texto.

Ao Ademar, meu camarada das antigas e parceiro de estádios deste antanho.

Ao Deco, ao Ogro, ao Yuri, ao Boldarini, ao Jubas, ao Rubens, a Alê, a Eva, ao Jorge, ao Bonilha: com eles faço uma imensa mesa redonda virtual sempre que posso durante os jogos do Tricolor.

Ao Marco e ao Leonel, sempre.

Ao meu pai, Seu Nilton, por aquele São Paulo e Juventus...

E a minha mãe, Dona Maria Helena, que se "sãopaulina" não era, ficou.

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Há tempos - e escrevendo, principalmente - descobri que as memórias não são meras anotações exatas, fotografias de cousas acontecidas na exatidão de uma linha reta. Há curvas. As memórias são antes de tudo narrações ficcionais com base em “acontecimentos acontecidos”, filmes que ao contar histórias reais reinventam o enredo, criam novas teias, afeto, sentimentos. As memórias são quase sempre retratos daquilo que ocorreu, com nuâncias do querer ou do não querer. O primeiro azedo não é só o sumo do limão. Nem o doce, que é sempre um pudim de leite furadinho nas memórias.


Esse intróito, breve licença, explica um pouco o que narro nestas linhas. Ontem, 23 de janeiro de 2013, memorável. Não tem sido um ano fácil... nem bem começou e um monte de cousa tem que ser resolvida, revolvida, reparada, restaurada, recomeçada. Muita preguiça, cansaço e até desânimo frente ao novo, que na verdade pode ser tanto o velho com uma roupinha contemporânea como pode, e aí incluímos desejo – e por isso a refrega com o ânimo é tão fundamental - ser uma pisada na Lua, uma viagem ao infinito, um gol de placa. Entre preocupações, diletantes ou não, surge a ideia: Libertadores da América.


Todos sabem que este é o único torneio de futebol de todo o universo que realmente importa, depois daqueles do Estrelão. Até mesmo os pássaros. E o São Paulo quer voltar ao trem, que descarrilhou duns tempos remotos para cá. E era jogo, quarta-feira, ainda férias dos meninos. Naquele horário belzebu das dez da noite. Comprei três ingressos: O pai, o Grande e o Pequeno.


“O que vocês acham de irmos ao jogo do São Paulo?”. A pergunta desencadeou comentários. “Pai, é a Libertadores, não é?”. “Pai, quero. É amanhã cedo?”. E por aí foram. Desde a Sulamericana que eles me pediam para ir ao jogo da “Libertadores”, porque apesar de ter prometido e de ter comprado ingressos para eles naquela ocasião uma sinusite monstruosa, agregada a febres e a recomendação expressa da pediatra, o que ocorreu foi que não ocorreu.


Na final da Sula foi uma muvuca do cão a entrada no estádio. Naquela confusão injustificável para entrar no Cícero até que me resignei em não ter levado os meninos. Foi um caos. E por isso, nesta empreitada nova, fiz planos de chegar bem cedo. Eram sete e quarenta da noite, ainda Sol, quando chegamos. O jogo? Só as dez...


Daqui há alguns anos estas cousas que escrevo, algumas, irão se perder. Outras não. Algumas eles, o Grande e o Pequeno, vão ler. Ah... meninos... foi uma noite belíssima. Sim, o jogo foi cinco a zero para o São Paulo. Jogamos bem, embora o outro time fosse fraco. E teve gol do capitão, o goleiro mais espetacular que já colocou os pés neste Planeta, chamado São Paulo Futebol Clube. Sim, meninos, a coincidência de termos ido a vários jogos no estádio, e no mundo de vocês estes vários não chegam a cinco, contra times que vestem azul e de nunca termos perdido estes jogos. Mas o que ficará na película das memórias do pai serão outras cousas...



O futebol é, antes de tudo, afeto. Quem não torce para algum time não sabe o que é isso e assim como desconhecer o amor, a manga que meleca a mão, o andar descalço na areia da praia, o torresmo, o sorriso, isso faz que a vida da gente seja um tantim menos. No meu caso seria um tantão, mas cada caso, já diriam os teóricos do Direito, é um caso. É antes de tudo a conversa de boteco, a azia quando o time perde, a tiração de sarro, a comédia, as simpatias, os abraços. São os comentários, a mesa redonda, os palavrões, a tristeza de um gol perdido e a certeza que somos o melhor time, independente de posição na tabela, porque ele é nosso.


“Pai, o time precisa de mais jogo aéreo”, frase do Grande quando o jogo estava dois a zero, dita com seriedade. E o Pequeno, que sem pestanejar, depois do gol, saiu a abraçar desconhecidos, gritando, eufórico, pulmão pleno. “Pai, vou ficar é rouco e é legal.”.


Na volta, mais de meia noite, três Amaral andando pela Jorge João Saad, mãos dadas, tagarelando cousas desconexas como os gols em profusão e o nervosismo do Luís Fabiano, o Lúcio que parecia um cavalo de tanto correr, o Rogério, as gentes, os cantos: O campeão, voltou.

13. janeiro, 24.
Texto originalmente publicado no Quodores: quodores.blogspot.com

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 10h24
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Escalo a seleção dos sonhos para a Copa que se avizinha


Todos sabem da minha imparcialidade quando o assunto é futebol. Sou, sem dúvida alguma, das pessoas mais equilibradas e sensatas neste assunto que transborda emoção. Emoção, muitas vezes, é inimiga da razão.

Por essas e por outras é que me deu vontade de dar uns pitacos sobre o selecionado brasileiro. Véspera de copa, véspera de torneio das confederações. O Taiti não pode nos surpreender!!!

Então, escalo a seleção como se a estréia fosse domingo próximo. E o faço com a sempre certeira das justezas de princípios e caráter que movem minhas análises futebolescas.

No gol, evidentemente não podemos esconder que Diego Cavalieri foi o próprio Castilho no Brasucão. A leiteria pura. Foi o campeonato. É óbvio que a convocação do número um do Fluminense é necessária. Mas... vejam... sou daqueles que defendem a experiência no gol. A frieza, a sabedoria, a tranquilidade de alguém que já passou por inúmeras histórias: do frangaço histórico e histérico ao maravilhoso milagre, a defesa mais das impossíveis, Banks em cabeçada de Pelé. E aí, meus caros, é justo que o goleiro titular da seleção seja ninguém mais ninguém menos que Rogério Ceni. Mito. Justo. Equilibrado. E ainda pode fazer uns gols naquelas pelejas parelhas...

Na lateral direita, Daniel Alves é uma espécime de coringa, de escoadouro, de super trunfo. Mas futebol é momento, convenhamos. E ninguém no globo pode esquecer do renascimento de Paulo Miranda. De zagueiro apupado, da dança com o moicano, a se transformar no lateral direito preciso, objetivo, forte na marcação e capaz de passes milimétricos nas disputas mais áridas. Paulo Miranda na lateral é certeza de garra, de solidariedade na marcação e de segurança aos zagueiros. Vaga para ele.

Na zaga, as obviedades do tal Tiago do Paris sei lá e de David Luiz. Mas, porém, contudo e entretanto, as vezes o óbvio vira clichê. Gosto de zagueiros já entrosados. E na seleção isso pode ser uma vantagem, um ás na manga, um tento de Careca. Por isso é que escalaria Tolói e Rhodholpho para comporem a zaga. Tolói porque é um zagueiro que nunca erra - e os perfeitinhos de plantão irão lembrar da lambança no gol de empate do Flu, do Fred, na decisão do Brasucão, no que eu respondo: A exceção confirma a regra. E a regra é: Tolói não erra. E Rhodholpho porque com tanto "H" no nome confere a virilidade necessária para uma zaga de seleção. Com tanto "H" nem uruguaio.

Continuando, e se você chegou até aqui no texto já está seguro de minha total responsabilidade e isenção, na lateral esquerda não podemos olvidar nossas dificuldades. Nos últimos anos uma profusão de laterais se espalhou para tentar substituir o Zé Meião, grande lateral campeão de tudo pela esquadra nacional. A responsabilidade, portanto, é enorme. Marcelo, do Real Madri, me parece adequado, mas só em partidas já decididas. Convenhamos, não é no mundial que devemos arriscar. Por isso, e por outras, Cortez me parece o nome ideal. O futebol moleque, irreverente, cheio de malemolência, mas com senso de marcação ímpar - reparem, ninguém marca como ele no futebol mundial - é o melhor dos cenários para as aventuras que vêm por aí.

Futebol não se premia invenção de modinha. Volante é volante. Esse negócio de escalar gente com bom toque de bola, com boa saída, é para quem gosta de emoções. Tá certo, se tivéssemos algum Falcão ou algum Cerezo, vá lá. Não temos. Paulinho é um mago. Ralf, um destruidor imponente. Ramires, serelepe demais. Mas confio no entrosamento, no queijo e na goiabada, na banana e na aveia, na cuíca e no tamborim: Denílson, do Arsenal da Inglaterra (experiência internacional, fundamental acredito) e Wellington do São Paulo fazem uma dupla de sonhos, capaz de ressuscitarem Bauer, o monstro do Maracanã, e Chicão, do dono de Mendonza (os dois são, sem nenhuma sombra de dúvida, os melhores volantes da história do futebol pátrio, quiça do universo). Batata, anotado, ponto.

Dois meias. O futebol brasileiro precisa respeitar suas tradições. Gersón, que ganhou sozinho aquela dura partida com a Itália em 70, final de copa, não me deixa mentir. Nem Raí, o santo de 94, o homem que marcou o gol mais importante da estréia naquela copa, copa que finalmente nos tirou da fila da tristeza nos mundiais. Marcar o primeiro gol é para poucos, muito poucos, mas decidir o jogo é outra cousa. E aquele jogo foi, sem dúvida, o mais difícil daquele mundial modorrento (Raí se machucou no ânimo e só voltaria a jogar bem contra a Suécia, na semifinal). Portanto, dois meias de excelência são necessários para um bom time. Muitos vão falar de ZiDanilo, e sua frieza cósmica. Outros falarão de Oscar, o homem da nota de três reais. Mas, confesso, sem pudores: Ganso, por tudo o que fez no Santos, merece a oito. Cerebral, inteligente, capaz de tomar boas decisões, na vida e no jogo. Sim, há certa desconfiança por causa das contusões, mas vamos respeitá-lo. E com a dez, só podemos escalar alguém que só pode ser comparadado, em assistências, ao melhor jogador do planeta, Messi. E este jogador, uma espécime de armador de basquete, um Mauri, um Guerrinha, um clássico, é o antigo camisa dez do Shaktar, time brioso e multi campeão da temida Ucrânia. Jádson é o Messi dos Cárpatos. É dele a dez da seleção. O resto é secos e molhados.

Para terminar a seleção, a dupla de ataque. Certamente os reclamões de sempre hão de tecer algum comentário do tipo "essa seleção é muito paulista" ou outras cousas desabonadoras: que fiquem com minha mais profunda indiferença!!!! É mais óbvio que a luz do Sol que Neymar e Fred devem compor o grupo campeão. Para dar alternativas e que tais. Capazes de decidirem renhidas batalhas, os dois devem ser alternativas - muito embora não saibam bater penalidades... mas este time tem Rogério, não será preciso inventar moda. E temos o jogador mais caro de todas as galáxias, o que por si só já justifica a sua inclusão no time (é impressionante como a FIFA pode ser tão obtusa e mesquinha ao não relacioná-lo na lista dos melhores do mundo... ele é o mais caro de todos!!! A jóia da coroa!): Lucas. Mas, um pouco de polêmica não faz mal e os meus dois titulares seriam Luís Fabiano, por razões de excelência e de natureza ululante - a melhor média de gols desde o maior jogagor de todos os tempos, Leônidas da Silva O Diamante - e o pequeno artista Osvaldo, um Ednardo da bola, um pavão misterioso. Futebol é arte, amigos. E Osvaldo e seus dribles que desconjuntam, seus gols maviosos, bastam para compor um sonho melhor que Muller e Chulapa.

Tá escalado o time. Divirtam-se. E preparem-se para comemorar!!!!!!



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Escrito por Amaral às 14h10
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Peladas e Pelados

 

 

Pequeno Compêndio sobre Questões Táticas no Futebol

 

Durante muitos anos o que unia Marta, Gasolina e Diego era uma amizade colorida, um festerê danado, uma alegria gostosa do descompromisso gostoso. Ninguém sabia muito como aquela história começara, nem quem deu o primeiro flerte, muito menos quem sugeriu ideias de triangulações como forma de tornar o jogo mais prazeroso. O fato é que Marta, libertária como tal, era sempre a indicada como responsável pelo fuzuê. Embora alguns insistam numa versão mais endemoniada da história, pois Diego tinha uma capacidade universal de fazer milongas, de floreios e romances tempestuosos. Mas também era inegável a vocação do Gasolina para o gol... e este apetite nunca poderia ser desconsiderado para justificar aquela peleja tão sinuosa que os três participavam, divertiam-se, encantavam. E, sincera e honestamente, este encantamento entre eles gerava mais encantamento. Era difícil não gostar e não torcer por eles.

 

Marta era daquelas mulheres inesquecíveis.  Era fantasista, cerebral, ousada, corajosa, tratava a pelota com esmero, com gala. Tinha um faro de gol incrível. Eram numerosas as histórias de parelhas árduas resolvidas por soluções simples, mas absolutamente geniais. Assim era Marta, que ademais falava inglês, sueco, português e se tivesse que aprender italiano resolvia o trem em uma semana.

Gasolina, moço da pele preta, era definitivamente um homem de superlativos. Genial, objetivo, contumaz. Fazia gols como quem respira e era o homem das jogadas espetaculares. Para Gasolina não tinha zagueiro. A vida se apresentava e ele, com gala, com altivez e com aquela soberba de majestades, seguia adiante. Jogava o fino. Na verdade, desconfio, era a própria pelota em forma de gente.

Já Diego era mágico. Sim, a definição para aquele moço só poderia ser esta: mágico. Uma habilidade sobrenatural o acompanhava. Ninguém reparava em outra gente se Diego tivesse por perto. “Este tem pacto com o canhoto”, diziam. Devia ser verdade, pois a redonda grudava em seus pés, assim como os problemas, as confusões, as bebedeiras, as intensidades. Além de ser bailarino. Imaginem a confusão, entre sopapos e sapatilhas.

 

Mas o romance deles, que era uma história de muita fuzarca, liberdade e libertinagem, como nessas brincadeiras de bola em campos de futebol na rua ou nas praças e parques - não tinha muita regra, como todo jogo de recreio com tampa de refrigerante ou bola feita de papel amassado-, começou a ter problemas na mesma proporção em que resolviam estabelecer contratos, pactos, obrigações. Num jogo como estes, anotem, é batata que o ciúme venha empacotado com qualquer “porque você não me passa mais a bola”. E, convenhamos, qualquer ser vivente reconhece que o ciúme degenera qualquer encantamento.

E Gasolina queria ser melhor que Diego. E os dois resolviam pavonear. E quando pavoneavam, ainda que sem querer (não esquecendo às vezes em que isso acontecia por querer...) tratavam Marta como um bibelô, como um brinquedo para se ter. E nessa moléstia, acabava a elegância, sobrava bravata. Num jogo assim, sabemos, o vaticínio é o gol contra.

E aquela belezura de antes começou a ficar chata, tipo comercial de margarina: tudo lindo, maravilhoso, perfeito, mas nunca mais manteiga. E foi perdendo o viço, as cores e por fim, até, não jogavam mais se não fosse para competir. Dava pena, sabia... E como a vida assim vira campeonato, acabou tudo no tribunal de justiça desportiva.

Mas noutro dia a Marta resolveu ligar. Sempre ela, atrevida como só. Arteira, numa breve frase que resumia tudo: “O Campeonato Brasileiro vai começar e seria uma tremenda enorme e retumbante estupidez que nem uma cerveja a gente tome juntos.”.

 “Ô, seu Mané, desce aí umas ampolas que o negócio tá começando a esquentar...”. E o Mané trouxe foi um engradado cheio: “Vai faltar João.”.

maio, 2012.

PS.: Texto originalmente publicado no sítio "Biscate Social Club", numa semana sobre futebol organizada por lá. Detalhes, cá: http://biscatesocialclub.wordpress.com/2012/05/10/pontape-inicial/



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 16h55
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O recreio do perna de pau

 

 

 

Era uma partida na quadra da escola, recreio e era a final do campeonato daquele recreio. Era a Mariana da terceira série B  e eram a quadra lotada de invejosos  espectadores, o professor careca e a orientadora pedagógica. Era tudo isso e o gol complemente vazio. O gol escancarado, pleno, absoluto, sem goleiro. Todos sabem que o gol tem gosto daquele barulhinho da bola quando estufa a rede, não sabem? Se desconhecem os cheiros, os sabores, as cores do gol desconhecem praticamente tudo na vida, posso afirmar, atestar, asseverar. Quando o João me passou a pelota,imediatamente começou a gritar gol. Eu também. Daqueles gritos da alma, que as pernas arrepiam, os olhos brilham, a saliva seca para depois encharcar. E a bola veio linda, redonda, livre, liberta. Os pés a beijaram, um ósculo maravilhoso, um encontro perfeito. E não era hora de maravilhas e cousas dificílimas: era deixar o beijo e correr para o lado da Mariana, sorrindo e gritando “GOL”. Simples, fácil, grandioso, apoteótico. Ouvi o grito do João, o piscar da Mariana, a ofegante orientadora dizendo que o intervalo tinha acabado. E o apito do professor careca. E o barulhinho da macia rolando pela quadra... GOOOOOOLLLLL.... Traff. Traff?

 

Aquele som nada tinha de glória, nada tinha de golo, nada tinha de Mariana, nem de recreio.  Era a gorduchinha abraçando a trave com gosto e saindo dizimada pela área. Eram meus nervos todos caindo no chão, a anedota, a ignomía, o palavrão do João, o riso do professor careca. Era o silêncio e um monte de gente gritando “errou, impossível, cruz credo, ave maria, ruim, perna de pau, caçarola, grosso, besta”.  Eram meus pés tropicando na própria vergonha, na própria linha do obtuso:  para mim o mundo podia, deveria, merecia ter acabado naquele átimo. Soubesse o que era um enfarto, seria ali. E só. Caído no chão. Tento me esconder na névoa do vexame e uma mistureba de risos, de cânticos, de morte, de solidão e de ingratidão. E Mariana, como quem ama e ainda por cima faz rima, ainda vem com o desfecho final: “Vem, o recreio acabou.” E dá a mão para o goleiro, que ressuscitava nas chamas do meu inferno. Naquele dia, morri: ali, entre as redes e a pilhéria. E nunca mais nasci igual.

 

23.02.2010

Obs.: Quem não viu... o gol do Deivid, de ontem: http://www.youtube.com/watch?v=Gj0a2u_Z9Z4

 



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Escrito por Amaral às 16h20
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Comentários Imparciais de Uma Final de Mundial

 

 

O bom de ser um cronista que todos saibam imparcial é que qualquer abobrinha que escrevamos não vem com a nódoa da paixão clubística. Assim, posso dizer, sem medo que me crucifiquem num altar de oferendas, que o que faltou ao Santos no jogo contra o Barcelona foi a presença, ao menos no banco de suplentes, de um jogador como Marlos: objetivo, retilíneo, com faro de gol. Ou alguém com a raça e a entrega de um Juan, ou, quem sabe, de um Dagoberto.


Pataquadas a parte, o que mais assusta num jogo como esses, não é o resultado ou a forma como o Barcelona jogou. É como a grande parte da crônica esportiva "especializada" reage ao óbvio... De uma hora para outra o Santos de Neimar passou a ser um timeco de quinta série e o Barcelona uma espécime de glorificado seja o vosso nome. Nem tanto ao chão nem tanto ao nariz no chão.


O Barcelona é o que é. Todo final de semana tem jogo dos caras na televisão. Incluindo na TV aberta. Até a areia do José Menino reconhece que a posse de bola é para o Barcelona como os dinheiros extras são para as privatizações. Messi é um demônio e todos, exceto os argentinos que, pasmem, ainda creem que Carlos Gardel não era uruguaio, sabem que parar o cara é tarefa para um ordem inteira de cavaleiros do Graal. Não se trata Messi como mortal quando este está acompanhado pelos arcanjos Iniesta e Xavi. Portanto, a luz solar embasaria o definitivo prognóstico da peleja do último domingo: O Barça ganha, e fácil.


Além do trio do capeta, o time catalão ainda tem o Daniel Alves jogando na posição certa (cousa que somente o Dunga ousou escalar na seleça nacional) e o tal Fábregas, que dizem errou o último passe numa partida da sétima série C. Enfim, na lógica, era caixa, caixíssima, batata, batatíssima.


Mas o esporte em questão não é, ou não deveria ser, somente um jogo de onze contra onze. O futebol é outra coisa. Somente no futebol, e só no futebol, o Olaria da Bariri e o temível Juventus da Moóca podem sonhar, num único jogo, aprontar para cima de qualquer time: Do Santos de Pelé, do Flamengo de Zico, do Brasil de 58 ou do Barcelona, desde Evaristo até o time treinado por Guardiola. É exatamente esta possibilidade - remota, ínfima, patética, sobrenatural, sacrilégio, pecado, feitiço, macumba das boas - que embalou os sonhos dos santistas no embate do mundial. Mas só os santistas, repito para frisar e ser chato, só os santistas, tinham este direito. Os demais, façam-me o favor, que se “surpreenderam” com o resultado, só podem estar motivados por má-fé ou desabrigada ignorância de conveniência, aqueles que fingem não saber para tentar seduzir a patuléia a comprar mais um engradado ou um tênis de marca.


E mais, o Santos que “encantou” a nação nunca foi o Santos de Muricy. O Santos de Dorival Junior que tinha Robinho, André e Marquinhos como volante (!!!) era o Santástico. Muricy chegou exatamente para freiar aquela maravilha cósmica, para dar aquele time um pouco de pragmatismo, de razão prática, por saber que a torcida gosta do jogo bem jogado, mas aprecia mesmo um bom caneco. O time de Muricy era o do jogo com o Cerro, no Paraguai, ou o da final com o Peñarol. Aquele que encantou, e perdeu, no jogo contra o Flamengo foi a exceção. Portanto, nem o bom Muriça foi “surpreendido” com o Barcelona. Muricy apostou na jogada única de Neimar – ou até do Ganso – e que não veio. E errou ao mentir quando disse que o Santos ia ao Japão para se “divertir”. O semblante de desespero do time, e do treinador, passados os primeiros quinze minutos de jogo, diziam que o Santos não queria era fazer feio. Dançou.


A pergunta dos plantonistas das obviedades solares é: como vencer este time mágico do Barcelona? Ora, ninguém tem a receita pronta para todos os jogos e é por isso que o time catalão é o melhor. Mas outro dia mesmo o bravo Levante* deu uma de Paulista de Jundiaí e sapecou um a zero nos rapazes. E noutro dia ainda, o tão apupado – e charlatão, imodesto e chato como unha encravada – José Mourinho ganhou de 3x1 com uma Internazionale jogando numa retranca mágica, de dar gosto. E posso dizer mais uns outros jogos onde o time adversário tomou uma sonora goleada mas não se portou sem fidalguia.


Em resumo, o Barcelona de Guardiola é um timaço. E se o Rogério Ceni fosse o goleiro adversário e jogasse o que jogou naquela partida contra o Liverpool, o caneco poderia até ficar com outro dono. O resto é chuva.

 

19.12.2011

 * Como bem lembrado pelo incansável Chico Bicudo, santista, o Barça perdeu foi do Getafe.... Getafe, meus caros. Em dia de Norusca!



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 23h30
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Faço uma promessa: Se a emenda das Diretas passar eu não vou jogar na Itália e fico no Brasil

 

 

 

Puta dia triste. No meu Estrelão, sempre um espaço para gastar nostalgias, saudades, tristezas, alegrias, memórias, criancices, narrar jogos sozinho, gritar euforias de time, ser torcida e arquibancada, um refletor desligou. E um baita refletor. Daqueles que só de lembrar, da luz, da cor, da felicidade, dói tudo nas entranhas. O melhor do futebol é aquilo que guardamos de criança. E é sempre ruim, muito ruim, quando um pedaço deste infante se vai. Já não existe Papai Noel, já não existe mundo colorido, já não há andar descalço... e agora acabou-se 1982, acabou a única copa do mundo de futebol que, de fato, existiu.


Sócrates era corintiano. Era brasileiro. Era uma sumidade. Mas era palpável, próximo, do caderno de anotações. Era incongruente como nós, falava de política com os mesmos desatinos, acertos, erros miseráveis, sonhos e a doce utopia, a única que nos faz realmente gente, de querer um mundo diferente, menos macambúzio, menos marquetinque, menos comércio, mais papo de bar, mesa de ferro, futebol de botão. Sócrates não se acomodava na política do possível e por isso Sócrates nunca engoliu 94. Porque 94 é vitória, conquista, maravilha. Mas é a política do possível, é o governo sem reforma agrária, a inexpugnável vitória da real politik, da arena multiuso, da arquibancada com cadeirinha de espuma para a bunda.


1982 acabou. Zoff não vai mais me acordar durante o pesadelo. A cabeçada de Oscar no final do jogo nunca mais vai passar a linha. José Silvério nunca mais gritará “é campeão”. Zico nunca mais terá a chance de cobrar a penalidade que Gentile fez, a camisa do galinho nunca mais será remendada. Serginho não dará uns safanões naqueles italianos de ternos armani. Paolo Rossi não será alvejado por uma bazuca quântica de oito mil polegadas. Mestre Telê nunca mais fará a coletiva ao lado da taça FIFA, talvez a taça que mais bonita ficasse na sua coleção. 1982 ficará naquele gol espetacular, mágico, inenarrável, estupidamente soberbo do Doutor contra o maldito Dino Zoff, onde a pelota foi entrar cantinho da meta, no único lugar do mundo que deus pode ajudar.


Que os Deuses, na peleja de hoje a tarde, coloquem o Sócrates no time dos sonhos. É dele a braçadeira. É nossa a saudade. Que o Corínthians de hoje jogue por ele, menos pelo título, menos pelo campeonato, que o time do povo, sem demagogia alguma, possa, ao menos hoje, ser o time do povo. Sem o possível. De coisas possíveis estamos todos com o saco repleto, absolutamente farto.


Sócrates, peço benção Doutor. Te cuida.

 

04.12.2011

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 13h18
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Chuchu Beleza

 

"Pai, que ano... um time que a gente não gosta vai ser campeão e o time que a gente menos gosta ainda ganha da gente..." 

 

Cena do fim de domingo, depois que eu destilei o veneno habitual das derrotas e pequenos impropérios de bolso, Marco Antônio solta estas, um tanto desolado: "Pai, se o campeonato fosse por merecimento o São Paulo merecia ficar em décimo sexto lugar." É filho... tens muita razão...

 

Escrevi esta coluna pensando neste colóquio de final de domingo - plena véspera de segundite...

 

_____________________

 

 

 

Dito que o campeonato brasileiro de futebol se tornou uma torturante aventura ao fígado, de azia imensa perfurante no estômago, laringe e esôfago, dessas dores de goteira que a gente não encontra durante a madrugada, começo pelo óbvio: O São Paulo Futebol Clube fez uma campanha ridícula, patética, grosseira, nojenta, asquerosa, pusilânime, sem brios, nefasta, incondizente com a história do clube e, pior, contrariou a lógica infante de que todo campeonato é feito para o nosso time ganhar.

 

É inacreditável o que fizemos com nosso time. Digo fizemos porque os maiores responsáveis somos nós, os torcedores. Deixamos alguém se achar maior e mais importante que o próprio time e ainda incentivamos um tipo de comportamento que confundiu nossa tradicional e sublime arrogância, em razão do destino que nos foi traçado desde os tempos imemoriais de Fried e da Floresta, com uma soberba estúpida de menino tonto que tem tênis importado de marca. Eis Juvenal Juvêncio: um torcedor como todos nós, mas acometido pela síndrome da última bolacha do pacote.

 

Juvenal é parte importante de nossa história. Sim, foi um dos responsáveis pelo time de 2005 que trouxe o Mundial e que conquistou os três títulos consecutivos do campeonato nacional, uma façanha épica, indizível para os mortais. Mas, inebriado, se perdeu em bobagens, em picuinhas ridículas e esqueceu o arroz feijão para priorizar a bala de goma. Dois episódios recentes na história do Tricolor retratam os equívocos: a briga pela “taça das bolinhas” – um objeto de desejo inexplicável e absolutamente dispensável para um time que é campeão planetário por três vezes – e a alteração estatutária para mais uma reeleição. Enfim, equívocos que acabam por marcar a alma e, todos sabemos, a alma é nosso maior patrimônio.

 

Futebol pode não ser ciência exata. Nem sempre a técnica prevalece. Nem sempre a raça é suficiente. Mas é, sobretudo, o jogo onde o “merecimento”, que se traduz como a arte da dedicação, do apego, da técnica, da raça e do desejo, tem força motriz e decisiva para se portar como digno de um caneco. O São Paulo de 2011 não tem merecimento para nada além do oitavo lugar no campeonato. E este é o fato inexorável, para além da minha paixão e da minha parca razão.

 

Nunca fui, e talvez nunca serei, razoável ao tratar do meu time de coração: meus níveis de colesterol e triglicérides têm três cores em exagero. Este time de 2011 só proporcionou duas efêmeras - mas históricas, homéricas, memoráveis, dionisíacas - linhas: o centésimo gol e o milésimo jogo do nosso arqueiro e capitão. Mas Rogério também sabe que estas linhas só podem existir, e ter a importância devida, em razão do nosso livro vasto e repleto de memórias. Para tanto é preciso recuperar nossa biografia e é por isso que peço, com todo respeito e réstia de admiração, ao nosso presidente para deixar o cargo, antes que os fatos e a bola nos punam ainda com mais severidade.

 

E se chegarmos a Libertadores – o que somente um time com a alma da moeda em pé, de Rui, Bauer, Noronha, Roberto Dias, Renganeshi, King, Poy, Sastre e tantos outros pode explicar e sonhar- que não nos esqueçamos do pífio, do desamor, do desapego, da anemia, da inapetência que nos consumiram neste ano. Não se pode, evidentemente, ganhar sempre. Mas é inadmissível não querer, não cobiçar, não sofrer, não desejar. Sem desejos somos purê de batata, e só. E sem sal.

 

29.11.2011 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 13h31
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Dois Mil e Doze: O ano do Octa!!!

 

 

 


Que pesadelo! Sonhei que o time não ganhava o caneco deste ano. Foi das experiências mais terríveis que já vivi. Só comparável, talvez, àquela primeira vez que tomei cerveja absolutamente quente, in natura. Nas piores visões do sonho ruim, o time não engrenava. O périplo do nauseabundo continuava, rodada a rodada, e ao término do campeonato figuraríamos lá pelo oitavo, nono, décimo lugares. Algo assombroso, senhoures e estimadas senhouras. Tive engulhos.


Mas foi só um momento triste. Logo depois, veio a bomba: Émerson Leão, o Judas que nos traiu em 2005, e quebrou a cara bem bonito ao final daquele ano, voltou ao time. Sim, Leão, o autoritário, o fraseador polêmico, o machão, o sargentão, o village people está de volta ao Cícero Pompeu. Taí uma cousa que não entendo no Juvenal Juvêncio: esta sina em querer ser um Vicente Matheus do B que resultou num VM daqueles de garrafas vendidas em fronteiras, para driblar alfândegas em manobras de ortodoxia e gostos duvidáveis.


Leão teve méritos em 2004 e 2005, inegável. Num time que se notabilizara por papelões em retas finais - do popular, pipocadas - Leão conseguiu arrancar ânimo, apetite, garra e vontades. O time passeou no Piratininga de 2005 e a base da Libertadores estava lá, montada e com muita força e conjunto. E foi no tricolor que o treinador deixou de pintar o cabelo de acaju! Este sinal de sabedoria, o de assumir os grisalhos fios e dar uma temperada na vaidade, é sinal de que nem tudo está definitivamente perdido no ser humano. O acaju, este sim, é o sinal mais eloquente do declínio da civilização ocidental.


Mas o técnico foi embora, nos traiu. Ok, não foi uma traição de novela, não foi nem sequer uma traição de folhetim de banca de jornal. Foi um “nem te ligo”, desses das adolescentes em portão de escola, que nos deixam para passear com o guri que tem motoca. E não deixou saudade! O time não suportava mais o “Zé Bronquinha”: Luisão foi decisivo na Libertas só depois dos rugidos terem cessado. Falcão, o futebolês de salão, teve ceifadas todas as oportunidades no time. O time parecia sinceramente aliviado quando da partida do treinador e Autuori, convenhamos, ganhou aquele caneco mágico de pura epifania contra o Liverpool mais na conversinha de boteco, no papo de bilhar e na lousa do que nos 4-4-2, 3-4-3, 3-2-3-1-1, esses esquemas que deixam qualquer PVC louquinho da silva. Autuori é um Joel de grife, sem prancheta e menos chegado num ferrolho – se bem que, contra os ingleses, o SPFC fez das maiores exibições de gala que uma retranca na história da galáxia jamais imaginara.


O fato concreto é que acordei do pesadelo, renovado. Sim, os excessos de leite com pêra estão com seus dias definitivamente contados. Os mimos, a inapetecência crônica, a anemia e a total indiferença à derrota, pelo jeito, vão ter seus dias de ruína solapante. Tudo o que a diretoria se “esforçou” nestes últimos anos de Juvenal vai ser triturado com os berros do nosso treinador boleiro: Saravá, amém, Oxalá. Agora, vai! E do contrário: Os fatos que vão para bem longe. Que eu preciso é dormir.


25.10.2011

 

 



Categoria: Coluna do Amaral
Escrito por Amaral às 01h53
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