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Saiba quem são os Bolonistas
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SÓ SE FOR AGORA!!!!
Aí pintou Frankitcho....
Eu não tava lá. Só sei que falava de Rolling stones...
Assim ele chegou. Da mesa do lado, se apresentou.
Não pediu pra ser centro-avante, lateral, nem zagueiro. Não vou entrar nos méritos da camisa 10....
Chegou gritando!!! Como não podia deixar de ser. Ainda assim arrumou seu espaço. Desde então, ficou....
Enquanto procuramos, esse cara acha...
Kaiser, ou não, sábio é ele. “ Melhor gandula do que não participar do jogo.” Não quis ser amigo de ninguém. Não conheceu Pança, Demas, Ogro, Basile,Massoneto, Amaral, Ricardo, Zecão, Renatão, Pedro... Mas sabia quem completava o time. É ele!
Hoje tá aí. Dono do boteco mais querido de Brasília. No cardápio, os melhores pastéis de angú. Receita de alguma senhora, talvez “Isaldina, minha filha”. Lá de Monlevade. Terra boa!!! Sendo rebaixado, tomando bola por trás, agüentando a trolha. Na porrinha, jura que tem técnica. Na cana, nem se fale!!! Mineiro na carteira, nas palavras ainda mais. Mineirão é sua casa, quando longe não reclama. Encontra seu espaço, conquista os abraços, seus amigos, seus parceiros. Eterno guerreiro canta:
GALO FORTE VINGADOR!!!!!!!!
Amigo é esse, que você fala, “vamo?” e Ele num pergunta pra onde....
Esse é o gandula eterno!!!! Não some com bola. Fica puto quando a torcida foge. Quer ver bola rolando!!!!!!! Kaiser ou NÃO!!!!!! BOLA TEM QUE ROLAR!!!!!
SALVE FRANKLIN!!!
Esse é Josafá, que é do Pança, do Amaral, do Zecons, do Demas , da RECA, de mim.......Tá em todas....
mas SÓ SE FOR AGORA!!!!
Escrito por Pedrão.
Escrito por Renato às 13h52
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O chefe da grande área

Craque que foi descoberto nos campos de várzea de Mirassol, onde nasceu, e que inevitavelmente foi parar na capital. O Corinthians comprou seu passe. Jogou ao lado de Gamarra e juntos constituíram a zaga mais sólida de todos os tempos.
Fora dos campos, assim como o Dr. Sócrates, também se fez Doutor, mas nas ciências jurídicas. Durante a universidade conheceu o grande amor de sua vida, a também advogada, mas não jogadora Stela, que lhe trouxe alegria para enfrentar os artilheiros com tanta classe.
Tive oportunidade de certa vez estar frente a frente com esse craque. Foi em um jogo ocorrido em Brasília. Acho que era Corinthians x Dom Pedro e ele ganhou o prêmio de melhor jogador da partida. Na festa de entrega do prêmio, um Motorádio, entregue por Sílvio Luís, o público foi ao delírio com o seu inflamado discurso em um certo Bella Rubia. É um craque também nas palavras.
Nas raras situações em que os atacantes conseguem passar por ele e o time é derrotado, faz logo seu característico bico. Quando isso acontece até os jornalistas entendem que é melhor não chegar perto. Que personalidade tem esse zagueirão.
Agora, o Timão que nos perdoe, mas seu passe pertence aOs Bolonistas.
Escrito por Fernando às 18h37
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Um pequeno Cordel para o Albaro
Patativa vem me ajudar.
Fui chamado e obrigado,
A um novelo desfiar.
O assunto é muito grave,
Descrever com arremate
A figura dum rapaz./
É um cabra competente,
Trabalha pra nossa gente,
Veio parar na Capitá.
Homem de grande porte,
Acredito, tenho sorte
A ele me dirigir./
Sabe falar com doçura
Mas repare a estatura
Antes de se iludir.
È sério, compenetrado,
Já o vi sendo folgado
Na hora da confusão./
Incomparável, o glutão,
Que quando bem tratado,
Com um choop bem tirado,
Dana desembestado
Dos assuntos mais variados,
A falar até com as mãos./
Mas não requer paciência
Para a prosa acompanhar.
È grande a inteligência
Da cabeça ao calcanhar,
Porque conhece o Brasil
E também o além-mar./
A vizinha Argentina
Está no seu coração
Cada um tem uma sina
Respeito a opção.
Mas prefiro o Brasil,
Pra isso tem jeito não./
Torcedor do Boca,
Mas também é São Paulino.
Conhece futebol, canta
mais que um hino.
Não peço pra escolher,
Recolho o meu desatino./
Já posso lhe dizer,
Álvaro é o seu nome,
O defensor e atento.
Perdoe o fracasso
Do meu verso escasso Escrito com muito tento.
Escrito por Renato às 16h52
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Renato - o lateral esquerdo
O Renato é um destes caras que não existem. Pudera, nasceu no Piauí, pedaço de terra que, de acordo com o tricolor Nélson Rodrigues, inexiste no mapa do Brasil. Exilado de sua utopia, aportou no Distrito Federal, onde virou um típico gente boa – freqüentador do bar do Franklin, animador de festas, erudito em matéria de samba, rock, funk e outras paradas de negão.
No nosso time, joga sempre pela esquerda. Tinhoso, recusa-e a abandonar a posição, mesmo quando o time precisa de mais alguém no meio de campo. Acha que se abandonar a posição, ela tende a desparecer. Prefere correr sozinho pelo flanco, pedindo bola e divulgando a nobreza da posição. Ou melhor, as virtudes populares daquele setor defendido por gente como Júnior, Vladimir e Nílton Santos.
Como todo gente boa, gosta da nostalgia do futebol, da glórias passadas do rubro-negro carioca e daquele camisa 10 da seleção, que, assim como todo futebol dos anos 80, ainda há de acontecer de novo. Tinhoso, não dá bolas para quem diz que ele torce para um time que não existe mais. Acha que se abandonar a posição, ela tende a desaparecer.
Pois é, cercado de paixões inexistentes, o Renato é um obcecado por utopias. Sonhador? Talvez. Romântico? Bem provável. Mas não pisem no calo dele. Quando se trata dos seus moinhos de vento, ele é um dos dignos remanescentes dos que gostam de lutar. Em todos os sentidos.
Escrito por Luís às 08h43
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O Capitão dos Bolonistas
Não sei se acontece com todos os filhos únicos, mas eu acostumei a colecionar irmãos pelo caminho. O Zecão é um deles. Mas eu não o escolhi de bate pronto. Até porquê, na primeira vez, eu não conheci o Zecão. Eu conheci o Daniel. Num ônibus, Praça da Bandeira/Raposo Tavares. Não fui com a cara dele, nem ele com a minha. Mas isso não é novidade. Ele já falou disso lá embaixo.
Depois eu conheci o Zecão. Morei numa república de sua propriedade. Ele que escalou os seus moradores. Ele que dava as ordens, broncas e carinhos. A República do Zecão.
Compartilhei do começo de seu regime, de sua malhação, de suas vitórias, de suas frustrações. Durante muito tempo, suas teorias, seu pessimismo, suas gargalhadas, sua relação de amor e ódio com o Timão, fizeram parte integrante da minha vida. A sua depressão de morar em São Paulo passou pra mim quando ele foi embora. Depressão de não ter o Zecão por perto pra me dar suas ordens, suas broncas, seus carinhos. Brasília é uma amante poderosa. Arranca as pessoas da gente. De mim, levou dois irmãos.
O bolão que deu início a este diário eletrônico é dele. O Bolão do Zecão. Aliás, esse blog é dele também. Ele que escalou esse time de bolonistas. E nesse time, o Zecão é o capitão. Capitão estilo Dunga mesmo. Dá ordens, broncas e carinhos.
Zecão, assim como eu, você sabe a importância disso: Meu Irmão!
Escrito por Ricardo às 17h46
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Massoneto, o corinthiano de Puglia
Massoneto, o corinthiano de Puglia
Se os seus antepassados não tivessem vindo para o Brasil, Massoneto seria um sofredor. Estaria em Puglia no calcanhar da Bota e poderia optar por duas equipes, o Lecce ou o Bari.
O Lecce ficou conhecido no Brasil uma única vez, quando um dos zagueiros italianos da equipe entrou feio no joelho de Ronaldo dando início à primeira contusão que tirou o fenômeno da Inter de Milão. O Bari teve o João Paulo nos anos 80 (Lembram? Aquele ponta-esquerda do Guarani? Da época em que o Guarani jogava finais de Brasileiros e todos os times tinham pontas?!!) e revelou o meia-atacante Cassano.
Ok, na Itália, Cassano é semi-Deus, mas no Brasil poucos o conhecem. Agora, pensem o seguinte: muitos de nossos bolonistas acreditam que a Copa de 2006 será uma reprise atualizada de 1982. A seleção é perfeita, é a única favorita, tem quadrado mágico, não tem pontas, está em paz com a torcida e coisa e tal...
Será que Cassano será um Paolo Rossi? Ou o bradalhão Luca Toni será um Paolo Rossi? Ou o Gillardino será um Paolo Rossi?
Isola, isola, isola...
Pergunto ao Massoneto, qual Copa prefere: a sofrida 1982 ou a redentora 1994? “Sem dúvida alguma a Copa de 82, a única que existiu”, dispara rápido num e-mail. “Todas as outras têm como referência esta Copa”, completou nosso bolonista. E, para ele, a Copa de 2006 será exatamente como 82. “Falta só saber quem será o Paolo Rossi.”
Massoneto arrisca um palpite: Carlitos Tevez.
Pois é! O fato é que os antepassados Massonetos vieram para o Brasil, foram parar em São Paulo e ele se tornou corinthiano apaixonado. E, agora, a prole Massoneto vai aumentar. Chegará um bebê no início de 2006. E o bebê verá a Copa e nascerá com o Corinthians campeão (ao que tudo indica).
Massoneto me conta que o garoto já é corinthiano. “Havia escolhido o nome Apolônio. Houve veto. Escolhi Sócrates. Novo veto. Desisti. Nem tentei o terceiro nome: Ataliba.”
Ora, a insensibilidade das mulheres... Vamos nos solidarizar ao nosso amigo Masson.
Trouxe a discussão sobre o futuro filho e o futebol. E arrisquei a pergunta bastante polêmica para as mulheres: “O que será mais emocionante: o título do Corinthians ou o bebê?”
“Emocionante vai ser levar o rebento ao estádio. Ver o time perder de 1xO, com gol de pênalti e ouvir do moleque fascinado que quer voltar na semana que vem.”
Gostei da resposta, o cara é realmente um bolonista. E um grande corinthiano.
Como sou são-paulino, resolvo voltar à seleção: “Masson, você colocaria o Ronaldinho Gaúcho na seleção brasileira de todos os tempos?”
Mas, pela resposta, não tem jeito: “Com certeza. Ao lado do Sócrates, do Casagrande, do Zenon e do Rivelino.” Pode? Pode, sim. Torcedor é isso aí.
Tento o campo da política. Pergunto ao Masson quem seria o melhor zagueiro: Palocci, que se defendeu barbaramente, ontem, no Senado; ou Zé Dirceu, que vem se defendendo com unhas, dentes e advogados na Câmara. Ele aposta em Palocci. É quem faz a melhor defesa no campo, apesar de conservador, explica. E o Zé Dirceu apela muito ao STJD, completa nosso bolonista.
Agora, vou para um pergunta que me incomoda há oito anos, quando cheguei em Brasília, na véspera de um Brasil x Escócia, com gol de ombro do César Sampaio e cambalhota do Cafú. “O que mais lhe chamou a atenção e atenção em Brasília?”
Masson: “Provincianismo.”
E o que mais lhe chamou a atenção na SanFran?
“Provincianismo.”
É, o cara é direto ao ponto. Resolvo alfinetar: “Você se considera um exilado de São Paulo, como eu?” Sabem como é: é difícil viver longe do Morumbi.
“Não”, diz em seco, o Massoneto. “Gosto da vida na província, adoro ganhar campeonato paulista.” Resposta típica de corinthiano. São quantos títulos paulistas? Talvez, nem eles saibam ao certo.
O papo-eletrônico vai chegando ao fim e ainda tenho duas perguntas. Não vou deixar a fundamental por último. Para mim, a questão crucial que pode definir o caráter de um bolonista. Dessa resposta, pode advir uma personalidade diferente. Poderemos compreender quem é o nosso companheiro de apostas e futebolismos. “Afinal, você jogaria com a regra de um toque por time, no futebol de botão, ou daria 12 toques por equipe e três por jogador?”
E ele responde: “Conservador. Um toque por time e com bola redonda.”
Seco, direto e amante dos lançamentos com bola redonda, taí nosso companheiro bolonista. Um toque por time. Sim, porque um toque basta para quem teve Sócrates, Rivelino e Casagrande.
Ahhh... Faltou uma última questão. Quis saber do nosso colega sobre a escalação ideal de nosso time de bolonistas. O Amaral entraria com a 10 para lançar bolas no campinho do Zecão na 208/209 Sul?
“Pelo perfil dos nossos atletas, acho que todos jogaríamos parados. O Amaral lançando no meio de campo, eu como beque de fazenda, o Álvaro como centroavante de banheira...”
Ora, meu amigo Masson, se você for jogar de beque, basta uma corridinha para a área. Quem sabe a bola quica na área, bate na trave e volta redondinha pra você chutar. E você, num toque só, pega na veia e estufa as redes. E o time ganha de 1x0, sem pênaltis. E você comemora na campinho da 208/209 Sul como um tal de Basílio, que não está no time dos sonhos, mas que tirou uma torcida inteira do pesadelo e levou-a a mais límpida alegria de campeão.
Escrito por Juliano Basile às 11h27
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Pedrão, arquiteto e flamenguista ou vice-versa
Pedro, arquiteto e flamenguista ou vice-versa
Quando conheci essa pessoa rara, acreditava que seriamos apenas colegas de buteco, não passaria disso. Muito falador, gesticulador, agressivo em seus argumentos e talentoso na utilização de palavrões. É engraçado ver o Pedrão defendendo suas idéias em mesa de bar, às vezes parece que o mundo vai se acabar, mas no final da tudo certo. No decorrer do convívio etílico foi se formando uma admiração natural por este caboclo. Flamenguista doente, (único e grave defeito) sempre estava com a camisa do seu time, pelo menos em dia de jogo. Pedrão é o americano mais brasileiro que conheço, isso mesmo, o cara nasceu em Washington, com carteira de identidade e tudo, piada que eu uso até hoje para sacanea-lo, “Porra Pedrão, você é americano, não torra ”. Na verdade é um baita arquiteto recém formado que resolveu morar em Salvador. A única tristeza de ter mudado para a Bahia, é que os dois times, Vitória e Bahia, estão em uma situação nada agradável. Vira e mexe ele liga no cu da madrugada dizendo que esta com saudade da gente e das butecadas, que foram inúmeras quando ele era candango. Pedro é isso, arquiteto e flamenguista safado com coração do tamanho do mundo. Tomara que ele volte logo, ou não, desde que continue sendo essa figura que a gente conhece e gosta. Pedrão, francamente, você é um cara bacana!
Obs. Ele saiu da lanterna do bolão.
Muito axé pra você
Escrito por Frank às 21h13
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Comandante natural - Amaral
No ano de 1993, eu era um calouro a descobrir a mítica Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Enfeitiçado com a idéia de que era chegada a minha hora de mudar o mundo, eu sempre ouvia falar de um estudante lendário, a quem ninguém naquela faculdade era indiferente, o qual causava reações que variavam de demonstrações hepáticas de irritação a mal disfarçados casos de veneração, chamado Fernando Amaral.
Naquela época, Fernando Amaral, depois conhecido apenas por Amaral, ou Goldo para alguns íntimos, era um atacante incisivo, capaz de estraçalhar defesas em um estalar de dedos, com sua verve afiada como uma navalha, sem jamais abandonar o seu charmoso sorriso, uma de suas marcas registradas. Este atacante conduziu aquele time ao primeiro campeonato de sua história.
A partir daí, o outrora atacante passou à função que exerce até os dias de hoje, a de meia-articulador, o camisa 10 de todos os times por onde passou. Nesta posição, combina dribles desconcertantes com raríssima visão de jogo. Comanda naturalmente, como um maestro, o jogo de seus parceiros de time, exaltando a urgência das vitórias e criando relações de cumplicidade como ninguém. Desta forma, novos campeonatos foram conquistados e novos jogadores se formaram à sombra de seu exemplo.
Tarefa das mais complicadas é descrever a figura do Amaral. De forma simples, eu menciono o seu carisma, que faz com que todos aqueles que o conhecem fiquem magnetizados por sua figura, exatamente como as massas devem ficar por seus ídolos, para assim acreditar que o impossível pode ser conquistado, que uma virada aos 47 do segundo tempo vai acontecer, por que tem que acontecer e que uma vitória épica com nove jogadores em campo está ao alcance do time. Em segundo lugar, destaco o amor monumental pela beleza, apresentado aqui pela narração sensível e acurada de jogadas, nuances e histórias do nobre ludopédio e, principalmente, pela descrição emocionante de suas duas melhores obras, que certamente nos fazem crer num mundo melhor.
Por fim, o homem vai a rua Javari, gosta do Elídio, do Léo, de Jiló e do Naça e ainda por cima é torcedor do maior de todos os times. Este é o camisa 10 do meu time, hoje e sempre!!!!!
Escrito por Ogro às 11h11
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A arte de transformar o fato em belo: Deco
Cinco em cinco pessoas, que gostem de futebol, obviamente, vão se lembrar daquele jogo. Pequena área, pelota alta, bola na área e goleiro na bola. Ela, a redonda, desce macia e ele, ao invés do chutão, mata a menina no peito, pânico na zaga e na torcida, e dá um toque sutil, de peito de pé, encobre o goleiro, chapela o zagueiro e pelota no fundo da rede, mansa e gostosa. A bola que rola, rola macia. Que eu me lembre, e isso não importa, o time, naquele jogo, perdeu a peleja. E o melhor é que todos se lembram do golaço e não da derrota. Um puta golaço.
Assim é o nosso Bolonista. Ninguém, e toda a unanimidade é suspeita, não conhece ao menos um gol de fechar o comércio feito pelo nosso ilustre craque. Em São Paulo, o Deco é reconhecido como o autor daquele gol estupendo contra o Corínthians, em pleno Pacaembu, em que ele fintou o Jatobá, cortou o Maurão e, fingindo olhar para o canto esquerdo, desferiu um petardo, de bico, na direita do pobre e perplexo goleiro alvinegro. Na capital federal, ele é o Demas, o avante irriquieto da Quadra 208, titular absoluto do times dos sonhos do "alvigrená" BellaRubia Futebol Clube. Todos, absolutamente todos, sabem que o cara joga o fino. Para o craque, não importa se o time perde, ganha ou ganha o título. Demétrius, Demétrio, Demétriu, Deco, Dequinho, Demas, Dema e sei lá mais quantos nomes, todos craques, gostam do jogo bem jogado e dos goles de placa. Uma vez o repórter da Jovem Pan perguntou: "Deco, não fica uma frustração marcar esse golaço e o time perder o jogo?" O craque respondeu, e marcou outro gol de placa: "Meu amigo, o sublime é universal."
Escrito por Amaral às 21h42
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Fê BSB
Fê BSB, o Pança, o Gordinho Simpático, é um típico brasiliense por volta dos 30 anos. E, como quase todo brasiliense por volta dos trinta anos, se perguntado, em Brasília, sobre de onde é, responde que não é daqui, mas de outro lugar. Mais especificamente de São Paulo, onde nasceu por acaso. Mas a verdade é que veio para cá com três anos de idade e nunca mais saiu. Tanto que, em terras estranhas, ante a mesma questão não hesita: "sou de Brasília". Aliás, ele passa mal toda vez que viaja para qualquer lugar mais longe que Taguatinga.
Também como todo brasiliense, por volta ou não dos 30, não torce por nenhum time local. Ele torce pelo Campeão dos Campeões, o time que conquistou o primeiro mundial interclubes, disputado em pleno Maracanã, feito que nem mesmo a seleção brasileira conseguiu igualar.
O Fê é um cabra de caráter, daqueles em que se pode confiar de olhos fechados e com quem se pode contar sempre - exceto se você estiver num lugar alto, mas essa é outra história.
Como é comum com a maioria dos meus amigos, não fui com a cara dele quando o conheci, nem ele com a minha. Só alguns anos depois é que descobri um excelente companheiro de papo, furado ou não, e de torcida pelo Timão, numa terra cheia de flamenguistas (nota aos leitores deste diário eletrônico num futuro não muito distante: o Flamengo, time mais popular do Brasil em fins do século XX, ganhou quatro títulos brasileiros até 1992; hoje disputa a quarta divisão do Brasileirão).
Enfim, o Fê BSB é capa preta. E meu padrinho.
Escrito por Zecão às 17h28
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JULIANO BASILE
Juliano, o ludopedicano
No século XVI, com a missão de levar o catolicismo ao Novo Mundo, surgiram os dominicanos. Os cães de Deus (domini cani). Uma ordem caninamente obediente e devotada a pregar a fé cristã.
Penso nos dominicanos toda vez que Juliano me conta de suas partidas solitárias de botão, de suas seleções imaginárias, de seus clubes fantásticos. Juliano é um servo do Futebol, um cão do Futebol.
Por meio de sua obra, Juliano mantém vivos tanto craques mortos na memória quanto cabeças-de-bagre que nunca a alcançaram. Porque ele não é um jogador de botão, desses há vários, profissionalizados, patrocinados: Juliano é um dramaturgo do botão. Seu campo de botão é o palco onde se desenvolvem partidas que nunca houve, mas deveriam. É o altar mais caro à invocação de sua fé.
Em seu diminuto campo e em sua vasta devoção, Juliano reúne improváveis personagens, que através dele realizam um outro destino. Lá, Maradona já deu passe para Pelé quase marcar em Yashin. Ronaldo Luís salvou em cima da linha.
Juliano, o ludopedicano. O cão do Futebol. O servo mais temeroso da Obra Futebolística.
Uma vez, perguntei se sabia de cor a escalação de Camarões na Copa de 82. O beato lembrou os reservas.
Escrito por Demas às 17h45
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Os Bolonistas
Diário de onze profundos conhecedores do esporte bretão sobre as maravilhas do ludopédio. Memórias afetivas, história de grandes pelejas, a consagração dos medíocres, o hall of fame dos botões mundiais, vaticínios das rodadas do futebol no Brasil e no mundo e, o mais importante, a coluna do Amaral. Um diário que não comporta descrições, para quem sabe o valor de roll mops com Caracu. O interesse do blog é tornar públicas as profundas reflexões do Bolão do Zecão e legar aos leitores do futuro uma visão nolstálgico-contemporânea do futebol, a mais importante das coisas menos importantes.
Luís Massoneto
Escrito por Renato às 16h59
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